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DIÁRIO DO SUDOESTE 1º de dezembro de 2016

Opinião A19 Foto do dia

Editorial A mais triste tragédia Toda tragédia dói. Mais ainda quando acontece com alguém próximo. O sentimento do sudoestino é de que a tragédia que assolou a Chapecoense é como se fosse a de um vizinho ou de um amigo, dada a proximidade do município com a região e os laços criados. Afinal, graças à Chape muitos puderam acompanhar a Série A do Brasileirão de perto, seja para ver o Verdão entrar em campo ou aproveitando a curta distância para prestigiar o time do coração, quase sempre Grêmio ou Inter. A dor é maior, também, porque envolve contrastes. A catarse de um time que estava no melhor momento de sua história e faria seu jogo mais importante, e a tragédia que derivou desse sonho. A delegação da Chape morreu enquanto buscava a merecida glória. Profissionais de imprensa se foram enquanto confirmavam o auge de suas carreiras, ao participar de uma cobertura internacional. Se existe destino, é uma tremenda injustiça. Mas parece mesmo que tudo ocorreu por uma falha grosseira do plano de voo que derivou na falta de combustível. E que pôs abaixo tantos sonhos, tanta saúde, tantos jovens, tantos pais. Eles se foram. A dor fica. E que a Chape fique também. Guilherme Bittar

Vigília em Chapecó pelas vítimas do acidente na Colômbia

Dirceu antonio ruaro

Corrigir, na medida certa, pode ser um meio eficaz de evitar comportamentos inadequados Amigos leitores, especialmente meus leitores que são pais, mães e avós. No sábado da semana passada fui rapidamente a uma feira da cidade e encontrei vários conhecidos que me falaram dos artigos que leem. Certo senhor, amigo de longos tempos, que também é avô, confessou-me que lê todas as quintas feiras e depois debate com os filhos, pois todos também filhos. Pois bem, como conversávamos sobre o tema da semana passada, esse avô, meu amigo, disse uma coisa que me deixou a pensar: “uma questão séria é que os pais de hoje, pensam que devem corrigir sempre, o tempo todo, e em todas as situações. Parece-me que os pais de hoje querem educar na marra, castigando e punindo o tempo todo”. Essa afirmação deixou-me muito preocupado, Entendo que alguns pais queiram corrigir sempre e, de certa forma, devem fazê-lo, mas é preciso estar alerta. Não há quem suporte uma “voz” que condena sempre e o tempo todo. Ao invés de educar, de ensinar, certamente você estará contribuindo para criar na criança, um tipo de comportamento que ficará sempre atento para ver se o outro erra e aí ter o que falar, comentar e condenar. Ora, a intenção do pai e/ou da mãe, certamente não é essa, mas como o exemplo dado é esse, é isso que a criança vai incorporar e adotar como comportamento correto. Por isso, a questão de apontar as falhas de comportamento e as explicações precisam ser muito bem pensadas e jamais tomadas no “calor da situação”. É de fundamental importância, sempre se analisar, avaliar e ponderar sobre as causas desse ou daquele tipo de comportamento para, só depois se tomar uma atitude. Pais, mãe e educadores devem sempre pensar primeiro e agir depois. Olhar, refletir sobre

o que causa o mau comportamento é extremamente necessário para poder corrigi-lo pela raiz. Muitas crianças discutem tudo e o tempo todo devido a um comportamento assimilado de seus pais. É comum os casais “discutirem”, para não dizer “brigarem”, na frente dos filhos ou quando os pequenos estão assistindo TV. Precisamos lembrar que a criança está sempre “antenada” em tudo o que ocorre a seu redor. Criança presta atenção em tudo e, especialmente, nas “discussões dos pais”. Qualquer sinal de desentendimento entre os pais é uma possibilidade de medo, angústia e até raiva no comportamento da criança. E a forma de revelar isso será, certamente, pelo comportamento inadequado. Evidentemente que sabemos que há crianças que aprontam o tempo todo, que são inquietas, que correm, gritam, agridem outras crianças e até adultos, sem que haja um motivo aparente. Lógico que esses casos precisam de disciplina, de conversa, de avaliação. Muitas dessas crianças “aprontam” o tempo todo na escola e os pais não se conformam com isso. Nem sempre uma criança com comportamento agitado é assim porque quer aparecer ou porque “nasceu assim”. Alguma coisa está desencadeando esse tipo de comportamento e, cabe aos pais tomarem providências junto, inicialmente, aos serviços de avaliação da escola e, depois, de acordo com o diagnóstico procurar ajuda profissional adequada. Entre os comportamentos inadequados em crianças de cinco a oito anos está a questão de dizer palavrões. Ora, se a criança diz palavrões é porque aprendeu com alguém e em algum lugar, que pode ter sido em casa mesmo com os familiares e com os amigos. Diante de palavrões o melhor é explicar que

muitas vezes os adultos, num momento de raiva, acabam dizendo palavrões, mas que não se pode e não se deve fazer isso. Não porque é “feio”, mas porque é falta de respeito com as demais pessoas. Evidentemente que não podemos colocar nossas crianças em “redomas de vidro” para que não ouçam certas coisas, mas é praticamente impossível encontrar uma casa, uma família em que, de repente, não escape um palavrão. E se eles “escaparem”, com certeza a criança grava e logo logo estará falando. Sei, por experiência própria, o quanto é difícil conter palavrões diante uma barbeiragem no trânsito, de um chute num pé de mesa, de cadeira, numa pedra. Por isso, é interessante combinar com as crianças onde e diante de quem nunca se deve dizer palavrões. Meninos de oito ou nove anos costumam ser a “vergonha” das mães. Então, é melhor ser muito claro e dizer para quem e onde estão proibidos de dizer palavrões e já combinar qual será a punição. Devemos ensinar nossas crianças, com certeza e, devemos puni-las também diante de comportamentos inadequados, mas sempre com bom senso e na medida certa, sem exageros, sem alardes, com justiça para que aprendam a ser justos, pensem nisso enquanto lhes desejo boa semana. Professor – Pedagogo-Psicopedagogo Clínico e Institucional- Gestor de Educação Pública – Secretário Municipal de Educação de VitorinoPR- Educador - Doutor em Educação. Membro do Conselho Estadual de Educação do Paraná (Presidente da CEIF (CÂMARA DE EDUCAÇÃO INFANTIL E FUNDAMENTAL). www.dirceuruaro.com.br dirceu_ruaro@yahoo.com.br

Diário do sudoeste 1 de dezembro de 2016 ed 6773  

Edição 6773

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