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Os estudos de consultores e instituições nos quais se apresentam cenários futuros indicando que há tanto uma determinada “necessidade”, uma “demanda”, quanto um abastecimento futuro significativo de biomassa a base de madeira e outros produtos, são fatores a estimular o setor da bioenergia de madeira. Por exemplo, a Agência Internacional de Energia (AIE), financiada pelos governos das economias que mais consomem energia e com forte influência de empresas energéticas, assinala em seu “guia tecnológico” que a produção de energia de biomassa alcançará 7,5% da demanda global de eletricidade, em 2050. A AIE sugere que, para 2050, seriam necessárias entre 5 e 7 bilhões de toneladas de biomassa seca (madeira) para a produção de eletricidade e, além disso, entre 3 e 4 bilhões de toneladas de biomassa seca (madeira) para a produção de biocombustíveis. Segundo a AIE, estudos indicam que, para alcançar essas metas, além de resíduos de madeira e restos florestais e de serrarias, é necessário realizar “cultivos energéticos plantados para este fim” (mais provavelmente plantações de árvores, apesar de plantações de espécies de capim normalmente invasivas como o switch grass e miscanthus também serem fomentadas). Com dados, inclusive da FAO, sobre a futura demanda de terras para agricultura, chegam a sugerir que haveria, em 2050, cerca de 300 milhões de hectares de terras de pastagens e florestas disponíveis “com boa aptidão para os cultivos (energéticos)”, principalmente no leste da África, na América do Sul e no leste Europeu. O estudo também afirma que, em geral, os investimentos para gerar eletricidade a partir da bioenergia deveriam alcançar os 500 bilhões de dólares.19 Outros estudos sugerem um potencial ainda maior que poderia ser convertido em cultivos bioenergéticos.20 Os estudos, por sua vez, são usados pela indústria para fazer lobby junto aos governos com vistas a obter incentivos e subsídios, considerados por ela necessários para que as metas sejam atingidas. Obviamente, os subsídios também servem às empresas envolvidas, não apenas como um incentivo a mais para seus (novos) negócios, mas, sobretudo, como uma das condições para investir neles. O crescimento atual do uso de madeira para bioenergia pode ser observado parcialmente na produção de pellets. Entre 2006 e 2011, a produção mundial aumentou de cerca de 6 a 7 para 14,3 milhões de toneladas (mt). A capacidade produtiva instalada é maior na América do Norte (Estados Unidos e Canadá), seguida por Alemanha, Rússia e Suécia. O Sul dos EUA é atualmente o maior produtor de granulados (pellets) no mundo, e os principais consumidores de madeira são Bélgica, Holanda, o Reino Unido, Suécia e Dinamarca.21 2.2 La Unión Europea (UE) A Diretiva de Energias Renováveis22 da UE, aprovada em 2009, é uma lei central que estimula o uso de bioenergia na Europa. A diretiva aponta a diversificação das fontes de energia e fixa a cota das energias renováveis em 20% até 2020. Na legislação europeia, a biomassa está incluída na definição de energia renovável.23 19 OECD/IEA, 2012 20 Berndes, G. et al, 2003. The contribution of biomass in the future global biomass supply: a review of 17 studies. Biomass & Bioenergy, volume 25. 21 http://www.enplus-pellets.eu/wp-content/uploads/2012/04/Industrial-pellets-report_PellCert_2012_secured.pdf 22 Diretiva 2009/28/CE, de abril de 2009. Faz parte do Pacote sobre Energia e Mudança Climática da UE (EU Energy and Climate Change Package CCP). (http://eur-lex.europa.eu/LexUriServ/LexUriServ.do?uri=OJ:L:2009:140:0016:0062:es:PDF) 23 Diretiva 2003/54/CE do Parlamento Europeu e do Conselho, de 26 de junho de 2003, sobre normas comuns para o mercado interno de eletricidade, pela qual se suspende a Diretiva 96/92/CE e se definem como “fontes de energía renováveis” as fontes de energía renováveis não fóssiles (energía eólica, solar, geotérmica, das ondas, das marés, hidráulica, da biomasa, gases de aterro sanitário, gases produzidos em estações depuradoras de águas residuais e biogases). 14 Plantações de árvores no Sul para gerar energia no Norte

Uma nova ameaça para comunidades e florestas  
Uma nova ameaça para comunidades e florestas  
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