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BELO HORIZONTE, QUARTA-FEIRA, 14 DE AGOSTO DE 2019

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OPINIÃO

Inteligência artificial e os avanços na saúde WALTON NOSÉ * REPRODUÇÃO / YOUTUBE

A inteligência artificial, muitas vezes citada apenas por meio da sigla IA ou, ainda, AI (artificial intelligence, em inglês), por definição, é uma área da ciência da computação que surgiu no intuito de levar para as máquinas a capacidade de aprendizagem do ser humano. É parte do avanço tecnológico que permite que sistemas simulem uma inteligência similar à humana, com base em padrões de extensos bancos de dados. O termo “inteligência artificial” foi usado pela primeira vez em 1956, pelo cientista da computação americano John McCarthy, durante o seminário de Dartmouth. Hoje – a exemplo da Sophia, criada por David Hanson, em Hong Kong, e projetada para adaptar-se ao comportamento humano – o robô já consegue interagir com pessoas e possui capacidade de aprendizagem. Para se ter uma ideia, Sophia se tornou tão popular que já foi capa de revista, ganhou título de cidadã do mundo, concedido pelo Reino da Arábia Saudita, e até já discursou na ONU – seu vídeo falando sobre futuro e desenvolvimento sustentável já conta com mais de 2 milhões de acesso nas redes sociais. Há quem diga que seja assustador ver um robô tão parecido com um ser humano, mas, com todo esse avanço, a inteligência artificial tem demonstrado excelentes resultados também na medicina. Hoje, já é possível lançar mão dela na prevenção de doenças, no aprimoramento de diagnósticos e no tratamento de pacientes em diferentes condições de saúde. De acordo com um estudo publicado na revista científica Nature, no ano passado, utilizando um sistema de IA do Google, pesquisadores alimentaram um modelo de aprendizado de máquina com diversos dados de pacientes de dois hospitais norte-americanos e, como resultado, o robô conseguiu prever o tempo que o paciente iria ocupar o leito,

Robô Sophia se tornou tão popular que já foi capa de revista, ganhou título de cidadã do mundo, concedido pelo Reino da Arábia Saudita, e até já discursou na ONU – seu vídeo falando sobre futuro e desenvolvimento sustentável já conta com mais de 2 milhões de acesso nas redes sociais. receber alta e, até mesmo, a hora em que ele iria morrer. Os sistemas de inteligência artificial aplicados à saúde se utilizam de dados e algoritmos (sequências de dados matemáticos) a fim de fornecer aos profissionais da área novos pontos de vista em tratamentos. Esses sistemas se baseiam em um grande volume de informações, que vão desde

casos médicos diversos a evidências na literatura científica, coletados e salvos na nuvem, garantindo mais precisão nos diagnósticos e tratamentos. Uma das áreas mais beneficiadas pelo avanço da tecnologia e que também vem utilizando a inteligência artificial a seu favor é a oftalmologia. Atualmente, há um sistema que permite ao médico oftalmologista maior precisão

nas cirurgias de catarata – calculando, em tempo real e em alguns segundos, o tamanho e as características de cada olho no momento da cirurgia, a fim de sugerir a lente intraocular mais adequada e, assim, minimizar erros refrativos. Esse sistema possui um banco de dados na nuvem onde são armazenadas as informações de todos os pacientes que já passaram pelo procedimento. Com base nos algoritmos desses dados coletados, o desempenho e o nível de precisão nas cirurgias futuras são aprimorados. O paciente com catarata precisa ter seu cristalino – lente natural do olho que fica opaca com a doença – substituído por uma lente intraocular. Durante o procedimento cirúrgico, o sistema ORA (Optiwave Refractive Analysis), como é conhecido, transmite informações que auxiliam na tomada de decisão sobre a escolha da potência da nova lente intraocular e na definição do seu posicionamento. Dessa forma, o médico-cirurgião tem um melhor desempenho, resultando na recuperação mais rápida do paciente, contribuindo para melhor qualidade na visão e evitando que um novo procedimento corretivo tenha de ser feito no futuro. Os benefícios da IA em medicina são inquestionáveis, mas estou certo de que o trabalho das máquinas jamais substituirá a atividade do médico. A inteligência artificial pode, portanto, proporcionar melhores resultados e maior segurança na tomada de decisão do médico frente a algo específico a ser realizado, mas é o próprio médico o principal protagonista que, com sua experiência, técnica, habilidades cirúrgicas e, ainda, conhecimento profundo, poderá fazer o melhor uso da ferramenta para benefício de quem mais importa nessa jornada: o paciente. * Oftalmologista, Prof. adjunto livre-docente na Unifesp-EPM e fundador da Eye Clinic Day Hospital, em São Paulo

Transparência nas contas de condomínios KÊNIO DE SOUZA PEREIRA *

Uma administradora de condomínio trabalha para a coletividade condominial e não para o síndico. Deve-se entender que o condomínio se assemelha a uma empresa, sendo cada coproprietário um sócio do empreendimento, ou seja, todos têm o mesmo direito a ter acesso a tudo que diz respeito ao edifício. Portanto, quem administra tem o dever de dar acesso a todos condôminos aos dados sobre as receitas, despesas, documentos, contratos, recibos, além de informar quem está inadimplente e quanto este deve, a qualquer tempo. O síndico é meramente um representante e seu mandato é provisório. Para evitar desconforto ou dúvida para quem dirige a administradora de condomínio, o ideal que esta faça constar no Contrato de Prestação de Serviços uma cláusula que estabeleça que todos os condôminos podem ter acesso à documentação e às contas do condomínio a qualquer momento, pois assim evitará desconfiança, gerando uma sensação de maior segurança aos coproprietários. Certamente, a administradora que recusa a fornecer informações e documentos a um condômino, poderá vir a perder o trabalho no futuro, quando o

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“síndico misterioso” for substituído, especialmente se o condômino que foi afrontado se tornar o novo síndico. Não tem sentido um condômino ter receio de pedir o acesso às contas, pois somente um síndico com visão obtusa ou mal intencionado pode se sentir ofendido ou criar obstáculo à verificação dos documentos e das contas do condomínio. Trata-se de um direito, que não precisa ser justificado para ser atendido, pois conforme o artigo 1.348 do Código Civil, “É dever do síndico: [...] VIII - “prestar conta à assembleia, anualmente e quando exigidas”. Transparência é sempre saudável e gera credibilidade, além de evitar comentários improdutivos. O contrato de prestação de serviços é firmado entre a administradora e o condomínio, sendo este constituído por coproprietários, ou seja, não se trata de uma pessoa e sim de uma coletividade. Portanto, basta o síndico entender que ele não é dono do edifício e que as contas são do condomínio. No pequeno prédio onde resido há 26 anos com cinco vizinhos, que prefiro chamar de amigos, sou atualmente síndico, função esse que já assumi anteriormente quatro vezes. Determinei

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à administradora, há muitos anos, que franqueasse as contas e documentos para qualquer condômino, pois assim divido a minha responsabilidade, já que posso falhar como qualquer ser humano. Talvez seja por isso que nessas mais de duas décadas ninguém no prédio jamais levantou qualquer dúvida sobre a honestidade e lisura dos síndicos que revezaram essa função que não gera dissabores onde há respeito e consideração. A experiência comprova que o síndico que age com transparência sempre tem a prestação de contas aprovada tranquilamente, sem polêmicas e questionamentos, já que todos os condôminos tiveram a oportunidade de ter acesso aos documentos sem qualquer obstáculo. Para evitar polêmica na assembleia, o ideal é inserir no Edital de Convocação o prazo de 30 dias para que todas as pessoas possam ter acesso à prestação de contas junto ao contador ou administradora, devendo qualquer questionamento ser feito por escrito, pelo menos uma semana antes da assembleia, para que o síndico possa ter tempo para prestar o devido esclarecimento. Essa prática, que é elegante,

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transparente e mais produtiva, beneficia todos os condôminos, pois passam a ter tempo para analisar as questões, tendo suas dúvidas sanadas de maneira tranquila, sem o tumulto que ocorrer em inúmeras assembleias. O síndico, diante das indagações claras e com prazo para verificar, poderá contar com o apoio de um contador para prestar os esclarecimentos. É preciso ter bom senso, pois é notório e impossível analisar em apenas alguns minutos, na assembleia, com dezenas de pessoas, as contas e centenas de documentos decorrentes de um ano de gestão. Nem mesmo o melhor contador do mundo conseguiria fazê-lo. A disponibilização dos documentos com antecedência é interessante para toda a coletividade porque agiliza a assembleia e evita comentários improdutivos. *Presidente da Comissão de Direito Imobiliário da OAB-MG, Diretor da Caixa Imobiliária Netimóveis – Advogado, Conselheiro da Câmara do Mercado Imobiliário e do Secovi-MG - kenio@keniopereiraadvogados.com.br

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