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Capítulo 3

Plantações de árvores para bioenergia no sul 3.1 Por que precisam do Sul? Em primeiro lugar, como vimos no Capítulo 2, a demanda por biomassa de madeira é e será tão grande que o norte não poderá abastecer a si mesmo. De momento, a maior parte dessa madeira importada para produzir energia na própria UE, o principal mercado atualmente, provém da Rússia, do Canadá e dos Estados Unidos. As exportações destes dois últimos países para a UE passaram de 0,8 milhão de toneladas de cavacos em 2008 para 1,6 milhão em 2010. Porém, Hakam Ekstrom, porta-voz da Wood Resources International, prevê que “à medida que a demanda for aumentando nos próximos 10 anos, eles [os produtores de energia] não poderão obter todo o volume localmente e terão que recorrer a outros lugares, como Austrália, África, América do Sul e Ásia”.64 Nos últimos 30 a 40 anos, as plantações de monocultivos de árvores se ampliaram cada vez mais nos países do Sul, simplesmente porque as empresas, em especial as produtoras de celulose para papel, encontram ali mão-de-obra e terras baratas, normas ambientais menos rígidas e produtividade por hectare geralmente alta. Países como Brasil, Chile, Uruguai e Indonésia podem produzir 20 a 44 m3/ha/ano de madeira dura de eucalipto, contra os 4 a 6 m3/ha/ano das plantações em países do Norte que industrializam madeira, como Suécia e Finlândia. Não obstante, para as comunidades locais, as plantações industriais de árvores de qualquer tipo, assim como outros monocultivos em grande escala, costumam representar perdas incalculáveis e conflitos violentos.65 3.2 Planos e projetos Respondendo à crescente demanda, tanto na Ásia, na África quanto na América Latina, já se começam a conhecer planos e projetos de estabelecimento de plantações de madeira para energia. A seguir, listamos alguns dos projetos conhecidos, e aqueles em que os promotores apontam claramente que as plantações estão voltadas para a produção de bioenergia para exportação. É necessário considerar que o futuro preço da tonelada de madeira para energia deverá ser competitivo com o preço de outros usos que são dados à madeira, caso contrário, e como exemplo, a madeira poderia terminar abastecendo uma fábrica de celulose.

Asia No continente asiático, conhecemos pelo menos cinco projetos de plantações para energia por parte de empresas de origem japonesa e sul-coreana, a saber: 1. Em 2008, a gigante sul-coreana de eletricidade Kenertec recebeu do Conselho para o Desenvolvimento do Camboja a concessão de um total de 60.000 hectares de terra, uma área seis vezes o tamanho permitido conforme a legislação fundiária cambojana. Além de atividades de mineração, a empresa pretende desenvolver um complexo para processar madeira de seringueira, pinhão-manso e mandioca.66 Contatos locais no Camboja conta64 http://www.renewableenergyworld.com/rea/news/article/2011/03/eus-renewable-goals-driving-wood-pellet-growth 65 Overbeek et al, 2012 66 Kenertec develops a bio-complex in Cambodia (2008) (http://www.kenertec.co.kr/english/relations/whatsnew_read. asp?page=2&num=12) Uma nova ameaça para comunidades e florestas

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Uma nova ameaça para comunidades e florestas  
Uma nova ameaça para comunidades e florestas  
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