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Out - Nov - Dez | 2007

Revista Amazônia

Nuclear

Angra 3: Cara, insegura e ilegal Entrevista

Jeffrey Smith “Transgênicos são inseguros”

greenpeace.org.br

Salve a Amazônia, Salve o Clima!




diário de bordo

Estamos na reta final para a tão aguardada Convenção de Clima

que acontecerá dezembro, em Bali, quando os governos do mundo discutirão a segunda fase do Protocolo de Kyoto, e os desafios são enormes. Apesar dos cientistas do IPCC da ONU serem categóricos ao afirmar que o aquecimento global é uma realidade e que os países precisam agir logo para evitar o pior, há quem ainda relute em tomar decisões duras e pragmáticas para enfrentar o problema. É o caso do Brasil, que faz um discurso ‘verde’ na ONU mas

esquece seu dever de casa, que é impedir o desmatamento da Amazônia – principal responsável por nossas emissões de gases do efeito estufa. Assim, o país vai chegar a Bali de mãos praticamente vazias. Poderia ser diferente se já tivesse, como exigimos

Nossa capa: © Greenpeace / Daniel Beltrá

há tempos, um Plano Nacional de Combate às Mudanças Climáticas e apoiasse iniciativas como o pacto pelo desmatamento zero. O Greenpeace conquistou o prêmio Top of Mind 2007 como uma das marcas mais lembradas do ano na categoria Preservação do Meio Ambiente. Vamos honrar essa confiança mantendo a pressão nos governos por um

04 Amazônia Sete anos para salvas a Amazônia 09 Baleias Trilhando a verdadeira ciência 11 Nuclear Angra 3: insegura, cara e ilegal

Frank Guggenheim Diretor executivo Greenpeace Brasil

© Greenpeace / Rodrigo Baleia

mundo melhor.

13 Institucional Greenpeace na cabeça 14 Transgênicos A segunda revolução francesa O Greenpeace é uma organização independente que faz campanhas

16 Entrevista Jeffrey Smith 18 Energia Bons ventos para explorar

Cartas / Expediente

utilizando confrontos não-violentos para expor os problemas ambientais globais e alcançar soluções que são essenciais a um futuro verde e pacífico. Nossa missão é proteger a biodiversidade em todas as suas formas, evitar a poluição e o esgotamento do solo, oceanos, água e ar, acabar com as ameaças nucleares e promover a paz. Não aceitamos doações financeiras de governos, partidos políticos e empresas como forma de garantir nossa independência.




© Greenpeace / Daniel Beltrá

a ma zônia

Sete anos para sa É uma tarefa ousada, mas nós temos um plano. Junto com outras oito ONGs, lançamos uma proposta ambiciosa para zerar o desmatamento na Amazônia em sete anos. O plano estabelece metas graduais de redução do desmatamento ano a ano, com um corte de 25% no primeiro ano comparado ao índice de 2005-2006. A proposta foi pensada em escala maciça, mas com a atual queda nos índices de desmatamento e um esforço concentrado, nós realmente acreditamos que ela pode ser realizada. Para isso, a proposta contém alguns elementos – nenhum particularmente radical, mas que juntos com metas de redução de desmatamento, resultam num forte pacote de medidas. Uma delas é criar mecanismos financeiros para promover a proteção da floresta, por meio de seus serviços ambientais, 

em vez de sua destruição. Assim, todos são encorajados a fazer um uso verdadeiramente responsável dos recursos florestais. Outro ponto central da proposta é fortalecer as agências responsáveis por ações de comando e controle para que haja um aumento expressivo da presença do Estado na região. Com mais recursos, o Estado será capaz de monitorar e fiscalizar atividades comerciais de forma adequada a fim de impedir a exploração ilegal de madeira, a grilagem de terras, as queimadas e o desmatamento. Um dos grandes desafios é garantir o fim das atividades que destroem a floresta, ao mesmo tempo em que são assegurados os direitos dos povos indígenas e comunidades locais que vivem na e da floresta. Nada disso será possível sem uma ampla adesão dos governos federal e estaduais, de empresas, produtores, comunidades locais,

povos indígenas e comunidade científica. Mas, pelo menos, alguns setores já estão nos ouvindo: a ministra de Meio Ambiente Marina Silva, e representantes dos governos estaduais amazônicos – Mato Grosso, Amazonas, Acre e Amapá –, estiveram no evento de lançamento da proposta, em Brasília. É claro que tudo tem um preço – de acordo com a proposta, seria necessário um investimento inicial de R$ 1 bilhão por ano para zerar o desmatamento na Amazônia. É uma quantia razoavelmente pequena, se levarmos em consideração o valor da floresta em termos de biodiversidade e de sua importância para a manutenção do modo de vida tradicional das comunidades locais. Contribuições financeiras internacionais também são consideradas. Dado o papel da floresta na manutenção do equilíbrio climático do planeta, sua preservação é do


© Greenpeace / Daniel Beltrá

lvar a Amazônia alvar Pacto pelo fim do desmatamento na Amazônia proposto por ONGs revela que a floresta rende mais em pé do que derrubada.

interesse de todos: cerca de 20% das emissões globais de gases do efeito estufa vêm dos desmatamentos das florestas tropicais. No caso do Brasil, esta conta é ainda mais perversa: o desmatamento é responsável por 75% (!) das emissões brasileiras de gases do efeito estufa, colocando o país na incômoda posição de quarto maior poluidor do clima do mundo! Para virar este jogo, nossa campanha resolveu aproximar a realidade da Amazônia de outras regiões brasileiras. Como? Levando uma castanheira (Bertholletia excelsa), árvore-símbolo da Amazônia, para ser exposta em três capitais do país (Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília). Mas ela deveria ser retirada de uma área pública queimada e desmatada ilegalmente. Este esforço de levar, literalmente, a montanha até Maomé faz parte do nosso trabalho de conscientização sobre a impor-

tância de se preservar a maior floresta tropical do planeta. A destruição da Amazônia não se limita à extinção pura e simples da floresta e deve ser vista como um problema global, que atinge todo o delicado equilíbrio do planeta. A rica biodiversidade da região, que tanto orgulha os brasileiros e encanta o resto do mundo, é uma das grandes vulnerabilidades do Brasil frente a esta ameaça global. Por isso, a contribuição do país para salvar o planeta dos efeitos das mudanças climáticas e preservar a biodiversidade passa por zerar o desmatamento na Amazônia. Com uma boa idéia na cabeça e ativismo no coração, nosso time saiu de Manaus para buscar a árvore, na região de Castelo dos Sonhos, oeste do Pará. Mas, por quase dois dias, nossos oito ativistas ficaram presos na base local do Ibama. Uma multidão de 300 pessoas,

incitada por madeireiros locais, impediu o transporte da árvore coletada por nós, apesar de termos uma autorização dada pelo próprio Ibama. O Instituto havia nos dado permissão para retirar e usar a árvore por entender que se tratava de um trabalho com finalidade cultural e educativa, importante para proteger a maior floresta tropical do mundo. Mas, diante do incidente em Castelo dos Sonhos, o governo cedeu à pressão dos madeireiros e revogou a licença dada anteriormente. Imediatamente, a árvore foi retirada da frente do Ibama e levada para o centro da cidade. Enquanto estava na floresta, a castanheira, que é protegida por lei desde 1994, foi queimada e derrubada ilegalmente. Agora, depois de tombada, virou um símbolo: para os madeireiros de Castelo dos Sonhos, um monumento para a praça da cidade. Para nós, 


Você sabia? Árvore de grande porte, a castanheira chega a atingir até 60 metros de altura, com diâmetro (base) superior a 4 metros. Os frutos, conhecidos como ouriços, são lenhosos, esféricos, atingindo entre 10 e 15 centímetros de diâmetro, pesando até 1,5 kg, e contendo até 25 sementes. Diversas espécies de fauna, incluindo pássaros e mamíferos, como roedores e primatas, utilizam-se destas sementes para seu alimento. A castanha é um alimento muito rico. Além de ser consumida in natura, a castanha pode ser utilizada para produção de óleo que tem várias aplicações, como na gastronomia, fabricação de sabonetes, de cosméticos e até como lubrificante.

Somos brasileiros e não desistimos O incidente em Castelo dos Sonhos, que conseguiu impedir que nossos ativistas trouxessem a 

© Greenpeace / Daniel Beltrá

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ela ficará como um monumento à falta de governança na Amazônia, que perpetua a destruição do maior patrimônio deste país e um dos maiores do mundo. No final do segundo dia, nosso time foi liberado e escoltado pela polícia local até os limites da cidade, de onde seguiu viagem. Mas, infelizmente, de mãos vazias...

árvore para nossa atividade no sudeste do Brasil, mostra como a situação está fora de controle nessa região remota do país. Acabar com a destruição da Amazônia depende diretamente de uma presença maior e constante do Estado em toda a região. Mesmo sem a árvore, nossa campanha de mobilização pública não parou. Dez dias depois da confusão em Castelo dos Sonhos, o Greenpeace recebeu o governador de São Paulo, José Serra, e o prefeito da capital, Gilberto Kassab, no caminhão preparado especialmente para transportar a árvore. Na ocasião, Serra defendeu o fim do desmatamento na Amazônia e prestou solidariedade aos ativistas do Greenpeace, em um claro sinal da necessidade de maior governança na floresta. “Com seu peso político e econômico, São Paulo que é o estado que mais consome madeira da Amazônia pode dar uma grande contribuição à preservação da

floresta Amazônica”, disse Paulo Adario, coordenador da campanha da Amazônia. Realizamos também atividades de engajamento público em Manaus, Porto Alegre e Salvador, onde voluntários distribuíram informações sobre a importância da preservação da Amazônia para o equilibro do clima do planeta. Diversas personalidades brasileiras, incluindo Marcos Palmeira, Dira Paes, Osmar Prado, Isabel Filardis e Marcos Winter, vestiram literalmente a camisa para apoiar nossa campanha em proteção da floresta e do clima do planeta. Na metade de novembro, conseguimos outra árvore de uma área de desmatamento ilegal, autoada pelo Instituto de Proteção Ambiental do Estado do Amazonas (IPAAM) e com transporte autorizado pelo governo do estado. Ela foi retirada de uma área desmatada ilegalmente no sul do estado e, no momento em que fechamos este texto, estava seguindo


As queimadas na Amazônia colocam o Brasil no vergonhoso posto de quarto maior emissor de gases do efeito estufa do mundo.

Da Amazônia para Bali O Brasil quer ser reconhecido como um ator importante no cenário internacional, ainda que não consiga fazer valer direitos constitucionais em diversas regiões na Amazônia. Mas se o país quiser ser levado a sério pela comunidade internacional nas negociações sobre clima, biodiversidade ou direitos

Você em ação Faça parte da corrente pelo desmatamento zero. Acesse a página especial sobre a campanha Desmatamento Zero em nosso site e envie uma mensagem ao presidente Lula dizendo que você não quer um planeta mais quente e que o Brasil não precisa de mais desmatamentos. É fácil abraçar esta causa. www.greenpeace.org/brasil/amazonia/desmatamento-zero www.greenpeace.org.br/desmatamentozero © Greenpeace /Gilvan Barreto

viagem do Rio de Janeiro para São Paulo e Brasília. Esta jornada continua na próxima edição!

humanos, então precisa ser capaz de cumprir a própria legislação em áreas onde a floresta vem sendo sistematicamente destruída. As negociações sobre as medidas necessárias para combater o aquecimento global no próximo período do Protocolo de Kyoto começam em dezembro, em Bali, e nós queremos que as emissões dos desmatamentos sejam consideradas. Se isso acontecer, a responsabilidade pela proteção das florestas não será apenas dos países detentores de cobertura florestal – os países ricos terão de contribuir também. Para que uma proposta ousada de zerar o desmatamento funcione, cooperação internacional é absolutamente essencial. O governo brasileiro deveria ser o primeiro a permitir a realização de nossa atividade com a castanheira. O combate ao desmatamento não é apenas necessário, mas urgente, e as pessoas que moram em regiões distantes da Amazônia (e também fora do Brasil) têm o direito de ver as conseqüências da destruição da floresta.

Osmar Prado, Dirá Paes e Marcos Winter são alguns dos artistas que vestiram a camisa pelo fim do desmatamento.

Manifesto pelo clima Embaladas por sucessos de artistas como Kenny G, Zucchero, Toto e Paula Lima, milhares de pessoas participaram do evento Greenpeace Manifesto em Defesa do Clima, que aconteceu entre os dias 30 de outubro e 12 de novembro na casa de espetáculos Via Funchal, em São Paulo. Os artistas aderiram ao evento para ajudar no engajamento do público brasileiro em busca de soluções para o aquecimento global e as mudanças climáticas. O público foi convidado a assinar o Manifesto em Defesa do Clima no local do show, na hora da compra do ingresso e também online. O objetivo do manifesto é pressionar o governo brasileiro a adotar uma Política Nacional de Combate às Mudanças Climáticas. O abaixo-assinado será entregue ao governo brasileiro pedindo que sejam tomadas medidas concretas contra o aquecimento global – o Brasil é hoje o quarto maior poluidor do clima no mundo, principalmente devido às queimadas e desmatamento na Amazônia – que correspondem a 75% das emissões de gases do efeito estufa do país. Você ainda pode e deve assinar: acesse o site www.greenpeacemanifesto.org.br e faça sua parte! 7


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SOS Florestas: fique ligado!

2005, de autoria do senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), também conhecido como projeto “floresta zero”. A negociação em curso ainda permite que os proprietários que destruíram a Reserva Legal em suas propriedades, fiquem desobrigados de recuperar o dano ambiental causado dentro da região em que ele ocorreu, permitindo que a chamada “compensação” possa ocorrer em regiões distantes. Em outubro, organizações ambientalistas, incluindo o Greenpeace, e vários deputados, entre eles Paulo Teixeira (PT-SP), Sarney Filho (PV-PA), Edson Duarte (PV-BA), Fernando Gabeira (PV-RJ), Luis Carreira (DEM-BA), Juvenil Alves (sem partida-MG) e

Ricardo Trípoli (PSDB-SP), denunciaram os equívocos da proposta, afirmando que não havia condições para discutir e muito menos votar o projeto enquanto as opiniões da sociedade civil não fossem levadas em consideração. Foi estipulado, então, um prazo de 10 sessões da Câmara dos Deputados para que o projeto voltasse a ser apreciado na Comissão de Meio Ambiente. Esperamos que até lá seja possível corrigir os graves erros do projeto, que levariam o Brasil a ter várias regiões livres de floresta. O projeto já foi aprovado pelo Senado, para onde volta depois de ser votado na Comissão de Meio Ambiente da Câmara. Fique ligado! © Greenpeace / Daniel Beltrá

O Congressso Nacional abriu de novo o debate sobre alterações perigosas no Código Florestal Brasileiro. A proposta de projeto de lei feita pela bancada ruralista e pelas Confederações Nacionais da Indústria e da Agricultura (CNI e CNA), com apoio de setores do governo, permite a substituição de extensas áreas de florestas brasileiras por cana, dendê e eucalipto, além de reduzir a área de Reserva Legal em cada propriedade – fundamental para a proteção da biodiversidade – de 80% para 50%. Por enquanto, a pressão do Greenpeace e de diversas entidades da sociedade civil conseguiu interromper as discussões sobre esse o Projeto de Lei 6.424, de

Com as mudanças propostas pela bancada ruralista no Código, florestas poderão ser substituídas por dendê, cana ou eucalipto. 


© Greenpeace / Paul Hilton

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Trilhando a verdadeira ciência Já pensou em acompanhar a rota migratória de uma baleia? Acha impossível? Não se engane: em colaboração com a Opération Cétaces e o Center for Cetacean Research, o Greenpeace iniciou em agosto um projeto de rastreamento via satélite de 19 baleias jubarte que vem sendo um sucesso. Do Pacífico Sul até a Antártica (onde a frota baleeira japonesa pretende mais uma vez iniciar sua temporada de caça, sob o disfarce de ‘pesquisa científica’, no final deste ano), os animais foram acompanhados por cientistas e por nossos internautas, por meio do site “A Trilha das Grandes Baleias”.

Provar que a “caça científica” dos japoneses é uma farsa é apenas um dos objetivos das pesquisas. O rastreamento nos dará informações preciosas sobre o comportamento, habitat e estrutura das populações. Os dados serão todos levados à próxima reunião da Comissão Internacional da Baleia (CIB), prevista para junho de 2008, no Chile, para tentarmos acabar de vez com a matança promovida nos mares do planeta. Há outro bom motivo para ficarmos de olho no projeto: a coordenadora da campanha de baleias no Brasil, Leandra Gonçalves, está na expedição e coordenará o trabalho de identificação

© Greenpeace / Jiri Rezac

Leandra Gonçalves, a bordo do Esperanza: muito trabalho e pesquisa, provando que a caça de baleias é um mal desnecessário.

de baleias jubartes na Antártida, além de outros aspectos científicos como poluição dos oceanos. Leandra é formada em Ciências Biológicas pela PUC-Campinas e tem mestrado em Comportamento Animal pela Universidade Federal de Juiz de Fora. Além disso, já esteve embarcada várias vezes para observar baleias em áreas oceânicas. “Tiramos fotos das caudas, que são como as nossas impressões digitais. Assim conseguiremos estudar o comportamento migratório das jubartes no sul do Oceano Pacífico”, explica Leandra. “Queremos mostrar que não é preciso matar baleias em nome da ciência e que elas podem ser ‘exploradas’ economicamente de outras formas.” As pesquisas não-letais e o turismo de observação de baleias vêm sendo desenvolvidos no Brasil há mais de 20 anos, obtendo resultados valiosos. Sem dúvida, as poucas semanas de rastreamento via satélite já nos trouxeram muito mais informações do que os 20 anos de “caça científica” executada pelos baleeiros japoneses. Nada mais justifica a barbárie. 


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© Greenpeace / Lunaé Parracho

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Angra 3:

insegura, cara e ilegal O Greenpeace já vem há algum tempo denunciando a irresponsabilidade do governo Lula de apostar suas fichas energéticas no programa nuclear brasileiro, decisão que ficou clara com a aprovação, em junho, pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), da retomada da construção da terceira usina nuclear brasileira, Angra 3. Além de ser um tiro no pé – afinal, Angra 3 vai custar os olhos da cara (mais de R$ 7 bilhões, se as previsões se confirmarem – e nunca se confirmam...), não vai gerar a energia que o Brasil precisa para escapar de um eventual apagão de energia e ainda representa um enorme risco para a população e o meio ambiente – a obra é ilegal e inconstitucional. A Constituição Brasileira determina que a construção de uma usina nuclear deve ser alvo de decreto do Poder Executivo e discutida e aprovada pelo Congresso Nacional. Porém, o decreto que determinava a construção de Angra 3, do então presidente militar Ernesto Geisel, de 1975, foi revogado em 1991 por Fernando Collor de Mello. Ou seja, não existe ato válido do executivo que autorize a construção de Angra 3. Ainda que este decreto estivesse vigente, Angra 3 teria que passar pela aprovação do Congresso, o que não aconteceu.

“Existem duas explicações possíveis: ou o governo do presidente Lula tinha conhecimento a respeito da revogação deste decreto de 1975 e escondeu o fato, ou, tão grave quanto, sequer soube que o decreto perdeu sua validade em 1991. É difícil dizer se é um caso de má fé ou incompetência”, afirma Beatriz Carvalho, advogada da campanha anti-nuclear do Greenpeace. O Greenpeace entrou com uma ação civil pública e um mandado de segurança na Justiça Federal, além de apoiar ação do deputado federal Edson Duarte (PV-BA) no Tribunal de Contas da União (TCU). A base de nossa argumentação foi um detalhado parecer jurídico do advogado e professor José Afonso da Silva, especialista em direito constitucional. Caso os pedidos liminares sejam acatados, o processo de licenciamento ambiental de Angra 3, que foi retomado em abril de 2007, a resolução do CNPE e todos os outros atos referentes às obras da usina estarão em suspenso até que seja julgado o mérito da causa. “Se o governo Lula realmente quer investir bilhões de reais para ressuscitar a aventura nuclear brasileira, deverá não apenas cumprir a Constituição Federal, mas também assumir de vez a autoria de projeto tão polêmico e

insustentável. Lula terá que arcar com o ônus de ser o primeiro presidente desde o regime militar a investir na construção de uma usina nuclear”, diz Rebeca Lerer, coordenadora da campanha de energia do Greenpeace. O pior de tudo é que Angra 3 é apenas a ponta do iceberg para a retomada do programa nuclear brasileiro, que prevê a construção de mais seis usinas, além de investimentos em um submarino nuclear e no enriquecimento de urânio em escala industrial. Ao longo de 2007, o Greenpeace realizou várias ações e protestos para alertar a sociedade sobre o grande perigo que o Brasil corre ao ignorar os ventos renováveis que sopram em todo mundo para investir tanto dinheiro e tempo em projetos ultrapassados e que nada contribuem para o desenvolvimento sustentável do país. Em setembro, quando o acidente com o césio-137 em Goiânia completou 20 anos, ativistas do Greenpeace se acorrentaram aos portões de entrada da sede da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN), no Rio de Janeiro, e fecharam por oito horas o acesso ao local. Eles resistiram pacificamente às ameaças de prisão feitas por policiais militares, que jogaram até gás de pimenta para retirá-los do local. Na calçada, um

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efeitos devastadores de um acidente nuclear. Passados 20 anos, pouca coisa mudou: o Estado não reconhece nem ampara todas as vítimas, não tem capacidade estrutural de lidar com as instalações nucleares já existentes no país e não tem solução para a questão do lixo radioativo – como aliás, nenhum Ativistas do Greenpeace bloquearam sede da CNEN no país no mundo tem. Rio de Janeiro por oito horas para lembrar a tragédia Além disso, a CNEN, do césio-137 ocorrida em Goiânia em 1987 e protestar contra a insegurança nuclear no Brasil. que demonstrou total despreparo para lidar com a segurança nuclear na ocasião, continua com a Saiba mais: mesma infra-estrutura e acumuPara saber um pouco mais lando duas funções contraditórias, sobre a história do acidente de promotora e fiscalizadora da de Goiânia e participar da energia nuclear no país”, denuncia cyberação contra a retomada Rebeca Lerer. do programa nuclear brasileiro acesse nosso site: www. greenpeace.org/brasil/participe/ciberativismo?cyber=6& codigo=112 © Greenpeace / Lunaé Parracho

memorial foi erguido para homenagear as vítimas do acidente ocorrido em Goiânia em 1987, mas ele acabou sendo arrancado pela PM carioca. Atos em memória das vítimas do acidente foram realizadas também em Salvador, São Paulo e Goiânia. Odesson Alves Ferreira, irmão do dono do ferro-velho onde uma cápsula contendo o material radioativo foi desmontada, e membro da família mais afetada pela tragédia, participou das manifestações em Goiânia. “Segurei por alguns segundos algumas gramas de césio-137. Vinte anos depois, ainda carrego as marcas na minha mão, no meu corpo e na minha alma”, conta Odesson. O acidente matou quatro pessoas e deixou mais de seis mil vítimas. “Com a tragédia do césio137, o Brasil sentiu na pele os

© Greenpeace / Gilvan Barreto

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“Com a tragédia do césio-137, o Brasil sentiu na pele os efeitos devastadores de um acidente nuclear”.

Voluntários promoveram atos em diversas capitais do país para lembrar as vítimas do césio-137 e alertar a população para os perigos da retomada do programa nuclear brasileiro, com a construção de Angra 3.

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A imagem clássica de um bote inflável enfrentando um navio baleeiro já percorreu o mundo e fez do Greenpeace uma das ONGs mais respeitadas na defesa dos oceanos. Este ano, decidimos levar os oceanos até você. O calendário 2008 do Greenpeace traz, mês-a-mês, fotos incríveis e você ainda terá quatro cartões postais com imagens exclusivas para enviar aos amigos. O calendário é um brinde para nossos colaboradores e, quem se filiar até janeiro, receberá o seu.

na cabeça Pensou em meio ambiente no Brasil, pensou Greenpeace. Foi o que confirmou o prêmio Top of Mind deste ano, promovido pelo jornal Folha de S. Paulo, após pesquisa feita em 164 municípios do país com mais de 5 mil pessoas. Fomos a marca mais lembrada, ao lado das empresas Ypê e Natura, e o órgão governamental Ibama, na recém-criada categoria Preservação do Meio Ambiente, e a única ONG premiada no concurso. “Ser reconhecida como a organização ambientalista Top of Mind é gratificante. O Greenpeace não trabalha para receber prêmios, mas eles são importantes para mostrar que nosso trabalho vem sendo apreciado e aprovado”, afirma Clélia Maury, coordenadora de Marketing do Greenpeace Brasil. O Greenpeace ganhou ao lado de marcas fortes como CocaCola, Fiat e Nike, o que só enobrece ainda mais a conquista, porque

o trabalho de marketing desenvolvido pela ONG é todo realizado com mídia gratuita. “Agradecemos e dedicamos esses prêmios a todos os parceiros, ativistas e voluntários e, em especial, aos colaboradores do Greenpeace, que garantem nossa autonomia financeira”, diz Gladis Eboli, diretora de Comunicação do Greenpeace Brasil. “Esses prêmios nos incentivam ainda mais a continuar lutando pela preservação do planeta, doa a quem doer.” Confirmando a boa fase, o Greenpeace conquistou ainda outros dois prêmios Meio&Mensagem de Comunicação Online, a premiação brasileira mais importante da propaganda de internet, com as peças publicitárias “Cientista” e “Resta Um”, produzidas pela Almap BBDO.

Mergulhe conosco nessa aventura!

Menu ambiental

© Greenpeace / Rodrigo Baleia

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Greenpeace

Um oceano de imagens

Dois colaboradores do Greenpeace decidiram, em setembro, ir além das doações que fazem à organização e reunir os amigos em casa para também contribuírem com a organização. No jantar oferecido pelo casal Joelma Dvoranovski e Luis Carlos Klein, o prato principal foi a defesa do meio ambiente. Integrantes do Greenpeace também estiveram presentes e ajudaram a esclarecer dúvidas. O evento foi um sucesso e mostra que todos nós podemos fazer a diferença.

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tra ns gênicos

A segunda

revolução francesa

“É gratificante ver o maior país agrícola da Europa acordar para a urgência do problema dos transgênicos e tomar medidas sérias e duras como essa”, afirma Gabriela Vuolo, coordenadora da campanha de Engenharia Genética do Greenpeace Brasil. “Agora, enquanto o governo francês leva em conta os argumentos ambientais e científicos contra os transgênicos, o Brasil segue na contra-mão, liberando comercialmente variedades transgênicas sem as devidas garantias de biossegurança.” A proibição de plantio e colheita de transgê-

nicos na França afetará notadamente o milho MON810, da Monsanto, única variedade geneticamente modificada autorizada para cultivo na Europa. Áustria, Alemanha, Grécia, Hungria e Polônia já aboliram essas plantações e outros países da União Européia estão prestes a seguir o mesmo caminho. © Greenpeace / Vincent Rok

Sarkozy um dia depois de ativistas do Greenpeace subirem ao Arco do Triunfo em Paris e estenderem uma faixa gigante exingindo do governo francês o banimento dos transgênicos da França. Sarkozy deu três motivos para sua decisão: há dúvidas sobre a segurança dos transgênicos, sobre sua utilidade e preocupações sobre a falta de controle em relação à contaminação de outras plantações. O presidente francês não deu prazo para o fim da suspensão.

© Greenpeace / Pierre Gleizes

A Bastilha caiu pela segunda vez na França. Mais de 200 anos depois dos acontecimentos que mudaram definitivamente a história dos franceses – e de todo o mundo -, o maior país agrícola da Europa dá nova demonstração de vanguardismo ao anunciar um extenso pacote ambiental que prevê, entre outras coisas, a suspensão do cultivo de transgênicos até que seja possível determinar a segurança dessa tecnologia. O anúncio foi feito em outubro pelo presidente Nicolas

Milhos transgênicos na berlinda As boas novas não se resumem à França. A Comissão Ambiental da União Européia está, pela primeira vez em sua história, propondo o banimento de dois tipos de milho transgênico (Bt 11, da Syngenta, e o 1507 da Pioneer/Dow) devido aos riscos que oferecem ao meio ambiente. O milho Bt 11 é uma das variedades geneticamente modificadas aprovadas recentemente pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) no Brasil - a liberação foi suspensa por ordem da Justiça. No Brasil, apesar dos muitos apelos de ambientalistas e

O governo francês anunciou a moratória dos transgênicos no país logo depois do protesto do Greenpeace no Arco do Triunfo. 14


Arroz transgênico dá prejuízo de US$ 1 bi Relatório divulgado pelo Green-peace Internacional em novembro mostrou que a contaminação dos estoques americanos de arroz por uma variedade transgênica da Bayer causou prejuízos de mais de US$ 1 bilhão em pelo

menos 30 países do mundo. A contaminação teria afetado 63% das exportações de arroz dos EUA. Agricultores, empresas importadoras e comerciantes de todo o mundo estão processando a empresa de biotecnologia pelos prejuízos. As lições do escândalo de 2006 são altamente relevantes para os países que estão flertando com a possibilidade de plantar arroz transgênico em escala comercial, como é o caso do Brasil. Atualmente, a CTNBio está analisando um pedido feito pelo Bayer para cultivo comercial do arroz transgênico LL62. “Não podemos aceitar que essa situação se repita aqui. Afinal, quem compensaria os agricultores brasileiros se isso acontecesse no Brasil?”, questiona Vuolo. Saiba mais: Saiba mais sobre nossa campanha de transgênicos acessando o site: http://www.greenpeace. org/brasil/transgenicos/

Inaugurado há pouco mais de um ano, o túnel sensorial que explica didaticamente o aquecimento global e as mudanças climáticas já rodou um bocado pelo Brasil. Foram 35 cidades de norte a sul, ajudando a esclarecer dúvidas de mais de 150 mil pessoas. E ele não vai sossegar tão cedo: toda hora chegam convites para participar de eventos e, em 2008, já estão agendadas visitas ao Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo e Porto Alegre. Outras poderão entrar na lista. Por isso, acompanhe os boletins mensais para ver se sua cidade será contemplada.

© Greenpeace / Rodrigo Baleia

cientistas para que sejam tomadas precauções contra os transgênicos, foi preciso uma decisão judicial para que a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) não liberasse variedades transgênicas de milho no Brasil enquanto não são elaboradas medidas que garantam a coexistência com variedades orgânicas, convencionais e ecológicas. Isso vale para o milho da Monsanto (MON810), Bayer (Liberty Link) e Syngenta (Bt11). Caso a decisão da juíza Pepita Durski Tramontini Mazini não seja respeitada, a CTNBio está sujeita a multa diária.

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Ativista pinta uma plantação ilegal de milho transgênico da Monsanto na França, para marcar o local.

Túnel viajante


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© Greenpeace / Rodrigo Baleia

Jeffrey Smith, Diretor executivo do Instituto pela Tecnologia Responsável.

Autor de dois livros-bomba contra os transgênicos – Sementes da Decepção e Roleta Genética -, Jeffrey Smith dedica boa parte do seu tempo viajando o mundo para dar palestras e alertar governos sobre os riscos da biotecnologia aplicada aos alimentos. Em outubro, esteve no Brasil. “Diferentemente da poluição química, os transgênicos se autopropagam e podem se tornar elementos fixos de nosso meio ambiente. Me parece razoável e prudente congelar qualquer novo lançamento de transgênicos até que tenhamos uma melhor com-

preensão do DNA e das ramificações de nossa intervenção”, afirma Smith, que participou em São Paulo de um seminário promovido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Lá, foi categórico: “O Brasil não tem nada a ganhar com os transgênicos. Eles são inseguros e têm que ser banidos.” A seguir, trechos da entrevista que Jeffrey Smith concedeu à Revista do Greenpeace. A íntegra pode ser lida em nosso portal na internet: www. greenpeace.org/brasil/transgenicos/noticias/transg-nicos-s-oinseguros-e

Transgênicos são inseguros e têm que ser banidos” GP – Qual é a sua principal preocupação em relação aos transgênicos atualmente? Jeffrey Smith – Eu me especializei nos perigos à saúde dos organismos geneticamente modificados (OGMs), que hoje estão ligados a milhares de doenças, casos de esterilidade e morte, milhares de reações tóxicas e alérgicas em humanos, e danos a virtualmente todo órgão e sistema estudados em animais de laboratórios. Esses perigos, no entanto, ganham ainda mais força pelo fato dos OGMs contaminarem as plantações não-transgênicas e as espécies nativas, permanecendo no meio ambiente por muito tempo.

GP – O governo francês anunciou recentemente que vai congelar o cultivo de transgênicos no país até que seja possível provar que esses organismos não oferecem risco aos humanos e ao meio ambiente. Por outro lado, países como Brasil, China e Índia estão ampliando suas plantações de transgênicos. Como você explica isso? R – Está claro para mim que o assunto ganhou força no Brasil graças a uma combinação de desinformação e forte influência da Monsanto e outras corporações multinacionais, além dos Estados Unidos. Isso é também verdade para outros países que estão


© Greenpeace / Patrícia Cruz

O milho transgênico da Bayer foi aprovado no Brasil mas enfrenta grande resistência na Europa, onde vários países congelaram o seu cultivo.

apostando nos transgênicos, mas sua adoção é um passo ruim em termos econômicos tanto para agricultores como para a economia do país. A expansão dos transgênicos no Brasil prejudica a oportunidade do país de se aproveitar do crescente mercado para produtos não-transgênicos. GP – Muitos países têm regras sobre a rotulagem de produtos que são fabricados com matéria-prima transgênica, mas quase ninguém as respeita. No Brasil, acontece o mesmo. Como fica o direito do consumidor? R – A rotulagem funciona bem na União Européia, mas é praticamente ignorada no Brasil. Os consumidores teriam que evitar todos os produtos brasileiros contendo derivados de soja ou óleo de semente de algodão – que são plantados no país – para não consumir transgênicos. Para produtos americanos, os consumidores também teriam que evitar deriva-

dos de milho e canola, que são em sua maioria transgênicos. GP – Pessoas que comem produtos transgênicos por longos períodos podem ter problemas de saúde? R – Uma das afirmações mais anti-científicas e perigosas já feita pela indústria de biotecnologia é que milhões de pessoas nos Estados Unidos comeram alimentos transgênicos durante uma década e ninguém ficou doente. Os transgênicos já podem estar contribuindo para sérios problemas de saúde, mas como ninguém estava monitorando, pode levar décadas até que seja possível identificar os problemas. GP – Quando o assunto está em debate, alguns dizem que a tecnologia dos transgênicos é importante para a humanidade enfrentar (e vencer) a forme. Você acredita nisso? R – Alimentos transgênicos não contribuem para combater a fome no mundo. Se os trans-

gênicos fossem uma solução verdadeira para a fome, todas estas cinco afirmações deveriam ser verdadeiras: os transgênicos são seguros; produzem colheitas maiores, promovem colheitas confiáveis, são melhores do que as opções concorrentes e a fome pode ser solucionada pelo aumento da produtividade nas colheitas. Mas todas essas cinco afirmações são falsas. GP – Muitos cientistas afirmam que a tecnologia transgênica não está pronta para chegar ao mercado consumidor. Estará algum dia? R - Difícil dizer se vamos aprender como alterar o DNA de plantas de uma forma segura e previsível. Hoje não estamos nem perto disso; as empresas estão oferecendo produtos de uma ciência que ainda está em seu estágio infantil para milhões de pessoas e liberando eles no meio ambiente onde podem alterar permanentemente o ecossistema. 17


cartas & e-mails

Energia

Bons ventos

Olá, equipe do Greenpeace! Agradeço o retorno que me foi dado e aproveito para dizer que faz tempo que eu queria contribuir com a causa de vocês. Tenho acompanhado o trabalho da organização há alguns anos e fico muito feliz de saber que existem pessoas como vocês, que lutam como podem para tornar nosso planeta melhor. Desejo muito sucesso a todos e me coloco à disposição naquilo que eu possa de alguma forma ser útil. Um grande abraço à família Greenpeace. Antônio Carlos David Cheiffer

para explorar O Greenpeace e o Conselho Global de Energia Eólica (GWEC, na sigla em inglês) realizaram no dia 23 de novembro, em São Paulo, um seminário sobre os desafios e oportunidades para o mercado de energias renováveis no Brasil, com enfoque na energia eólica. O evento “Brasil: vento, energia e investimento” contou com a participação de especialistas brasileiros do setor energético, como o professor José Goldemberg, da USP, e representantes das maiores empresas do mundo da indústria eólica associadas ao GWEC, que reúne mais de 1.500 indústrias e organizações em mais de 50 países, como a Iberdrola e Gamesa (ambas da Espanha) e Vestas (Dinamarca). Para Steve Sawyer, do GWEC, “em termos práticos, há duas opções técnicas para uma redução em larga escala das emissões de gases estufa até 2020. Uma é a

eficiência energética; a outra é substituir os combustíveis fósseis por fontes renováveis, e, dentre elas, a que tem maior potencial de escala é justamente a eólica.” Estiveram também presentes ao seminário o deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP), autor de um projeto de lei para um novo marco legal do setor de renováveis; Ivonice Campos, da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEE); Neilton Fidelis, Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas; Jorge Lima, da Eletrobrás; Luciana Nunes, da Confederação Nacional da Indústria; e Augusto Jucá, do Banco Mundial.

Você também pode mandar seu comentário, dúvida ou sugestão. Participe! Para nos contatar: REVISTA DO Greenpeace Rua Alvarenga, 2331 Cep: 05509 006 São Paulo SP

Saiba mais: Confira o nosso relatório [R]evolução Energética www.greenpeace.org/brasil/ energia/noticias/relat-rio-revolu-o-energeti

ASSOCIAÇÃO CIVIL Greenpeace Conselho diretor Presidente Marcelo Sodré Conselheiros Eduardo M. Ehlers Marcelo Takaoka Pedro Leitão Raquel Biderman Furriela Samyra Crespo Diretor executivo Frank Guggenheim Diretor de campanhas Marcelo Furtado Diretor de campanha da Amazônia Paulo Adario Diretora de comunicação Gladis Éboli Diretora de marketing e captação de recursos Clélia Maury Diretor de políticas públicas Sérgio Leitão

A energia eólica cresce em todo o mundo e o Brasil é um dos países com maior potencial dessa fonte renovável de geração energética.

REVISTA DO Greenpeace É uma publicação trimestral do Greenpeace Editor Redatores Editora de fotografia Estagiária Designer gráfico Impressão Gereciamento de impressão

Jorge Henrique Cordeiro (mtb 15251/97) Tica Minami Gabriela Michelotti Caroline Donatti Danielle Bambace Carol Patitucci Prol Yendis

Esse periódico foi impresso em papel reciclado em processo livre de cloro. Tiragem: 30.000

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ATENDIMENTO telefone 11 3035 1151 e-mail relacionamento @br.greenpeace.org


Os orangotangos são uma das espécies mais ameaçadas de extinção com a destruição de florestas na Indonésia. O desmatamento vem crescendo para abrir espaço a plantações de palma, matéria-prima usada na

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produção de biocombustível.


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