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Em 2009, foram realizadas plantações experimentais de eucaliptos e acácia no Piauí e no Maranhão. O diretor da empresa, André Dorf, declarou em 2010: “as terras já foram prospectadas e o processo de aquisição deve acontecer já neste ano,”, e afirmou também que o Nordeste “(...) tem nossa preferência por causa da proximidade de portos importantes que facilita o fluxo da produção, já que nosso objetivo é fornecer o continente europeu”. Segundo recentes notícias locais, a Suzano teria escolhido a região do Baixo Parnaíba, no Maranhão, para fazer as plantações e instalar as unidades de produção de pellets.74 As plantações para biomassa são muito diferentes de plantações para a produção de celulose. O ciclo de rotação é de dois ou três anos, em lugar dos sete anos habituais, e a densidade da plantação é maior. Ao contrário das plantações para a produção de papel, que requerem um máximo de celulose e um mínimo de lignina (o “adesivo” da árvore), as plantações para fins energéticos requerem um máximo de lignina. Segundo o diretor André Dorf, são necessários cerca de 30.000 hectares para produzir um milhão de toneladas de pellets de madeira. Considerando-se que pretende produzir 5 milhões de pellets por ano, a Suzano necessitará de um total de 150.000 hectares de terra. A aquisição de terras com vistas à plantação de eucaliptos para celulose já está provocando problemas no Nordeste do Brasil. Nessa região, por exemplo, as comunidades quilombolas seguem lutando para ter reconhecidos seus direitos sobre seus territórios tradicionais. Inaldo Serejo, coordenador da Comissão Pastoral da Terra (CPT) do Maranhão, afirma em uma entrevista que “há um avanço no Maranhão, por exemplo, de empresas como a Suzano Papel e Celulose que está comprando áreas imensas de terra, áreas ocupadas por comunidades tradicionais para plantar eucalipto.” Por conseguinte, pode-se supor que os problemas aumentarão com a expansão das novas plantações para biomassa. Uruguai e Argentina, onde também já se fizeram sentir os impactos das plantações florestais industriais, posicionam-se igualmente como possíveis fornecedores de madeira para energia, o que supõe ainda mais expansão em ambos os países.75 Na Guiana, a Clenergen, uma empresa registrada nos Estados Unidos, que pretende ser a principal produtora e distribuidora mundial de matéria-prima de biomassa para uso na produção de eletricidade, arrenda 2.000 hectares de terras para plantações de madeira para energia, a ser exportada aos Estados Unidos e ao Reino Unido (com a opção de arrendar outros 58.000 hectares). Além disso, ela também tem projetos em Madagascar, Tanzânia e Moçambique, para exportar cavacos para África do Sul e Índia, e outros, nas Filipinas e em Gana.76

74 Overbeek et al, 2012 75 Corrientes busca atraer inversores forestales de Suecia y Finlandia (2012) (http://www.misionesonline.net/ noticias/28/10/2012/corrientes-busca-atraer-inversores-forestales-de-suecia-y-finlandia). 76 Clenergen (http://www.clenergen.com/clenergen-corporation) 32 Plantações de árvores no Sul para gerar energia no Norte

Uma nova ameaça para comunidades e florestas  
Uma nova ameaça para comunidades e florestas  
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