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Reino Unido propôs recentemente subsídios de longo prazo para eletricidade a partir de agrocombustíveis que, se as propostas avançam, poderiam resultar numa duplicação da importação do óleo de dendê nesse país. Nos EUA, quantidades desconhecidas de agrocombustíveis estão sendo misturadas com o óleo de combustão e queimadas em usinas de energia. A maior parte vem de soja colhida nos EUA, no entanto, em 2011, quantidades significativas de óleo de dendê do sudeste Asiático foram queimadas em duas grandes usinas no Havaí. Se a empresa envolvida (HECO) retomasse ou aumentasse esse nível de queima de óleo de dendê, poderia se tornar uma das maiores importadores desse óleo dos EUA.

Não obstante, a maior parte dos agrocombustíveis importados é usada para o transporte rodoviário na UE. Em 2011, uma quinta parte dos agrocombustíveis consumidos teve que ser importada.28 No entanto, as evidências mostram que os maiores impactos que os agrocombustíveis têm causado na Europa sobre plantações de óleo de dendê até agora têm sido indiretos: com a UE utilizando dois terços de sua produção de óleo de canola para agrocombustíveis, as indústrias de alimentos, cosméticos e química começaram a substituí-lo pelo óleo de dendê. Também em 2011, o biodiesel foi o agrocombustível mais utilizado para o transporte na União Europeia. Com um volume de 70% do mercado de agrocombustíveis, o etanol teve uma cota de 28% e o óleo puro, de 2%. Além disso, até 2020, a indústria aeronáutica europeia planeja dispor de 2 milhões de toneladas de bioquerosene por ano.29 Várias companhias aéreas já fizeram voos de prova. A única empresa com capacidade suficiente para produzir quantidades significativas de agrocombustíveis apropriados para o uso em motores de avião no futuro próximo é a Neste Oil. A empresa já é o maior produtor mundial de agrocombustíveis de óleo de dendê. Por isso, espera-se que ele venha a ser a principal matéria-prima para companhias aéreas.

Subsídios e incentivos Os objetivos e subsídios da energia “verde” da UE supõem um apoio definitivo à grande indústria agrária e florestal e à geração de bioenergia, pois elas dão confiança e estabilidade ao mercado.30 E apoio é o que não falta. A produção de biomassa e de biocombustíveis recebe na EU, em média, 75% dos subsídios às energias renováveis, e os 25% restantes se repartem entre as outras energias renováveis,31 provocando o desequilíbrio no qual dois terços da energia, classificada como renovável na UE provêm da biomassa e só um terço vem das outras energias renováveis - solar, eólica, hidráulica, etc. Os subsídios se determinam em nível nacional e, por isso, variam entre diferentes países, onde cada governo estabelece as medidas concretas para alcançar os objetivos energéticos.32

28 Global Agricultural Information Network Gain Report, realizado por técnicos del Departamento de Agricultura de Estados Unidos USDA, http://gain.fas.usda.gov/Recent%20GAIN%20Publications/Biofuels%20Annual_The%20Hague_EU-27_6-222011.pdf 29 FOE Europe, 2011 30 Ver, por exemplo: The European wood pellet markets: current status and prospects for 2020. (http://robins.ee/wp-content/ uploads/2011/12/2011-Wood-Pellets-market-trends.pdf) 31 www.biofuelwatch.org.uk 32 Renewable energy: Action plans and forecasts (http://ec.europa.eu/energy/renewables/action_plan_en.htm) 16 Plantações de árvores no Sul para gerar energia no Norte

Uma nova ameaça para comunidades e florestas  
Uma nova ameaça para comunidades e florestas  
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