Page 1

Realizou-se, no passado sábado, a Gala “7 Maravilhas – Praias de Portugal” que elegeu as sete melhores praias do país. Destaque para a eleição de duas praias alentejanas: Praia das Furnas, em Vila Nova de Milfontes, e a Praia da Zambujeira do Mar. Todavia, houve outras que ficaram de fora, como a Praia de Quintos, que ficou escandalizada com os resultados anunciados: “Pois, é sempre a mesma coisa… Umas são tratadas como paraísos na terra e outras nunca deixarão de ser tratadas como uma ETAR. É o país que temos!” A praia do concelho de Beja já terá exigido a recontagem dos votos, nomeadamente nas categorias de “Melhor praia sem dunas”, “Melhor praia sem ondas de 40 cm”, “Melhor praia com vista para Baleizão” e “Praia onde é menos provável apanhar Pé de Atleta”.

31 Diário do Alentejo 14 setembro 2012

eleiÇÕes s praias das melhore de portugal os exige a re t in u q e d ia pra s votos contagem do

facebook.com/naoconfirmonemdesminto

Bode respiratório: GPS, a semente do Diabo

Restauro em Igreja de Santa Clara do Louredo foi feito com recurso à técnica do “una os pontos” O semanário “Expresso” noticiou na sua

descrição «Redesenhe a cara do Messias -

última edição que uma Igreja de Santa

una os pontos do 1 ao 49», mas como me

Clara do Louredo foi alvo de um “res-

disseram que ele era pintor, não liguei

tauro”, nos anos 80, como aquele que foi

muito…”, afirmou o pároco. Quando

notícia em Espanha. O “Expresso” até

questionado se, naquela altura, não es-

perguntou “Terá Cecilia Giménez pas-

tava preocupado com a preservação do

sado por Beja para ‘restaurar’ pinturas?”

património, o Padre respondeu que não

(Ah ah ah, tens a piada de um ataque car-

percebia nada de património e acrescen-

díaco, oh “Expresso”! Ria-se, caro lei-

tou: “Sei que a Diocese não achou muita

tor, senão o “Expresso” começa a debi-

piada à coisa… Uns chatos… Veja lá

tar piadas dos Malucos do Riso…). Mas

que ainda tiveram a lata de me ameaçar

parece que não. Segundo consta, a pin-

quando quis substituir o altar por caixi-

tura de Jesus Cristo, datada do séc. XIX,

lharia de alumínio com vidros duplos. E

foi restaurada por um pintor a pedido

era muito mais barato e fácil de limpar

do Padre: “Eu achei estranho quando ele

do que aquelas madeiras, cruzes e outras

apareceu com um kit de pintura com a

cenas religiosas…”.

Inquérito

Prezado leitor, o assunto que lhe trago hoje é da maior importância. Trata-se de algo que está a minar este planeta e é, em última análise, aquilo que está a desregular esta sociedade e a transformá-la numa selva. Falo, como é evidente, dos aparelhos de GPS. Não há telemóvel, tablet, micro - ou mesmo canivete suíço que não tenha um sistema de posicionamento global. O meu telemóvel tem GPS, o que me deixou (inicialmente) satisfeito. Pensei quando o adquiri que “agora sim, nunca mais me perderia”, o GPS ajudar-me-ia a seguir, literalmente, o meu caminho… Nada de mais errado. Ao que parece, os sistemas de GPS são muito finos: têm de ter os mapas atualizados, as suas baterias têm de ser recarregadas a toda a hora, os seus chakras devem estar sempre alinhados, e chantageiam-nos com idas a restaurantes requintados se queremos que nos deem indicações corretas…, enfim, precisam de muita manutenção! Estará o leitor a pensar, “isso és tu que não tens jeitinho nenhum para trabalhar com eles!”. Até pode ser, mas desconfio que o meu GPS me quer mal – se escolho a opção “caminho mais curto”, habilito-me a viajar por caminhos de cabras e a cruzar desfiladeiros agarrado a uma liana; se escolho a opção “caminho mais rápido de carro”, leva-me para autoestradas tão caras que quando o portageiro me pede o dinheiro, a minha vontade é entregar-lhe as chaves da viatura e dizer: “Vendido!”. Mas isto não é nada… Numa recente ida a Lisboa, o meu GPS aliciou-me, por várias vezes, a seguir por sentidos proibidos e ruas cortadas, para além de me incentivar a atropelar lisboetas que contam (mal) anedotas de alentejanos. A seguir, a meio da Ponte 25 de Abril, a senhora de voz metalizada dentro do aparelhómetro disse-me “Vire à direita.” – Ora, eu sei que, às vezes, posso ficar um

pouco deprimido, mas também não é motivo para tanto… Além disso, numa autoestrada, insistiu comigo para fazer inversão do sentido de marcha! Em contramão? Numa autoestrada? Não acredito em teorias da conspiração, mas tenho quase a certeza que o meu GPS me quer transformar num daqueles idosos que conduzem veículos que não exigem a posse de carta de condução… Depois, as vozes do GPS são impessoais e sem piada. Deviam ser vozes mais familiares… Por exemplo: um GPS com voz de alentejano teria a sua piada – “Siga pelo IP8. Se não fossem os sucessivos governos, ia na A26.” Melhor ainda se a voz fosse de um daqueles alentejanos que ficam muito nervosos quando têm de ir a Lisboa, já que quando estivéssemos a 25 km da capital o mais provável seria ouvir: “Este trânsito é demais p’ra mim… O quê? Onde é que eu tenho que virar? Vamos para aonde? Estamos completamente rodeados… Autodestruir! Autodestruir!”… E, claro está, também seria imprescindível um GPS com a voz de Vitor Gaspar, para andarmos sempre na linha e aumentarem os acidentes por dormir ao volante: sempre que nos enganássemos no trajeto, soaria a mensagem automática – “O seu novo percurso será recalculado quando pagar as dívidas às finanças ou aceitar novos valores do IMI.” Todavia, o mais provável seria que quando Vítor Gaspar acabasse uma frase, já tivéssemos chegado ao destino: “Vi… re… à… es… quer…” e de repente tínhamos chegado à Zambujeira do Mar, vindos de Oslo... Caro leitor, porque raio é que temos de clamar por alguém que nos oriente? Está mais que visto que se existissem GPS na época dos descobrimentos nunca teríamos chegado à Índia! Está na hora de lutar, uma vez mais, pela nossa independência… Nós conseguimos orientar-nos e escolher os nossos destinos! Não precisamos de uma máquina que nos diga para onde se deve ir… É altura de recomeçar a seguir as indicações das placas.

Vai festejar o Dia Internacional para a Preservação da Camada de Ozono (16 de setembro)?

HUMBERTO GÁS NATURAL, 24 ANOS Pessoa que se gaba de emitir muitos gases para a atmosfera, especialmente depois de comer feijoada

PEDRO PASSOS COELHO, 48 ANOS Primeiro-ministro

BURACO DO OZONO, MAIOR DE IDADE, Fenómeno do Entroncamento

Eu cá não alinho nessas coisas. Para mim, essa coisa da camada do ozono é tudo um grande esquema para as pessoas não usarem sprays desodorizantes. Ah, não sei quê, porque faz mal ao buraco do Osório… E os fumos das fábricas, não prejudicam a camada do Osvaldo? E os escapes dos carros não são maus para a camada do otorrino? Qualquer dia nem se pode espirrar que a camada do Ozil fica logo constipada!

Amigos, como cidadão, pai e especialista em farófias, não podia deixar de festejar este dia da preservação da camada do Ozono. Ao que parece, até a camada do Ozono já conseguiu resolver, finalmente, o seu buraco. E nós também vamos conseguir! Estou certo que, todos juntos, o conseguiremos tapar… A dúvida é saber se nos livramos dele ou ficamos soterrados...

Nem me fale disso, que eu ando muito deprimido… Antigamente, ainda se recebia um subsídio para trabalhar como buraco, mas agora é só pagar impostos e levar com os raios ultravioletas no lombinho… Se isto continua assim, tenho de emigrar. Quem é que paga a escola e a comida dos meus buraquinhos? A minha mulher fugiu com o Buraco das Contas Públicas da Madeira, e eu tenho de me virar sozinho. Alguém sabe se Marte tem camada do Ozono que precise de um buraco? Posso fazer um part-time.

Edição nº 1586  

Diario do Alentejo

Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you