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O que pode ser um ateliê de performance? Lugar de experiência, laboratório, teste, processo, ação. O evento-ateliê propõe discutir a indecibilidade da performance como modo de operar o mundo. Acontecimento estético-político que envolve pessoas, estratégias e instituições.

Sobre o Ateliê O termo Ateliê remete ao lugar onde o artista, isolado do mundo, experimenta materiais, pesquisa suportes e linguagens, em processos de criação descomprometidos com resultados imediatos. Ateliê também é lugar de trabalho manual, oficina ou confecção de produtos comercializáveis. A relação vertiginosa entre processo-produto-processo​, nas práticas de Ateliê que implicam o gestual do corpo em movimento, é o ponto de partida do ATELIÊ DE PERFORMANCE no Instituto de Artes da UERJ. Neste espaço de ​pesquisa ​aberto a experimentação, observação e elaboração de práticas e conceitos relativos ao ​corpo em ação, ​a performance é vista como possibilidade ética-estética de inserção, intervenção, subversão, interferência no que já existe. Tal interesse pela dimensão temporal, reflexiva, processual e ​contextual ​da performance questiona o próprio “ser artista” no mundo contemporâneo.

Ateliê de Performance é um espaço transdisciplinar de pesquisa, cujo funcionamento segue as proposições dos seus frequentadores e convidados, com condução geral da professora-artista-pesquisadora Eloisa Brantes. Voltado para o ​encontro entre estudantes, pesquisadores, artistas e professores de diferentes áreas de conhecimento, dos cursos de

graduação e pós-graduação, o Ateliê de Performance investe na ​igualdade das inteligências como prática emancipatória. A troca entre saberes encarnados e o atravessamento de fronteiras disciplinares propõem o exercício radical de ​desconstrução das especialidades ​como possibilidade de pesquisa, produção e investigação em performance.


Edições ANO 2015 / junho e julho Na quarta edição do Ateliê de Performance a participação das pessoas continuou sendo livre, mas as presenças se tornaram mais assíduas do que antes. Corpos desejantes se contaminaram e atraíram pessoas de diferentes áreas de conhecimento. A transdisciplinaridade se faz necessária, desafiando os limites do já conhecido, formulado, elaborado, legitimado e/ou compreendido em seus saberes específicos. O abalo das fronteiras entre evento como exposição/resultado e pesquisa como prática de ateliê/processo, repercutiram no cotidiano do Ateliê de Performance. Pela primeira vez, as experimentações e exposições processuais seguiram uma programação prévia, assim, cada dia era vivido como um evento inédito. Esta dinâmica processual detonou acontecimentos inesperados que engajaram e comprometeram o corpo em ações carregadas de passado, presente e futuro. Elaborada semanalmente, de acordo com os interesses dos participantes, a organização dos encontros permitiu associações surpreendentes entre diferentes pesquisas. A presença de convidados pesquisadores-professores-artistas moradores de fora do Rio de Janeiro lançou perspectivas inusitadas sobre questões urbanas. Tal dinâmica ​work in process enfatizou o caráter transdisciplinar do Ateliê de Performance como espaço de encontro e enfrentamento entre pessoas e pesquisas provenientes de diferentes áreas artísticas e não artísticas.

A postagem da programação de cada semana no Facebook, ampliou a circulação de pessoas no Ateliê de Performance. Tal programação se resumiu a indicar o nome da pessoa, instituição de origem e tipo de proposição. Sempre foram mantidos 60 minutos de vazio voltado para as ressonâncias do vivido.

17/07/2015 Proposição : Helena Guilayn / Terapeuta corporal Pesquisa em processo : Carolina Burnier / Graduação Artes Visuais_UERJ Processo-performance : Dally Schwarz / Mestre EBA-UFRJ Performance : Herbert De Paz / Graduação Artes Visuais _UERJ Local : Corredor do Instituto de Artes 11º andar / horário - 8:30 às 12hs


ANO 2014 / outubro até dezembro A terceira edição foi dedicada a organização e realização do ​Evento Ateliê de Performance,​ que marcou o fim da pesquisa/prof.Visitante “O corpo em performance : perspectivas cênicas e plásticas”.

O caráter coletivo da curadoria e da produção do evento foi uma tentativa de abalar um tipo de organização hierarquizada, cuja formatação rígida poderia limitar a abrangência da proposta Ateliê de Performance como campo de inquietações, questionamentos e reflexividades. As funções se dividiram entre alunos e professores dos cursos de graduação e de pós-graduação do Instituto de Artes –UERJ. Esta proposta de coletivizar a organização do evento investiu na economia do desejo como modo de operar as relações corpo, performance e instituição. A mistura de presenças virtuais (Skype) e carnais nas mesas de debate ​Vídeos-Performances e ​Corpo-Arquivo contou com a participação de artistas e pesquisadores internacionais (México e Argentina). O uso de espaços “inadequados” (varandas, hall de elevadores, saída de emergência, etc.) para realização de ​Performances aos Vivos subverteu a vivência cotidiana e parcial do lugar Instituto de Artes - UERJ.


Instalação de TVs no corredor do 11º andar exibindo performances de artistas Latinxs Americanxs (Colômbia, México, Peru, Brasil, Guatemala e Argentina) ampliou as fronteiras territoriais do evento, que também contou com a colaboração da rádio Ateliê Radiofonias em programação anexa. Na conexão entre evento (exposto) e ateliê (processual) a amplitude da performance se fez tempo-espaço de ações e deslocamentos de sentidos, que destacaram a potência do artista como produtor, criador, inventor e transformador de coletividades habitadas.

Mesa CORPO ARQUIVO Mediação : Dally Schwarz (PPGAV – UFRJ) e Paola Marugan (PPGARTES – UERJ) Mônica Mayer (México, via Skype) Cristina Ribas (​Fine Art no Goldsmiths College University of London)


ANO 2014 / abril até agosto A segunda edição do,Ateliê de Performance investiu na situação de encontro entre as pessoas presentes, sem se deter tanto na interface artes cênica, plásticas e visuais. Como o contato entre pesquisas e/ou trabalhos diferentes poderia suscitar outros modos de conhecer, fazer, pensar, produzir e viver performances? Como pensar as propostas para além ou aquém de suas convergências e/ou divergências conceituais? Até que ponto o dissenso, apontado por Rancière como prática emancipatória, ecoa em investigações estéticas-políticas no campo da performance? O espaço de pesquisa se tornou mais propositivo, ou seja, ações, relatos, processos, materiais, etc. passaram a depender cada vez mais das pessoas que compareciam a cada dia. A inconstância dos frequentadores mostrou a força e a vulnerabilidade do espaço habitado. Neste “modo de funcionar” a autonomia processual das experimentações se afastou do


“produto-performance”. Tal afastamento levantou questões importantes sobre corpos e posicionamentos, engajamentos, virtualidades, mercados de arte, representatividades, produções artísticas, instituições de ensino, valores, políticas, comportamentos, ações, atitudes e coletividades.

ANO 2013 / outubro até dezembro Abertura de um espaço de pesquisa dedicado à produção do fazer-pensar/pensar-fazer performances com artistas, estudantes e professores do Instituto de Artes - UERJ. Tal espaço, aberto uma vez por semana, integra o projeto de pesquisa “O corpo em performance : perspectivas cênicas e plásticas” da professora Visitante Eloisa Brantes. Foram realizados experimentos coletivos que transitaram pela dança, instalações, sonoridades e intervenções, além de apresentações individuais de processos de trabalho e/ou pesquisa em performances. O confronto entre conceitos e práticas relativas ao corpo, espaço e tempo, oriundas das artes cênicas e das artes plásticas, revelou que o contato entre visões e procedimentos diferentes e até divergentes, podem abrir vias de desconstrução do corpo como linguagem. Dimensões carnais, temporais e coletivas do corpo em performance questionaram limites comportamentais, definições e/ou ideias preconcebidas de performance. O encontro U ​ sos e abusos da performance em pesquisas e produções artísticas,​ finalizou esta primeira edição do Ateliê de Performance. Se tudo pode ser performance, na lógica inclusiva da contemporaneidade, como seus diferentes usos envolvem a potência subversiva do corpo? Em dois dias de encontro foram apresentados relatos e mostras de trabalhos e pesquisa em artes cênicas e artes plásticas. 13/12/2013 Pensamento pelo corpo​ (Dally Schwarz_ performer, mestranda na Escola de Belas Artes_UFRJ) Aplique de Carne​ (Alexandre Vogler_ artista plástico, professor do Instituto de Artes/UERJ) Suporte. Filme documentário sobre pichadores e grafiteiros: existências desejantes ​(Carmen Luz – coreógrafa, cineasta e professora) Fazer acontecer. Documentário e performance ​(Jose Felipe Costa – professor Visitante Instituto de Artes/PVE-CAPES)

Ateliê de Performance  

Trabalhos realizados por Dally Schwarz no Ateliê de Performance.

Ateliê de Performance  

Trabalhos realizados por Dally Schwarz no Ateliê de Performance.

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