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A autarquia bejense pretende doar aos bombeiros rádios de telecomunicações do município que não estão a ser utilizados e que podem ser úteis aos soldados da paz. No entanto, uma investigação conjunta Não confirmo, nem desminto/Rádio Singa/ /Rádio Terapia descobriu que o equipamento não estará nas melhores condições, como nos explicou Rodeia Machado, presidente dos bombeiros: “Tinha de ser coisa do senhor Pulido. O equipamento é tão velho que ainda dá para ouvir emissões do Despertar. Aliás, esta traquitana só apanha emissões da onda média da Renascença! Não posso ter os meus homens distraídos com a oração do terço… O que é que vai ser quando transmitirem a maratona de Frei Hermano da Câmara? Pá, não posso com o Pulido! Agarrem-me, agarrem-me que eu candidato-me!”.

31 Diário do Alentejo 20 julho 2012

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“D’ Abalada”: Lisboa, a capital do império

Na próxima visita ao Alentejo, Passos equaciona vir disfarçado de camponesa de grupo coral alentejano para fugir das vaias

Passos Coelho vaiado em Borba PM quer taxar insultos de acordo com grau de violência verbal Na passada segunda-feira, Passos Coelho foi vaiado numa visita a Borba, por cerca de 100 pessoas, que, convocadas pela União dos Sindicatos do Distrito de Évora, gritaram palavras de ordem contra as políticas governamentais. Este foi apenas mais um protesto. Contudo, segundo apurámos, a sucessão de impropérios com que membros do Governo são brindados durante as deslocações oficiais já fez com que o Executivo veja estas vaias como uma oportunidade. Fonte próxima

Inquérito

do PM confidenciou-nos que o Governo pretende taxar os insultos de acordo com o grau de violência verbal. Deste modo, ofensas entre “ladrão” e “piegas é a tua prima” serão taxadas à taxa reduzida do IVA; provocações entre “inconstitucional é a tua tia” e “vai passear o teu penteadinho à f***-se para o raio que te parta” serão taxadas à taxa intermédia do IVA; e insultos entre “africanista de Massamá” e “Miguel Relvas” serão taxados à taxa máxima do IVA.

Caro leitor, a Não confirmo, nem desminto tem o prazer de o deleitar com mais uma edição da rubrica de viagens “D’Abalada”. Depois de uma edição dedicada à Andaluzia, escolhemos um destino nacional: Lisboa, a capital do País, a cidade das sete colinas, e, mais importante, a cidade onde o Malato trabalha. Mais uma vez, a rubrica é da inteira responsabilidade de Jeremias Bon Voyage, gerente da Agência de Viagens Sem Retorno e vencedor do prémio de melhor gestor na área de turismo para pigmeus albinos. “Boas! Está tudo bem consigo, caro leitor? Não que me interesse muito, mas disseram-me para ser mais simpático, e assim… Hoje quero falar-vos de Lisboa, a nossa capital, que foi o ponto de partida de muitos dos nossos descobridores, e o ponto de chegada de especiarias, de escravos, da febre-amarela e de doenças sexualmente transmissíveis. A melhor maneira de chegar lá é ir de carro. Contudo, se tem medo de alturas, não ande na ponte 25 de Abril, que é quase tão alta como o Altinho em Serpa. Em alternativa, vá até Cacilhas, na margem sul, e apanhe o barco até ao cais do Sodré. Caso tenha medo de alturas e fobia à água, há um desviozinho muito jeitoso que fica ali para Arronches. Ao chegar a Lisboa evite comunicar a um autóctone a sua naturalidade. A primeira tendência do lisboeta é contar logo uma piada de alentejanos ou, pior ainda, imitar o seu sotaque com uma entoação que normalmente se assemelha mais a um cigano com prisão de ventre. Caso caia nesse erro, sorria e afaste-se muito devagarinho, sem mostrar medo, mesmo que a sua vontade seja abater o lisboeta como se se tratasse de

um cavalo com a perna partida. Tenha pena dessa pessoa e lembre-se que mesmo um cavalo com a perna partida consegue ter mais piada. Está na capital… Divirta-se! Aproveite para passear pelos bairros tradicionais, porém, não o faça em junho, especialmente por alturas do Santo António: que é uma desculpa que eles arranjaram para festejar nas ruas, comer sardinha assada à bruta e vomitar no Bairro Alto. Se bem que, segundo consta, qualquer altura é boa para vomitar no Bairro Alto. Não se esqueça, também, de ir a Belém. Aí, pode visitar o Mosteiro dos Jerónimos (um local duas vezes maior do que a igreja do Carmo, em Beja), o Centro Cultural de Belém (uma casa toda em mármore, tipo jazigo do cemitério, mas em grande) e o mítico Pastéis de Belém, um local intemporal onde se fazem os verdadeiros pastéis de nata (aqueles da diabetes tipo 1). Se se lembrar de ir a Sintra, não deixe de comer umas queijadas locais (inseridas na categoria diabetes tipo 2). Todavia, é conveniente levar um colete à prova de bala. Pontos positivos: O rio Tejo, que é bonito, mesmo quando amanda um cheiro estranho. Aí é possível pescar tainhas com 12 guelras e três caudas – muitas delas oriundas da zona industrial do Barreiro. Pontos negativos: Os arrumadores, os drogados, os arrumadores drogados, os drogados arrumadores, a possibilidade de ter de andar muito a pé devido à 154.ª greve dos transportes daquela semana e o cheiro a sovaco no metro na hora de ponta – nunca desejará tanto ter sinusite. Haveria muito mais a dizer sobre esta cidade, mas, sinceramente, não tenho vontade. Da última vez que lá fui bati com o carro no eixo norte-sul e gamaram-me a carteira no elétrico 28. Para saber mais consulte o site 7colinasdoinferno.org. Aviso: Caso decida deslocar-se ao Chiado não se assuste se encontrar um heterossexual…

Jovem, já consumiste drogas sintéticas de uma smart shop?

LÚCIO SANTOS DASS, 18 ANOS Pessoa que não consegue terminar uma frase desde que frequenta smart shops

PATRÍCIA ÓPIO, 16 ANOS Jovem que afirma ter encontrado Jesus depois de ter saído de uma smart shop. Pessoalmente.

Ya, tipo, é uma cena que, pá, coiso… tipo, uma cena em que um gajo está muito bem e de repente está, tipo, numa dimensão, tipo, assim, sabes… Só é pena que a substância não dê, tipo, para um gajo, tipo, acabar uma cena, tipo, como quando está a emitir sons com a boca e tem de dizer algo que, pá, coiso… tipo… assim… estás a ver?

Consumo, de vez em quando, mas só na época dos exames. Ajuda-me bué a estudar e assim. Agora que estou no 12.º ano é que percebi o que é uma subtração e que dois mais dois dá quatro e não 22. A Português já sei que Cesário Verde era um poeta e que não tinha aquele apelido por ser do Sporting. Vejo tudo com mais clareza e tenho outra visão do mundo. Por exemplo, só agora percebi que os meus pais se divorciaram quando eu tinha seis anos…

BENTO HAXIXE, 42 ANOS Adolescente em espírito Consumi e não tive problemas. Agora vivemos nesta democracia fascizante que quer controlar tudo… Eu decido o que quero meter no meu organismo, seja drogas, gomas de morango ou muitos, mas mesmo muitos, conguitos… O corpo é meu, a escolha é minha. Consumi vários tipos de substâncias, mas a minha favorita era um fertilizante. Comprei tanto daquilo que quase podia abrir um stand agrícola na Ovibeja. E comigo, como vê, está tudo bem. O quê? Este girassol na parte de trás do joelho? Isto é normal…

Edição nº 1578  

Diário do Alentejo

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