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O Orçamento do Estado para 2013 (também conhecido como o Apocalipse em Excel) continua a ser alvo de discussão acalorada. Na última edição do “DA”, foi notícia o facto de, segundo o OE, cada habitante de Beja valer 300 euros. Contudo, segundo apurámos, esta é mais uma previsão inflacionada do Governo, como nos confirmou o especialista em economia paralela Alfredo Evasão Fiscal: “No mercado negro consegue-se arranjar um habitante de Beja a metade do preço. Na net também é fácil arranjar promoções excelentes. Ainda há dias era possível comprar dois bejenses pelo preço de um, ou comprar bejenses com pequenos defeitos como falar à sopinha de massa ou ter a pele encardida por andar à apanha da bolota”, afirmou, acrescentando que na época de saldos não é difícil encontrar a oferta de uma empregada de limpeza moldava na compra de quatro bejenses.

31 Diário do Alentejo 2 novembro 2012

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Turismo do Alentejo avança com candidatura do porco doce do Luiz da Rocha a Património da Humanidade Há mais de duas horas que o Alentejo não manifestava a intenção de candidatar ícones da região a Património da Humanidade, até que a redação da nossa página foi surpreendida com um fax entregue por um pombo-correio dando conta da intenção de a Turismo do Alentejo avançar com mais uma candidatura junto da Unesco: depois do cante, do montado, da arte chocalheira das Alcáçovas, dos tapetes de Arraiolos, da tapeçaria de Portalegre, das festas do povo de Campo Maior, das jangadas de São Torpes, da imperial do Lebrinha, das ameijoas da Zambujeira, do pão de São Miguel do Pinheiro e da manteiga de cor de Ervidel, chegou a vez do porco doce do Luiz da Rocha. “O porco doce respeita a tradição de preservar a doçaria alentejana e contribui para o crescimento sustentável do pneu do alentejano. Disponível em tamanho pequeno e grande, esta iguaria terá em breve uma versão light e outra com sabor a tremoços e cerveja”, explica o relatório de candidatura do porco doce, todo feito em massapão e recheado com trouxas de ovos.

Media: Grupo angolano compra “Diário do Alentejo” e obriga Paulo Barriga a usar carapinha A vida continua difícil para os media portugueses que veem alguns dos seus títulos vendidos a empresas estrangeiras. Na passada semana foi anunciada a compra da Controlinveste por parte de um grupo angolano, do qual nunca se ouviu falar – a única coisa que se sabe realmente é que é dirigido por uma empresária cujo nome começa com um I, acaba em S, e no meio tem as letras, colocadas de forma aleatória, “sabel dos Santo”. Agora ficámos a saber que esta fúria compradora chegou também à nossa região – correspondente da nossa página no Bié apurou que este jornal irá ser comprado por angolanos e sofrerá duas transformações fundamentais: irá passar a chamar-se “Diário do Malanje” e Paulo Barriga será forçado a usar carapinha e a escrever editoriais laudatórios ao governo angolano, estando expressamente proibido de se referir a Cabinda. Além disso, estão previstas outras pequenas mudanças: o chefe Nobre só poderá fazer receitas de muamba, desde que não seja à moda de Cabinda; esta página passará a chamar-se Ripa na Rapaqueca e poderá fazer piadas sobre tudo menos o pau de Cabinda; a necrologia só poderá colocar fotos de falecidos da Unita, Bob Geldof e Pedro Rosa Mendes, desde que não tenham morrido em Cabinda; e a secção de filatelia fará uma evocação dos selos relativos aos caminhos de ferro angolanos, menos daqueles que passam por Cabinda. Tomámos, ainda, conhecimento de que as rádios de Beja serão igualmente compradas e rebatizadas: a Voz da Planicíe passará a designar-se Rádio Voz do Moxico e a Pax será renomeada Rádio Kuando-Kubango – ambas emitirão kizomba e o “Best of Bonga” 24 horas por dia.

Inquérito O aeroporto de Beja está sem voos há três meses. O que acha desta situação?

Cebal tenta descobrir o código genético do sobreiro: Comissão Nacional de Proteção de Dados já se insurgiu contra o que poderá ser uma devassa da vida privada de cada sobreiro É já a partir de 2013 que o Centro de Biotecnologia Agrícola e Agroalimentar do Baixo Alentejo (Cebal) irá fazer parte de um grupo de investigação que pretende descobrir o código genético do sobreiro. Todavia, este avanço científico está a ser visto com muita desconfiança e preocupação pela Comissão Nacional de Proteção de Dados (CNPD), que teme pela vida privada de cada árvore, e por alguns sobreiros, como nos revelou um exemplar que pediu anonimato: “Desde o abate ilegal de sobreiros relacionado com o caso Portucale – o nosso holocausto – que não andava tão nervoso… Se descobrirem o nosso código genético, como é que nos vamos proteger? O que é que esses cientistas têm a ver com o facto de eu enganar a minha mulher com um pinheiro-manso? Já viu se a máfia da cortiça tem acesso ao nosso código genético? O poder que vai ter sobre nós? As ameaças que nos faziam de nos contaminar com pragas de lagartas-do-sobreiro vão ser uma coisa de meninos…”, declarou-nos enquanto regava o seu eucalipto de estimação.

CLARISSE HOSSANA, 75 ANOS Colecionadora de helicópteros Puma Oh filho, fico muito triste! Eu ajudo da única maneira possível: rezando. A Assunção Cristas rezava por chuva para os agricultores… Eu rezo para que caia uma chuvada de aviões no nosso aeroporto – Antonov’s, Boeing’s, aviões de papel, Cessnas… Não neguem o poder da oração. Numa caminhada para Fátima senti-me com falta de açúcar no sangue, rezei e caiu uma chuvada de bombons Allegro. Agora ando a rezar por uma chuvada de Tonys Carreiras, mas até agora só cairam dois Davides Carreira. Tenho que insistir…

ROGÉRIO HEATHROW BARAJAS, 36 ANOS Blogger que acha que as pessoas fora de Lisboa só comem palha É por demais evidente que esse tipo de investimentos megalómanos dá sempre nestes buracos financeiros. Pelas minhas contas, cada passageiro do aeroporto de Beja fica mais caro do que uma sandes de caviar Beluga. Vejamos: se pegarmos no dinheiro investido e dividirmos pelo número de passageiros, e multiplicarmos pelo número de vezes que chamei ao aeroporto “elefante branco” e subtrairmos pelo número de vezes que lavei a boca no Elefante Azul na sequência das bacoradas que digo, verão que este empreendimento não tem pernas para andar!

CELESTINO INVESTIMENTO PÚBLICO, 28 ANOS Impulsionador do “Gangnam Style” na região É o resultado natural da falta de investimento na região. Isto só ia lá com uma autoestrada que ligasse Sines a Varsóvia, com seis faixas para cada lado, com uma linha de comboio integrada de bitola europeia, mais duas linhas de TGV, um teleférico de alta velocidade, sistema de teletransporte e carreiras recorrentes de neoliberais a transportar camponeses às cavalitas. Só assim se pode potenciar o aeroporto, o porto de Sines, o Alqueva e a indústria da sopa de alemece.

Ediçao N.º 1593  

Diario do Alentejo

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