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Tem tempo para ler durante mais de cinco minutos? Está farto dos livros Uma Aventura e do Tio Patinhas? Então temos a solução para si. Apresentamos o Top 5 dos livros mais requisitados neste verão. 5.º – 1 500 receitas de atum (um manual que ensina a fazer os melhores almoços, lanches, jantares e sobremesas com atum, visto ser o único peixe que os portugueses têm dinheiro para comprar). 4.º – Mar de gente – 100 dicas para sobreviver na praia (aprenda a esquivar-se de bolas cheias de areia, a levar o iPad para o banho e a conservar sandes de mortadela durante um mês). 3.º – Cameirinha – A biografia (a história do empresário bejense e dos seus contactos no mundo: de Abraão a Cavaco). 2.º – Bom karma, de Alexandra Solnado (mais um conjunto de ensinamentos transmitidos por Ele através da autora, pois sempre fica mais barato do que chamadas interplanetárias). 1.º – As cinquenta sombras de Grey, de E.L. James (o livro erótico que faz as delícias das mulheres e tem menos pornografia do que o memorando da troika).

31 Diário do Alentejo 24 agosto 2012

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facebook.com/naoconfirmonemdesminto

“Em Bom Alentejano”: Obrar ou agachar? Diga lá, prezado leitor, estava cheiinho de saudades nossas, não estava? A “Em Bom Alentejano” – a rubrica linguística que ajuda alentejanos espalhados pelo mundo (e também na Bélgica) a expressarem-se no melhor dialeto da planície dourada – está de regresso. Nesta edição, totalmente dedicada ao excremento humano, questionamo-nos acerca do que dizer quando vamos fazer cocó: “Espera aí que vou obrar” ou “Espera aí que me vou agachar”? Depende do contexto: se o fizermos no campo, com as partes pudibundas ao vento, o termo “agachar” faz muito mais sentido, como o demonstra o exemplo “Vou-me agachar atrás daquele sobreiro. Assim deixo um presente ao magano do Abílio que costuma dormir ali a folga…”. Já o termo “obrar” remete para um ambiente mais seleto: uma frase como “Tenho de ir obrar. Estou com vontade desde os tempos da Reforma Agrária, mas só agora tive vagar.

Malditos suores frios!” deve ser usada quando fazemos as necessidades num recinto fechado, sem correntes de ar, ficando muito mais resguardados de doenças como a gripe ou a clamídia. Mas, imaginemos que está num convívio e pretende impressionar os amigos demostrando a sua cultura linguística a este nível… Neste caso, aconselhamos a utilização das expressões: “ir atrás do chaparro” (se o banquete for ao ar livre), “dar de corpo” (se quiser parecer atlético), “enviar uma carta para o Brasil” (se a estadia a defecar for demorada), “ir ali enviar um fax” (se, prezado leitor, se tratar daquilo a que os italianos apelidam de “cagatore fulminante”) e “estalar um golpe de estado no Burkina Faso” ou “vir aí mais um dilúvio castanho” (se estiver com diarreia). Assim se fala “Em Bom Alentejano”.

Inquérito Está entusiasmado com o início da época de caça?

MANUEL ALEGRE, 76 ANOS Ex-candidato à Presidência da República e autor do livro Cão (de caça) como nós Mas é claro que estou. A caça é um elogio à natureza e um hino à liberdade do Homem – ao contrário de outros passatempos fascizóides como a numismática ou colecionar latas de Pepsi. Permite-me descansar da escrita poética – é cansativo escrever poemas sobre o Figo ou o Ronaldo em versos decassilábicos. A caça é uma atividade ao alcance de todos: da pessoa mais humilde aos grandes vultos da humanidade como eu, Hemingway, Miguel Sousa Tavares e Sousa Cintra.

HORTENSE FAUNA ANIMAL, 52 ANOS Membro da liga de proteção de animais canhotos

Bode respiratório: Ser famoso Nascido e criado na década de 80, fui um dos milhares de jovens que foi alvo da pergunta mais colocada de todos os tempos: o que é que queres ser quando fores grande? Lembro-me que, pelo menos na minha geração, havia respostas para todos os gostos: médico, advogado, bombeiro…, e até mesmo futebolista ou cantor – se bem que estas últimas eram vistas quase como o meio caminho para a droga ou acabar na sarjeta como o outro tipo que cantava com o George Michael nos Wham. Atenção: estamos a falar de uma altura em que o Tang era tido como um produto saudável e lanchar Tulicreme à colherada era considerado uma merenda perfeitamente aceitável em algumas cidades do País. É verdade que os anos oitenta foram anos de libertação e excesso (credo, nós comíamos malacuecos na Feira de Agosto feitos por um tipo com um dente e a unha do dedo mindinho cheia de sarro!), mas havia alguns padrões minimamente aceitáveis… Tínhamos, apesar dos erros, algum brio: tínhamos vergonha de ter uma negativa, e se a professora mandava um recado aos nossos pais sabíamos que estávamos tramados… Hoje, se dizemos que o professor obrigou o aluno a estudar, é o docente que está tramado e pode começar a rezar para não ser colocado numa escola no Afeganistão ou, pior ainda, ter uma turma de miúdos que pertencem a um gang especialista em grafiti, guerrilha urbana e waterboarding. O que eu quero dizer é que nós tínhamos padrões, mesmo que muito rascas, e para se ser alguém que se destacasse tinha de se ter um propósito, um talento ou trabalhar no duro. Hoje também há pessoas briosas, mas infelizmente são cada vez mais a exceção, e para se ser famoso não é preciso muito… Veja-se os reality shows, que estão sempre de regresso à nossa televisão, e têm como único objetivo criar “celebridades”. É verdade que também não é qualquer um que entra

nesses programas… Os recrutadores são extremamente exigentes na escolha dos participantes e há atributos nos candidatos que são analisados até à exaustão, ou talvez até à hora do primeiro café da manhã: eles devem ter um palminho de cara e, se possível, ostentar uns abdominais que também servem para ralar queijo; elas devem ter um palminho de cara e implantes de silicone com um QI superior ao delas. Mas não é preciso mais nada… Até porque, se formos a ver bem, o grande feito que muitos dos concorrentes nesses programas alcançaram na vida foi atravessar o canal de parto. Aliás, se não fosse certa comunicação social a tratar do resto da “magia” que encanta pessoas pelo mundo fora, com títulos como “Raquel chateou-se com Luísa por causa de Daniel T.”, “Daniela revela que já foi acompanhante, portadora de ébola e responsável pelo caso BPN” ou “João F. matou Laura Palmer e entregou a Maddie a marcianos”, nunca saberíamos o que estávamos a perder... A sério? Como é possível ignorar estes “factos”? Como conseguimos dormir à noite perante esta catadupa de “informação”?… E é assim que pessoas desinteressantes passam a ser famosas e ser famoso passa a ser, por si só, uma profissão, com direito a código das finanças e tudo! A pessoa passa a ser conhecida porque aparece, porque existe, porque exerce atividades duríssimas como inspirar ou expirar, ou, mais difícil, colocar uma perna à frente da outra em movimentos sucessivos – aquilo a que os especialistas chamam de andar. E nós deixamos e incitamos a que isto aconteça?! Está na hora de mudar! E porque não começar com coisas simples? Que tal tomar um duche frio ou falar com a pessoa com quem vive e da qual já nem se lembra do nome? Abandone o seu PC por alguns instantes: garanto-lhe que o céu lá fora é muito mais bonito do que no ambiente de trabalho.

Como membro da liga de proteção de animais canhotos não me vou meter nessas aventuras. Sei que começou a caça aos patos, rolas e pombos. Mas pedia aos caçadores que tivessem o bom senso de evitar caçar animais que estão quase extintos, como os patos, rolas e pombos. Já agora, evitem alvejar outras espécies ameaçadas como o pardal de bico lilás, o javali de três chifres de Barrancos, o tigre branco de Messejana ou o mamute cor-de-rosa de Alvalade do Sado. Já agora, peço aos caçadores que, caso encontrem algum destes animais, em especial os canhotos, lhes deem um panfleto da nossa liga… Obrigadinha!

SANSÃO, 6 ANOS Perdigueiro português que passou ao lado de uma carreira como protagonista de anúncios de papel higiénico Estou em pulgas! A sério, estou literalmente em pulgas, tenho uma infestação na casota. Isto da caça já não é o que era: agora tenho de passar recibos verdes e os donos já não pagam segurança social, nem o subsídio de férias. Antigamente ainda nos davam ração da boa para comer, agora é só restos de frango e pão de há 15 dias. Se isto continua assim serei forçado a emigrar. Será que o rei de Espanha precisa de alguém? Um elefante não se carrega sozinho…


Edição nº 1583