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entrevistapanorâmica ANO I - #02 - DEZ 11

A CIÊNCIA DA HOTELARIA EXISTE UMA FÓRMULA PARA O SUCESSO? CINCO IMPORTANTES EXECUTIVOS E SUAS FÓRMULAS

DIÁRIO DO TURISMO

GIGLIO ORLANDO

02!

GRAZIELA ZANIN e MARCELO VAN ROEY

CHIEKO AOKI

ABEL CA

STRO

PARA DESENVOLVER (AINDA MAIS!) SUAS CORPORAÇÕES

número

www.diariodoturismo.com.br

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02! número

entrevistapanorâmica DIÁRIO DO TURISMO

editorial

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ogos que tivemos revista Panorâmica reeditamos os diál Na segunda edição da revista digital Ent l Castro sonalidades da hotelaria brasileira: Abe per s nde gra das s ma algu com 1 201 este ano de el Senac) e Orlando Zanin e Marcelo van Roey (Grande Hot s (Accor), Chieko Aoki (Blue Tree), Gaziela namos o labor editorial com as imagen nsio ime red r, dita ree que is ma s, Ma . Giglio (Iberostar) ges Eck Zorn, da pelo fotógrafo e designer Renato Bor ídas ribu dist e idas duz pro e ent ialm gen Marca Design. jornalística e as nde dessas entrevistas são de natureza Um outro ponto significativo que despre trazem. A da hotelaria que nossos entrevistados cia ciên a re sob s çõe rma info s nte importa ro com os seus icas no país, a sutil relação do hotelei untos inserção das marcas hoteleiras econôm ação dos profissionais, entre outros ass form na ola esc éishot dos ncia ortâ clientes, imp ista Panorâmica páginas. A proposta da revista Entrev isso, interessantes, pontuam as próximas istado-entrevistador, mas mais do que rev ent o re ent ção rela a ar reit est consiste em nas e meramente qualidade, acima de balizamentos ape de tico alís jorn o dut pro um r rece ofe comerciais. as. é permanente) de premiações duvidos não íodo per e ess se ano eng vo (sal Vivemos um período compra do miações são conquistadas por meio da pre sas des itas mu que er ceb per e ent É deprim ente pelo culto à prêmio é substituída única e tão som prêmio e a presumível seriedade do personalidade do laureado. bito dos dável, para outros doentia) se dá no âm sau itos mu a (par al erci com ção rela a Essa mesm a nas salas das ar”, é a frase que corre à boca pequen jornais de turismo. “Só aparece se pag vários jornais de turismo. diretorias comerciais e de marketing de aço os que mais do que a compra do esp em sab e o visã de eza reit est a ess a Somos contrários ceiros, nossos ideias, os pensamentos de nossos par as uir, seg A . aço esp do ” ista nqu “co a existe amigos, nossos conquistadores.

Paulo R. von Atzingen Editor


[01] ABEL CASTRO, DIRETOR DE DESENVOLVIMENTO DA ACCOR NO BRASIL

[02] CHIEKO AOKI, PRESIDENTE DA REDE BLUE TREE

[03] GRAZIELA ZANIN, GERENTE GERAL e MARCELO PICKA VAN ROEY, COORDENADOR GRANDE HOTEL CAMPOS DO JORDテグ

[04] ORLANDO GIGLIO, DIRETOR GERAL DO IBEROSTAR BRASIL


CASA CAETANO DE CAMPOS (SEC. DO EST. DA CULTURA); EDIFÍCIO ITÁLIA (AO FUNDO) Foto: Renato Eck Zorn

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ABEL CASTRO, DIRETOR DE DESENVOLVIMENTO DA ACCOR NO BRASIL

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NO INÍCIO ELA LOCAVA IMÓVEIS PARA HOSPEDAR PESSOAS NO BRASIL. DEPOIS PASSOU A ADMINISTRAR HOTÉIS E AGORA ALCANÇA SUA MATURIDADE CORPORATIVA COM AS FRANQUIAS DE EMPREENDIMENTOS HOTELEIROS. ESTAMOS FALANDO DA ACCOR BRASIL, UM BRAÇO DA REDE FRANCESA ACCOR, QUE SE ESPECIALIZOU EM FRANQUIA E HOJE TRABALHA ESSE MODELO DE ADMINISTRAÇÃO COM AS BANDEIRAS FORMULE 1, IBIS, MERCURE E NOVOTEL EM TERRITÓRIO NACIONAL. COM 73 HOTÉIS EM DESENVOLVIMENTO, EM CONSTRUÇÃO OU EM PROJETO, A REDE HOTELEIRA TEM NA MARCA IBIS SUA GRANDE APOSTA. “DESTE TOTAL, 56 SÃO IBIS, OU SEJA, A MARCA QUE MAIS CRESCE. ESSE ANO, O IBIS SE TORNA A MAIOR MARCA NO BRASIL DA ACCOR, OCUPADA ATUALMENTE PELA MERCURE, EM NÚMEROS DE EMPREENDIMENTOS”, AFIRMA ABEL CASTRO, DIRETOR DE DESENVOLVIMENTO DA ACCOR, NO BRASIL. NESTA ENTREVISTA EXCLUSIVA, CONCEDIDA AO DT, ABEL DETALHA AS RAZÕES DO IBIS ESTAR DANDO TÃO CERTO, FALA DA RELAÇÃO EQUILIBRADA E MADURA COM OS INCORPORADORES, DO PRÓ-COPA, UMA LINHA DE FINANCIAMENTO DO BANCO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO E SOCIAL (BNDES) E DE OUTROS ASSUNTOS IMPORTANTES PARA TODA A CADEIA DO TURISMO. CONFIRA:

Diário - Se fala muito hoje em sustentabilidade e você que cuida dessa área de novos projetos, como é implantar novas unidades com esta perspectiva? Abel Castro - Eu acho que há algum tempo sustentabilidade era um diferencial e em toda a apresentação você colocava um slide falando de sustentabilidade porque você tinha um projeto ou política diferente na empresa. Hoje isso está mais próximo da realidade de todas as empresas do tamanho da Accor ou daquelas que pensam como ela. Então desenvolver um projeto sustentável é uma premissa, ele tem que ser sustentável e nós

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temos a carta ambiental que é um compromisso que a Accor tem com seus acionistas, com seus hóspedes com seus colaboradores e ela deve ser seguida no desenvolvimento de qualquer um de nossos hotéis. Hoje você não tem muito mais essa opção de desenvolver ou não desenvolver com sustentabilidade, é uma premissa. A Accor assume isso muito claramente no seu desenvolvimento e a gente desenvolve todos os nossos hotéis com recursos e tecnologia para que eles sejam cada vez mais sustentáveis.

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Diário - Como funciona essa relação dos gente faz um Ibis. Se ele fala não, o incorporadores com os operadores, quem apartamento tem que ter 20 metros manda mais? O capital do investidor ou a quadrados a gente não vai conseguir fazer experiência hoteleira? o Ibis. Então, hoje, a relação é muito Abel Castro - Quando se começou a interessante e a gente continua fazendo desenvolver os hotéis tipo flats ou apartincorporação. Estamos estudando agora, hotéis, há 20 tantos anos atrás ou mais era outros projetos com a Odebrechet, projetos uma operação muito mais onde a com um grupo em Manaus, outros no construtora/incorporadora desenvolvia o Ceará, ou seja, continuamos desenvolvendo produto da forma como ele imaginava e daí modelos do condo-hotel, uma evolução dos sim ele buscava alguém para operar. Isso flats por todo o Brasil. começou com o “Parthenon”, modelo que a Diário - O carro chefe da implantação de gente pouco dava palpite ou tínhamos pouca hotéis atualmente são as influência nos projetos. marcas econômicas, Isso evoluiu muito e eu como está o cronograma posso te falar que após dessas marcas, do 20 anos, quando uma Formule 1 e do ibis? incorporadora fala com Abel Castro - Realmente, uma empresa como a essas marcas Accor, ela já sabe de econômicas possuem um antemão do padrão que reconhecimento muito existe nos nossos grande no Brasil, são hotéis. Hoje não é uma marcas desejadas, tanto relação difícil – como a do ponto de vista de de um cabo de guerra investimentos quanto e as operadoras vêem o dos hóspedes. São as valor das marcas da marcas que mais Accor e isso acontece crescem; hoje nós temos com muita frequência. A 73 hotéis em gente continua desenvolvimento, em desenvolvendo hotéis construção ou projeto, com a incorporação sendo 56 Ibis, ou seja, a imobiliária, ou seja, a A GENTE CONTINUA DESENVOLVENDO marca que mais evolui. venda das unidades e HOTÉIS COM A INCORPORAÇÃO Esse ano, o Ibis vira a isso eles percebem IMOBILIÁRIA, OU SEJA, A VENDA DAS maior marca no Brasil da como um bom negócio. UNIDADES E ISSO ELES PERCEBEM Accor, ocupada COMO UM BOM NEGÓCIO. atualmente pela Mercure, Diário – Você pode dar em números de detalhes? empreendimentos. Então hoje a gente tem Abel Castro - A gente pode falar, por exemplo, 60 Mercures em operação e 57 ibis, até o que no ano passado assinamos três contratos final do ano com a abertura dos novos com a Odebrecht. Ela está desenvolvendo hotéis, o Ibis ultrapassa o Mercure. hotéis em Salvador, um Mercure e depois um Ibis e um Novotel próximo do aeroporto. Eles Diário - Por que o Ibis está dando tão certo? optaram pela Accor como parceira, conhecem Abel Castro - O Ibis funciona bem porque é totalmente nossos padrões e sabem que uma marca que atende muito bem os devem segui-los. Como nós temos produtos brasileiros, é uma marca francesa, mas ela padronizados, isso funciona muito poderia ter sido criada aqui na Praça da tranquilamente para a gente. O quarto do Ibis República porque as pessoas entendem tem 17 metros quadrados, então se o esta equação de não ter tantos serviços incorporador quer um quarto desse tamanho a


Oca - Parque Ibirapuera (Renato Eck Zorn)

que eles não precisavam a um preço mais justo. Antigamente, nesse país todo hotel tinha alguém para carregar a sua mala, room service. Hoje a gente não tem todos esses serviços, mas temos uma diária muito mais justa. Isso funcionou muito bem do ponto de vista do cliente e funciona muito bem do ponto de vista do investidor, pois ele sabe que ganha muito quando desenvolve um Ibis com toda nossa expertise no nosso desenvolvimento de projetos e sabe que dará uma rentabilidade muito maior pra ele. E óbvio, se você analisar nossa pirâmide socioeconômica, a gente tem uma base muito maior que o topo. Isso significa que nossos hotéis da base têm que ter mais do que nossos hotéis do topo. Portanto, temos esse enorme crescimento do Ibis, esse ano já assinamos vários Ibis; em Paranaguá, Itatiba (interior de SP), Anápolis (GO), estamos assinamos um novo Ibis no aeroporto de Manaus, que ficará pronto antes da Copa. Diário - Algumas unidades têm o plano de captação nacional, através do BNDES, o Ibis Copacabana é um deles, como é feita essa negociação? Abel Castro - Essa negociação é feita entre os proprietários e o próprio banco. A Accor não faz parte desse negócio porque somos os operadores. Mas o Ibis Copacabana, por exemplo está sendo desenvolvido por um grupo de empresários, um grupo fechado, capitaneado pela Galvan (construtora e incorporadora), parceira que constrói e constitui o seu grupo. Eles pleitearam o financiamento no BNDES, através do Pró-Copa, uma linha nova que surgiu justamente para incentivar o desenvolvimento

hoteleiro em função da Copa do Mundo, com linhas mais adequadas no que diz respeito tanto às taxas de juros quanto ao financiamento; capitaneado pelo Ministério do Turismo, através da Secretaria de Financiamento, um belo trabalho. Só uma ressalva; eu tenho que deixar claro que nós não pensamos em hotéis para a Copa do Mundo, nossos hotéis são independentes de Copa, um Ibis em Copacabana com ou sem Copa do Mundo faz sentido e é assim que nós pensamos todo o dia no nosso desenvolvimento. A Accor não irá desenvolver um hotel especificamente para a Copa, nós temos vários hotéis em desenvolvimento nas cidades sedes porque são principais centros econômicos do Brasil e daí faz sentido ter hotel, com Copa ou sem Copa. Diário - Qual o percentual de contratos de franquias? Abel Castro - O que a gente tem em franquias é menos de 20 % dos hotéis em operação são franquias. Quando você pega os hotéis em construção já é uma coisa quase como 30%, que começa a mostrar realmente que as franquias estão crescendo. Para o desenvolvimento de franquias que é um eixo importante, antigamente a gente só tinha franquia do Ibis, depois o Mercure, agora já temos Novotel e Formule 1. SÓ UMA RESSALVA; TENHO QUE DEIXAR CLARO QUE NÓS NÃO PENSAMOS EM HOTÉIS PARA A COPA DO MUNDO, NOSSOS HOTÉIS SÃO INDEPENDENTES DE COPA.


2 “TÚNEL DE BAMBUS - VIVEIRO MANEQUINHO LOPES, PQ. IBIRAPUERA Foto: Renato Eck Zorn


CHIEKO AOKI, PRESIDENTE DA REDE BLUE TREE

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ELA FOI MAIS DO QUE PONTUAL E CHEGOU 15 MINUTOS ANTES DA HORA MARCADA. PREPAROU UM PRATO FRUGAL, COM FOLHAS E LEGUMES, ARROZ INTEGRAL, MAS COMPLEMENTOU COM UM PASTELZINHO DE QUEIJO. NEM É NECESSÁRIO DIZER QUE A DAMA DA HOTELARIA VESTIA-SE DE UMA MANEIRA SÓBRIA, COM UM CASACO ESCURO E UM LENÇO XADREZ (OU UMA ECHARPE?) ENVOLVENDO O PESCOÇO. A PRESENÇA DE CHIEKO AOKI NO RESTAURANTE CHAMON GRILL, NO CENTRO DE SÃO PAULO, CHAMOU A ATENÇÃO DE INÚMERAS PESSOAS, JÁ QUE ALI REÚNEM-SE, TODOS OS DIAS, PROFISSIONAIS DO TRADE TURÍSTICO – EM ESPECIAL AGENTES E OPERADORES DE VIAGENS – QUE A CONHECEM BEM. A TEMPERATURA BEIRANDO OS 15 GRAUS NO ÚLTIMO DIA DE MAIO FEZ COM QUE A MESA PREPARADA NA VARANDA FOSSE TROCADA POR UMA MAIS NO INTERIOR DA CASA. ACOMPANHADA DE SUA COORDENADORA DE COMUNICAÇÃO, CHRISTIANE KOKUBO, A PRESIDENTE DA REDE BLUE TREE FEZ ELOGIOS AO ESPAÇO DO AMBIENTE, À VARIEDADE DOS PRATOS E À LOCALIZAÇÃO. O RESTAURANTE OFERECIA IGUARIAS JAPONESES, MAS ELA PREFERIU O TRIVIAL, E NÃO PEDIU NENHUMA BEBIDA PARA ACOMPANHAR. CHIEKO AOKI GUARDA UM MANANCIAL DE CONHECIMENTO ADMINISTRATIVO E OPERACIONAL, MAS NEM POR ISSO PROCURA PALAVRAS DIFÍCEIS PARA EXPRESSAR SEU NÍVEL DE ENTENDIMENTO E CLAREZA DE COMO FUNCIONA UM NEGÓCIO. INDAGADA SOBRE SUSTENTABILIDADE, PALAVRA DA MODA, ELA FOI DIRETA: “É COMO SE TER A NOÇÃO QUE PRECISAMOS ESCOVAR OS DENTES TODOS OS DIAS. FAZ PARTE DE NOSSAS VIDAS A PREOCUPAÇÃO COM QUESTÕES SOCIOAMBIENTAIS, NO ENTANTO, OS OBJETIVOS DEVEM SER COMUNS. SUSTENTABILIDADE É INTEGRAÇÃO, TANTO DE PESSOAS, DE PAÍSES, CLIENTES, HÓSPEDES ETC.”

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Vale para um A entrevista seguiu em um clima de respeito mútuo. Ao invés de perguntar sobre números e índices de ocupação, o que boa parte dos hoteleiros evitam dizer, lembrei de outro elemento que integra a missão da empresa Blue Tree, a personalização. Para Aoki esse ítem faz parte do DNA da rede Blue Tree. “Ela não existe sem a sua personalização”, disse. "Não é possível fazer tudo para todos, é preciso personalizar e dar importância a cada hóspede", detalha. “Somos contra aquele ditado administrativo de que o que vale para um vale para todos, mas sim 'o que vale para um vale para um'. Esse é o nosso jeito de fazer as coisas", arremata.

todos os funcionários da Blue Tree são treinados para ter essa percepção no atendimento. Um outro fator que Chieko Aoki fez questão de enumerar como integrante do DNA da Blue Tree é a inovação. “Gostamos de fazer as coisas novas para poder crescer. É uma forma de pensar da empresa. Se você pensa a mesma coisa todo dia, a empresa vai andar para trás. Todo mundo na empresa tem que ter um olhar e um pensamento de que 'amanhã terei que fazer melhor do que hoje', aí entra a inovação”, disse, acrescentando que tem um grupo de excelência integrado por pessoas de vários setores da Blue Tree que pensa a empresa estrategicamente, filosoficamente. “O grupo pensa no amanhã, em melhorias, propõe inovações em todos os aspectos da rede”.

Yin-Yang Em outro momento da entrevista, Chieko Aoki acrescentou mais elementos sobre a personalização em OUTRA COISA QUE PRIMAMOS MUITO É A Rentabilidade sua rede citando QUESTÃO DO SERVIÇO, DO ATENDIMENTO. O Dentre os modelos de fundamentos ATENDIMENTO DE NOSSO HÓSPEDE É gestão utilizados por orientais, o tao, da FOCADO NA EMOÇÃO, MAS DENTRO DE UM redes hoteleiras China. “Outra coisa EQUILÍBRIO YIN E YANG; O PRIMEIRO ESTÁ atualmente, entre que primamos muito RELACIONADO AO LADO ANALÍTICO, eles a franquia, a é a questão do TÉCNICO, OBJETIVO E O SEGUNDO A administração direta serviço, do ASPECTOS INTUITIVOS, EMOCIONAIS. ou indireta ou a atendimento. O gestão atendimento de compartilhada, Chieko Aoki, que tem sob o nosso hóspede é focado na emoção, mas dentro seu guarda-chuva 26 hotéis no Brasil e dois de um equilíbrio Yin e Yang; o primeiro está no exterior (Argentina e Chile), explica, sem relacionado ao lado analítico, técnico, objetivo e redundâncias, que o melhor modelo é o que o segundo a aspectos intuitivos, emocionais”. traz rentabilidade para o investidor. Percebendo que podia não estar sendo clara “Não existe modelo ideal para os (mas estava), deu um exemplo. “É importante investidores, eles querem é rentabilidade e a que o hóspede sinta que foi querido, que foi valorização de seu empreendimento. Se vou chamado pelo nome e o trataram como uma pintá-lo de cor-de-rosa para eles isso pouco pessoa e não como um número; esse é o nosso importa”, brinca. lado Yang”, complementou lembrando que


Palácio das Indústrias - antiga sede da Prefeitura de SP (Renato Eck Zorn)

"Toda a semana temos uma reunião de alinhamento das metas, um acompanhamento acirrado de cumprimento dessas metas. Metas de qualidade, de resultados, meta de vendas; pura disciplina". Não e Sim

GOSTAMOS DE FAZER AS COISAS NOVAS PARA PODER CRESCER. É UMA FORMA DE PENSAR DA EMPRESA. SE VOCÊ PENSA A MESMA COISA TODO DIA, A EMPRESA VAI ANDAR PARA TRÁS. TODO MUNDO NA EMPRESA TEM QUE TER UM OLHAR E UM PENSAMENTO DE QUE 'AMANHÃ TEREI QUE FAZER MELHOR DO QUE HOJE', AÍ ENTRA A INOVAÇÃO.

Sem citar um único número ou prognosticar os índices de crescimento de sua rede, Chieko Aoki dispensou a sobremesa e aceitou um café expresso com licor, uma das exclusividades da casa. Não revelou quais são os novos empreendimentos do grupo, mas a sua maneira refinada de dizer “não” mais pareceu um “sim”. Coisas do Yin Yang...


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VIA ELEVADA PRESIDENTE ARTHUR

DA COSTA E SILVA (”MINHOCÃO”) Foto: Renato Eck Zorn


GRAZIELA ZANIN, GERENTE GERAL e MARCELO PICKA VAN ROEY, COORDENADOR

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GRANDE HOTEL CAMPOS DO JORDÃO: UM ESPETÁCULO PARA AS FÉRIAS MESMO COM AQUELE JEITÃO CINCO ESTRELAS, O GRANDE HOTEL SENAC CAMPOS DO JORDÃO SE DESTACA PELA DESCONTRAÇÃO E PROXIMIDADE COM O CLIENTE. UMA DAS ESTRATÉGIAS PARA A ATRAÇÃO DE NOVOS E BONS FREQUENTADORES É O DAY USE, NO QUAL OS VISITANTES, QUE NÃO ESTÃO NECESSARIAMENTE HOSPEDADOS, PODEM UTILIZAR OS SERVIÇOS DOS RESTAURANTES: O ARAUCÁRIA, ARTE DA PIZZA E BAR DA LAREIRA. DE ACORDO COM GRAZIELA ZANIN, GERENTE GERAL DO HOTEL, OS CLIENTES “TÊM UMA DEMONSTRAÇÃO DO SERVIÇO, O QUE ACABA OS INSTIGANDO A EXPERIMENTA-LO COMPLETAMENTE, VEM GENTE DE TODAS AS REDONDEZAS DE CAMPOS DO JORDÃO”, DIZ EM ENTREVISTA EXCLUSIVA AO DIÁRIO. "OUTRO DIFERENCIAL É O FATO DE ELE SER UM HOTEL-ESCOLA E ISSO AGUÇA MUITO A CURIOSIDADE DAS PESSOAS", COMPLETA. MARCELO PICKA VAN ROEY, COORDENADOR TANTO DO GRANDE HOTEL SENAC CAMPOS DO JORDÃO, COMO O GRANDE HOTEL SENAC SÃO PEDRO, AFIRMA QUE AMBOS OS EMPREENDIMENTOS SÃO DIFERENCIADOS NO QUE TANGE À FIDELIDADE. "O HÓSPEDE MUITAS VEZES VAI AO HOTEL UMA VEZ, DUAS, TRÊS VEZES... ELE CONHECE A RECEPCIONISTA E NA QUARTA VEZ ELE JÁ LIGA DIRETO PARA O HOTEL E ACABA FAZENDO A SUA RESERVA", DIZ. DE ACORDO COM O MARCELO, CERCA DE 15% DAS RESERVAS, APROXIMADAMENTE, SÃO FEITAS POR MEIO DAS AGÊNCIAS DE VIAGENS. GRAZIELA E MARCELO ATENDERAM AO DIÁRIO E CONCEDERAM A ENTREVISTA A SEGUIR.

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DIÁRIO – Você assumiu recentemente a gerência geral do Grande Hotel Senac Campos do Jordão. Algum projeto ou encaminhamento novo? Graziela Zanin - Eu vou dar continuidade e incrementar as inovações que já vem sendo planejadas ao longo desses anos. Nós estamos com a ampliação do restaurante ambiental. Para o ano que vem, teremos a reforma dos apartamentos, com a instalação de ar condicionado em todos eles. Tem um projeto de construção de mais 30 apartamentos, mais os chalés. Por conta das ampliações dos quartos, da construção do outro prédio, nós tivemos que ampliar o restaurante principal, para atender a esta demanda.

tanto que nós temos muitos visitantes que viram hóspedes e depois até habitués. Eles vão, tem uma demonstração do serviço, o que acaba o instigando a experimentar mais do hotel. DIÁRIO – Tanto o Grande Hotel Campos do Jordão, como o Grande Hotel São Pedro praticam tarifas iguais?

Marcelo Picka Van Roey - As tarifas são muito parecidas, na verdade nós temos um programa de management, onde trabalhamos de acordo com a demanda, então em determinadas épocas do ano, em que nós temos uma ocupação mais alta historicamente, a tarifa é um pouco mais elevada. A grande diferença hoje de tarifa DIÁRIO - Qual o perfil do está em julho, por ser o hóspede e do visitante? grande mês em Campos Muitas pessoas da do Jordão, apesar de região vão fazer o Day também ser o melhor Use? Vão para a mês de Águas de São feijoada, mas não se Pedro, existe uma hospedam? diferença, mesmo que ela não seja tão gritante. Graziela - Sim, Existem alguns meses, principalmente para como agosto e nesses usufruir dos nossos últimos meses de A GRANDE DIFERENÇA HOJE DE TARIFA restaurantes. Nós outubro e setembro, a ESTÁ EM JULHO, POR SER O GRANDE MÊS temos o Restaurante tarifa de São Pedro é mais EM CAMPOS DO JORDÃO, APESAR DE Araucária, onde alta do que de Campos. TAMBÉM SER O MELHOR MÊS DE ÁGUAS servimos pratos à La Na verdade, elas oscilam DE SÃO PEDRO, EXISTE UMA DIFERENÇA, Carte. Ele funciona ao longo do ano e são MESMO QUE ELA NÃO SEJA TÃO GRITANTE. todas as sextas e muito parecidas, mas sábados e acabou de julho eu posso citar que é ganhar sua primeira estrela, pelo Guia Quatro o grande mês diferencial. Julho é alta época de Rodas. Isso também foi uma conquista, graças lazer e agosto é alta temporada de eventos. a todo esse empenho da equipe que faz parte Tem dois meses seguidos que nós trabalhamos desse projeto de reposicionamento dos hotéis. alta temporada de dois segmentos diferentes. A missão é promover os nossos restaurantes, É mais uma tarifa que precisamos gerenciar. que são o Arte da Pizza, o restaurante principal, que tem o serviço de Buffet com a famosa DIÁRIO- Em relação ao agente de viagens, o feijoada aos sábados, o Araucária, além do Bar Grande Hotel Campos do Jordão e o Grande da Lareira, que também é aberto aos visitantes. Hotel São Pedro não parecem necessitar de Basicamente são pessoas que vão atrás do frio, ajuda de terceiros para vendê-los. O agente de de uma lareira e um bom vinho. Os perfis dos viagens é parceiro de vocês ou o nome do hotel visitantes e dos hóspedes são muito parecidos, vende por si só?


Pinacoteca (Renato Eck Zorn)

Graziela- Nós temos uma equipe de vendas em São Paulo com gerente comercial e os executivos de vendas. Eles prospectam esses parceiros e esses clientes também. Nós temos agências de viagens como parceiras sim, tanto para o público de lazer quanto para o público de eventos.

um processo de aprendizado. O fato é que todo o colaborador precisar ter um “quezinho” de educador para não deixar esse serviço cair e para que nós, no mínimo, possamos atender à expectativa de alguém que está indo para um hotel modelo.

DIÁRIO - Como vocês estão com as promoções? Sabemos que mesmo em time que está ganhando deve haver investimento. Se sim quais? Marcelo - Nós não participamos de feiras. Estamos sempre presentes com representantes, mas não com estandes. Participamos, na verdade, com um estande cooperado com a Resorts Brasil. Quando a Resorts Brasil vai, nós estamos juntos em quase todas elas, mas preferimos fazer a nossa promoção direto com os nossos agentes, nas empresas organizadoras, ou empresas que contratam o hotel. Além disso, temos um plano de mídia bastante pesado, onde 70% é mídia online e 30% é mídia offline. Este número está em estudo ainda para o ano que vem, mas deve fechar em 20% mídia offline e 80% mídia online. Graziela - O diferencial dos hotéis é o fato de eles serem escola e isso aguça muito a curiosidade das pessoas. Nós vivemos experiências extremamente antagônicas, ao mesmo tempo em que devemos oferecer um serviço de excelência, também estamos contando com vários alunos passando por

O DIFERENCIAL DOS HOTÉIS É O FATO DE ELES SEREM ESCOLA E ISSO AGUÇA MUITO A CURIOSIDADE DAS PESSOAS.


MONUMENTO ÀS BANDEIRAS (”Empurra-empurra”) Foto: Renato Eck Zorn


ORLANDO GIGLIO, DIRETOR GERAL DO IBEROSTAR BRASIL

ORLANDO GIGLIO, DO IBEROSTAR BRASIL: UM REPOSICIONAMENTO DA MARCA PARA 2012

EM ENTREVISTA EXCLUSIVA AO DIÁRIO, ORLANDO GIGLIO, DIRETOR GERAL DO IBEROSTAR BRASIL, REVELA QUE A REDE LANÇARÁ EM 2012 MAIS UMA MARCA, ALÉM DA IBEROSTAR, IBEROSTAR PREMIUM E GRAND IBEROSTAR: O IBEROSTAR PREMIUM GOLD. O DIRETOR TAMBÉM FALA A RESPEITO DOS RESULTADOS DO IBEROSTATE, ÁREA IMOBILIÁRIA DA EMPRESA, E OS MOTIVOS QUE LEVARAM O GRAND AMAZON, EM MANAUS, GANHAR EXPRESSIVIDADE NO TURISMO. CONFIRA A SEGUIR A ENTREVISTA COMPLETA.

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Diário – Você voltou recentemente da República Dominicana, onde a Rede Iberostar, tem seis resorts. Qual foi a razão desta visita? Orlando Giglio - Todos os anos fazemos uma reunião pré-campanha de marketing. Reunimos todos os diretores de marketing e comercial da rede. O lugar esse ano foi República Dominicana onde foram apresentadas todas as possibilidades que acontecerão no ano de 2012 e a preparação já para 2013. Na realidade lá começamos a pensar como investir como fazer e quais são nossos objetivos em 2012.

Diário - Como está a venda das unidades do Iberostate na Praia do Forte? Orlando Giglio - O Iberostate é nossa área imobiliária, ela vem se desempenhando bem, principalmente no que diz respeito aos apartamentos. A primeira fase, com 48 apartamentos, já foi totalmente vendida. Estamos iniciando a segunda já com outro perfil, outra decoração, e aí começou a vender no último mês e o caminho tem sido muito bom e os investidores estão muito satisfeitos com a área do condomínio. Diário – Quem são os compradores?

Orlando Giglio - Os brasileiros são os primeiros clientes do Iberostate, em especial os baianos. Até por causa da localidade, Diário - Nessa até porque a empresa reunião foi que começou a definida a nova comercializar é uma nomenclatura das empresa baiana de NÓS CRIAMOS UMA MARCA INTERMEDIÁRIA. unidades? área mais restrita, TEREMOS JÁ ANO QUE VEM O IBEROSTAR, vendeu rapidamente. IBEROSTAR PREMIUM E O IBEROSTAR Orlando Giglio Entretanto, com o PREMIUM GOLD E TAMBÉM O GRAND. Na realidade, a crescimento e a primeira parte foi divulgação em outros uma nova nomenclatura das unidades, estados, começamos a ter venda para pessoas de mas também está sendo valida nossa São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Minas Gerais e a orientação de investir em (vendas) online tendência é isso aumentar mais. e dar uma atenção ao consumidor final. Não é uma repaginação, é um Diário – Qual é a novidade nos resorts na Bahia? reposicionamento em termos de marca, pois hoje nós só temos três marcas, Orlando Giglio – São os investimentos de R$ 700 mil Iberostar, Iberostar Premium e Grand no mini parque aquático, em uma área de 600 Iberostar. Então, como estamos fazendo metros quadrados. O Iberostar tem um ambiente um upgrade em alguns hotéis, (em 35% da familiar, além de ter uma área muito boa de rede), nós criamos uma marca congressos e eventos. É isso que nós estamos intermediária. Teremos já ano que vem o priorizando neste e no próximo ano. Além de Iberostar, Iberostar Premium e o Iberostar acrescentar uma questão maior ao consumir final e Premium Gold e também o Grand. corporativo.


Casarão na Rua 25 de Março (Renato Eck Zorn)

NA REALIDADE, É QUE MANAUS DEVERIA TER UM PROGRAMA UM POUCO MAIS AGRESSIVO DE DIVULGAÇÃO DE SEU DESTINO. NÃO QUE NÃO SEJA FEITO, MAS É AQUÉM DAQUILO QUE MANAUS MERECE. MANAUS PRECISA DE MAIS.

Diário - Houve um reposicionamento do navio do Grand Amazon, em Manaus? Orlando Giglio – Sim. Primeiro porque o volume de voos de Manaus cresceu. Segundo, nós adequamos o produto ao gosto brasileiro, que representa 66% a 70% do nosso negócio. E outra, o próprio americano quer conhecer mais. Na realidade, é que Manaus deveria ter um programa um pouco mais agressivo de divulgação de seu destino. Não que não seja feito, mas é aquém daquilo que Manaus merece. Manaus precisa de mais.


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Entrevista Panorâmica #02  

A Ciência da Hotelaria

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