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A polémica em torno da licenciatura de Miguel Relvas continua, e já chegou à política alentejana. Depois da impossibilidade de Fernando Caeiros trabalhar no InAlentejo por não ser detentor de licenciatura, o ex-autarca de Castro Verde foi convidado pela Universidade Lusófona para obter um grau académico. A Não confirmo, nem desminto teve acesso ao relatório de avaliação feito por aquela universidade (escrito num guardanapo), no qual se pode ler que os 32 anos de experiência autárquica conferem a Caeiros “equivalências suficientes para a obtenção de seis licenciaturas, quatro mestrados e três doutoramentos honoris causa”. De destacar a “licenciatura em Paleontologia Política” e o “mestrado em Feira de Castro”, reconhecidos pelo Ministério da Educação. O mesmo relatório afirma ainda que, comparando com Fernando Caeiros, “Miguel Relvas tem o perfil académico de um estagiário borbulhento do McDonald’s”.

31 Diário do Alentejo 27 julho 2012

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Inquérito

Caro aluno de Erasmus, que balanço faz da sua estadia em Beja? PETER SORENSEN, 22 ANOS Antigo campeão intercontinental de curling sub-18

Vai

estudar

Relvas!

Não me dei lá muito bem. O meu maior obstáculo foi o calor. Sinceramente, não sei como é que vocês aguentam. Dias em janeiro com 16 e, às vezes, 17 graus? Tinha de me meter numa banheira com cubos de gelo. Na rua só andava de sandálias e t-shirt. Mesmo assim transpirava mais do que o Isaltino Morais a fugir da prisão. Também não me consegui dar muito com as pessoas de cá. Onde é que já se viu uma cidade que se diz evoluída e nem uma pessoa fala dinamarquês?

MARTINA MECKLENBURG-VORPOMMERN, 21 ANOS Fundadora do clube de fãs de Milli Vanilli na Cabeça Gorda

Vacas alentejanas associam-se ao protesto contra o ministro Relvas

Incêndios: piloto que amarou avião na barragem do Roxo afirmou que tentava fugir de um tsunami Um avião da Proteção Civil, que estava a participar no combate aos incêndios no Algarve, acabou por amarar na barragem do Roxo quando tentava reabastecer-se de água. Ao que apurámos, o alerta terá sido dado, em código morse, por uma brigada de cabras anti-incêndios. O piloto saiu ileso e a primeira coisa que disse quando chegou ao hospital foi que amarou o avião porque teve de fugir a um inesperado tsunami na barragem do Roxo. A versão do piloto ainda levantou suspeitas de traumatismo craniano, mas uma testemunha que presenciou a manobra corrobora esta versão: “É verdade,

sim senhor. É raro o dia em que não há um tsunami aqui no Roxo… Regra geral, acontece quando a Otília Tallon vem tomar banho à barragem. De vez em quando ela lembra-se de mergulhar do paredão, o que não seria um problema se ela não pesasse 183 quilos e medisse menos de um metro e sessenta. É com cada tsunami que não lhe digo nada! O último atingiu a freguesia de Messejana – aquilo foi tão mau que a carrinha de caixa aberta do meu primo foi parar a Alcácer do Sal!”, acrescentou o senhor José, pescador que ostentava 12 douradas pescadas no Intermarché de Aljustrel.

“Bode respiratório” – O “emigrola” A pedido dos nossos queridos e imensos seguidores, e depois de inúmeras petições públicas que entupiram as caixas do correio da Assembleia Distrital e do “Diário do Alentejo”, a Não confirmo, nem desminto decidiu apresentar, a partir de hoje, a crónica das crónicas. O seu título, “Bode respiratório”, um trocadilho de enorme criatividade e profundidade com a expressão “Bode expiatório”, levou quase dois dias a engendrar, mas aqui está, cheio de força e pronto para rebentar com o espírito crítico dos nossos leitores... Nesta primeira edição dedicamos a nossa visão raio x a esse grande espécime da raça humana que é o “emigrola”. Julho e agosto são meses dedicados aos emigrantes que, aos milhares, aproveitam as férias para visitar família e amigos. Portugal sempre foi um país de emigrantes. A grande maioria é gente honesta e trabalhadora. Contudo, há dentro deste grupo uma categoria que exige a atenção das autoridades competentes: o “emigrola”.

Adorei, é muito diferente da minha Alemanha. Aqui em Beja há tempo para tudo: às 9 e 30 horas já eu tinha dado uma caminhada à volta da cidade, ido ao banco, às compras, telefonado à família, estudado para as frequências e feito croissants caseiros. Vocês nem têm noção da qualidade de vida! Na Alemanha não tenho tempo para nada: a vida é tão preenchida que mal me lembro da última vez que vi a minha mãe. Recordo-me de ver tudo enevoado e de uma senhora me cortar o cordão umbilical, depois disso foi tudo uma confusão…

GIORGOS BUSCAPOULOS, 20 ANOS Enteado de Demis Roussos Gostei muito e espero ficar por cá. Vocês aqui levam uma vida de luxo que nós na Grécia invejamos profundamente. Ordenado mínimo de quase 500 euros? Não sei como é que cada um de vocês não tem um Bentley e uma mansão na Colina do Carmo. Além disso, a viagem para a Grécia é muito difícil. Eu que o diga! Cheguei cá a nado em cima de uma tábua de engomar... Só trazia a roupa do corpo e um boião de cinco litros de iogurte grego.

O “emigrola” (junção inapropriada das palavras emigrante e gabarola) é uma raça em crescimento acelerado. Os homens e mulheres desta espécie apresentam características muito específicas que importa apontar: um delas é a tendência para acrescentar termos estrangeiros a frases tipicamente portuguesas, o que lhes confere um aspeto “pseudo-cosmopolita”. Vejamos o caso francês: “Ó Raoul, sai de ao pé da fenêtre!!! Nã faças isso que dás cabo da maison do teu padrinho!!! Mauvais, mauvais, mauvais, mauvais!!!! (Mau, mau, mau, mau!!!) Estás aqui, estás trancado na voiture blanche do teu pai!!!”. Além disso, alguns “emigrolas”, sobretudo os oriundos de França, gostam de terminar cada frase com uma espécie de interjeição que soa como um ããhh (exemplo: “O que é que tu vais levar à festa da aldeia, ããhh??”), som que já foi classificado pela equipa do BBC Vida Selvagem como um perigoso e inovador registo sonoro que pretende estabelecer normas de conduta para rituais de acasalamento com outros “emigrolas”. Do ponto de vista físico, o homem “emigrola” diferencia-se através de um rabicho de cabelo que desce pela nuca. Este bocado de “caule capilar” serve para “dar estilo” e acrescentar um ar distinto. Se o dito rabicho tiver menos de cinco centímetros, existem fortes hipóteses de se tratar de uma colónia de ácaros; se for superior, pode servir para guardar a coleção de traças ou a discografia completa do Tony Carreira. Já a mulher “emigrola” caracteriza-se por usar calções preferencialmente

brancos e extremamente curtos. Estudos feitos pelo Instituto Ricardo Jorge, em parceria com a revista “Mariana,” dizem-nos que o grau de bom gosto destas mulheres varia de forma proporcionalmente inversa à quantidade de celulite que tenham nas pernas. Ou seja, quanto mais celulite as “emigrolas” tiverem nas pernas, menor será o grau de bom gosto que se manifesta de variadíssimas formas: na maneira de vestir, falar e interagir com membros de outras espécies. Por último, e mais importante, é o carro de um “emigrola”. Sabemos que o veículo já foi alvo da “xunguice do emigrola” (aquilo a que os especialistas chamam de tunning) se tiver matrícula estrangeira, estiver pintado de roxo vivo e ostentar um CD no espelho retrovisor. Contudo, há que ter cuidado! Se um “emigrola” se apresentar com um automóvel de alta cilindrada, que não tenha sinais de “xunguice”, e passar a vida a dizer que “o carro é dele”, isso significa mesmo que o bólide foi alugado imediatamente antes de passar a fronteira. O que fazer quando encontrar um “emigrola”? Nada. O “emigrola” não tem cura. Contudo, nos casos em que se manifestem os sintomas acima referidos de forma exacerbada, existe um velho ritual que consiste em bater repetidamente com a sua cabeça na quina de uma mesa de pedra e, seguidamente, jogá-lo para dentro de uma piscina com pregos. Dizem que o “emigrola” acalma logo.

Ediçao N.º 1579  

Diario do Alentejo

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