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JOSÉ SERRANO

Balão Dirigível a voar cada vez mais alto Banda bejense nos Novos Talentos Fnac 2012 pág. 13

SEXTA-FEIRA, 13 JULHO 2012 | Diretor: Paulo Barriga Ano LXXXI, N.o 1577 (II Série) | Preço: € 0,90

Substâncias não catalogadas levam quatro adolescentes para o Hospital

PSP de Beja e ASAE apreendem drogas sintéticas vendidas em smart shop CÂMARA MUNICIPAL DE ALMODÔVAR

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JOSÉ FERROLHO

Severo Portela: O artista que o tempo não apaga Santa Clara de Louredo Com vista sobre a cidade Nos domínios de Santa Clara de Louredo, qualquer ponto no horizonte tem dono certo e sabido – o “senhor visconde”. A localidade não é mais do que um casario recente que se desenvolveu a partir de uma quinta fundadora com o mesmo nome, antecessora da atual Casa Agrícola Visconde da Corte. A dois passos da cidade de Beja. págs. 4/5

Esteve um ano inteiro de portas fechadas, o Museu Municipal Severo Portela, em Almodôvar. Para obras de requalificação e de restauro que agora, a 1 de julho, foram inauguradas. Tempo demasiado para deixar longe do alcance de todos a obra de um dos mais importantes artistas plásticos portugueses do século XX. Que trazia o Alentejo no coração e Almodôvar na alma. págs. 16/17

Palavras Andarilhas gritam por socorro Com orçamento zero, a 12.ª edição das Palavras Andarilhas, um dos mais importantes encontros nacionais em torno da palavra escrita e dita, está em vias de não se realizar. Esta noite, no Pax Julia, para angariar fundos, decorre um espetáculo com vários artistas bejenses e outros “amigos”. Mas a receita pode não ser suficiente. pág. 7


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Editorial Fundamental

Vice-versa A Associação de Comércio e Turismo do Distrito de Beja reclama “um ritmo de execução da obra [das Portas de Mértola] pelo menos normal para este tipo de situações” (..) e quer que “sejam feitos turnos, permitindo trabalhar mais horas por dia e aos fins de semana e feriados”. Francisco Carriço, presidente da Associação de Comércio e Turismo do Distrito de Beja

Paulo Barriga

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rradamente, tudo indica, temos tratado por “fundamental” o texto da Constituição da República Portuguesa. Fundamental é algo bem diferente de fundamentalista. Mas até agora, com o fundamentalismo e a deferência exigida, temos, de facto, tratado por “fundamental” a Lei que guarda as normas básicas do Estado e os direitos e os deveres essenciais da cidadania. As regras da democracia. No entanto, a Constituição parece ser fundamentalmente uma chatice. Um empecilho e um aborrecimento para aqueles que deitaram por terra a sua doutrina primordial, a soberania nacional. Em troca de um resgate financeiro envenenado. E que ainda tiveram a ousadia de fazer implodir o seu mais justo artigo: o que fala da igualdade de direitos e de deveres entre todos os cidadãos portugueses. O corte nos subsídios dos reformados e dos funcionários do Estado, em exclusividade, não revelou apenas uma mera violação da Constituição. Foi um recuo ideológico retrógrado e reacionário. De baixo nível. O qual o Tribunal Constitucional reconheceu a meio do caminho. De forma intermitente, mas reconheceu-o. Mas neste país que fica para lá das fronteiras do sobrenatural, o incrível, o inacreditável tornou a acontecer: o Tribunal confirmou que era fundamental salvaguardar a Lei “fundamental”. Mas só para o ano. Este ano imperará a ilegalidade, a indecência e a injustiça. E para o ano, logo se vê. E é esta a noção de justiça intervalada do Tribunal Constitucional. Porque, de facto, o que aqui se revela é uma questão de justiça. Ou de injustiça. Há vários anos a esta parte que sobre os trabalhadores do Estado pesa o falso ónus das mordomias adquiridas, da mandriagem e da incompetência. Um estigma. Mandriões e incompetentes haverá, por certo, alguns. Como também os encontraremos no setor privado. Ou onde quer que seja. A generalização da nódoa a todo o tecido público é que não parece certa. Até porque tantos e tão bons exemplos não faltam. Quem se poderá esquecer, por exemplo, da realização, já este ano, do Festival de BD de Beja, na Casa da Cultura, apenas com a boa vontade de quem lá trabalha? Ou quem não se orgulha do esforço desmedido dos profissionais da Biblioteca de Beja para, sem um tostão, levantarem mais uma edição das Palavras Andarilhas? Sem reclamarem horas extraordinárias, benefícios adicionais e, fundamentalmente, sem receberem subsídio de férias, nem de Natal.

A Câmara de Beja reconhece que “têm existido problemas” já que “não há um cadastro das infraestruturas existentes no subsolo”, o que dificulta os trabalhos. O município “está a fazer todos os esforços para que o empreiteiro aumente o ritmo de trabalho”. Jorge Pulido Valente, presidente da Câmara Municipal de Beja

Mercado livre

No último sábado, no largo fronteiro ao Convento da Conceição, realizou-se a primeira, espera-se, de muitas sessões do denominado Mercado Livre. Uma feira da ladra em ponto pequeno, sem os habituais profissionais das vendas de velharias, onde as pessoas transacionam entre si os objetos que já não lhes fazem falta. Organizado pela Associação Arruaça, este mercado, para além das inesperadas oportunidades de negócio, teve o condão de trazer pessoas para o centro da cidade. É o que se pretende, não é? PB Foto de José Ferrolho

Voz do povo Costuma ir à piscina?

Maria Alice Rodrigues, 46 anos, funcionária da Câmara Municipal de Beja

Sim, às vezes vamos à piscina de Beja. Eu, o meu marido e os meus filhos. Levamos a comida de casa e passamos lá um belo dia. Gosto muito de estar dentro de água. Mas acho que as entradas são caras. Dois euros e 50 cêntimos. Cada bilhete devia custar, pelo menos, metade do que custa.

Inquérito de José Serrano

Madalena, 29 anos, professora

João Silva, 17 anos, estudante

Raquel, 16 anos, estudante

Sim. Vou principalmente à piscina de Vidigueira. Que tem um espaço ótimo. Com muitas árvores e muitas sombras. Assim fugimos ao calor e convivemos entre amigos. Nadamos, conversamos, jogamos às cartas. Acho que o preço dos bilhetes, 2 euros e 20, está bem.

Sim. Vou todas as semanas à piscina de Beja. Um dia na piscina é geralmente um dia bem passado. Mas também depende muito da companhia. Gostava muito de utilizar as pranchas. Mas este ano já não podemos mergulhar de lá. Retiraram as escadas de acesso. É uma pena.

Sim. Costumo ir à piscina de Beja. Mais ou menos duas vezes por semana. É um sítio muito agradável. Lá posso refrescar-me e estar com os meus amigos. Este ano, sem as pranchas, têm ido menos pessoas. Acho que devia haver bilhetes para quem vai só de manhã. Ou só de tarde. Ficava mais económico.


Rede social

Semana passada DIA 5, QUINTA-FEIRA BEJA HOMEM DETIDO POR FURTO DE GASÓLEO Um homem de 55 anos foi detido pela GNR por furto de gasóleo de máquinas agrícolas em Trindade, no concelho de Beja. Segundo a Guarda, a detenção ocorreu durante uma ação de patrulhamento de militares do Destacamento de Trânsito de Beja da GNR. O homem foi ouvido no Tribunal Judicial de Beja.

BEJA CÂMARA APROVA DOAÇÃO DE EDIFÍCIO A CENTRO SOCIAL A Câmara Municipal de Beja aprovou a doação do Centro Comunitário do Bairro da Esperança, um edifício avaliado em mais de 100 mil euros, ao Centro Social, Cultural e Recreativo daquela zona residencial. Através da doação, a autarquia “resolve um processo que condicionava o acesso a candidaturas a financiamento determinantes para o bom funcionamento” do centro comunitário, explica o município. A proposta de doação do edifício foi aprovada por unanimidade na última de reunião da Câmara de Beja.

DIA 6, SEXTA-FEIRA MÉRTOLA UNIDADE MÓVEL DE SAÚDE ALERTA SOBRE ONDAS DE CALOR A Unidade Móvel de Saúde de Mértola deu início a uma campanha para informar e sensibilizar a população do concelho, sobretudo os idosos, sobre os cuidados a ter durante as ondas de calor. A campanha “Ondas de calor 2012”, que vai percorrer todas as localidades do concelho até 3 de agosto, pretende “alertar toda a população, em especial os idosos, para os cuidados a ter durante o calor intenso e deixar algumas recomendações úteis para se protegerem”, explica a câmara municipal local.

SANTIAGO DO CACÉM CRIANÇAS PARTICIPARAM EM ACANTONAMENTO JUVENIL Durante quatro dias, 16 crianças e jovens das freguesias de São Domingos e Vale de Água participaram no Acantonamento Juvenil/Programa de Férias 2012 promovido pela Rede Social de Santiago do Cacém. A iniciativa visou “proporcionar momentos de convívio e de lazer a um grupo de crianças carenciadas acompanhadas pelo projeto Intervir.Com e pelos serviços de ação social do concelho”. Uma ida à praia da Lagoa de Santo André e uma visita ao Badoca Safari Park, atividades nas Piscinas Descobertas do Rio de Figueira e provas de orientação foram algumas das iniciativas propostas.

DIA 9, SEGUNDA-FEIRA OURIQUE CÂMARA PROMOVE ATIVIDADES PARA CRIANÇAS ATÉ SETEMBRO Mais de 50 crianças dos seis aos 11 anos participam no programa de atividades para os tempos livres que a Câmara de Ourique promove até ao próximo mês de setembro, anunciou a autarquia. O programa “ATL 2012” inclui várias atividades, como jogos tradicionais, polo aquático, aprendizagem de surf, expressão plástica, patinagem, BTT, passeios e saídas à praia.

DIA 10, TERÇA-FEIRA ALMODÔVAR MAIOR EMPREENDIMENTO DO CONCELHO ARRANCA EM 2013 NUM INVESTIMENTO DE 24 MILHÕES A construção do maior empreendimento turístico de Almodôvar deverá arrancar em 2013, num investimento de 24 milhões de euros, que inclui hotel, aldeamento e equipamentos de animação, revelou à Lusa o promotor. O processo de licenciamento do Monte Nabo – Hotel Resort & SPA deverá ficar concluído até ao final deste ano e a construção deverá começar em janeiro de 2013 e prolongar-se por dois anos, precisou Paulo Campos, o responsável pelo projeto e acionista da empresa promotora, a Resorts Camp. O empreendimento irá criar 50 postos de trabalho diretos.

3 perguntas a Maria de Jesus Mendes Vice-presidente da direção da Moura Salúquia

A Moura Salúquia – Associação de Mulheres do Concelho de Moura lançou recentemente a primeira pedra da creche “Amor Perfeito”. O que é que representa a concretização deste projeto?

Significa mais um objetivo alcançado e mais um passo no trabalho que temos vindo a desenvolver ao longo dos anos na área social, neste caso concreto nas áreas da igualdade de oportunidades e da conciliação da vida familiar com a vida profissional. A creche terá capacidade para acolher 66 crianças e criar 16 postos de trabalho. Qual é o montante total do investimento e quando é que a obra deverá ficar concluída?

Esta obra deverá ficar concluída no prazo de um ano. A creche está orçamentada em cerca de 700 mil euros, dos quais 70 por cento serão financiados pelo InAlentejo e os restantes 30 por cento, um valor ainda significativo, serão assegurados pela associação. Como desde que projetámos este equipamento sempre acreditámos na possibilidade de o concretizar, temos vindo a desenvolver algumas iniciativas que nos permitem angariar alguns fundos. Por outro lado, tivemos já alguns apoios, entre os quais a doação do terreno pela Câmara Municipal de Moura, e estamos a apelar à população para que participe nas atividades que organizamos e às entidades locais para que contribuam com um apoio financeiro, uma vez que este equipamento será uma mais-valia para o concelho de Moura, quer ao nível das respostas sociais de apoio à família, quer ao nível do combate ao desemprego. Até que ponto o atual contexto de crise económica pode condicionar o trabalho desenvolvido pela associação?

Estamos de facto conscientes que este não é o melhor momento para iniciar mais uma obra desta dimensão devido à crise económica que se vive e às dificuldades com que se deparam as famílias. No entanto, será mais um desafio no nosso percurso e, nesse sentido, vamos continuar a trabalhar tentando rentabilizar o melhor possível os recursos de que dispomos e apostar na dinamização de várias iniciativas (noite de fados, passagem de modelos, exploração de tasquinha nas feiras, e karaoke, entre outras) que nos vão permitir continuar a obter algumas verbas. Estamos assim convictas que com trabalho, empenho, dedicação e alguns apoios, em 2013 estará a funcionar, em Moura, a creche “Amor NP Perfeito”.

Final nacional de Futebol de Rua em Beja O futebol de rua chega a Beja. Não que não se jogue já à bola por essas ruas e ruelas. Por esses bairros. Sempre se jogou.Mas desta vez o futebol de rua chega com pompa e circunstância. Beja recebe a grande final nacional. De 20 a 22.

Lisboa parou para ouvir cantar à alentejana Centenas de vozes. Todas a ecoar cante alentejano. Em Lisboa. O povo foi mais uma vez mostrar que o cante já é património da humanidade, mas que precisa de ser oficialmente reconhecido como tal. A união faz a força. Atrás de uma moda veio outra.

O regresso dos Adiafa a Beja Os Adiafa voltaram a pisar o palco maior da sua terra. O palco do Pax Julia. Subiram cheios de força e pujança, mas sobretudo de vontade. De vontade de cantar a música que trazem na alma. A música do seu Alentejo. Um regresso em cheio.

Entradas vestida a rigor para festejar entrega do foral O povo de Entradas, no concelho de Castro Verde, vestiu-se a rigor. A vila voltou aos tempos antigos. As ruas encheram-se de gente e de animação. Tudo para comemorar a entrega do foral. Foi há 500 anos e a data, essa, não passou em branco.

Pequenos grandes atores da Vila Mineira Aplausos e mais aplausos para “Um dia na TV”. O auditório da Biblioteca Municipal de Aljustrel encheu-se de gente para assistir ao mais recente trabalho do grupo de teatro Pim, Pam, Pum. Pequenos grandes atores da Vila Mineira.

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A gente nem uma casa para ver um espetáculo, nem nada. Qualquer terra tem isso, terras mais pequenas têm isso” Maurílio Lourenço

Santa Clara de Louredo À

medida que o sol diminui a intensidade, a vida vai regressando às ruas de Santa Clara de Louredo. Ou Boavista, como é de uso comum. A luz do fim da tarde marca a hora de ir à horta, a poucos metros do centro da aldeia mas um caminho que muitos, já de idade respeitável, preferem palmilhar de bicicleta. Rega-se, com água do ribeiro que ali passa junto, colhe-se o que é necessário para o jantar, entre ervas de cheiro e outros hortícolas. De Beja, que facilmente dali se avista, vão chegando do trabalho os mais novos e na rua principal, que dantes fazia as vezes de estrada a caminho de Castro Verde, os carros estacionados avolumam-se. Com a aldeia mais composta de gente, o padeiro aproveita para parar e abrir a traseira da carrinha, anunciado pelo já familiar buzinar esganiçado. E as vizinhas sentam-se ao postigo, de conversa umas com as outras, a comentar o movimento e a gozar uma merecida brisa fresca. Maria Custódia Monteiro, 80 anos, é uma das quatro amigas vestidas preto. Tal como a “maior parte” dos louredenses, também ela chegou a fazer diariamente os oito quilómetros de ida e volta entre a freguesia e a sede de concelho. “Trabalhei a dias em Beja, mas antes trabalhei no campo”, lembra. E suspira, quando se lhe pergunta o que falta às gentes da freguesia: “Ai, tanta coisa”. A começar pelo aumento das reformas, “para a gente poder ter uma vida melhor” até – e isto sim já assunto dos eleitos locais – ao famigerado pavilhão multiusos, que chegou a estar projetado para um novo loteamento, sendo que ambos entretanto parecem ter caído no esquecimento (ver entrevista), entre a crise e a mudança de executivo na Câmara de Beja, em 2009. “Fazia falta sim, sempre dava outra vida aqui à aldeia”, defende a anciã, procurando a aprovação das vizinhas, que exaltam o empenhamento das novas gerações, capazes de fazer omeletes mesmo sem ovos. “Os moços para fazerem o baile, tem de ser ali na escola, ao ar livre”, adianta, secundada por Mariana Martins, com mais quatro anos de vida e para quem “há aí uma juventude muito boa agora”. Graças a eles ou, mais concretamente, graças à associação juvenil Animus Jovem, realizou-se recentemente (entre 5 e 8) a segunda edição da Meia Semana, um evento que ofereceu à população três dias de baile, e um último dedicado à componente religiosa, fazendo sair à rua, como há muito não acontecia, a procissão em honra de Santa Clara de Louredo, parte integrante das antigas festividades tradicionais de setembro. À falta de pavilhão multiusos, usou-se o espaço da escola primária, agora livre em tempo de férias. “São uns rapazinhos que fazem tudo, eles é que fizeram a festa, pediram e organizaram. Mas falta-lhes essa sala grande”, reforça Mariana. Atravessando a estrada no sentido do edifício da junta de freguesia, entramos no “bairro novo”, construído nos anos seguintes ao 25 de Abril. Santa Clara de Louredo, a localidade, nasceu a partir de uma quinta com o mesmo nome, um complexo agrícola

Freguesia com vista para a cidade

E Beja aqui tão perto Nos domínios de Santa Clara de Louredo, qualquer ponto no horizonte tem dono certo e sabido – o “senhor visconde”. A localidade não é mais do que um casario recente que se desenvolveu a partir de uma quinta fundadora com o mesmo nome, antecessora da atual Casa Agrícola Visconde da Corte. Não possui terrenos seus para crescer e evitar que os que trabalham em Beja, ali tão perto, também lá fiquem de vez, para viver. E sonha com um pavilhão multiusos, que dê condições de trabalho ao associativismo local. Texto Carla Ferreira Fotos José Ferrolho

Vizinhança Ao fim da tarde goza-se o fresco na rua principal da aldeia

Visconde da Corte Francisco Lourenço tem casa com vista para a propriedade do patrão

que, no século XIX, se desenvolveu por ação da herdeira Mariana Ribeiro de Sousa e do seu esposo, Mariano de Sousa Feio, 1.º conde da Boavista. As cercanias permanecem na posse da família brasonada, hoje representada pela Casa Agrícola Visconde da Corte, e o que conhecemos como Boavista não é mais do que este casario recente, erguido em terreno ocupado. À sombra, a poucos passos do edifício da junta de freguesia, que alberga também um bar e uma creche, espreita Maurílio Lourenço para o outro lado da estrada. Dá-lhe que fazer aquele gigantesco monte de brita que colocaram no lado esquerdo do cruzamento que dá entrada para a localidade. Está ali desde fevereiro ou março, garante, para servir as obras no IP2, mas se está, é porque “o dono da terra, o senhor visconde, cedeu aquele terreno ali, com outro tão grande que tem do lado”. “Corta o ar à gente e faz levantar poeira para cima das casas”, reclama. E, pior do que isso, “corta a vista à terra”, roubando-lhe sentido ao nome, claro está. Antigo motorista na Base Aérea nº. 11, Maurílio já conta 75 anos e alimenta a convicção de que vive numa “terra sossegada”, que até tem atraído para viver muita gente de Beja, também por “ser mais barato”, mas à qual pesa a desonra de não ter ainda um pavilhão multiusos. “A gente nem uma casa para ver um espetáculo, nem nada. Qualquer terra tem isso, terras mais pequenas têm isso”, lamenta, sentindo-se injustiçado. Junto à igreja matriz, que se liga à quinta mãe, Francisco Lourenço tem casa com vista para a propriedade do patrão, a Casa Agrícola Visconde da Corte. Encostado ao muro do quintal, mostra as habilidades do seu pombo amestrado, o Chico, “criado à mão” pelo filho, enquanto comenta que é um dos cinco trabalhadores da terra que ainda restam ao serviço do grande proprietário local. “Já chegámos a trabalhar 10 e agora, conforme se vão reformando, não metem mais ninguém”. A esposa, por seu turno, é uma das que engrossa a fatia dos “80 por cento” que julga terem trabalho na cidade. Ao grupo que se senta ao postigo, juntase agora a filha da dona da casa, cujas portas se mantêm escancaradas. Susete Caeiro, de 59 anos, regressa de Beja, onde acaba de cumprir mais um dia de trabalho num infantário da cidade e garante que não é caso único. “Os que trabalham, estão todos em Beja. Se vier aqui de manhã ou a meio da tarde, só vai encontrar gente de idade”. Membro do grupo coral Rosinhas de Santa Clara de Louredo (ver caixa), Susete é muito ciosa do sítio onde nasceu e vive, bem “diferente da cidade, porque nos conhecemos todos uns aos outros”, e admite que por nada deixaria a terra natal pelo sítio onde trabalha. Afinal, são oito quilómetros apenas, ida e volta, distância que muitos bejenses não se incomodam de fazer para comer “mais barato”. Ali, na rua principal, onde se concentra a restauração local, espera-se agora que o sol desapareça no horizonte e a fome aperte para os lados de Beja.


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António Leandro

Presidente da Junta de Freguesia de Santa Clara de Louredo

Sendo uma freguesia tão próxima da cidade, Santa Clara de Louredo consegue ter vida própria?

Nós estamos muito perto de Beja, para o bem e para o mal. Como temos aqui muita restauração, à hora de almoço isto enche e as pessoas esperam em fila para poderem almoçar. Há quem diga que é preferível vir almoçar à Boavista do que dentro da própria cidade, porque se demora menos tempo e há estacionamento. Além disso, temos tudo à mão, farmácia, grandes superfícies comerciais, etc. A parte negativa é que se as pessoas correm até Beja para tudo, também o fazem para trabalhar e para viver. Por isso é que temos que tentar angariar as pessoas para a freguesia, criando condições para que não tenham que procurar nada fora dela. Pensámos num pavilhão multiusos, que resolveria uma série de situações.

Hortas nas terras do visconde São também propriedade da família do visconde da Corte as hortas que vêm sendo cultivadas à entrada de Santa Clara de Louredo, do lado direito da estrada. A exploração dos talhões, perto de 50, começou logo a seguir ao 25 de Abril e que, se saiba, esta cedência só deu problemas há perto de um ano. Na altura, o proprietário,

Francisco Castro Ribeiro, tornou pública a intenção de mudar a localização dos hortejos para o lado esquerdo da estrada, e de banir as barracas por questões de saúde pública. Nem a junta de freguesia nem os hortelões – quase todos reformados, que semeiam para consumo próprio – concordaram com o novo local proposto, por não ter água suficiente. Entretanto, a polémica arrefeceu e as hortas não mudaram de sítio.

E em que pé se encontra esse projeto?

Aqui não há terrenos particulares, os terrenos que existem são quase todos do senhor visconde. Em 2009, finalmente conseguimos desbloquear a situação, através de um projeto de urbanização que foi proposto pela dona, que entretanto vendeu esse terreno a um empreiteiro. Uma das contrapartidas era um terreno para o salão de festas, que seria um espaço “25 em um”. Para atividade física, para as sedes das associações; o bar, que existe aqui no recinto da junta, também mudaria para lá e isso permitiria libertar espaço para uma creche com outras dimensões, dando hipótese a que mais pessoas pudessem aqui deixar as suas crianças. O projeto chegou a estar candidatado ao QREN para um financiamento a 80 por cento, mas, de um momento para o outro, a câmara municipal, que se tinha mostrado interessada até 2009, deixou-o cair. E o loteamento também não avançou porque o empreiteiro não conseguiu financiamento. Deixar cair este projeto é como andar para trás, porque não há forma de agarrar as pessoas. Quais são aqui as atividades económicas de maior relevo?

Temos olival, temos um lagar, queijarias, sapateiro e restaurantes, que são muito fortes e continuam a ter movimento. Há uma grande tradição de fabrico de queijo, que se mantém com algumas unidades, mas que já não é o que era. Quantos são os habitantes de Santa Clara de Louredo, segundo os resultados provisórios do Censos 2011?

Perdemos 95 pessoas; temos neste momento 865. É uma perda enorme porque as pessoas querem morar na Boavista mas não têm casa. Por isso é uma aldeia tão frequentada. Temos aqui um movimento de pessoas ao fim de semana que ninguém imagina estando de fora. As pessoas vivem em Beja ou noutras aldeias mas ao fim de semana vêm para cá, porque têm cá os familiares. A nossa escola primária tem 25 crianças, mas são muitas mais a que estão por cá ao fim de semana.

Rosinhas de Santa Clara

O caso do pavilhão multiusos

Santa Clara de Louredo tem um movimento associativo “muito forte”, que garante uma oferta de atividades ao longo de todo o ano, mas que exerce a sua missão “sem condições nenhumas, praticamente na casa uns dos outros”, considera o presidente da junta de freguesia, António Leandro. Entre as coletividades locais, destacam-se a associação juvenil Animus Jovem, bem como o Clube de Caça e Pesca e o Louredense Futebol Clube. Como uma secção deste último, surge o jovem grupo coral feminino Rosinhas de Santa Clara de Louredo, cuja popularidade tem vindo a crescer, como se pode ver pela sua preenchida agenda de verão. São 16 ao todo, com idades entre os 17 e os 75 anos, têm apenas dois anos, já provaram que cantam mesmo bem (foram filmadas pelo realizador Tiago Pereira, para o projeto A Música Portuguesa a Gostar dela Própria) e foram o único grupo coral da freguesia a ter a ousadia de ser mais do que só uma ideia. “E sem apoios nenhuns; vão cantar e têm que pagar”, elogia o autarca.

Dignificar as associações com sedes próprias seria um dos propósitos do pavilhão multiusos que chegou a ter projeto de arquitetura, elaborado pelos serviços do município de Beja, e um empréstimo aprovado no valor de 300 mil euros. Tudo isto no “anterior mandato”, como sublinha um voto de protesto, aprovado numa assembleia de freguesia de janeiro de 2011. O documento lamenta a “falta de vontade política” por parte do atual executivo, liderado por Jorge Pulido Valente, que “pelo segundo ano consecutivo” não contemplou a execução do referido pavilhão no seu plano de atividades e orçamento. E repudia assim o que designa de “atitude discriminatória para com a população de Santa Clara de Louredo”.


JS Beja e estudantes socialistas do IPB lançam campanha “1€ pela Educação”

Atual D. António Vitalino alerta comissões de festas contra “ilegalidades” O bispo de Beja alertou os responsáveis das comissões de festas para a necessidade de exigirem os comprovativos das despesas e pediu-lhes para restringirem os custos, dada a situação económica difícil em Portugal. D. António Vitalino, na sua nota semanal divulgada pela agência Ecclesia, acusa “alguns artistas e fornecedores de nem sempre passarem as faturas e recibos legais” e aconselha as comissões paroquiais a estarem atentos “para não colaborar com ilegalidades”. O responsável eclesiástico frisa que “no caso de haver uma única comissão de festas, credenciada pela diocese, é obrigatória a apresentação de contas à comissão fabriqueira, que deverá verificar se foram cumpridos os deveres cívicos”. A outro nível, o prelado critica o facto de “muitas comissões” referirem “o nome das paróquias e dos santos” nos cartazes de divulgação das festas, classificando-as de “religiosas”, mas mencionarem “apenas a missa e a procissão num cantinho” e estamparem “a imagem religiosa, ao lado de muitas diversões profanas”. D. António Vitalino aconselha as estruturas católicas a dedicarem-se exclusivamente à preparação da vertente espiritual, “separando as águas do religioso e do profano, quando isso for possível”, o que não significa que os fiéis se “ponham de parte do ambiente de festa, mas que se responsabilizem por aquilo que é da sua competência”. “Seria bom que a comunidade paroquial assumisse a organização dos atos especificamente religiosos e uma outra comissão de festas se responsabilizasse pelos outros, sobretudo quando estes pouco têm a ver com a devoção popular e implicam custos exagerados para o meio”, observa. Com isto o bispo não pretende “que as duas partes estejam de costas voltadas e entrem em competição”, mas realça a necessidade de purificar a piedade popular de “alguns aspetos menos edificantes e construtivos de uma sã convivência”, objetivo que precisa de “paciência e muita persistência”. O responsável salienta que parte dos recursos da Igreja deveria ser canalizada para “ações de solidariedade e de partilha fraterna” devido à “crise que o País atravessa” e por isso recomenda aos fiéis que ajudem “a moderar alguns projetos festivos muito dispendiosos”. PUB

A Juventude Socialista de Beja (JS) e o Núcleo de Estudantes Socialistas do Instituto Politécnico de Beja lançaram recentemente a campanha “1€ pela Educação”. O projeto “passa pela recolha de fundos para a criação de 20 cabazes de material escolar que serão distribuídos a uma instituição de solidariedade social”, esclarecem os responsáveis, que solicitam, assim, a cada militante “que doe um euro nas reuniões de comissão política concelhia/federativa e reuniões de secretariado de concelhia/federação do PS e JS em que participe”. Os restantes militantes poderão fazer o donativo “dirigirem-se à sua sede de concelho ou ao presidente da concelhia”. A campanha decorrerá até ao final do mês de setembro, “coincidindo assim a distribuição dos cabazes com o início do próximo ano letivo”.

JOSÉ SERRANO

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Smart Shop Autoridades já tinham recebido diferentes queixas de pais sobre a venda livre de produtos sintéticos

Pelo menos quatro adolescentes deram entrada no hospital

PSP apreende drogas “legais” em Beja A Polícia de segurança Pública de Beja, numa operação conjunta com a ASAE, aprendeu no passado dia 5 de junho todas as substâncias que estavam disponíveis na única smart shop de Beja, situada no Centro Comercial Pax Julia. Tratam-se de drogas sintéticas, psicoativas, que podem levar os consumidores à demência e que, até agora, escapavam à tabela de substâncias proibidas pela Lei das Drogas, que foi alterada a 26 de março de 2012.

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ob a rotulagem de fertilizantes, estimulantes, incensos, sais de banho ou até mesmo chupa-chupas, estas substâncias eram comercializadas livremente, sem que as autoridades tivessem fundamento legal para as apreender. Apesar da pouca legislação existente sobre este tipo de negócio, estas drogas sintéticas

não podem ser vendidas a menores de 18 anos. O que, na realidade, não acontece. O “Diário do Alentejo” sabe que, nos últimos seis meses, deram entrada no Hospital de Beja pelo menos quatro adolescentes vítimas de intoxicações graves depois de inalarem, fumarem ou injetarem estes produtos. A existência desta smart shop em Beja nunca foi pacífica. E as autoridades já tinham recebido diferentes queixas de pais sobre a venda livre de produtos sintéticos que são substitutos eficazes do LSD e do ópio. E que atuam de forma rápida no sistema nervoso. Mas com a revisão da tabela de substâncias proibidas, inscrita na Lei 13 de 2012, de 26 de março, a PSP pode finalmente atuar junto da loja “Olhos Mágicos”, apreendendo todas as substâncias, que foram agora depositadas nos laboratórios da Polícia Científica para posterior análise. Esta operação conjunta da PSP e da

ASAE, que o “DA” acompanhou, decorreu de forma pacífica e foi das primeiras do género em todo o País. E as autoridades não descartam a hipótese se avançar com outras iniciativas semelhantes. A “Olhos Mágicos” abriu ao público no final de 2011. Altura em que em Évora também inauguraram duas smart shop. Os produtos mais procurados pelos jovens são os cogumelos alucinogénios, cuja venda em fresco é proibida, mas em seco é legal, e que causam uma alucinação de cerca de cinco minutos; a marijuana selvagem ou o Kraton, que é um substituto do ópio. João Goulão, presidente do Instituto da Droga e da Toxicodependência, citado pelo jornal “Público”, reforça os perigos destas drogas para a saúde, mas reconhece que “desde que estas drogas não constem da lista de substâncias proibidas não há forma de atuar”. Até agora. PB

Líder do PSD de Beja obteve 96 por cento dos votos

Mário Simões reeleito

M

ário Simões foi reeleito, no passado sábado, presidente da Comissão Politica Distrital de Beja do PSD com 96 por cento dos votos, numa única lista a sufrágio. De acordo com a Distrital do PSD, participaram no ato eleitoral 72 por cento dos militantes inscritos. Para a Mesa da Assembleia Distrital, a lista liderada por João Paulo Ramôa obteve 92 por cento dos votos. O Conselho de Jurisdição Distrital, cuja lista era lide-

rada por José Gaspar, obteve 96,7 por cento dos votos. A novidade nestas eleições, adianta a distrital, foi a lista para a Comissão de Auditoria Financeira, liderada por Fernando Palma, que obteve 95 por cento dos votos. Mário Simões, atualmente a exercer as funções de deputado, que se recandidatou sob o lema “Transparência, dedicação e resultados”, já afirmou publicamente que pretende continuar “o trabalho de

proximidade com a comunidade”, que desenvolvem desde outubro de 2010, “falando verdade, porque esta não nos pesa nem incomoda”: “Só assim teremos condições para influenciar politicamente e eleitoralmente o Sul do Alentejo”, diz. As eleições autárquicas e a elaboração do “Livro Branco do Distrito” são dois “dos objetivos maiores de um mandato que vai ser extremamente difícil e exigente”, conclui.


A Câmara de Castro Verde vai assinar um protocolo financeiro e de cooperação com uma entidade bancária com o objetivo de “estimular e orientar” investimentos a realizar por micro, pequenas e médias empresas do concelho. Segundo o município, o protocolo, que terá a duração de um ano e um limite global de 300 mil euros, visa investimentos para modernização de empresas, melhoria de produtos e serviços

Mário Simões é mandatário distrital de Passos Coelho O presidente da distrital de Beja do PSD é o mandatário distrital da candidatura de Pedro Passos Coelho às eleições diretas para o cargo de presidente do PSD, eleições essas marcadas para amanhã, sábado. Mário Simões considera que este convite “é uma honra” que

prestados ou modificações decorrentes de imposições legais e regulamentares. O protocolo será assinado no âmbito do programa do município de apoio ao investimento empresarial “Castro Investe”, que disponibiliza apoio financeiro às micro, pequenas e médias empresas do concelho e pretende criar mecanismos de apoio ao desenvolvimento e consolidação de atividades económicas e de fomento ao empreendedorismo.

assume “com a mesma determinação e empenho” com que assumiu “as duas anteriores, hoje com uma dupla responsabilidade”. São ainda mandatários concelhios Ricardo António Monteiro Colaço (Almodôvar), Francisco José D’ Almeida Rato (Aljustrel), Fernando Acácio Vieira de Oliveira (Alvito), João David Rodrigues Araújo (Beja), Rui Duarte

07 Diário do Alentejo 13 julho 2012

Assinado protocolo para estimular investimentos de empresas de Castro Verde

Moreno Nobre da Conceição (Castro Verde), Francisco Barbosa Martins Branco (Ferreira do Alentejo), Humberto Jorge Nixon Ramalho Martins (Moura), Rui Manuel de Brito (Ourique), Carlos Filipe Bernardino da Silva (Odemira), José Luís Mendes da Palma Pires (Serpa) e Maria João Alhinho Caeiro Romana (Vidigueira).

Espetáculo de angariação de fundos agendado para serão de hoje, no Pax Julia

Andarilhas “improváveis” apelam à generosidade dos bejenses Hoje à noite, vários artistas, entre bejenses e “amigos” da cidade, vão juntar-se no palco do Teatro Pax Julia para um espetáculo cujo objetivo é reunir fundos para a 12.ª edição das Palavras Andarilhas. Sem orçamento, a equipa da Biblioteca Municipal de Beja, que organiza este encontro em torno da palavra desde 1999, está a fazer os possíveis para levar a cabo a edição “mais improvável de sempre”, entre 30 de agosto e 1 de setembro. Texto Carla Ferreira Cartaz Susa Monteiro

P

orque seria pouco provável que tivesse lugar este ano, a 12.ª edição das Palavras Andarilhas, promovida pela Biblioteca Municipal de Beja e pela Associação para a Defesa do Património Cultural da Região de Beja, decorre, entre os próximos dias 30 de agosto e 1 de setembro, sob o signo da improbabilidade. A todos os títulos. O evento, que teve a sua primeira edição em 1999 e que deu a Beja o epíteto de “cidade dos contos”, não conta com orçamento para 2012. E, por isso, teve que fazer vários reajustamentos. Desde a data em que se realiza – costumava ter lugar cativo na agenda de setembro – até ao local. Este ano parte das atividades, nomeadamente o Festival de Narração “Eu conto para que tu sonhes”, vai ter lugar no Jardim Público da cidade. “As circunstâncias do País e da nossa cidade em termos financeiros alteraram-se substancialmente e nós confrontámo-nos com a impossibilidade de termos orçamento para fazer as Palavras Andarilhas. Mas como somos muito teimosos e acreditamos naquilo que fazemos, acreditamos que é possível fazê-las à mesma. Daí que o mote deste ano seja

‘As Palavras Andarilhas mais improváveis de sempre’”, considera Paula Santos, diretora da biblioteca bejense. As limitações orçamentais já se vinham, de resto, fazendo sentir desde há alguns anos, e essa foi uma das razões para que o evento passasse a uma periodicidade bienal a partir de 2008. “Fomos subindo ao nível das componentes que fomos agregando às Palavras Andarilhas, sobretudo ao nível da mediação leitora. Sabíamos que era difícil manter esse nível e, por outro lado, já se adivinhava que o investimento necessário iria brevemente estar fora do nosso alcance”, lembra a responsável. Assim, em 2012, para levar a cabo a sua missão “improvável”, a Biblioteca de Beja apoia-se, não só na prata da casa, “todos nós que aqui trabalhamos”, adianta Paula Santos, como também no grupo de fiéis colaboradores – entre autores, mediadores de leitura e livreiros – “que nos têm apoiado na atividade de promoção do livro e da leitura, ao longo destes últimos dois anos, independentemente de haver ou não dinheiro. É com esses que vamos trabalhar”. Entretanto, no quadro das comemorações do Ano de Portugal no Brasil, foi possível garantir a presença em Beja, a “custo zero”, de alguns escritores e mediadores de leitura do outro lado do Atlântico, como Affonso Romano de Sant’Anna, Benita Prieto ou Marina Colassanti. Contando este ano com um espaço mais amplo, a equipa organizadora aumentou o limite de inscrições para as 500 e baixou o seu valor. É com esse montante e com alguns apoios pontuais, ainda não confirmados, que a programação das Palavras Andarilhas vai contar. E também com o espetáculo de angariação de fundos “Um abraço às Andarilhas”, que reunirá hoje, sexta-feira, pelas 21 e

30 horas, no palco do Pax Julia Teatro Municipal, alguns “amigos da festa da palavra – lida, escutada e contada”. Entre eles, contam-se os fadistas António Zambujo, Ana Tareco e Carlos Filipe (Em Tom de Fado), os humoristas Jorge Serafim, António Raminhos e André Martins, o ator Paulo Duarte e o grupo coral misto Serões d’Aldeia. As entradas custam cinco euros e são um contributo para que “Beja continue a ser a cidade dos sonhos”. “É um desafio, queremos que as pessoas nos digam se querem que as Palavras Andarilhas continuem ou não a existir”, apela Paula Santos. No “desenho” de programa (disponível em http://palavrasandarilhas.org), consta, justamente, “uma componente de atividades para a cidade mais reforçada”, para contrariar a ideia feita de que as Palavras Andarilhas se dirigem preferencialmente aos forasteiros inscritos. PUB

As histórias, os contos, vão deste modo surpreender os bejenses em variadíssimos espaços – Teatro Pax Julia, Casa da Cultura, cave da Biblioteca, Museu do Sembrano – mesmo fora do âmbito dos serões do Festival de Narração, que terá como palco o Jardim Público. Nesta XII edição nada é certo. O programa, sugestivamente apresentado como “improvavelmente definitivo”, poderá ser “completamente alterado” até ao último minuto, avisa a responsável. Tudo dependerá do número de inscrições efetuadas e dos fundos resultantes do espetáculo de hoje à noite. A única garantia é esta, conclui Paula Santos: “Vai ser um evento de qualidade e muito centrado nos objetivos de sempre das Palavras Andarilhas, que são o convívio entre as pessoas, a ref lexão, através das conferências, e a capacitação, em termos de workshops. Com isso as pessoas podem contar”.


Carlos Moedas reuniu-se com administração da EDIA e agricultores

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O secretário de Estado Adjunto do Primeiro-Ministro reuniu-se esta semana com o conselho de administração da EDIA – Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva, num encontro que contou com a presença de representantes dos agricultores da região. Carlos Moedas visitou ainda algumas explorações agrícolas. O governante referiu que lhe foram transmitidos “dados que revelam a importância nacional e regional do projeto de Alqueva” e garantiu que “tudo vai ser feito para cumprir a meta estabelecida para concluir o regadio até 2015”.

Alqueva vai produzir para o setor da distribuição A zona de regadio de Alqueva vai produzir produtos hortofrutícolas diretamente para as cadeias de distribuição e de acordo com as necessidades destas. O objetivo é “reduzir as importações num setor em que Portugal está ainda longe da autossuficiência na grande maioria dos produtos”.

O arranque do projeto foi dado entre a APED – Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição e a EDIA – Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva, num encontro promovido pelas duas entidades e que juntou produtores nacionais e cadeias de distribuição. De acordo com os responsáveis, poderão ser “produzidos produtos como a

batata, o alho, a cenoura, a romã, a amêndoa e a cebola, nos quais Portugal não é autossuficiente”. “Esta é uma oportunidade de excelência para o estabelecimento de parcerias sustentáveis entre produtores nacionais e distribuição, com enorme relevância nos diferentes sectores da economia”, afirmou Ana Trigo Morais, diretora-geral da APED.

Por cada euro do OE investido no projeto há um retorno de 4,45 euros

Alqueva multiplica por quatro cada euro

“P

or cada euro do Orçamento do Estado investido no Empreendimento de Fins Múltiplas de Alqueva (EMFA) é expectável um retorno de 4,45 euros”. O valor foi adiantado ao “Diário do Alentejo” pelo presidente do conselho de administração da EDIA – Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva, João Basto, que ressalva, no entanto, tratar-se “de um valor preliminar”, uma vez que “não inclui ainda todas as mais-valias que decorrem do próprio empreendimento”. Segundo o responsável, os números “apenas incluem o impacto do valor acrescentado decorrente da transformação do sequeiro em regadio; o impacto na criação de emprego; a mais-valia energética do

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empreendimento; as mais-valias decorrentes do abastecimento industrial; e também o impacto que o empreendimento terá nos impostos gerados pelo aumento da atividade agrícola na região”. Não contabilizados “no valor apurado até ao momento”, adianta João Basto, está “o impacto que o empreendimento terá de valor acrescentado proveniente das agroindústrias que se vierem a instalar; o impacto no abastecimento de água às populações; o valor da existência na região de uma reserva estratégica de água que permite que durante três anos consecutivos de seca extrema esteja garantido o abastecimento de água para os fins múltiplos do empreendimento sem restrições; o impacto positivo que o regadio terá na diminuição do impacto negativo das

alterações climáticas, nomeadamente do ponto de vista da desertificação e do uso excessivo dos recursos; assim como o impacto positivo decorrente da substituição das importações pelo aumento da produção na região”. “São estas mais-valias que são proporcionadas pelo empreendimento que não estão contabilizadas no valor que nós apurámos até hoje”, reforça o presidente do conselho de administração, adiantando que “independentemente dos erros que possamos ter no apuramento deste valor de 4,45 euros, esses erros, imaginemos que por excesso, serão de certeza mais do que compensados por todas as mais-valias que nós ainda não tivemos oportunidade de poder quantificar, daí sentirmo-nos confortáveis com este valor”.

Este “apuramento” do valor do empreendimento, diz João Basto, é “um dos pilares” da estratégia definida pela nova administração – em funções desde maio último. “Já existia na região, e dentro da empresa, uma perceção clara de que este é um projeto estruturante e estratégico e indutor do desenvolvimento na região, no entanto, achámos que era proprietário quantificarmos quanto é que isto vale porque quantificando, ou tentando de alguma forma chegar próximo daquele que poderá se o valor gerado pelo empreendimento, é mais fácil. Uma vez afirmado o valor nós então estaremos capazes de definir uma estratégia para a empresa, que permita garantir que o empreendimento retribui de facto com todo esse valor para a economia nacional”. NP


A Federação do Baixo Alentejo do Partido Socialista manifestou na segunda-feira o seu “profundo pesar” pelo falecimento súbito de Manuel da Silva, presidente da Junta de Freguesia de Gomes Aires, concelho de Almodôvar. O PS “reconhece, com gratidão, a sua dedicação à causa pública e à defesa dos interesses da sua terra, como um exemplo no exercício dos cargos políticos e de representação das populações”.

Câmara de Beja diminui dívida a fornecedores em 1,3 ME no 1.º semestre deste ano A Câmara Municipal de Beja anunciou ter diminuído a sua dívida a fornecedores em 1,3 milhões de euros no primeiro semestre deste ano, frisando que os “esforços” para reequilibrar as contas da

autarquia começam “a surtir os primeiros resultados positivos”. O município refere que, através da diminuição da dívida a fornecedores, conseguiu atingir a redução do mínimo de cinco por cento de pagamentos em atraso com mais de 90 dias e de faturas em dívida referentes ao mês anterior e compromissos

09 Diário do Alentejo 13 julho 2012

Federação do PS lamenta falecimento de autarca de Gomes Aires

inferiores ao limite dos fundos disponíveis. Desta forma, a Câmara de Beja refere que “pode congratular-se por conseguir atingir e cumprir objetivos que se assumem como fundamentais para equilibrar a sua estrutura financeira e encarar o futuro com confiança e otimismo”.

Requalificação só deverá estar concluída antes do Natal

Descontentamento nas Portas de Mértola

O

s comerciantes das Portas de Mértola dizem que as obras de requalificação e ensombramento que estão a decorrer na zona estão a desenvolver-se a um ritmo muito lento e a prejudicar os negócios no centro histórico da cidade. As dificuldades dos lojistas são já mais que muitas e há, inclusive, quem diga que tem “bastantes dificuldades em manter o negócio”. De acordo com a Associação de Comércio, Serviços e Turismo do Distrito de Beja, “são já elevados e graves os constrangimentos e prejuízos por que o comércio local está a passar, em consequência da crise geral que o País atravessa”. E, neste sentido, considera: “Todos sabemos que obras com estas características causam sempre transtornos, daí a nossa preocupação em sensibilizar logo desde o início a PUB

Câmara de Beja para o problema. Infelizmente somos obrigados a constatar que as nossas preocupações e apelos não estão a ser levados em suficiente conta”. “Ao longo destes sete meses, na obra, têm estado em média não mais de três a quatro operários, e só nos chamados horários normais de trabalho”, denuncia a associação, exigindo, assim, “um ritmo de execução de obra pelo menos normal para este tipo de situações”. Ou seja, “que sejam feitos turnos, permitindo trabalhar mais horas por dia e aos fins de semana e feriados”. Tudo para que a obra acabe o mais rapidamente possível, pois para a associação, “é uma importante ajuda para a cidade e para o seu comércio”. Até porque garante: “O que está em causa é a continuidade de muitas empresas comerciais que

Projeto Fim das obras previsto para o Natal

desenvolvem a sua atividade na zona e dezenas de postos de trabalho”. A Câmara Municipal de Beja reconhece que “têm existindo problemas”, lembrando que “não existe um cadastro das infraestruturas existentes no subsolo”, o que por vezes dificulta os trabalhos. E recorda ainda a existência de “achados arqueológicos”. A Câmara Municipal de Beja espera que a intervenção esteja concluída “antes do Natal” e “compreende” as reivindicações dos comerciantes, garantido que “está a fazer todos os esforços para que o empreiteiro aumente o ritmo de trabalho”. Na terça-feira a Câmara Municipal de Beja reuniu-se com os comerciantes, para dar conhecimento do ponto de situação em que se encontram as obras de requalificação.


Melhor semestre de sempre no porto de Sines

Diário do Alentejo 13 julho 2012

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O porto de Sines movimentou 14,2 milhões de toneladas de carga nos primeiros seis meses deste ano, representando um crescimento de 22 por cento face a igual período de 2011. É o “melhor semestre de sempre” da empresa. A Administração do Porto de Sines (APS) atribuiu este “excelente” resultado ao crescimento de “todos os segmentos de carga”.

Mário Simões propõe à ministra da Agricultura a criação de um banco verde O deputado do PSD eleito pelo círculo de Beja, Mário Simões, propôs à ministra da Agricultura a criação de um banco verde, um projeto de um grupo de

agricultores que visa “suprir o Alentejo de forragens e pastos em quantidade e qualidade, mesmo que em tempo de seca extrema como que estamos a atravessar”. Assunção Cristas comprometeu-se a dar-lhe sequência frisando que “o Governo vê com bons olhos a

iniciativa”. Ainda de acordo com o deputado, a curto prazo será realizada uma reunião entre a Direção Regional de Agricultura do Alentejo, os agricultores que estão a dinamizar o projeto e a EDIA “no sentido de materializar o Banco Verde”.

Câmara de Ferreira e Movimento de Utentes com posições diferentes

A água da polémica

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Movimento de Utentes dos Serviços Públicos de Ferreira do Alentejo contesta a suspensão do abastecimento de água potável a montes isolados. A Câmara Municipal de Ferreira do Alentejo, por sua vez, garante que “ninguém com necessidades ficará sem água”. Paulo Conde, do Movimento de Utentes, considera: “Estamos perante uma situação de injustiça. Defendemos que o serviço deverá ser restabelecido para que ninguém da população seja desfavorecido”, garantido: “Existe de facto gente que não tem água nenhuma”. Manuel Reis, vereador na Câmara Municipal de Ferreira do Alentejo, explicou à Lusa que o serviço prestado a

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cerca de 10 montes foi suspenso porque “havia usos indevidos de água potável fornecida”. Ou seja, “não era para consumo humano, mas para regar e dar de beber a animais”. O executivo considera ainda que “o serviço extravasa as competências da autarquia”, que tem de “reduzir custos” e há pessoas que “têm uma rede de distribuição de água junto dos montes, mas não querem fazer a ligação, porque assim terão custos”. “Ninguém com necessidades vai ficar sem água para consumo humano”, garante o vereador, explicando que os interessados terão de voltar a pedir o serviço e provar que não têm condições para se abastecerem por conta própria.

O município avaliará os pedidos e voltará a abastecer os montes onde moram pessoas com necessidades, como idosos com baixas reformas, “mas com uma dotação média semanal por pessoa e unicamente para consumo humano”, disse. Paulo Conde, em comunicado enviado, considera: “Primeiro, afirmaram que era uma medida para acabar com os abusos. Agora afirmam que se trata de uma questão de justiça, pois tinham mais montes isolados que precisavam de ser abastecidos por água”. Segundo Paulo Conde, trata-se de “um serviço público, que deverá ser acutelado pela autarquia”. Ao que Manuel Reis responde: “Nos termos

da lei, isso não é possível, porque a câmara não pode cobrar pelo transporte de água e não tem equipamento para prestar o serviço dentro da lei”, lamentado que Paulo Conde “use o movimento de utentes em benefício próprio”. Ao “Diário do Alentejo” chegaram ainda duas tomadas de posição sobre este assunto. “Repudiamos a decisão da autarquia de mandar suspender o serviço de distribuição de água. Medida que, por mais justificações que os eleitos do PS na câmara possam querer passar para a opinião pública, não justificam o corte no fornecimento da água aos cidadãos, que por morarem distantes da rede pública de água, se veem

privados de poder obter água potável, um bem essencial e indispensável para as suas vidas”, afirma a Comissão Concelhia de Ferreira do Alentejo do PCP. Mário Simões, deputado do PSD, visitou o local e garante: “Há pessoas que não têm acesso à água potável e muito menos àquela que pode ser captada através de furos artesianos, na medida em que a sua qualidade está posta em causa”. Para o deputado, “não faz qualquer sentido que o município que se posiciona na linha da frente pela reivindicação de uma autoestrada, ou que promove viagens de avião para Cabo Verde, não disponha de orçamento para fornecer água a 15 agregados familiares”.


A Câmara de Beja vai doar aos bombeiros voluntários da cidade os rádios de telecomunicações do município, que estão desativados e inoperacionais e sob tutela do serviço municipal de proteção civil de Beja. O protocolo que visa a transferência de propriedade definitiva dos rádios do município para os bombeiros, como forma

ADPM identifica casos de sucesso entre projetos do Baixo Alentejo A Associação de Defesa do Património de Mértola (ADPM) está a fazer um estudo para identificar “casos de sucesso” em termos de contributo para o desenvolvimento local/rural entre projetos desenvolvidos no Baixo Alentejo e cofinanciados pela União Europeia.

de apoio à atividade da corporação, foi assinado na passada sexta-feira, 6, entre o município e a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Beja. A autarquia pretende implementar no concelho o Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal (Siresp), apoiado numa tecnologia digital.

O estudo pretende identificar projetos que “efetivamente contribuíram de forma decisiva para o desenvolvimento local-rural na ótica de princípios específicos, como o empreendedorismo, a inclusão, a inovação, a participação, o sentido de comunidade ou a sustentabilidade”, explica a ADPM. Segundo a ADPM, o estudo, que pretende identificar 18 casos

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Câmara de Beja doa rádios de telecomunicações aos bombeiros

de sucesso, irá destacar aspetos importantes para territórios de baixa densidade, como a criação de emprego, a diversificação da oferta turística, o apoio à família, a criação de produtos agrícolas e a formação profissional. As principais conclusões do estudo e a análise dos projetos selecionados serão publicadas e apresentadas num seminário.

Trabalho da associação em risco

Teatro Fórum de Moura foi despejado O Teatro Fórum de Moura ficou sem a sua sede de trabalho, embora tenha cumprido sempre com as suas obrigações. Uma ação movida em tribunal contra o proprietário do espaço culminou na penhora do imóvel. O trabalho do Teatro Fórum de Moura está agora em risco, mas a associação promete não baixar os braços e já procura soluções.

O

Teatro Fórum de Moura foi despejado da sua sede de trabalho, espaço que ocupava no Bairro da Salúquia, em Moura. Sede, esta, que começou por arrendar parcialmente, em 2007, e

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depois na totalidade, a partir de fevereiro de 2009. O contrato firmado com um senhorio particular terminava apenas em 31 de dezembro de 2014; no entanto, a ação de despejo foi movida pelo Millenium BCP, resultando de um processo movido em tribunal por parte desta instituição bancária ao senhorio, e que culminou na penhora do imóvel. “Esta ação de despejo apanhou-nos completamente desprevenidos. O contrato de arrendamento que tínhamos com o senhorio terminava apenas em 2014 e sempre cumprimos as nossas obrigações sem falhas”, afirma ao “Diário do Alentejo” Jorge Feliciano,

da direção do Teatro Fórum de Moura. E explica: “Fomos apanhados no meio de um processo litigioso entre um conhecido banco e o senhorio que resultou na penhora do imóvel. Para nós, esta ação representa, em primeiro lugar, um desrespeito enorme pela nossa atividade de serviço público, já que nenhuma das partes nos avisou previamente da possibilidade ou iminência deste ato, de forma a podermos minimizar os danos”. Danos que, segundo a direção do Teatro Fórum de Moura, “são muitos”. “Esta ação tem graves consequências. Enquanto estivermos nesta situação o trabalho de produção, bem como a logística e os processos de ensaios, não poderão decorrer

com a devida normalidade, o que impossibilita o cumprimento do plano de atividades aprovado”. Jorge Feliciano lembra ainda que, neste momento, “os quatro trabalhadores que compõem a equipa fixa do Teatro Fórum de Moura estão sem local de trabalho”. Esta ação de despejo vai, desde já, inviabilizar o Festival de Artes Comunicantes (FAC), que iria decorrer entre 3 e 4 de agosto. “A impossibilidade de podermos realizar os trabalhos de produção e logística somada ao facto de não termos conseguido qualquer apoio financeiro específico para a sua realização, obriga-nos a cancelar este festival, que na sua primeira edição teve uma vasta programação.

Quarenta atividades diferentes, participadas por mais de quatro mil espetadores, durante cinco dias”, diz Jorge Feliciano. Está, contudo, de acordo com a direção do Teatro Fórum de Moura, muito mais em risco. “Atravessamos também dificuldades financeiras e agora com mais esta situação, a curto/médio prazo, poderão colocar-se em risco postos de trabalho”. O Teatro Fórum de Moura tenta agora encontrar soluções para todos estes problemas e Jorge Feliciano adianta: “Estamos a analisar possibilidades conjuntamente com o nosso parceiro mais estável, a Câmara Municipal de Moura”. BS


Nova empreitada de pavimentação das ruas José Moedas e Mário Castrim

Diário do Alentejo 13 julho 2012

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Tiveram início esta semana as obras referentes à nova empreitada de pavimentação, que prevê a execução de uma rede de águas pluviais na rua José Moedas (traseiras do Patronato de Santo António) e a repavimentação deste troço. Além desta rua, também a rua Mário Castrim, a nascente do Centro Escolar de

Iapmei distingue 15 empresas de Beja O Instituto de Apoio às Pequenas e Médias Empresas e Inovação (Iapmei) distinguiu, em 2011, 15 empresas do concelho de Beja, anunciou esta semana a câmara municipal local. Esta distinção aplica-se a pequenas e médias empresas “PME Líder” que em 2011 “melhor se adaptaram às condicionantes do mercado, e que, por

Santa Maria, será intervencionada. O trânsito neste troço da rua José Moedas, entre a rua Fernando Pessoa e a rua Belchior Pereira Júnior, será condicionado por um prazo de cerca de 15 dias. O final desta empreitada, adjudicada à empresa Tecnovia Açores, S.A. no valor de 24 853,97 euros, está previsto para o início de agosto.

isso, foram mais competitivas”. No concelho de Beja existem 15 unidades consideradas “PME Líder”, “cujo contributo para o desenvolvimento socioeconómico local assume um papel preponderante”, adianta a câmara, que se congratula ainda “pelo reconhecimento de duas unidades do concelho com o prémio ‘PME Excelência 2011’: a Pinto Caeiro – Sociedade de Construções, Lda

e a Superbeja – Supermercados, Lda”. As unidades galardoadas “serão premiadas com facilidade no acesso ao crédito, melhores condições de financiamento e de aquisição de produtos ou serviços, maior simplificação no relacionamento com a banca e a administração pública”. Além das facilidades referidas, “estas empresas recebem também um certificado de qualidade”.

Segundo conjunto alentejano elevado a Património da Humanidade

Fortalezas de Elvas classificadas pela Unesco Era um sonho antigo a que o Comité do Património da Unesco veio agora dar resposta com a classificação do conjunto de fortificações de Elvas como património da humanidade. É o segundo conjunto urbano classificado pela Unesco no Alentejo, depois do Centro Histórico de Évora o ter sido em 1986. Texto Carlos Júlio

O

conjunto classificado no passado dia 30 de junho integra os fortes da Graça (século XVIII) e de Santa Luzia (século XVII), as muralhas medievais, três fortins do século XIX e o aqueduto da Amoreira. Segundo os especialistas, trata-se do maior conjunto de fortificações abaluartadas do mundo, que se estende por uma área de cerca de 10 quilómetros e ocupa 300 hectares.

As fortificações de Elvas estavam desde 2004 inscritas na lista indicativa de bens portugueses suscetíveis de serem classificados pela Unesco e a sua relevância deve-se, segundo o processo de classificação, ao facto de assentarem “num processo continuado de qualificação da capacidade militar defensiva e na progressiva adaptação a diferentes tipos de guerra, testemunhando os processos de evolução do armamento, da

D. Sancho II Foi ainda nos tempos da I Dinastia Portuguesa que se começaram a levantar as primeiras muralhas da maior fortificação abaluartada do mundo

engenharia militar e possuindo excelentes exemplos de sistemas defensivos”. Deste conjunto, o forte de Santa Luzia foi recuperado recentemente e tem ali instalado o museu militar, enquanto que o forte da Graça, monumento nacional desde 1910, propriedade do Ministério da Defesa, continua abandonado desde 1982 e em continuado estado de degradação. O projeto de recuperação ronda os 10 milhões de euros. Orgulhoso pela classificação, o presidente da Câmara de Elvas, Rondão de Almeida, recordou aos jornalistas que a autarquia investiu mais de 30 milhões de euros no restauro e conservação do património militar da cidade e que, a partir de agora “Elvas muda de estatuto, passa a constar do roteiro das cidades Património Mundial e eu sei o quanto Évora evoluiu depois de ter obtido essa classificação, sei o desenvolvimento que surgiu em termos de restauração, comércio e hotelaria”. Rondão de Almeida realça que num raio de 80 quilómetros passam a existir quatro cidades com o mesmo estatuto de Património da Humanidade – Cáceres e Mérida, em Espanha Elvas e Évora do lado português –, sublinhando que a classificação de Elvas constitui um dia histórico para a cidade. “Há dias que marcam a história da gente e este é um desses dias, um dia que vai marcar a História dos elvenses, dos alentejanos e também a de Portugal”, sublinha.

O exemplo de Évora 25 anos depois

Mais turismo, pouca conservação

A

classificação das fortalezas de Elvas como Património da Humanidade, como há 25 anos aconteceu com a classificação do Centro Histórico de Évora pela Unesco, suscita expectativas elevadas junto das autoridades locais e mesmo da generalidade dos cidadãos, quer no aumento do número de turistas, quer na possibilidade de acesso a verbas que possam ser canalizadas para a preservação do património classificado. Rondão de Almeida tem sublinhado isso mesmo. O presidente da Câmara de Elvas diz ter visto quanto “Évora evoluiu” em termos de “restauração, comércio e hotelaria”. Por altura da passagem dos 25 anos de Évora como Património Mundial, no dia 25 de novembro de 2011, foram feitos muitos balanços. Todos

eles apontam um lado positivo, mas há também quem refira a necessidade de uma “discriminação positiva” para as cidades classificadas. É o caso do presidente da Câmara de Évora, José Ernesto de Oliveira, eleito pelo PS, que considera que “as populações e os municípios” não podem ser os “únicos responsáveis” pela gestão e conservação deste património. Para João Cutileiro, escultor e residente na cidade, o balanço podia ter sido mais positivo. “O balanço destes 25 anos não é tão grande como eu gostaria. A classificação foi fabulosa, mas dá a sensação de que não nos preocupámos muito. Puseram-nos a medalha e pronto. Mas isto é como um divórcio num casamento. Não se pode tratar mal o cônjuge senão ele pode ir-se embora e, da mesma maneira que se ganha um património

mundial, também se pode perder esse património mundial. Não há nada que proíba que amanhã a Unesco nos venha dizer: vocês não tomaram bem conta do troféu…” No entanto, críticas à parte, há a consciência de que o turismo cresceu muito e a atividade económica também, logo a partir do momento da classificação. “Vieram gentes, vieram agentes, houve muitos agentes culturais que nasceram e se desenvolveram, vieram agentes comerciais, económicos, industriais e foi nessa altura que começaram a aparecer as unidades hoteleiras, algumas até de luxo, que hoje temos e que já vêm dessa época, tal como as unidades bancárias, de tal forma que a nossa cidade ficou cheia de unidades com atividade económica”, refere Abílio Fernandes,

presidente de câmara na altura, eleito pela CDU, e responsável por ter avançado com o processo de candidatura. Esse é um momento de “viragem na cidade” que José Ernesto Oliveira, o atual presidente de câmara, também recorda. “Évora cresceu muito depois da classificação. Évora era uma cidade de província, já com este património, mas muito mais pequena, nas várias dimensões. Muito menos dinâmica, muito menos conhecida, menos projetada interna e externamente, e hoje temos uma cidade conhecida a nível mundial, uma cidade que sabe preservar, manter tradições e património, construídos e não só, e ao mesmo tempo procurar também a captação de linhas de desenvolvimento, através de indústrias e atividades económicas com projeção no futuro”, afirma. CJ


13 Diário do Alentejo 13 julho 2012

Temos muita energia para libertar. Acabamos por construir as coisas em prol disso. Mas quem sabe? Daqui a uns anos podemos ser um grupo folclórico”

Balão Dirigível A banda bejense sobe amanhã ao palco dos Infantes, em Beja

Bejenses integram coletânea Novos Talentos Fnac 2012

A música de ataque dos Balão Dirigível São de Beja, jovens e têm uma banda, que começa cada vez mais a dar nas vistas. Primeiro ganharam concursos, depois o projeto A Música Portuguesa a Gostar dela Própria levo-os para um descampado para gravar a sua música e agora integram a coletânea Novos Talentos Fnac 2012. Pelo caminho há muito mais. Músicas gravadas e um novo trabalho a ser preparado. É este o admirável mundo dos Balão Dirigível. Texto Bruna Soares Foto José Ferrolho

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onheceram-se, jogaram à bola e formaram uma banda. Uma receita simples. A receita dos Balão Dirigível. A soma de José Penacho (guitarra), Tiago Lopes (guitarra/voz), Gil Saramago (guitarra), Luís Estanque (baixo) e Rafael Silveira (percussão). Mas para a fórmula ter dado resultado, antes do futebol já havia o gosto pela música. “Juntámo-nos pela música em primeiro lugar”, começam por explicar. E assim não restam dúvidas. O chão que os une é Beja e é na sua cidade que fazem a sua música, embora sonhem pisar todos os palcos e mais alguns, dentro e fora das fronteiras da sua terra natal. Da região. Do País. “Três de nós tocavam numa parte da cidade e os outros dois noutra. Acabámos por

nos juntar e ver o que é que a coisa dava. Isto há uns oito anos atrás”, contam. E a coisa deu--se. Tanto que este ano já integram a coletânea Novos Talentos Fnac 2012. Uma autêntica rampa de lançamento. “Abriu-nos bastantes portas no panorama musical nacional. Foi bastante gratificante termos sido convidados para integrar a compilação entre tantos bons projetos que estão a ser lançados atualmente”, consideram. Mas voltemos ao princípio. Há oito anos atrás. “Basicamente perdemos um ano a tocar a mesma música num sítio que nos distraía muito, o Clube dos Sargentos”, lembram. Com o tempo foram-se aventurando noutros voos e recordam: “Começamos por tocar umas covers. Por conseguirmos tocá-la sem nos enganarmos já nos sentíamos felizes”. Na altura isto bastava-lhes. “No início foi fácil conciliar os gostos de cada um, até porque todos ouvíamos o mesmo tipo de música. Só mais tarde começamos a mudar de gostos, o que foi bom para o processo criativo”, garantem. Querem ir tão longe quanto possam, e os deixem. Começaram por decidir gravar uma coisa mais “séria”, agora avisam: “Não sabemos ao certo onde pode chegar esta banda. O céu é o limite”. Foram para estúdio e gravaram o seu primeiro trabalho homónimo, na forma de EP. “Balão Dirigível” conta com quatro

faixas: “Danceteria”, “Fraquice”, “Nanda” e “Vicking”. Levaram cinco anos a amadurecer ideias antes da gravação. E garantem: “O amadurecimento é constante. Queremos repetir e aprender mais ainda”. Não sabem se já encontraram o seu caminho. Aliás, não sabem sequer se alguma vez o irão encontrar. Mas, como dizem, “a magia da coisa mora aí”. Definem a sua música como “música de ataque” e consideram-se uma banda rock, mas só pelo simples facto de ainda terem “muita energia para libertar”. “Acabamos por construir as coisas em prol disso. Mas quem sabe? Daqui a uns anos podemos ser um grupo folclórico”, afirmam. E como era de esperar, as ambições dos amigos que jogavam à bola e que formaram uma banda, que saiu da garagem, e que começa a ser cada vez mais conhecida, cresceram. “O nosso objetivo agora é espalhar o nome do projeto o máximo possível. Queremos tocar no maior número de sítios. Também queremos ir a estúdio ainda este ano e, quiçá, para o próximo ano, tocar lá fora”, dizem. O que já se sabe é que querem gravar a continuação do EP e já andam a angariar fundos para tal. Há mais Balão Dirigível em 2012. Pelo caminho já ganharam diversos concursos de bandas e houve muita gente

a fazer campanha para que atuassem no Sziget Festival na Hungria. Mais de 1 000 pessoas depositaram o seu “gosto” em Balão Dirigível no Facebook, na página oficial do festival em Portugal. Recordam ainda bem o dia em que pegaram nos instrumentos e foram tocar para um descampado. No meio da planície. A pedido do projeto A Música Portuguesa a Gostar dela Própria. “Deu-nos uma enorme ajuda na divulgação da nossa música e também conhecemos pessoas que nos ajudaram bastante no nosso percurso. Estamos bastante gratos por nos terem convidado a participar”, dizem. São muitos os concertos que têm em agenda e o próximo acontece já amanhã, sábado, em Beja, nos Infantes. As entradas revertem a favor da gravação do seu novo trabalho. Não são músicos a tempo inteiro e conjugar os trabalhos e os estudos nem sempre é fácil. Uns estão na cidade, outros fora. Voltam sempre que podem à sua terra. Para fazerem a sua música. Para se juntarem. Para tocarem. E até para, se lhes apetecer, jogar à bola. Até porque em equipa vencedora não se mexe. Lembram-se? Conheceram-se, jogaram à bola e formaram uma banda. Não necessariamente por esta ordem, mas sempre pela música. Sempre a música em primeiro lugar no admirável mundo dos Balão Dirigível.


Diário do Alentejo 13 julho 2012

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Até aqueles que denunciam a situação em que se encontra Beja, como eu, têm a sua quota-parte de responsabilidade na matéria. Não nos deixaram intervir, mas também não pressionámos mais. Já estou de saída... se é que alguma vez entrei. Leonel Borrela, Facebook do “DA”, 6 de julho de 2012

Opinião

Euro 2012: golos, política e polvo à Opalenica - Parte I Bruno Ferreira Humorista

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pronto. Lá se repetiu a história. Portugal sonhou com a final, e afinal o sonho acabou em pesadelo. Acreditem que eu percebo disto porque sou do Sporting. Foi o meu segundo pesadelo semifinalista em três meses. Na fatídica noite do Portugal - Espanha só houve dois vencedores. A equipa espanhola e a Telepizza. E a minha só chegou a meio da segunda parte do prolongamento. Foram 21 dias de ilusão como dizem em portunhol Ronaldo e Bento, se bem que não tenham consciência de que em português, ilusão, significa isso mesmo: uma esperança irrealizável. O País parou e Opalenica, a cidade polaca que serviu de base à seleção, passou a fazer parte do vocabulário dos portugueses, havendo mesmo registo de dias em que o vocábulo saiu mais do que palavras como crise, troika ou até cozido à portuguesa. Este foi também o Europeu da consagração da bicharada adivinha. Depois de Paul, o polvo bruxo alemão que previu corretamente os resultados de todos os jogos do Mundial de 2010, o Campeonato da Europa contou com mais polvos, mas também com cadelas, galinhas, porcos, crocodilos e até uma vaca, todos com poderes divinatórios, o que explica a ausência da Maya em programas de televisão a fornecer os habituais prognósticos dos astros para os resultados dos jogos. Mas no fim, ou quase, perdemos todos. Perdeu o País, mas sobretudo perdeu Passos Coelho para quem se acabou uma espécie de estado de graça imposto pela febre do futebol. Mais sorte teve o seu homólogo espanhol. Mariano Rajoy teve mais cinco dias de festa e aproveitou a vitória frente aos portugueses para declarar, na manhã seguinte, que a pressão dos juros de neutros hermanos se tornou insustentável. Mas nenhum dos hermanos reparou porque uns ainda festejavam enquanto os outros ainda dormiam. Este é mais um dos pontos que unem o mundo da política com o do futebol. Aliás, Passos Coelho terá apanhado boleia das vitórias da seleção frente à Dinamarca, Holanda, e República Checa para desistir da A26, parar o IP2, baixar as reformas, atrasar o Alqueva e criar um imposto para quem atravessa nas passadeiras de sandálias. Contudo a relação sombria entre política e futebol não se manifesta só em termos domésticos. Também a nível da geopolítica, a ligação entre os dois mundos é evidente. A Alemanha de Merkel queria empurrar o Portugal da troika para fora do(s) euro(s). Fez a sua parte (no campo futebolístico), mas Portugal inverteu o défice nos jogos seguintes. Depois veio a desgovernada Grécia – com um timoneiro português – que para os alemães também não faz falta no euro. E mais uma vez os germânicos empurraram um dos PIGS (Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha) para fora do barco. Quando estavam preparados para chegar à final a fim de arrumar com outro PIG, afogaram-se num mar de sangue latino de uma aflitinha Itália pós Berlusconi. O jogo maior do campeonato contou com dois países latinos, e uma equipa de arbitragem portuguesa. Da Alemanha, na final, sobrou apenas o registo de umas quantas salsichas,

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Não há dinheiro, a Câmara de Beja não o tem, para realizar a edição deste ano das PALAVRAS ANDARILHAS. Mas nem por isso o pessoal da Biblioteca de Beja baixou os braços e, já esta noite, promove no Pax Julia um espetáculo de angariação de fundos, com vista a não deixar cair um dos mais importantes encontros em torno da palavra que acontecem neste país. Mais do que um dever, ir é uma obrigação! PB

Temos de rogar a Deus para que não se lembrem de derrubar a torre do castelo e construírem uma rotunda no seu lugar! Porfírio Pereira Rodrigues, Facebook do “DA”, 6 de julho de 2012

mastigadas entre sorrisos durante a festa espanhola. Para a história fica que, apesar do esfoço guerreiro dos nossos jogadores, Portugal foi travado, uma vez mais, à porta do triunfo. De novo não fomos capazes, nem mesmo com estrelas como Ronaldo e Nani. Nem sequer o fenomenal Pepe, de nome completo Képler Laveran Lima Ferreira, natural de Maceió – que é como quem vai para o bairro de Francos, virando à esquerda no cruzamento, antes de Ramalde –, conseguiu o tão esperado milagre. Ele, que partilha com Roberto Leal o idioma brasileirês, ainda em fase de aprovação pela CPLP. (Continua…)

Cada coisa a seu tempo tem seu tempo

tão cedo para junto de Si. Hoje, quase dois meses depois de ele nos ter deixado, consegui, finalmente, escrever sobre Bernardo Sassetti. Não sobre a sua morte… mas sobre breves momentos da sua vida… aqueles que eu lhe conheci! E esta é a minha homenagem a Bernardo Sassetti! Por decisão pessoal, a autora do texto não escreve segundo o Novo Acordo Ortográfico

Mágoa de cheiro Viriato Teles Jornalista

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Ana Paula Figueira Docente do ensino superior

ntrei e sentei-me numa das cadeiras do teatro. No palco, o piano, o contrabaixo e a bateria conversavam harmoniosamente, em improvisações imprevistas, intercaladas por risos e observações, de tal inocência, que só podiam ser de gente amiga. De repente, senti que alguém me tocou no ombro. Voltei-me e vi uma menina. Seis, sete anos. “Queres um sugo?” – perguntou-me. – “A mãe diz que faz mal aos dentes, mas é bom… Sabes quem é a minha mãe? Chama-se Beatriz e está ali à frente! O pai está no piano e a minha irmã chamase Leonor! Olha, ela está ali, a brincar!”. Olhei e vi outra menina, um pouco mais pequena. Perguntei: “E tu, como te chamas?”. “Eu sou a Maria” – disse. – “Queres o sugo?” – voltou a perguntar, abrindo a sua pequena mãozinha e mostrando-me um sugo cor-de-laranja. “Obrigada” – respondi. – “Guarda-o para ti. Agora não me apetece”. “Então vou dar ao pai” – respondeu, de imediato. E correu para o palco onde o pai continuava a tocar, já sem casaco, já de pé, a brincar com as teclas, com os amigos, revelando um tal prazer que só alguns conseguem sentir. Foi assim que eu conheci o Bernardo Sassetti e a sua família. Pedi-lhe uma entrevista e ele, generosamente, concedeu-ma. Foi em Fevereiro do ano passado. Ele veio a Beja apresentar o seu último álbum – “Motion” – e eu tive a oportunidade de conversar com ele. Havíamos combinado encontrar às 18 e 30 horas mas o ensaio ainda não terminara; disse-me que demoraria talvez mais meia hora e perguntou-me se me importaria de aguardar. Obviamente, respondi que não; era, aliás, uma oportunidade única para mim assistir àquele ensaio! Cerca de uma hora depois, o ensaio terminou e fomos os dois para a cafetaria. Conversámos de música, de cinema, de fotografia… de vida, da sua vida! Percebi ter à minha frente alguém absolutamente admirável: ecléctico, genial e simples como todos os que são verdadeiramente Grandes conseguem ser… e generoso, muito generoso! A conversa fluiu e a determinada altura percebemos que já era tarde. O espectáculo tinha início em breve e o Bernardo ainda não tinha jantado. “Prometa que me vai contactar em Lisboa e continuamos a nossa conversa” – disse-me quando se despediu! “Fica prometido!” – respondi. Naquela noite assisti a um concerto memorável! Ouvir o Bernardo tocar o tema “O homem que diz adeus” foi algo absolutamente sublime! Não consegui cumprir a promessa que lhe havia feito! E já não vou ter oportunidade de o fazer! Mas, assim mesmo, congratulo-me por ter tido a possibilidade de conhecer, um bocadinho mais de perto, aquele indivíduo que – saiba-se lá porquê – Deus entendeu levar

uem passe pelas ruas de Lisboa neste Verão atípico não pode deixar de reparar como a cidade tem vindo a transformar-se num sítio cada vez mais malcheiroso. Nas ruas e nos bairros pobres, como sempre, mas também nos espaços tradicionalmente mais bem frequentados, nos lugares de alegada diversão nocturna, nas arcadas do Terreiro do Paço. Nem os jardins, os belos jardins de Lisboa que já foram lugares de encanto e de encontro, escapam aos maus odores. E não falo apenas do mau cheiro das lixeiras cada vez mais frequentes nos becos e nas ruas de má fama, nem dos esgotos maltratados que estrumam o casco velho da cidade, nem da poluição que paira no ar, nem da trampa canina que enxameia os passeios, nem da fragrância sovaqueira dos transportes públicos. O mau cheiro que se apossou de Lisboa vem sobretudo de cima, dos corredores do poder, da desvergonha que tomou conta de tudo perante a dissimulada indiferença de quase todos. É um pivete que se cola aos corpos e às almas de modo tão corriqueiro que já poucos parecem dar-se conta. Ele é o buraco sem fundo do BPN que já vai em seis mil milhões e continua a não ter um único culpado, ele são as declarações desavergonhadas dos antónios borges e dos jardins gonçalves, ele é a impunidade militante dos dias loureiros, dos isaltinos e dos duartes limas. Mais as secretas que espiam em público para a salvaguarda de interesses privados, mais o ministro sinistro que promete acabar com a dívida aumentando a dúvida, mais tudo o que ainda não sabemos nem sabemos se saberemos. Para aplacar as consciências e evitar consequências, dizem-nos que a culpa é da crise. Que gastámos mais do que podíamos e, assim, perdemos a confiança dos mercados. Os mercados que assumem, na sociedade de hoje, o papel dos deuses de outros tempos e cuja ira só será aplacada com o sacrifício dos jovens e dos velhos e de todos – menos daqueles que conduziram o País à podridão em que se encontra. A isto chamam eles «sentido de responsabilidade». De um lado um governo que não governa, do outro uma oposição que não tem nada a opor. No meio, como sempre, o povo. Manso, ordeiro, sereno. Adormecido entre o futebol e o fado, embalado por promessas de um futuro que nunca mais chega, anestesiado pelas mesmas conversas engravatadas com que nos enleiam e nos enlameiam. Lisboa fede. Como o País. Por opção do autor, este texto não segue o Acordo Ortográfico


A MURALHA DE ELVAS, a maior fortificação abaluartada do mundo, foi classificada este sábado como Património Mundial da Unesco. O conjunto de fortificações, que remontam ao reinado de D. Sancho II, possui um perímetro de cerca de 10 quilómetros e abrangem cerca de 300 hectares. E foram agora classificadas na categoria de bens culturais. O que é uma belíssima notícia para o Alentejo e para o País. PB

Há 50 anos Da Argélia independente aos mancebos “às sortes”

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empre na primeira página, o “Diário do Alentejo” de há meio século não deixava de dar, quotidianamente, pequenas notícias do País e do estrangeiro, a par dos artigos mais destacados sobre Beja e o conjunto da região alentejana. A independência da Argélia, nesse julho de 1962, era um assunto muito focado, mesmo que as informações fossem lacónicas. Três exemplos, nesses momentos históricos para o povo argelino: – “A Independência da Argélia – Nas principais cidades da Argélia, grandes manifestações de regozijo da população muçulmana têm assinalado a independência daquele país” (notícia no dia 4); – “A Independência da Argélia é hoje celebrada oficialmente – O G.P.R.A. [Governo Provisório da República Argelina] decidiu que a independência da Argélia se celebre oficialmente hoje, data do 132.º aniversário do desembarque das forças francesas naquele território” (no dia 5); – “Em Oran registaram-se ontem graves tumultos, havendo a registar trinta mortos – Quando a multidão de muçulmanos dava largas ao seu regozijo pela independência da Argélia, comandos ainda em acção do Exército Secreto [OAS, organização fascista dos militares e colonos franceses que se opunha à independência] causaram criminosos tumultos, havendo a registar trinta mortos e cinquenta feridos. Foi imposta hora de recolher naquela cidade e as forças da ordem dominaram a situação” (no dia 6). Nessa mesma edição, o jornalista Melo Garrido ocupava o “Varandim da Cidade” de Beja com um texto de temática “militar”, num País que mantinha uma guerra colonial em Angola: “Grupos de jovens, muitos deles trajando os fatos de ‘ver a Deus’ e a denunciarem a sua ‘condição campestre’ percorrem agora a cidade, pondo uma nota de bulício e de côr na sua vida habitualmente tranquila. São os mancebos que ‘vêm às sortes’ possuídos do orgulho e da alegria (despreocupada alegria essa!) de darem o primeiro passo a sério na sua vida de homens. Quase que lhes é indiferente o resultado das inspecções nem as consequências que elas terão quanto ao seu futuro. O facto de serem chamados ao exame das suas faculdades físicas, com vista a ‘servirem a tropa’, já para eles constitui um novo ciclo da sua existência. Depois, será o que o destino quiser. Apurados ou não, cumpriram o seu dever, portaram-se como homens que querem ser e como são já considerados. Todos têm a consciência de que a Pátria conta com eles, seja em que campo for. Por isso, a alegria exuberante com que se apresentam ás inspecções e o entusiasmo com que celebram esse dever, assumem tom de verdadeira festa. (...)” Carlos Lopes Pereira

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E, de repente, o TEATRO FÓRUM DE MOURA foi posto no olho da rua. Não que o agrupamento teatral mourense não tenha as suas rendas e contribuições em dia. O proprietário do imóvel onde até agora estava instalada a sede do Teatro Fórum é que foi visado pelo tribunal e vítima da penhora do imóvel. De malas à porta, é tempo de o Teatro Fórum procurar novo espaço. E que seja em breve. PB

(…) Família; ensino; política; sociedade; trabalho; qualidade do salário; economia e comunicação. Local, nacional e global. É o conjunto destes fatores, todos eles atualmente em conflito com o mais íntimo do indivíduo, o causador dos problemas [aqui] levantados. No entanto, Beja não é peça singular e única, neste teatro de desfiguração. Germano Vaz, Facebook do “DA”, 6 de julho de 2012

Direito de resposta Aljustrel ajuda animais Carlos Teles Vice-presidente da Câmara Municipal de Aljustrel

O município de Aljustrel ficou completamente surpreendido com o conteúdo do artigo “Canil e gatil de Castro em dificuldades: 130 animais sem alimentação”, publicado na edição de 29 de junho do “Diário do Alentejo”. Nesse artigo, a presidente da Associação Canil e Gatil os Rafeiritos do Alentejo (Acgra), Mariana Mamede, entrevistada pelo “Diário do Alentejo”, afirmou que a Câmara de Aljustrel não “… tem estado a cumprir com aquilo que nos prometeu…”, em alusão a um eventual incumprimento do município do protocolo firmado com a Acgra. Tais afirmações não correspondem minimamente à verdade, pelo que passamos a descrever os factos: a) O município de Aljustrel, desde a entrada em funções do atual executivo, sempre se disponibilizou para colaborar com a Acgra, por ser sensível aos objetivos da associação e por reconhecer a importância da sua ação no concelho de Aljustrel; b) Por via deste reconhecimento, o município de Aljustrel e a Acgra firmaram um protocolo a 23 de junho de 2010, ainda em vigor, que prevê a realização de obras nas instalações do canil/gatil da associação e a conceção de um apoio mensal correspondente a 252 euros; c) Os apoios já concedidos à Acgra ascendem globalmente a cerca de 17 500 euros. A saber: transferências diretas para a associação – 3 474 euros; pagamento de rações: 9 658 euros; obras de melhoramento na copa, enfermaria e construção de gatil (mão de obra): 4 217 euros; comparticipação na decoração de viatura: 186 euros; materiais para obras (areia, gravilha, cimento, etc.) e materiais de manutenção (gradeamentos metálicos, bebedouros, etc.). Fica claro que o município de Aljustrel não só cumpriu com o que se comprometeu em termos de protocolo com a Acgra, como superou claramente aquilo a que está obrigado por via desse acordo, por reconhecer o enorme contributo desta entidade para a preservação da saúde pública, recolhendo os animais que se encontram abandonados, e a importância da sua ação em defesa dos direitos dos animais, dando-lhes condições dignas de vida e colocando-os para doação – objetivos, valores e princípios que o município de Aljustrel muito preza

e que partilha com esta entidade. Não podemos, por isso, ficar indiferentes às afirmações da presidente da Acgra que consubstanciam uma injustiça, porque não traduzem a verdade dos factos, e uma afronta, porque colocam em causa a honestidade do município de Aljustrel, pelo que aguardamos esclarecimentos desta responsável relativamente às suas declarações ao “Diário do Alentejo”, que consideramos contraditórias e incompreensíveis, de forma a perspetivarmos o futuro desta importante parceria, que ficou, inevitavelmente, prejudicada pelos factos ocorridos. Não podemos deixar de estranhar, igualmente, a postura do “Diário do Alentejo” que, no artigo em questão, visou o município de Aljustrel sem direito ao exercício do contraditório em defesa do seu bom nome, numa questão que é sensível para a Câmara Municipal de Aljustrel, que muito se tem empenhado na defesa dos direitos dos animais no concelho de Aljustrel, pelo que decidimos recorrer ao presente direito de resposta como forma de clarificar a situação gerada pelo artigo em questão.

Sopas Joaquim Pessoa Lopes Confraria Gastronómica do Alentejo

Relativamente à notícia do passado dia 29 de junho findo, publicada na vossa rubrica “Perfil”, consta a atribuição de um primeiro prémio na “1.ª Mostra de Sopas Tradicionais do Alentejo” à D. Idália Carvoeiras. A presente mostra foi organizada, em parceria, pela Confraria Gastronómica do Alentejo e a Ovibeja, à semelhança de outros eventos gastronómicos que, desde 2004, têm vindo a acontecer, com especial relevância para os concursos de receitas de borrego. Vem assim a Confraria Gastronómica do Alentejo esclarecer que, no evento em causa, se tratou de uma mostra e tal, como o nome pressupõe, não sendo um concurso, não houve atribuição de quaisquer prémios. As sopas de feijão branco com tengarrinhas e catacuzes que a D. ldália apresentou foram, sem dúvida, das mais características e bem confecionadas do certame. No entanto, todos os outros participantes que contribuíram com sopas tradicionais do Alentejo para aquela mostra permitiram que estas fossem apreciadas e degustadas de forma positiva por todos os apreciadores presentes no evento. Cabe assim à nossa confraria esclarecer esse lapso informativo e aproveitar para agradecer a todos os participantes, sem exceção, a sua disponibilidade em partilhar connosco os seus saberes e sabores.

Estatuto Editorial do “Diário do Alentejo” 1. O “Diário do Alentejo” é um jornal semanário regionalista, de informação geral, que pretende através do texto e da imagem dar cobertura aos acontecimentos mais relevantes da região, e que sem se remeter a posições de neutralidade proporciona espaço ao pluralismo político e de ideias, e aos valores da democracia e da liberdade. 2. O “Diário do Alentejo” é um jornal semanário independente cuja linha editorial é submetida a critérios de total rigor e seriedade, recusando quaisquer inf luências ideológicas ou dos poderes político, económico e religioso. 3. O “Diário do Alentejo” produz um jornalismo transparente, abrangendo os mais variados campos da sociedade portuguesa em geral e da alentejana em particular, com exigência e qualidade, através de um trabalho eficaz, criativo e interativo, com o objetivo de bem informar e esclarecer um público plural. 4. O “Diário do Alentejo” não estabelece quaisquer hierarquias para as notícias e pretende contribuir para o debate e a reflexão sobre as grandes questões da região e do País, pelo que cria espaços apropriados para expressão de opiniões e não estabelece barreiras a qualquer corrente de comunicação. 5. O “Diário do Alentejo” considera que os factos e as opiniões devem ser separadas com evidência: os primeiros são intocáveis e as segundas são livres. 6. O “Diário do Alentejo” determina como únicos limites para a sua intervenção aqueles que são determinados pela lei, pela deontologia jornalística e ética profissional e por tudo aquilo que diga respeito à vida privada de todos os cidadãos.

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O ambiente rural impressionou-me imenso desde que cheguei ao Alentejo, e fui aproveitando sempre as horas vagas para fixar na tela os tipos rústicos; maiorais, ceifeiros, ciganos, abegões, mulheres da monda, gente da ceifa, como os trajes regionais […].”. Severo Portela

Museu

Mestre Severo Porte

O artista que nã

No passado dia 1 de julho, o Museu Municipal S

Almodôvar, reabriu portas depois de um ano de o

cação. Um espaço dedicado ao mestre pintor que aquela terra e por todo o Alentejo. Texto Marco Monteiro Cândido Fotos Câmara Municipal de Almodôvar

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into pois o rústico encantamento da planície, onde o homem se diminui e o espaço se engrandece, onde a terra acaba e o céu começa”. As palavras são de Severo Portela Júnior, registadas num escrito intitulado “Despedida”. Foi por este espaço desmedido, de planícies contínuas, searas douradas e ondulantes, homens rijos e queimados do sol, que o escultor tornado pintor se apaixonou. E foi por paixão que chegou ao Alentejo. Com apenas 22

anos, Severo Portela Júnior, coimbrão que se distinguiu no curso de Escultura da Escola de Belas Artes de Lisboa, foi viver para Almodôvar. A ligação à terra havia sido feita por parte da namorada que se tornou esposa, Maria José Carrilho Marreiros, cuja família era natural de Almodôvar, como refere o responsável pelo Museu Municipal Severo Portela (MMSV), Rui Santana. “Ele casa e a determinada altura vem viver com a mulher para Almodôvar, para casa dos pais dela. E torna-

-se um alentejano de opção, encarnando completamente a personagem. Ele próprio diz que se tornou um maioral, um homem do trabalho, da terra”. Também o enveredar pela pintura surgiu por via matrimonial. Sendo a sua mulher aluna particular do mestre Carlos Reis (pintor naturalista nascido em Torres Novas), Severo Portela, rodeado de um ambiente humano riquíssimo, de características únicas, e influenciado pela pintura da mulher, começou a

dedicar-se, também ele, à expressão na tela, como sublinha Rui Santana. “Severo Portela tirou o curso de escultura, iniciou-se na pintura, mas cedo se apaixonou pela pintura, um pouco influenciado pela mulher. E tornou-se um grande pintor e não escultor”. Numa carta ao arquiteto e amigo Jorge Segurado, de julho de 1980, Severo Portela assume a influência e o impacto que a mistura de tintas, telas e costumes locais tiveram no seu enveredar pela pintura. “[…] as

tintas, pincéis e paleta da namorada, e sobretudo o ambiente rural, mataram o escultor que era, transformando-o no pintor. […] O ambiente rural impressionou-me imenso desde que cheguei ao Alentejo, e fui aproveitando sempre as horas vagas para fixar na tela os tipos rústicos; maiorais, ceifeiros, ciganos, abegões, mulheres da monda, gente da ceifa, como os trajes regionais […].”. As influências do Alentejo na obra de Severo Portela são como as planícies: vastas e constantes.


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Motivos de Cozinha Alentejana

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o morre

Severo Portela, em

obras de requalifi-

e se apaixonou por

Obras como “Motivos de Cozinha Alentejana”, “As Bruxas de Almodôvar”, “A Ceifeira Bonita”, “Ceifeiro”, “Mestre Xico” e “Abegãos” mostram as suas ligações com Almodôvar e com o Alentejo. Muitas das personagens das suas obras são pessoas com quem convive, com quem se cruza em Almodôvar. Muitos dos objetos pintados são seus, como o chapéu ou o cajado, presentes em “Motivos de Cozinha Alentejana”, ex-libris exposto no MMSV. Outro exemplo é o

quadro “Os de Almodôvar”, presentemente no Museu do Chiado, em Lisboa, que esteve no MMSV em 2004 e que, segundo Rui Santana, mostra bem a relação com o quotidiano no resultado presente na tela. “É um quadro que representa as pessoas de Almodôvar, a igreja de Almodôvar, o edifício do museu com o acesso ainda pela praça da República como era antigamente e o pelourinho que existia na praça e que desapareceu. É um panorama de Almodôvar

e das pessoas com quem convivia diariamente. Aliás, os grandes modelos da sua pintura são os modelos de Almodôvar, são as pessoas alentejanas”. A ligação profunda com a terra que adotou como sua levou-o a doar parte do seu espólio artístico, cerca de 40 obras, ao município de Almodôvar, tendo este criado o museu municipal dedicado ao pintor em 1983, dois anos antes da sua morte. O MMSV foi instalado num edifício histórico de Almodôvar,

Com apenas 22 anos, Severo Portela Júnior, coimbrão que se distinguiu no curso de Escultura da Escola de Belas Artes de Lisboa, foi viver para Almodôvar.

construído no século XVI, onde ainda hoje se encontra. Imóvel de piso térreo e primeiro andar, servia este de paços do concelho, albergando o poder municipal, e aquele de cadeia. Em meados do século XIX e até à primeira metade do século XX, o edifício serve exclusivamente de cadeia, para depois ser encerrado. No início dos anos 80 do século passado, a Câmara Municipal de Almodôvar intervém na recuperação do edifício fechado e degradado, localizando aí a biblioteca municipal e o museu, situação que se manteve até 2002. A partir desta data, o museu ocupou os dois pisos, tendo sofrido obras de requalificação e modernização, reabrindo ao público no início do mês depois de um ano de obras. Se no piso térreo, na Sala da Memória, está patente uma exposição dedicada ao ofício de sapateiro, com grande tradição em Almodôvar, o primeiro andar é onde se pode descobrir Severo Portela. Em quatro salas, quatro divisões, como quatro foram as assinaturas do pintor ao longo dos tempos, a vida e obra de Severo Portela está acessível a quem a queira conhecer. Como refere Rui Santana, o museu é “um pretexto para as pessoas conhecerem mais de Severo Portela e partirem à descoberta da sua obra”. É nesse sentido que o MMSV pretende ter, a partir de setembro, numa aplicação interativa que já existe no museu, um mapeamento da localização de todas as obras de Severo Portela pelo País, incluindo os grandes murais, que estão espalhadas “desde o Algarve até Bragança”. Se ao longo da sua vida, depois de casar, Severo Portela dividiu o seu tempo entre Almodôvar e Lisboa, onde se deslocava para fazer grandes trabalhos e onde pintava num ateliê em frente ao Tejo, os últimos anos de vida foram passados permanentemente em Almodôvar. Faleceu em 1985, ficando sepultado na terra que acolheu como sua e que o acolheu como um dos seus. Mas não morreu permanentemente, pelo menos a julgar pelo que escreveu ao seu amigo Jorge segurado no Natal de 1969: “Passar além da vida/Na obra vivida/Ainda é viver/O artista não morre/Na morte da vida/Criar é sobreviver.”.


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Ana Margarida Vilhena tem 16 anos e é portadora de Trissomia 21. Mas tal não a impede de ser uma patinadora aplicada e graciosa que, aos nove anos, ingressou na seção de patinagem do Futebol Clube Castrense. Atleta federada, Ana Margarida participou com grande empenho e mérito na Taça

Desporto

Alentejo, que decorreu em Beja, nos dias 7 e 8 de junho, no Pavilhão João Magalhães. Para lá do desporto, Ana Margarida está integrada no ensino regular. No próximo ano letivo frequentará o 9.º ano, com um currículo específico individual. Um exemplo ímpar de integração social.

Junta de Santa Maria apoia equipa bejense A Junta de Freguesia de Santa Maria vai apoiar a equipa bejense de futebol de rua que vai estar presente na final nacional, que terá lugar em Beja entre os dias 19 e 22. A autarquia vai oferecer à equipa, denominada Futesperança, constituída por jovens do Bairro da Esperança, os equipamentos, prendas culturais e apoio logístico que venha a ser necessário. A junta sublinha que enquanto parceira do projeto Inclusão pela Arte e do Programa Escolhas associa-se ao futebol de rua de forma ativa, “contribuindo para o sucesso do mesmo”.

Beja recebe final nacional do projeto “Futebol de Rua”

Um remate pela inclusão social O “Futebol de Rua” transforma quem nele participa e serve de catalizador para diversas mudanças positivas nas suas vidas, e a sua presença em Beja sinaliza o reconhecimento pelo trabalho que nesta cidade está a ser feito na área da inclusão social. Texto e foto Firmino Paixão

A

9.ª final nacional do “Futebol de Rua”, que decorrerá em Beja entre os próximos dias 20 e 22, foi apresentada na cidade por Gonçalo Santos, da Associação Cais, e coordenador do projeto, na presença de Pulido Valente, presidente da Câmara Municipal de Beja, e de Gustavo Sousa, presidente da Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol (APAF), para além de outros parceiros institucionais que colaboram no evento. A competição reunirá mais de centena e meia de atletas, distribuídos por 18 equipas, vencedoras dos torneios regionais e distritais, representando as regiões autónomas da Madeira e Açores e os distritos de Aveiro, Beja, Bragança, Coimbra, Évora, Faro, Guarda, Leiria, Lisboa, Santarém, Setúbal, Portalegre, Porto, Viana do Castelo e Viseu, e uma equipa do Centro da Cais, de Lisboa. Os jogos realizam-se no polidesportivo contíguo aos relvados sintéticos do Complexo Desportivo Fernando Mamede. Gonçalo Santos, o coordenador do projeto, referiu: “O ‘Futebol de Rua’ é um projeto único em Portugal, que além de permitir o acesso à prática desportiva possibilita ainda a todos os que nele intervêm trabalhar as competências pessoas e sociais, tais como a motivação, a auto estima, a responsabilidade ou o trabalho de equipa. O projeto transforma quem nele participa e serve de catalisador para diversas mudanças positivas nas suas vidas”, disse, antes de sublinhar a importância da intervenção dos parceiros locais, além do município, nomeadamente o Regimento de Infantaria n.º 3, a Associação de Futebol de Beja e o Despertar Sporting Clube, entre outros. Numa intervenção de boas vindas, Pulido Valente disse: “É uma grande honra e um enorme prazer recebermos aqui essa iniciativa, um evento que tem uma importância e uma oportunidade que são de realçar, sobretudo pela situação em que todos nos encontramos em termos sociais, nomeadamente na nossa região, e a necessidade, cada vez maior, de trabalharmos pela inclusão, e esse tem sido, como comprova o sucesso das várias edições desta iniciativa, um instrumento

Apresentação da final nacional Gonçalo Santos (Associação Cais), Pulido Valente (CMB), Gustavo Sousa (APAF) e Fernando Queiroz (SCC/Luso)

fundamental para cumprir esse objetivo”. E manifestando agradecimento pelo facto de esta final se realizar em Beja, acrescentou: “Para nós é sinal de que estamos a desenvolver em conjunto com todos os parceiros um trabalho que merece algum reconhecimento e daí também, com certeza, terem escolhido Beja”. E realçou ainda: “Temos uma equipa do Centro Social do Bairro da Esperança, que participa já há algum tempo nestes torneios, com resultados bastante agradáveis e, por isso, não poderíamos deixar de manifestar a nossa disponibilidade para recebermos este evento o que também em termos de projeção nacional é importante”. Pulido Valente aproveitou para “deixar um agradecimento a todos os parceiros, não só deste projeto, mas também da Rede Social, que têm sido fundamentais para o trabalho que se tem feito nesta área da inclusão social e o Bairro da Esperança é um dos parceiros fortes nessa rede, com outros projetos para além deste”. E mostrou ainda reconhecimento “às outras entidades locais que estão envolvidas neste projeto e também aos funcionários do município que dão o seu melhor para que todas estas iniciativas corram de acordo com os objetivos traçados e com as solicitações externas”.

E a concluir disse: “Reiteramos a nossa disponibilidade para continuarmos a trabalhar convosco, neste como noutros projetos que entendam, porque cada vez mais é a área social que se impõe como nosso objetivo prioritário, tendo em conta as dificuldades crescentes com que todos nos temos vindo a deparar”. O líder da APAF, Gustavo Sousa, por sua vez, lembrou: “A associação tem vindo ao longo destes anos a patrocinar para que estes jogos decorram com normalidade e para que os próprios jovens percebam que alguém quer que eles retomem um caminho”. O “Futebol de Rua” terá “árbitros federados a nível nacional”, garantiu o dirigente, e recordou: “Apitei quatro finais e faço questão de voltar a fazê-lo. Quando apresento o currículo desportivo, para além da Taça de Portugal e da Supertaça, 209 jogos internacionais – fui árbitro de sete modalidades –, eu tenho quatro finais de ‘Futebol de Rua’ e não abdico de colocar estas finais como sendo tão grandes como as que fiz a nível oficial”. Este ano, sublinhou Gustavo Sousa, “é particularmente bom para a arbitragem portuguesa”: “Não podemos aqui prometer o Pedro Proença, mas teremos aqui árbitros de nível nacional”, assegurou.

“O ‘Futebol de Rua’ é um projeto único em Portugal, que além de permitir o acesso à prática desportiva possibilita ainda a todos os que nele intervêm trabalhar as competências pessoas e sociais, tais como a motivação, a auto estima, a responsabilidade ou o trabalho de equipa. O projeto transforma quem nele participa e serve de catalisador para diversas mudanças positivas nas suas vidas”


A Casa do Benfica de Beja realiza no próximo dia 29, na Concessão de Pesca de Santa Clara de Louredo, o X Grande Prémio de Pesca Desportiva da Casa do Benfica de Beja, uma prova consagrada no calendário regional da modalidade.

19 Diário do Alentejo 13 julho 2012

Grande Prémio de Pesca dos benfiquistas de Beja

Festa do atletismo A Associação de Atletismo de Beja promove no dia 8 de setembro, pelas 15 e 30 horas, no Clube de Sargentos da Força Aérea, em Beja, a sua Festa do Atletismo – Gala do Campeões. Durante o evento serão distinguidos os campeões da época desportiva 2012 e distribuídos diplomas aos novos sócios de mérito da associação.

Gala dos 35 anos da patinagem alentejana

Um desporto que faz parte da cultura dos portugueses A Associação de Patinagem do Alentejo assinalou os 35 anos da patinagem na região e distinguiu alguns dos seus agentes desportivos que mais se têm evidenciado ao serviço da modalidade. Texto e foto Firmino Paixão

F

undada em 13 de março de 1976, a Associação de Patinagem do Alentejo recolheu em vídeo, e para memória futura, os testemunhos históricos do singular percurso da patinagem ao longo dos primeiros 35 anos da sua existência na região alentejana. A associação, então designada de Alentejo e Algarve, foi fundada pelo Clube Desportivo de Beja, Grupo Desportivo de Vilamoura, Imortal Desportos Clube, Sport Clube Mineiro Aljustrelense, Sport Faro e Benfica e Sporting Clube de Cuba. O Aljustrelense é o único que ainda preserva a sua filiação entre os atuais 11 emblemas que dão colorido à atual Associação de Patinagem do Alentejo, que atualmente se debate com os medos de uma reestruturação federativa que ameaçam a sua autonomia e figura jurídica. Os depoimentos dos presidentes Ramalho da Silva, Reinaldo Castilho, Trindade Felício e Nuno Palma Ferro – Lourenço dos Anjos, o segundo presidente da associação já faleceu – sublinharam não só as dificuldades deste percurso, como os momentos de sucesso vividos, sendo relevante a omnipresença daquela figura histórica da modalidade que foi João Magalhães, mas onde não foi esquecida outra figura histórica que se chamou Armindo Peneque. Francisco Pratas, um dos fundadores da associação, também recordou as dificuldades de implantação da modalidade e as lutas travadas pela construção de infraestruturas que acolhessem o hóquei patinado, congratulando-se com o facto de a modalidade ainda congregar tantas pessoas e vontades. “A história, o presente de hoje, o passado de ontem e o futuro de amanhã” foram pontos cardeais de um percurso de mais de três décadas com impressionantes pedaços de história contada de viva voz por muitos protagonistas de vários pontos do distrito, num testemunho que Fernando Claro, o presidente da Federação Portuguesa de Patinagem, considerou “maravilhoso”, confessando-se “orgulhoso e muito sensibilizado”: “Nunca tinha visto como nasce uma associação, e hoje vi passo a passo como um punhado de pessoas, entre as quais algumas

Homenagem Fernando Claro (presidente da FP Patinagem) galardoou Reinaldo Castilho (ex-presidente da AP Alentejo)

que eu conheço e que ainda estão no mundo dos vivos, o fizeram. Mas tive também a felicidade de conhecer o João Magalhães. O homem ultrapassou todas as adversidades, com a sua dedicação e amor à modalidade, para que a Associação de Patinagem seja hoje esta realidade, implantando o nosso querido desporto, um desporto que faz parte da cultura dos portugueses”. O líder federativo frisou ainda: “Há necessidade de uma reestruturação associativa. Existem muitas associações, algumas nem conseguem ter um quadro competitivo distrital, portanto, os meios são tão poucos que nós temos que os rentabilizar, temos que aglutinar algumas associações, mas o Alentejo penso que não, pelo trabalho que tem feito, pelo número de atletas e de clubes, tudo isso pesa a seu favor. Tenho um estudo onde está implícito, embora lá não diga, que a Associação do Alentejo é uma das maiores e, atualmente, não só desenvolve a sua

atividade nesta região como também já se estende ao sul do País”. Manuel Soares, outro histórico da modalidade, revelou “um sentimento, sobretudo, de saudade e ao mesmo tempo de poder testemunhar o reconhecimento pelo trabalho dos pioneiros”. E recordou: “Também dei o meu pequeno contributo para que o hóquei em patins bejense singrasse. Fui dirigente do Hóquei Clube Pax Julia nos anos 50”. O primeiro árbitro internacional de hóquei em patins disse ainda: “Esta gala foi muito bonita, lembra aos novos que todas as infraestruturas e as condições que hoje existem foram o resultado de muita luta há mais de meio século”. E lembrou: “Em l948 já andavam por aí uns maduros patinando no alcatrão da antiga estrada de Évora, na zona do João Barbeiro, depois descobriram um retângulo de cimento no jardim, foram para lá e acabaram por obrigar o presidente da câmara a fazer lá um ringue”.

Nuno Palma Ferro, atual líder da APA, por sua vez, referiu: “A nossa obrigação é esta. Com 35 anos de história a associação nunca desaparecerá, ou será mais abrangente ou será absorvida, mas esta alma alentejana de patinar nunca desaparecerá, e este filme, daqui a sete ou oito anos, não seria possível de realizar porque tem depoimentos de pessoas que, provavelmente, nessa altura não estarão entre nós”, concluiu, feliz com o sucesso do evento. Os galardoados Antigos presidentes:

Ramalho da Silva, Reinaldo Castilho e Trindade Felício. Arbitragem: Luciano Reis (Conselho Regional Arbitragem). Treinadores de patinagem artística: Helena Dias (Serpa), Edgar Cheira (Almodôvar). Treinadores de hóquei em patins: João Mendes (Ext.S.Filipe/ Estremoz); Luís Veríssimo e Luís Cavaco (Castrense).


Título para Cabecinha, medalha para Dionísio

Diário do Alentejo 13 julho 2012

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Ana Cabecinha, atleta alentejana que representa o Clube Oriental do Pechão, venceu a prova de 10 000m marcha atlética (43.37.91’) inserida nos Campeonatos de Portugal disputados no Estádio Universitário de Lisboa. Dionísio Ventura, atleta do Movimento Associativo Ferreira Ativa, conquistou a medalha de bronze na prova de 10 000m marcha,

Triunfos e recordes em Vendas Novas A Associação de Atletismo de Évora realizou na pista de Vendas Novas os seus campeonatos distritais de absolutos, que tiveram a participação de quatro atletas da Juventude Desportiva das Neves, com os seguintes resultados: Sara Inácio venceu os 400m planos com o registo de 62,1’’ (recorde distrital de juvenis) e ganhou os 800m planos com a marca de 2.18.3’; o

com o tempo de 43.53.42’. Pedro Fontes (Zona Azul) obteve o 6.º lugar na prova de 400m seniores, com o registo de 49.43’’ (novo recorde distrital). Liliane Amaro (JD Neves) classificou-se no 5.º lugar da prova de saldo em comprimento seniores, com a marca de 5,67m; Teresa Mestre (Entradense) conseguiu o 5.º lugar (série) nos 100m/barreiras, com 15,84’’.

juvenil Diogo Luz participou no salto em comprimento, conseguindo o 2.º lugar com 6,23 m e venceu o dardo 800g com 40,41 m; Elsa Patriarca, juvenil, venceu a prova de dardo 600g com 30,25 m; e a juvenil Catarina Abreu ficou em 2.º no lançamento do peso 4kgs, com 8,60m, venceu o disco de 1kg com 29,89m e o martelo de 4kgs com 38,40m (novo recorde distrital de juvenis, juniores e seniores).

Uma história de vida que o desporto aligeira e a música embala

As emoções de um recordista

Títulos individuais: 2011/2012 (sénior): Campeão do Alentejo de pista 1 500 m. 2009/2010 (sénior): Campeão distrital de estrada, campeão distrital corta mato curto, campeão distrital de corta mato, campeão distrital de montanha, campeão distrital absoluto pista (400 e 800m), campeão Alentejo pista absolutos (800m).

Será que o atletismo, a música e a pastelaria têm alguma coisa em comum? Descobrimos que sim. Têm o nome de Celso Graciano, um jovem com 23 anos acabados de fazer, nascido em Beja, afável, divertido, ambicioso, que reparte o seu tempo entre estas três atividades.

2007/2008 (júnior): Campeão corta mato curto absoluto, campeão do Alentejo corta mato, campeão distrital de corta mato, campeão distrital de inverno clubes 800m, campeão distrital de pista 800 e 5 000m, campeão do Alentejo pista 1 500m.

Texto e foto Firmino Paixão

É

nas pautas da música que lê e compõe o futuro, adoçando os momentos mais adversos com a sua profissão de pasteleiro mas, depois de tudo isso, o que o fará ainda correr contra o tempo nas pistas e estradas deste seu Alentejo? Vamos saber … Teve uma ligação prematura ao desporto. O pai, Celso Graciano, conhecido no futebol pelo nome de “Gia”, era guarda-redes do Bairro da Conceição. O futebol ainda o atraiu: “A minha vida desportiva também começou pelo futebol, jogava com os meus amigos no Bairro da Conceição, ao atletismo não dava grande importância, mas comecei a ser bem-sucedido nas provas de corta mato escolar e puxaram por mim, entusiasmei-me e ano após ano fiz-me no atleta que sou hoje”. Não teve uma infância fácil. Ainda jovem viu os pais emigrarem para a Suiça: “Fui criado com a minha avó e tenho uma tia que tem sido como minha mãe”, refere Celso com algum embargo. Gostava que o mérito do seu sucesso desportivo tivesse mais impacto nos progenitores, mas o campeão do Alentejo 2012 em 1 500 m em pista e campeão distrital de montanha aceita conformado que esse reconhecimento se esbata com a distância que os separa. Celso Graciano revela: “Não fui eu que descobri o atletismo, eu fui descoberto pelo Carlos André, atual presidente do meu clube, o Beja Atlético Clube. Viu-me num corta mato escolar ali nos terrenos anexos à Ovibeja, apurei-me para os nacionais e a partir daí comecei a correr pelo clube. Ia ganhando umas medalhinhas, a frequência das vitórias ia aumentando e até hoje não estou arrependido de nada”. O atletismo, modalidade que pratica há 15 anos, tem-lhe dado

Perfil do atleta

2006/2007 (júnior): Campeão distrital salto altura sala, campeão distrital clube inverno 1 500m, campeão distrital de pista 1 500m, campeão do Alentejo pista 1 500m. 2005/2006 (juvenil): Campeão distrital de corta mato, campeão distrital de estrada, campeão Alentejo corta mato, campeão distrital clubes pista (800m e altura), km jovem distrital, campeão distrital de pista (400 e 800m). 2004/2005 (juvenil): Vencedor do Ol í mpico Jovem Distrital (400 e 800m), campeão distrital de juvenis (400 e 800m), 3.º classificado no Nacional de Pista 400m. 2003/2004 (iniciado): Campeão distrital pista 80 m. Recordes distritais atuais: 400m juvenis 52,30’’, 3 000 m/obst. juvenis 9.50.26’.

Celso Graciano Atleta do Beja Atlético Clube é campeão do Alentejo 2012 em 1 500m em pista

muitas alegrias: “Nunca me senti atraído para outras modalidades. A minha especialidade são as provas de meio fundo e fundo, dos 400m aos 10km. Sempre me disseram que eu tinha corpo de meio fundista, foi para aí que o meu treinador António Casaca me puxou e até hoje não me tenho dado mal”. Na época de 2004/2005, ainda juvenil, ganhou a medalha de bronze na prova de 400 metros do Campeonato Nacional de Pista: “Uma alegria enorme, o meu melhor momento no atletismo, a única medalha que o clube ganhou até hoje a nível nacional e fui eu que a consegui, por isso, sinto um orgulho enorme em representar o Beja Atlético Clube (BAC)”. Mas na carteira de sucessos de Celso estão ainda os recordes distritais dos 400 e dos 3 000 metros/obstáculos como juvenil, registos que

“até agora ainda ninguém os conseguiu bater”, revela o atleta, com orgulho. Os objetivos no atletismo passam por manter os atuais níveis e tentar competir em pista coberta. “Vou lutar por isso”, afirma perentório, sem sonhar com outros voos. Teve uma passagem fugaz pelo Alturense, prestou provas no Sporting, mas é no BAC que se sente bem: “É uma família que ali está, foram eles que me acarinharam e ali quero continuar”. Treinado por António Casaca há sete anos, avalia-o assim: “É o melhor treinador que eu vejo aqui na região, espero manter-me com ele, um bom técnico e excelente pessoa, tem-me aconselhado muito”. Confrontado com a meia crítica do seu técnico (ver último parágrafo), assume: “Vou seguir esse conselho, vou tentar trabalhar mais e melhor”. Acreditamos?

Ou estará o Celso a dar-nos música? Sim porque o Celso Graciano também é organista/vocalista e a música é mesmo a sua atividade de eleição. “Desde criança que quis ser músico, quando comecei a trabalhar fui comprando os instrumentos a pouco e pouco. Há três anos que ando nisto, aprendi sozinho e até hoje está a correr muito bem”. Animando bailes e festas populares, sem projetos que passem por qualquer produção artística, Celso não tem descanso aos fins de semana, uma atividade que o ajuda a equilibrar o orçamento. “Mas primeiro está a profissão”, diz o jovem pasteleiro numa das mais antigas e emblemáticas pastelarias da cidade, o Luiz da Rocha. “Tem sido a minha profissão nos últimos cinco anos, fui aprendendo aos poucos e hoje já sinto gosto pelo que faço”, sublinha o jovem, acentuando que

a pastelaria, a música e o atletismo “são três coisas que eu gosto de fazer”. Adocicar o insucesso de algumas corridas e dar música aos adversários, diremos nós, porque o atleta promete “recuperar os títulos perdidos no passado”. Celso visto pelo treinador António Casaca “O Celso é assim como aque-

les frutos agridoce. É um rapaz com um grande potencial, com muita capacidade para ser um grande atleta a nível nacional e ir talvez um pedacinho mais além. Mas precisa de trabalhar muito. Enquanto trabalhou bem progrediu e foi um dos meus atletas que foi medalhado no Campeonato Nacional de Juvenis, com um 3.º lugar nos 400m, com um registo que foi recorde distrital da categoria. É um atleta muito bom, assim possa dedicar-se mais a sério à modalidade”.


Os atletas Bruno Afonso (CN Mértola), Inês Esteves e Carlos Marques (CN Milfontes) estão a participar no Campeonato da Europa de Canoagem de Velocidade, competição que se iniciou ontem, quinta-feira, em Montemor-o-Velho (Coimbra).

Futebol de solidariedade O Benfica B e o Nacional da Madeira (equipa treinada por Pedro Caixinha, que também tem no plantel o bejense João Aurélio) jogam na próxima terça-feira, dia 17, pelas 19 horas, no Complexo Desportivo Fernando Mamede, em Beja, uma partida de caráter particular cujos fundos revertem para a Cercibeja.

Mundiais de Pesca Os jovens pescadores desportivos Ivo Figueira, Luís Fernandes e António Nunes, todos do Clube Amadores de Pesca do Baixo Alentejo (Alvito), vão competir no Campeonato do Mundo de Pesca Desportiva em Água Doce, sub/14, sub/18 e sub/23, que se disputa em Radece-Sevnica, na Eslovénia, nos próximos dias 28 e 29.

Não basta ser bom jogador para representar o Ferrobico

“Quem é humilde, é meu amigo…” Celso Ramos fez quase toda a sua formação desportiva no Futebol Clube de Serpa, após o que ingressou no Piense, clube da sua terra natal e onde se notabilizou o seu pai, Guilhermino, uma antiga glória dos alvinegros. Texto e foto Firmino Paixão

J

ogou também no Desportivo das Neves, mas foi no Cabeça Gorda que pôs termo à carreira de jogador, acedendo a um convite de Hugo Felício para integrar a sua equipa técnica no Piense. Uma vez emancipado como treinador principal, chegou a Cabeça Gorda há duas épocas. Na primeira viu, na segunda venceu, devolveu o Ferrobico ao escalão principal do futebol bejense e ofereceu-lhe o título de campeão distrital da 2ª. Divisão. Nem mais… Como se assume como treinador de futebol?

Sou rigoroso naquilo que faço, tento inovar, procuro que os jogadores gostem de treinar, que sintam vontade de fazer bons treinos e que procurem jogar bom futebol, independentemente do adversário ou da classificação. Enquanto treinador também sou um espectador, tenho que os ver todos os fins de semana e gosto de ver bom futebol. Como está o futebol no distrito de Beja?

Sinceramente acho que tem vindo a melhorar. A 2.ª Divisão com esta estrutura de uma série única foi uma prova competitiva e dificílima, um grande campeonato, se calhar com mais interesse que o da 1.ª Divisão, escalão onde vejo que há poucos jogadores, o que leva os clubes a recrutar atletas noutros distritos, mas desde que tragam qualidade ao nosso futebol não vejo nenhum pecado nisso. Trazer o Ferrobico de regresso à 1.ª Divisão foi um momento importante?

Celso Ramos O treinador do Cabeça Gorda considera que o futebol no distrito “tem vindo a melhorar”

Quando comecei a treinar não estava à espera de conseguir um título distrital tão rapidamente. Parece fácil mas não é, e neste caso até foi muito difícil. Mas com um conjunto espetacular, uma família como nós temos no balneário e na direção, tornou-se realidade e com a ajuda de todos conseguimos promover a equipa, com um plantel com pouco mais de 20 anos de média de idade, uma mescla de juventude e experiência, mas é isso que procuro. Gosto de jogadores jovens para ir formando e moldando, não gosto de jogadores já com muitos vícios. Conseguiram o título apenas com três derrotas, mas sem ganharem ao Amarelejense (perderam um jogo e empataram outro)…

Não sei se com as outras equipas foi igual, mas o Amarelejense connosco se calhar foi o campeão do antijogo. Era impossível jogar lá, depois de terem feito 1-0, era sistematicamente homens caídos e o massagista cinco minutos dentro do campo. Não conseguimos melhor, foi impossível. E em Pias sofreram a derrota mais pesada (4-0)…

Pois, na minha terra, foi um jogo em que jogámos bem, mesmo em inferioridade numérica, com uma grande penalidade e uma expulsão logo aos 10 minutos, e depois ficámos com nove. Quem viu o jogo vê que o resultado não condiz porque fizemos um bom jogo, tivemos posse de bola, mas são daqueles dias em que as coisas acontecem assim. O figurino de uma série única na 2.ª Divisão foi mais justo?

É, sem dúvida, o modelo mais justo, mas também temos que olhar para a questão financeira, em que os clubes têm custos superiores à 1.ª Divisão e estamos a falar de clubes com menos poder financeiro. Mas viu-se que na última jornada ainda estávamos a decidir quem era o campeão, embora face ao número impar de equipas o Piense, que era o outro candidato, não tivesse jogado.

acontecer ficará tudo preparado para outra pessoa. Com que plantel?

Não dispensei jogadores, não abdicaria de jogadores que foram campeões, e que deram tudo por aquela camisola. Alguns irão sair, não pela minha vontade, mas porque vão para outros clubes. Ficaremos com 90 por cento do plantel e teremos que colmatar algumas insuficiências com quatro ou cinco reforços. Mas todos com amor à camisola, tal como na época passada. Já interiorizou a mística do Ferrobico?

No primeiro ano de jogador senti logo um ambiente espetacular, pessoas unidas e humildes, para mim a humildade está acima de tudo. Quem é humilde é meu amigo. Não basta ser bom jogador para entrar naquele plantel.

Vai manter-se como técnico do Cabeça Gorda?

Este clube é uma ponte para outros projetos?

Tudo indica que sim, ainda não falámos sobre isso, temos estado a definir o plantel e a minha renovação, que será a mais fácil, fica para o final. Havemos de chegar a acordo, se isso não

Quem sabe se eu, o Ferrobico e as pessoas que estão no clube não atravessaremos todos juntos essa ponte e, todos juntos, possamos um dia voar mais alto? O futuro a Deus pertence...

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São Domingos José Saúde

Diz-nos a veemência do tempo que desafiar o passado é, numa ótima aceitável, projetar para o futuro virtualidades que ousam trazer à tona reproduções narrativas que contemplam nacos de histórias desportivas que nos remetam para realidades que jamais olvidaremos. Debruço-me acerca do São Domingos Foot-Ball Clube. Uma agremiação que marcou em tempos remotos uma forte implementação no palco futebolístico regional e nacional. Trazer à estampa o São Domingos, cujo equipamento ostenta o vermelho e o branco nas camisolas e o branco nos calções fazendo jus a uma dedicação incontornável dos seus mentores ao Benfica, é enaltecer épocas de ouro de um emblema que marcou uma inquestionável referência no futebol em Beja. Ordenam os resquícios do jogo da bola que o São Domingos emergiu no ano de 1922. Numa viagem às calendas desportivas regionais, certificamos que em 1925 o São Domingos, entre vários derbys efetuados, recebeu o Aldenovense e registou-se uma igualdade (2-2). Com o evoluir dos tempos a mina apresentou-se como uma fonte prodigiosa de mãode-obra. Na Mina de São Domingos ancoraram, e despontaram, jogadores de renome nacional. Valadas e Domingos Lopes, ao serviço do Benfica, foram internacionais e tiveram como berço de formação o clube alentejano. Nas suas vitrinas exibem-se ilustres troféus. O campo de jogos Cross Brown transbordava de gentes ao domingo. As moçoilas, sempre airosas, passeavam-se ao longo da estrada e a rapaziada forasteira disparatava com as belezas. A mina, porém, chegou ao fim. As suas gentes migraram. Ficaram os idosos. O movimento diário dissipou-se. O São Domingos perdeu o seu espaço áureo. Todavia, o gosto pelo futebol mantém-se. Paulatinamente o São Domingos remanesce e a sua presença nas competições é sentida. Para a próxima época – 2012/13 – os dirigentes apostam nos escalões de benjamins e juniores. Seniores? Na temporada seguinte, dizem.

Diário do Alentejo 13 julho 2012

Atletas de Mértola e de Milfontes nos Europeus de Canoagem


saúde

22 Diário do Alentejo 13 julho 2012

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Fisioterapia

Rua Bernardo Santareno, nº 10 Telef. 284326965 BEJA

DR. JOSÉ BELARMINO Clínica Geral e Medicina Familiar (Fac. C.M. Lisboa) Implantologia Oral e Prótese sobre Implantes (Universidade de San Pablo-Céu, Madrid)

CONSULTAS EM BEJA 2ª, 4ª e 5ª feira das 14 às 20 horas EM BERINGEL Telef 284998261 6ª e sábado das 14 às 20 horas DR. JAIME LENCASTRE Estomatologista (OM) Ortodontia

Fisioterapia

Assistente graduado de ginecologia e obstetrícia

Centro de Fisioterapia S. João Batista Fisiatria Dr. Carlos Machado Drª Ana Teresa Gaspar Psicologia Educacional Drª Elsa Silvestre Psicologia Clínica Drª M. Carmo Gonçalves Tratamentos de Fisioterapia Classes de Mobilidade Classes para Incontinência Urinária Reeducação do Pavimento Pélvico Reabilitação Pós Mastectomia Hidroterapia/Classes no meio aquático

Medicina dentária

Cirurgia Maxilo-facial

Luís Payne Pereira Médico Dentista

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Clínica do Jardim Praça Diogo Fernandes, nº11 – 2º

2ªs, 4ªs, 5ªs e 6ªs feiras, a partir das 14 e 30 horas Marcações pelo tel. 284311790 Rua do Canal, nº 4 - 1º trás 7800-483 BEJA

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Urologia

DR. J. S. GALHOZ

MÉDICO

FRANCISCO FINO CORREIA

Consultor de Psiquiatria

MÉDICO UROLOGISTA RINS E VIAS URINÁRIAS

Consultório Rua Capitão João Francisco Sousa 56-A 1º esqº 7800-451 BEJA Tel. 284320749

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HORÁRIO: Das 11 às 12.30 horas e das 14 às 18 horas pelo tel. 218481447 (Lisboa) ou Em Beja no dia das consultas às quartas-feiras Pelo tel. 284329134, depois das 14.30 horas na Rua Manuel António de Brito, nº 4 – 1º frente 7800-544 Beja (Edifício do Instituto do Coração, Frente ao Continente)

Consultas em Beja

Acordos com A.D.S.E., CGD, Medis, Advance Care, Multicare, Allianze, Seguros/Acidentes de trabalho, A.D.M., S.A.M.S.

Estomatologia

ULSB/Hospital José Joaquim Fernandes

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Marcações pelo 284322446; Fax 284326341 R. 25 de Abril, 11 cave esq. – 7800 BEJA

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Dermatologia

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Psiquiatria

Generalista

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Rua António Sardinha, 25r/c dtº Beja

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Ouvidos,Nariz, Garganta Exames da audição Consultas a partir das 14 horas Praça Diogo Fernandes, 23 - 1º F (Jardim do Bacalhau) Telef. 284322527 BEJA


saúde

23 Diário do Alentejo 13 julho 2012

PSICOLOGIA ANA CARACÓIS SANTOS – Educação emocional; – Psicoterapia de apoio; – Problemas comportamentais; – Dificuldades de integração escolar; – Orientação vocacional; – Métodos e hábitos de estudo GIP – Gabinete de Intervenção Psicológica Rua Almirante Cândido Reis, 13, 7800-445 BEJA Tel. 284321592

Clínica Médico-Dentária de S. FRANCISCO, LDA. Gerência de Fernanda Faustino Acordos: SAMS, ADMG, PSP, A.D.M.E., Portugal Telecom e Advancecare Rua General Morais Sarmento, nº 18, r/chão; TEL. 284327260 7800-064 BEJA

_______________________________________ Manuel Matias – Isabel Lima – Miguel Oliveira e Castro – Jaime Cruz Maurício Ecografia | Eco-Doppler Cor | Radiologia Digital Mamografia Digital | TAC | Uro-TC | Dental Scan Densitometria Óssea Nova valência: Colonoscopia Virtual Acordos: ADSE; PT-ACS; CGD; Medis, Multicare; SAMS; SAMS-quadros; Allianz; WDA; Humana; Mondial Assistance. Graça Santos Janeiro: Ecografia Obstétrica Marcações: Telefone: 284 313 330; Fax: 284 313 339; Web: www.crb.pt Rua Afonso de Albuquerque, 7 r/c – 7800-442 Beja e-mail: cradiologiabeja@mail.telepac.pt

CENTRO DE IMAGIOLOGIA DO BAIXO ALENTEJO ECOGRAFIA – Geral, Endocavitária, Osteoarticular, Ecodoppler TAC – Corpo, Neuroradiologia, Osteoarticular, Dentalscan Mamografia e Ecografia Mamária Ortopantomografia Electrocardiograma com relatório António Lopes – Aurora Alves – Helena Martelo – Montes Palma – Maria João Hrotko – Médicos Radiologistas – Convenções: ADSE, ACS-PT, SAD-GNR, CGD, MEDIS, SSMJ, SADPSP, SAMS, SAMS QUADROS, ADMS, MULTICARE,

Dr. Sidónio de Souza – Pneumologia/ Alergologia/Desabituação tabágica – H. Pulido Valente Dr. Fernando Pimentel – Reumatologia – Medicina Desportiva – Instituto Português de Reumatologia de Lisboa Dr.ª Verónica Túbal – Nutricionismo – H. de Beja Dr.ª Sandra Martins – Terapia da Fala – H. de Beja Dr. Francisco Barrocas – Psicologia Clínica/ Terapia Familiar – Membro Efectivo da Soc. Port. Terapia Familiar e da Assoc. Port. Terapias Comportamental e Cognitiva (Lisboa) – Assistente Principal – Centro Hospitalar do Baixo Alentejo. Dr. Rogério Guerreiro – Medicina preventiva – Tratamento inovador para deixar de fumar Dr. Gaspar Cano – Clínica Geral/ Medicina Familiar Dr.ª Nídia Amorim – Psicomotricidade/ Educação Especial e Reabilitação (dificuldades específicas de aprendizagem/dislexias) Dr. Sérgio Barroso – Especialista em Oncologia – H. de Beja Drª Margarida Loureiro – Endocrinologia/ Diabetes/Obesidade – Instituto Português de Oncologia de Lisboa Dr. Francisco Fino Correia – Urologia – Rins e Vias Urinárias – H. Beja Dr. Daniel Barrocas – Psiquiatria – Hospital de Évora Dr.ª Lucília Bravo – Psiquiatria H.Beja , Centro Hospi-talar de Lisboa (H.Júlio de Matos). Dr. Carlos Monteverde – Chefe de Serviço de Medicina Interna, doenças de estômago, fígado, rins, endoscopia digestiva. Dr.ª Ana Cristina Duarte – Pneumologia/ Alergologia Respiratória/Apneia do Sono – Assistente Hospitalar Graduada – Consultora de Pneumologia no Hospital de Beja Dr.ª Isabel Santos – Chefe de Serviço de Psiquiatria de Infância e Adolescência/Terapeuta familiar – Centro Hospitalar do Baixo Alentejo Dr.ª Paula Rodrigues – Psicologia Clínica – Hospital de Beja Dr.ª Luísa Guerreiro – Ginecologia/ Obstetrícia Dr. Jorge Araújo – Ecografias Obstétricas Dr.ª Ana Montalvão – Hematologia Clínica / Doenças do Sangue – Assistente Hospitalar – Hospital de Beja Dr.ª Ana Cristina Charraz – Psicologia Clínica – Hospital de Beja Dr. Diogo Matos – Dermatologia. Médico interno do Hospital Garcia da Orta. Dr.ª Madalena Espinho – Psicologia da Educação/Orientação Vocacional Dr.ª Ana Margarida Soares – Terapia da Fala - Habilitação/Reabilitação da linguagem e fala. Perturbação da leitura e escrita específica e não específica. Voz/Fluência. Dr.ª Maria João Dores – Técnica Superior de Educação Especial e Reabilitação/ Psicomotricidade. Perturbações do Desenvolvimento; Educação Especial; Reabilitação; Gerontomotricidade. Enfermeira Maria José Espanhol – Enfermeira especialista em saúde materna/Cuidados de enfermagem na clínica e ao domicílio/ Preparação pré e pós parto/amamentação e cuidados ao recém-nascido/Imagem corporal da mãe – H. de Beja

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Marcações diárias pelos tels. 284 322 503 Tm. 91 7716528 | Tm. 916203481 Rua Zeca Afonso, nº 6, 1º B, 7800-522 Beja Clinipaxmail@gmail.com

medicina geral e familiar Dr. Luís Capela

endocrinologia|diabetes|obesidade Dr.ª Luísa Raimundo

pneumologia|consulta do sono Dr.ª Eulália Semedo

ginecologia|obstetrícia|colposcopia Dr.ª Ana Ladeira

otorrinolaringologia|ORL pediátrica ;ǀĞƌƟŐĞŵͮŽŶĐŽůŽŐŝĂĚĂĐĂďĞĕĂĞƉĞƐĐŽĕŽͿ

Dr.ª Dulce Rocha Nunes

Diversos Acordos

psiquiatria e saúde mental Dr. Daniel Barrocas

psicologia clínica Dr.ª Maria João Póvoas

psicologia educacional Dr.ª Silvia Reis

terapia da fala Terapeuta Vera Baião

ĮƐŝŽƚĞƌĂƉŝĂͮƌĞĂďŝůŝƚĂĕĆŽ ;ƉſƐͲsͬƉſƐͲĐŝƌƵƌŐŝĂͬƚƌĂƵŵĂƚŽůŽŐŝĂͬĐŝŶĞƐŝŽƚĞƌĂƉŝĂͬĐŽůƵŶĂͿ

Terapeuta Fábio Apolinário

cirurgia vascular Dr.ª Helena Manso

ŵĞĚŝĐŝŶĂĞƐƚĠƟĐĂ Dr.ª Nídia Abreu

podologia Dr. Joaquim Godinho

medicina dentária Dr. Jaime Capela (implantologia) ƌ͘ǐŶĂZŝƚĂĂƌƌŽƐ;ŽƌƚŽĚŽŶƟĂͿ Dr. António Albuquerque

prótese dentária Téc. Ana João Godinho

cirurgia maxilo-facial Dr. Luís Loureiro

pediatria do desenvolvimento ƌ͘ǐŶĂ^ŽĮĂƌĂŶĐŽ

psicomotricidade|apoio pedagógico Terapeuta Helena Louro

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ƉƌſƚĞƐĞƐĂƵĚŝƟǀĂƐ Manutenção de todas as marcas Rua António Sardinha 23, 7800-447 Beja Telefone: 284 321 517 | Móvel: 961 341 105 | Fax: 284 327 331 clinibeja@gmail.com| www.facebook.com/clinibeja

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24 Diário do Alentejo 13 julho 2012 Diário do Alentejo n.º 1577 de 13/07/2012 1.ª Publicação

MINISTÉRIO DAS FINANÇAS AUTORIDADE TRIBUTÁRIA E ADUANEIRA SERVIÇO DE FINANÇAS DE BEJA

ÉDITOS DE 30 DIAS, ANÚNCIO PARA VENDA JUDICIAL POR LEILÃO ELECTRONICO E CITAÇÃO DE CREDORES MANUEL JOSÉ BORRACHA PÓLVORA, Chefe do Serviço de Finanças de Beja, faz público que por este Serviço de Finanças correm éditos de trinta dias, citando a executada Carazona – Águas de Mesa Lda, Contribuinte Fiscal nº 501.101.462, com última sede conhecida em Herdade da Carazona - Cabeça Gorda, executada nos Processos de Execução Fiscal nºs 0248200901015010, 0248200901023993, 0248201001015176, 0248201001039563 e 0248201101023128 , deste Serviço de Finanças, por dívidas de IMI e IVA, no montante total de € 2.676,05, ao qual acrescem os juros de mora e custas a contar nos termos da Lei, para no prazo de 30 (trinta) dias, imediatamente após os trinta dias do presente édito, e contados a partir da última publicação, pagar na Secção de Cobrança deste Serviço de Finanças, mediante guias a solicitar neste Serviço de Finanças, a dívida acima mencionada. Mais Fica citado que, para garantir o pagamento da dívida em questão, foi penhorado ao executado, acima mencionado, o bem que se identifica em seguida e que se não pagar a referida dívida dentro daquele prazo ou deduzir oposição, procederá este Serviço de Finanças à sua venda judicial por leilão electrónico, nos termos do art.º 248º do Código de Procedimento e de Processo Tributário, para o que já se encontra designado o dia 23 de Outubro de 2012, pelas 10,00 horas, neste Serviço de Finanças. BEM PENHORADO Identificação do Prédio: Prédio rústico denominado “ Herdade da Carazona de Baixo “, com a área total de 1,200000 ha, inscrito na matriz predial rústica da freguesia de Cabeça Gorda, Concelho de Beja, sob o artigo 6 da secção “H” e descrito na Conservatória do Registo Predial de Beja sob o nº 346/19910826. O valor base a anunciar para venda é de € 13.941,93, de acordo com o disposto no nº 4 do artigo 250º do Código de Procedimento e de Processo Tributário, que corresponde a 70% do valor fixado nos termos do nº 1 do mesmo artigo. É fiel depositário do mencionado bem o Sr. Álvaro Manuel da Silva Nobre, na qualidade de presidente da Freguesia de Cabeça Gorda, com sede na Praça Magalhães Lima nº6 – Cabeça Gorda, telefone: 284947294, que deverá mostrá-lo a quem pretenda examiná-lo. As propostas deverão ser apresentadas via Internet, mediante acesso ao “Portal das Finanças”, e autenticação enquanto utilizador registado, em www.portaldasfinanças.gov.pt na opção “Venda de bens penhorados”, ou seguindo consecutivamente as opções “Cidadãos”, “Outros Serviços”, “Venda Electrónica de Bens” e “Leilão Electrónico”. A licitação a apresentar deve ser de valor igual ou superior ao valor base da venda e superior a qualquer das licitações anteriormente apresentadas para essa venda. O prazo para licitação tem início no dia 2012-10-08, pelas 10,00 horas, e termina no dia 2012-10-23, às 10,00 horas. As propostas, uma vez submetidas, não podem ser retiradas, salvo disposição legal em contrário. No dia e hora designados para o termo do leilão, o Chefe de Finanças decide sobre a adjudicação do bem (artº 6º da portaria nº 219/2011). A totalidade do preço deverá ser depositada, à ordem do órgão de execução fiscal, no prazo de 15 dias, contados do termo do prazo de entrega das propostas, mediante guia a solicitar junto do órgão de execução fiscal, sob pena das sanções previstas (256º/1/e) CPPT). No caso de montante superior a 500 unidades de conta, e mediante requerimento fundamentado, entregue no prazo de 5 dias, contados do termo do prazo de entrega de propostas, poderá ser autorizado o depósito mencionado no parágrafo anterior, de apenas uma parte do preço, não inferior a um terço e o restante em, até 8 meses (256º/1/f) CPPT). A venda pode ainda estar sujeita ao pagamento dos impostos que se mostrem devidos, nomeadamente o Imposto Municipal sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis, o Imposto sobre O Valor Acrescentado ou outros. Ficam por este meio citados, de harmonia com o disposto no nº 2 do artigo 239º do Código de Procedimento e de Processo Tributário, quaisquer credores desconhecidos que gozem de garantia real sobre o bem penhorado, bem como os sucessores dos credores preferentes, para reclamarem os seus créditos no prazo de 15 (quinze) dias, findos os 20 (vinte) dias a contar da 2ª publicação do presente anuncio. E para constar, se passou o presente Edital / Anúncio e outros de igual teor que vão ser afixados nos lugares indicados por lei. Serviço de Finanças de Beja, aos vinte dias de Junho de 2012. O Chefe de Finanças Manuel José Borracha Pólvora

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SR. JOSÉ MANUEL TOPA MILHANO, de 78 anos, natural de Santiago Maior Beja, casado com a Exma. Sra. D. Maria Adelaide Pereira Ameixa Milhano. O funeral a cargo desta Agência realizou-se no passado dia 05, das Casas Mortuárias de Beja, para o cemitério desta cidade.

FERNANDO JOSÉ LAMEIRO, de 83 Anos, natural de Santiago Sesimbra, casado com Exma. Sra. D. Maria Joana Querido Lameiro. O funeral a cargo desta Agência realizou-se no passado dia 09, das Casas Mortuárias de Beja, para o cemitério desta cidade.

†. Faleceu a Exma. Sra. D. MARIA DA CONCEIÇÃO ESTÊVÃO MURTEIRA, de 81 anos, natural de Pêra - Silves, viúva. O funeral a cargo desta Agência realizou-se no passado dia 09, da Capela da Mansão de São José, para o cemitério de Beja.

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26 Diário do Alentejo 13 julho 2012

Notícias de Beja

A Planície

Correio do Alentejo

É o número de leitores que todas as semanas lê o “Diário do Alentejo” na sua versão papel. No facebook, todos os dias, mais de 4 000 leitores seguem a atualidade regional na página do “DA”

Diário do Alentejo

28 000 Fonte: Marktest. Relatório de resultados da imprensa regional no período compreendido entre abril de 2010 e março de 2011

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Um verão em cheio na Biblioteca de Odemira

Pais

Ovos cozidos são uma boa solução para quem decide passar umas horas na praia, piscina ou simplesmente fazer um picnic. Transformar um simples ovo cozido num lanche divertido é o lema desta rubrica. Divirtam-se a fazer e a comer.

À solta

É altura dos pais também darem uma ajuda e não precisam de ser muito habilidosos para construírem este brinquedo para os mais pequenos. Um pneu velho, parafusos e alguma criatividade na hora de pintar são os ingredientes necessários.

27 Diário do Alentejo 13 julho 2012

A Biblioteca de Odemira propõe-te um verão cheio de atividades que passam por jogos tradicionais, ateliês de expressão plástica e ações de promoção da leitura. Não podes perder nada nos meses de julho e agosto. Consulta programa próprio em www.cm-odemira.pt.

A páginas tantas... Onde moram as casas de Carla Maia de Almeida, com ilustrações de Alexandre Esgaio, fala-nos dos sítios onde vivemos como espelhos daquilo que somos, enquanto indivíduos ou como parte integrante de uma comunidade. Como diz a autora se as pessoas vivem em casas não é de ignorar a hipótese de as casas morarem nas pessoas e aquilo que fazemos delas é indicador do caminho que cada um segue enquanto pessoas, e moradores de uma casa bem maior que é o mundo. Neste livro encontramos casas que tal como alguns de nós gostam de estar junto dos amigos, da família, gostam do contato, do cheiro, dos sorrisos dos outros, mas há casas tal como algumas pessoas que gostam de viver mais isoladas. Um livro em que o cimento das casas é substituído por afetos.

Dica da semana O ilustrador do livro que esta semana te sugerimos é o Alexandre Esgaio, que se intitula como um desenhador da cidade, das casas, das pessoas. Dá uma espreitadela ao blog que vai alimentando em http://mariamacareu. blogspot.pt/ e vê um documentário sobre o seu trabalho em http:// youtu.be/zulGxpY5TCg

Jogo Quando o leite ganha cores o divertimento é muito maior e quando as cores se juntam numa podes sempre usar como tinta. Vais precisar de um prato com leite, corantes para bolos, um palito e sabão líquido. Deixa cair umas gotas de corante sobre o leite e mergulha o palito no sabão. Quando este tocar na tinta vais ter uma surpresa.

Pela tua mão Ulysses Moore e a porta do tempo Jason e Júlia mudam-se para uma mansão com vista para o mar chamada vivenda “Argo” e convidam Rick para passar a tarde com eles. Os três amigos começam a sua primeira aventura. Entram por uma porta misteriosa que os leva a uma caverna iluminada por pirilampos. Uma escada leva-os até um barco que se chama “Metis”, que os transporta até uma porta iniciando-se assim uma nova aventura. O que encontrarão atrás da porta? João, 11 anos


28 Diário do Alentejo 13 julho 2012

A Tecky é uma doce menina, jovem, com cerca de um ano. A pequena Tecky parece uma salsinha e por essa razão pensamos ser cruzada da raça teckel. Ela conquista todos com a sua simpatia, sendo muito sociável tanto com as pessoas como com os outros animais. Pelo seu pequeno tamanho e temperamento calmo irá adaptar-se bem a apartamento e a qualquer família que lhe dê carinho. Já está esterilizada e será vacinada em breve. Venham conhecê-la ao Cantinho dos Animais de Beja. Contactos: 962432844; sofiagoncalves.769@hotmail.com

Letras Lanterna mágica

Boa vida Comer Salada fria de frango com pão alentejano torrado Ingredientes para 4 pessoas: 4 peitos de frango, 200 gr. de massa cotovelo, 100 gr. de ervilhas, 100 gr. de milho, 4 ovos cozidos, 1 pepino, 1 alface, q.b. de maionese, q.b. de sal fino, q.b. de pimenta branca moída, fatias de pão torrado, 4 dentes de alho, 1 molho pequeno de coentros. Confeção: Coza em água e sal os peitos de frango. Deixe arrefecer e corte-os em cubos. Coza a massa na água que cozeu o frango, as ervilhas e o milho. Descasque o pepino e corte aos cubos, lave a alface e corte-a fininha. Misture tudo frio numa taça e envolva com um pouco de maionese e tempere com sal fino a seu gosto. Corte os ovos às rodelas e coloque-os por cima da salada e polvilhe com coentros picados. Depois do pão torrado barre com os dentes de alho e corte-o em palitos. Acompanhe com um bom vinho branco alentejano fresco e bom apetite…

António Nobre Chefe executivo de cozinha – Hotéis M’AR De AR, Évora

“F

Beber Meia de vinho

P

or vezes ocorre que as garrafas de vinho que abrimos em casa ficam a meio. Se quiser conservar o líquido nas melhores condições possíveis, deve considerar as propostas incluídas nesta sua coluna. Antes disso, e esperando que as férias proporcionem o tempo lento e dedicado às pessoas e coisas de que mais gostamos, relembro os procedimentos e os utensílios corretos para o serviço do vinho. A abertura da garrafa é uma fonte generosa de oxigénio que modifica os equilíbrios químicos a que o vinho estava habituado. Use um saca-rolhas que garanta a integridade da rolha. Não fure o topo inferior do vedante. Por menos de 10 euros pode adquirir um sacarolhas clássico de alavanca mas com gancho metálico que se apoia no gargalo com duas posições. A extração a dois tempos é muito suave e limpa. A marca “Pulltap’s” é uma boa Vinho de referência. Calendário Prove o vinho. Na maior parte das vezes é aconselhável Já se encontra on line verter o líquido diretamente da e de acesso gratuito garrafa para o copo. Se for um o novo guia “Copo & copo com um balão adequado, Alma, 319 Melhores Vinhos para 2012”. de capacidade superior a 30 cl, Só tem de entrar o espaço interior é suficiente em www.w-anibal. para demonstrar a bondade do com e conferir. No líquido. Alentejo um vinho que No final da degustação, tem sempre brilhado nesta seleção é o tinto quase sempre acompanhando IG Alentejano São a comida e na companhia da Miguel, Escolha dos família e dos amigos, o vinho Enólogos, de 2010. que sobra na garrafa deve ser preservado do contacto com o oxigénio e estabilizado com o arrefecimento. Use uma bomba manual de vácuo que provoca a sucção, através de uma rolha flexível com membrana, do ar alojado no interior da garrafa. Quando ouvir um click já está. Como referência procure a marca “Vacu Vin”, modelo Vacuum Wine Saver em qualquer garrafeira por 10 euros, aproximadamente. Depois guarde no frigorífico. Retire a garrafa de vinho tinto meia Vinho Diário hora antes de nova degustação; o vinho branco e o rosado Um dos vinhos que mais são retirados no momento do me impressionou na consumo. Sei que, nos dias que recente prova cega que correm, desconfia como nunca irá dar origem ao meu “Guia Popular de Vinhos”, de quem gere as suas aplicaedição 2013, disponível ções financeiras; fica a proem setembro nas livrarias messa de um excelente investie nos supermercados, mento para um retorno de três foi o branco Vila Ruiva, dias de estabilidade do seu viIG Alentejano de 2011. Compra segura em nho; por vezes mais. qualquer prateleira.

Aníbal Coutinho

anny e Alexandre” (1984) é o filme mais biográfico do realizador sueco Ingmar Bergman, mestre das luzes e sombras impressionadas num cinema que não é feito de matéria fotográfica e projeção mas acumula estudos sobre a alma – e a memória – e as paixões humanas. Lanterna mágica (1987), a autobiografia escrita, parece dar sequência ao filme. A lanterna mágica é um aparelho para projeção de imagens sobre vidro pintadas em cores translúcidas que se torna metáfora da relação de Bergman com o cinema. No livro, entre as recordações de infância, Bergman conta como, a troco de uns soldadinhos de chumbo, conseguiu a que fez despontar a sua paixão pela imagem. Nas memórias de Bergman, que desafiam a cronologia linear, acumulam-se episódios de uma existência marcada pela culpa e sem alegria mas que, como os seus filmes, se foi compondo com momentos de “amor, patetice, traição, ira, comicidade, tédio”. Está o fantasma do pai, o pastor luterano severo e brutal, e o retrato doloroso da mãe. E há a paixão pelo teatro, o amor pelas mulheres e pelas atrizes – por Liv Ullmann, mais do que todas. A vida de Bergman na esfera pública é pretexto para evocar desde as simpatias nacionais socialistas da família, ao assassinato por Olof Palme e, naturalmente, a sua questão com a fiscalidade sueca. No campo cinematográfico Bergman escreve sobre a admiração por Tarkovsky, o cineasta escultor do tempo, e os encontros com Chaplin e com Greta Garbo. Lanterna mágica não explica mas complementa a perspetivação da relação da biografia do autor de “Saraband” – no seu combate permanente com Deus – com a sua obra filmada. Em boa hora é reeditado pela Relógio d’Água com tradução, a partir do sueco, e notas de Alexandre Pastor (que já traduzira a primeira edição, de 1988, pela ed. Caravela). Maria do Carmo Piçarra

Ingmar Bergman Relógio d’Água 312 pág.s 25 Euros

Filatelia Amanhã há leilão

R

ealiza-se amanhã, no Hotel Lisboa Plaza, o 56.º leilão filatélico P. Dias. Estarão em disputa 2 600 lotes. São muitos os lotes merecedores de registo, no entanto chamamos a atenção para alguns dos lotes referentes aos selos de 1853 – D. Maria II, nomeadamente os lotes n.º 1222, 1231 e 1226, sendo este último o lote de valor base mais elevado de todo o catálogo, pois vai à praça por 4 400 euros. Segundo a descrição do catálogo, trata-se do selo de “1853, D. Maria II –Marcofilia/ /Nominativos – fragmento com selo de 100 Rs lilás malva, n.º 4 do catálogo Afinsa, papel médio, margens normais a boas, obliterado com o carimbo de barras ‘77’, e do carimbo nominativo ‘Coimbra’ (GM CBR – 11/VP tipo I), muito raro”, que pertenceu à coleção do português Joaquim Leote e posteriormente à do brasileiro Ângelo Lima. É acompanhado por certificado do Núcleo de Filatelia do Ateneu Comercial do Porto. Destaque-se também o lote n.º 43, que apresenta um conjunto de quatro selos de 1867/1869, D. Luís I fita curva (denteado). Trata-se de uma “espetacular franquia quadricolor em carta circulada de Lisboa (6.9.70), com carimbo de barras para a Suécia/Estocolmo, com selos de 5 Rs preto, 20 Rs bistre, 50 Rs verde-claro e 100 Rs lilás claro (n.ºs 27, 29, 31 e 33, catálogo Afinsa), P.D. a vermelho, porte da Prússia ‘12 gr.’ a lápis azul, porte sueco manuscrito a vermelho ‘35’. O porte de 175 Rs refere-se ao pagamento até à Holanda, tendo sido o restante porte pago conforme as indicações manuscritas atrás referidas. Esta é uma peça raríssima, emblemática para esta emissão e é acompanhado por certificado de expertização”. O seu valor base é de 3 500 euros. O catálogo pode ser consultado em www.leiloespdias.pt Geada de Sousa


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Petiscos Ao fresco do mar

V

ivi a minha adolescência e juventude aqui, em Sines. Eram três meses por ano e valiam por o ano inteiro. Chegava-se em junho, logo nos primeiros dias, depois duma viagem atribulada num Peugeot 404 de mudanças ao volante guiado pela minha mãe. Como se vê, chegámos sempre vivos, foi milagre. O calor em Beja já era muito, ao subir-se a serra de Grândola, da Cruz de João Mendes para a frente – nome curioso que invoca antigas paixões e dramas de sangue – abriam-se os ventos e respirava-se enfim o fresco do mar. Este era o momento aguardado com emoção, pelo menos da Páscoa em diante, o “ir prá praia”. O mais importante ao chegar, depois de, a toque de caixa e duma eventual estalada, se ter desfeito a mala e ajudado a arrumar a casa – abriam-se as janelas, a casa cheirava a mofo –, era saber quem cá estava. Quem tinha exame chegava mais tarde, os outros estavam aí mesmo a rebentar. Surpreendentemente, estávamos maiores, diferentes e houve mesmo uma fase em que a alguns dos nossos mais leais companheiros, dum ano para o outro, nasceram saliências no peito, tornearam-se-lhes as pernas e de repente transformaram-se em raparigas, algumas lindas, que apreciávamos mas com as quais pouco sabíamos lidar. Deixou de dar jeito contar com elas para ir ao pinhal armar aos pássaros, deixaram de poder vir pescar lula com toneira, à noite, nos viveiros de lagosta e já não se divertiam a mergulhar em salto mortal nas rochas do Pontal. A música, os bailes e os namoros só muito mais tarde resolveram esta questão a contento.

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A malta de Sines é que controlava os programas. O Alberto Tavares, o “Bé”, já sabia o que íamos fazer, os passeios, a pesca, a caça. “Leva a fisga”. “O meu pai deu-me uma Diana 25. Vou comprar chumbo”. Era uma espingarda de pressão de ar, sintoma de que havia um exame da quarta classe – o primeiro “à séria” – que tinha corrido bem. A meio da época, o grupo dos mais velhos – irmãos, primos, amigos, tudo gente doutra idade, alguns já fumavam e compravam cigarros – organizava uma sardinhada.

Sardinhas assadas num tambor cortado ao meio, pão de amassadura e isco. Bebia-se vinho tinto de garrafão, os “palhinhas”, com pirolito. Claro, para nós, os miúdos, só o pirolito mas autêntico, de arraiol, cheio de gás. As sardinhas eram compradas na lota, às caixas e muito baratas. Já não sei do que tenho saudades. Se do tempo que então vivi, se de todas as minhas gentes, se das coisas, das ruas, das praças, do castelo, se da cor do mar, se do gosto das coisas. Que boas eram as sardinhas. Se calhar tenho saudades da idade que tinha quando tinha aquela idade. É o mais certo! António Almodôvar


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ORLANDO FIALHO/CÂMARA MUNICIPAL DE MOURA

Diário do Alentejo 13 julho 2012

Memórias de Amália no Brejão

Amália, a grande diva do fado, encontrou no Brejão, concelho de Odemira, o seu pequeno paraíso na terra e ao longo de anos foi ali deixando memórias e afetos. É disso que é feita a exposição “A diva no Brejão”, patente no Centro Sociocultural da localidade até ao próximo dia 22. A mostra, que se compõe de objetos pessoais, roupas e

Fim de semana

fotografias da fadista registadas na sua casa de férias, assim como de vários pares de noivos a quem Amália cedia o espaço paradisíaco para sessões fotográficas, pretende angariar receitas para o centro clínico local. A organização é da Associação Diva Brejão, com o apoio da Fundação Amália Rodrigues e do município de Odemira.

História do jazz no espaço Oficinas Arranca hoje, sexta-feira, no espaço Oficinas, em Aljustrel, o curso livre de iniciação à história do jazz “Jazz de A a Z”. A ação, que decorrerá até 4 de maio estruturada em oito sessões, sempre às sextas-feiras, é ministrada por António Branco, dinamizador do Clube de Jazz do Conservatório Regional do Baixo Alentejo. A primeira sessão, pelas 21 e 30 horas, abordará o tema “Dos campos de algodão a Nova Orleães”.

Festas em honra da padroeira entre hoje, sexta-feira, e domingo

Moura homenageia Senhora do Carmo

E

porque julho já vai quase a meio, Moura volta a preparar-se para mais uma Festa de Nossa Senhora do Carmo, o momento mais alto da cidade da Margem Esquerda do Guadiana. Com origem no século XIII, data da fundação do Convento do Carmo, a festa realiza-se ininterruptamente até aos dias de hoje e promete, mais uma vez, entre hoje e domingo, 15, um programa onde as atividades de natureza pagã e religiosa se conjugam sem atropelos, atraindo mourenses onde quer que eles estejam ou vivam. Atividades desportivas, jogos populares, passeios a cavalo pelas ruas da cidade, vacadas pela madrugada dentro, teatro, stand-up comedy e noites musicais a cargo do vários estabelecimentos noturnos preenchem o cardápio preparado pela comissão de festas, que tem o apoio financeiro e logístico da câmara municipal local. Amanhã, sábado, cumpre-se ao anoitecer (21 horas) a tradição da saudação à padroeira pelas bandas filarmónicas, cerimónia a que costuma assistir “um autêntico formigueiro de gente” entre a praça e a igreja do Carmo, como vem registado no livro Moura, Culturas e Mentalidades, de José António Correia. Pelas 23 horas, atuam os Sonido Andaluz na rua das Terçarias e perto da uma da madrugada há espetáculo de fogo de artifício. No domingo, os pagadores de promessas ou os que apenas querem ver e acompanhar a senhora da sua devoção vão juntar-se em procissão a partir das 18 horas. Um percurso que começa e termina na igreja de Nossa Senhora do Carmo e que percorrerá as principais artérias da cidade, algumas delas bem estreitas e sinuosas, herança do domínio árabe. O cordão humano a acompanhar o repertório alusivo das bandas locais e a beleza das luxuosas colchas à janela, de onde se atiram coloridas pétalas de flores, são motivos suficientes para uma visita, mesmo para quem não é mourense ou crente.

VIII ExpoBaronia entre hoje e domingo Espetáculos musicais, garraiadas e uma festa da espuma vão levantar os humores este fim de semana em Vila Nova da Baronia, Alvito. O cartaz da VIII ExpoBaronia propõe para hoje, sexta-feira, a partir das 22 e 30 horas, música ao vivo com António João & Elisa, um tributo a Xutos & Pontapés e um final de noite com o DJ Mira. Amanhã, sábado, há baile com a banda Pack7 e uma festa da espuma já de madrugada, animada pelo DJ Frederico Barata. Bem cedo, no domingo, há uma largada de toiros, seguindo-se uma garraiada ao fim da tarde e a atuação dos Seara Nova, pelas 22 horas.

Noites na Nora cumpre segundo fim de semana

Em passeio, à descoberta das histórias de Beja

O Festival Noites na Nora, em Serpa, prepara-se para um segundo fim de semana de propostas, a começar pelo projeto Osso Vaidoso, que se apresenta hoje à noite, a partir das 22 e 30 horas. Tendo como mentores Ana Deus (Três Tristes Tigres) e Alexandre Soares (GNR), a banda vai ao palco de Serpa apresentar o disco “Animal”, uma “viagem toda ela feita de palavras escritas por Regina Guimarães, Alberto Pimenta, Valter Hugo Mãe e Ana Deus”, que além de dar voz também compõe. Amanhã, sábado, segue-se Julie & The Carjackers com o repertório de “Parasol”, um grupo que é descrito como sendo de“rock-folk com influências que variam entre a música tropical, exótica e o jazz”. Para encerrar o fim de semana, o projeto de dança e teatro Sou Movimento e Arte apresenta “Oliveira”, o resultado de uma residência artística partilhada com elementos da comunidade e que se inspira nesta árvore de conhecida longevidade.

A arqueóloga Susana Correia será a guia da segunda sessão do ciclo Ruas Com História, agendada para amanhã, sábado, pelas 18 e 30 horas, a partir do Museu Regional de Beja. A proposta, no âmbito da iniciativa Passeios de Beja, é que calmamente, a cada passo nas calçadas, o visitante “descubra pequenas histórias da cidade, ao longo de vários períodos”.

Balão Dirigível atuam no espaço Os Infantes A banda de rock alternativo Balão Dirigível vai estar amanhã no espaço Os Infantes, em Beja, num concerto a que se juntarão como convidados Paulo Ribeiro e Tuatara. “Três concertos num só, com um objetivo bastante justo”, sublinham os organizadores, a companhia Lendias d’Encantar. A totalidade da bilheteira (cada entrada custa três euros) reverterá a favor da gravação do segundo EP da banda bejense.


og (e sim, nÃo j es) en chronicl nem ao hidd

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Está deprimido? Anda ansioso? Stressado? Com palpitações? Com afrontamentos? Nervoso? Sente aquela pontada? Então vá ao médico que esta página não faz milagres. Mas depois vá ao Facebook e clique em “gosto” na nossa página. Estamos quase a chegar aos 300 seguidores e queremos bater os bandalhos do Borda d’ Água! Partilhe e obrigadinho! facebook.com/naoconfirmonemdesminto

estamos ok! le no facameobs o ao farmvil

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Refeições escolares: Tribunal Constitucional decide que execuções fiscais junto de pais em dívida são inconstitucionais pois “já é castigo suficiente comer na cantina da escola” Causou polémica a informação de que a Câmara Municipal

encarregados de proceder às execuções fiscais já terão co-

de Beja preparava execuções fiscais junto de pais que ti-

meçado a receber formação específica para lidar com os

nham em atraso o pagamento relativo às refeições escola-

contribuintes mais “quezilentos”. Depois da formação com

res dos seus filhos. Contudo, ao que apurámos, o assunto

o BOPE (os gajos do filme “Tropa de Elite”) e os Fuzileiros,

promete não ficar por aqui,

chegou a vez de receberem

já que foi apresentada uma

instrução da máfia cala-

queixa junto do Tribunal

bresa, como nos relatou um

Constitucional (TC) con-

funcionáriodoFisco:“Estou

tra esta medida, e contra o

a gostar muito de trabalhar

funcionário de uma escola

com os senhores da máfia.

da cidade que serve a sopa

Vê-se que têm muitos anos

aos alunos com a unha do

no ramo da cobrança coer-

dedo mindinho dentro da

civa. Gostei especialmente dos módulos ‘Rompimento

mesma, e segundo o acórdão desta instituição, a que

O pesadelo continua: Alunos indecisos entre comer carne com couves de Bruxelas gratinadas ou peixe com couves de Bruxelas gratinadas

tivemos acesso, “não faz

de braços com um barrote’ e ‘Introdução aos sapatos

sentido massacrar mais os pais desempregados com pro-

de cimento’. Eu bem tentei cobrar o dinheiro das refeições

blemas como a penhora dos imóveis onde residem ou dos

aos miúdos, mas, apesar do tamanho, há putos que nasce-

seus pâncreas” uma vez que “comer douradinhos com cou-

ram para a porrada… Outro dia fui a casa de um encarre-

ves de Bruxelas já é suficientemente prejudicial ao desen-

gado de educação: o miúdo atou-me os pés com os coman-

volvimento físico e psicológico dos jovens”. Por outro lado,

dos da PS3, enquanto o pai me agredia com um plasma de

uma investigação conjunta Não confirmo, nem desminto/

64 polegadas. Só eu sei o que me doeu: ainda hoje tenho o

/Inspetor Max descobriu que os funcionários das Finanças

símbolo da Benfica TV gravado na testa…”, sublinhou.

Inquérito

Crise: Trânsito aumenta no IC1 e pessoas pedem um cozido para 15 em Canal Caveira Com a chegada do verão, há cada vez mais portugueses a irem de férias para o Algarve e o tráfego tem aumentado de forma considerável no IC1. O nosso correspondente em Alvalade do Sado esteve à conversa com alguns turistas em Canal Caveira para perceber o porquê desta tendência: “A autoestrada está caríssima! E quando vou a uma estação de serviço na A2 estou sempre à espera que a pessoa que me atenda tenha uma meia de vidro na cabeça – aquilo é um roubo!”. O aumento de turistas, porém, é visto pelos comerciantes da zona com otimismo: “A coisa tem melhorado, mas vê-se que as pessoas andam aflitas. É raro o dia em que não me pedem um café para três, um bagaço para quatro ou um pastel de nata para oito. Quanto ao cozido, já me têm pedido uma dose para 15 e ainda levam os restos numa marmita… Parecendo que não, debulhar uma pratalhada daquelas não é para meninos…”. Mas Canal Caveira não é a única localidade a lucrar com a crise: desde a abertura da época balnear que aumentaram as vendas de k7 com piadas do Cantiflas na zona da Mimosa e de cassetes VHS de filmes de Chuck Norris e Steven Seagal em Ourique.

Ouviu falar do Bosão de Higgs (a “partícula de Deus”)?

ALOÍSIO ELETRÃO, 28 ANOS Pessoa que sempre que fala no Bosão de Higgs faz o trocadilho “Blusão” de Higgs Já ouvi e não quero ter nada a ver com esse assunto. Os tipos são muito espertos, mas a mim não me enganam! Acha que é inocente falarem disto no verão? Por mim, chega. Já tive problemas suficientes com esses negócios de time-sharing…

JOSÉ RODRIGUES DOS SANTOS, 48 ANOS Pessoa que tem um tique no olho no final do Telejornal

Funcionária de limpeza e diretora do Grupo Coral e Etnográfico de Cantadores do CERN

Para mim não é novidade. Já me tinha debruçado sobre isso no meu livro A Fórmula de Deus, provavelmente o melhor livro da história de Portugal. Mas acho que isto é um embuste, como revelarei no meu próximo best-seller de 958 páginas que escrevi em 15 dias: O Bosão de Higgs do CERN é um embuste. Neste livro, Tomás Noronha descobre “a partícula de Deus” no bolso das calças do papa através de uma freira sul-americana que afinal é uma agente da CIA voluptuosa e insaciável. Enfim, o melhor romance alguma vez publicado. JULIETA QUARK, 45 ANOS

Ouvi, trabalho com ele todos os dias. Tem sido uma maluqueira aqui no CERN que nem imagina! Os cientistas deixaram tudo numa lástima: ele é eletrões espalhados pelas salas, ele é neutrões fora do prazo no frigorífico... Nem imagina a quantidade de átomos que limpei das bancadas! Tive de passar duas vezes com o esfregão amarelo que os bichos não paravam quietos…


Nº 1577 (II Série) | 13 julho 2012

RIbanho

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FUNDADO A 1/6/1932 POR CARLOS DAS DORES MARQUES E MANUEL ANTÓNIO ENGANA PROPRIEDADE DA AMBAAL – ASSOCIAÇÃO DE MUNICÍPIOS DO BAIXO ALENTEJO E ALENTEJO LITORAL | Presidente do Conselho Directivo José Maria Pós-de-Mina | Praceta Rainha D. Leonor, 1 – 7800-431 BEJA | Publicidade e assinaturas TEL 284 310 164 FAX 284 240 881 E-mail comercial@diariodoalentejo.pt | Direcção e redacção TEL 284 310 165 FAX 284 240 881 E-mail jornal@diariodoalentejo. pt Assinaturas País € 28,62 (anual) € 19,08 (semestral) Estrangeiro € 30,32 (anual) € 20,21 (semestral) | Director Paulo Barriga (CP2092) | Redacção Bruna Soares (CP 8083), Carla Ferreira (CP4010), Nélia Pedrosa (CP3586) | Fotografia José Ferrolho, José Serrano | Cartoons e Ilustração Luca, Paulo Monteiro, Susa Monteiro Colaboradores da Redacção Alberto Franco, Aníbal Fernandes, Carlos Júlio, Firmino Paixão, Marco Monteiro Cândido Provedor do Leitor João Mário Caldeira | Colunistas Aníbal Coutinho, António Almodôvar, António Branco, António Nobre, Carlos Lopes Pereira, Constantino Piçarra, Francisco Pratas, Geada de Sousa, José Saúde, Rute Reimão Opinião Ana Paula Figueira, Bruno Ferreira, Cristina Taquelim, Daniel Mantinhas, Filipe Pombeiro, Francisco Marques, João Machado, João Madeira, José Manuel Basso, Luís Afonso, Luís Covas Lima, Luís Pedro Nunes, Manuel António do Rosário, Marcos Aguiar, Maria Graça Carvalho, Martinho Marques, Nuno Figueiredo | Publicidade e assinaturas Ana Neves | Paginação Antónia Bernardo, Aurora Correia, Cláudia Serafim | DTP/Informática Miguel Medalha | Projecto Gráfico Alémtudo, Design e Comunicação (alemtudo@sapo.pt) Depósito Legal Nº 29 738/89 | Nº de Registo do título 100 585 | ISSN 1646-9232 | Nº de Pessoa Colectiva 501 144 587 | Tiragem semanal 6000 Exemplares Impressão Empresa Gráfica Funchalense, SA | Distribuição VASP

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Hoje, sexta-feira, 13, o sol deverá brilhar em toda a região e a temperatura oscilará entre os 12 e os 32 graus centígrados. Amanhã, sábado, o céu estará limpo e no domingo também não se espera tempo nublado.

Cameirinha – a biografia, de António José Brito

O trabalhador “incansável”

O

jornalista António José Brito estreia-se no campo da biografia com um livro que conta o percurso de Leonel Cameirinha, o mais destacado dos empresários bejenses, que celebra este ano seis décadas de investimentos – no ramo automóvel, na hotelaria, na produção de vinho e azeite. O livro, que vai ser lançado no próximo dia 26 – no hotel Melius, em Beja, pelas 18 e 30 horas – revela um homem que, mesmo aos 86 anos, não perdeu o ritmo de “trabalhador incansável” e cuja inteligência sempre andou de mãos dadas com uma rara habilidade social.

com um amor e uma dedicação tão grandes. Nada lhe escapa. Conhece e trata tudo até ao mais pequeno detalhe. Isso é admirável, sobretudo porque estamos a falar de alguém que já leva mais de 60 anos de trabalho. Por outro lado, Leonel Cameirinha foi sempre ambicioso, é um magnífico conversador, divertido e, acima de tudo, é um comercial nato, que tem um segredo importante: é transparente e muito honesto em tudo o que faz.

É a sua primeira biografia. Foi uma escolha óbvia?

Com franqueza, já conhecia muito do percurso do comendador Cameirinha. Somos amigos há muitos anos e, quando foi possível, conversámos e fizemos alguns trabalhos para jornais. Contudo, há detalhes do seu percurso que foram completamente novos. Por exemplo, não sabia que teve um grupo de trabalhadores que, no 25 de Abril, quis tomar a Base Aérea de Beja. Ou que pilotou avionetas, apesar de não ter brevê. Acho que o melhor é mesmo ler o livro…

Creio que sim. Há alguns anos que queria escrever esta biografia e fui sempre adiando por diversos motivos. Nunca manifestei essa vontade a Leonel Cameirinha, embora a tenha partilhado com alguns amigos. Curiosamente, juntaram-se as duas vontades. O comendador Cameirinha abordou-me nesse sentido e rapidamente começámos a trabalhar. Portanto, fazer esta biografia, para mim foi algo óbvio. Mas posso adiantar que tenho mais um ou dois projetos neste registo que deverão concretizar-se no próximo ano. Leonel Cameirinha construiu do zero aquele que é hoje um dos principais grupos empresariais do Baixo Alentejo. Que características pessoais lhe destacaria para justificar este feito?

É um trabalhador incansável. Mesmo hoje, com 86 anos, continua a ser um homem extremamente dedicado a toda a atividade empresarial que mantém. Por exemplo, na sua herdade agrícola, é extraordinário como ele trata todo o espaço PUB

No decorrer deste trabalho, ficou surpreendido com algum aspeto menos conhecido publicamente do percurso ou personalidade de Leonel Cameirinha?

António José Brito 41 anos, natural de Entradas

Jornalista e diretor do semanário “Correio Alentejo”, dirigiu no passado também a Rádio Castrense e o “Diário do Alentejo”, entre outros projetos editoriais, além de ter sido colaborador da Rádio Renascença e do “Diário de Notícias”. Em 1995 recebe o Prémio de Jornalismo do Congresso sobre o Alentejo e uma década mais tarde escreve Entradas – A Sociedade e a Vila (2005). Cameirinha – a biografia é a sua estreia neste domínio da escrita, prevendo-se que no próximo ano se concretizem “mais um ou dois projetos” no mesmo registo, revela.

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Rota das Tabernas de Grândola termina amanhã Desde o início de junho que a 18.ª edição da Rota das Tabernas anda em digressão pelo concelho de Grândola, com cardápios que incluem os tradicionais petiscos com os melhores sabores da região e os vinhos dos produtores do concelho. Amanhã, sábado, a rota chega ao fim na taberna “O Justense”, na Aldeia da Justa, um encerramento acompanhado com salada de polvo, moelas em molho de tomate, feijoada de lebre e javali estufado.

“O meu filho chama-se Laura” amanhã no Pax Julia Adaptada de um clássico americano, a peça “O meu filho chama-se Laura” vai subir ao palco do Teatro Pax Julia amanhã, sábado, pelas mãos do Grupo de Teatro do Clube PT. O grupo interpretará uma família portuguesa de província confrontada com várias questões, umas de hoje, outras de sempre. O divórcio, a homossexualidade, as uniões de facto, as relações extraconjungais e a prostituição, numa abordagem que mostra “de que forma podemos desdramatizar certos problemas que atualmente já não deveriam sê-lo”. A partir das 21 e 30 horas.

Em que medida é que esta história de vida pode inspirar atuais e novos empreendedores e até os poderes políticos nesta missão de colocar a região no caminho do desenvolvimento?

Há ali uma lição fulcral: se a inteligência se juntar à mestria das relações públicas e, claro, assentar esses predicados numa intensa dedicação ao trabalho, é possível alcançar bons objetivos. Isso obriga a ser persistente, ambicioso e ter também alguma sorte. Cameirinha conseguiu conjugar muito bem tudo isto e manter uma vida social sempre intensa. Por isso foi o melhor de todos. Carla Ferreira

Isabel Maria de Jesus Festa merecida para a nossa leitora Isabel Maria de Jesus que, no passado dia 4, completou 100 anos de vida. Nascida em Entradas, mas atualmente residente no Lar Nossa Senhora da Conceição, em Santa Clara de Louredo, Isabel teve quatro filhos (dois já falecidos), seis netos e 11 bisnetos.

Ediçao N.º 1577  

Diario do Alentejo

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