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prevenirá incêndios florestais. Contudo, este argumento é falso porque o aproveitamento de resíduos florestais para bioenergia afeta negativamente o ciclo de nutrientes no solo, esgota seu carbono, causa erosão e compacta solos, afeta a capacidade de armazenar água, reduz o crescimento futuro de árvores e dizima a biodiversidade. Cada vez mais, métodos agressivos de corte como a colheita da árvore inteira (envolvendo a remoção de todas as partes) e a colheita do tronco, são usados, tanto em plantações de árvores existentes como em florestas biodiversas. Além disso, resíduos florestais, seja do corte de árvores, seja de restos de serrarias, estão longe de poder atender à demanda atual, e muito menos à futura, de biomassa de madeira. Por isso, as empresas buscam cada vez mais a saída de queimar granulados e cavacos de árvores, cortadas para esses fins, seja nos EUA, seja no Reino Unido.16 Outro fator que promove o uso de madeira em termos gerais é o fato de que as árvores não são cultivos alimentares e, portanto, aparentemente, não haveria o dilema de encher o prato ou o tanque de combustível, - apesar de as plantações de eucalipto deslocarem a produção de alimentos exatamente como acontece com as terras utilizadas para plantar trigo ou milho para etanol. Mais do que isso, as plantações de monocultivos de árvores são promovidas como “boas” porque são definidas como “florestas” pela FAO17 e estariam “recuperando” terras “degradadas”. Quadro 2: Monocultivos de árvores não são florestas A definição da FAO basicamente considera qualquer área com uma certa quantidade de árvores como uma floresta. Isso tem muito a ver com a estreita relação que a organização mantém com a indústria da madeira, em especial o setor de produção de celulose e papel. O fato de legitimar essas plantações como “florestas” ajuda as empresas que as promovem a convencer as autoridades e o público de que elas não causam danos ambientais, e sim aportam os mesmos benefícios que as florestas. Plantar “florestas” também serve para atrair investidores interessados em projetos de bioenergia.18

Plantação de eucalipto em Uruguai. Autor: Grupo Guayubira

16 See for example www.dogwoodalliance.org/2012/11/new-report-discredits-uk-energy-company-claims-that-pellets-comefrom-wood-waste/, and this picture of a Scottish biomass power station: www.mottmac.com/projects/?id=66058 17 Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação 18 Overbeek et al, 2012 Uma nova ameaça para comunidades e florestas

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Uma nova ameaça para comunidades e florestas  
Uma nova ameaça para comunidades e florestas  
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