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O western português “Estrada de Palha” está a causar sensação no mundo da 7.ª Arte. O filme foi rodado na serra da Estrela e, sobretudo, no Alto Alentejo, o que pode abrir a porta a um novo conceito cinematográfico: depois dos “Western spaghetti” – filmes de cowboys realizados por italianos – chegam os “Western migas de entrecosto” – filmes de cowboys realizados no Alentejo e em que os atores só comem migas nos intervalos das filmagens. Trata-se ainda de um conceito embrionário, mas que promete fazer furor no cinema nacional, já que, quando comparado com qualquer filme do Manoel de Oliveira, “Estrada de Palha” parece um videoclip dos Prodigy.

Diário do Alentejo 6 julho 2012

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Inquérito O Festival do Sudoeste tem o cartaz fechado. O que acha do cartaz deste ano?

EDUARDO OPTIMUS ALIVE, 32 ANOS Crítico musical da revista “Oficinas Auto da Freguesia de Quintos” Fraquinho, muito fraquinho. Falta lá uma Romana, um Michel Teló, mesmo uns Trigo Limpinhos, qualquer coisa que animasse o pessoal. Na única vez que fui ao Sudoeste estava tanto calor que o Marilyn Manson derreteu um bocado em palco. Tiveram de o enxertar com aquela gosma de que ele é feito. Agora, para que é que vou a esse festival quando há tão bom entretenimento na minha cidade? O festival de verão da Voz da Planície foi um sucesso! Iran Costa e José Reza no mesmo palco?! Oh filho, eu dizia que dava em ma-lu-ca!

HUMBERTO SUPER BOCK SUPER ROCK, 45 ANOS Reputado melómano que sobreviveu a um melanoma O cartaz parece-me jeitoso, se bem que tenho saudades de rever outros grandes artistas que passaram por aqui: nunca mais me esqueço da versão do “Lá vai a cegonha” dos Massive Attack ou do “Lírio Roxo” interpretado pelos Placebo. Isso sim, grandes artistas! Gostava muito que viesse cá a Annie Lennox… Adorava vê-la atuar, mesmo quando parece que sofreu uma intoxicação alimentar. A minha música favorita dela é aquela dedicada a Ficalho. Arrepio-me quando ela canta: uuaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaiii!!!

ELISETE MARÉS VIVAS, 68 ANOS Pessoa que está a tentar livrar-se do vício em Lauroderme O quê? Nem me fale desse festival! Agora todos os anos levamos com os Xutos? Eles estão para este festival como a Ivete Sangalo está para o Rock in Rio, com a vantagem de que o Tim tem menos celulite nas coxas. Ando farta do Sudoeste e dessa juventude que por aí anda, com as suas tendas de campismo e as sandálias de enfiar no pé. A “espalhar uma mensagem de paz, amor e convívio…”. Tretas! A única coisa que os miúdos dessa idade sabem espalhar é clamídia!

Livro sobre Cameirinha lançado este mês será o primeiro de 125 volumes

Será publicada na biografia um exemplar inédito de uma nota de mil escudos com a efígie do comendador – um produto exclusivo da Planeta DeAgostini

Será lançada, durante este mês, uma biografia de Leonel Cameirinha, da autoria de António José Brito, jornalista e diretor do “Correio Alentejo”. Esta iniciativa pretende assinalar o aniversário do grupo liderado pelo comendador, cujo primeiro negócio, tal como noticiámos nesta página, foi a venda de pedras para o Castelo de Beja. Ao que apurámos, a obra completa terá versões em português, tétum, aramaico e línguas khoisans, aquelas línguas africanas com os estalidos da língua. A vida do empresário bejense foi de tal modo preenchida que a biografia será dividida em 125 volumes, com títulos como: Cameirinha Aprende a Fazer Vinhos com os Romanos; Cameirinha e a Primeira Reunião com Armand Peugeot; Cameirinha e os Negócios com El-Rei D. Dinis; e Cameirinha na Política: do Marquês de Pombal a Jorge Sampaio. De referir ainda que, durante a apresentação, será feita uma recriação histórica do primeiro telefonema que o empresário recebeu da parte de Alexander Graham Bell.

Beja é a 16.ª melhor cidade do País para viver e promete não descer para a segunda divisão Um estudo da DECO (a Associação de Defesa do Consumidor e não o futebolista que ainda joga com recurso a um andarilho) elaborou um estudo sobre as melhores cidades do País para viver. Viseu ficou em 1.º lugar, destacando-se pela rede viária, espaços verdes e a extrema qualidade da tinta para o cabelo usada pelo seu autarca. A cidade de Setúbal ficou em último lugar, destacando-se nas categorias “Onde se come melhorrr sarrrdinha e carrrapau frrrito” e “Cidade que merrrece todo o rrrespeito pois foi aí que nasceu o Toy”. Já a capital do Baixo Alentejo ficou num dececionante 16.º lugar, todavia os autarcas prometem ir à luta: “A consternação por esta classificação é muita, pois consideramos que Beja tem capacidade para muito mais, inclusive permanecer na primeira divisão e, quem sabe, ir a uma prova da UEFA…”, como nos confidenciou fonte da câmara. Apesar da má prestação, Beja foi reconhecida nas categorias de “Melhor cidade para entrar em stress no trânsito, apesar de haver pouquíssimo tráfego” e “Melhor cidade para quem aprecia odores vindos de matadouros, lagares e bagaceiros”.

Em Bom Alentejano “Já as mamou” ou “Foi enxertado”? Caro leitor, eis mais uma edição de “Em Bom Alentejano”, a rubrica que já é um sucesso no Pomarão e no Canadá. Passemos, pois, à análise de mais uma dificuldade linguística. Qual das expressões é a mais correta: “Já as mamou” ou “Foi enxertado”? Regra geral, significam o mesmo, ou seja, que alguém foi alvo de uma agressão física, ou por ter ficado a dever dinheiro de um prato de caracóis, ou porque tentou apalpar a prima que veio de Lisboa e tem a mania, como se pode observar nas frases: “Olha, o bicho d’um raio já as mamou que é para não se armar em cão” ou “Parece que o burcalho foi enxertado e ainda levou poucas”. Todavia, o seu significado não se fica por aqui, já que também se pode dizer “Bebi uma mini a mais, e a parede chumbou-me o capot do Range Rover que foi enxertado pelo bate-chapas”. Estas não são, contudo, as únicas expressões relativas a esta temática. Caso pretenda variar o seu vocabulário e mostrar que é um verdadeiro conhecedor do magnânimo dialeto alentejano, poderá sempre dizer: “O magano levou uma vardascada” – levou no toutiço com uma vara – ou “Se me chateias, levas uma fuêrada nos cornos…” – se me continuas a maçar, inflijo-te uma pancada forte e eficaz na cachola. Assim se fala “Em Bom Alentejano”.

Ediçao N.º 1576  

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