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Diรกrio de Bordo

Inverno 2002

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índice

4 Editorial

8 Nuclear

5 Semana do Meio Ambiente

10 Rio +10

6 Transgênicos

12 Amazônia

7 Baleias

14 Tóxicos

Você imagina o planeta sem borboletas?

Por Mariana Paoli

20 de julho de 2002

Então ainda há muit o a ffaz az er muito azer er!!

Caro (a) sócio (a),

A perda da biodiversidade é uma grave consequência da utilização de transgênicos. Testes do Greenpeace encontraram soja transgênica em alguns produtos destas empresas. Mesmo assim, elas continuam ignorando o pedido do Greenpeace e não garantem que seus produtos não contém transgênicos. Esta é uma prática que precisa mudar.

Graças à sua ajuda, conseguimos juntos mais uma importante vitória para garantir a preservação do meio ambiente: a Unilever e a Nissin, proprietárias das marcas Knorr e Cup Noodles, garantiram que não vão mais utilizar transgênicos em seus produtos. Esta conquista é o resultado da pressão que estas empresas receberam dos sócios e colaboradores do Greenpeace nos últimos dois anos e espero que você se sinta orgulhoso por ser parte desta conquista. Com esta vitória, comprovamos que é possível modificar a realidade que nos rodeia, fabricando produtos sem a utilização de transgênicos. E, justamente por isso, temos que seguir em frente. Não podemos parar agora. Conseguir que estas 2 multinacionais parassem de utilizar soja transgênica não foi fácil. Iniciamos este trabalho em junho de 2000, e, desde então, realizamos diversos testes para comprovar que transgênicos estavam sendo utilizados ilegalmente em produtos no Brasil por algumas indústrias de alimentos, sem que os consumidores, como eu e você, tivessem sido informados sobre isso. Além disso, fizemos muitas atividades públicas para denunciar o uso indevido dos transgênicos, parte de uma campanha intensa com grande apoio dos sócios para que estas empresas mudassem suas práticas no país: só a Knorr recebeu mais de 10.000 e-mails! Conseguimos enfrentar a pressão das grandes empresas para não parar este trabalho, pois temos a fortaleza da independência econômica. Como você sabe, não aceitamos dinheiro de empresas, governos e partidos políticos, o que nos permite seguir lutando pelos direitos do meio ambiente.

Formas de pagamento: Cartão de Crédito: Autorizo o débito da quantia escolhida em meu cartão Amex

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Greenpeace / R. Bandeira

Greenpeace / R. Bandeira

Greenpeace / P. Schreiner

Greenpeace / P. Schreiner

PS: É somente graças à sua doação que continuamos trabalhando e conquistando as mudanças necessárias em práticas que afetam nosso meio ambiente e nossas vidas. Precisamos aumentar nossos esforços para conseguirmos isso, desta forma te peço para utilizar o cupom ao lado para entrar em contato conosco.

Nome: ____________________________________________________________________________________ Endereço: _________________________________________________________________________________ Bairro: _________________________ Cidade: _____________________________________ UF: __________ Cep: __________________________________ Data de nascimento: ________________________________ receber os informativos E-mail: _____________________________________________________ SIM! Quero do Greenpeace no meu e-mail Sexo: F M Profissão: ________________________________ Semanal Quinzenal Mensal Tel. Res.: ( __ ) __________________ Tel. Com.: ( ___ ) _________________ Cel.: ( __ ) ______________

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* O Greenpeace se compromete a debitar o valor definido

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*Preencha em letra de fôrma.

ou ligue para**

Associação:

Gostaria de agradecer muito tudo o que você vem fazendo por esta causa e por termos conseguido juntos estas duas grandes vitórias. Mas ainda há muito a fazer para acabar com a contaminação de transgênicos em nosso meio ambiente. Como você pode ver no “Guia dos Consumidores”, muitas empresas ainda não garantem que não utilizam transgênicos. Este é um sinal claro de desrespeito à nossa legislação e, principalmente, aos consumidores brasileiros, como você e eu. Estamos em um momento crucial da campanha contra transgênicos no Brasil. Por isso quero pedir que você convide um amigo que acredita, como você, que a preservação do meio ambiente é essencial para nossa vida. Toda colaboração que você tem dado ao nosso trabalho tem sido extremamente importante, mas os desafios que enfrentamos são enormes e agora precisamos aumentar nossas atividades para impedir que alimentos transgênicos sejam liberados indiscriminadamente em nosso país. Tenho certeza que podemos conseguir isso redobrando nossos esforços e é essa certeza que me fez entrar em contato com você. A sua contribuição nos possibilita fazer o máximo para conseguirmos as mudanças essenciais em nossa realidade. Ligue para (11) 3066-1151 (das 9 às 18 horas), ou envie o cupom ao lado pelo correio ou fax para o Greenpeace. Assim conseguiremos muitas outras vitórias mais rapidamente. Se você preferir, acesse o site www.greenpeace.org.br/db

pelo correio ou fax

 Sim, eu quero me associar ao Greenpeace para proteger o meio ambiente do Brasil.

(11) 3082 5500 0300 7892510

RECORTE AQUI

Quanto mais formos, maior será a nossa força para conseguirmos um mundo melhor! Ajude o Greenpeace a ganhar mais esta batalha: a de garantir que o Brasil continue um país livre de transgênicos. Convide um amigo que, como você, se preocupa com o meio ambiente para se associar ao Greenpeace. A sua colaboração é decisiva para alcançarmos um mundo melhor!

O seu apoio foi decisivo. Garantir que empresas se comprometam em não utilizar transgênicos é um passo muito importante para impedir que estes organismos sejam liberados, trazendo em seu rastro perda de biodiversidade animal e vegetal. Muitas espécies de animais e plantas deixariam de existir por entrarem em contato com vegetais transgênicos – através de polinização ou alimentação, caso da borboleta Monarca – enquanto outras não conseguiriam competir em pé de igualdade com estes organismos modificados e seriam extintas. Podemos perder até espécies vegetais essenciais à alimentação humana, como variedades inteiras de milho.

Basta preencher* e enviar o cupom abaixo

Coord. Campanha de Eng. Genética

Você pode fazer cópias desta página e indicar mais amigos

Se preferir, acesse o nosso site seguro:

www.greenpeace.org.br/db

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editorial Caro (a) Sócio (a),

Você está recebendo junto com esta edição do Diário de Bordo o Guia do Consumidor - Lista de Produtos com e sem Transgênicos, elaborado pelo Greenpeace. O lançamento do Guia do Consumidor aconteceu em junho, durante a Semana do Meio Ambiente, quando sócios do Greenpeace de nove cidades brasileiras trabalharam voluntariamente para distribuir a publicação. A experiência, tanto para nós quanto para eles foi fantástica. Por isso, pretendemos ampliar essas experiências e realizar, sempre que possível, atividades em conjunto com sócios. A seção “O Que Você Pode Fazer” (nome provisório) que, a partir desta edição, passa a fazer parte de todos os artigos do DB sobre as campanhas do Greenpeace, é reflexo dessa iniciativa. Nela, você encontra atividades para participar e fortalecer ainda mais nossas campanhas. O próprio nome definitivo da seção vai ser escolhido com a sua ajuda: veja na página 16 como votar nas opções disponíveis. E as notícias da Campanha contra Transgênicos não poderiam ser melhores. Depois de dois anos de campanha intensa, conseguimos duas grandes vitórias: as empresas Unilever (proprietária da marca Knorr) e Nissin (da Cup

Noddles) garantiram que não vão mais utilizar transgênicos em seus produtos. Esta importante conquista só foi possível graças ao seu apoio. Você também encontra nesta edição, nas páginas 10 e 11, um artigo sobre os preparativos para a Rio+10, a Cúpula Mundial de Desenvolvimento Sustentável. Lamentavelmente, alguns países conseguiram bloquear todas as iniciativas para levar uma boa proposta para Joanesburgo, na África do Sul, onde será realizado o encontro no final de agosto. No entanto, a idéia é continuar pressionando os governos mundiais - inclusive o brasileiro - para que ratifiquem os tratados já assinados e não só mantenham, mas também implementem, as conquistas alcançadas há 10 anos, na Eco 92. Também há novidades nas campanhas da Amazônia e de Substâncias Tóxicas: leia sobre o contrabando de mogno brasileiro para a Espanha denunciado pelo Greenpeace e sobre Responsabilidade Corporativa, nas páginas 12 e 14, respectivamente. Um grande abraço,

Greenpeace lança Guia do consumidor sobre transgênicos A Campanha de Engenharia Genética do Greenpeace lançou, no dia 29 de maio, o “Guia do Consumidor lista de produtos com ou sem transgênicos”, que você recebeu encartado nesta edição do Diário de Bordo. A publicação traz mais de 500 produtos que contêm ingredientes derivados de milho e soja. Hoje a soja Roundup Ready, da Monsanto e o milho Bt, da Novartis, representam 82% dos transgênicos plantados no mundo. “Os transgênicos trazem sérios riscos ao meio ambiente, como a perda da biodiversidade e a poluição genética, danos irreversíveis e

Flavia Revkolevsky Diretora de Desenvolvimento Greenpeace Brasil

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05422-999 São Paulo SP

NÃO É PRECISO SELAR

O SELO SERÁ PAGO POR: Associação Civil Greenpeace

Você pode fazer algo. Juntos podemos fazer muito.

CARTA-RESPOSTA

DR/SÃO PAULO

UP-AC ADOLFINA PINHEIROS

PRT/SP - 6541/96

“Você quer trabalhar como voluntário durante a semana do meio ambiente?”

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incontroláveis. Além disso, não há consenso na comunidade científica sobre a segurança destes alimentos para consumo humano. O Guia é uma ferramenta fundamental para que se evite o consumo destes alimentos”, afirma Mariana Paoli, coordenadora da Campanha de Engenharia Genética do Greenpeace. “Empresas como a Knorr, a Nissin, a Sadia e a Superbom, após terem sido denunciadas pelo Greenpeace, passaram a realizar controles na aquisição de matériaprima a fim de evitar novas contaminações em seus produtos. Esperamos que outras empresas tomem as mesmas medidas, garantindo à população um produto que não traz riscos à saúde e ao meio ambiente” completa Tatiana Carvalho, assessora da campanha.

Este foi o convite que muitos sócios de Salvador e Belo Horizonte receberam por email no mês de maio. Pensando em aumentar a interação entre o Greenpeace e seus associados criamos este desafio: trabalhar na divulgação e distribuição do Guia de Consumidores em diversas cidades do país durante a Semana do Meio Ambiente. O resultado foi fantástico! Tivemos atividades em São Paulo, Manaus, Porto Alegre, Brasília, Santos, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador e Recife, onde foram distribuídos 26.000 guias. Esse foi o primeiro passo para a implantação de um projeto maior, envolvendo sócios voluntários de todas as cidades do Brasil. O projeto já está em desenvolvimento e o segundo passo foi criar, a partir desta edição do Diário de Bordo, uma nova área com atividades que podem ser desenvolvidas pelos sócios. Aguarde novidades! Sócios em ação em Porto Alegre, RS

O convite para participar da semana do meio ambiente foi uma injeção de ânimo e, além de me deixar orgulhosa demais, serviu para mostrar que lutar, mesmo considerando-se um grão de areia no meio de um grande turbilhão, vale a pena... e muito!. Foi uma recompensa muito grande ter podido ser uma voluntária do Greenpeace... Me sinto muito feliz por perceber o bem que venho fazendo pelo meio ambiente! Cinthia Renata Durante, sócia 61480, de Santos (SP)

O que você pode fazer? Divulgue o Guia do Consumidor. Escreva para os jornais da sua cidade, bairro, escola, paróquia, etc., e solicite que eles publiquem o Guia na íntegra, ressaltando a importância do direito à informação. • A maneira mais simples de acessar esta publicação é pela internet, através do site do Greenpeace www.greenpeace.org.br - onde você obtém imediatamente uma cópia. Divulgue via email para toda a família e amigos. Quanto maior o número de pessoas conscientes e atuantes, maior será o sucesso desta campanha. Cópias podem ser adquiridas gratuitamente nas lojas Espaço Greenpeace em Salvador e São Paulo, no escritório de Manaus e junto ao grupo local de Porto Alegre (1) • Entre no site do Greenpeace e envie uma mensagem de protesto para todas as empresas que não garantem que seus produtos não são transgênicos ou ligue para cada uma delas para realizar o seu protesto; você encontra o número do telefone na última página do Guia. Lembre-se de que a Knorr parou de utilizar transgênicos em seus produtos graças à pressão dos sócios do Greenpeace e de internautas brasileiros que enviaram milhares de emails e cartões solicitando a mudança. • Você pode também organizar um evento para a distribuição do Guia na sua cidade: consiga um espaço, organize uma equipe de voluntários, busque apoio para divulgação e agende uma data e horário com a gente. O Greenpeace irá disponibilizar 200 cópias por localidade para a realização de 16 eventos até o final do ano, mas cada grupo deve tentar fazer mais cópias do Guia. Para mais informações entre em contato através do email: socios@greenpeace.org.br (1) Loja Espaço Greenpeace em São Paulo, tel. (11) 3078-3465, em Salvador, tel. (71) 2323102. Grupo Local de Porto Alegre (51) 3311-8399. Escritório de Manaus (92) 627-9000 5


Cartoon gentilmente cedido por Angeli.

CONAMA apr ova rresolução esolução sobr e aprova sobre licenciamento ambiental de transgênicos O Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), aprovou em junho uma resolução que estabelece regras para o Licenciamento Ambiental, Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto no Meio Ambiente (EIA/ RIMA) de atividades e empreendimentos com organismos geneticamente modificados (transgênicos) e seus derivados. Depois de mais de dois anos de intensas discussões a proposta aprovada garante que o licenciamento ambiental seja feito pelos órgãos ambientais competentes, que poderão exigir o Estudo de Impacto Ambiental.

Relatório ee as sobre Relatório sobr sobr as vantagens vantagens da da soja soja ee do do milho milho sobre oo não ansgênicos aa oo mer cado asileir transgênicos para mercado brasileir asileiro não tr tr ansgênicos par par mer cado br br asileir mercado brasileir asileiro transgênicos para

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“Como demonstram as declarações das empresas e análises de mercado citadas no relatório, por causa da maior rejeição internacional aos grãos transgênicos, a demanda por soja brasileira não pode ser contestada”, disse Jean-François Fauconnier, especialista em mercado do Greenpeace Internacional. No Brasil, há quem acredite que o país pode plantar variedades transgênicas e não-transgênicas e suprir os consumidores conforme a demanda. As experiências mostram o contrário: “Não é possível fazer ambas as coisas. Grãos transgênicos contaminam as plantações convencionais e os sistemas de segregação aumentam os custos de produção”, completou Jean-François. Preocupadas com a possibilidade do Brasil aprovar os transgênicos proximamente, empresas européias estão buscando comprar matéria-prima certificada e que possa ser rastreada diretamente de fontes alternativas totalmente confiáveis, como é o caso da Índia.“O uso de grãos transgênicos no Brasil seria um suicídio ambiental e comercial, criado mais pela influência de políticos e empresas estrangeiras do que pela demanda de mercado e o interesse de indústrias e consumidores brasileiros,” concluiu Mariana. Acesse o relatório completo “As Vantagens dos Grãos de Soja e de Milho Não-Transgênicos para o Mercado Brasileiro” através do link www.greenpeace.org.br/ transgenicos/pdf/relatorio_mercado_20020610.pdf

No mês de junho, o Greenpeace organizou uma viagem de negócios de empresas européias ao Brasil interessadas no mercado brasileiro de soja não-transgênica. Você pode acessar o relatório desta viagem através de nosso site (http://www.greenpeace.org.br)

Apesar de comprar v otos, Japão não votos, consegue r eabrir caça às baleias reabrir A reunião da Comissão Baleeira Internacional terminou, no dia 24 de maio em Shimonoseki, no Japão, com uma contundente derrota para a proposta japonesa de retomar a caça comercial de baleias. Mas o Japão segue impedindo a criação do Santuário do Atlântico Sul - uma proposta conjunta entre Brasil e Argentina -, que tem como objetivo desenvolver o turismo ambiental de observação de baleias e preservar o meio ambiente. Apesar da proposta do Santuário do Atlântico Sul não ter passado desta vez, o ministro do Meio Ambiente, José Carlos Carvalho, que viajou especialmente para

apresentar a proposta do Santuário na reunião, manifestou claramente aos representantes dos demais governos que apresentará a proposta quantas vezes for preciso para que seja aprovada. Esta reunião foi marcada pela compra de votos por parte do Japão, acusado de subornar os países pobres a votarem a favor da caça. No entanto, esta estratégia indecente não teve sucesso. A próxima reunião será em 2003, em Berlim, e o Greenpeace vai seguir trabalhando pela manutenção da moratória e pela criação de mais Santuários. O seu apoio continua sendo fundamental: as baleias precisam de proteção!

Greenpeace / I. Gavrilov

Relatório divulgado pelo Greenpeace mostra que o Brasil tem uma oportunidade de ouro para capitalizar vantagens de mercado por ser o único dos três maiores países produtores de soja a não liberar o plantio e a comercialização de transgênicos. O Brasil vem ganhando cada vez mais mercados e prêmios como resultado da demanda internacional crescente por alimentos não-transgênicos. O relatório do Greenpeace compila estatísticas e declarações publicadas por órgãos oficiais, analistas de mercado e grandes empresas de alimentação, enfatizando a rejeição do mercado mundial em relação aos transgênicos. Se o país mantiver o status de não-transgênico, será capaz de atender à mudança de mercado antecipada para o uso de ração animal não-transgênica na Europa e o mercado de alimentação humana na Ásia, trazendo um impacto ainda mais significativo para as exportações brasileiras. Juntas, as importações européias de farelo de soja e as de grãos de soja chinesas e japonesas representam 40 milhões de toneladas. Comparativamente as exportações brasileiras de farelo de soja e grãos de soja representam, respectivamente,15 e 10 milhões de toneladas. O mercado europeu de alimentos já é praticamente 100% nãotransgênico e o mercado de alimentação animal é estimadamente de 20-25% não-transgênico, com tendência de crescimento. “Seria contra o bom senso de negócios se o Brasil começasse a plantar ou importar grãos transgênicos,” afirmou Mariana Paoli, coordenadora de Campanha de Engenharia Genética do Greenpeace Desde a introdução da soja transgênica nos EUA, o volume de exportações americanas de grãos de soja para a Europa caiu de 9,2 milhões de toneladas em 1996 para 6,8 milhões de toneladas em 2000, enquanto as exportações brasileiras de grãos de soja não-transgênica para a Europa aumentaram de 3,1 milhões para 6,3 milhões de toneladas no mesmo período. O milho americano e a canola canadense sofreram perdas ainda mais dramáticas no mercado.

A resolução é fundamentada nos princípios de precaução da proteção à saúde humana, de participação pública, de informação e de necessidade de submeter a liberação de transgênicos a um processo de licenciamento por órgãos ambientais. O documento oferece um instrumento precioso para averiguar e prevenir riscos ambientais, e sua implementação deve ser cobrada pela sociedade. A resolução ainda precisa ser publicada no Diário Oficial.

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Greenpeace / Kiryu

Greenpeace / Kiryu

O que o Br asil tem a v er com isso? Brasil ver Até o fechamento desta edição, a rota a ser seguida pelos navios ainda estava sendo mantida em segredo. Mas, para seguir do Japão até a Inglaterra, existem três opções possíveis: pelo Oceano Pacífico, via canal do Panamá, Mar do Caribe e Oceano Atlântico; pelo Oceano Pacífico, via Mar da Tasmânia, Cabo da Boa esperança e Oceano Atlântico; e ainda pelo Oceano Pacífico, via Cabo Horn. Caso essa ultima opção seja adotada, os navios vão atravessar toda a costa brasileira. É fundamental que o Governo do Brasil diga não à passagem destes navios pelas nossas águas, evitando riscos para nosso povo e nossa natureza. Após o governo japonês descobrir a falsificação, a carga ficou retida no Japão. Em 26 de abril deste ano, os navios partiram da Inglaterra rumo ao Japão para buscá-la. A arrogância e a irresponsabilidade da indústria nuclear ao realizar essa sinistra viagem é inaceitável, principalmente após o trágico atentado de 11 de setembro em Nova York, que demonstrou o caráter destrutivo e inconseqüente a que extremistas podem chegar. Por isso, o Greenpeace pediu não só às autoridades, mas também à sociedade civil, que se mobilizassem a fim de impedir mais esse desatino da indústria nuclear. O Greenpeace contou com a participação de todos nas várias cyberações elaboradas exclusivamente para este caso.

Japão e Inglaterra: uma ameaça à segurança global

T ranspor te de plutônio ameaça os oceanos Navios carregados de material nuclear põem em risco a segurança global

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história: o plutônio pode se dispersar nos oceanos e costas, envenenando as pessoas e o meio ambiente. Comércio internacional irresponsável E como é possível que, em plena Copa do Mundo, esse transporte estivesse acontecendo quando toda a segurança estava voltada para o evento? A resposta está na irresponsabilidade da indústria nuclear. No mundo contemporâneo globalizado, o resíduo nuclear virou objeto de um comércio internacional totalmente irresponsável, onde o interesse de poucos países impõe terror e ameaça a muitos outros. Ou seja, não há justificativas consistentes para esse transporte. Ele só está ocorrendo devido a uma falsificação praticada pela BNFL ( Britsh Nuclear Fuel Ltd.) - a empresa inglesa que vendeu MOX (óxido misto de urânio e plutônio) para a japonesa Kansai Eletric - nas normas de segurança internacionais que regulam o translado desse tipo de material. O plutônio, na forma de MOX, foi enviado em 1999 pelos britânicos para ser usado nas usinas nucleares japonesas.

O que você pode fazer

Greenpeace / M. Corazza

Pode até parecer roteiro de ficção científica, mas é a mais pura - e preocupante realidade. Até o fechamento desta edição, no final de junho, os navios ingleses Pacific Tail e Pacific Pintail, carregados de plutônio suficiente para fazer 50 bombas nucleares, se preparavam para zarpar do Japão rumo à Inglaterra, numa viagem extremamente perigosa para milhões de pessoas em todo o mundo. Provavelmente, quando você receber seu Diário de Bordo, os navios já estarão em trânsito pelos oceanos. Fique atento, pois isso não poderia estar acontecendo. Afinal, o plutônio é conhecido como uma das substâncias mais perigosas já manipuladas pelo homem, com uma meia vida (tempo necessário para que se reduza à metade a radiotividade de um material) de 24 mil anos. Um acidente envolvendo esta carga pode causar uma catástrofe sem precedentes na

O Greenpeace realizou, no dia 19 de junho, um protesto em frente ao Consulado japonês em São Paulo. A manifestação, em clima de Copa do Mundo, consistiu em um jogo de futebol com jogadores vestidos com as bandeiras do Japão e da Inglaterra, uma bola com o símbolo do perigo nuclear e um juiz vestido de morte. O protesto bemhumorado reuniu cerca de 15 ativistas e terminou com a entrega de um cartão vermelho e uma carta ao Cônsul do Japão, Sr. Kyotaka Akasaka, pedindo que o governo japonês suspendesse o transporte de plutônio.

As Flotilhas O navio do Greenpeace Artic Sunrise se preparou para capitanear flotilhas de protesto contra o transporte nuclear, seja qual for a rota adotada pelos navios. Caso eles sigam pelo Mar do Pacífico e da Tasmânia, o carregamento deverá passar pela zona de protesto no início de julho. Pelo menos oito barcos deverão estar se preparando na Austrália, Vanuatu e Nova Zelândia para formar uma corrente simbólica de protesto nas águas internacionais do Mar do Pacífico e da Tasmânia. Já se os navios seguirem pelo Cabo Horn, os cinco barcos que compõem esta flotilha enfrentarão bravamente o inverno no Horn para enviar sua mensagem de protesto. E seja qual for a rota escolhida para chegar ao Reino Unido, o carregamento terá que passar pelo Mar da Irlanda, onde será recebido por uma grande flotilha irlandesa. “O movimento de flotilhas cresceu em apenas um ano”, disse Bernard Kuczera, da flotilha do Pacífico. “Marinheiros ao redor de todo o mundo estão se unindo aos estados costeiros que já estão protestando contra esses carregamentos absolutamente desnecessários e perigosos”.

Acompanhe em nosso site (http:// www.greenpeace.org.br/nuclear/home.asp) os últimos acontecimentos da campanha. Envie o seu protesto aos governos do Japão e da Inglaterra pedindo que o comércio de plutônio seja definitivamente interrompido. PLUTÔNIO NA MINHA PRAIA, NÃO!!!!!!!!! 9


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Greenpeace / M. Zakora

magine quase mil representantes de cerca de 170 países reunidos em Bali, na Indonésia, por quinze dias, para finalizar um plano de ação que assegure um projeto de desenvolvimento sustentável que responda as nossas demandas ambientais e sociais. Adicione um grupo pequeno de países que detêm a maior parte dos recursos financeiros e não está disposto a abrir sua carteira. E para finalizar, muita pouca vontade política para se chegar à um acordo. Estes foram os elementos que levaram ao colapso a última reunião preparatória para o que deveria ser o maior evento político da área ambiental desde a ECO 92: a Conferência da Terra de 2002 ou “Rio+10”. Esta reunião, organizada pela ONU, será realizada no final de agosto deste ano, em Joanesburgo, na África do Sul. O “colapso de Bali” substitui o que deveria ser chamado de “plano de ação de Bali” e evidencia a falha dos governos de todo o mundo em cumprir os compromissos assumidos durante a ECO 92. Mas as coisas poderiam ter sido piores: imagine se um documento fraco e retrógrado tivesse sido aprovado. Portanto, ainda resta uma chance para salvar a

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agenda ambiental e social da próxima década, e é preciso trabalhar duro para garantir que nossos representantes garantam um bom acordo para a sociedade civil. A Cúpula de Joanesburgo terá que responder não só ao desafio da proteção ambiental numa economia globalizada, como também à necessidade de reduzir a pobreza para garantir um futuro sustentável. A expectativa do público frente a essa reunião no continente africano não se limita à discussão de metas de implementação da Agenda 21, acordada na ECO-92, com datas, recursos financeiros e monitoramento bem definidos para proteção das florestas, rios, mares e conservação da qualidade do ar, solo e alimentos, entre outros. Mas se deve especialmente pela possibilidade de mostrar como os governos vão assegurar à sociedade um futuro sustentável. Entretanto, o processo de negociação nos corredores da ONU não leva a nenhum destes objetivos. O documento discutido em Bali é uma triste evidência de que, no que depender de nossos governos, podemos começar a procurar outro planeta para viver, pois a Terra está com seu futuro comprometido.

Greenpeace / R. Baird

Nosso Compromisso com a Rio + 10 De quem é a culpa do atual estado das negociações? Em primeiro lugar, da maioria dos países ricos, que tem a falsa noção de que sustentabilidade é um objetivo apenas para países pobres. Com isso, este grupo não cumpriu os compromissos de redução de consumo e impacto sobre os recursos naturais e meio ambiente, assumidos no Rio em 1992. Tampouco disponibilizou os recursos financeiros acordados para financiar a implantação da Agenda 21 junto aos países pobres. Muitos dizem que, enquanto os poucos países ricos não cumprirem os acordos da Rio 92, os países em desenvolvimento não levarão a sério sua responsabilidade pela proteção ambiental. Os países em desenvolvimento, por sua vez, querem ignorar a palavra “sustentável” e enfatizar a palavra “desenvolvimento”, definindo políticas de desenvolvimento a qualquer custo, repetindo os mesmos erros cometidos pelos países ricos, com ferramentas e tecnologias sujas, ignorando a opinião pública que demanda desenvolvimento sim, mas sustentável. Um bom exemplo é a questão da responsabilidade corporativa, um assunto atual e imprescindível para o desenvolvimento sustentável. Desastres como o causado pela Union Carbide (hoje comprada pelo grupo Dow) em Bhopal, na Índia, áreas contaminadas pela Solvay, em Santo André (SP), ou pela Shell em Paulínia (SP), ou mesmo escândalos como o da gigante americana ENRON, demonstram a necessidade de maior responsabilidade, controle e acompanhamento da atividade corporativa na economia globalizada. As empresas se beneficiam do mercado global para seu desenvolvimento, mas não são monitoradas ou responsabilizadas internacionalmente. Portanto, precisamos transformar a via única de benefícios existente hoje em uma via de mão dupla com responsabilidade corporativa, através de um instrumento legal internacional. Tal instrumento deve incorporar compensação e restituição de danos, direito à informação, respeito aos direitos humanos das comunidades e dos trabalhadores, entre outros. Os países em desenvolvimento chegaram a apoiar o desenvolvimento de tal instrumento internacional de responsabilidade corporativa, mas os países ricos não vêem a necessidade de maior controle sobre as atividades das corporações no mundo globalizado. E o que é mais

preocupante: alegam que medidas voluntárias não monitoradas são suficientes para garantir que as empresas se comprometam com o desenvolvimento sustentável. O resultado final é um compromisso vazio de promover a responsabilidade corporativa, sem ações concretas, metas, ou datas fixas para cumprir o objetivo. A resistência das empresas e governos a um instrumento legal internacional de responsabilidade corporativa contribuirá apenas para o aumento da desconfiança do público em relação ao controle corporativo sobre os governos e a seriedade das empresas em suas iniciativas sociais e ambientais. O que fazer para salvar nosso futuro? É preciso resgatar o compromisso assumido na ECO92 e exigir dos nossos governantes uma atuação efetiva para a implantação da Agenda 21 com um plano de ação claro, objetivos bem definidos, meios e recursos de implantação, requerimentos institucionais e monitoramento. Além disso, devemos cobrar uma visão de sustentabilidade para a próxima década. Um indício de que isso ainda é possível foi a Rio+10 Brasil, realizada em meados de junho no Rio de Janeiro. O encontro contou com a participação dos líderes dos três países-sede de conferências sobre o meio ambiente - Suécia, Brasil e África do Sul - além de ONGs e representantes de diversos setores da sociedade. Durante a audiência pública, os líderes ouviram a opinião da sociedade civil e preparam uma carta pedindo o comprometimento dos países do G-8 com a Cúpula de Joanesburgo. A carta foi entregue aos representantes presentes na Cúpula do G-8, realizada no Canadá no final de junho. Apesar da tentativa de envolver os países mais ricos do mundo no processo da Rio+10 ter fracassado, nem tudo foi perdido: conseguimos definir líderes para Joanesburgo - os presidentes brasileiro e sulafricano e o primeiro-ministro sueco -, o que já representa um grande avanço com relação à reunião de Bali. O governo brasileiro assumiu em Bali a responsabilidade de garantir que a Rio+10 seja um sucesso. Afinal de contas, o país foi sede do marco ambiental que é a Agenda 21, além de ter peso e importância no grupo dos países em desenvolvimento. E realmente liderou o grupo dos países latino-americanos e caribenhos encaminhando uma iniciativa regional de implantação do plano de ação a ser acordado em Joanesburgo. O Brasil foi sede da criação dos acordos ambientais mais importantes da última década. Negociou e assinou tais acordos e agora falta que o Presidente da República os envie para ratificação junto ao Congresso, a fim de assegurar que as vitórias ambientais internacionais se tornem realidade no país. Esta é a maneira mais clara e transparente de confirmar seu compromisso com o desenvolvimento sustentável e a promoção da agenda ambiental e social.

Você Sabia? O Greenpeace iniciou suas atividades no Brasil também em 1992. Saiba mais acessando, a partir do próximo mês, o site especial sobre a Rio+10 na página do Greenpeace Brasil, http://www.greenpeace.org.br. 11


Xingu ” realizada pelo Ibama e pela Polícia Federal em setembro e outubro daquele ano no Sul do Pará. A operação, decorrente de denúncia do Greenpeace sobre exploração ilegal de mogno em terra indígena, resultou na apreensão de 7.924 m3 de mogno em tora e 123 m3 de mogno serrado. “Estes documentos são uma coleção de ilegalidades e mostram que os mecanismos de controle não funcionam”, disse o coordenador internacional da campanha Amazônia do Greenpeace, Paulo Adário. Na Espanha, a Procuradoria de Meio Ambiente abriu inquérito sobre importação irregular de mogno brasileiro.

O PROBLEMA É GRAVE… Compr ovado contrabando de mogno Comprovado

O

A solução existe O Greenpeace promoveu, no início de junho, em Belém (PA), um workshop técnico para discutir novas normas para manejo, manutenção da moratória, certificação independente e inclusão do mogno no Anexo II da CITES (Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies Ameaçadas da Fauna e Flora Silvestres). O encontro reuniu pesquisadores brasileiros e estrangeiros, autoridades ambientais, ONGs e empresários. Os especialistas discutiram ecologia, manejo do mogno e medidas necessárias para uma exploração ecologicamente responsável, socialmente adequada e economicamente

Nossos “Kids” em Haia Ação realizada em Curitiba, em abril de 2002, na madeireira Red

Fotos: R. Baleia

caso mogno continua rendendo denúncias e muita discussão. No dia 13 de junho, o Greenpeace pediu ao governo brasileiro que determinasse uma investigação nos portos tradicionalmente usados para a exportação de mogno para impedir o contrabando da espécie. Para justificar o pedido, encaminhamos às autoridades brasileiras documentos comprovando fraudes na exportação, evasão de divisas, desrespeito à Portaria de 1996 que criou quotas para o mogno e falso testemunho. Os documentos consistem em cópias de cartas e duas notas fiscais clonadas emitidas pela empresa exportadora de madeiras Adair Comercial Ltda, do Pará, referentes a um carregamento de mogno exportado como sendo cedro para a empresa Comadex S.A, de Toledo, Espanha. Na carta encaminhada pela exportadora Adair à importadora Comadex, o exportador brasileiro diz: “Ressaltamos ainda que, por motivos internos de nosso país, embarcamos o mogno como cedro - KD”. A “situação interna” pode ser referência ao fato de que, em fins de 2000, a exportação de mogno já enfrentava dificuldades decorrentes da “Operação

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Como prometido no último Diário de Bordo, Vítor Finotto Cores e Adriana Carvalho dos Santos contam sua experiência no Encontro sobre Florestas Antigas, que aconteceu em Haia, Holanda, em abril , durante a 6 a Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (CBD). Eles integraram o grupo de 30 jovens e crianças de 19 países que participaram do projeto Jovens pelas Florestas (em inglês, KFF ou Kids for Forests), uma iniciativa do Greenpeace na batalha pelas florestas antigas. “No Brasil ainda falta respeito pelo meio ambiente”, acredita Vítor. “Em vez de dizer ‘chega’ ao desmatamento da Floresta Amazônica, nossos governantes fizeram de tudo para barrar qualquer plano que estabelecesse uma data para deter a perda de biodiversidade”. Vítor e Adriana estavam entre os 600 participantes da passeata do KFF que pediram um posicionamento dos ministros presentes no encontro quanto à preservação das florestas. “Não permitiram que ultrapassássemos uma barreira o que dificultou a proposta de abordar ministros e delegados da Convenção oferecendo a oportunidade de tornaremse embaixadores das florestas primárias”, conta ele. Mesmo assim, ambos consideram sua participação proveitosa. “Foi muito emocionante e tenho certeza de que foi visível o nosso empenho para salvar as florestas”, diz Adriana. “Eu esperava que o Brasil tomasse uma atitude concreta pela conservação da Amazônia, deixando de lado interesses econômicos e se colocando a favor da vida. Infelizmente isso não aconteceu, mas acho que o evento serviu para sensibilizar as autoridades para o problema”, acrescentou ela.

viável. A ”Declaração de Belém”, documento resultante do workshop, afirma que a transição do atual modelo, baseado no desrespeito à Lei e na exploração predatória, para um sistema regulado pelo Governo, transparente e autosustentável, vai exigir mudanças de caráter permanente e a cooperação de todos os setores envolvidos. A “Declaração de Belém” prevê normas específicas para o manejo do mogno e de espécies raras, com propostas para o período de transição e condicionantes para a retomada da exploração, comércio e regularização dos projetos existentes. Entre as pré-condições estão o inventário dos estoques de mogno remanescentes na Amazônia, a manutenção da moratória para novos projetos (a atual termina em agosto) e a criação de um fundo de conversão para o manejo sustentável da espécie, com recursos provenientes da venda, pelo governo, do mogno apreendido. Parte dos recursos seriam destinados a fortalecer a capacidade de fiscalização e monitoração do Ibama.

O mogno hoje O mercado de mogno - a mais valiosa madeira da Floresta Amazônica - está paralisado desde outubro de 2001, quando o Ibama proibiu a exploração, transporte e comércio da espécie após comprovar a enorme ilegalidade no setor. Um debate inédito sobre as condições da exploração florestal no Brasil foi aberto e alcançou os corredores do Palácio do Planalto - o presidente Fernando Henrique Cardoso, em seu programa semanal de rádio do dia nove de abril, reafirmou o compromisso do governo federal na proteção ao mogno.

O que você pode fazer Pedir a prorrogação da moratória do mogno, escrevendo para: • Presidência da República Presidente Fernando Henrique Cardoso E-mail:protocolo@planalto.gov.br ou pr@planalto.gov.br Fone: (61) 411-1200 / 1201 / 1203 Fax: (61) 411-2222 • Ministério do Meio Ambiente Ministro José Carlos Carvalho E-mail: gab@mma.gov.br ou jose-carlos.carvalho@mma.gov.br Fone: (61) 322-7819 / 317-1289 Fax: (61) 226-7107 13


Responsabilidade Corporativa Entenda a postura que esperamos das empresas com relação ao meio ambiente

Ao apresentar o Caso Solvay no Diário de Bordo Outono 2002, estávamos concluindo o relatório internacional “Crimes Corporativos”: são 37 casos de agressões criminosas ao meio ambiente e a comunidades cometidas por corporações internacionais ao redor do mundo; “Solvay” está entre os seis casos brasileiros do relatório. Além disso, apresentamos ao público, no dia sete de junho, o relatório “Crimes Ambientais Corporativos no Brasil”, com 17 casos ocorridos em território nacional. Um aspecto importante dos casos diz respeito à postura das empresas quanto às normas de meio ambiente e saúde, indicando a necessidade de uma regulamentação por parte dos Estados. Nos países em desenvolvimento, essas leis são mais brandas se comparadas às adotadas nas sedes das empresas, localizadas em países desenvolvidos. Por vezes, as leis são ignoradas. Os casos demonstram que mercados globais permitem que grandes corporações pratiquem duplos padrões, aproveitando-se de leis fracas para cortar custos, aumentar os lucros e prejudicar o meio ambiente. Mas não são apenas companhias de capital internacional que agem de maneira irresponsável. Empresas estatais e de capital nacional também cometem graves danos ao meio ambiente.

No Brasil, o caso da siderúrgica Gerdau - grupo de origem gaúcha -, apresentado no Diário de Bordo Outono de 2001, ilustra o desrespeito e o duplo padrão adotado pela companhia em seu próprio país. Depois de ser denunciada pelo Greenpeace em janeiro de 2001, a Gerdau desqualificou o relatório técnico da organização e, por mais de cinco meses, negou ser fonte da contaminação por PCBs (bifenilas policloradas). Somente ao apresentar documentos oficiais do Canadá, onde a Gerdau monitorava voluntariamente as emissões de dioxinas e furanos em sua unidade, a empresa iniciou um processo de negociação mais digno com o Greenpeace. Os casos listados no relatório não têm o propósito de serem definitivos. Esses casos devem ser vistos apenas como um registro preliminar dos crimes corporativos com impactos grandes e de longo prazo na população e no meio ambiente, o que comprova a necessidade urgente de ação em âmbito regional e global.

um mundo mais limpo levou o Greenpeace a propor “Os Princípios de Bhopal sobre Responsabilidade Corporativa”. São dez princípios visando a garantir que corporações atuem em consonância com a Declaração do Rio sobre Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, elaborada durante a Eco-92.

Princípios de Bhopal 1. Implementar o Princípio 13 da Declaração da Rio 92 2. Ampliar a responsabilidade corporativa 3. Assegurar responsabilização por danos causados fora da jurisdição nacional 4. Proteger os Direitos Humanos 5. Garantir a participação da população e o direito à informação 6. Aderir aos mais altos padrões 7. Evitar influência excessiva sobre o governo 8. Proteger a soberania alimentar contra as corporações 9. Implementar o princípio da precaução e exigir avaliação de impactos ambientais 10. Promover o desenvolvimento limpo e sustentável

O que você pode fazer • No site do Greenpeace - www.greenpeace.org.br você encontra o texto completo dos relatórios e dos “Princípios de Bhopal”, além de informações sobre incineração, direito à informação e produção limpa. Juntos estamos trabalhando por um futuro limpo e seguro para todos! • O relatório brasileiro “Crimes Ambientais Corporativos” está apresentado na forma de um mapa interativo. Acesse http://www.greenpeace.org.br/ Toxicos/mapa_crimes/home.asp para saber mais sobre os 17 casos de contaminação no país. • No hotsite sobre Bhopal, você encontra dados, fotos e documentos que ilustram os 17 anos de descaso com o meio ambiente e com as vítimas desse acidente. Sua voz de apoio pode ser somada à voz de mais de 15.000 pessoas que mostraram sua solidariedade às vítimas de Bhopal. Envie sua mensagem de protesto diretamente à presidência da Dow nos Estados Unidos e no Brasil. Acesse http://www.greenpeace.org.br/ Bhopal/cyberaction.asp para participar desta atividade. • Fique atento: para resolver o problema do lixo, querem construir incineradores no Brasil, uma tecnologia suja, poluidora e ultrapassada! Entre em nosso site nos próximos meses para saber mais sobre o desenvolvimento desta história.

No dia oito de maio, véspera da reunião de acionistas da Dow Chemical, maior indústria química do mundo, realizamos ações em diversos países para relembrar o que aconteceu em Bhopal. No Brasil, sede da Dow na América Latina, a manifestação foi pacífica. O silêncio foi quebrado somente pela cítara - instrumento indiano tradicional tocado pelo músico Luciano Salum -, a qual trouxe para a frente da Dow a memória de mais de 20.000 mortos e 150.000 vítimas.`

Denunciamos o problema e mostramos o caminho A experiência adquirida na última década através da realização de campanhas públicas e denúncias em prol de

Declaração do Rio sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, junho de 1992 14

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Greenpeace / R. Petterson

Princípio 13 “Os Estados deverão desenvolver a legislação nacional relativa à responsabilidade e à indenização referente as vítimas da contaminação e outros danos ambientais. Os Estados deverão cooperar de maneira inteligente e mais decidida no preparo de novas leis internacionais sobre responsabilidade e indenização pelos efeitos adversos dos danos ambientais causados pelas atividades realizadas dentro da sua jurisdição ou sobre o seu controle, em zonas situadas fora de sua jurisdição”.


espaço do sócio ...a Ana! Ela trabalha no Greenpeace desde 1998. “Entrei para o Greenpeace trabalhando 5 horas por dia como digitadora. Hoje, trabalho no atendimento aos sócios, esclarecendo dúvidas, respondendo e-mails, atendendo telefonemas pela linha direta, atualizando e resolvendo problemas relacionados a alteração de dados e contribuição dos sócios. Em janeiro de 1999 trabalhei como voluntária recepcionando visitantes no Navio MV Greenpeace, na campanha Tour das Águas, contra a poluição das águas. Mas, o meu primeiro trabalho em uma ação direta (foto) foi este ano e o que mais gostei. Participar desta manifestação em solidariedade às vítimas de Bhopal foi uma experiência emocionante. Me senti muito mais envolvida com a causa pela qual lutamos e sei que posso fazer muito mais pelo nosso meio ambiente.”

Se você não ligar, eles podem ficar sem a sua ajuda...

P. Gnecco

Conheça...

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Dúvidas mais frequentes O que eu posso encontrar no site especial dos sócios? Lançamento: Outubro/2001 Nova Versão: Junho/2002 Você quer conversar e manter contato com outros sócios do Greenpeace? Entre no “Fórum”. Ou você prefere baixar papéis de parede e proteções de tela para seu micro? Então dê uma olhada em “Multimídia”. Você também pode encontrar soluções para suas dúvidas mais freqüentes em “Faq’s”. Ou se você preferir, faça perguntas diretamente para o Greenpeace em “Canal Direto”.

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Escolha o nome da nova seção “O Que Você Pode Fazer”. Confira as opções e vote até o dia 30 de agosto: ( ) Embarque Nessa ( ) Sócios em Ação ( )Participe Como votar: entre na área especial de sócios www.greenpeace.org/socios e vote pela internet ou ligue para a linha exclusiva de sócios (11-3066-1151) e participe.

Associação Civil Greenpeace - Conselho Diretor: Ana Toni - Presidente, Gisela Alencar, Hugo Rosa, Pedro Jacobi Diretor-Executivo: Frank Guggenheim - Diretora de Desenvolvimento: Flavia Revkolevsky - Diretora de Campanha: Traci Romine Diretor de comunicação: Reinaldo Canto - Diretora Financeira: Cristina Sega Diário de Bordo: Inverno 2002 - Editor: Gabriela Vuolo - Arte: André Kishimoto, Ana Bruni Jornalista Responsável: Reinaldo Canto (Mtb 14.791) - Capa: Paulo Roberto Gnecco - Projeto Gráfico: Idéia Digital - Gráfica: Ipsis Rua dos Pinheiros, 240 - cj 21/32 - Pinheiros - 05422-000 - São Paulo - SP - Tels.: (11) 3066-1155 - 0300 789-2510 - Fax: (11) 3082-5500 - www.greenpeace.org.br Este Diário de Bordo foi impresso em papel reciclado em processo livre de cloro. 16


Inverno 2002