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Para reduzir as emissões de CO2 na capital alemã, cerca de 20% até 2020, o Senado em Berlim assinou, em 2009, um “Acordo Climático” com a Vattenfall Europe.48 Segundo o documento, a biomassa cumpre um papel central na estratégia, ao “ajudar a cidade a cumprir seus compromissos de proteger o clima”. Pelo menos no papel. Para a multinacional, significa um negócio altamente rentável, pois a queima de biomassa é financiada na Alemanha no marco da “Lei de Energias Renováveis”. Na época, a Vattenfall planejou construir duas usinas de energia de biomassa em Berlim com uma capacidade total de 222 MW. A empresa também planejou incorporar o uso de biomassa nas quatro usinas a carvão mineral existentes, contribuindo assim para uma geração adicional de 260 MW. De acordo com a empresa, isso requereria um abastecimento anual de 1,3 milhões de toneladas de biomassa. Apesar de os compromissos de Vattenfall sobre biomassa terem sido parcialmente adiados e reduzidos desde então,49 a empresa continua planejando usinas de energia de biomassa em Berlin, bom como em Hamburgo. Em Berlim e no estado federal de Brandeburgo, que circunda a capital, já existem outras 42 centrais de biomassa, sendo impossível adquirir toda a biomassa na região para atender aos planos da Vattenfall para 2009. A madeira disponível já é altamente demandada pelas indústrias de madeira, de granulados de madeira e de papel e celulose. Por isso Vattenfall declarou que utilizaria principalmente resíduos de madeira, como árvores de natal, restos de poda de parques urbanos, etc. Também sugeriu estabelecer plantações de árvores de rápido crescimento e identificou para isso cerca 300.000 hectares potenciais em torno de Berlim. Ao Sul da cidade, já existem amplos monocultivos industriais de pínus. Na primavera de 2010, a Vattenfall anunciou um acordo para a compra de um milhão de toneladas de cavacos de madeira de seringueira da Libéria.51 Naquele país africano, a Buchanam Renewables (BRE), fundada em 2008 por investidores norte-americanos, coletava seringueiras envelhecidas e as exportava na forma de cavacos. A Vattenfall AB, de Estocolmo, informou sobre a aquisição, por 20 milhões de euros, de 20% da Buchanam Renewables, e a organização estatal sueca para o desenvolvimento, Swedfund, também adquiriu outros 10% da empresa.50 Entretanto, depois de protestos internacionais por parte da organização Salva la Selva e outras, denunciando os impactos do projeto da BRE, em maio de 2012, Vattenfall e Swedfund decidiram se retirar da Libéria. A multinacional prescindiu da madeira tropical e anunciou a venda de suas ações na BRE. Ela argumentou que a madeira seria cara demais e não haveria quantidade suficiente no país. Agora, a Vattenfall pretende cortar florestas e promover plantações de árvores no Canadá e nos Estados Unidos, onde, segundo o porta-voz da Vattenfall, Hannes Hönemann, estão sendo negociados novos contratos.

48 Klimaschutzvereinbarung mit der Vattenfall Europe AG(http://www.berlin.de/sen/umwelt/klimaschutz/aktiv/vereinbarung/ vattenfall/index.shtml) 49 http://www.tagesspiegel.de/wirtschaft/berliner-klimapakt-vattenfall-verschiebt-kraftwerksbauten/7117062.html 50 Vattenfall press & news(http://www.vattenfall.com/en/press-kit-biomass.htm?WT.ac=search_success) 51 Vattenfall: Proteste stoppen Tropenholz aus Liberia (http://www.regenwald.org/erfolge/4293/vattenfall-proteste-stoppentropenholz-aus-liberia) Uma nova ameaça para comunidades e florestas

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Uma nova ameaça para comunidades e florestas  
Uma nova ameaça para comunidades e florestas  
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