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BELO HORIZONTE, QUARTA-FEIRA, 14 DE AGOSTO DE 2019

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ENGENHARIA HOJE INVESTIMENTOS

De olho no futuro, Codemge aposta nas novas tecnologias Imagine uma empresa que tem um pé no passado e outro no futuro. Essa empresa é a Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemge). O passado está representado, por exemplo, pelos cerca de 3 mil imóveis que formam seu patrimônio imobiliário e pela operação do Terminal Rodoviário de Belo Horizonte; seu pé no futuro está em empreendimentos como as fábricas de superímãs de terras-raras e de baterias de lítio-enxofre e a unidade de processamento de grafeno, prevista para entrar em funcionamento em 2023, em Belo Horizonte, em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e o Centro de Desenvolvimento de Tecnologia Nuclear (CDTN). As informações foram dadas pelo presidente da Codemge, engenheiro Dante de Matos, em debate nesta segunda-feira na Sociedade Mineira de Engenheiros (SME). O laboratório-fábrica de ímãs de terras-raras está em fase final construção em Lagoa Santa, devendo entrar em operação em janeiro do ano que vem, para atender um mercado que consome cerca de 118 mil toneladas/ano e que é dominado, em 90%, pela China. Com a fábrica, o Brasil irá agregar valor às suas reservas de terras-raras - um subproduto do rejeito de nióbio, mineral do qual o Brasil é um dos principais produtores mundiais. O ímã de terras-raras é utilizado em motores elétricos, automotivos e de elevadores; e também em separadores magnéticos, entre outros usos. Trata-se de um empreendimento, segundo Dante de Matos, estratégico para o Brasil. Isso porque, dentro de 20 anos, as reservas chinesas chegam ao final, abrindo um mercado de grande potencial para o Brasil, que detém, logo abaixo da China, as maiores

reservas destes minerais. Outra aposta da Codemge é o mercado de baterias de lítio-enxofre, para atendimento da crescente demanda do mercado de veículos elétricos, em substituição aos que usam motores a combustão. O projeto da fábrica está, segundo ele, praticamente pronto. Terá área de 10 mil metros quadrados e está prevista para ocupar as antigas instalações da fábrica de sapatos San Marino, ao lado da rodovia que liga Belo Horizonte ao aeroporto de Confins. Sua produção será de 1,2 milhão de células por ano quando entrar em operação, em 2021. A bateria de lítio-enxofre diferencia-se das tradicionais, de íon-lítio, porque tem um tempo de carregamento mais rápido e consegue armazenar três vezes mais energia. De acordo com Dante de Matos, o mercado mundial de baterias é da ordem de US$ 120 bilhões. De acordo com o Serviço Geológico Brasil (CPRM), o País tem aproximadamente 8% das reservas mundiais de lítio, localizadas, em sua maioria no Vale do Jequitinhonha. Outro empreendimento com o qual a Codemge pretende colocar o pé no futuro é a fábrica de processamento de grafeno, a MG Grafeno. No momento, de acordo com Dante de Matos, o projeto está em sua primeira fase, que é a de desenvolvimento do processo que permita a produção do grafeno em escala industrial. O grafeno é um excelente condutor de calor e eletricidade. É considerado o mais forte material já encontrado, consistindo de uma folha de átomos de carbono densamente compactados. Minas tem reservas de ótima qualidade, sendo o terceiro maior produtor mundial. Na UFMG está um dos centros pioneiros nas pesquisas com o grafeno no País. Para Dante

SME/DIVULGAÇÃO

Dante de Matos apresentou seus projetos em evento realizado na Sociedade Mineira de Engenheiros (SME)

de Matos, o projeto é importante porque irá fomentar o desenvolvimento de uma área industrial de alto impacto tecnológico e alto valor agregado. A ideia, segundo o presidente da Codemge, é concentrar os investimentos estratégicos da Companhia nestas três áreas: grafeno, baterias de lítio-enxofre e usina de ímãs terras-raras, explorando a sinergia entre elas. “É o futuro. E não tem como ser de outro jeito”. Nesses projetos, a Codemge participa sempre com menos de 50% do capital, caso contrário, tornaria-se sócia majoritária, o que, segundo ele, não é intenção da empresa. Os recursos para estes investimentos vêm dos recursos que a empresa recebe - da ordem de R$ 1 bilhão por ano - da Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM), pela exploração do nióbio em Araxá.

Passado - Ao mesmo tempo em investe em projetos de alta tecnologia, a Codemge mantém um pé no passado representado, por exemplo, pela operação da rodoviária de Belo Horizonte, que estava arrendada à Prefeitura de Belo Horizonte e foi retomada recentemente. Nela, a Codemge fez investimentos para melhorar sua operacionalidade, como, por exemplo, na acessibilidade. O próximo passo será sua devolução ao Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG). Para retirar o pé no passado, a Codemge pretende também, no próximo ano, iniciar a venda dos ativos que não fazem parte de sua missão atual, que, segundo ele, é buscar empreendimentos que deem resultado mais perenes para a economia mineira. Entre os ativos dos quais a Codemge pretende se desfazer

está a participação do Estado na fábrica de helicópteros da Helibras, em Itajubá, os distritos industriais que o Estado construiu mas não foram ocupados e os imóveis, cuja venda a Codemge pretende realizar ano que vem. Para ele, a empresa desfazer-se desses ativos é importante para que possa focar em seus projetos futuros. “Se a gente não olha para traz, não vamos olhar para frente”, afirmou Dante de Matos. A necessidade de se fazer a ponte entre o presente e o futuro é, no entender do engenheiro Wilson Leal, integrante da diretoria da SME, o principal ponto que ele destacou na fala do presidente da Codemge. “Temos que olhar para frente, mas sem descuidarmos do passado”, afirmou o diretor da SME. (Conteúdo produzido pela SME)

IDEIAS

Indústria 4.0 - A grande revolução do nosso tempo CONSTANTINO SEIXAS FILHO*

Todos escutamos falar da revolução 4.0. O que é essa revolução e como ela nos afeta? Quando analisamos a evolução histórica da tecnologia, reconhecemos grandes marcos de transformação. A substituição da tração animal pela máquina a vapor caracterizou a primeira revolução industrial. A lâmpada incandescente de Edson, o motor elétrico de Tesla e o motor a explosão foram os marcos da segunda revolução, que trouxe a luz elétrica, eletrodomésticos e praticidade. A eletrônica, através dos transistores, dos circuitos integrados e dos microprocessadores, a Internet e os robôs foram as tecnologias que assistimos evoluir após a Segunda Guerra Mundial. Essa foi a terceira revolução industrial. A quarta revolução traz os sistemas cyber físicos, data analytics, inteligência artificial (IA), sistemas autônomos, operação e manutenção preditiva e muito mais. Modelos são usados em todo o ciclo de vida de um produto. Antes de o produto existir,

usamos ferramentas para planejar o seu desenvolvimento, definir o design, modelar e criar protótipos e finalmente especificar os sistemas de produção através de ferramentas especializadas, os sistemas PLM - ProductLifecycle Management. O PLM abrevia o tempo de desenvolvimento de um produto e diminui drasticamente os custos de P&D. O protótipo é produzido em uma impressora 3D e fica logo disponível para testes. O PLM não é útil apenas na fase de design, mas durante todo o ciclo de vida do produto, da concepção ao descomissionamento. Toda atividade após a fabricação e venda do produto faz parte da fase de suporte e é um novo negócio em si. Muitas empresas encaram o novo produto como um contêiner de funcionalidades. O que se paga pelo contêiner inicial é pouco e pode ser até subsidiado. São os aplicativos e produtos adicionais que irão trazer lucratividade ao negócio. Os equipamentos autônomos levam a robotização ao extremo, substituindo o operador em atividades repetitivas

que antes eram consideradas dependentes da capacidade cognitiva humana. Nessa categoria encontram-se as perfuratrizes autônomas, usadas na mineração, os caminhões autônomos para transporte de minério, os trens autônomos, as máquinas que empilham e retomam graneis do pátio, as máquinas agrícolas e alguns tipos de drones. Em todos esses casos não existe operador local ou remoto. Uma vez definida uma tarefa ela vai ser executada até sua conclusão. Observe que não estamos falando do futuro, mas do nosso dia a dia da engenharia. Quando falamos de sistemas autônomos sempre vem à mente a perda de postos de trabalho na indústria. Se uma mina adota caminhões autônomos, logo pensamos que 500 trabalhadores irão perder seus empregos. Por outro lado, a introdução de novas tecnologias gera muitos empregos em outros pontos da cadeia produtiva. Creio que os computadores geraram muito mais empregos que eliminaram. Evidentemente a troca de paradigmas requer recapacitação da mão de obra atual e isso tem que ser enxergado

ENGENHARIA S.A.

SME/DIVULGAÇÃO

pelas indústrias. Tirar pessoas de trabalhos perigosos e repetitivos e colocá-las na função para o qual o ser humano foi projetado, análise e tomada de decisão, requer educação sistemática nas novas tecnologias: cloudcomputing, big data, data analytics, inteligência artificial, Industrial Internet of Things, robótica, estatística multivariada, modelagem 3D e tantas outras. Esse é um desafio excitante, aprender novas técnicas para fazer melhor, o que executamos de forma manual hoje em dia, mas as pessoas precisam de ajuda para alçar esse degrau. Como as empresas brasileiras se preparam para a Indústria 4.0?

O primeiro passo para a empresa ingressar nessa onda é desenvolver o seu Programa de Transformação Digital. Isso envolve levantar as necessidades de negócio de cada área: produção e operações, P&D e engenharia, supplychain, RH, comercial, compras. Uma vez entendidas as necessidades, elas são mapeadas nas diversas soluções digitais disponíveis, definindo projetos que são priorizados e organizados em um roadmap. Um primeiro foco desse trabalho é a excelência operacional dos processos já existentes. O segundo passo consiste no que chamamos de pivotar para o novo, ou seja, buscar alternativas disruptivas para o negócio. A quarta revolução industrial acontece a ritmo acelerado. Nenhuma empresa pode estar indiferente a esse tsunami de transformação. Quando a empresa entra e o quanto acelera é que irá determinar o seu índice de sucesso e quantos benefícios irá colher. *Diretor de Offerings para Production&Operations da divisão Industria X.0 - Accenture Latam

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