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A escalada dos preços dos combustíveis está a dificultar, e muito, a vida dos portugueses. Uns já começaram a vender partes do corpo para poderem comprar gasolina. “Afinal, para que é que precisamos das córneas?”, questionam. Mas até na nossa região estas dificuldades se fazem sentir. Prova disso é o crescimento do carpooling – sistema de partilha de transporte para ver se se poupa no “gasoil”. Já há várias personalidades locais que aderiram a esta prática, mesmo aquelas que andam desavindas: Pulido Valente e Rodeia Machado vão no mesmo carro para as reuniões da assembleia municipal, mas separados por uma rede eletrificada, enquanto que Miguel Góis vai numa carrinha de nove lugares com grupos de teatro da região que estão à espera dos subsídios desde as invasões visigóticas.

31 Diário do Alentejo 13 abril 2012

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Em Bom Alentejano: toino ou parvo?

Coveiros do Alentejo obrigados a ter licenciatura em Português/Inglês A notícia de que Fernando Caeiros não poderá ser reconduzido como gestor na InAlentejo por não ser detentor de uma licenciatura deixou os atores políticos da região de boca aberta. Afinal Caeiros foi presidente da Câmara de Castro Verde durante 30 anos e tem mais experiência no dedo grande do pé do que a maior parte dos consultores e assessores da administração pública juntos. Fonte da InAlentejo relatou-nos o desconforto vivido na instituição: “Foi uma situação chata... E tudo porque o sr. Caeiros não tinha um daqueles cursos tirados ao domingo… Nem sequer um curso de origami da CEAC. Mas é uma diretriz do Estado que temos de respeitar: têm de ser licenciados mesmo que escrevam frases como ‘Estás a ver o que fizes-te’ ou ‘Em ambas as três vezes que fiz a quarta classe...’”. Todavia, segundo apurámos, este não é um caso único, já que será obrigatório obter graus académicos para exercer outras profissões: os coveiros serão obrigados a ter uma licenciatura em Português/Inglês, para discutirem mais facilmente com aqueles médiuns estrangeiros que falam com os mortos, e os varredores deverão ter pós-graduação em Saneamento, Meio Ambiente e Recursos Hídricos pela Universidade de Oxford, Sorbonne ou de São Teotónio.

Inquérito

Fim das reformas antecipadas Governo proíbe trabalhadores de falecerem até aos 65 anos O Governo anunciou o fim das reformas antecipadas, sem dar cavaco a ninguém, exceto ao próprio Cavaco que promulgou esta decisão. Parece que a corrida às reformas antecipadas tem depauperado os cofres da Segurança Social mais depressa do que o Malato despacha uma caixa de azevias de grão. Contudo, o Executivo promete aplicar mais medidas duras e já decidiu proibir os trabalhadores portugueses de falecerem antes dos 65 anos – idade da reforma – nem que trabalhem ligados à máquina ou com um desfibrilador à mão. “Pode parecer uma medida fria, mas só pretendemos garantir a sustentabilidade da Segurança Social para que todos possam

continuar a usufruir da miséria que ela distribui”, confidenciou-nos fonte do Executivo que nos pediu anonimato enquanto mudava o óleo à sua Vespa. “E para aqueles que se armarem em espertos e se lembrarem de falecer antes dos 65, fiquem desde já a saber que o Governo irá obrigá-los a apresentar um impresso azul no Céu ou um impresso encarnado no Inferno para que possam continuar a pagar as suas contribuições… A não entrega do documento implica uma multa pecuniária e a deslocação por tempo indeterminado para um local onde se ouvem músicas do Vitorino com o Septeto Habanero 24 horas por dia, também conhecido como Purgatório”.

Está de regresso mais uma edição do Em Bom Alentejano, a rubrica linguística de maior sucesso na imprensa portuguesa (incha, Edite Estrela!). Muito obrigado às quase três pessoas que acharam alguma piada à primeira edição. Vamos debruçar-nos sobre o termo mais indicado a utilizar: devemos dizer “toino” ou “parvo”? Estes dois termos são muito aproximados já que significam quase a mesma coisa, ou seja, referem-se a alguém que tem o QI de um bloco de xisto ou que prefere comprar Panrico em vez de pão alentejano. Então como podemos distinguir? Do seguinte modo: o senhor vice-presidente da Ryanair que disse que em Beja “não há nada para além do aeroporto” e que o aeroporto “não deveria” ter sido construído está armado em “toino”, ainda mais quando esta afirmação vem de uma companhia aérea que é capaz de meter os passageiros num avião sem lugares sentados, agarrados a um varão como no metro, se isso representar uma poupança de 50 cêntimos; por outro lado, aqueles que acham que o aeroporto de Beja é a melhor coisa que se fez no mundo ocidental nos últimos 50 anos e que Beja é uma espécie de Tóquio caiada de branco também estão a ser um bocadinho parvos, porque isso significaria que em Beja haveria mais sítios onde comer sushi e andaríamos todos de Toyota, o que, segundo vi quando olhei pela janela, não acontece. Atenção: não confundir estes termos com a expressão “deslembrado” que pode significar “esquecido”, “parvo”, ou as duas coisas em simultâneo, dependendo do contexto: um tipo que se esquece das chaves em casa é “deslembrado” (esquecido); uma pessoa que faz uma açorda com salsa em vez de coentros é “deslembrado” (esquecido e parvo) e devia levar com um barrote nos queixos. Assim se escreve Em Bom Alentejano!

Uma empresa de manutenção de aviões vai investir cinco milhões de euros no aeroporto de Beja e criar 100 postos de trabalho. Está contente?

FIRMINO MARIA COCKPIT, 43 ANOS Pessoa que perdeu a virgindade com uma torta de morango

OLEGÁRIO FELICIDADE SUPREMA, 26 ANOS Apreciador de ovo mexidos com gomas

ALFREDOVELHO DO RESTELO, 76 ANOS Autor da frase “antigamente é que era”

Eu cá sou daquelas pessoas que precisa de ver para crer. Aqui o Firmino já está farto de promessas não cumpridas, como aquela do detergente da loiça em que basta uma gota para lavar 300 pratos. Ainda me lembro da história da fábrica de pilhas chinesa que depois não se concretizou, o que foi uma pena… Eu já só compro pilhas chinesas, são muito melhores do que as europeias… Os miúdos de Sichuan estão a trabalhar muito bem! Se há coisas de que o Firmininho percebe é de pilhas e do jogo Angry Birds. Só é pena que as senhoras não entendam o seu sex appeal…

Estou tão contente que quando soube da notícia até tomei banho. Foi a melhor coisa que aconteceu a esta cidade desde que as senhoras começaram a usar saia acima do joelho. Já estou a imaginar… O dinheiro vai jorrar por aí até mais não! Agora o que calhava bem em Beja era abrir uma espécie de Beja Aquática mesmo nas portas de Mértola. Os buracos já estão feitos e era de aproveitar. Podia montar-me no escorrega junto ao Pax Julia e descia ao pé do Luiz da Rocha. O que faz falta a esta cidade é pessoas como eu que pensam no futuro e que fumam coisas estranhas…

Contente? Mas precisamos daquilo para quê? Só para criar confusão, é o que é! O que é que querem? Deixem-se estar mas é sossegados e não arranjem moengas. Beja sempre foi uma cidade pacata, apesar do desemprego. Agora com 100 postos de trabalho é que esta cidade vai acabar de vez… Já estou a ver: carros a circular às oito da noite quando já deviam estar na cama; pessoas que vêm de fora para trabalhar por cá e só trazem coisas más como o dinheiro, as drogas ou a hepatite C. Eu estou a avisar...

Ediçao N.º 1564  

Diario do Alentejo

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