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Um grupo farmacêutico escocês está a apostar na cultura da papoila no Alentejo para produzir morfina. Este investimento poderá implicar a criação de postos de trabalho, mas não é a perspetiva de um emprego que anima os locais. Os alentejanos pretendem deitar a mão à morfina para amenizar a dor provocada pela intervenção da troika em Portugal: “Acho que com a morfina iria ter muito mais qualidade de vida… Não sentiria nada. Isto são tempos muito difíceis… Dói muito ver o estado a que chegámos… Desde há um ano que bebo uma garrafa de amarguinha por dia – ando mais dormente que o Vítor Gaspar, e se me tem ajudado! Mas ao contrário do que possam imaginar, não estou bêbado: tenho perfeita consciência de tudo. Por exemplo, acho uma afronta que as duas Angelas Merkels tenham visitado o nosso país”, declarou um alentejano ofendido

31 Diário do Alentejo 16 novembro 2012

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Menos nascimentos no Alentejo: Autoridades lançam kit de apoio à natalidade “Menos refundação, mais procriação”

Postos degradados da GNR usados por forças de segurança para treinar cenários pós-apocalípticos

Gostava de estimular a sua vida sexual mas não sabe como? Está interessado em terminar um ato sexual sem se deixar dormir a meio? Já não se excita com a imagem de George Clooney e/ /ou Uma Thurman completamente despidos e barrados com Nutella? Então os seus problemas podem estar a terminar. Para combater os dados revelados recentemente que dão conta de um decréscimo dos nascimentos no Alentejo, as autoridades locais irão lançar um kit de apoio à natalidade intitulado “Menos refundação, mais procriação”. O mesmo inclui os mais variados utensílios preparados para despertar a sua libido, como: o conto erótico “O Vai-Vem no Aeroporto Internacional de S. Brissos” (existe mesmo, vá a maisbolos.blogs.sapo.pt); algemas; uma tanga de pele de ovelha; uma embalagem de lubrificante (manteiga de cor); um CD da Bonnie Tyler; e uma edição do Kamasutra Alentejano, com prefácio de Maria de Lurdes Modesto, que inclui posições como “o camponês invertido”, “a postura da charrua” ou “a posição da osga no verão”. As nossas fontes confirmam que se apresentar este kit na receção da pensão Garganta Funda terá ainda direito a um desconto de 25 por cento no fim de semana e a um conjunto de toalhas lavadas.

Foi mais uma vez notícia a falta de condições registada em muitos postos da GNR da região. Alguns edifícios que albergam aquela força de segurança encontram-se em avançado estado de degradação: “Já não bastava as nossas viaturas só ligarem quando damos à manivela junto do para-choques, agora também temos esta chatice com os postos”, desabafou o cabo Torresmo. Mas, ao que parece, vislumbra-se uma luz ao fundo do túnel, e a degradação dos edifícios começa a ser vista, agora, como uma oportunidade: forças de segurança de todo o mundo pretendem usar aqueles espaços para treinar possíveis cenários pós-apocalípticos – recorde-se que segundo a previsão dos Maias, o mundo pode acabar em dezembro. “Os Maias são capazes de ter razão. Quando vou ao Continente comprar brinquedos em dezembro para o meu mais novo também fico com aquela sensação de fim do mundo…”, explicou o cabo Farinheira. Mesmo assim há quem defenda que os edifícios deviam ficar como estão: “São uma mais-valia para a nossa região”, explica o cabo Morcela. “O meu posto está tão degradado por fora que os turistas perguntam se se trata de uma réplica da Casa dos Bicos em Lisboa. Por outro lado, são locais muito mais seguros: um meliante que esteja preso nas nossas instalações e tente fugir não tem hipóteses. Nós nem temos de mexer uma palha! Basta esperar que lhe caia um bocado de teto em cima para ficar imobilizado...”.

Comunidade de abutres-pretos congratula-se com a criação de campos para alimentação: “Já estávamos fartos de só jantar Nestum!” A criação de campos para alimentar abutres-pretos por parte da Liga para a Proteção da Natureza (LPN) está a sensibilizar a comunidade destas aves necrófogas. “As pessoas não têm noção, mas nós também sofremos muito. Fizemos como a Isabel Jonet disse e começámos a adaptar o nosso estilo de vida empobrecendo bué… Temos de poupar, nunca se sabe quando terei de fazer um RX ao bico. Vejam lá, para meter comida na mesa das nossas crias até vendi os meus discos dos The Birds e os bilhetes para os The Eagles… O quê? Se estamos contentes por criarem os campos na Margem Esquerda do Guadiana? É claro que sim, estamos muito contentes… Agora podemos almoçar em Serpa e jantar presunto em Barrancos. Além disso, já estávamos fartos de só jantar Nestum, como muitos portugueses. Já era tempo de olhar para nós com outro respeito. Nós também estamos em extinção, não são só aqueles bandalhos dos linces… Mas pronto, como têm boa imprensa… Agora se não se importam, vou petiscar uns carapaus fritos com gaspacho. Abençoados sejam, bacanos da LPN!”, confidenciou-nos um abutre-preto.

Inquérito Cabrito do Alentejo passa a ser considerado produto protegido pela Comissão Europeia. Como vê esta decisão?

HERLANDER ADUBO, 82 ANOS Pastor e agricultor que acha que o FarmVille é uma conspiração extraterrestre Com muita alegria! Acho que deve ter sido a melhor decisão que o Durão Barroso patrocinou durante a sua vida política. Consta que ele ainda tentou inserir o Santana Lopes na lista de produtos de Denominação de Origem Protegida (DOP), mas disseram-lhe que não podia ser porque já lá estava o Rui Gomes da Silva. Mas o cabrito é muito bem reconhecido, sim senhor. É mais saboroso e come menos ração que o Gomes da Silva.

SALVADOR CAPRINO Fã de Justin Bieber Foi uma surpresa muito grande! Só o ter sido nomeado na categoria de “animal com a carne mais suculenta” já é uma honra… Ainda há meses mal me punha de pé, e hoje estou na mesma categoria do cordeiro mirandês ou da lebre de Vila Ruiva. Aproveito esta oportunidade para agradecer a Deus, à minha mãe, ao meu agente, aos meus seguidores no twitter e ao senhor que fornece ração sem gluten (sou alérgico!). Sem vocês estava condenado a emigrar! Muito obrigado!

BERNARDO SUÍNO Fã de Valentina Torres e Armando Gama Pois, uma tristeza... É o país que temos, uns são filhos das cabras e outros são filhos das porcas… O presunto de Barrancos é produto DOP, mas o porco preto há de ser sempre visto como um parente pobre. O meu pai acabou como presunto de Barrancos, o meu avô tornou-se presunto de Barrancos, o meu bisavô fugiu com uma vaca espanhola, e acabou como presunto de Aracena do lado de lá da fronteira… Eu gostava de seguir a tradição familiar mas não me dão condições. Não tenho compadrios na Comissão Europeia, nem bolsa de estudo para ir lá p’ra fora.

Ediçao N.º 1595  

Diario do Alentejo

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