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entrevistapanorâmica ANOII - #08 - JUL 12

A CONSTÂNCIA DA DIVERSIDADE

DIÁRIO DO TURISMO www.diariodoturismo.com.br

08!

APOIO:


editorial

A CONSTÂNCIA DA DIVERSIDADE Paulo R. von Atzingen - Editor

A oitava edição do Entrevista Panorâmica traz para os seus leitores – a constância da diversidade. Explico-me: da mesma maneira que mantemos o formato de quatro entrevistas por edição – estabelecendo um grau de unidade e permanência, apresentamos quatro entrevistados com atuações as mais distintas no mundo corporativo do turismo brasileiro. Francisco Calvo é administrador hoteleiro, Diana Pomar é diretora do escritório do México para o Brasil, Ivane Fávero é secretária de turismo de Bento Gonçalves e Mário Beni é acadêmico. Na primeira entrevista, Francisco Calvo, diretor de Negócios da Rede Bourbon garante: “Os grandes shows e espetáculos do universo show-biz levaram para Assunção e para o Bourbon Conmebol Assuncion Convention Hotel a menina dos olhos de todo hoteleiro: hóspedes”; Segundo ele, o número de eventos no maior hotel do Paraguai superaram as expectativas, foram 107 eventos – de grande porte - só este ano. Diana Pomar, diretora do Conselho de Promoção de Turismo do México (CPTM) está imbuída em desenvolver novos segmentos de mercado e fechar mais parcerias com operadores. Este ano ela tem onze parceiros, incluindo uma companhia aérea. “Além dos operadores também estamos procurando parcerias com agências virtuais, agências especializadas em incentivos, viagens culturais e especializadas em mergulho porque o México tem essa diversidade de poder ter um produto para cobrir as necessidades desses mercados específicos”, diz na entrevista. A secretária de turismo de Bento Gonçalves, Ivane Fávero, além de professora de cursos superiores de Turismo há mais de 11 anos, é autora do livro Políticas do Turismo – Planejamento na Região da Uva e Vinho , pela EDUCS (Universidade de Caxias do Sul). Nessa entrevista, Ivane fala sobre vários temas inerentes ao turismo da capital nacional do vinho. Ao final, Mário Beni, conta sobre suas experiências ao longo de mais de 30 anos de carreira no turismo, fala sobre ter preconizado a fusão Latan em seu livro “A globalização do turismo”, sobre o ensino de turismo no Brasil, e deu orientações de como as cidades devem proceder para que tenham um turismo estruturado e forte. Além disso tece criticas ao poder público, que segundo ele não entendeu o alcance do turismo, relegando esse segmento a um plano bastante inferior. Portanto, leitores, com vocês, nossa oitava edição, constante e diversa.


08! [01]

FRANCISCO CALVO, DIRETOR DA REDE BOURBON

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DIANA POMAR, CONSELHO. DE PROM. TURÍSTICA DO MÉXICO

[03]

IVANE FÁVERO, SECRETÁRIA DE TURISMO DE BENTO GONÇALVES (RS)

[04]

MÁRIO BENI, ACADÊMICO NA ÁREA DO TURISMO


CURITIBA, SEDE DA REDE BOURBON

(FOTO: RENATO BORGES ECK ZORN)


FRANCISCO CALVO, DIRETOR DA REDE BOURBON

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UMA SEQUÊNCIA DE GRANDES SHOWS E ESPETÁCULOS DO UNIVERSO SHOW-BIZ LEVARAM PARA ASSUNÇÃO E PARA O BOURBON CONMEBOL ASSUNCION CONVENTION HOTEL A MENINA DOS OLHOS DE TODO HOTELEIRO: HÓSPEDES. AS 16 SUÍTES DO BOURBON NÃO FICARAM OCIOSAS NESSES ÚLTIMOS SEIS MESES. DE ACORDO COM O DIRETOR DE NEGÓCIOS DA REDE BOURBON, FRANCISCO CALVO, NOMES COMO PAUL MACCARTNEY, JÚLIO IGLESIAS, AEROSMITH QUE FIZERAM SHOWS MEMORÁVEIS NO CENTRO DE CONVENÇÕES, ANEXO AO HOTEL, FORAM RESPONSÁVEIS POR CARREAR O FATURAMENTO DA UNIDADE DE 152 APARTAMENTOS, INAUGURADA EM AGOSTO DO ANO PASSADO. “CONSEGUIMOS OFERECER ESSA PRATICIDADE PARA OS ARTISTAS. NÓS TEMOS 16 SUÍTES, ISSO IMPEDE QUE A SUÍTE PRINCIPAL VÁ APENAS PARA O LÍDER DA BANDA, PORQUE HOJE EM DIA NUMA BANDA CONSOLIDADA, TODOS SÃO LÍDERES, ENTÃO TODOS QUEREM TER A SUA SUÍTE”, LEMBRA O DIRETOR. EM RÁPIDA PASSAGEM POR SÃO PAULO – JÁ QUE SUA BASE É EM CURITIBA, SEDE DA REDE BOURBON, CALVO ATENDEU O DIÁRIO E ADIANTOU ALGUMAS NOVIDADES DO GRUPO. “NO BALANÇO DOS SEIS PRIMEIROS MESES DO ANO, CUMPRIMOS AS NOSSAS EXPECTATIVAS. TIVEMOS UMA OCUPAÇÃO MÉDIA DE 36% À 40% E A META É ALCANÇARMOS OS 50% ATÉ O FIM DO ANO”, ADIANTOU. NASCIDO NO RIO DE JANEIRO, CALVO É GRADUADO EM ECONOMIA E POSSUI MESTRADO EM ENGENHARIA DE PRODUÇÃO. LEVA NA BAGAGEM 18 ANOS DE EXPERIÊNCIA NO TRADE HOTELEIRO, TENDO INICIADO A CARREIRA NO MERCADO EM 1993, EM PALMA DE MALLORCA. ACOMPANHE A ENTREVISTA, EXCLUSIVA, CONCEDIDA AO JORNALISTA PAULO ATZINGEN, EDITOR DO DT.

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DIÁRIO – Há exatos 10 meses o Bourbon Conmebol referência. Além disso, temos um heliporto ao lado Assunção foi aberto. Você pode me apresentar um do hotel e estamos a escassos 10 minutos do balanço qualitativo e quantitativo da unidade? aeroporto. Mas o que nos surpreendeu é a cidade FRANCISCO CALVO – Nesses 10 meses de operação, em si. Um show em Assunção, hoje, é visto não só consolidamos a unidade da cidade de Assunção, pelas pessoas do Paraguai, mas pelas pessoas da algumas expectativas superaram as nossas Bolívia, pelas pessoas do norte da Argentina e do previsões e em outras tivemos também surpresas. oeste do Paraná, então essa freqüência de show O superou as nossas previsões? A capacidade de em Assunção é um fenômeno que vai se repetir no Assunção hoje em dia como pólo realizador de futuro, inclusive com artistas brasileiros. shows, eventos e espetáculos na América do Sul. Nós tivemos nesses 10 meses a oportunidade de DIÁRIO – Como você consegue definir esse slogan receber dezenas de shows, que lotaram o hotel. da Bourbon: o jeito brasileiro de hospedar? Paul McCartney, Julio Iglesias, Gallagher, Black Eyed FRANCISCO CALVO – O jeito brasileiro de hospedar Pies, Aerosmith e clubes se reflete em uma atitude de futebol como o Vasco e dos nossos funcionários, o Flamengo, tivemos que nós repetimos muito também um Festival de na Escola Bourbon de Rock, com Gene Simmons, Hotelaria, que é você se os cantores dos Guns N' aproximar do cliente, mas Roses, entre outros. O m a n t e n d o u m número de eventos determinado formalismo, superaram as nossas ou seja, o formalismo não expectativas, foram 107 quer dizer uma distância e eventos – de grande porte a aproximação não quer - só este ano. No balanço dizer informalidade. O que representa isso? Conhecer dos seis primeiros meses o cliente pelo seu nome, do ano, cumprimos as conhecer o cliente pelos nossas expectativas. seus gostos, estar sempre Tivemos uma acupação amável e disponível para média de 36% a 40% e atender um cliente, sem esperamos chegar até o MAS O QUE NOS SURPREENDEU É A CIDADE EM transformá-lo num amigo final do ano, com uma SI. UM SHOW EM ASSUNÇÃO, HOJE, É VISTO NÃO ou companheiro, mas ocupação média/ano de SÓ PELAS PESSOAS DO PARAGUAI, MAS PELAS numa pessoa que a gente 50%. PESSOAS DA BOLÍVIA, PELAS PESSOAS DO tenha privilégio em servir. NORTE DA ARGENTINA E DO OESTE DO PARANÁ. Que outros dados temos DIÁRIO – Esses nomes de pra complementar esse slogan? Feijoada, por peso trazem hóspedes para o hotel? exemplo. Nós fomos eleitos a melhor feijoada de FRANCISCO CALVO – Puxa clientes. O motivo Curitiba e nós temos agora a feijoada no Bourbon principal é porque conseguimos oferecer essa Conmebol Assunção; todo sábado é ponto de praticidade para os artistas. Nós temos 16 suítes. encontro de brasileiros e simpatizantes. Isso impede que a sua suíte principal vá apenas Caipirinha: tem que ser o drink principal do para o líder da banda, porque hoje em dia numa Bourbon Conmebol Assunção e nos nossos hotéis banda consolidada, todos são líderes, então todos nós temos que ter drinks brasileiros e pratos querem ter a sua suíte, inclusive um visita a suíte do brasileiros diferenciados. Também nos nossos outro, coisa que o Bourbon Conmebol possibilita. resorts, quem é o nosso parceiro ou qual é o motivo Para se ter uma ideia, temos duas suítes que levamos a criançada para que nos escolha? presidenciais de 250m², depois são oito suítes Maurício de Souza e não um personagem premier, cada uma com 125m² e depois temos a estrangeiro ou importado. Então, jeito brasileiro de suíte classic com 150m². Além disso, temos três hospedar é isso, valorizar a nossa cultura, valorizar júnior suítes com 105m². Então, isso possibilita para o nosso jeito de ser. grandes eventos você ser automaticamente a


MUSEU OSCAR NIEMEYER, CURITIBA (RENATO ECK ZORN)

DIÁRIO – Você está coordenando os hotéis de cidades. Quais são as unidades mais rentáveis, ou aquelas que se sobressaem, ou que são mais significativas no portfólio da rede? FRANCISCO CALVO – Um dos mais rentáveis, quando a gente fala em percentual de rentabilidade, ou seja, lucro sobre a receita, são as unidades e cidades do interior. Por que as unidades e cidades do interior? Porque esse Brasil que cresce é esse Brasil dos novos pólos de desenvolvimento das novas cidades. Quando nós falamos em margem, em volume, evidentemente os hotéis de São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba saem na frente pelo volume de negócios e até o número de apartamento dessas unidades, como por exemplo, o Bourbon Ibirapuera. Um caso especial para nós, por exemplo, é o Bourbon Alphaville; trata-se de um pólo que a cada ano anuncia crescimento, e cada ano o nosso hotel anuncia também uma maior rentabilidade e mais clientes fiéis à nossa marca. DIÁRIO - Qual é a forma de contrato que vocês têm? Os hotéis são propriedades, são franquias, qual o perfil de contrato de administração? FRANCISCO CALVO – O jeito brasileiro de hospedar é também o jeito brasileiro de administrar. O que isso quer dizer? Ao contrário, talvez, de outras cadeias brasileiras, nós conhecemos a realidade brasileira, nós conhecemos a realidade dos nossos investidores e nós estabelecemos um diálogo franco e aberto para que em cada hotel, para que em cada cidade, para que em cada situação de investimento, encontremos uma fórmula em que todos saiam ganhando, proprietário, administradora e, principalmente, os hóspedes.

DIÁRIO – Novos lançamentos? FRANCISCO CALVO – O último lançamento divulgado ao mercado é o Rio Botucatu, inauguração da nossa bandeira Rio by Bourbon. Temos essa oportunidade de ter registrada a marca Rio como marca hoteleira e estamos desenvolvendo um produto midscale com serviços reduzidos. Ele não é exatamente o hotel econômico, mas é um hotel de uma gama superior ao econômico, no entanto, dentro do nível de alcance do seu bolso, ou seja, aquelas coisas que você não encontra no hotel econômico, que você sente falta, você vai ter no jeito brasileiro de hospedar e nada melhor para complementar esse slogan do que uma marca chamada Rio by Bourbon. O Rio Botucatu é um projeto com 140 apartamentos anexado ao novo shopping center da cidade e a sua abertura está prevista para 2014, já começamos as obras. Temos outros projetos em negociação, também com a marca Rio. DIÁRIO – Além desses, vocês têm projetos fora do país? FRANCISCO CALVO - Estamos desenvolvendo um projeto em Ciudad Del Leste para um hotel Rio by Bourbon; por enquanto é isso que posso adiantar.


DIANA POMAR, CONSELHO DE PROMOÇÃO TURÍSTICA DO MÉXICO

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HÁ UM ANO E DOIS MESES COMANDANDO O CONSELHO DE PROMOÇÃO TURÍSTICA DO MÉXICO, ESCRITÓRIO DE REPRESENTAÇÃO DO TURISMO DO PAÍS AQUI NO BRASIL, DIANA POMAR PAVÓN EM ENTREVISTA EXCLUSIVA AO DIÁRIO DIZ QUE QUER MANTER NO IMAGINÁRIO DO BRASILEIRO A IDEIA DE UM PAÍS RICO EM CULTURA E HISTÓRIA, MAS NÃO SÓ ISSO. DIANA ESTÁ IMBUÍDA EM DESENVOLVER NOVOS SEGMENTOS DE MERCADO E FECHAR MAIS PARCERIAS COM OPERADORES. ESTE ANO ELA TEM ONZE PARCEIROS, INCLUINDO UMA COMPANHIA AÉREA. “ALÉM DOS OPERADORES TAMBÉM ESTAMOS PROCURANDO PARCERIAS COM AGÊNCIAS VIRTUAIS, AGÊNCIAS ESPECIALIZADAS EM INCENTIVOS, VIAGENS CULTURAIS E ESPECIALIZADAS EM MERGULHO PORQUE O MÉXICO TEM ESSA DIVERSIDADE DE PODER TER UM PRODUTO PARA COBRIR AS NECESSIDADES DESSES MERCADOS ESPECÍFICOS”, DISSE AO JORNALISTA PAULO ATZINGEN, EDITOR DO DT. ACOMPANHE A ENTREVISTA COMPLETA:

DIÁRIO - Diana, quais são os números do turismo corporativo na Cidade do México e demais cidades turísticas? DIANA POMAR - Dos 100% dos brasileiros que viajam para o México, o turismo corporativo representa 25% na parte de congressos, convenções e incentivos; para o México, o Brasil representou durante o ano de 2010 o nono mercado de maior importância, em 2011 esteve em sexto lugar e agora nos primeiros quatro meses de 2012 está em quarto lugar. Isso quer dizer

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que os brasileiros têm muita vontade de viajar e procuram o México. O México está entre os 10 primeiros lugares que recebem turismo de acordo com a Organização Mundial do Turismo (OMT) e nosso governo tem vontade de diversificar nosso produto como país turístico, já que além de sol e praia, o México é um país de cultura, gastronomia, tradições, folclore e arte; temos mais de 3 mil anos de história que é parte da nossa identidade. Temos 37 patrimônios mundiais.

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DIÁRIO - Comparando 2010 a 2011, qual foi o crescimento do número de brasileiros no México? DIANA POMAR - O crescimento foi de quase 47% e agora, no primeiro trimestre de 2012 comparando com o mesmo período do ano anterior, temos um crescimento de aproximadamente 68%. No ano passado chegaram 193 mil brasileiros e agora temos quase 89 mil visitantes, somente neste primeiro quadrimestre.

assessores profissionais em viagens para o consumidor final, então os operadores são nossos principais parceiros aqui no Brasil, porque conhecem esses mercados e têm programas institucionais muito fortes. No ano passado tivemos sete parceiros operadores, este ano aumentou para 11 parcerias sendo 10 operadores e uma companhia aérea. Este incremento se deve às outras operadoras de turismo especializado, principalmente mergulho, congressos e convenções.

DIÁRIO - Qual o DIÁRIO - Nos fale um posicionamento da pouco sobre a Feira CPTM para 2012 no Internacional de mercado brasileiro? Turismo das Américas DIANA POMAR (FITA) que será Nosso escritório está realizada em aqui há sete anos e o setembro no México. mais importante para DIANA POMAR - É um nós é manter essa evento que é continuidade do principalmente México no Brasil organizado pela focalizado em Secretaria de Turismo desenvolver novos da Cidade do México e segmentos de nós, como Conselho de mercado, além dos Promoção Turística, operadores também vamos apoiá-los na estamos procurando divulgação do evento e parcerias com vamos também agências virtuais, convidar alguns a g ê n c i a s o p e r a d o r e s especializadas em c o m p r a d o r e s DE 2010 PARA 2011 O NÚMERO DE TURISTAS incentivos, viagens p otenciais para BRASILEIROS FOI DE QUASE 47% MAIOR E AGORA c u l t u r a i s e participar dessa feira. NO PRIMEIRO TRIMESTRE DE 2012 TEMOS UM especializadas em Então estamos aqui CRESCIMENTO DE APROXIMADAMENTE 68%. mergulho, porque o fazendo uma aliança México tem essa de promoção com o diversidade de poder ter um produto para cobrir governo da Cidade do México e com a Secretaria as necessidades destes outros mercados. de Turismo também. Congressos e convenções também são segmentos que estamos desenvolvendo e DIÁRIO - Explique aos leitores a distinção que há então estamos fazendo essas parcerias, essas entre a FITA e o evento Tianguis. Muitos aproximações e participando em feiras comentam que um enfraquece e prejudica o especializadas de cada um desses segmentos. outro. Qual a distinção entre eles? DIANA POMAR - São dois eventos muito DIÁRIO - Como funciona a parceria com as importantes para o México. O Tianguis Turístico operadoras e com as agências de viagens? começou a ser itinerante e foi uma decisão DIANA POMAR - Nós acreditamos muito nos estratégica para dar a outros destinos a agentes de viagens como consultores e oportunidade de se mostrar como destinos


A FITA É UMA FEIRA INTERNACIONAL COMO A FEIRA DA ABAV NO BRASIL. O TIANGUIS É UM EVENTO DE PROMOÇÃO DO MÉXICO, PRINCIPALMENTE DA PARTE TURÍSTICA

turísticos com infraestrutura para receber turismo internacional e a FITA é uma feira internacional como a feira da ABAV no Brasil. O Tianguis é um evento de promoção do México, principalmente da parte turística e a FITA é uma feira internacional onde serão convidados outros países para verem estandes e fornecedores também para apresentarem os seus produtos. Mas são dois eventos importantes para a promoção turística do México. DIÁRIO - Nos fale sobre essa ferramenta de treinamento que se chama Expert México. DIANA POMAR - Essa ferramenta está há três anos no Brasil, mas houve muitas mudanças de imagem, conteúdo e também no nome, agora é Expert em México. É uma ferramenta online que dá oportunidade de treinamentos, conhecimentos do México e principalmente para essas mudanças de pessoal dentro das operadoras ou agências de viagens que não podem dar esses treinamentos com tanta frequência, então ela dará apoio. E há também um valor agregado que é o certificado do governo turístico mexicano que credita o agente de viagens como especialista em México, isso dá um valor curricular e pode ser um requisito para trabalhar em alguma agência que venda o México como produto. Existem módulos, cada módulo possui uma pontuação e é necessário atingir determinada pontuação para obter o certificado.

DIÁRIO - Precisa ser um agente credenciado, regularizado? DIANA POMAR - É necessário se cadastrar e a agência precisa estar regularizada. DIÁRIO - Pessoa física ou pessoa jurídica? DIANA POMAR - Pessoa física, pois é um certificado para agentes de viagens. Estamos muito contentes, porque trabalhamos quase um ano para realizar as correções da página e agora já está tudo certo, é possível consultar em www.expertemmexico.com. Lá há mapas, informações sobre as facilidades migratórias para os brasileiros, tem informação dos destinos, da culinária, da parte histórica, dicas de atividades para fazer em alguns destinos, então será uma ferramenta muito importante para eles. DIÁRIO - Há outras idéias, projetos para promover o México? DIANA POMAR - Temos uma boa notícia formalizada no último dia 7 de junho que o México está dentro do programa de TaxBack: os impostos serão devolvidos aos turistas e 40 países do mundo têm este programa. É uma grande conquista, um grande passo para o turista internacional que verá no México uma grande oportunidade de viagem e isso representa para nós outra grande oportunidade para aumentar o número de turistas. Nosso foco do Brasil para 2018 é de 553 mil brasileiros.


CAPITAL NACIONAL DO VINHO


IVANE FÁVERO, SECRETÁRIA DE TURISMO DE BENTO GONÇALVES (RS)

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DENTRE AS VÁRIAS COMPETÊNCIAS QUE SE SOBRESSAEM DO CURRÍCULO DE IVANE FÁVERO, SECRETÁRIA DE TURISMO DE BENTO GONÇALVES – RS UMA É A SUA ATUAÇÃO NO PLANEJAMENTO E NA GESTÃO PÚBLICA POR MAIS DE 15 ANOS NA REGIÃO DA SERRA GAÚCHA. ALÉM DE PROFESSORA DE CURSOS SUPERIORES DE TURISMO HÁ MAIS DE 11 ANOS, IVANE É AUTORA DO LIVRO POLÍTICAS DO TURISMO – PLANEJAMENTO NA REGIÃO DA UVA E VINHO , PELA EDUCS (UNIVERSIDADE DE CAXIAS DO SUL). NESTA ENTREVISTA, CONCEDIDA AO JORNALISTA PAULO ATZINGEN, EDITOR DO DIÁRIO, IVANE FALA SOBRE VÁRIOS TEMAS INERENTES AO TURISMO DA CAPITAL NACIONAL DO VINHO. ACOMPANHE:

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DIÁRIO – A rota Caminhos de Pedra experimenta uma espécie de pressão da indústria imobiliária. Como essa questão está sendo tratada? IVANE FÁVERO – Todo destino turístico quando atinge um grau de desenvolvimento elevado e começa a valorizar uma área que antes era uma área extremamente desvalorizada e até empobrecida - e através do turismo começa a ser valorizada - atrai também o olhar da especulação imobiliária. Para evitar que esse avanço de construções que não estão inerentemente ligadas à cultura local, à identidade local e também para que a gente possa preservar as paisagens desses locais turísticos, se faz necessário a criação de leis, então estamos estudando mudanças do próprio plano diretormunicipal e também o tombamento daquele próprio território pelo Instituto Patrimônio Histórico Estadual, que já visualizou a necessidade da proteção através de leis, que é o que aconteceu também em vários países da Europa.

as pessoas que chegam aqui ficam entusiasmadas com o que vêem. Acho que o que nos falta não é mais qualificar a estrutura local, a oferta local e sim a promoção desse destino e fortalecimento da identidade da Serra Gaúcha, de Bento Gonçalves, e região vinícola como destino enoturístico do Brasil. Nós lutamos com a própria Embratur, com o Governo Federal, com o Governo Estadual para que no material publicitário do Brasil ou do Rio Grande do Sul se inclua o enoturismo. Nunca foi sequer citada a palavra enoturismo em nenhum material de produção internacional, ao passo que nós vemos os países vizinhos, algumas vezes, com menor estrutura que nós divulgando amplamente o enoturismo como produto turístico. Obviamente, o Brasil pela diversidade cultural e etc, sempre reforçou muito mais o perfil da praia, sol, alegria, futebol, a Selva Amazônica, tudo bem, mas nós precisamos mostrar que existe um sul e que temos um outro produto sim, e o DIÁRIO – O enoturismo é próprio brasileiro precisa u m s e g m e n t o perceber que não precisa extremamente original e é atravessar a fronteira para ACHO QUE O QUE NOS FALTA NÃO É MAIS um produto que vocês têm visitar vinícolas QUALIFICAR A ESTRUTURA LOCAL, A OFERTA aqui com autenticidade. charmosas, restaurantes LOCAL E SIM A PROMOÇÃO DESSE DESTINO V o c ê s e s t ã o aconchegantes, hotéis E FORTALECIMENTO DA IDENTIDADE DA transformando isso num maravilhosos, enfim, que SERRA GAÚCHA, DE BENTO GONÇALVES produto turístico isso pode ser usufruído também. O que falta para que esse segmento tenha aqui no sul do Brasil. uma repercussão maior, a nível nacional e internacional? IVANE FÁVERO – Desde 1875, quando começa a DIÁRIO – A senhora foi secretária de outros imigração italiana para cá, nós tivemos o início do municípios aqui no Rio Grande do Sul. Como vê a desenvolvimento da Vitivinicultura na região. A ascensão da classe média consumindo o partir dela, em torno de 20 anos, começa a abertura turismo e quais são os números de Bento dessas vinícolas e com o tempo essas vinícolas Gonçalves de uns anos para cá? também passaram a entender a importância do IVANE FÁVERO – Fantástico. Acho que esse é o enoturismo, inclusive como estratégia de marketing fenômeno que ajuda o Brasil hoje a se manter e e promoção e valorização do vinho nacional. O manter sua economia, então a pirâmide se próprio vinho nacional teve a dificuldade de se transformou num losango e hoje a gente tem a consolidar e ainda está nessa luta diária para se classe média obviamente chegando também a consolidar como produto de qualidade. Mas todas este destino, mas também ampliamos muito o


TEMOS UMA REDE INTERNACIONAL SE INSTALANDO, A MARRIOTT; POR SER UMA REDE COM ALTÍSSIMO NÍVEL, COM QUALIDADE RECONHECIDA INTERNACIONALMENTE DEMONSTRA A QUALIDADE E A POTENCIALIDADE DESTE DESTINO

volume de visitantes da classe A em função de empreendimentos muito qualificados . Nós tínhamos em torno de 600 mil turistas em 2009 e projetamos uma meta para atingir 1 milhão de turistas em 2014. A nossa luta hoje é realmente para ampliar a permanência, sensibilizando as operadoras e atingindo até mesmo o público final para tudo o que Bento tem a oferecer. É uma cidade onde você pode ficar sete dias com uma programação extremamente interessante e diversificada e ainda mais se incluirmos os municípios de entorno, já que Bento é um dos 65 destinos indutores e obviamente tem, também, essa responsabilidade, em promover os destinos de entorno. DIÁRIO – Os hotéis de rede têm pouca presença em Bento. Isso se deve a alguma reserva de mercado ou à demanda? IVANE FÁVERO – Acho que isso se deve ao perfil local que é muito empreendedor e todo momento que surge uma demanda é o próprio investidor local o primeiro a perceber e a investir; então todos os nossos empreendimentos são frutos dos investidores locais e não falo só dos hotéis, mas das vinícolas, dos restaurantes, enfim, dos atrativos turísticos como um todo. Agora nós temos uma rede chegando, e já se instalou que é a Marriott, o que para nós foi muito interessante porque trata-se de uma rede com altíssimo nível, com qualidade reconhecida internacionalmente e que chega a esse destino porque percebe a qualidade e a

potencialidade dele, fortalecendo-o ainda mais. Mas ainda assim os investidores são locais, mas isso não se deve a uma reserva de mercado, não. É realmente a essa percepção e ao empreendedorismo local. DIÁRIO – Como é que foi essa mudança de comportamento do turista, de uns anos para cá? Ele trocou o turismo rodoviário pelo aéreo e agora pelo do carro próprio. Como que isso acontece por aqui? IVANE FÁVERO – Isso tem toda a relação com a mudança do poder aquisitivo do brasileiro e a entrada de empresas aéreas de baixo custo, baixa tarifa que mudou todo o perfil, então são essas duas forças. Hoje é muito fácil viajar de avião pelo custo, mas também pela facilidade que as pessoas encontram em adquirir uma passagem aérea, então sim, é uma mudança comportamental que necessita ainda de todo um avanço na estrutura aeroportuária, de linhas e de uma qualificação que não pode ser perdida nessa relação de volume x preço; ela deve ser mantida de forma inversa. O turista que chega aqui não necessariamente vem de avião, nós temos muito turismo rodoviário chegando e o turista particular que vem com o próprio carro e não só aqui do Rio Grande do Sul, que é o nosso principal emissor, mas até mesmo de São Paulo, que chega aqui de carro. O turista contemporâneo demonstra uma vontade crescente de ter sua autonomia e viajar com seu carro próprio, então nós trabalhamos com todas essas frentes. O nosso maior número de turistas é de turismo particular e não em grupo de agências.


O GRANDE PROBLEMA É QUE O TURISMO AINDA NÃO É PRIORIDADE DE GOVERNO. A GENTE SENTE ISSO DE TODAS AS FORMAS, MANEIRAS E EXPRESSÕES.

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MÁRIO BENI, ACADÊMICO NA ÁREA DO TURISMO

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NA PRIMEIRA PARTE DA ENTREVISTA CONCEDIDA À REPÓRTER DO DIÁRIO, PRISCILA PARIZ, O RENOMADO ACADÊMICO MÁRIO BENI, CONTOU SOBRE SUAS EXPERIÊNCIAS AO LONGO DE MAIS DE 30 ANOS DE CARREIRA NO TURISMO, FALOU SOBRE TER PRECONIZADO A FUSÃO LATAN EM SEU LIVRO “A GLOBALIZAÇÃO DO TURISMO”, SOBRE O ENSINO DE TURISMO NO BRASIL, E DEU ORIENTAÇÕES DE COMO AS CIDADES DEVEM PROCEDER PARA QUE TENHAM UM TURISMO ESTRUTURADO E FORTE. ALÉM DISSO TECE CRITICAS AO PODER PÚBLICO, QUE SEGUNDO ELE NÃO ENTENDEU O ALCANCE DO TURISMO, RELEGANDO ESSE SEGMENTO A UM PLANO BASTANTE INFERIOR. “O GRANDE PROBLEMA, QUE EU VEJO, É QUE O TURISMO AINDA NÃO É PRIORIDADE DE GOVERNO. A GENTE SENTE ISSO DE TODAS AS FORMAS, MANEIRAS E EXPRESSÕES. NÃO É UMA PRIORIDADE, O QUE É UMA PENA, PORQUE O TURISMO É, EFETIVAMENTE, UM MOBILIZADOR DE RECURSOS, GERADOR DE EMPREGO, ENFIM, TRANSFORMADO”, AFIRMA BENI, O PRIMEIRO PROFESSOR DE TURISMO HOMOLOGADO, AUTORIZADO PELO MEC À DISCIPLINA DE TURISMO E DESENVOLVIMENTO, DEPOIS TEORIA E TÉCNICA DE TURISMO E PLANEJAMENTO E ORGANIZAÇÃO DE TURISMO, NO INÍCIO DA DÉCADA DE 70. LEIA A SEGUIR A PRIMEIRA PARTE DA ENTREVISTA, E ACOMPANHE NAS PRÓXIMAS EDIÇÕES A PARTE FINAL. "OS HOTELEIROS AINDA NÃO ENTENDERAM O PROCESSO, ENTÃO É DIFÍCIL, PRINCIPALMENTE DO QUE DIZ RESPEITO À CAPACITAÇÃO. ELES QUEREM ELES MESMO CAPACITAR E NA VERDADE NÃO É POR AÍ. AS COISAS NÃO PODEM SER EMPÍRICAS, COMO ERAM NO PASSADO. EXIGE EFETIVAMENTE UMA NOVA POSTURA. Diário – O senhor poderia contar ao DIÁRIO quais são os gargalos que o Brasil apresenta que o impedem de sair dos míseros cinco milhões de visitantes estrangeiros por ano, por exemplo? Mário Beni – Veja, o turismo é uma área extremamente retrátil, ela se retrai diante de vários cenários que fogem do controle do Estado, como oscilações de conjuntura econômica, riscos meteorológicos, geológicos, cenários voltados a questão de saúde, como epidemias, pandemias, enfim, todas essas situações fazem com que o tráfego turístico internacional sofra oscilações. Claro que é preciso se considerar que 85% desse tráfego ocorre no Atlântico Norte, Europa e

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Estados Unidos, então sobra 15% pra ser distribuído em todo o restante do mundo: Oriente Médio, Sudeste Asiático, América do Sul, etc. A Américo do Sul participa com cerca de 3% do tráfego turístico mundial - não chega a três: 2.8% - e o Brasil, 0,5%. O tráfego turístico mundial se aproxima de 1 bilhão de turistas por ano, com um movimento, uma arrecadação em torno de 1 trilhão – 970 bilhões de dólares. O Brasil está estacionado há 10 ou 12 anos nos 5 milhões de ingressos de turistas por uma razão muito simples: a América do Sul, como um todo, é um destino distante do tráfego internacional, então o Estado pouco pode fazer para desenvolver

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isso. Ministros já apontaram que a meta era conseguir 9 milhões de turistas por ano, mas é difícil. Para isso é preciso que o Brasil desenvolva o mercado como um todo na América do Sul. O Brasil precisa crescer como um todo e ter ações integradas com outros países da América do Sul, principalmente no que diz respeito ao tráfego aéreo, e estamos caminhando para isso, ou seja, a fusão Latam, por exemplo – lá em 2003 quando eu coloquei no meu livro “A globalização do turismo”, eu p r e c o n i z a v a , coincidentemente a fusão da Lan Chile com a Tam. Isso já se configurava e realmente está acontecendo. Essas f u s õ e s v ã o acontecendo – e no mundo todo vai acontecer – vocês se recordam o que aconteceu com a Aerolíneas Argentinas, essas empresas vão se fundindo de tal modo que, eu acredito num futuro muito próximo, nós vamos ter no máximo de 20 a 30 empresas globais. Esse quadro, realmente, é a única forma de se conseguir uma tarifa competitiva com a tarifa do Atlântico Norte. E aí, então, poderá haver um desvio maior do fluxo. Diário – O senhor acredita num aumento extremo de demanda internacional durante a Copa do Mundo e Olimpíadas? Mário Beni - Os jogos Olímpicos e a Copa não vão ser diferentes desse quadro atual. Eu estimo que 10% do tráfego turístico receptivo anual virá para a Copa, então isso dará no máximo de 500 mil a 600 mil turistas. Essa é a minha previsão, que é a previsão que a Academia tem estimado, dos colegas que trabalham nessa pesquisa. Em compensação, é importante dizer que estamos com um déficit na balança turística de mais de R$ 1 bilhão, R$ 1.600 bilhão por mês, por conta de estarmos recebendo 5 milhões de turistas e estamos com um emissor da ordem de nove milhões, quase o dobro, por aí você pode ver.

Diário – E quanto a questão do turismo interno, o senhor vê um crescimento acima da média nos próximos anos? Mário Beni: O turismo interno está crescendo até numa taxa acima de 4,5%/ 5% ao ano, muito expressiva. Nós já atingimos praticamente a taxa de partida em férias ideal que é 2.7, já até a ultrapassamos, então hoje nós estamos muito próximos a 60 milhões de turistas que é um pouco menos que o receptivo da França. Isso se deveu basicamente a o que? A questão da mobilidade social, ou seja, nós tivemos o ingresso de 50 milhões de novos consumidores, 20 milhões passando da Classe C para a Classe B e 30 milhões da Classe D p a r a a C aproximadamente, então o quadro geral é esse do turismo mundial e do nosso turismo interno. Diário – O senhor, como presidente do Centur, poderia nos informar porque o segmento turístico não tem uma força política no Congresso Nacional, como é a das bancadas ruralistas, dos ambientalistas, por exemplo? Mário Beni – Na verdade, tem. Nós temos a Frente Parlamentar do Turismo, nós temos a Comissão de Turismo do Congresso Nacional, tanto no Senado como na Câmara. No Senado, a Comissão de Turismo está agregada à Comissão de Desenvolvimento Econômico, mas existe a representação política, existe o empenho. O grande problema, que eu vejo, é que o turismo ainda não é prioridade de governo. A gente sente isso de todas as formas, maneiras e expressões. Não é uma prioridade, o que é uma pena, porque o turismo é, efetivamente, um mobilizador de recursos, gerador de emprego, enfim, transformador. Eu tenho um testemunho pessoal disso, eu trabalho há quase 15 anos na Universidade de Caxias do Sul, que é uma universidade comunitária, que tem Campis em toda a região da Serra Gaúcha, e lá nós desenvolvemos um trabalho no Mestrado de Turismo, programa de


OS HOTELEIROS AINDA NÃO ENTENDERAM O PROCESSO, ENTÃO FICA DIFÍCIL. AS COISAS NÃO PODEM SER EMPÍRICAS COMO ERAM NO PASSADO. EXIGE EFETIVAMENTE UMA NOVA POSTURA

pós-graduação e mestrado, que os resultados estão sendo colhidos agora, nós trabalhamos com o Observatório Econômico da universidade, veja como o turismo consegue efetivamente desenvolver a região, ao ponto de chegar lá a CVC e hoje a própria CVC tem na Serra Gaúcha, bloqueados mais de quase 1.500 apartamentos por ano, que ficam a disposição da CVC para seus pacotes turísticos, e assim por diante, quer dizer, foi um trabalho da universidade junto aos municípios, trabalho que a gente pretende desenvolver aqui e em outros Estados, mostrando que o modelo ideal de desenvolvimento é o modelo endógeno, ou seja, com a participação da população, com as parcerias do público privado, nós estamos vivendo a época do conhecimento e das parcerias, portanto há uma convergência e é difícil, as vezes nós temos dificuldades ainda também lá, porque os hoteleiros ainda não entenderam o processo ainda, então é difícil, principalmente do que concerne à capacitação. Eles querem eles mesmo capacitar e na verdade não é por aí. As coisas não podem ser empíricas, como eram no passado. Exige efetivamente uma nova postura. Diário – Entrando nesse assunto, o senhor está satisfeito com o nível do conteúdo oferecidos nas disciplinas dos cursos de turismo?

Mário Beni – O conteúdo sempre foi muito bom, o que houve com os cursos de turismo, eu digo isso com muita tranquilidade, porque eu fui o primeiro professor de turismo homologado, autorizado pelo MEC à disciplina de Turismo e Desenvolvimento, depois Teoria e Técnica de Turismo e Planejamento e Organização de Turismo, isso no início da década de 70. Os conteúdos programáticos, sempre foram muito consistentes, com modelos europeus, então o Brasil tem 450 mil turismólogos formados nesses 35 anos, mas poderiam ser melhor aproveitados, eu tenho dito isso – eu sou membro do Conselho Nacional de Turismo – quando se fala nos multiplicadores, nesse processo de capacitação e nesse processo de qualificação profissional, vamos supor que 30% já tenha se destinado a outras áreas, então há um contingente expressivo. Se o governo disponibilizasse para cada município de interesse turístico, alguém que tivesse esta visão de planejamento territorial da transversalidade do turismo que envolve a conciliação de diferentes áreas de atuação pública e privada, evidentemente nós já estaríamos numa situação muito melhor, mas é que é muito difícil porque o poder público ainda não entendeu o alcance do turismo. Sempre tem relegado o turismo a um plano bastante inferior. Aquelas regiões que entenderam a sua força, por isso que eu sempre cito a região da Serra Gaúcha, realmente estão se desenvolvendo.


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