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Quadro 4. A política agrária comum e o incentivo a “cultivos energéticos” Um elemento comum aos países europeus é a Política Agrária Comum, PAC, que significou o fim da agricultura tradicional na Europa. Neste momento, ampliar os cultivos energéticos é um dos objetivos mais ambiciosos dentro das políticas para energias renováveis na União Europeia. A PAC fomenta o reflorestamento de terras, incluída a conversão de terras agrícolas em plantações e a transformação e a comercialização de produtos florestais. Prevê também possíveis subvenções para o florestamento de terras agrícolas. Em 2005, a produção de biomassa com fins energéticos havia ocupado 3,6 milhões de hectares de solo agrícola da UE. Segundo projeções, 19 milhões de hectares de terras agrícolas na Europa estarão sendo exclusivamente destinados à produção bioenergética em 2030, o que terá um impacto sobre a biodiversidade, bem como sobre a produção de alimentos e a soberania alimentar em geral, aumentando as importações de alimentos e matérias-primas para sua produção.33

Garantir a matéria-prima Em vista das projeções sobre a demanda de biomassa para bioenergia na UE, que dispara com os objetivos e incentivos concedidos, será necessário importar a matéria-prima para poder mantê-la. Em 2010, a indústria europeia de painéis de madeira calculou que, para alcançar os objetivos de biomassa dos diferentes estados-membros para 2020, serão necessários 700 milhões de metros cúbicos de madeira para queimar por ano.34 Recordemos que, segundo as projeções na Europa, há apenas 800 milhões de metros cúbicos de madeira (florestal e reciclada) disponíveis anualmente, os quais, em sua maioria, destinam-se a outros usos, como a construção, a produção de móveis ou de polpa de celulose para papel. Esses usos demandam até 500 milhões de metros cúbicos anuais. Somando-se esta cifra à demanda por biomassa, chega-se a um total de 1,2 bilhões de metros cúbicos. Na União Europeia, faltarão 400 milhões de metros cúbicos de madeira em 2020,35 segundo estas estimativas, as quais coincidem com as da FAO. Outra análise de dados e tendências feita em 201136 estima que haverá um aumento no consumo de biomassa de madeira até 2020 na União Europeia, entre 100 e 200 milhões de metros cúbicos, e que a maioria dos estados-membros não tem condições de atender a esse aumento com seus próprios recursos madeireiros. No entanto, esses dados tendem a ser seriamente subestimados, dado a tendência mais recente de converter usinas a base de carvão mineral para biomassa, e também o aumento massivo da co-combustão, introduzindo a biomassa, por várias empresas Europeias de energia. Hoje em dia, os resíduos de madeira já

33 Agência Europeia do Meio Ambiente, 2010. 34 El sector de la madera secunda mañana el paro europeo para cuestionar las primas a la biomasa (http://www.evwind. com/2010/10/29/el-sector-del-tablero-secunda-manana-el-paro-europeo-para-cuestionar-las-primas-a-la-biomasa/) 35 Holzwerkstoffindustrie protestiert morgen gegen Holzverbrennung zur reinen Energiegewinnung (http://www.presseportal.de/ pm/79403/1707252/holzwerkstoffindustrie-protestiert-morgen-gegen-holzverbrennung-zur-reinen-energiegewinnung) 36 Hewitt, 2011 Uma nova ameaça para comunidades e florestas

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Uma nova ameaça para comunidades e florestas  
Uma nova ameaça para comunidades e florestas  
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