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Há sangue novo no Despertar Sporting Clube de Beja Luís Mestre sucede a Mariano Baião

FIRMINO PAIXÃO

pág. 18

SEXTA-FEIRA, 22 JUNHO 2012 | Diretor: Paulo Barriga Ano LXXXI, No 1574 (II Série) | Preço: € 0,90

Mais 197 processos acompanhados pelas comissões de proteção em 2011

Distrito de Beja regista maior aumento nacional de crianças em risco JOSÉ SERRANO

pág. 6

É a cantar mas também a dançar que a gente se entende Portugal aguarda por 350 milhões da PAC O eurodeputado alentejano Capoulas Santos é o redator da proposta de reforma da PAC, que esta semana subiu à Comissão de Agricultura do Parlamento Europeu. O “DA” esteve em Bruxelas e percebeu que estão em jogo mais 350 milhões de euros para Portugal, entre 2014 e 2020. Mas a aprovação do novo quadro de referência ainda agora vai no adro. pág. 8

Foi recolhida em Montes Velhos, Aljustrel, a fotografia da capa. Durante um encontro de ranchos folclóricos. Onde ficámos a saber que os jovens alentejanos gostam das suas tradições e tentam preservá-las. Seja a cantar ou a dançar. Entretanto, em Beja, o cante deu mais um passo rumo à classificação como património da Humanidade. págs. 16/17

Mértola e Almodôvar perdem tribunais

De pequenino se empreende em Alvito

A nova reforma judiciária acaba com nove tribunais no Alentejo. Dois, Mértola e Almodôvar, são no distrito de Beja. Mas o documento aponta também para o encerramento das casas de justiça de Sines, Alcácer do Sal, Portel, Arraiolos, Nisa, Castelo de Vide e Avis. No País, ao todo, são 54 tribunais que fecham. A população de Alcácer já protesta nas ruas. pág. 7

Desde 2010 que as escolas de Alvito, por iniciativa da câmara local, têm em marcha o projeto “Aprender a empreender”. Trata-se de uma ação complementar ao plano escolar, onde as crianças são incitadas a ter ideias e a colocá-las em prática. Esta semana tiveram uma aula extra, a última do ano letivo, na herdade do Vale da Rosa. págs. 10/11


Diário do Alentejo 22 junho 2012

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Editorial TV Paulo Barriga

Vice-versa A ministra da Justiça defendeu no Parlamento a “possibilidade de julgamento de processo sumário quando há flagrante delito, (…) interpretada com as outras normas do código que se lhe referem. A pessoa pode pedir 20 dias para apresentar a sua defesa, podem ser necessárias perícias, e portanto é evidente que os julgamentos podem não ocorrer em 48 horas. Se alguém for detido em flagrante delito a esfaquear outra pessoa, matando-a frente a 20 testemunhas, não vejo que haja grande dúvida sobre a matéria. Mas sim, a pessoa pode pedir 20 dias para a sua defesa”. Paula Teixeira da Cruz, ministra da Justiça, in TSF

“Se nós virmos uma pessoa a esfaquear outra, não há dúvidas?! Pode haver, senhora ministra, porque o que está em causa não é o julgamento da autoria, isso é uma visão primária das coisas, mas da culpabilidade, que tem que ser avaliada com cautela. Nós não podemos fazer justiça das emoções. Tem que haver ponderação, tem que haver tempo para os juízes e os agentes judiciais colaborarem para se apreciar sobre a culpabilidade e as motivações dos crimes de que as pessoas vêm acusadas”.

P

ela altura que encerramos os trabalhos desta edição do “DA” ainda não sabemos se o Cristiano Ronaldo fez algum chapéu ao guarda-redes da República Checa. Ou qualquer outra daquelas suas maldades que tanto gozo e ânimo nos dão. Tal apenas acontecerá quando já tivermos o jornal na mão. Prontinho e impresso. Pelo que não vale mesmo nada a pena estar por agora a fazer futurologia com o desempenho e os enredos da participação portuguesa no Europeu de Futebol. Certo, certo, é que nesta quinta-feira, ontem mesmo, ao princípio da noite, o País parou. Ou terá parado. Para se refastelar defronte de uma qualquer televisão. Com os nervos miudinhos e os corações ao alto. O País, quer dizer, parte dele. Porque nestas coisas da democracia, da equidade, das oportunidades, da qualidade de vida, da igualdade de direitos, Portugal não é um país. Propriamente. É um pedaço de terra juntinho ao mar. Amontoado. Asselvajado. O interior, de cima a baixo, onde moram os resistentes, os teimosos e os velhos, raramente faz parte do rosário dessa nação valente. Que ontem, se não rejubilou com os golos da seleção, terá praguejado com as táticas e as más escolhas do selecionador ou com a falta de classe dos nossos heróis do dia anterior. Defronte da televisão. Defronte dessa tal caixinha que mudou o mundo. Para melhor. Mas que para alguns, com o recente advento da digitalização do sinal, deixou de brilhar. Para alguns, como acontece nas aldeias de Ourique ou nos cabeços perdidos de Mértola, o mundo não mudou. Apenas desapareceu num mar de pequenas estrelinhas. A apressada introdução da TDT, para lá da injustiça social que muitas vezes está por detrás da sua implementação, veio retirar o sinal que ligava milhares de famílias ao mundo. Talvez ontem tenha sido um grande dia para o futebol nacional. Um dia de grande euforia coletiva. Um dia com um país (quase) inteiro pregado à televisão. Mas por muito boa que tenha sido a exibição dos nossos craques e por excelente que tenha sido o resultado, há muita gente nesses montes que não irá colocar a bandeira nacional à porta. E que estará disposta a fazer fortes críticas a Portugal. Esse país que continua a ser apenas para alguns. Mesmo nos melhores momentos.

Luís Pita Ameixa, deputado do PS, in TSF

Fotonotícia

Migar o pão. Uma açorda de alho é sempre uma açorda. Mas esta é daquelas bem valentes. Pode não ter sido a maior do mundo, como desejavam os habitantes de Montes Velhos. mas uma açorda com 120 pães de quilo, quatro litros de azeite e 250 litros de água, não é propriamente coisa para passar despercebida. E “se para o ano a crise for mais pequenina até bacalhau a açorda há de ter”. As palavras são das organizadoras que este fim de semana sentaram à mesma mesa, comuitária com mais de 80 metros, mais de seis centenas de pessoas. Claro que nem todos comeram as sopas duras, nem todos conseguiram um lugar na mesa inicial. Mas que a festa teve sabor a coentros, lá isso teve. PB Foto de José Serrano

Voz do povo Beja é uma cidade segura?

Maria do Rosário, 57 anos, ex-funcionária pública

Penso que sim. Sinto-me segura a qualquer hora. O único hábito de segurança que alterei foi o de fechar a porta para além do trinco. Agora dou mais uma volta à chave. Sei que às vezes acontecem umas coisas, mas não são suficientes para transmitir insegurança aos cidadãos.

Inquérito de José Serrano

João Paulo, 64 anos, reformado da Função Pública

Já foi. Neste momento penso que é um pouco insegura. A autoridade tem que agir melhor em certos casos. Por enquanto não adotei novos hábitos de segurança. Ainda faço tudo como fazia dantes. Mas devia haver mais polícias na rua.

Júlio Canteiro, 85 anos, reformado

Teresa Ramos, 51 anos, auxiliar de ação direta

É mais segura que muitas outras. A mim nunca me aconteceu nada. Mas ainda assim julgo que vivemos tempos inseguros. As autoridades não têm força para reprimir certos abusos. É isso que está mal. Nunca tive receio de andar na rua. E hoje também não.

Acho que sim. Por enquanto. Às vezes saio de casa à noite para ir trabalhar e ainda nunca vi nada de anormal. Mas já não tenho a mesma segurança que tinha há uns anos. Já tem de ser o meu marido a ir levar-me ao carro. Porque eu tenho receio de ir sozinha.


Rede social

Semana passada DIA 15, SEXTA-FEIRA ALENTEJO ESPECIALISTA APONTA FESTIVAL TERRAS SEM SOMBRA COMO “EXEMPLO” O Festival Terras Sem Sombra, a maior iniciativa de música sacra no País, que decorre no Alentejo, foi apontado por um especialista como “exemplo” da concretização de uma das recomendações do Plano para a Sustentabilidade, que vai ser apresentado na Cimeira Rio+20. Amalio de Marichalar, especialista em questões ambientais, indicou que o festival de música português suporta a quarta recomendação do plano a apresentar no Rio de Janeiro: “Promover a cultura como pilar central da sustentabilidade”. O Festival Terras sem Sombra, promovido pelo Departamento do Património da Diocese de Beja, alia a cultura à biodiversidade, incluindo concertos quinzenais e convidando artistas ou comunidades locais para, no dia seguinte, realizarem uma ação de sensibilização ambiental.

DIA 18, SEGUNDA-FEIRA ODEMIRA DETIDO POR POSSE DE DROGA A GNR anunciou a detenção de um homem de 29 anos, na localidade de Zambujeira do Mar, no concelho de Odemira, por posse de 25 gramas de haxixe. Segundo a guarda, o detido, após ter sido constituído arguido, foi libertado e sujeito a Termo de Identidade e Residência.

SANTIAGO DO CACÉM TRIBUNAL CONDENA EMPRESÁRIO RESPONSÁVEL POR MONTAGEM DE BANCADA QUE CAIU NA SANTIAGRO 2008 O empresário responsável pela montagem de uma bancada que caiu na feira Santiagro 2008 foi condenado, pelo Tribunal de Santiago do Cacém, a três anos de pena suspensa e ao pagamento de 30 mil euros às vítimas. Rogério Bragança foi condenado pela “inobservância de cuidados técnicos” na construção da bancada, que caiu durante um espetáculo, e por “14 crimes de ofensa à integridade física por negligência”, tendo-lhe sido aplicada uma pena total de três anos de prisão, suspensa por igual período de tempo. Na sentença, proferida pelo Tribunal de Santiago do Cacém, o empresário de estuturas foi ainda condenado ao pagamento de indemnizações a oito vítimas, no valor global de cerca de 30 mil euros. O empresário foi constituído arguido neste processo juntamente com dois funcionários ao seu serviço e com José Manuel Carvalho, proprietário da empresa Megalqueva, que contratou a montagem da bancada, tendo estes três sido absolvidos. O processo remonta a 31 de maio de 2008, quando, durante um espetáculo de rodeo à portuguesa promovido pela Megalqueva, no âmbito da 21.ª edição da Feira Agropecuária e do Cavalo de Santiago do Cacém, a bancada onde se encontrava uma parte da assistência caiu. Na sequência da queda da estrutura, 69 pessoas tiveram de receber tratamento hospitalar.

DIA 19, TERÇA-FEIRA BEJA DEPARTAMENTO DE PSIQUIATRIA E SAÚDE MENTAL EM FUNCIONAMENTO A PARTIR DE JULHO O Governo aponta o início de julho como a data para a entrada em funcionamento do Departamento de Psiquiatria e Saúde Mental de Beja, noticiou a rádio Pax. A previsão surge numa resposta do Governo a Luís Pita Ameixa, deputado do PS eleito por Beja, que questionou o ministério sobre a data de início de atividade do departamento, assim como a colocação de profissionais que permitam assegurar o funcionamento do mesmo. O Governo refere que em maio a construção do Departamento de Psiquiatria e Saúde Mental ficou concluída. Apesar disso, na Unidade de Internamento, situada no mesmo edifício, “não foram acauteladas algumas regras de segurança” pelo que, depois da entrega da obra, vão ser “realizadas intervenções técnicas nas novas instalações”. Desta forma o Estado prevê o início de funcionamento de toda a atividade assistencial de ambulatório no princípio de julho. Já a Unidade de Internamento “não é possível” começar a funcionar “na mesma data”, uma vez que, segundo o Governo, “não dispõe do número de médicos psiquiatras indispensável para garantir a cobertura de cuidados médicos de internamento 24/24 horas”. Segundo o ministério para o funcionamento da Unidade de Internamento são necessários “mais um médico pedopsiquiatra e dois médicos de psiquiatria de adultos”.

3 perguntas a Isabel Campos Diretora da Alsud A Alsud – Cooperativa de Ensino e Formação Profissional do Alengarve recebeu uma menção honrosa no âmbito do concurso Escola Alerta, do Instituto Nacional de Reabilitação. Em que consiste o trabalho distinguido?

O trabalho, intitulado “Plano para a Melhoria das Acessibilidades no Festival Islâmico de Mértola”, consiste num levantamento de barreiras e soluções arquitetónicas e comunicacionais para as pessoas com mobilidade ou acesso condicionado por razões de deficiência ou outras. Foi elaborado pelos alunos Ana Teresa Silvestre e Ruben Roberto, que estão no 2.º ano do curso profissional de Proteção Civil, no âmbito da sua formação em contexto de trabalho. A opção por este tema está relacionada com várias facetas do nosso projeto educativo de cariz marcadamente inclusivo: por um lado, trata as questões da segurança, uma temática do curso que aqueles alunos frequentam, por outro lado, aprofunda as noções e as vivências da cidadania e da intervenção social associadas à igualdade de oportunidades, estímulos estes que são muito valorizados nesta escola. Sendo o Festival Islâmico um evento cultural que traz a Mértola milhares de pessoas que confluem para a zona do casco histórico da vila, uma zona de particular beleza e dificuldade, pareceunos pertinente fazer o levantamento das barreiras e das soluções de forma a tornar as novas edições mais acessíveis a todos.

O empreendedorismo em Beja Esta foi uma conferência fora de portas. Fora das portas do Iscte, que veio a Beja promover o empreendedorismo. E esta foi a pergunta que mais se impôs: Que desafios para o desenvolvimento do Alentejo? Pulido Valente, presidente da Câmara de Beja, fez as honras da casa.

“A minha escola é um passo de dança” no Pax Julia Estas meninas deram um espetáculo de dança no Pax Julia de se lhe tirar o chapéu. São alunas do Conservatório Regional do Baixo Alentejo e não restam dúvidas: a sua escola é um passo de dança. Bailaram e encantaram no espetáculo final. Para o ano há mais.

À conversa sobre Gonçalves Correia em Beja À conversa sobre Gonçalves Correia. A mesa compôs-se e o auditório da biblioteca também, para ouvir falar do homem que seguiu como mote o pacifismo, o respeito ao próximo, os ideais anarcossindicalistas. Uma conversa em jeito de homenagem.

Que significado tem esta distinção?

Para nós este prémio é importante por ser o reconhecimento do intenso trabalho e por ser uma distinção de nível nacional. Até aqui o concurso Escola Alerta tinha uma fase regional da qual fomos vencedores por duas vezes. Mas o mais importante não é o prémio, é a evolução das mentalidades e das consciências face a um assunto que toca os direitos das pessoas e obriga a pensar nas diferenças. Enquanto escola inclusiva vemos as questões sociais com muita acutilância. Algumas escolas de ensino profissional têm vindo a enfrentar graves problemas decorrentes dos modelos de financiamento aplicados. Qual é a situação atual da Alsud?

As escolas profissionais fazem um trabalho meritório há mais de 20 anos, formam técnicos com reconhecida qualidade e por isso deveriam merecer maior reconhecimento. Ainda assim, apesar do cenário de crise e dos constrangimentos agudos que o interior do País vive, a Alsud não tem quaisquer dívidas a alunos, professores, funcionários e fornecedores e mantem os seus compromissos honrados. Para o próximo ano letivo propomo-nos abrir o curso de Assistente de Arqueólogo, destinado a jovens até aos 25 anos com o 9.º ano completo ou ensino secundário incompleto. NP

Uma enchente para ouvir e ver Pablo Alborán Pablo Alborán levou uma multidão ao encerramento do Encontro de Culturas, em Serpa. Que o diga a organização, que se viu obrigada a mudar o concerto de sítio, para o complexo desportivo, tanta era a gente que queria ouvir e ver o menino bonito de Espanha.

Embaixadora de Cabo Verde no IPBeja A embaixadora de Cabo Verde em Portugal, Madalena Neves, foi ao IPBeja. O sábado foi o dia escolhido para a visita. É que no mesmo dia, quase à mesma hora, inauguraram-se as instalações da Associação de Estudantes Cabo-Verdianos no IPBeja. Uma visita “dois em um”.

Diário do Alentejo 22 junho 2012

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Diário do Alentejo 22 junho 2012

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Aivados

A aldeia que é uma espécie de república

A terra onde o povo mais ordena Num dos extremos do concelho de Castro Verde fica a aldeia de Aivados. Aldeia típica, de casas baixas e alvas, é pelo conceito de comunidade que aparece de tempos a tempos sob os focos da atenção pública. Numa aldeia onde o povo ainda é quem mais ordena, a grande dificuldade está na continuidade e no perpetuar do espírito e noção de comunidade, já que mais não seja, pela falta de gente. Texto Marco Monteiro Cândido Fotos José Serrano

A

manhã já começou há algumas horas. Na terra que fica debruçada sobre a antiga linha de comboio da Funcheira para Beja, os Aivados, nada se ouve, apenas o bulício campestre da planície alentejana. À entrada da aldeia, um pequeno jardim. Bancos e pérgulas de madeira, os primeiros despidos de gente e as segundas de vegetação e da sombra que poderiam proporcionar. Ao lado, uma bica de água, num espaço todo ele arranjado. Mas ao mesmo tempo, desolador, pelo vazio, pelo silêncio, pela ausência de presença e por vegetação crescida. Mais à frente, o lavadouro público. Os tanques lá estão, à espera de alguém que lhes dê uso. A aldeia de Aivados tem uma particularidade que a distingue de todas as outras: o conceito comunitário que a acompanha há centenas de anos. Ao lado da aldeia está uma herdade com cerca de 400 hectares que foi doada à população da terra, diz-se, por uma senhora abastada. Ainda hoje esse conceito permanece, com um rebanho comunitário, o arrendamento de uma parcela de terreno a uma pedreira, o pagamento dos livros escolares aos mais novos, subsídios de nascimento e de morte, e de uma ajuda para a ceia de Natal. Tudo isto é administrado pela Associação do Povo de Aivados, eleita pelo povo, e que divide os dividendos do bem comum, a herdade, e de tudo o que daí advém por todos os habitantes. Uma administração coletiva do bem de todos, onde o povo é, de facto, quem mais ordena. Atravessando a aldeia, depressa se chega ao largo. Não se vê ninguém nas ruas. A caminhada, que começa junto à antiga escola primária, transformada, desde 2008, num centro comunitário, termina no largo vazio. O letreiro publicitário anuncia o típico Café Central de todas as terras. Mas este está de portas corridas, fechadas, encerradas, ostentando um número de telefone para quem

quiser comprar o imóvel. À porta, bancos de madeira. Vazios. Uma carrinha branca passa. Vem vender pão. Logo de seguida, outra carrinha, desta vez com roupas. As vozes começam a emergir no silêncio da aldeia. Em torno das carrinhas reúnem-se alguns aivadenses para comprar alguma coisa, visto que o comércio não existe na terra. O único comércio é o ambulante, que se vai deslocando ao sabor dos dias até esta aldeia batizada de comunitária. A varrer a rua onde mora está Manuel Bento, de 69 anos. Voltou à sua terra no início do ano, depois de muitos no Barreiro, numa margem ao sul do Tejo que se tornou não mais do que um prolongamento, em anos que já lá vão, das próprias planícies alentejanas. A conversa de Manuel é dominada por um abaixo-assinado que está a levar a cabo na aldeia, fruto daquilo que é um dos grandes problemas da terra e que tem que ver com o, deficiente, fornecimento de energia. “Há cerca de 10 anos que existe uma avaria da EDP aqui na aldeia em que a corrente é interrompida variadíssimas vezes durante o dia e durante a noite, e quando apanha os aparelhos todos em pressão, rebenta com todos eles”. A questão da eletricidade mexe com Manuel. Para além dos defeitos no fornecimento, também as instalações elétricas que são feitas deixam muito a desejar. “As instalações que são feitas nas casas que são renovadas, que nós fazemos com carinho para ficarem bonitas, ficam aí que parecem umas autênticas barracas com os cabos pendurados nas paredes e a EDP não vem resolver”. Há meia dúzia de meses de volta à sua terra, de onde saiu com 15 anos depois de colocar um anúncio no “Diário do Alentejo” a oferecer-se para marçano, Manuel Bento encontra uma diferença enorme na sua terra. “Quando eu andei cá à escola, havia dois turnos, um de manhã e outro à tarde, e hoje já não há escola. Temos meia dúzia de crianças

e a aldeia é habitada, principalmente, por pessoas de idade. É uma grande diferença”. Também o encerramento da linha entre Funcheira e Beja merece a crítica de Manuel, uma vez que os Aivados eram servidos pela estação de Ourique. “Cortaram o comboio, as pessoas ficaram aqui isoladas”. A agitação em torno da carrinha de venda ambulante mantém-se. Mais mulheres que homens. Calmamente, Maria Domingas Sobral vai apanhando umas ervas em torno de um vaso. Apesar dos 83 anos, e das mazelas do corpo, apanha as ervas com vigor. Para Maria Domingas é na miséria que reside a principal diferença na sua aldeia em relação a outros tempos. “Já não há tanta miséria como havia, apesar de eu não ter conhecido miséria por ser a mais nova da minha geração”. Hoje a população é muito menos do que noutros tempos, “nem metade” do que era, mas o que Maria Domingas não gosta mesmo foi o terem acabado com os comboios. “Dá-me tristeza. Quem tiver que ir a Beja na camioneta é muito dinheiro”. E também lhe dá pena não haver ninguém que conserve e que continue o que os antigos conservaram. “O futuro, quando os mais velhos abalarem, não sei o que é que vai dar”. Aos poucos, começam a passar algumas pessoas, habitantes da aldeia. De passo estugado e roupa desportiva, vão para a aula de ginástica sénior. De ar despachado está também Maria da Conceição Mateus, 76 anos, de volta da carrinha de venda ambulante. O vagar não é muito e já está na hora de também ela ir para a aula de ginástica que vai ter lugar na antiga escola primária. “Viver nesta terra é trabalhar quando temos trabalho, em não tendo não trabalhamos. E agora temos este desporto da ginástica. É bom e já dura há sete anos”. Das alunas que andam nas aulas de ginástica, Maria da Conceição é a mais velha, mas tem a boa disposição de uma moça nova, como as que não há na aldeia. “Era

uma aldeia com muita gente e agora há cada vez menos pessoas. É uma tristeza. A aldeia está muito despovoada. As pessoas morrem e a gente nova não tem interesse em estar aqui, vão trabalhar para fora”. Traço comum a todas as aldeias, como a traça das casas, brancas, baixas, de barras, amarelas ou azuis, são as diferenças que os habitantes mais velhos apontam quando puxam pelo cordel da memória. Mais gente, mais trabalho, mais vida. “As pessoas que cá estão já não são pessoas de trabalho e as que têm idade para isso não têm trabalho”. De passo acelerado e riso nos lábios, Maria da Conceição lá parte, como que a fazer o aquecimento para a aula de ginástica, que já perdeu muito tempo. Dos poucos homens que por ali andam, Francisco Sobral Elias, de 70 anos, também esteve fora da sua terra durante 15 anos, nos tempos em que se saía em busca de melhores condições. Voltou, levando “55 anos de Aivados”. “Gente nova é difícil de vir, não há trabalho. E os de cá vão procurar trabalho noutro lado. Na terra já ninguém trabalha. Isto é complicadíssimo”. As diferenças com o passado voltam à baila, ansiosas por sair, como quem traz o coração ao pé da boca. “Não havia casa nenhuma que não tivesse cinco ou seis pessoas, agora não. Há aí muitas casas que não têm nenhuma. É assim”. No espaço exterior do centro comunitário, no parque infantil que ali existe, duas crianças andam de baloiço. Não fosse a escola estar fechada e terem falta de colegas, poderiam estar no intervalo da manhã. De dentro da antiga escola soam as vozes bem dispostas de outros alunos. A aula de ginástica já começou. Cerca de 20 pessoas repetem os movimentos do professor. Sentados numas cadeiras, os mais novos, crianças que estão a assistir, veem os mais velhos a aplicarem-se. Na antiga escola primária dos Aivados são os mais velhos que têm aulas agora.


Diário do Alentejo 22 junho 2012

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Eduardo Matos Presidente da Associação do Povo de Aivados

Que balanço faz ao fim de quase seis anos à frente da associação?

Para mim está positivo. Tem sido positivo e para a maioria das pessoas também é. Mas há sempre uns que não gostam. Há sempre aquelas coisas, como em todo o lado. Há sempre um que lhe parece que os que estão aqui roubam. Mas nós estamos de consciência tranquila, está tudo em ordem, pode vir quem vier fazer uma vistoria às contas que temos tudo em condições. Esta é uma aldeia comunitária. Hoje em dia, o que é que isso significa?

Temos a herdade e o gado. Tomamos conta daquilo. A agricultura hoje não dá nada. Não se consegue fazer agricultura para vender as coisas. Antigamente era completamente diferente. Faziam-se courelas e as pessoas, todas as que quisessem, faziam uma courela. Agora não, está de outra maneira. E agora ninguém quer. Temos aqui um outro bocadinho de terra onde se faz uma horta, dividimos os bocados e aqueles que querem fazer, fazem. Estão ali 14 ou 16 talhões, mas mais de metade não querem, não querem saber disto. Dá tudo muito trabalho e produz-se pouco.

Aivados, aldeia comunitária Fazendo-se uma pesquisa na Internet pela aldeia de Aivados, o primeiro resultado que surge é o blogue Aivados minha aldeia (em aldeiadosaivados.blogspot.pt). Para além de divulgar a aldeia e recordar o passado, através de fotografias de aivadenses, usos, costumes e tradições, o grande segredo deste projeto é o homem que está por trás dele. António Ventura, de 75 anos, é um aivadense interessado pela história e origem da aldeia comunitária. Para além disso, é ele o anterior presidente da Associação do Povo de Aivados, cargo que deixou no final de 2006, ao fim de 31 anos a desempenhá-lo. Para António Ventura, a aldeia é mais

uma como tantas outras no País, distinguindo-a, apenas, a propriedade que tem. “Foi doada há umas centenas de anos e é isso que temos todos em comum. De resto, cada um tem as suas vidas como em qualquer outra aldeia, onde cada um tem a sua casa, o seu quintal, o seu terreno”. Segundo o antigo sargento do exército, a herdade é o que une e o que os habitantes da aldeia têm em comum. “Hoje é completamente diferente do que era antigamente, onde todos semeavam o seu bocado. Hoje, isso desapareceu. A associação é que semeia o coletivo”. António Ventura é dos aivadenses que mais dados reuniu sobre a sua terra, fruto dos anos que esteve à frente da associação, e que mais conhece a sua aldeia. Anda sempre com uma pequena

agenda, de páginas verdes, medida de bolso de camisa junto ao coração, onde tem uma relação estatística dos mais diversos aspetos da vida aivadense. Uma espécie de arquivo de consulta rápida. Número de alunos; população residente; borregos da comunidade; cereais; toda uma série de dados, praticamente completos, divididos por anos. “Ainda hoje gosto e vivo muito a minha aldeia e gostava que este sistema não acabasse”. António Ventura, história viva do sistema comunitário da aldeia de Aivados, tem esperança que a sua terra tenha ainda novos tempos de vida, como já teve no passado. Tem esperança ou não fossem verdes as páginas onde traz os números do passado, conservando-os para o futuro.

Quais são os benefícios que cada aivadense obtém desta parte comunitária?

Damos uma contribuição pelo Natal para a ajuda da ceia. Depois damos também uma quantia aos miúdos, pagamos-lhes os livros da escola. Faz-se aquilo que se pode. Para aqui só vem algum já depois de ser reformado. Está aqui muito pouca gente sem ser reformada. Eu vim para aqui, conheço isto e gosto disto. Mas um erro que eu fiz foi vir para a direção da associação. A gente, de fora, só tem amigos. Mas, quando entra para uma coisa destas, começa a ter inimigos. Nunca tive inimigos, vim para aqui, e agora já tenho. Há pessoas que me querem mal, pensam que eu roubo. Mas agora só estou até dezembro. Eu já quis pedir a demissão, mas não me deram a demissão. Não é uma função fácil?

Não, não é fácil. O antigo presidente disse-me que não era muito fácil. A gente saber levar esta gente é um problema. Estão sempre com a impressão que se rouba. Eu ando aqui, no dia a dia, não ganho um tostão. Ando só aqui por carolice. Esta manhã, às seis da manhã, fui carregar palha e cevada para as ovelhas. E isto para ouvir essas coisas, não vale a pena. Eu gosto muito disto, se não gostasse não tinha vindo para aqui. Um dos grandes problemas é, também, a falta de gente…

Pouca gente e gente incapaz. Nós temos a palavra comunitária, mas quase ninguém ajuda ninguém. Isso é uma conversinha que passou. Também não tinham meios, agora já há mais. Mas isso é o menos. Enquanto houver dinheiro para pagar, fazem-se as coisas, em não havendo, não se pode fazer. Há dois anos arranjámos a sede, arranjamos o centro. Temos feito alguma coisa por isto.

A pedreira inquilina Uma das fontes de receita coletiva da aldeia é a renda que uma empresa de construção civil (Tecnovia) paga por um pedaço de terreno onde tem uma pedreira a funcionar. A opção por arrendar o terreno da pedreira foi tomada de modo a salvaguardar a manutenção da posse do terreno por parte da Associação do Povo de Aivados, o que não aconteceria caso o terreno fosse vendido. Outra particularidade que ficou clausulada no contrato de arrendamento é a prioridade que a empresa inquilina deve dar a trabalhadores da terra e da região.

Almoço dos aivadenses Terra pequena, com cerca de 100 habitantes, realizou no ano passado o sétimo almoço dos aivadenses e amigos, numa festa que juntou cerca de 400 pessoas. O primeiro almoço teve lugar na Baixa da Banheira, onde um conjunto de aivadenses, radicados nessa zona, se reuniu. Daí para cá, com a colaboração da Associação do Povo de Aivados, o almoço tem sido um ponto de encontro na aldeia de todos os aivadenses.


Diário do Alentejo 22 junho 2012

COMISSÃO NACIONAL DE PROTEÇÃO DAS CRIANÇAS E JOVENS EM RISCO

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Atual

Mais 197 processos acompanhados em 2011

TDT falha em Ourique A Câmara de Ourique vai apresentar uma queixa ao Provedor de Justiça devido às “frequentes” falhas de sinal de Televisão Digital Terrestre (TDT) no concelho e por considerar tratar-se de uma “violação” do direito à informação. “Vamos apresentar uma queixa ao Provedor de Justiça, pedindo-lhe que intervenha” na situação das “frequentes” falhas de sinal de TDT no concelho, disse à Lusa o presidente da Câmara de Ourique, Pedro do Carmo. A situação “é inadmissível e gravíssima” e a queixa justifica-se porque “está em causa a violação de um direito fundamental, que é o acesso à informação e à televisão”, acrescentou. “Com muita frequência, para não dizer todos os dias, há locais do concelho de Ourique onde os habitantes ficam sem sinal de TDT” durante vários períodos do dia, lamentou. Segundo Pedro do Carmo, em Ourique já aconteceram dois casos “críticos”, ou seja, todo o concelho esteve, numa vez, “mais de 24 horas” e, numa outra vez, “cerca de 15 horas” sem sinal de TDT.

Moura inaugura Núcleo de Armaria na torre do castelo No próximo domingo, dia 24, feriado municipal de Moura, será inaugurado, na torre de menagem do castelo, um novo espaço museológico. Trata-se do Núcleo de Armaria, “onde estará exposto um importante acervo de pistolas, espadas e punhais dos séculos XVI ao XVIII”, esclarece a câmara municipal local. O evento assinala também a reabertura do Castelo de Moura à população. Esta será “uma das diversas iniciativas incluídas no programa comemorativo do feriado municipal de Moura”, que arrancou no dia 16 e que inclui também a inauguração de uma exposição de banda desenhada comemorativa do primeiro centenário do artista italiano Franco Caprioli. Em tempo de São João, não faltará ainda o concurso de mastros populares em todo o concelho, na noite de amanhã, sábado. No domingo, entre outras iniciativas, haverá artes de rua no centro histórico da cidade, com demonstrações ao vivo de diferentes manifestações artísticas, do teatro à dança e à música, passando pelo artesanato. O programa reserva ainda a iniciativa “Janelas Floridas” e o festival de marchas populares. PUB

Há mais crianças em risco em Beja O distrito de Beja registou em 2011, a nível nacional, o maior aumento percentual de processos acompanhados pelas comissões de proteção de crianças e jovens (CPCJ), comparativamente a 2010 (+ 23,1 por cento). De acordo com o Relatório Anual de Avaliação da Atividade das CPCJ em 2011, da autoria da Comissão Nacional de Proteção das Crianças e Jovens em Risco e dado a conhecer em maio último, as 14 comissões do distrito acompanharam, em 2011, 1 051 processos, mais 197 que em 2010. Desse volume processual verificado em 2011, 509 processos transitaram do ano anterior, 474 foram instaurados e 68 reabertos. Foram ainda arquivados 376 processos. Texto Nélia Pedrosa

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nalisando concelho a concelho, os dados indicam que Aljustrel, Almodôvar, Barrancos, Alvito, Cuba, Moura, Odemira, Serpa e Beja aumentaram o volume processual, registando Aljustrel a maior variação (de cinco para 44 processos). Ourique manteve o mesmo número de processos e Castro Verde, Mértola, Vidigueira e Ferreira do Alentejo registaram variações negativas. No que respeita ao contributo de cada um dos concelhos para o volume processual do distrito, Moura (285), Beja (282) e Odemira (143) apresentam o maior número de processos, seguindo-se Serpa, Cuba, Aljustrel, Vidigueira, Ferreira do Alentejo, Mértola, Ourique, Almodôvar e Castro Verde, Alvito e Barrancos (ver quadro). De salientar, contudo, que a leitura do número de casos por concelho deve, segundo a Comissão Nacional de Proteção das Crianças e Jovens em Risco, “cingirse ao contributo” de cada um para o volume total, “não sendo corretas interpretações” que, comparando os vários valores, “concluam por índices de perigo nos territórios analisados”. A comissão nacional esclarece que “há inúmeras variáveis que influenciam decisivamente os valores” apresentados, “nomeadamente a população residente com idade inferior a 18 anos” e o “nível de implementação” das comissões nas suas comunidades.

A expressiva variação percentual verificada em Aljustrel é explicada, segundo Emília António, presidente da CPCJ da Vila Mineira, pelo facto de a comissão de proteção de Aljustrel, apesar de ter sido constituída em finais de abril de 2010, só ter entrado em funções em outubro desse ano, após a publicação em “Diário da República” da portaria de instalação, “o que quer dizer que os cinco processos” acompanhados em 2010 dizem respeito a “dois, três meses” (de outubro a dezembro). “Já o volume processual de 2011 reporta-se de 1 de janeiro a 31 de dezembro desse ano, ou seja, os 44 processos reportam-se ao ano inteiro”, adianta a responsável, acrescentando que “negligência, maus tratos físicos e exposição a modelos de comportamento desviantes” foram os principais riscos sinalizados em 2011. Nos cerca de seis meses deste ano, comparativamente a igual período do ano passado, Emília António diz que existem menos processos instaurados, uma situação que considera “natural”. “No início [da constituição da CPCJ] as pessoas, talvez por desconhecerem exatamente o modo de funcionamento da comissão, sinalizavam de outra forma. Mas também temos menos casos porque os mais sérios estão sinalizados e portanto não aparecem novamente”, refere a presidente, revelando ainda que em termos de risco identificado, “atualmente o

que se está a verificar em Aljustrel é um grande aumento em termos de violência doméstica, o que é perfeitamente normal dada a situação social e económica que se está a viver”. No caso de Moura, outro dos concelhos com uma variação significativa, os responsáveis pela CPCJ salientam que é necessário ter em conta que dos 285 processos acompanhados em 2011 “102 foram arquivados, principalmente porque após intervenção a situação de perigo deixou de existir” e justificam o aumento de processos com a existência de “muitas situações de abandono escolar que são mais sinalizadas pelas escolas devido às obrigações definidas no próprio estatuto do aluno”. No ano passado, os 285 processos acompanhados pela CPCJ de Moura diziam respeito, na sua grande maioria, a crianças e jovens com idades “entre os 11 e os 14 anos, maioritariamente do sexo masculino”, tendo sido “o abandono escolar e a negligência” as situações de perigo mais identificadas. “Obviamente que o volume processual desta e de qualquer comissão no País é sempre preocupante, pois atrás de um número encontra-se sempre um nome, uma criança ou jovem e é no superior interesse destes que a CPCJ desenvolve a sua atividade”, dizem ainda os responsáveis, adiantando que “uma das grandes preocupações prende-se essencialmente com o facto de existir uma cada vez maior precariedade no País através do desemprego, cortes sucessivos nas prestações sociais (RSI/subsídio de desemprego)”, sendo que o concelho de Moura “não foge a essa tendência”. “Isso leva a que exista uma tendência para um maior índice de dificuldades financeiras por parte das famílias que poderá refletir-se nos menores, e assim aumentar o número de processos acompanhados pela CPCJ”, concluem.


Pedro do Carmo sucede a Pita Ameixa

Reforma judiciária acaba com nove tribunais no Alentejo

Mértola e Almodôvar sem lei Afinal não são 47 os tribunais que o Governo quer encerrar. O documento que aponta as “Linhas Estratégicas para a Reforma Judiciária” diz que são 54 os tribunais a encerrar. No Alentejo são nove: Almodôvar e Mértola, no distrito de Beja; Sines e Alcácer do Sal, no litoral; Portel e Arraiolos, em Évora; e Nisa, Castelo de Vide e Avis, em Portalegre. Texto Aníbal Fernandes

a passada terça-feira, o município de Alcácer do Sal convocou uma vigília para protestar contra o encerramento do tribunal naquela vila do litoral alentejano. A iniciativa, que contou com o apoio de todas as forças políticas representadas nos órgãos autárquicos, advogados e funcionários judiciais, ficou aquém do esperado por Pedro Paredes, mas o presidente da câmara promete fazer “as vigílias que forem necessárias” e “envolver toda a gente” para impedir “o desmantelamento da máquina administrativa do Estado no interior”. “Não estamos contra a procura de soluções de poupança, mas estas devem ser encontradas de forma negociada, olhos nos olhos com os municípios”, disse ao “Diário do Alentejo” o autarca que acusa o Governo chefiado por Passos Coelho de estar “com tentações totalitárias”, o que “no limite” poderá levar os cidadãos para “ações mais radicais”, ameaça. Para já, na quarta-feira, propôs aos seus parceiros da Comunidade Intermunicipal do Alentejo Litoral (Grândola, Sines e Santiago do Cacém) a realização de “ações interconcelhias”, até porque a extensão judicial prevista para o seu concelho é apenas “para calar os protestos”. Segundo

Pedro Paredes, este anúncio “é uma mentira piedosa. Não fecha agora, fecha depois e atrás do tribunal virão outros fechos”, prevê. Também em Almodôvar o novo estudo prevê a permanência de uma extensão, no entanto, para José António Palma, vice-presidente da autarquia, isso “não resolve coisa nenhuma”, visto tratar-se “apenas de um posto de atendimento”: “Não concordamos em absoluto”, afirma. O autarca almodovarense reconheceu, em declarações ao “DA”, haver “uma evolução na proposta do Governo” que se materializa na integração na comarca de Ourique, em contraponto à ideia original que apontava para Mértola. No entanto, a nova solução, apesar “de diminuir a distância” no acesso ao tribunal, vai “agravar a ineficácia”, já que o tribunal de Ourique “tem mais de 2 500 processos pendentes”. Para José António Palma, a solução passa por “manter o tribunal em Almodôvar e afetar-lhe a comarca de Castro Verde. Isso iria aligeirar as pendências de Ourique” e serviria melhor as populações dos dois concelhos, numa zona em que a oferta de transportes públicos torna difícil as deslocações. O vice-presidente da câmara de Almodôvar, que já manteve contatos com o secretário de Estado da Justiça, espera nos próximos dias ter resposta positiva ao pedido de audiência com a ministra, para poder apresentar de viva voz esta proposta. Só depois disso o município tomará qualquer outra posição sobre o assunto. Manuel Coelho, presidente da câmara de Sines, considera esta proposta “um revés na democracia e um retrocesso nos serviços de justiça” devidos à população. Na conversa que manteve com o “Diário do Alentejo”, o autarca sinense defende “o

direito a serviços essenciais”, nomeadamente na saúde, na educação, na proteção social e, claro, na justiça. Manuel Coelho lembra que na anterior reforma – levada a cabo durante o governo Sócrates – foram criados dois tribunais em Sines (Família e Menores e Trabalho) que tiveram em conta as características próprias do território. Em 2010/11 foram cerca de 750 os processos aí julgados. Com o novo mapa as pessoas serão obrigadas a dirigirem-se a Santiago do Cacém ou a Setúbal, consoante os casos, o que “na mira de poupar, vai degradar o serviço de justiça em áreas populacionais de grande vulnerabilidade. Uma visão de merceeiro”, diz o presidente da Câmara de Sines, que acrescenta “não ser isto que empobrece o País”. Também Jorge Rosa, presidente da Câmara de Mértola, em declarações à comunicação social, manifestou-se “contra” a nova proposta de Reforma Judiciária. “Mértola é um concelho do interior com baixa densidade populacional e os serviços que cá existem são essenciais para a população”, disse. Para o autarca da Vila Museu, a inexistência de uma rede de transportes “viável” e o facto de a maioria da população não ter transporte próprio é outro entrave à aplicação do mapa, que, na prática, impede os cidadãos de “terem acesso a um direito que está na Constituição desde 1976: o direito à justiça”. Jorge Rosa também está à espera de “se reunir com a ministra para expor cabalmente” as suas razões. Até porque, diz o presidente da Câmara de Mértola, “nenhum dos números apresentados pelo Ministério da Justiça está certo. Confirmámos com a secretaria do tribunal e os números dos processos em que se baseiam para encerrar o tribunal estão todos errados”, garante.

O presidente da Câmara Municipal de Ourique, Pedro do Carmo, foi eleito na sexta-feira da semana passada presidente da Federação do Baixo Alentejo do PS, ao derrotar, por mais 46 votos, o vicepresidente da Câmara de Odemira, Hélder Guerreiro. Segundo a Federação do Baixo Alentejo do PS, Pedro do Carmo, que sucede no cargo a Luís Pita Ameixa, que não pôde recandidatar-se devido a imposição estatutária, obteve 428 (53 por cento) dos 810 votos expressos e Hélder Guerreiro 382 (47 por cento). “Foi realmente uma vitória muito sofrida, mas muito gratificante, até porque era o candidato que estava fora do sistema”, disse à Lusa Pedro do Carmo. Segundo Pedro do Carmo, “modernizar e reorganizar” a federação e criar um fórum da governação para o Baixo Alentejo e uma agenda para a região eram os “três pilares” da sua moção de orientação política e são as suas “prioridades” para o mandato. Quanto às próximas eleições autárquicas, Pedro do Carmo disse que “ainda é prematura falar do assunto”, mas vai criar, dentro do secretariado da federação, “um pelouro da responsabilidade autárquica, que irá acompanhar todo o processo de escolha de candidatos” do PS no Baixo Alentejo. Apesar da eleição como presidente da Federação do Baixo Alentejo do PS, Pedro do Carmo, de 41 anos, garantiu que vai manter-se como presidente da Câmara de Ourique, onde cumpre o segundo mandato, e está disponível para se candidatar a um terceiro mandato à frente do município. No ato eleitoral de sexta-feira votaram 815 militantes, de um total de 910 da Federação do Baixo Alentejo do PS em condições de votar, tendo-se registado 810 votos expressos e cinco brancos e nulos. O PS lidera sete dos 14 municípios do distrito de Beja (Aljustrel, Beja, Cuba, Ferreira do Alentejo, Mértola, Odemira e Ourique), a CDU seis (Alvito, Barrancos, Castro Verde, Moura, Serpa e Vidigueira) e o PSD um (Almodôvar). DR

Vigília em Alcácer do Sal Autarquia promete radicalizar protestos

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07 Diário do Alentejo 22 junho 2012

O presidente da Câmara de Beja, o socialista Jorge Pulido Valente, mostrou-se esta semana disponível para se recandidatar ao cargo pelo PS, nas eleições autárquicas de 2013, para “dar continuidade” ao projeto que definiu para dois mandatos. Em entrevista ao jornal “I”, o autarca responde com um seco “vou”, à pergunta que o confrontava com uma possível recandidatura. Mais tarde, à Lusa, Pulido Valente acabou por acrescentar que “não posso dizer que sou o candidato do PS”. Começou oficialmente a campanha eleitoral em Beja.

CM ALCÁCER DO SAL

Jorge Pulido Valente é recandidato à Câmara Municipal de Beja

Eleições no PS O anúncio dos resultados


Diário do Alentejo 22 junho 2012

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Soluções de financiamento para empresários em Aljustrel

A Câmara Municipal de Aljustrel vai promover, na próxima terça-feira, dia 26, um colóquio dirigido a empresários, que tem como objetivo apresentar um conjunto de soluções de financiamento e de apoios ao crescimento de empresas e de empreendedores. A iniciativa, que vai decorrer no auditório da biblioteca municipal, é organizada em parceria com uma

instituição bancária, o Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP) e a Agência de Desenvolvimento Regional do Alentejo (Adral). O colóquio pretende também fornecer informação sobre os apoios disponíveis para a criação de emprego e esclarecer e elucidar todos os interessados sobre as possibilidades de financiamento existentes.

Capoulas Santos Deputado europeu

“A PAC do futuro terá que ser mais justa” Qual a principal linha orientadora da sua proposta de reforma da PAC?

Uma das linhas fundamentais é a da redistribuição dos apoios entre os estados membros e entre os agricultores. A PAC do futuro terá que ser mais justa, por isso na minha proposta os estados membros que até aqui têm recebido menos vão receber mais e os que têm recebido mais vão ficar com menos. Como é que isso vai ser feito, quando já se sabe que o orçamento comunitário para a agricultura vai baixar, pelo menos 10 por cento, e que será dividido por mais países?

Com a alteração dos critérios para os pagamentos diretos. No passado esse cálculo era feito com base nas quantidades produzidas, traduzidos em número de cabeças de gado ou em quilos de cereais, enquanto que agora os critérios serão de natureza ambiental. Os agricultores são pagos pelo contributo que dão para a preservação do ambiente e esse esforço é equivalente na Escandinávia ou na Península Ibérica e não é legítimo que uns sejam mais bem pagos do que outros. Segundo a sua proposta quanto é que Portugal poderá beneficiar?

Portugal beneficiará, na nova programação, de mais 350 milhões de euros do que atualmente. A proposta inicial da comissão previa que o financiamento a novos regadios fosse restrito aos novos estados membros. Essa medida limitaria a implantação de novos regadios em Portugal, como é o caso de Alqueva, por exemplo. É uma regra para manter?

A minha proposta vai no sentido de que as regras de investimento em novos regadios, no próximo quadro de programação, sejam iguais nos novos e nos velhos estados membros e ouvi agora com muita satisfação o representante da comissão dizer que está disposto a recuar nesta matéria. Para Portugal isto significa a possibilidade de ter cofinanciamento comunitário para investir em novos regadios entre 2014 e 2020 ou não ter. Se essa regra fosse para a frente não haveria dinheiro para o regadio de Alqueva e para todos os outros regadios que existem em Portugal e que estão por concluir, como o de Vale do Mondego. CJ

Reforma da PAC em debate no Parlamento Europeu

Capoulas quer mais 350 milhões para Portugal Capoulas Santos apresentou esta semana na Comissão de Agricultura do Parlamento Europeu a proposta de reforma da PAC (Política Agrícola Comum) de que foi relator, iniciando o debate que vai levar à aprovação do novo orçamento e do novo quadro de referência estratégico para o período entre 2014 e 2020 para o setor agrícola. Texto Carlos Júlio, em Bruxelas

I

nicialmente a Comissão Europeia elaborou uma proposta de alteração da PAC e o documento do eurodeputado socialista surge como uma contraproposta, sujeita a alterações até ao dia 10 de julho na Comissão Parlamentar. Posteriormente esta proposta será objeto de discussão e de aprovação em plenário pelo Parlamento Europeu. Após o debate, esta terça-feira, na Comissão de Agricultura, em Bruxelas, a que o “Diário do Alentejo” assistiu, Capoulas Santos disse ter ficado “agradavelmente surpreendido” pela reação das várias bancadas, nomeadamente sobre “a

questão politicamente mais sensível que é a da redistribuição dos meios financeiros entre os estados membros”. O deputado alentejano afirma estar, por isso, “razoavelmente otimista”, uma vez que não tem a ilusão de que a proposta vai ser aprovada nos “precisos termos” em que foi apresentada. “Vai começar agora um longo processo negocial e este é um ponto de partida, não é um ponto de chegada. O meu objetivo é que o resultado final esteja mais próximo da minha proposta do que da proposta da comissão e isso vai depender do trabalho que fizer aqui e da capacidade de persuasão que tiver junto dos meus colegas. Vai depender muito, no caso português, também da capacidade de persuasão que a ministra da Agricultura tiver no conselho junto dos seus colegas, uma vez que só haverá uma decisão final quando o Parlamento e o Conselho estiverem de acordo sobre a proposta final”, disse ao “Diário do Alentejo” A proposta de Capoulas Santos parte de uma redução de 10 por cento no orçamento da Agricultura, proposta pela comissão, que hoje ronda os 58 mil milhões

de euros. Apesar deste envelope financeiro ir ser dividido por 28 países (27 mais a Croácia que vai entrar na união no próximo ano), quase o dobro dos 15 países que integravam a união no início do atual quadro comunitário, o deputado alentejano considera que “é possível” redistribuir as ajudas diretas de maneira “mais justa”. Portugal é um dos países que menos dinheiro recebe por hectare. A média comunitária de ajudas anda na ordem dos 269,25 euros por hectare, enquanto que Portugal apenas recebe 187,90 euros. O país que mais recebe é Malta, com mais de 750 euros/hectare, seguido da Holanda, Bélgica e Itália. Atrás de Portugal apenas a Roménia e os países bálticos (Lituânia, Estónia e Letónia). Esta proposta visa corrigir “dentro do possível” este números, reforçando os apoios à “componente verde” das ajudas diretas e “à convergência para a média dos apoios recebidos por cada estado membro” e não para apenas “90 por cento da média como propõe a Comissão Europeia”, pode ler-se no documento apresentado por Capoulas Santos aos seus pares do Parlamento Europeu.

QREN: autarquias e empresas usufruem de mais incentivos

100 milhões para o Alentejo

O

s municípios do Alentejo recebem mais 30 milhões de euros e as empresas da região podem usufruir de mais 70 milhões de incentivos, fruto da reprogramação estratégica do QREN, anunciou na semana passada o secretário de Estado Almeida Henriques. O secretário de Estado da Economia e Desenvolvimento Regional falava aos jornalistas no final de uma reunião sobre o processo de reprogramação do Quadro de Referência Estratégico Nacional (QREN), que decorreu nas instalações da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo, em Évora. “Os municípios do Alentejo ganham 30 milhões de euros com esta reprogramação, através do aumento da taxa de comparticipação” dos investimentos para 85 por cento, realçou António Almeida Henriques, no final do encontro com as comunidades intermunicipais da região.

De acordo com o governante, a reprogramação do QREN contém um “claro reforço do apoio às micro, pequenas e médias empresas do Alentejo”, já que são disponibilizados mais “70 milhões de euros, através dos sistemas de incentivos do Programa Operacional (PO)”. Além destas verbas, segundo o secretário de Estado, um pacote de 21 milhões de euros do PO Alentejo destina-se ao emprego, empreendedorismo e microcrédito, dos quais 10 milhões vão financiar bolsas de estágios profissionais a jovens desempregados, ao abrigo do programa “Impulso Jovem”. “Estamos a falar de jovens licenciados e mestrados que irão tentar focalizar-se na internacionalização, inovação, competitividade e produtividade das empresas”, salientou, referindo que “está também garantido o acesso das empresas do Alentejo ao fundo ‘Revitalizar’”. Neste caso, Almeida Henriques

adiantou que “o PO Alentejo participará com 10 milhões de euros, que alavancará com mais 10 milhões de euros”, o que “significa que as empresas do Alentejo vão ter um total de 20 milhões de euros”. Quanto à “Operação Limpeza” na região, foram anulados contratos sem execução ou com baixa execução na ordem dos 23 milhões de euros, verba que fica “agora disponível para apoiar novos investimentos com capacidade real de execução”, indicou. Outros “projetos, que iriam cair pelas regras da aplicação da ‘Operação Limpeza’, foram excecionados face à valia que tinham, totalizando 23 milhões de euros, acrescentou o governante. O secretário de Estado está a realizar uma ronda de contactos com as diversas autoridades regionais sobre o processo de reprogramação estratégica do QREN, esperando que o documento possa ser entregue em Bruxelas até 15 de julho.


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No âmbito da sua política de apoio ao associativismo, a Câmara Municipal de Vidigueira procede hoje, sexta-feira, à entrega de subsídios às associações do concelho, numa sessão que terá lugar pelas 18 horas, no salão nobre da autarquia.

Diário do Alentejo 22 junho 2012

Câmara de Vidigueira atribui subsídios

Câmara de Aljustrel ocupa férias e tempos livres dos jovens A Câmara Municipal de Aljustrel tem abertas inscrições para o programa municipal de férias e tempos livres, destinado a crianças e jovens do concelho. O objetivo é que os habitantes mais novos de Aljustrel possam “ocupar os seus tempos livres com atividades diversificadas, de caráter educativo, cultural, desportivo e recreativo”. A iniciativa está aberta a crianças desde os três anos e a jovens até aos 17, decorrendo até 7 de setembro, em vários equipamentos culturais e desportivos.

Patronato de Santo António investe mais de dois milhões de euros

Novo lar em Beja depois do verão Um lar para “uma nova geração de idosos”, com capacidade para 40 utentes e quartos com Internet, deverá abrir em Beja em setembro, após um investimento de dois milhões de euros.

A

abertura do Lar D. José do Patrocínio Dias está dependente das vistorias e do licenciamento do equipamento, mas deverá ocorrer durante a segunda quinzena de setembro, precisou a direção da instituição particular de solidariedade social promotora do projeto, o Patronato de Santo António. O lar, que vai criar 20 postos de trabalho, implicou um investimento PUB

de 2 070 000 euros, financiado em 70 por cento por fundos do programa comunitário InAlentejo e em 30 por cento pela Congregação das Oblatas do Divino Coração, que gere o Patronato de Santo António. O equipamento, que, numa primeira fase, irá funcionar apenas com valência lar, tem capacidade para 40 utentes, distribuídos por 30 quartos, sendo 20 simples e 10 duplos, todos com casa de banho, acesso à Internet, equipamento geriátrico e camas articuladas e elevatórias. Situado junto ao edifício do Patronato de Santo António, onde funciona a creche e o pré-escolar da instituição, o lar tem três salas, duas de atividades e uma polivalente, três

casas de banho para banho assistido, um gabinete técnico e outro médico e de enfermagem, enfermaria, cozinha, refeitório, três copas, lavandaria e cabeleireiro. O lar, cujas inscrições estão abertas e metade dos quartos já está ocupada, irá dispor de outros equipamentos e espaços que partilhará com o Patronato de Santo António, como uma capela, um ginásio, uma piscina, um jardim e uma horta social. Ao avançar com a construção do lar, o Patronato de Santo António teve em conta que “está a surgir uma nova geração de idosos, conhecedores de tecnologia e com um estilo de vida moderno”, explicou a direção. Por isso, todos os quartos e a sala

polivalente têm acesso à Internet, frisou, referindo que o lar tem um sistema de videovigilância e um “moderno” sistema de alarme com campainhas nas camas e casas de banho dos quartos. Em caso de urgência ou se necessitar de ajuda ou de algo, o utente só terá que tocar a campainha e o sistema envia automaticamente um alerta para um sistema informático e para o telemóvel do funcionário de serviço. O alerta identifica o piso, o quarto e a cama onde está o utente que tocou a campainha, explicou, referindo que todas as informações, como a hora a que o utente tocou a campainha e a hora a que foi atendido, ficam

registadas no sistema informático. Desta forma, sublinhou, o sistema permite “tornar mais eficaz o auxílio aos idosos” e “evitar o erro humano”. O lar irá dispor de um médico responsável pelo acompanhamento clínico dos utentes, de um enfermeiro e de uma equipa técnica constituída por uma farmacêutica, um psicólogo, uma assistente social e um animador sociocultural. O lar pretende “estimular o relacionamento intergeracional” entre os idosos e as 250 crianças que frequentam o Patronato de Santo António, através de projetos e atividades a elaborar pela equipa pedagógica da instituição e pela equipa técnica do lar.


Diário do Alentejo 22 junho 2012

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Temos este clima fantástico que Deus nos deu, estas terras maravilhosas e agora esta água. Então, se tivermos empreendedores que efetivamente se queiram dedicar à produção de alimentos, desta forma moderna e nobre, tudo teremos para que esta região se transforme num importante polo agrícola a nível europeu”. António Silvestre Ferreira

Convicto de que o “empreendedorismo” é uma atitude de vida que se cultiva mais do que um talento inato, o município de Alvito foi pioneiro na região ao encetar, em 2010, o projeto “Aprender a empreender” nas escolas do concelho. Há dias, alunos do 7.º ano encheram um autocarro para uma aula final na herdade Vale da Rosa, em Ferreira do Alentejo. António Silvestre Ferreira, o maior produtor nacional de uvas de mesa, foi o professor convidado. Texto Carla Ferreira Fotos José Serrano

Projeto “Aprender a empreender” decorre nas escolas de Alvito desde 2010

Semeando empreendedores

H

á uma palavra nova a circular de boca em boca nas salas de aula do concelho de Alvito desde o ano letivo de 2010/2011. Empreender. Que significa “resolver”, “praticar”. Ou, melhor ainda, “decidir-se a, não obstante as dificuldades”. E depois de um ano inteiro a ouvir, em contexto escolar, as experiências de quem já “empreendeu”, seja na vida empresarial, associativa ou familiar, nada como uma aula final, dada in loco por um grande empresário da região, para entender, afinal, o que é isto de “decidir-se a”, seja em que contexto for. António Silvestre Ferreira, dono e administrador da herdade Vale da Rosa, a maior produtora nacional de uvas de mesa, está felicíssimo com a

experiência. Acaba de falar para uma turma do 7.º ano, que encheu um autocarro para receber os diplomas de participação no projeto “Aprender a empreender”, impulsionado pelo município de Alvito. Ali, à sombra dos cerca de 300 mil pés de parreira, de onde já pendem os lustrosos cachos prontos a ser colhidos e a seguir viagem dentro de dias. “Empreender é ajudar alguém”, entendeu Marco Cartaxo, de 15 anos. “Seguir os sonhos que temos e realizá-los”, acrescenta Tatiana Guerreiro, mais nova dois anos. Ou ainda “criar um produto, inovar”, aventa Ivan Viegas, também com 13 anos. Ora nem mais. Médico veterinário de formação e herdeiro do projeto agrícola do pai, que começou

Marco Cartaxo “É importante criar emprego para as pessoas ganharem dinheiro”

a produzir uva de mesa na década de 60, António Silvestre Ferreira foi mais longe, tornando-se especialista em uva sem grainha. Uma variedade ainda pouco enraizada nos hábitos alimentares nacionais, mas muito popular no Reino Unido, por exemplo, para onde se encaminha uma fatia de 80 por cento da sua produção. Entretanto feito comendador pelo Presidente da República, António Silvestre Ferreira empreendeu, no sentido que lhe dá o jovem Ivan, e está agora a colher os frutos. Aos aprendizes de empreendedores, deixou uma dica basilar, que é a que vem transmitido aos próprios filhos ao longo dos anos: “Um indivíduo, para ser um empreendedor

de sucesso, tem, em primeiro lugar, que ser alguém com uma boa moral, uma pessoa honesta, correta. Se não, ele não atrai pessoas para fazer negócio ou dificilmente chegará a um cargo de chefia na empresa onde trabalha”. Sobre esta base, há depois que adicionar, acrescentou, “a vontade de progredir na vida, de ter sucesso naquilo que se sonha ser”. De Vale da Rosa, os adolescentes de Alvito levaram uma grande admiração pelo “senhor comendador”, de quem se despediram com vigorosos apertos de mão, e alguns a vontade de conhecer a exploração numa perspetiva “profissional”. “Eu fiquei muito entusiasmado porque três dos alunos vieram perguntar-me com que idade é que se poderia começar a

Tatiana Guerreiro “Empreender é seguir os sonhos que temos e realizá-los”


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Alvito pioneiro no ensino do empreendedorismo

I

deia lançada pela Câmara Municipal de Alvito e que representa também um pouco uma “paixão” pessoal do seu presidente, João Penetra, o projeto “Aprender a empreender” arrancou no ano letivo de 2010/2011, atraindo como parceiros a Terras Dentro – Associação para o Desenvolvimento Integrado, a Cooperativa de Ensino do Concelho de Alvito e o Agrupamento de Escolas. O objetivo, afirma o eleito, é “fazer uma revolução das mentalidades, começando pelas crianças e pelos jovens, de forma a que, dentro de 10 ou 15 anos, tenhamos adultos empreendedores”. E não se entenda empreendedor no sentido simplista de empresário: “Pode ser-se empreendedor criando uma empresa, mas também sendo funcionário público ou empregado por conta de outrem, no setor privado. É uma atitude perante a vida”. Procurando quem já tivesse know-how na área do ensino do empreendedorismo, o município chegou à Terras Dentro e, através desta, à Junior Achievement Portugal, organização que concebe os kits pedagógicos e os conteúdos a abordar, de acordo com os graus de ensino. “De momento, estamos a começar no 1.º ano e a terminar no 9.º ano. Ao todo, este ano tivemos 104 alunos a receber formação. Mas estamos a estudar a hipótese de ensinar o empreendedorismo também no ensino secundário, ao nível da nossa escola profissional”, explica João Penetra. O resto é garantido por voluntários, empresários ou não, mas decididamente pessoas empreendedoras que se dispõem a ir até às salas de aula falar das suas experiências. “Educar para o empreendedorismo é um processo de longo prazo e começa por olharmos para aquilo que nos está mais próximo. O primeiro tema que trabalhamos é a família, depois a comunidade e vamos por aí fora. Sempre focando a questão do que é que podemos fazer, nós próprios, para contribuir para que se viva melhor”, explica Alexandra Correia, vice-presidente da Terras Dentro e também ela voluntária. Entretanto, depois de Alvito, pioneiro, o ensino do empreendedorismo também já chegou a Viana do Alentejo e Alcáçovas, prevendo-se que se estenda a Vidigueira no próximo ano letivo. Carla Ferreira

trabalhar aqui”, comentou, no final da palestra, António Ferreira, satisfeito por ter contribuído para mudar um pouco a imagem estagnada e obsoleta que os mais jovens tendem a ter sobre a atividade agrícola. É que, esclarece, “quando se fala em agricultura na nossa região, as pessoas pensam logo no indivíduo a carregar fardos de palha, em pleno verão, no campo, todo suado – uma coisa profundamente desagradável. E, na realidade, a agricultura moderna é diferente disso, particularmente a agricultura que o Vale da Rosa faz, ao trabalhar com as estufas”. Marco ainda não pensa muito no que fará no futuro mas este contato já foi o suficiente para que considere não ser “má ideia um dia ser empresário”. “Já há muita gente no desemprego e é importante criar emprego para as pessoas ganharem dinheiro”, opina. Tatiana quer ser pediatra mas já percebeu que o que quer que ambicione implica “muito trabalho”. Tanto quanto aquele que é necessário para defender as uvas dos

estorninhos, os tais “inimigos” que a equipa do Vale da Rosa vai enganando com o som gravado de águias em ataque. Ivan sonha com a engenharia informática e agora também com a ideia de “criar” algo, dentro da área, que possa ajudar a atividade agrícola. Isto porque ficou a saber que “a agricultura é um trabalho importante”, tão importante quanto “exportar coisas para outros países para trazer riquezas para o nosso”. Homem de fé e otimista, o administrador do Vale da Rosa deposita as suas esperanças nas novas gerações, assim elas saibam valorizar e tirar partido dos recursos da região. “Temos este clima fantástico que Deus nos deu, estas terras maravilhosas e agora esta água. Então, se tivermos empreendedores que efetivamente se queiram dedicar à produção de alimentos, desta forma moderna e nobre, tudo teremos para que esta região se transforme num importante polo agrícola a nível europeu”, conclui.

Aguardam-se mais de mil participantes

Beja anfitriã do Dia Mundial do Yoga

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eja é a cidade que acolhe este ano as celebrações do Dia Mundial do Yoga, que terão lugar entre amanhã e domingo, 24, incluindo uma conferência mundial no Pax Julia Teatro Municipal e uma mega aula de yoga no Complexo Fernando Mamede. A data é assinalada no solstício de verão – ontem, quinta-feira – mas comemora-se sempre no domingo seguinte quando não coincidente, como é o caso. A organização é da Confederação Portuguesa do Yoga que vem assinalando a efeméride desde 2001 – em Lisboa, nos anos ímpares, e nos restantes em várias outras cidades como Setúbal, Porto, Faro e Almada. “Este ano, a convite da Câmara Municipal de Beja, temos o prazer de fazer esta comemoração na grande cidade de Beja”, justifica Susana Freitas, diretora do projeto. Todos os anos, “cerca de mil praticantes e mais de 150 crianças oriundos de todo o País e do mundo participam numa mega aula de yoga destinada a todos aqueles que queiram celebrar um dia pelo planeta, pela fraternidade mundial, PUB

Ivan Viegas “Afinal, a agricultura é um trabalho importante”

pela vida, pela humanidade e pelo esbatimento das desigualdades mundiais”, desvenda a responsável. Será assim em Beja no próximo domingo, a partir das 10 e 30 horas, numa iniciativa de entrada gratuita e aberta, quer aos praticantes de yoga, quer aos apenas simpatizantes e curiosos. Os interessados em participar deverão contactar a sua escola de yoga para que esta se torne apoiante da iniciativa. Os que ainda não praticam devem, por seu turno, estabelecer contato direto com a Confederação Portuguesa do Yoga, que os convidará formalmente a fazer a aula. Amanhã, sábado, realiza-se no Teatro Pax Julia, a partir das 9 e 30 horas, a Conferência Mundial do Darshana/Filosofia, contando com a participação “dos grandes mestres do yoga mundiais e escolas de yoga internacionais e nacionais, bem como de astrofísicos e astrónomos (com telescópios profissionais) que irão abordar a temática do Grande Cosmos e da nossa integração no mesmo enquanto seres humanos”, adianta a organizadora.


12 Diário do Alentejo 22 junho 2012

Sou dos últimos barbeiros em Grândola, neste tempo de crise poderia ser um bom negócio, mas ninguém quer aprender”.

Perfil

Ficou em Grândola onde também foi músico, redator desportivo e apresentador de espetáculos

O barbeiro que não chegou a Lisboa O objetivo era juntar-se à família na margem sul do Tejo e ali exercer a

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uando por circunstâncias diversas, sobre as quais mantém o recato, pretendeu abandonar a cidade de Beja, Eduardo Batista Soares Correia, hoje com 84 anos, tinha definido o seu percurso em direção a Lisboa, quando muito para a margem sul, onde se encontravam os seus irmãos e a maioria da família. Por responsabilidade, admite, do presidente da Câmara de Grândola de então, José Manuel Mateus, acabou na agora chamada Vila Morena, onde chegou no dia 28 de julho de 1954 para trabalhar na barbearia de António Correia. O autarca grandolense “era casado com uma senhora de Beja e era cliente da casa onde eu trabalhava. Na altura perguntou-me se não queria ir para Grândola, tendo aparecido lá também o Matos Caturra, bejense a residir aqui, e que me convenceram a vir”, diz. Eduardo Correia chegou sozinho e trabalhou durante 17 anos naquele estabelecimento, onde começou “a ganhar 300$00, mais cama e mesa”: “Quando me casei passei a ganhar à percentagem, ou seja, ficava com 60 por cento do resultado apurado ao fim do dia”. Esta expressão do capitalismo, com a redução do peso salarial nas empresas, está a regressar em força aos discursos atuais, demonstração clara do retrocesso civilizacional. Na passado dia 8 de maio completou 40 anos que se estabeleceu por conta própria, numa barbearia na rua Dom Nuno Álvares Pereira, estabelecimento que ainda ocupa. “Sou dos últimos barbeiros em Grândola, neste tempo de crise poderia ser um bom negócio, mas ninguém quer aprender”. E acrescenta: “Quando me estabeleci por conta própria foi quando a minha vida melhorou alguma coisa”. Por estranho que pareça, “agora é que está melhor, já não tenho tanta despesa, estou reformado e ainda consigo trabalhar”. Apelidar, nos dias de hoje, Eduardo Correia como barbeiro é uma mera significância profissional, porque barbas é precisamente aquilo que já não faz. “Agora só cabelo”, quando nos anos do século passado, até à generalização da gillete, o ritmo era outro, porque “ninguém fazia a barba em casa e os mais abastados e dos serviços vinham fazer duas vezes por semana e os outros, ou a maioria, uma vez por semana”. Razão pela qual se chamam barbeiros e não cabeleireiros. Antes do 25 de Abril, o horário de uma barbearia estendia-se das 9 às 19 horas: “O almoço era ir numa perna e voltar na outra, trabalhava-se aos sábados até às 11 horas, mas quando se fechava o estabelecimento era por volta da uma da noite”. Ouvindo o relato deste horário, consegue-se encontrar alguma semelhança com as políticas que defende o Governo português e a maioria dos que governam a

sua profissão desde pequeno: barbeiro. Partiu de Beja e acabou a trabalhar em Grândola. Passou pelos principais estabelecimentos das duas localidades, foi músico em duas bandas, redator desportivo, dirigente associativo, apresentador de espetáculos. Aos 84 anos continua a atividade. Texto e fotos Rafael Rodrigues

Europa para os dias de hoje com o suposto objetivo de aumentar a produtividade. Eduardo Correia refere mesmo que “quando o Presidente da República de então, Américo Tomaz, veio a Grândola inagurar a Escola do Cruz (na altura Escola Agroindustrial António Inácio da Cruz, inaugurada em 12 de abril de 1964, hoje Escola Secundária António Inácio da Cruz, benemérito que deixou um conjunto de propriedades ao Estado para que este constituísse uma fundação e seguisse políticas de apoio do fomento da educação e do apoio aos mais desfavorecidos) no dia anterior trabalhámos até às quatro da manhã. Foi tal a canseira que não fui à cerimónia, e serviu de desculpa para explicar a ausência à polícia política”. Um dia normal numa barbearia nas décadas de 60 e 70 do século passado representava atender cerca de 14 pessoas, sendo o acerto do vencimento feito à semana e, como espécie de profissional precário, Eduardo Correia só começou a descontar para a segurança social “pouco antes de 1974”, o que naturalmente tem influência na reforma de hoje. Eduardo Correia começou a sua atividade em Beja, aos 12 anos, numa barbearia da rua

de Lisboa. Aos 17 passou a trabalhar na casa de João da Conceição, nas Portas de Mértola (mais concretamente na meia laranja, barbearia que ainda hoje existe), aquela que considera “ser a melhor casa da cidade, com quatro barbeiros e onde ganhava à percentagem de 50 por cento”, até que deixou a cidade aos 26 anos, em julho de 1954. Segundo mais novo de cinco irmãos, Eduardo Correia nasceu na freguesia de Santiago Maior, viveu na rua da Guia, filho de carteiro e de mãe doméstica, e no Terreirinho das Peças, local de muita artilharia defensiva, como faz questão de assinalar. Sem qualquer defesa, assinala com orgulho que a cidade de nascimento atribuiu nome de rua a um seu irmão, Manuel Augusto Correia, “pela sua luta contra o fascismo, tendo sido preso pela PIDE várias vezes”. “O ambiente de Beja e Grândola, quando para cá vim, era muito aproximado e será por isso que me ambientei aqui bem”, refere Eduardo Correia, sublinhando: “Hoje a realidade é outra, muito embora esteja distante porque só vou lá uma vez por ano, em especial durante a Ovibeja, uma vez que a minha família está toda na margem sul do Tejo”.

A música é a grande paixão de Eduardo Correia. Começou na Capricho, em Beja, onde saiu pela “primeira vez aos 14 anos, sendo regente Alberto Formigão” e quando chegou a Grândola entrou para a Sociedade Musical Fraternidade Operária Grandolense, conhecida por Música Velha, onde tocou 49 anos, deixando a atividade por já não se sentir com capacidade física para acompanhar a banda, com gente muito nova. “E isso é bom, porque garante a continuidade”, diz. “Fiz parte da direção da Música Velha e também da assembleia geral, tendo assistido a todas as iniciativas que no final da década de 60 se organizaram aqui com nomes da música e da cultura nacionais e, sem deixar de reconhecer a importância de José Afonso, é bom não esquecer que passaram por cá também Carlos Paredes, Adriano Correia de Oliveira, entre outros, num grande trabalho dos órgãos sociais da coletividade”. Em Grândola, até á década de 90 do século XX, existiam dois clubes desportivos, naturalmente repositório de todas as rivalidades sociais. Eduardo Correia aderiu ao Clube Desportivo Grandolense, no qual “era responsável pelo som durante os jogos, apresentava os espetáculos e pertencia à comissão de organização dos bailes”, ainda nos dias de hoje com bastante adesão por parte da população, com realização marcada para todos os domingos à tarde, na sede situada na chamada rua das lojas, com o topónimo: rua Dr. Jacinto Nunes. Do outro lado, existia o Sport Club Grandolense, tendo ocorrido um facto curioso quando certo dia foi convidado pelo presidente da direção daquele clube para ir apresentar um espetáculo na sede, aceitou e levou um emblema do Desportivo na lapela. “Facto que incomodou muitos sócios do Sport, mas que a direção compreendeu pela minha ligação”, diz. Eduardo Correia chegou a apresentar espetáculos da câmara e escreveu ainda sobre desporto, em particular futebol, no antigo “Jornal de Grândola”, propriedade do Grupo Granadeiro, que não saía com muita regularidade, mais “segundo os interesses pessoais e comerciais do seu proprietário”, pelo que “por vezes tinha que juntar na mesma crónica dois ou três jogos”. Foram “poucas vezes, mas também fiz algumas crónicas de jogos do Desportivo para o jornal “Voz de Palmela’”. Eduardo Correia continua “enquanto puder a cortar cabelos” em Grândola, praticando “os mesmos preços de quando entrou o euro”: “Na altura o aumento foi muito grande e agora já não mexo, até porque só continuo a trabalhar para manter a atividade e ganhar um complemento para a reforma. Não saberia o que fazer com o dia todo sem fazer nada”.


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Diário do Alentejo 22 junho 2012

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E, no sentido estritamente português do termo, a seleção portuguesa já fez boa figura. Tudo o que vier a mais deve ser recebido como mais do que, como adeptos, merecíamos. É o mínimo. Miguel Esteves Cardoso, “Público”, 19 de junho de 2012

Opinião

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“APRENDER A EMPREENDER”. É esta a designação que leva uma belíssima iniciativa que decorre com assinalável sucesso nas escolas de Alvito desde 2010. A ideia partiu da câmara local e a ideia, diz o presidente João Penetra, é “fazer uma revolução nas mentalidades, começando pelas crianças e pelos jovens”. Estão no caminho certo. No caminho das ideias e do fazer. PB

O Executivo PS da Câmara de Beja deixou de cumprir as suas obrigações, designadamente financeiras, com essas entidades [intermunicipais], ao contrário do que sempre aconteceu com a CDU, que lhes atribuía prioridade nos pagamentos. Com esse seu comportamento, colocou em risco a viabilidade dalgumas dessas entidades, degradando o relacionamento existente e a prestação dos seus serviços. José Lopes Guerreiro, http://alvitrando. blogs.sapo.pt/, 19 de junho de 2012

Pingo Amargo, vai lá vai.

Eventos e turismo, realidades inseparáveis

Bruno Ferreira Humorista

António Ceia da Silva Presidente da Turismo do Alentejo

P F

inheiro de Azevedo, o primeiro-ministro português do Verão Quente de 75, gritava às gentes durante uma manifestação no Terreiro do Paço: “O povo é sereno! O povo é sereno!”. O povo até podia ser sereno. Mas isso era porque não tinha nenhum Pingo Doce a fazer promoções de 50 por cento ao virar da esquina. O caso Pingo Doce passou definitivamente a case study. Representa o tuga em todo o seu esplendor. Depois deste 1.º de Maio que, às clássicas perguntas quebra-gelo como “onde estavas no 25 de Abril” ou “o que estavas a fazer no 11 de setembro?”, torna-se, agora, obrigatório juntar à lista “o que estavas a fazer no dia das promoções no Pingo Doce?”. E quem tiver a sorte de poder responder “fui ao Pingo Doce” tem uma história para contar e uma plateia ávida de ouvir pormenores. Mais do que isso, o sujeito passa a ser visto como uma espécie de herói. O poder dizer “eu estive no Pingo Doce no dia das promoções” é agora tão ou mais interessante do que relatos históricos como “eu assisti ao golo com a mão de Deus do Maradona, estava nas bancadas gritei-lhe para ele usar a mão, que senão não chegava lá com a cabeça” ou “estava encostado ao muro de Berlim quando ele começou a cair e ainda apanhei um valente cagaço!” Um tuga com tê grande adora promoções e ofertas. Quando se depara com uma destas duas situações, no seu cérebro gera-se uma atividade anormal de estímulos que lhe tornam impossível de distinguir a verdadeira necessidade da promoção ou da oferta. O bom e pacato português não derrama sangue numa revolução, mas é capaz de arrancar um olho ao tipo do lado, fazer-lhe uma chave e arrumá-lo com um upercut só para não o deixar por a mão no último saco de carvão para grelhador com desconto que existe no supermercado. Mesmo que não tenha grelhador. O que se passou nas lojas Pingo Doce do País está ao nível das notícias que ouvimos, de tempos a tempos, e que dão conta daqueles alces que invadem um supermercado de uma aldeia perdida do Alasca para se deliciarem com uma palete de donuts (os alces que apreciam donuts, evidentemente). A diferença está em que, nestes casos, a bicharada não foi convidada a entrar nos estabelecimentos. Mas não são só os clientes que saem satisfeitos (apesar de com a roupa rasgada e sem sapatos). Os empregados vão ter direito à mesma promoção de 50 por cento, mas acho que vai ser um fiasco, porque têm uma semana inteira para fazerem as suas compras. Perde-se aquela adrenalina de poder dizer no barbeiro, ou na praça, que foi o primeiro a chegar, e ainda teve de por na ordem dois gandulos de mau aspeto que queriam levar o stock inteiro de limões. Por outro lado, os empregados podem ser os primeiros a chegar ao supermercado. E se não houver fiambre da pá, podem ir ao armazém e servir-se de uma pazada dele. Última nota digna de registo sobre a matéria: Soares dos Santos diz que não houve intenção nenhuma de beliscar o feriado do trabalhador com esta campanha. Aliás, o patrão da Gerónimo Martins refere-se à tradicional manifestação do 1.º de Maio como uma demonstração. E isto demonstra bem a importância que o empresário dá ao certame. Perdão: à exposição. Não: ao passatempo. Assim é que é.

oram quatro dias intensos a inaugurar eventos diversificados e com públicos distintos, iniciativas que me levaram com orgulho a percorrer o meu Alentejo: O Tapete está na Rua (Arraiolos); Feira de Turismo Ativo e Desportivo (Vila Nova de Milfontes), Feira/Festa de S. António (Reguengos de Monsaraz), Feira das Cerejas (Portalegre), Festival Terras sem Sombra (Beja) e Congresso Internacional o Mundo Rural (Reguengos). Vem isto a propósito da realização dos eventos e da tendência profundamente errada da sua desvalorização, considerando apenas que os mesmos significam só e apenas custos, os tais custos em euros nos quais a troika entende não devermos incorrer. Costumo dizer que quando realizo experiências como cozinheiro e coloco muito sal na caldeirada, a tendência é para que na segunda experiência a caldeirada fique insonsa. A nossa cultura e identidade bem latinas não têm meio-termo, passamos do oito ao 80 com uma facilidade impressionante. Não duvido que se despenderam demasiadas verbas no apoio a alguns eventos; não coloco em causa a necessidade de rentabilizar melhor essas iniciativas; não coloco em causa que determinados eventos não merecem ser apoiados, mas penso que o desejável era encontrarmos o tal meio-termo. De facto, os eventos podem alavancar economicamente um destino como nenhuma outra ação, fundindo-se mesmo a sua promoção através de atividades interligadas com os diversos agentes económicos. São essenciais na promoção dos destinos, na captação de fluxos turísticos, no aumento da permanência média dos turistas que já se encontram na região de acolhimento, como são fatores únicos de desenvolvimento local integrado. Fazem mexer todos os agentes locais: os grupos, as associações, os artesãos, os produtores locais, todas as unidades turísticas com as suas transversalidades, são, indubitavelmente, de uma importância única na animação das economias locais. Para além de considerar que a captação e promoção de eventos é o setor que mais retorno económico e social oferece a um destino turístico, outros fatores poderíamos colocar neste prato da balança, que importa analisar: Os eventos contribuem para atenuar a sazonalidade, ocupando espaços inertes em procura turística. Um turista de eventos gasta três vezes mais que um turista convencional. De referenciar também que os eventos têm um enorme retorno de imagem e identidade do destino. Apenas a título de exemplo, verificamos como associamos hoje quase de forma imediata Mértola ao período islâmico (Festival Islâmico durante anos); Arraiolos aos tapetes (O Tapete está na Rua); Reguengos ao património (Museu Aberto); Marvão às castanhas como produto endógeno (Festa/Feira da Castanha); o Baixo Alentejo às Terras Sem Sombra (festival). É por isso que turismo e eventos constituem realidades inseparáveis, afigurando-se muitíssimo importante com as regras orçamentais que se impõem e debaixo de critérios qualitativamente exigentes na definição das iniciativas que se crie um plano de ação e de promoção nacional e regional de eventos, não perdendo de vista a sua necessária internacionalização.

Mais do que sal a mais ou a menos, mais do que dinheiro ou subsídios, importa planificar, estruturar e promover a nossa oferta nacional em termos de eventos. Isso seria um contributo importante para a nossa hotelaria, restauração e agentes de animação turística num ano particularmente difícil. Como dizia Einstein, “só há um local onde o sucesso vem antes do trabalho, é no dicionário”. Por isso importa trabalhar e muito.

A magia do futebol Ana Paula Figueira Docente do ensino superior

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m homem muda de tudo: muda de mulher e de partido, muda de religião e até de sexo – muda daquilo que quiser, menos de clube de futebol. (Joel Neto, Sítios Sem Resposta, 2012). Numa altura em que está a decorrer o Campeonato Europeu de Futebol 2012 quero abordar sucintamente alguns aspectos que marcam o desporto que consegue provocar uma das mais fortes lealdades. Nos países em que o futebol é muito popular – como é o caso de Portugal – este tem uma linguagem e um código específico, partindo-se do princípio que todos sabem falar (alguma coisa que seja) sobre ele. Quem não conhece ou quem ainda não ouviu falar, por exemplo, de Eusébio, de Ronaldo ou de Mourinho, e não tem uma opinião sobre o seu desempenho? Embaixadores do desporto e de Portugal no mundo, dirão; por isso é que falar de futebol, a partir de dada altura, é falar do país e de um traço da sua identidade. Mas há mais: o futebol consegue gerar um tal fascínio e uma tal admiração sobre os jogadores que estes são vistos como heróis com a possibilidade de se eternizarem; por isso, e numa perspectiva antropológica, existem autores que consideram que existe uma cultura própria do futebol onde os clubes têm um funcionamento tribal: com heróis e deuses (os jogadores), treinados pelos sacerdotes (equipa técnica), que se enfrentam nos diferentes rituais (os jogos) onde os respectivos símbolos identificadores marcam presença (as bandeiras, os cachecóis, as camisolas…) e representam a lealdade ao clube. Não há futebol sem paixão… da parte dos jogadores, pela perfeição técnica, mas também pelo espaço criativo – o futebolista distingue-se pela capacidade técnica demonstrada mas também pela sua capacidade de adaptação, destreza e originalidade com que a põe em prática... e da parte dos adeptos, pela contemplação desinteressada, não subordinada a princípios e objectivos morais, até com uma certa dose de irracionalidade… Quando é a selecção nacional que joga assiste-se a um fenómeno de projecção: a equipa é o país e a vitória significa a elevação e o orgulho na Pátria. Infelizmente, nesta nossa vida “moderna” e “actual”, também os valores que enobrecem o futebol têm vindo a ser adulterados: a relação dos jogadores com os clubes é cada vez mais baseada no dinheiro que movimentam, tornando-se ícones de vaidade, exuberância e ostentação; o princípio “mens sana in corpore sano” nem sempre é respeitado, assim como as regras éticas e morais básicas que orientam o jogo de futebol. Ainda assim, os adeptos continuam a ser fiéis ao seu clube e/ou à sua selecção nacional, tanto nos momentos de glória como nos momentos de fracasso. Será isso que torna este desporto fascinante? Por decisão pessoal, a autora do texto não escreve segundo o Novo Acordo Ortográfico


Ainda falta perto de um ano para Portugal, o Alentejo, o Alentejo que há em todo o mundo, entregar na Unesco a CANDIDATURA DO CANTE a Património da Humanidade. O processo está concluído ou em fase de conclusão. A adesão dos corais é global. A das autarquias com grupos corais também. Multiplicam-se as atividades de divulgação da nossa mais representativa expressão cultural. E para o ano estaremos todos juntos em Paris. A cantar. PB

Há 50 anos O pintor do homem da planície heróica

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edição de 19 de junho de 1962 do “Diário do Alentejo” abria com uma “Nota do Dia” intitulada “Repousam na sua terra natal os restos mortais de Manuel Ribeiro de Pavia”. O texto contava a história: “Aqui há anos, um grupo de amigos do malogrado pintor alentejano Manuel Ribeiro de Pavia, artista uno e vertical, que ficou como símbolo de conformismo para a sua própria dor e de inconformismo para dor dos outros homens seus irmãos, tentou levar a efeito uma campanha de angariação de fundos para transladação dos restos mortais do enigmático artista alentejano, da campa rasa de um cemitério da capital, onde veio a falecer vítima de fome e das provações de toda a sorte, e para erecção de um monumento que perpetuasse a sua memória na terra que lhe foi berço. Todos os esforços foram em vão e ainda continua por conseguir-se a quantia que possibilite a realização de um busto digno da estatura artística e moral do ‘Alentejano de Pavia’. Contudo, chegou-nos agora a notícia de que alguma coisa do que estava projectado em homenagem de Manuel Ribeiro de Pavia já se fez: desde há dias que os restos mortais do saudoso pintor do sofrimento do homem tristemente resignado e bom da planície heróica repousam no cemitério da localidade que quis adoptar no seu nome artístico. A cerimónia foi simples, mas profundamente tocante, tendo a ela assistido seus amigos dedicados e os srs. ministros da Saúde e dos Negócios estrangeiros, ambos admiradores carinhosos da sua obra. Falta, agora, erguer o monumento que está nos sinceros intentos dos seus conterrâneos e amigos. A presença dos dois citados membros do Governo em Pavia, naquele silencioso preito de homenagem a Manuel Ribeiro de Pavia, poderá ser um indício de que o projecto venha a ter realização próxima. A vida e obra de Manuel Ribeiro não só o merece como urgentemente o justifica. Ao menos que após a morte, [se] lhe preste a justiça que em vida se lhe negou.” Uma breve nota biográfica a fechar: Manuel Ribeiro nasceu em Pavia (Mora) em 1910. Foi viver para Lisboa em 1929, colaborando em vários jornais e revistas. Democrata, amigo e companheiro de escritores neorrealistas, a sua obra de ilustrador, sobretudo com temas alentejanos – são notáveis as suas ceifeiras –, renovou o grafismo do livro em Portugal. Morreu em Lisboa em 1957, fazia 47 anos. Carlos Lopes Pereira

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Por ocasião do fecho desta edição ainda não sabíamos se PORTUGAL tinha ou não tareado a República Checa, no Campeonato Europeu de Futebol. Mas isso não tem importância nenhuma quanto à honrosa prestação que a nossa equipa, até aqui, exibiu na Ucrânia e agora na Polónia. Apesar do início algo pedregoso contra a Alemanha, o lema terá que continuar o mesmo: “Contra as más-línguas, marcar, marcar”. PB

15 Diário do Alentejo 22 junho 2012

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Há sectores [da CDU] com os quais conseguimos trabalhar. Com todos aqueles que estavam ligados ao executivo anterior, os mais ortodoxos, é impossível – a atitude é sempre “terra queimada”, procuram criar as máximas dificuldades, para conseguir ganhar o poder. Na assembleia municipal, sou confrontado com uma hostilidade permanente e com insultos – neste momento já tenho contra o vereador da CDU dois processos em tribunal e vou avançar com um terceiro. Jorge Pulido Valente em entrevista ao jornal “I”, 18 de junho de 2012

Cartas ao diretor Porque não sou católico José Ramos Almada

Não sou católico porque o catolicismo mais me parece uma indústria religiosa altamente lucrativa como se verifica nos diversos santuários em todo o mundo. Fátima é um exemplo disso, com a venda de imagens e velas. E sei pela Bíblia que Deus abomina, detesta imagens de escultura, e sendo Ele Luz, não precisa de velinhas acesas. Não sou católico porque, sabendo também um pouco de história, sei que desde os tempos de Viriato e Sertório de Roma nunca veio nada de bom. E se os romanos construíram cá estradas e pontes, foi para o interesse deles. Mais tarde, para que o novo reino de Portugal tivesse a proteção de Deus, teve o primeiro rei que pagar ao Vaticano (ou Santa Sé) cinco onças de ouro por ano, como se Deus precisasse de riquezas humanas para proteger ou abençoar. Mais tarde o rei deixou de pagar, mas o rei seguinte, D. Sancho I, teve de pagar 20 anos dos atrasos! Só naquela ocasião quase três quilos em ouro! Assim por este e outros pagamentos, e através dos séculos, os cofres da igreja (ou dos bancos suíços) se têm enchido, mas quando uma igreja católica em qualquer lugar necessita de reparações materiais, é mais um peditório… Também a história nos fala em cruzadas, organizadas pelos papas. Eram expedições militares que os países católicos na Idade Média tinham que fazer à Palestina para libertar dos muçulmanos os lugares que pensavam ser santos. Com essa desculpa, quantos crimes foram cometidos! E as inquisições, ou tribunais de Santo Ofício? Milhares de pessoas eram torturadas ou mortas só por não concordarem com os chefes católico. Verdadeiros cristãos sofreram martírio, como se vivessem ainda nos tempos dos imperadores pagão romanos. A Basílica de S. Pedro, em Roma foi construída pelo papa Leão X com o produto da venda de indulgência (lugares cativos no céu). Como nos tempos de hoje, a maior parte do povo era ignorante da verdadeira palavra de Deus ou sagradas escrituras. Também não sou católico porque a Igreja Católica esteve sempre ao lado das ditaduras de extrema-direita como o nazismo, franquismo, salazarismo, etc., nunca tendo levantado a sua voz contra Hitler, Mussolini, Pinochet e outros. Esta igreja tem-se sentido bem com o paganismo que o imperador Constantino lhe impôs, e assim patrocina além da

ignorância da Bíblia, a idolatria e a superstição em todo o mundo católico. É uma ditadura machista que não recebe mulheres, e muito menos jovens deficientes para sacerdotes. Tem proibido o casamento desde o papa Gregório VII, dando origem a crimes sexuais de bispos e padres. A Bíblia nunca proibiu o casamento e sabe-se que Deus criou a Mulher para o Homem. Por tudo isto não sou católico. Graças a Deus, sou um simples cristão.

Este governo não tem juízo Diamantino António Funcheira

Eu tenho 82 anos de idade, conheci vários governos, como este é que não tinha aparecido nenhum, tão atrasado, mostrando sempre que está de mãos atadas. Pede-se com urgência aos vários governantes que foram bons, e que estiveram em governos anteriores, que deem lições por falta de mentalidade a este governo, (…) assim, por este processo, nunca mais saímos da crise. Este governo tem que ir primeiro tirar um curso de formação para aprender a governar países. A nossa maçã está podre, precisa de levar tratamento para termos boa qualidade, ou então temos de plantar árvores novas, ou seja, plantar também um governo novo.

Na Europa tudo como dantes José Fernando Batista Aljustrel

Tudo ou quase tudo o que está a acontecer na Europa – crise bancária espanhola, alastrar da crise das dívidas, perigo de recessão global, fim do euro, etc. – foi previsto há muito por alguns analistas, certo? E então, o que foi feito para evitar o que estamos a viver? Quase nada. A quem não interessa encontrar um caminho rápido para sair desta situção, é o que todos perguntamos. Agora que a crise bateu à porta da Espanha, com inervenção em grande escala na banca, já nimguém tem dúvidas que é impossível travar o contágio a outros países. Depois de Portugal e Espanha, a Itália é a próxima “convidada” com uma dívida pública monumental. E depois atrás de um outro virá… A iminente saida da Grécia do euro é, neste momento, a par com a crise espanhola, o maior desafio da União Europeia. É um perigo para a Europa em geral, mas principalmente para Portugal, pela depêndencia da nossa economia. É urgente que a União Europeia carregue no acelarador a fundo, senão estaremos perante um desastre iminente e com custos incalculáveis. Depois digam que não avisei!!..

“Meu Alentejo – poema” Manuel Dias Horta Beja

Ai, que saudade, eu tenho da minha juventude No Liceu, passada, entre gente de virtude Num destes últimos sábados dum sorridente (para poucos!) mês de maio, e próximo dum local onde o mar vem beijar a terra, realizou-se um almoço-convívio dos antigos alunos do Liceu de Beja. Depois de repetidos beijos e efusivos abraços. Embarcámos para uma daquelas viagens que o diretor deste jornal encantadoramente, já descreveu, no prefácio de determinado livro. Nestas viagens, sempre com a saudade ao leme e o poço da memória destapado, procura-se o infinito, o longínquo ou o improvável, talvez. E foi num momento de transbordo que Maria de Fátima Mendonça nos deu a conhecer o seu livro de poemas, para o qual escolheu a palavra “Alentejo”, que o preenche da primeira à última página. Na magia das palavras, no sublime dum verso, no encanto do poema, o poeta (neste caso a poetisa) canta a terra bendita, o Alentejo de Fialho, de Torga, de Régio, de Florbela e, agora, também de Maria de Fátima Mendonça.. Vou deixá-lo, leitor, com o fascínio duma quadra e duma sextilha que a poetisa tributa à terra amada: “Meu Alentejo-semente Poema de mar sem fim, Tão real, sempre presente, Vivendo dentro de mim… Abraço de terra e mar, Beijo em seio da Natureza, Bago-místico ouro-gema… Só Deus te pôde inventar, Meu Alentejo-surpresa, Meu Alentejo-poema!...

O “DA” errou 1 – Na passada edição, quer no interior do jornal, quer na primeira página, referimo-nos à paragem nas obras da A23, entre Beja e Sines, quando, de facto, de trata do atual IP8 e “futura” A26. As nossas desculpas. 2 – Por troca de ficheiros no nosso editor eletrónico, na passada edição publicámos erradamente um anúncio das Festas da Vila de Mértola, com o programa de 2011. Pelo que, assumindo a total responsabilidade pelo sucedido, pedimos desculpas à autarquia mertolense, aos seus munícipes e a todos os leitores do “DA”. PB


16 Diário do Alentejo 22 junho 2012

No Alentejo os grupos de folclore existem em número razoável, se bem que há lugar para muitos mais, pois cada povoado tinha o seu modo de vida, os seus costumes, muitas vezes bem distintos da povoação mais perto”. Martinho Dimas

Reportagem

Jovens asseguram continuidade dos grupos folclóricos

Este cante dançado Os corais alentejanos na região predominam em relação aos grupos folclóricos e etnográficos; no entanto, aqui, também se dança, sempre se dançou. Há quem demostre através dos trajos, das danças, sobretudo de roda, e das modas os hábitos e costumes de outros tempos, para que a memória, a tradição não se desvaneça. E há jovens, muitos jovens a assegurar a sua continuidade. Unidos pelo folclore neste chão que se quer, que sempre se quis, cantado,

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A luz do dia despede-se. O sol aproxima-se cada vez mais dos montes e vales. É atrás deles que parece esconder-se. Mas antes que vá por completo, moços e moças, homens e mulheres, aproveitam os últimos raios de luminosidade para ajeitar as fardas que envergam, trazidas de outros tempos, lembrando outras gerações. Parecem ter entrado na máquina do tempo, despidos das suas roupas atuais e da moda. Mas quem faz parte de um rancho folclórico, de um grupo etnográfico, apresenta-se assim, descalço de ténis, sem brincos nas orelhas, sem pulseiras, sem malas, sem cabelos espetados e até, caso as tenha, com as tatuagens escondidas. Apresenta-se com as roupas, com os trajes de antigamente, característicos da região, da terra, onde crescem e vivem. E em dia de festival redobram-se ainda mais os cuidados. O XVI Encontro Nacional de Folclore, em Montes Velhos, no concelho de Aljustrel, exige aprumo. O toque do acordeão marca o ritmo e envergam-se as meias

mas também dançado. Texto Bruna Soares Fotos José Serrano

rendadas, colocam-se os lenços ao pescoço, os coletes por cima das camisas e vestem-se as saias compridas e rodadas que cobrem as pernas às moças. Nas bagageiras dos autocarros, que vieram carregados com elementos de grupos folclóricos, de vários pontos do País, avistam-se vários utensílios. Cada autocarro, afinal, traz as características, os hábitos, os costumes, do povo que transporta. Cá fora dança-se, para afinar os passos, enquanto não chega a hora de atuação. Mas aqui não há dança sem música, sem moda, sem representação etnográfica, e é o todo que vicia quem escolhe

pertencer aos grupos folclóricos. Os costumes e as tradições populares foram passando de geração em geração, representando a identidade social de uma comunidade e quem anda nisto fá-lo por gosto, mas também por missão. E de boca em boca, do mais velho ao mais novo, surge a explicação: “Temos de preservar a tradição”. Para tal são necessários jovens e no XVI Encontro Nacional de Folclore até os há. Daniel Batista e Marta Dores, jovens, amigos e companheiros de rancho, abeiram-se da mesa repleta de bolos. Matam o bicho antes da hora de atuação. Marta tem o cabelo rigorosamente apanhado. Não há um fio que esteja fora do sítio. A camisa realça-lhe os ombros e na cara não há vestígios de maquilhagem. Daniel, por sua vez, é alertado por um colega de rancho mais velho: “Oh Daniel ainda não tiraste os brincos?”. Daniel joga as mãos às orelhas e constata o esquecimento. Rapidamente os retira. Procura um lugar onde os guardar e apressa-se a explicar: “Tradição é tradição. Antes não se usava. Não pode estar nada à vista”. Marta também não ostenta qualquer tipo de adorno. “Estou vestida de ‘pobre’ e os pobres não tinham dinheiro para usar qualquer tipo de enfeite”, avança. E assim se explica que os furos que tem nas orelhas, embora prontos para os receber, estejam vazios de adereços. É sábado e, enquanto muitos jovens da sua idade se preparam para sair à noite, Daniel e Marta preparam-se para subir ao palco. “Gostamos muito disto”, diz Daniel com um sorriso rasgado, que denuncia o seu amor ao folclore. Daniel anda nesta vida, entre ensaios e atuações, há 12 anos. Começou quando ainda tinha

uns tenros 11 anos. Hoje já conta com 23 e a barba já salta à vista. Pertence ao Grupo de Danças e Cantares Planície Alentejana. “Não me custa nada abdicar de outras coisas para andar no rancho. Faz parte de mim”, conta. Daniel e Marta prosseguem o convívio. Os miúdos rodam-se nas faixas que trazem à cintura. Ajeitam-nas, pedem ajuda aos colegas, que as esticam. Voltam a rodopiar e a encaixá-las na perfeição. Um autêntico fidalgo chega de bicicleta. Estaciona-a junto ao palco. Mete o chapéu na cabeça. As botas saem dos pedais. Foi a casa, ajeitar-se. É mais um dos elementos do grupo que dança na sua terra. Entretanto já se forma uma fila. Melhor, duas filas. Homens e mulheres lado a lado, mas quando não há homens suficientes, as moças alinham-se, à espera de melhor par. “Quando se consegue arranjar par fixo é ótimo. Agora, felizmente, há mais rapazes nos grupos. Mas quando não existem rapazes suficientes, tem mesmo de ser rapariga com rapariga”,


Salvaguardar o cante alentejano

N

conta Rita Banza, enquanto corre para as filas que se formaram. A noite vai chegando. O desfile começa e moços e moças, homens e mulheres, mas também crianças, assumem o seu papel. A música marca o ritmo e de sorriso nas faces avançam pelas ruas, cada um envergando a sua “personagem”, lembrando hábitos que afinal não estão assim tão distantes. “Os grupos de folclore têm uma importância fundamental na preservação e divulgação das tradições do nosso povo. É através das suas demonstrações, quer das danças, quer das modas, quer ainda dos seus trajos, que conseguimos dar uma mostra dos usos e costumes de um passado que, no Alentejo, não é assim tão distante”, avança ao “Diário do Alentejo” Martinho Dimas, estudioso do folclore, dinamizador cultural e presidente da Associação de Folcloristas do Alto Alentejo. Mas como surgem estes grupos? Segundo Martinho Dimas, “a origem dos grupos surge da necessidade da preservação e divulgação do património cultural, desta herança”, que “resulta de um trabalho de pesquisa cuidadosa, junto de pessoas idosas e idóneas que transmitem vivências sentidas ao longo da sua vida”. No Alentejo, de acordo com o estudioso, “os grupos de folclore existem em número razoável, se bem que há lugar para muitos mais, pois cada povoado tinha o seu modo de vida, os seus costumes, muitas vezes bem distintos da povoação mais perto”. E como se alia o cante aos grupos corais coreográficos? “A

única semelhança entre um grupo de folclore, tal qual como o imaginamos, e um grupo coral do Baixo Alentejo é apenas no trajo. O grupo de folclore divulga a dança, a moda, o trajo e, por vezes, utensílios ligados à vida campesina, nomeadamente quando requerem algum interesse. Enquanto o grupo coral apenas divulga o cante sem que tenha outras preocupações”, considera Martinho Dimas. O desfile prossegue. A tradição está na rua. “Nós, portugueses, somos extremamente exigentes nesta área da cultural tradicional e conseguimos sensibilizar, sobretudo os dirigentes dos grupos, para a necessidade da autenticidade e dignificação dos próprios grupos”, defende o estudioso e dinamizador cultural. Rui Faustino dirige o Grupo de Danças e Cantares Planície Alentejana, o grupo anfitrião do evento, e, aqui, há, sobretudo, a preocupação de preservar a identidade da terra, mas também da região onde se insere. “Temos sempre a preocupação da divulgação cultural e também a preocupação de recriar as tradições e os costumes do concelho, mas também do Alentejo. Temos sempre a preocupação de ser autênticos, coerentes com o nosso passado, com a nossa maneira de estar e viver em comunidade”, começa por dizer o ensaiador. E avança: “São muitos os valores que pretendemos transmitir e passar de geração em geração, mas diria que o principal é o conhecimento que fomos adquirindo e que nos foi transmitido pelos mais velhos. O conhecimento que é passado por estas pessoas é para nós muito importante. São eles que nos passam conhecimentos sobre a oralidade, sobre a maneira de vestir, sobre a dança, sobre os hábitos, sobre as modas, entre tantos outros”. O desfile termina e há tempo para uma pausa, enquanto se prepara a maior açorda alguma vez servida. João Santos e Hélio Garcia, jovens folcloristas, descontraem. Aproveitam para matar a sede e falar um pouco de tudo. De tudo o que lhes apetecer e entenderem, desde o folclore à prestação da seleção. O que lhes vier à cabeça. E que se junte quem vier por bem. “Adoro isto. Cheguei a deixar o folclore, por motivos pessoais, mas regressei, até porque o meu pai lamentava-o muito e com o seu falecimento ainda mais força tive para regressar”, explica o jovem, que prefere deixar as conversas tristes para depois. Centra-se no seu gosto e no quanto o folclore lhe faz bem. “Comecei a dançar com nove anos. Tenho 25. Para mim não foi difícil aprender. Basta-me observar e repetir. Adoro isto”, reforça. Hélio, com uma camisa azul e uma faixa preta à cintura, concorda. “Quando se gosta realmente fazem-se sacrifícios”, diz. E deixa a receita: “Para uma pessoa andar num rancho folclórico tem de gostar, essencialmente, de dançar e tem de ter gosto em espalhar a cultura alentejana pelo País fora”. Hélio passa a mão pela camisa. “A dança alentejana, essencialmente, é uma dança de roda. Uma dança calma. O cantar também faz parte desta nossa maneira de estar. Todos os ranchos têm boas vozes, até porque sempre se ouviu dizer que os bons corais são os do Alentejo”, diz com orgulho, puxando a brasa ao seu rancho, à sua terra, à sua região. Em outras regiões do País, porém, aparecem em maior número os grupos folclóricos. “Pelo que sabemos, no Baixo Alentejo, pela dureza do trabalho, cantava-se mais e dançava-se menos. Bastava não existir, por exemplo, uma concertina. Mas na região sempre se dançou”, explica Rui Faustino. “A escassez dos grupos de folclore é sentida a partir da serra de Ossa (Redondo), onde se começa a sentir a influência do cante – Grupo de Montoito”, diz, por sua vez, Martinho Dimas. “Não é que a canção alentejana desconheça a alegria; mas essa alegria é temperada por um certo pendor à melancolia, que elemina dela qualquer elemento de exaltação dionisíaca. Talvez isso explique a raridade de canções dançadas no Alentejo, tão abundantes nas outras províncias, e que mesmo as que o são adocem a sua vivacidade, percam o seu frenesim rítmico, ao sofrerem o tratamento coral e ao adaptarem-se à taciturna idiossincrasia do alentejano”, já dizia Fernando Lopes-Graça, em A Canção Popular Portuguesa. A hora de subir ao palco aproxima-se e encerram-se as conversas. Começa a festa. Neste chão de cante e de dança.

o passado sábado, dia 16 de março, o Instituto Politécnico de Beja foi o anfitrião de mais um encontro entre os promotores da Candidatura do Cante Alentejano a Património Cultural Imaterial da Humanidade e representantes dos grupos corais do distrito de Beja. Da parte da comissão promotora da candidatura esteve presente Joaquim Soares, presidente da associação MODA, Francisco Torrão, presidente da Confraria do Cante Alentejano, João Proença, presidente da Casa do Alentejo, João Rocha, presidente da Câmara Municipal de Serpa, e Paulo Lima, da comissão científica desta candidatura. O movimento coral fez-se representar por responsáveis de grupos de cantadores oriundos dos municípios de Aljustrel, Alvito, Beja, Cuba, Ferreira do Alentejo, Mértola, Moura, Ourique e Serpa. Este encontro, que abre uma nova etapa na construção desta candidatura, teve não só como objetivo apresentar, e discutir, o plano de salvaguarda para o cante alentejano, como renovar o diálogo com os detentores deste importante património cultural imaterial. O plano de salvaguarda, que se estrutura em torno de palavras-chave como dignificação, sustentabilidade e transmissão, tem por base não só os documentos internacionais relativos ao património cultural imaterial, que foram integrados na legislação portuguesa, como um conhecimento aprofundado da realidade social, cultural e económica, onde se insere o cante alentejano. Este documento, ainda que sumário, não só é uma parte essencial da instrução da candidatura, como será, depois da aceitação desta por parte da Unesco, a ferramenta nuclear em toda a estratégia de valorização do cante. E será, também, sobre o plano de salvaguarda, que a Unesco sustentará, de futuro, toda a sua avaliação, que é feita de cinco em cinco anos, e que dita a manutenção, ou não, da classificação do cante como património cultural imaterial da humanidade. O ciclo de encontros que agora se inicia, irá, assim, aprofundar a relação com os cantadores e com os grupos corais e, também, enriquecer o plano de salvaguarda. Foi anunciado que entre os encontros, que se realizarão em todos os distritos onde a presença deste património é forte, serão feitas reuniões nas sedes dos grupos corais, nos municípios, e com todas as entidades relacionadas com o cante alentejano. A candidatura, que é composta por um formulário, por um documentário de 10 minutos e por 10 fotografias, está em parte fechada. A única parte que continua em aberto é o plano de salvaguarda, que se deseja aprofundar. Recorde-se que Sérgio Trefaut é o realizador do filme e Augusto Brázio o autor das fotografias. No sentido de responder à solicitação da Comissão Nacional da Unesco, a comissão promotora da Candidatura do Cante Alentejano a Património Cultural Imaterial da Humanidade pretende finalizar todo o processo de debate público até dezembro do corrente ano. E, desta forma, entregar o processo em janeiro de 2013, três meses antes da data que fecha aceitação destas candidaturas. A entrega da candidatura marca o início da responsabilização acrescida de todos na salvaguarda de um património, o cante, que é, em muito, o rosto identitário do Baixo Alentejo. PL

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Campo de Férias do Parque da Natureza de Noudar

Estão abertas as inscrições para a terceira edição do Campo de Férias do Parque de Natureza de Noudar (PNN) para jovens dos 10 aos 16 anos, centrado em atividades associadas à conservação da Natureza, e que terá lugar entre 8 e 14 de julho. Segundo a organização, “o Campo de Férias do PNN inclui a participação em ações de conservação destinadas à reintrodução do lince-ibérico, vigilância de incêndios, percursos pedestres e btt, peddy papers, caça ao tesouro

noturna, piqueniques campestres, um dia em Barrancos, entre outras iniciativas”. No último dia do campo, os pais são convidados a assistir à apresentação de um projeto especial a desenvolver pelos participantes e a compartilhar um churrasco com vista para o castelo de Noudar. As inscrições devem ser feitas até ao próximo dia 2 de julho e os interessados podem aceder a mais informações informações no site http://www.parquenoudar.com

Desporto

No Despertar vai jogar-se por amor à camisola

Os desafios de um jovem presidente O Despertar Sporting Clube, histórico do futebol alentejano fundado em Beja em 1920 e dirigido nos últimos 22 anos por Mariano Baião, atravessa um novo ciclo. Texto e foto Firmino Paixão

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uís Miguel Mestre, 34 anos, assumiu, em maio último, a presidência do clube, sucedendo ao carismático dirigente que no início do ano tinha apresentado a renúncia ao cargo por dificuldades de relacionamento com o executivo do município de Beja. Libertar-se do estigma da anterior presidência e deixar a sua marca pessoal num clube que movimenta 250 atletas e que, em passado recente, foi classificado pela UEFA como o 6.º melhor clube na formação em Portugal, são os desafios que Luís Mestre se propõe enfrentar com coragem e determinação.

Como se sente um jovem de 34 anos a presidir um clube com 92?

É uma responsabilidade enorme. Não é hábito os clubes terem presidentes tão jovens, acho até que sou o mais novo dos atuais órgãos sociais. É uma responsabilidade grande, mas é uma honra que as pessoas tenham acreditado em mim e tenham feito força para que eu encabeçasse a lista candidata. Isso só me dá mais força para trabalhar em prol do clube. Qual foi a sua primeira decisão enquanto presidente?

Foi a decisão de termos na próxima temporada uma equipa de seniores totalmente a custo zero, face à situação delicada que atravessamos a nível financeiro. Vamos para a 1.ª Divisão Distrital com uma equipa que seja a continuidade do nosso trabalho de formação. O anterior presidente esteve 22 anos no clube, naturalmente que ainda estará muito presente no dia a dia do Despertar…

Ainda bem que está presente, continuamos com uma boa relação e sempre que tenho dúvidas tenho que as esclarecer com ele. A máquina está bem montada, mas as opiniões dele são sempre uma boa ajuda. Que motivações teve para se candidatar à presidência do Despertar?

Deixei de jogar futebol há cinco anos e, nessa altura, fui convidado para iniciar o projeto dos seniores, escalão que o clube não tinha. Acompanhava o clube de perto, conhecia os problemas. Quando o Mariano Baião saiu assumi um papel determinante, e como se mantiveram quase todos os anteriores dirigentes decidimos formar esta lista. Gostava de deixar aqui obra feita, alguma coisa marcante que assinalasse o tempo que por aqui iremos passar. Modernizar o clube, retomar o seu ecletismo está no vosso programa?

Não estamos a pensar em mais modalidades. A cidade, felizmente, já tem clubes que se dedicam à natação, ao atletismo, ao andebol, ao basquetebol, não temos muito mais possibilidades a explorar. Pensámos no futebol feminino, que não existe em Beja, mas temos o problema do espaço para treinos. Já se

equipam dois ou três escalões em cada balneário, como é que conseguíamos meter ainda uma equipa feminina? A lista de órgãos sociais é muito vasta mas a atividade também é muito diversificada…

Temos nove equipas de futebol, não decidimos ainda se teremos uma décima, porque temos muitos juvenis e não queremos dispensar ninguém, queremos ficar com eles todos, mas não podemos ter um plantel com 30 jogadores. Equacionamos formar uma segunda equipa de juvenis mas esbarramos sempre nas dificuldades de logística. O Despertar vai manter a política de não dispensar jogadores que não precisa?

Não queremos que ninguém saia, mas também não queremos que ninguém fique contrariado. O que temos que saber é a causa de um jogador querer sair para outro clube. Pode não gostar do treinador, pode ter incompatibilidades com outros colegas. Queremos saber, porque há inúmeras razões para um atleta querer sair. A passagem pela 3.ª Divisão deixou feridas difíceis de sarar?

Não, ainda temos alguns subsídios em dívida com os jogadores. A situação do clube é apertada, mas estamos muito longe da falência técnica, como agora de costuma dizer. O novo presidente do Despertar já dialogou com o município de Beja?

Já falei com o presidente e com o vereador do pelouro, as relações são boas, têm que ser porque nós utilizamos espaços municipais, mas a nível financeiro temos valores em atraso de 2011 e nem sabemos se em 2012 receberemos algum apoio. Temos conversado sobre os acessos aos campos, sobre os arranjos exteriores no edifício da sede, na iluminação do sintético 2. Não podemos dar prémios aos nossos jogadores mas gostamos que eles tenham boas condições de treino e é isso que estamos a tentar junto do município. Tem sentido o apoio dos adeptos e associados que constituem a família despertariana?

Sim, sinto muito orgulho por isso, tenho recebido palavras de incentivo e de encorajamento que me permitem estar otimista quando a este desafio de manter o Despertar na rota do prestígio que todos lhe reconhecemos.


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A Seleção Sub/13 da AF Beja Duarte Varela (Barrancos); Miguel Guerreiro (Guadiana); Hugo Dias (Santo Aleixo); António Baixinho (Vasco da Gama); André Quintos, Francisco Viana, Ruben Molina, Diogo Carvalho e Francisco Vão (Despertar); Diogo Neves e Diogo Guerreiro (Castrense); José Carrilho (Amarelejense); Marcelo Prata, Daniel Andrade e Bernardo Godinho (Moura). Selecionador: Fernando Monteiro.

Resultados do Torneio Sub-13 AF Beja-União de Santiago, 0-1; AF Algarve-Imortal, 0-3; AF Beja-Imortal, 0-4; União de Santiago-AF Algarve, 0-4; União Santiago-Imortal, 0-0; AF Beja-AF Algarve, 3-0. Classificação Final: 1.º Imortal, sete pontos. 2.º União de Santiago, quatro. 3.º AF Beja, três. 4.º AF Algarve, três.

1.º Torneio de Ourique em Sub/13

Ganhando pouco, formando muito e jogando sempre O Estádio Municipal D. Afonso Henriques, em Ourique, recebeu a primeira edição do Torneio de Futebol Sub/13, da Associação de Futebol de Beja (AF Beja). Texto e foto Firmino Paixão

A

competição reuniu as seleções das associações de futebol do Algarve e de Beja, o Imortal de Albufeira e o União Sport Club, de Santiago do Cacém (AF Setúbal). Os objetivos do torneio, explicou o diretor técnico da AF Beja, apontam para a antecipação formativa de potenciais futuros jogadores da seleção sub/14, que anualmente disputa o Torneio Nacional Lopes da Silva. Desconhecendo se será reconduzido na liderança do gabinete técnico da AF Beja, Arlindo Morais preconiza a realização de ações preventivas de formação e a união dos agentes desportivos em torno do desenvolvimento qualitativo do futebol bejense. Esta ação “Jogar para formar o futuro” teve implícita uma mensagem muito forte…

É verdade, tentamos prever o futuro, formando e detetando alguns dos valores do nosso distrito. É preciso começar a trabalhar antecipadamente e preparar desde já a sua eventual participação no Torneio Lopes da Silva, através da futura seleção sub/14. O escalão sub/13 não tem competição ao nível de seleções, mas estamos a dar competição a estes miúdos…

A nossa ideia é fazermos qualquer coisa de diferente e positivo para os miúdos. Em conjunto com a direção da AF Beja entendemos dar este passo, criando condições a estes miúdos, um ano antes, eventualmente, preparando mini estágios nas férias para que possamos apresentar mais qualidade quando estamos com outras seleções noutros patamares de exigência. Temos jogadores com algum potencial?

Temos sempre um lote de três ou quatro jogadores a quem prevemos algum futuro, mas sabemos que as nossas dificuldades são muito maiores que as dos nossos parceiros. Estamos numa região muito extensa, com necessidade de muitas viagens, muito esforço de todos e sabemos que estas dificuldades só se ultrapassam existindo vontade. Para nos aproximarmos do nível dos outros, temos que trabalhar mais. Os clubes já fazem muito, mas temos que manter esta luta para conseguirmos ter ouro tipo de resultados em que os miúdos saiam valorizados.

A vinda para Ourique foi uma consequência da descentralização que a associação promoveu este ano?

Sim, não sei se me manterei nestas funções, mas já apresentei algumas ideias à direção da AF Beja nesse sentido. Queremos fazer algumas ações descentralizadas pelo distrito. Temos que chegar a todo o lado, falar com toda a gente e vejo que, por onde estas ações passam, somos acarinhados e bem recebidos. É esta a conduta que devemos ter. Não foi convidada nenhuma equipa da área de intervenção da Associação de Futebol de Beja?

É um reparo bem feito e eu fico um bocado, não direi triste, mas convicto de que, enquanto clubes, temos que começar a preparar o futuro mais cedo. Na área da nossa associação, os clubes assim que concluem as competições terminam as suas ações e já não tínhamos nenhum clube que aqui pudesse estar. No próximo ano tentaremos ter aqui um ou dois clubes da nossa área de intervenção. É por aí que teremos que ir. Para concluir a temporada teremos ainda os sub/14 no Lopes da Silva. Quais são as expectativas?

Temos que ser realistas, não podemos ir para uma prova como essa pensando que podemos ficar entre os primeiros 10. Isso é completamente irreal. É uma posição ingrata para os selecionadores, porque faremos seis jogos e podemos perdê-los todos, e não estou a ser pessimista, mas sabemos as dificuldades e temos que ter a equipa preparada para isso, para que eles deem o máximo, porque o futebol é um jogo de sofrimento e isso já é positivo para a formação deles. Mas encaramos sempre o futuro com um sorriso. Termina funções no final deste mês. Não é possível prever a sua continuidade, mas é possível o balanço do que ficou para trás…

Tivemos uma boa cooperação de todos e o exemplo é esta seleção de sub/13 que tentámos organizar com custos reduzidos para a AF Beja. O saldo é muito positivo, só tenho que agradecer aos clubes, aos dirigentes, aos treinadores e aos encarregados de educação, a todos os que, em geral, se envolveram neste processo, desde o futsal aos sub/20, à seleção feminina e às seleções sub/13 e sub/14. Só tenho que lhes agradecer e dizer que estou disponível para todos eles para que no futuro possamos unir os esforços, ultrapassarmos pequenos atritos para podermos melhorar o futebol do nosso distrito, como todos pretendemos.

Pavilhão dos Desportos de Sines em construção O novo Pavilhão de Desportos de Sines já está em fase de construção. Trata-se de um investimento de cerca de três milhões e 700 mil euros, com financiamento assegurado no âmbito de protocolo assinado entre a Câmara Municipal de Sines e a Galp Energia. A conclusão das obras e a entrada em funcionamento estão previstas para o início do próximo ano.

Canoagem no rio Guadiana Realiza-se amanhã, pelas 9 e 30 horas, uma descida em canoa de um troço do rio Guadiana, entre Azenha dos Doutores e a ponte de Serpa, uma iniciativa da Naturaventura com o apoio do município de Beja. A ação é limitada a um máximo de 27 participantes. PUB

Arbitragem bejense O Conselho Regional de Arbitragem da AF Beja sofreu um sério revés com a despromoção de seis dos seus filiados que arbitravam em escalões nacionais. Tiago Canário foi despromovido da 2.ª para a 3.ª categoria nacional, Marco Trombinhas, Edgar Gaspar, David Tomé e João Constantino desceram da 3.ª categoria para os distritais e o árbitro de futsal Daniel Lança baixou da 2.ª para a 3.ª categoria nacional.

Europeu de Canoagem Os atletas Carlos Marques e Inês Esteves (ambos do Náutico de Milfontes), Bruno Afonso e Ana Guerreiro (ambos do Náutico de Mértola) foram convocados pelo selecionador nacional de velocidade para o estágio que precede a realização do Campeonato da Europa de Juniores e Sub/23 em Canoagem que se realiza em Montemor-o-Velho, entre 11 e 15 de julho.


Ciclismo: Prémio Jorge Nunes em Grândola

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Realiza-se no domingo, em Grândola, uma prova de ciclismo denominada “Prémio Jorge Nunes” (antigo ciclista do Benfica), competição disputada em circuito na avenida Jorge Nunes e aberta às categorias de sub/23, elites e veteranos. A partida será dada pelas 15 horas para a prova aberta e às 16 para os ciclistas federados.

3.ª Divisão de Futsal O Instituto Politécnico de Beja, campeão distrital de futsal na época 2011/2012, renunciou à participação da sua equipa no próximo Campeonato Nacional da 3.ª Divisão. O Desportivo do Alcoforado (2.º classificado), o Núcleo Sportinguista de Moura (3.º) e o Almodovarense (4.º), já convidados pela AF Beja a preencher a vaga, também não aceitaram.

Aposta na formação melhora qualidade do futsal

Os alicerces estão em construção O Gabinete de Apoio às Atividades Desportivas do Instituto Politécnico de Beja organizou uma ação de formação em futsal, denominada “Organização de jogo: ofensiva/defensiva”. Texto e foto Firmino Paixão

J

orge Braz, selecionador nacional de futsal, esteve em Beja como preletor de uma ação de formação organizada pelo Politécnico de Beja e apoiada pela Associação de Futebol de Beja, tendo como tema central os grandes princípios da organização ofensiva e defensiva de uma equipa. Cerca de três dezenas de atletas e técnicos de equipas do distrito estiveram no pavilhão da Escola de Santa Maria, numa altura em que se anuncia que na próxima época desportiva possam surgir, pelo menos, quatro equi-

Jorge Braz Selecionador nacional de futsal ministrou formação em Beja

pas a competir nesta modalidade, em escalões de formação. Jorge Braz referiu que foi uma ação bem participada e bem-sucedida, tendo em conta a realidade do futsal neste distrito, e acrescentou: “É importante colaborarmos e, essencialmente, promovermos estes espaços

de diálogo e debate, apresentando o que são as nossas ideias em termos de treino, em termos de jogo, de organização de treino e organização de jogo, mas, mais importante do que a nossa apresentação em si, é o espaço de diálogo que se abre e o confronto entre as ideias do que nós pensamos e o que

pensa a maioria dos treinadores aqui do distrito de Beja”. E realçou: “Isso é que foi importante, porque nós também aprendemos quando fazemos estas ações, trazemos sempre o nosso objetivo e entendemos que é essencial e extremamente positivo promovermos estes espaços de formação”. Sobre os objetivos desta etapa de formação, que passou por deixar algumas ideias sobre a organização ofensiva e defensiva, o técnico nacional da modalidade sublinhou: “Só numa manhã não temos tempo para tudo, por isso, temos que tomar decisões em relação aos temas que são prioritários e, se calhar, o essencial foi termos abordado os grandes princípios de jogo e debruçarmo-nos mais especificamente sobre isso, mas como eu costumo dizer, espero que tenham ficado aí – pulgas atrás das orelhas – com uma série de conceitos que aqui deixámos, isso é

importante”. E acentuou: “É como tirarmos a carta de condução, não aprendemos a conduzir só porque já temos a carta, é preciso mantermos o processo de aprendizagem e evoluirmos todos os dias, espero bem que esse bichinho tenha ficado presente em todos os treinadores do distrito que nos acompanharam nesta ação”. Questionado sobre a possibilidade de realizar em Beja nova etapas de formação, Jorge Braz revelou uma disponibilidade incondicional afirmando: “É sempre um prazer enorme, foi a terceira vez que estive aqui com ações de futsal, com a seleção nacional já estivemos duas vezes em jogos, com formação esta foi a primeira, mas virei sempre, para o futsal estarei sempre disponível, será apenas uma questão de agenda, mas é uma obrigação nossa estarmos presentes e eu virei novamente a Beja para estar com os treinadores da região”, concluiu.

Atletismo regional fecha calendário competitivo

Recordes em fim de estação Os campeonatos distritais de infantis, juvenis, absolutos e veteranos realizados no último fim de semana fecharam o conjunto de provas distritais calendarizadas pela Associação de Atletismo de Beja para a época desportiva 2011/2012.

A

s quatro competições reuniram mais de 130 atletas em representação de 10 clubes. Apesar do estado adiantado da época as reuniões produziram alguns bons resultados, destacando-se os recordes regionais conseguidos pelos seguintes atletas: Ana Catarina Dias (Odemira), 10.48,02’ nos 3 000 metros femininos (recorde regional de juniores e seniores); Liliane Amaro (Neves), 25,80’’ nos 200 metros (recorde regional de seniores); Maria do Rosário Silva (Messejana) 47,81’’ nos 300 metros barreiras (recorde regional de juvenis);

Catarina Abreu (Neves), 44,17 metros no lançamento do martelo 3 kg. (recorde regional de juvenis); Ana Pinto (Alvito) 9,2 ‘‘ nos 60 metros planos (recorde regional de infantis). No plano coletivo e no escalão de infantis o Clube Natureza de Alvito venceu em masculinos e o CCD do Bairro da Conceição ganhou o setor feminino. A Juvent ude Despor t iva das Neves triunfou nos juvenis femininos e o Futebol Clube Castrense em masculinos. No Distrital de Absolutos Fem i ni nos a Juvent ude Desportiva das Neves assegurou o primeiro lugar do pódio e o CCD Bairro da Conceição ga n hou desta vez o setor masculino. Finalmente, em veteranos, o domínio foi do Beja Atlético Clube, única equipa a cumprir os requisitos para pontuar e vencer coletivamente. Firmino Paixão


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Realiza-se no dia 22 de julho, às 9 horas, a edição 2012 da Ultra Maratona Atlântica Melides/Troia, prova com a extensão de 43 quilómetros, com início na praia de Melides e meta na praia do Bico das Lulas, em Troia. A prova é organizada pelo município de Grândola e as inscrições decorrem até ao dia 16 de julho.

Pavilhão João Magalhães José Saúde

Gala da Patinagem A Associação de Patinagem do Alentejo vai realizar no dia 6 de julho, pelas 21 e 30 horas, no auditório do Instituto Politécnico de Beja, uma gala da patinagem. O evento revisitará todo o percurso histórico da associação e homenageará alguns dos agentes da modalidade.

Patinagem alentejana contraria angústias do pessimismo

O Alentejo merece este sucesso A patinagem alentejana é uma espécie de oásis neste deserto de dificuldades que o associativismo desportivo atravessa. Sucesso da modalidade honra a memória do histórico e dedicado dirigente João Magalhães.

de clubes de sempre, por isso a patinagem artística vive um momento de clara expansão. Contrariamente à patinagem de velocidade (corridas em patins), que perdeu expressão...

Texto e fotos Firmino Paixão

A

Associação de Patinagem do Alentejo (APA) concluiu a época desportiva com a realização de torneios de encerramento de hóquei em patins, nas categorias de benjamins (na cidade de Moura) e de escolares (em Beja) e do Torneio Planície, em patinagem artística (Castro Verde), no escalão de benjamins. Apesar das dificuldades relacionadas com a atual conjuntura económica, a associação viu o Moura Desportos Clube regressar à atividade e confirma o acentuado acréscimo de atletas na patinagem artística. No encerramento da temporada (a gala final realiza-se a 6 de julho) veio também a notícia do município de Beja ter aprovado a proposta de atribuição do nome de João Magalhães, histórico dirigente da patinagem alentejana, ao Pavilhão Desportivo Municipal, pretensão da associação regional da modalidade. Nuno Palma Ferro, presidente da APA, fala dos progressos da modalidade, numa altura em que se desconhece o futuro da associação alentejana. A patinagem alentejana fez o encerramento de mais uma época bem-sucedida?

A época foi muito bem-sucedida, e estivemos em Moura sinalizando esse sucesso, porque o Moura Desportos Clube reativou a sua atividade, já tem uma escola de patinagem artística muito apreciável e também já gatinha no hóquei em patins, portanto, o saldo da época desportiva é “mais um” porque temos mais um clube, que é o Moura Desportos Clube. Numa altura em que se vive esta crise, e em que tudo está a regredir, nós continuamos a expandir-nos e isso é muito bom sinal. A realização deste torneio em Moura premeia o mérito desse ressurgimento do clube?

Viemos a Moura fazer este torneio

Hóquei em patins Jogo entre os benjamins do Castrense e do Aljustrelense

Hóquei em patins Benjamins do Aljustrelense jogaram em Moura

Hóquei em patins Benjamins do Castrense fizeram boa exibição

de encerramento de benjamins para prestarmos homenagem às pessoas desta cidade, que estão empenhadas em tornar o Moura Desportos Clube numa coletividade emblemática da Cidade de Salúquia, que as gentes desta terra merecem e que todos os alentejanos também merecerão, e cuja presença nós precisamos no hóquei em patins e na patinagem artística. Uma segunda etapa de encerramento disputou-se em Beja entre clubes do Alentejo e do Algarve...

Conseguimos reunir seis clubes em Beja no escalão de escolares. Já nos é permitido ter autonomia para organizarmos uns encontros desta

categoria com alguma competitividade e foi também uma jornada de encerramento que serviu de pretexto para entregarmos uma medalhinha às crianças que jogam hóquei em patins e que têm prazer em ter essa recordação no seu quarto, num lugar de estimação. E nós fazemos questão de não nos esquecermos deles. A patinagem artística manteve boas performances durante a temporada?

Este ano a patinagem artística atingiu o maior número de sempre em atletas federados na Associação de Patinagem do Alentejo. Há cerca de 15 dias conseguimos esse agradável recorde, também com o maior número

Sim, essa disciplina contraiu. Mantínhamos a equipa de Vila Nova de São Bento, o Serpa começou a cair, o Beja também. São fluxos que não são inéditos na vida da associação, são ciclos de vida que se encerram, mas como a semente está no chão, de certeza absoluta que, mais dia, menos dia, ela irá germinar de novo e voltaremos a ter uma patinagem de velocidade forte, porque as pessoas estão lá e a paixão também continua, portanto, num tempo próximo, a disciplina renascerá no Alentejo com a força e a pujança que sempre teve. Estamos crentes nisso. Mas estamos preocupados com o futuro da associação numa altura em que está em curso um projeto de reformulação das associações nacionais da modalidade. No final de temporada, a boa notícia da atribuição do nome de João Magalhães ao Pavilhão Municipal de Beja...

Foi quase uma promessa eleitoral da nossa parte, no sentido de fazermos essa proposta ao município de Beja. Achamos que a proposta partiu de onde devia ter partido, que era da Associação de Patinagem do Alentejo, até porque João Magalhães foi uma figura única, não só em Beja, mas também no Alentejo. Foi fundador da APA e foi um homem que andou com o hóquei em patins por todo o lado. Se hoje existe esta modalidade no Alentejo, tirando Estremoz, todas as outras localidades, até no litoral, devemo-lo a ele, que foi, de facto, o grande promotor. O município de Beja achou por bem prestar-lhe esta homenagem que, em nosso entender, é mais do que justa, para um homem que, não tendo filhos, adotou o hóquei em patins como sua família. É uma homenagem perfeita. Resultados Torneio de Encerra-

mento de Escolares (Beja): CP Beja B-Castrense, 4-6; Boliqueime-Ext. São Filipe, 5-4; Estremoz-Roller Lagos, 7-4; H. Portimão-CP Beja A, 0-6. Torneio de Encerramento de Benjamins (Moura): CP Beja-Ext. São Filipe, 5-2; Castrense-Aljustrelense, 21-2.

Chamou-se João Serra Magalhães. Falar sobre o saudoso homem que dedicou toda uma vida ao mundo dos patins não é fácil, confesso. Porém, ouso citar uma personagem enorme da patinagem regional, e nacional, que foi atleta, treinador, formador, dinamizador, dirigente, sócio de mérito da Federação e Associação, fundador da Associação de Patinagem do Alentejo e Algarve e do Clube de Patinagem de Beja, a que acresce a panóplia da sua ação direta a uma modalidade que lhe preencheu a alma. A homenagem que lhe será prestada pela Câmara Municipal de Beja, integrada no Memorial João Serra Magalhães que terá lugar no dia 30 de junho de 2012, passa por atribuir o seu nome ao pavilhão gimnodesportivo de Beja como contributo pela sua gigantesca dedicação a um desporto que hoje muito lhe deve. É, pois, com justiça que se contemple a respetiva infraestruturada com a sua inquestionável referência. Tanto mais que aquele palco, sob a sua tutela, foi cenário de espetáculos artísticos que proporcionaram à cidade momentos ímpares. Confesso que conheci, e bem, o João Magalhães. Sabia da sua aguçada atitude perante as adversidades que, a espaços, muito o preocupavam. Reconheço, também, a sua intencionalidade no crescimento de uma modalidade que galgou barreiras. O João exalava patinagem por todas as extremidades do seu corpo. Convivia quotidianamente com os patins. Conhecia, a fundo, o contexto das disciplinas que compõem a generalidade deste nobre desporto. Desde o hóquei em patins, passando pela patinagem artística e terminando na patinagem de velocidade, o João Magalhães dominava o teor dessas matérias. Posto isto, é legítimo trazer à estampa um nome que jamais será esquecido no seio da patinagem regional de Beja, e do País, enaltecendo, simultaneamente, que João Magalhães será eternamente recordado pela família da patinagem que muito o venera e venerará. Pavilhão João Magalhães, justo!

Diário do Alentejo 22 junho 2012

Ultra Maratona Atlântica Melides/Troia


saúde

22 Diário do Alentejo 22 junho 2012

Análises Clínicas

Medicina dentária ▼

Psicologia

Fisioterapia

Dr.ª Heloisa Alves Proença Médica Dentista

Centro de Fisioterapia S. João Batista

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Laboratório de Análises Clínicas de Beja, Lda. Dr. Fernando H. Fernandes Dr. Armindo Miguel R. Gonçalves Horários das 8 às 18 horas; Acordo com beneficiários da Previdência/ARS; ADSE; SAMS; CGD; MIN. JUSTIÇA; GNR; ADM; PSP; Multicare; Advance Care; Médis FAZEM-SE DOMICÍLIOS Rua de Mértola, 86, 1º Rua Sousa Porto, 35-B Telefs. 284324157/ 284325175 Fax 284326470 7800 BEJA

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DR. JOSÉ BELARMINO Clínica Geral e Medicina Familiar (Fac. C.M. Lisboa) Implantologia Oral e Prótese sobre Implantes (Universidade de San Pablo-Céu, Madrid)

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CLÍNICA MÉDICA ISABEL REINA, LDA.

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Consultório Centro Médico de Beja Largo D. Nuno Álvares Pereira, 13 – BEJA Tel. 284312230

Marcações de consultas de 2ª a 6ª feira, entre as 15 e as 18 horas Rua Dr. Aresta Branco, nº 47 7800-310 BEJA Tel. 284326728 Tm. 969320100

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Neurologista do Hospital dos Capuchos, Lisboa

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DR. A. FIGUEIREDO LUZ

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Chefe de Serviço de Oftalmologia do Hospital de Beja

MÉDICO DENTISTA

Marcações pelo tel. 284311790 Rua do Canal, nº 4 - 1º trás 7800-483 BEJA

Especialista pela Ordem dos Médicos

Marcações pelo 284322446; Fax 284326341 R. 25 de Abril, 11 cave esq. – 7800 BEJA

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Médico oftalmologista

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CONSULTÓRIOS: Beja Praça António Raposo Tavares, 12, 7800-426 BEJA Tel. 284 313 270 Évora CDI – Praça Dr. Rosado da Fonseca, 8, Urb. Horta dos Telhais, 7000 Évora Tel. 266749740

Estomatologia Cirurgia Maxilo-facial

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JOÃO HROTKO

Fisiatria Dr. Carlos Machado Drª Ana Teresa Gaspar Psicologia Educacional Drª Elsa Silvestre Psicologia Clínica Drª M. Carmo Gonçalves Tratamentos de Fisioterapia Classes de Mobilidade Classes para Incontinência Urinária Reeducação do Pavimento Pélvico Reabilitação Pós Mastectomia Hidroterapia/Classes no meio aquático

Oftalmologista pelo Instituto Dr. Gama Pinto – Lisboa

CONSULTAS EM BEJA 2ª, 4ª e 5ª feira das 14 às 20 horas

Oftalmologia

Acordos com A.D.S.E., CGD, Medis, Advance Care, Multicare, Allianze, Seguros/Acidentes de trabalho, A.D.M., S.A.M.S.

Convenções com PT-ACS

Rua António Sardinha, 25r/c dtº Beja

(Diplomada pela Escola Superior de Medicina Dentária de Lisboa)

Ginecologia/Obstetrícia

Assistente graduado de Ginecologia e Obstetrícia

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CLÍNICA MÉDICA DENTÁRIA

Otorrinolaringologia

FRANCISCO FINO CORREIA

DR. J. S. GALHOZ

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Rua Capitão João Francisco de Sousa, n.º 20 7800-451 BEJA Tel. 284324690

Consultas a partir das 14 horas Praça Diogo Fernandes, 23 - 1º F (Jardim do Bacalhau) Telef. 284322527 BEJA


saúde

23 Diário do Alentejo 22 junho 2012

PSICOLOGIA ANA CARACÓIS SANTOS – Educação emocional; – Psicoterapia de apoio; – Problemas comportamentais; – Dificuldades de integração escolar; – Orientação vocacional; – Métodos e hábitos de estudo GIP – Gabinete de Intervenção Psicológica Rua Almirante Cândido Reis, 13, 7800-445 BEJA Tel. 284321592

Clínica Médico-Dentária de S. FRANCISCO, LDA. Gerência de Fernanda Faustino Acordos: SAMS, ADMG, PSP, A.D.M.E., Portugal Telecom e Advancecare Rua General Morais Sarmento, nº 18, r/chão; TEL. 284327260 7800-064 BEJA

_______________________________________ Manuel Matias – Isabel Lima – Miguel Oliveira e Castro – Jaime Cruz Maurício Ecografia | Eco-Doppler Cor | Radiologia Digital Mamografia Digital | TAC | Uro-TC | Dental Scan Densitometria Óssea Nova valência: Colonoscopia Virtual Acordos: ADSE; PT-ACS; CGD; Medis, Multicare; SAMS; SAMS-quadros; Allianz; WDA; Humana; Mondial Assistance. Graça Santos Janeiro: Ecografia Obstétrica Marcações: Telefone: 284 313 330; Fax: 284 313 339; Web: www.crb.pt Rua Afonso de Albuquerque, 7 r/c – 7800-442 Beja e-mail: cradiologiabeja@mail.telepac.pt

CENTRO DE IMAGIOLOGIA DO BAIXO ALENTEJO ECOGRAFIA – Geral, Endocavitária, Osteoarticular, Ecodoppler TAC – Corpo, Neuroradiologia, Osteoarticular, Dentalscan Mamografia e Ecografia Mamária Ortopantomografia Electrocardiograma com relatório António Lopes – Aurora Alves – Helena Martelo – Montes Palma – Maria João Hrotko – Médicos Radiologistas –

Dr. Sidónio de Souza – Pneumologia/Alergologia/ Desabituação tabágica – H. Pulido Valente Dr. Fernando Pimentel – Reumatologia – Medicina Desportiva – Instituto Português de Reumatologia de Lisboa Dr.ª Verónica Túbal – Nutricionismo – H. de Beja Dr.ª Sandra Martins – Terapia da Fala – H. de Beja Dr. Francisco Barrocas – Psicologia Clínica/ Terapia Familiar – Membro Efectivo da Soc. Port. Terapia Familiar e da Assoc. Port. Terapias Comportamental e Cognitiva (Lisboa) – Assistente Principal – Centro Hospitalar do Baixo Alentejo. Dr. Rogério Guerreiro – Medicina preventiva – Tratamento inovador para deixar de fumar Dr. Gaspar Cano – Clínica Geral/ Medicina Familiar Dr.ª Nídia Amorim – Psicomotricidade/Educação Especial e Reabilitação (dificuldades específicas de aprendizagem/dislexias) Dr. Sérgio Barroso – Especialista em Oncologia – H. de Beja Drª Margarida Loureiro – Endocrinologia/ Diabetes/Obesidade – Instituto Português de Oncologia de Lisboa Dr. Francisco Fino Correia – Urologia – Rins e Vias Urinárias – H. Beja Dr. Daniel Barrocas – Psiquiatria – Hospital de Évora Dr.ª Lucília Bravo – Psiquiatria H.Beja , Centro Hospi-talar de Lisboa (H.Júlio de Matos). Dr. Carlos Monteverde – Chefe de Serviço de Medicina Interna, doenças de estômago, fígado, rins, endoscopia digestiva. Dr.ª Ana Cristina Duarte – Pneumologia/ Alergologia Respiratória/Apneia do Sono – Assistente Hospitalar Graduada – Consultora de Pneumologia no Hospital de Beja Dr.ª Isabel Santos – Chefe de Serviço de Psiquiatria de Infância e Adolescência/Terapeuta familiar – Centro Hospitalar do Baixo Alentejo Dr.ª Paula Rodrigues – Psicologia Clínica – Hospital de Beja Dr.ª Luísa Guerreiro – Ginecologia/Obstetrícia Dr. Jorge Araújo – Ecografias Obstétricas Dr.ª Ana Montalvão – Hematologia Clínica / Doenças do Sangue – Assistente Hospitalar – Hospital de Beja Dr.ª Ana Cristina Charraz – Psicologia Clínica – Hospital de Beja Dr. Diogo Matos – Dermatologia. Médico interno do Hospital Garcia da Orta. Dr.ª Madalena Espinho – Psicologia da Educação/Orientação Vocacional Dr.ª Ana Margarida Soares – Terapia da Fala - Habilitação/Reabilitação da linguagem e fala. Perturbação da leitura e escrita específica e não específica. Voz/Fluência. Dr.ª Maria João Dores – Técnica Superior de Educação Especial e Reabilitação/ Psicomotricidade. Perturbações do Desenvolvimento; Educação Especial; Reabilitação; Gerontomotricidade. Enfermeira Maria José Espanhol – Enfermeira especialista em saúde materna/Cuidados de enfermagem na clínica e ao domicílio/Preparação pré e pós parto/amamentação e cuidados ao recémnascido/Imagem corporal da mãe – H. de Beja Marcações diárias pelos tels. 284 322 503 Tm. 91 7716528 | Tm. 916203481 Rua Zeca Afonso, nº 6, 1º B, 7800-522 Beja Clinipaxmail@gmail.com

ADVANCE CARE

Horário: de 2ª a 6ª feira, das 8 às 19 horas e aos sábados, das 8 às 13 horas

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endocrinologia|diabetes|obesidade Dr.ª Luísa Raimundo

pneumologia|consulta do sono Dr.ª Eulália Semedo

ginecologia|obstetrícia|colposcopia Dr.ª Ana Ladeira

otorrinolaringologia|ORL pediátrica ;ǀĞƌƟŐĞŵͮŽŶĐŽůŽŐŝĂĚĂĐĂďĞĕĂĞƉĞƐĐŽĕŽͿ

Dr.ª Dulce Rocha Nunes

Diversos Acordos

psiquiatria e saúde mental Dr. Daniel Barrocas

psicologia clínica Dr.ª Maria João Póvoas

psicologia educacional Dr.ª Silvia Reis

terapia da fala Terapeuta Vera Baião

ĮƐŝŽƚĞƌĂƉŝĂͮƌĞĂďŝůŝƚĂĕĆŽ ;ƉſƐͲsͬƉſƐͲĐŝƌƵƌŐŝĂͬƚƌĂƵŵĂƚŽůŽŐŝĂͬĐŝŶĞƐŝŽƚĞƌĂƉŝĂͬĐŽůƵŶĂͿ

Terapeuta Fábio Apolinário

cirurgia vascular Dr.ª Helena Manso

ŵĞĚŝĐŝŶĂĞƐƚĠƟĐĂ Dr.ª Nídia Abreu

podologia Dr. Joaquim Godinho

medicina dentária Dr. Jaime Capela (implantologia) ƌ͘ǐŶĂZŝƚĂĂƌƌŽƐ;ŽƌƚŽĚŽŶƟĂͿ Dr. António Albuquerque

prótese dentária Téc. Ana João Godinho

cirurgia maxilo-facial Dr. Luís Loureiro

pediatria do desenvolvimento ƌ͘ǐŶĂ^ŽĮĂƌĂŶĐŽ Terapia da Fala

psicomotricidade|apoio pedagógico Terapeuta Helena Louro

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institucional diversos

24 Diário do Alentejo 22 junho 2012

Diário do Alentejo n.º 1574 de 22/06/2012 Única Publicação

CÂMARA MUNICIPAL DE CASTRO VERDE

EDITAL N.º 56/2012 CONCURSO PÚBLICO PARA ALIENAÇÃO DE VIATURAS USADAS Francisco José Caldeira Duarte, Presidente da Câmara Municipal de Castro Verde: Torna público, que de harmonia com a deliberação tomada pela Câmara Municipal em reunião ordinária do dia 20 de junho de 2012, e ao abrigo da alínea e) do n.º 1 do artigo 64.° da Lei n.º 169/99, de 18 de Setembro, e na redação que lhe foi dada pela Lei n.º 5-A/2002, de 11 de Janeiro se encontra aberto concurso público, em carta fechada, para alienação de viaturas usadas, propriedade do Município de Castro Verde.

RAINHA SANTA ISABEL, VIAGENS E TURISMO LDA RNAVT 2045 EDIFÍCIO DE SANTA CATARINA, 12 | 7000-516 ÉVORA TEL: 266 747 871 / FAX: 266 747 873 MAIL: info.evora@rsi-viagens.com O SEU AGENTE LOCAL PARA RESERVAS: D-VIAGEM RUA DO VALE N.º 24 LOJA 1 | 7800-490 BEJA | TEL: 284 325 688 MAIL: beja.1263@d-viagem.com

* São João no Porto – A grande Festa no Norte – De 23 a 25 de Junho * Excursão ao Santuário de Fátima – Dia 24 de Junho * À descoberta das Baleares – PALMA DE MAIORCA em Fast Ferry – De 24 de Junho a 01 de Julho * Cruzeiro no Douro – Alto Douro Vinhateiro – Cruzeiro Régua / Pinhão e Passeio de Comboio Pinhão / Régua – De 31 de Junho a 01 de Julho * Estuário do Sado – Dia 1 de Julho – Passeio no Galeão do Sal com almoço rodízio de peixe * Roses – A pérola da Costa Brava – De 7 a 14 de Julho – Empuria Brava, Cadaqués, Figueres, Olot , Banyoles, Pirinéus Orientais, Perpignan * Visita a Peniche e Ilha Berlenga – Dia 8 de Julho * MOSCOVO E SÃO PETERSBURGO – De 13 a 20 de Julho * Córsega e Sardenha – De 14 a 23 de Julho – Marselha, Bastia, Calvi, Corte, Propriano, Bonifácio, Santa Teresa, Olbia, Cagliari, Barumini, Alghero e Ajaccio * Cruzeiro em Sesimbra e Cabo Espichel – Dia 15 de Julho – Almoço caldeirada * Cruzeiro no Rio Guadiana – Dia 22 de Julho – Com almoço e baile a bordo * Recantos do Minho – Barcelos, Costa Verde, Melgaço, Peneda, Guimarães (Capital Europeia da Cultura 2012), Braga, Feira de Barcelos – a mais antiga de Portugal - De 22 a 26 de Julho * O melhor do Sul de França – De 2 a 10 de Agosto – Languedoc, Roussillon, Provença, Côte D’Azur * Norte das Tradições – Porto, Guimarães, Póvoa de Lanhoso, Vale Cávado, Boticas, Chaves, Valpaços, Mirandela, Murça, Sabrosa, Pinhão, Régua, Lamego, Viseu e Caramulo – De 4 a 8 de Agosto * BENELUX e VALE DO RENO – Visitando: Tours - Brugges - Bruxelas - Roterdão - Haia - Amesterdão - Colónia - Bona - Cruzeiro no Reno - Luxemburgo Paris - Programa de Autocarro – De 04 a 15 de Agosto * BENELUX e VALE DO RENO – Visitando: Brugges - Bruxelas - Roterdão Haia - Amesterdão - Colónia - Bona - Cruzeiro no Reno - Luxemburgo - Paris Programa de Avião - De 06 a 13 de Agosto * BARCELONA e VALÊNCIA - Grandes Cidades de Espanha – De 11 a 15 de Agosto * SÃO MIGUEL - O melhor dos Açores – De 15 a 19 de Agosto * Festas da Senhora da Agonia em VIANA DO CASTELO - De 17 a 20 de Agosto * Cruzeiros no Douro – VÁRIOS PROGRAMAS DISPONÍVEIS TODO O VERÃO! * CRUZEIRO “LENDAS DO MEDITERRÂNEO” – De 28 de Setembro a 06 de Outubro * FÉRIAS EM BENIDORM – JULHO, AGOSTO E SETEMBRO – 10 DIAS – PENSÃO COMPLETA! AUTOCARRO PARA OUTROS DESTINOS, AUTO-FÉRIAS OU DATAS, CONSULTE-NOS! ALUGUER DE AUTOCARROS! VISITE-NOS EM: www.rsi-viagens.com

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CONDIÇÕES GERAIS DE ALIENAÇÃO O concurso rege-se pelas seguintes normas: 1. Base de Licitação: 600,00 €, acrescido de IVA à taxa legal em vigor. 2. Concorrentes: São admitidos ao concurso todos os interessados na aquisição, maiores de 18 anos. 3. Forma de apresentação e elementos que devem acompanhar a proposta: A proposta devidamente datada e assinada deve conter a identificação do proponente (Nome, Morada, N.º Bilhete de Identidade ou Cartão de Cidadão e Número de Identificação Fiscal), bem como o preço proposto, em algarismos e por extenso, e deverão ser dirigidas ao presidente da Câmara Municipal, em carta fechada, em cujo rosto deverá constar a indicação: “Proposta para aquisição de viaturas usadas”, bem como a referência a que concorre. Se o concorrente pretender apresentar proposta para mais que uma viatura, deverá fazê-lo em propostas separadas. Não serão consideradas propostas apresentadas com valor inferior ao valor base. 4. Local e data Limite para apresentação das propostas: As propostas deverão ser entregues até às 17:30 horas do dia 28 de Junho de 2012, sob pena de não serem admitidas, na Secção Financeira e Património ou remetidas pelo correio sob registo e com aviso de receção. 5. Abertura das propostas: A abertura das propostas recebidas terá lugar no Edifício dos Paços do Município – Salão Nobre e realizar-se-á pelas 10 horas do dia útil que se seguir ao expirar do prazo para entrega das mesmas. Ao ato público pode assistir qualquer interessado, apenas podendo nele intervir os concorrentes e seus representantes legais, devidamente credenciados. 6. Adjudicação: O critério para a Adjudicação será feito segundo o preço mais alto das propostas apresentadas. Em caso de empate, será aberto, após leitura das mesmas, licitação verbal entre os concorrentes presentes, não sendo permitidos lanços inferiores a 25€ (vinte cinco euros). A Câmara Municipal de Castro Verde reserva-se o direito de não adjudicar, se entender que nenhuma das propostas apresentadas satisfaz os seus interesses, não resultando daí para a Câmara Municipal qualquer responsabilidade ou deveres de indemnizar os proponentes seja a que título for. 7. Modalidade de pagamento: O pagamento deve ser efetuado numa única prestação, no prazo de 8 (oito) dias úteis após a notificação da adjudicação. 8. Local e verificação das viaturas: As viaturas objeto do presente concurso poderão ser observadas pelos interessados, no estaleiro municipal, todos os dias úteis dentro do horário normal de funcionamento. As viaturas serão alienadas no estado em que encontram, sendo todos os trabalhos de levantamento das mesmas da responsabilidade do adjudicatário, tendo que ser retiradas no prazo de oito dias após a adjudicação definitiva, bem como transferir o registo de propriedade pra o seu nome, nos termos da lei. 9. Interpretação das cláusulas e casos omissos: Qualquer dúvida que seja suscitada na interpretação de algumas cláusulas deste edital, ou verificando-se existirem casos omissos, será a mesma esclarecida, ou suprida a omissão, por despacho do Presidente da Câmara Municipal. 10. Dada a urgência na adjudicação da alienação das viaturas, ao abrigo da alínea a) do n.º 1 do art.º 103 do Código do procedimento administrativo não haverá lugar a audiência dos interessados. Para constar se publica o presente edital que vai ser afixado nos lugares do costume. Paços do Município de Castro Verde, 20 de junho de 2012. O Presidente, Francisco José Caldeira Duarte, Arq.

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institucional diversos

25 Diário do Alentejo 22 junho 2012

Diário do Alentejo n.º 1574 de 22/06/2012 Única Publicação

ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE SERPA

EDITAL SARA DE GUADALUPE ABRAÇOS ROMÃO, PRESIDENTE DA ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE SERPA TORNA PÚBLICO: de acordo com o estipulado no n.º 3 do artigo 84º da Lei n.º 169/99, de 18 de setembro, com a redação dada pela lei n.º 5-A/2002, de 11 de janeiro e artigos 16.º e 38.º do Regimento da Assembleia Municipal de Serpa, que no próximo dia 28 de junho de 2012, pelas 18:00 horas, na Sala de Sessões da Câmara Municipal realizar-se-á uma sessão ordinária deste órgão Deliberativo, cuja ordem de trabalhos é a seguinte: 1. PERÍODO DE “ANTES DA ORDEM DO DIA” 1.1 Apreciação e votação da ata n.º 2/2012 1.2. Resumo do Expediente 1.3. Intervenção dos membros da Assembleia Municipal 2. PERÍODO DE “ORDEM DO DIA” 2.1. Relatório da Atividade Municipal (Artigos 53º e 68º da Lei nº 169/99, de 18/09, com a redação da Lei nº 5-A/2002, de 11 de janeiro) – Relatório nº 3/2012 2.2. Projeto de deliberação para a realização de Referendo Local relativamente à pronúncia da Assembleia Municipal sobre a Reorganização Territorial Autárquica, apresentado pelo Bloco de Esquerda 2.3. Proposta de venda do terreno e cedência da posição contratual da ETAR de Brinches 2.4.Autorização prévia no âmbito da Lei dos Compromissos 3. PERÍODO DE “INTERVENÇÃO DO PÚBLICO” E, para constar, se publica o presente edital e outros de Igual teor, que vão ser afixados nos locais públicos do costume. Serpa, 19 de junho de 2012 A Presidente da Assembleia Municipal Sara de Guadalupe Abraços Romão

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Diário do Alentejo n.º 1574 de 22/06/2012 Única Publicação

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Correio do Alentejo

EDITAL Jorge Pulido Valente, Presidente da Mesa da Assembleia Intermunicipal da Associação de Municípios do Baixo Alentejo e Alentejo Litoral, faz saber, nos termos do artº. 91º da Lei nº. 169/99, que em reunião de 28 de maio de 2012, foram aprovados os seguintes documentos: – Relatório e Contas da AMBAAL de 2011 Os documentos em causa, podem ser consultados no serviço de Secretariado da Administração das 9 h às 12h30m e das 14h às 17h30m, de segunda-feira a sexta-feira nos dias úteis. Para constar, se publica o presente que vai ser afixado nos lugares públicos do costume. Beja, 20 de Junho de 2012. O Presidente da Mesa da Assembleia Intermunicipal da AMBAAL Jorge Pulido Valente

Diário do Alentejo

ASSOCIAÇÃO DE MUNICÍPIOS DO BAIXO ALENTEJO E ALENTEJO LITORAL

É o número de leitores que todas as semanas lê o “Diário do Alentejo” na sua versão papel. No Facebook, todos os dias, mais de 4 000 leitores seguem a atualidade regional na página do “DA”.

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Fonte: Marktest. Relatório de resultados da imprensa regional no período compreendido entre abril de 2010 e março de 2011

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necrologia diversos

26 Diário do Alentejo 22 junho 2012

AGRADECIMENTO E MISSA 30º DIA

PARTICIPAÇÃO, AGRADECIMENTO E MISSA DE 30º DIA

Santa Iria PARTICIPAÇÃO

Rua da Cadeia Velha, 16-22 - 7800-143 BEJA Telefone: 284311300 * Telefax: 284311309 www.funerariapaxjulia.pt E-mail: geral@funerariapaxjulia.pt Funerais – Cremações – Trasladações - Exumações – Artigos Religiosos

TORRES VEDRAS / BEJA

Maria Encarnação Vicente Faleceu em 28.05.2012 Seu marido, filhas, genros e netos, na impossibilidade de o fazer pessoalmente, agradecem por este meio a todas as pessoas que acompanharam a sua ente querida à sua última morada ou que de qualquer outra forma manifestaram o seu pesar. Reconhecidos, expressam também a sua profunda gratidão a médicos, enfermeiros e auxiliares do 3º piso, Unidade de Cuidados Intensivos Polivalente do Hospital de Beja, pelo profissionalismo demonstrado, carinho, dedicação, apoio e ajuda prestados durante a sua doença e internamento. Será celebrada missa pelo seu eterno descanso no dia 28/06/2012, quinta-feira, às 18.30 horas na Igreja da Sé em Beja, agradecendo desde já a todos os que a ela compareçam.

Nossa Senhora das Neves

Maria Ilda Correia Maria Joaquina da Conceição Figueira Mãe, marido, filhos, netos e restantes familiares, participam o falecimento da sua ente querida ocorrido no dia 04/06/2012, e na impossibilidade de o fazer pessoalmente agradecem por este meio a todas as pessoas que a acompanharam à sua última morada, ou que de outro modo manifestaram o seu pesar. Mais expressam o seu profundo reconhecimento a médicos, enfermeiros e auxiliares do 3º piso, Unidade de AVC’s do Hospital de Beja, pelo profissionalismo, carinho, dedicação, apoio e ajuda prestados durante a sua doença e internamento. Será celebrada missa pelo seu eterno descanso no dia 04/07/2012, quarta-feira, às 19 horas na Igreja do Salvador em Beja, agradecendo desde já a todas as pessoas que nela participem.

Faleceu a 18.06.2012

†. Faleceu o Exmo. Senhor

†. Faleceu o Exmo. Senhor

†. Faleceu a Exma. Senhora

VALENTIM FRANCISCO COLA PAIS, de 49 anos, natural de Santiago Maior Beja, casado com a Exma. Sra. D. Adelaide Sofia Rodrigues Gomes Farrolas Pais. O funeral a cargo desta Agência realizou-se no passado dia 14, das Casas Mortuárias de Beja, para o cemitério desta cidade.

ANTÓNIO MANUEL GONÇALVES, de 74 anos, natural de Beja, solteiro. O funeral a cargo desta Agência realizou-se no passado dia 14, da Fundação São Barnabé em Beja, para o cemitério de Beja.

D. PALMIRA MARIANA SIOGA RUIVO, de 85 anos, natural de Santiago Maior Beja, solteira. O funeral a cargo desta Agência realizouse no passado dia 16, das Casas Mortuárias Beja, para o cemitério desta cidade.

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Gerência: António Coelho | Tm. 963 085 442 – Tel. 284 549 315 Rua das Cruzes, 14-A – 7830-344 SERPA

†. Faleceu o Exmo. Senhor

†. Faleceu a Exma. Senhora

†. Faleceu o Exmo. Senhor

FRANCISCO MARIA MADEIRA BRAGADESTO, de 53 anos, natural de São João Baptitsa - Moura, casado com Emília dos Anjos Reis Bragadesto. O funeral a cargo desta Agência realizouse no passado dia 16, de Casas Mortuárias de Moura, para o cemitério local.

D. CATARINA ROSA TARECO, de 84 anos, natural de Nossa Senhora das Neves - Beja, viúva. O funeral a cargo desta Agência realizouse no passado dia 17, da Casa Mortuária de Nossa Senhora das Neves, para o cemitério local.

FRANCISCO MATEUS SEBASTIÃO, de 94 anos, natural de Santana de Cambas - Mértola, viúvo. O funeral a cargo desta Agência realizou-se no passado dia 20, das Casas Mortuárias de Beja, para o cemitério local.

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Filhos, noras, netos e restante família cumprem o doloroso dever de participar o falecimento da sua ente querida ocorrido no dia 16/06/2012, e na impossibilidade de o fazer pessoalmente agradecem por este meio a todas as pessoas que a acompanharam à sua última morada ou que de outra forma manifestaram o seu pesar.

É com pesar que participamos o falecimento da Sra. D. Maria Ilda Correia, de 83 anos, natural de freguesia de Salvador, viúva. O funeral a cargo desta Agência realizou-se no dia 20/06/2012 pelas 10.00 horas, da Casa Mortuária de Serpa para o cemitério local. Apresentamos à família as cordiais condolências.

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PARTICIPAÇÃO E AGRADECIMENTO

Catarina Rosa Tareco

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4º Ano de Eterna Saudade Esposa, filhos e restante família, participam a todas as pessoas de suas relações e amizade que será celebrada missa pelo eterno descanso do seu ente querido no dia 27/06/2012, quarta-feira, às 18.30 horas na Igreja de Nossa Senhora do Carmo, agradecendo desde já a todos os que comparecerem no piedoso acto.

VENDE-SE Nossa Senhora das Neves Casa térrea a precisar de obras, com 80 m2 de construção e 198 m2 área descoberta. Bom

†. Faleceu a Exma. Senhora

†. Faleceu a Exma. Senhora

D. MARIANA DAS DORES DA ENCARNAÇÃO BATISTA, de 72 anos, natural de Santiago Maior Beja, casada com o Exmo. Senhor Eduardo Catarino Bica. O funeral a cargo desta Agência realizou-se no passado dia 20, da Casa Mortuária do Penedo Gordo, para o cemitério local.

D. ANA PATROCÍNIA GUERREIRO, de 80 anos, natural de Albernôa - Beja, viúva. O funeral a cargo desta Agência realizou-se no passado dia 21, da Casa Mortuária de Albernôa, para o cemitério local.

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Decorrem até ao final do mês, na Biblioteca Manuel da Fonseca em Santiago do Cacém, ateliês em que os livros da editora Planeta Tangerina servem de trampolim para a exploração dos seus conteúdos. Os ateliês realizam-se às terças e sextas-feiras em dois horários. Consulta programa próprio em: http://www.cm-santiagocacem.pt/Actualidade/Agenda/Documents/programacao_junho_BMSC.pdf

27 Diário do Alentejo 22 junho 2012

À volta das histórias do Planeta Tangerina

Pais

Quem ainda não experimentou comer banana com queijo não sabe o que perde, e se a esta combinação juntarmos uma fatia de pão com mel, é de ficar a lamber os dedos.

A páginas tantas ... A Ilha conta-nos a história de uma grande empreitada motivada pelo desejo que os habitantes tinham em criar uma ligação, uma ponte para o continente. Com texto de João Gomes de Abreu e com ilustrações de Yara Kono, é um livro que fala muito dos nossos dias, sobre empreitadas, expectativas e sonhos. Aqui o problema é que o sonho era demasiado alto, a expectativa destes ilhéus ultrapassou em grande aquilo que se podia ter como certo. Perceberam isso quando ao construir uma ponte tão grande entre o seu ilhéu e o continente acabaram por destruir a sua “casa”. João Gomes de Abreu, apesar de ter nascido em Moçambique, viveu os seus primeiros tempos na ilha da Madeira. Embora hoje seja um continental sabe como é viver assim rodeado de sonhos.

Pela tua mão Esta nova rúbrica é um espaço totalmente livre e teu, onde tu também podes escolher um livro, um filme, um jogo ou mesmo fazer um desenho. Torna esta página mais tua. Para começar o Manel, de 8 anos, escreve sobre o mesmo livro. Ficamos à espera da tua participação.

Dica da semana Férias é tempo para brincadeiras. Fora ou dentro de casa não queremos que te faltem ideias, por isso, e se gostas de brincar com plasticina, fica aqui uma receita para poderes fazer sem ter de comprar. Uma chávena de farinha branca, meia chávena de sal, duas colheres de sopa de bicarbonato de sódio, uma chávena de água, uma colher de óleo, corante alimentar.

Hoje trazemos-te o trabalho da Joana Rosa Bragança, uma ilustradora portuguesa, que recentemente publicou um livro ao jeito de fanzine que se chama Bonito bigodinho, onde podes recriar as personagens a partir do traço da Joana ou, simplesmente, pintá-las. Aproveita e conhece um pouco mais do seu trabalho em http://borbotosebarbelas.blogspot.pt/

Era uma vez uma Ilha, onde as pessoas que lá viviam eram os ilhéus. Um dia chegou um barco cheio de continentais, os continentais eram parecidos com os ilhéus, mas ligeiramente diferentes. Os ilhéus ficaram encantados com a sua roupa, língua e penteados. Os ilhéus quiseram ser continentais por isso construíram uma ponte até ao continente. Decidiram usar a rocha da montanha para começar a construir a ponte. Um dia a obra parou porque já não havia montanha e então decidiram usar a madeira das árvores. Passado muitos dias a obra parou porque já não havia floresta, por isso usaram a areia da praia. Quando foram buscar as malas à ilha viram que já não restava nada. Depois a maré subiu, ficaram presos na ponte e tiveram de ficar lá a viver. O ministro organizou um desfile para comemorar a construção da ponte e a sua nova casa.


28 Diário do Alentejo 22 junho 2012

O João Pequeno é um cachorro com cerca de três meses que foi despejado no canil. É muito simpático e reguila. Procura uma família que o adote e lhe dê todo o carinho e amor que um cachorrinho precisa. Será vacinado em breve. Está numa família de acolhimento temporário uma vez que corria muitos perigos no canil. Contactem o Cantinho dos Animais de Beja para o conhecerem. Vai ficar de porte pequeno. Contactos: 962432844; sofiagoncalves.769@hotmail.com

Boa vida Comer Bacalhau com grão no forno Ingredientes para 4 pessoas: 500 gr. de bacalhau já demolhado, 500 gr. de pão alentejano do dia anterior, 300 gr. de grão já cozido, 2 dl. de azeite, 2 dentes de alho, 2 cebolas, 1 molho de coentros, q.b. de água, q.b. de sal, 4 ovos cozidos,

Confeção: Coza o bacalhau e reserve a água da cozedura. Desfie o bacalhau. Num pirex coloque camadas de grão, fatias finas de pão, sal, cebola e alho muito picado, bacalhau desfiado, azeite e um pouco da água da cozedura do bacalhau a ferver por cima. Repita esta operação até terminar os ingredientes. Leve ao forno a 170ºC, durante 20 minutos ou até tostar um pouco. Retire o pirex do forno e coloque os ovos e os coentros picados por cima. Sirva de imediato E bom apetite… Nota muito importante: A água da cozedura do bacalhau que adiciona à receita é ao gosto de quem está a cozinhar. Eu prefiro comer este prato como se fosse papas.

António Nobre Chefe executivo de cozinha – Hotéis M’AR De AR, Évora

Jazz Tarfala Trio “Syzygy”

E

m entrevista publicada na revista portuguesa “jazz.pt”, o saxofonista sueco Mats Gustafsson disse: “Não há energia sem liberdade, nem liberdade sem energia”. Liberdade e energia são, de facto, as palavras-chave para o que se escuta em “Syzygy”, o terceiro tomo a documentar a atividade do Tarfala Trio, formação que remonta a 1992 – e recentemente reativada –, que junta excelsos improvisadores: dois-terços suecos (Gustafsson e o baterista Raymond Strid) e um restante terço britânico (o contrabaixista Barry Guy). O psiquiatra e pensador suíço Carl Jung, considerado o pai da Psicologia Analítica, usou o termo “syzygy” (também empregue para significar o alinhamento de corpos celestes), para representar a noção de “completude”. Depois dos dois discos anteriores terem sido editados pela obscura Maya Recordings, “Syzygy” foi apenas editado em duplo vinil e compreende quatro longas peças (uma por cada lado) e um EP de sete polegadas com uma peça. Tarfala Trio – “Syzygy” A pitagórica geometria Mats Gustafsson (saxofones tenor e alto, sónica parece assentar no alto flutofone), Barry evidente contraste entre Guy (contrabaixo) e as ruminações cerebrais Raymond Strid (bateria). de Guy e o sopro visceral Editora: NoBusiness de Gustafsson, com Strid Records Ano: 2011 (verdadeiramente notável ao nível das minuciosas construções que desenvolve nos címbalos) a assumir o papel de fiel da balança. A abordagem dos três músicos encaixa na perfeição, potenciando sinergicamente o resultado final. O trio desenvolve um universo sonoro complexo e amplo, que intercala momentos de grande intensidade com outros onde a contenção e a exploração tímbrica atingem episódios de verdadeira filigrana. Seja qual for o registo, as emoções estão à flor-da-pele. Essa alternância de ambiências fica bem patente na peça-título, com momentos mais reflexivos a levarem a um final poderosíssimo. A peça apropriadamente intitulada “Lapilli Fragments” revela uma tensão crescente, à maneira de um vulcão que lentamente acumula lava que depois liberta em explosões. Em “Cool in Flight” o trio pisa territórios mais próximos do free jazz com uma notável demonstração de virtuosismo por parte de Guy (gostaria que a mistura final tivesse sido mais generosa para com ele). Um disco que colherá junto de todos quantos procuram energia, criatividade e verdade na música. António Branco

Filatelia Mais três emissões este mês

S

egundo a informação colhida nos noticiários filatélicos de marcofilia, os correios põem em circulação este mês mais três emissões de selos, das quais duas já se encontram disponíveis desde o dia 19. Trata-se das emissões dedicadas aos Jogos Olímpicos e Paralímpicos – Londres 2012. Qualquer uma destas emissões tem unicamente dois selos, um para o correio nacional (N 20gr.) e outro para o internacional (I 20gr.). Esta é a franquia usada para as correspondências do 1.º escalão, ou seja, com peso até 20 gramas. A outra emissão tem a sua entrada em circulação prevista para o dia 27 e é dedicada à recente passagem do planeta Vénus em frente do Sol. Este acontecimento astronómico é raro e aconteceu pela última vez no passado dia 6. A sua última passagem tinha acontecido em 8 de junho de 2004. Certamente nenhum de nós será testemunha da sua próxima passagem pelo mesmo local, pois tal está previsto apenas para o ano de 2117, repetindo-se o acontecimento, tal como sempre acontece, oito anos depois, ou seja, em 2125. Se as emissões dedicadas aos jogos olímpicos são frequentes, já o mesmo não acontece com as emissões dedicadas a astronomia. Estas são raras. Aparte uma ou outra emissão dedicada a assuntos relacionados com a nossa expansão ultramarina, e em que são visíveis algumas estrelas ou instrumentos para a sua observação, só a passagem do cometa Halley, em 1986, foi objeto de uma emissão especial. Na oportunidade, foi emitido um bloco com o valor facial de 100$00 (Afinsa 1763), que teve o seu primeiro dia de circulação em 24 de junho. Geada de Sousa

Direção de Eduardo M. Raposo Edições Colibri PVP: 16 euros 332 págs.

Letras Nova antologia de poetas alentejanos

E

duardo M. Raposo, diretor da revista “Memória Alentejana”, organizou e Urbano Tavares Rodrigues prefaciou esta antologia que reúne 300 poemas de 50 autores alentejanos. Este não é, porém, um livro onde figurem poetas populares. Diz, Raposo, que estes “pela importância que têm na Cultura Alentejana e portuguesa, têm o seu lugar muito próprio”. A ideia para esta obra surgiu em 2004 quando Constantino Cortes, Manuela Rosa, Maria José Lascas Fernandes e o próprio Raposo assumiram a criação de uma tertúlia em torno do que “de melhor e mais heterogéneo se tem vindo a publicar no Alentejo nos últimos anos”. Impôs-se então a edição de uma nova antologia de poesia, que desse continuidade a Poetas Alentejanos do Século XX, de 1984, reunindo poetas mais ou menos consagrados, publicados ou por editar ou que tivessem ficado de fora do livro de Francisco Dias da Costa. Raposo destaca a colaboração de Martinho Marques, Paulo Barriga, João Honrado, Janita Salomé, Francisco Naia, Vitor Encarnação, Henrique Silva, entre outros, para que se cumprisse a vontade que esta antologia fosse representativa de toda a região. Urbano Tavares Rodrigues abre o prefácio advertindo que é irregular a qualidade dos poemas. O que os torna valiosos, enaltece, é a “sua vinculação profunda ao Alentejo”. Destaca a “beleza deslumbrante” dos textos poéticos de Manuel Gusmão e de José Luís Peixoto. Entre os que respiram “alentejanidade” destaca os de António Couvinha, António Murteira e António Jorge Serafim. “A identificação de Alentejo com plenitude”, essa, surge na poesia de Lascas Fernandes. Tomando de empréstimo as palavras de Tavares Rodrigues (ele próprio com obra nova que para a semana destacaremos), com “fulgores” e “imperfeições” se afirma o verso alentejano e se oferece à leitura e à compreensão da região e das suas vozes. Maria do Carmo Piçarra


Petiscos O conceito de estilo no gaspacho alentejano

E

ste pequeno apontamento é dedicado ao António José Paisana. Ninguém como ele, entre nós, saberá interpretar os detalhes duma classificação, ajustando-lhe o estilo, um modo de fazer e a visão do artista. O estilo, em arte, é o modo particular com que cada criador utiliza as estruturas expressivas da sua própria linguagem. E ainda que cada forma de expressão artística, a escrita, a pintura, a escultura, a música, o cinema – e porque não a culinária – tenha a sua gramática própria e o estilo corra segundo diferentes regras, há princípios fundamentais que são comuns a todas elas. Dizia Ernst Fischer, em A necessidade da arte, que a arte é necessária, para que o Homem se torne capaz de conhecer e mudar o mundo. Assim é e contudo os estilos seguem a via da complexidade. Do mais simples ao mais elaborado. O exemplo mais usual e prático de estilos é o das colunatas gregas. As primeiras foram dóricas, elementares – aparentemente mas com correções ópticas dignas da moderna tecnologia a “laser” –, mais tarde as jónicas, melhor decoradas, e finalmente as coríntias que tinham por capitel um jardim exuberante de folhas de pedra. O mesmo se passa com o estilo literário português. Foi clássico – não vou enumera-los exaustivamente –, barroco, arcádico, romântico,

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Finalmente o moderno, o Amadeu de Sousa Cardoso das sopas de verão. É feito com a base e o corpo completos, este batido com varinha e acompanhado por carapaus. O popular carapau das esquinas de Lisboa, de calça apertada, risca ao meio e beata atrevida, desafiando as varinas para irem ver pôr o sol no Bugio, quando as ondas esmorecem no Tejo e se acendem vacilantes os candeeiros da cidade. Carapau sim, mas frito.

realista e moderno, ou melhor, vários modernos incluindo o simbolismo. A culinária também tem estilos. Demos então um exemplo apropriado à estação, à temperatura e aos nossos desejos. O gaspacho, evidentemente. A linguagem gramatical do gaspacho tem vários grupos elementares. O da base: água gelada ou com gelo, azeite, vinagre, alho, orégãos, sal e pimenta. O do corpo do gaspacho: tomate, pepino, pasta de tomate, pão raspado ou cortado aos quadrados, cebola, pimento verde e vermelho, cru e assado. O dos acompanhamentos: o corpo do gaspacho, mais figos e uvas, peixe frito, nomeadamente carapau e pescada em posta fina, peixe assado, enchidos e finalmente presunto, o rei do acompanhamento gaspachal. Passemos ao estilo. Ao clássico chamamos vinagrada. É a base, mais o corpo cortado aos cubos – com pimento verde assado e sem pão raspado ou pasta de tomate – e acompanhado com sardinha assada. É o “Pártenon” da nossa hora de almoço. O romântico tem o corpo desfeito rudemente, sobretudo o tomate mas as remanescentes peças são detectáveis na textura e no gosto. Não leva pasta de tomate e leva pão raspado. Serve-se com presunto e enchidos, talvez uma fruta. Como o azeite tem de ser bom podemos citar Alexandre Herculano. Finalmente o moderno, o Amadeu de Sousa Cardoso das sopas de verão. É feito com a base e o corpo completos, este batido com varinha e acompanhado por carapaus. O popular carapau das esquinas de Lisboa, de calça apertada, risca ao meio e beata atrevida, desafiando as varinas para irem ver pôr o sol no Bugio, quando as ondas esmorecem no Tejo e se acendem vacilantes os candeeiros da cidade. Carapau sim, mas frito. Este é o meu gaspacho. António Almodôvar

Diário do Alentejo 22 junho 2012

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Teresa Salgueiro desvenda “O Mistério” em Beja

Diário do Alentejo 22 junho 2012

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Depois de várias salas portuguesas e de apresentações também fora de portas – Itália, Eslovénia, Espanha, Sérvia, Montenegro e México – Teresa Salgueiro estará em Beja com “O Mistério”, um novo espetáculo que corresponde ao seu primeiro álbum de originais. “O Mistério” sobe ao palco do Pax Julia Teatro Municipal ainda hoje, sexta-feira, pelas 21 e 30 horas, revelando “um novo começo” para a antiga vocalista dos emblemáticos Madredeus, que aqui compõe e escreve de todos os temas.

Fim de semana

Oitava edição do festival de arte sacra termina amanhã, em Castro Verde

Carmen Romeu

Ópera na Basílica Real encerra Terras Sem Sombra

O

Mikeldi Atxalandabaso

Marifé Nogales

Festival Terras Sem Sombra (FTSS) encerra a sua oitava edição já amanhã, sábado, na Basílica Real de Castro Verde, onde decorrerá o último da sua temporada de seis concertos. Neste emblemático monumento do tempo de D. João V, prevê-se assim, com “elevadas expetativas”, como reconhece a organização, a cargo do Departamento do Património Histórico e Artístico (DPHA) da Diocese de Beja, a estreia moderna, a nível mundial, de “La Betulia Liberata”. Obra escrita no século XVIII, pelo compositor e violinista italiano Gaetano Pugnani, será aqui interpretada pela Orquestra Sinfónica Portuguesa, sob a direção do maestro Donato Renzetti, tido como um dos principais diretores de orquestra da atualidade. Até agora adormecida na Biblioteca do Palácio Nacional da Ajuda, esta partitura da oratória em dois atos, para solista, coro e orquestra, foi recuperada por iniciativa do DPHA da Diocese de Beja. O seu diretor, José António Falcão, sublinha que “esta estreia põe

em evidência o esforço feito pelo Festival para recuperar o nosso património musicológico, neste caso um manuscrito precioso do antigo Palácio Real” e adianta que “está em causa o resgate de uma parte muito significativa da nossa história e da própria cultura europeia.” Outro dos motivos para as expetativas geradas é o facto de esta estreia juntar no mesmo espaço “algumas das melhores figuras do panorama vocal, não só ibérico, mas também europeu”, assegura a organização. São elas Raquel Alão (soprano), Carmen Romeu (soprano), Mikeldi Atxalandabaso (tenor), Marifé Nogales (mezzo-soprano), Mário João Alves (tenor) e Luís Rodrigues (barítono). Já perto da reta final, José António Falcão conclui, em jeito de balanço, que a edição de 2012 “foi acolhida com um entusiasmo transbordante por parte da comunidade” e que o “triângulo” música-património-biodiversidade se revelou “uma aposta em cheio no alvo pretendido: a dinamização do mundo rural e dos centros históricos no Alentejo”.

Paulo Damião expõe no espaço Oficinas “À Sombra dos Álamos”, de Paulo Damião, é a nova proposta do espaço Oficinas, em Aljustrel, na área das exposições de artes plásticas. A mostra de pintura inaugura-se hoje, sexta-feira, pelas 18 horas, mantendo-se patente até ao próximo dia 14 de julho, e conta com a colaboração do Movimento Arte Contemporânea (MAC). Sobre a obra de Paulo Damião, disse Álvaro Lobato Faria, diretor do MAC, tratar-se de algo que se insere “fundamentalmente no campo da apresentação plástica da comunicação dos mais profundos sentidos”.

Expensive Soul e Oquestrada nas Festas de Mértola Tendo como cenário o cais do Guadiana e as muralhas, as Festas da Vila de Mértola continuam a decorrer até ao final do mês, reservando um fim de semana recheado em termos musicais. Hoje, sexta-feira, a noite começa com Marcelo Filipe, esperando-se logo de seguida a atuação dos Expensive Soul e da Banda Estado Maior, para terminar. Amanhã, sábado, desfilam pelo palco da Vila Museu a Banda Essência, os Oquestrada e a Banda Diamante. Ao final da tarde de domingo, Dia de São João, o município oferece febras e sardinhas aos mertolenses que forem passear ao cais do Guadiana.

Arte sai à rua em Moura Mário João Alves

Luís Rodrigues

No próximo domingo, 24, a cidade de Moura goza o seu feriado municipal, convidando os artistas locais a mostrar o seu trabalho nas ruas do centro histórico. O evento Arte na Rua decorre entre as 9 e as 12 e 30 horas e admite a participação de pintores, escultores, músicos, ceramistas e todos os que exerçam “qualquer outro tipo de atividade artística”. O objetivo, desafia a câmara municipal local, é “tornar as ruas de Moura num espaço cultural vivo”.

Imagens com poesia na Biblioteca de Beja

Raquel Alão

Inaugurada a 18, mantem-se patente na cafetaria da Biblioteca Municipal de Beja, até ao próximo dia 30, a exposição “A vida é feita de pequenos nadas”, que reúne imagens de O Maltês (pseudónimo de Carlos Cascalheira), fotógrafo amador, acompanhadas à palavra por Ana Vieira, médica e poeta nas horas vagas. Uma dupla de alentejanos: ele de Quintos, Beja; ela de Campo Maior, Portalegre.


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O PS decidiu solicitar ao Governo um cronograma com indicação das fontes de financiamento das obras do empreendimento de Alqueva. Todavia,

overno ao que apurámos, as exigências não ficarão por aqui, como nos explicou o deputado Pita Ameixa: “Queremos tudo devidamente documentado ps exige ao g , a v e u q l a o d com rigor e exigência, mas também com glamour. A ministra da Agricultura deverá fazer uma apresentação quinzenal do cronograma em bikini, e das obras cronograma werpoint sem aquelas mariquices do excel, que me dão uma dor de cabeça medonha… E tem de ser tudo feito como deve ser: o powerpoint deverá ter banda em po sonora do Richard Clayderman, e os dados deverão ser intercalados com fotografias aéreas do Dubai, de bebés vestidos de ovelhinhas e de José a r o n so e com banda Sócrates a fazer poses sensuais junto ao paredão da barragem de Alqueva”. n a clayderm do richard

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Inquérito Já ouviu falar do Kazantip, o maior festival de música eletrónica do mundo?

ELISA BARROTE QUEIMADO, 58 ANOS Pessoa que na escola era apelidada de conguito Já ouvi, sim senhor, vou todos os anos. São cinco semanas de pura loucura que aproveito para trabalhar o bronze: ando sempre de bikini e não uso protetor solar convencional porque é muito caro. Em alternativa, passo com duas de mão de banha de porco com manteiga de amendoim pelo meu corpo para me proteger do buraco do “Osório” e assim… Este bronze sexy dá muito trabalho – há pessoas que pensam que saí de uma explosão numa mina de carvão, mas é tudo graças ao Kazantip…

XAVIER SACRISTA, 72 ANOS Pessoa que acha que só deve haver sexo no casamento e a partir dos 85 anos Sei muito bem o que é, e a mim não me apanham lá na barragem de Alqueva! Há quem chame àquilo o “Festival da Orgia”, veja bem! Para rebaldarias desse tipo já me chegou ver o vídeo da orgia do Castelo Branco: aquilo é tão mau que até os meus espermatozoides se jogaram de um precipício. Vai ser um chavascal de tal ordem ao nível sexual que quando aqueles depravados que só pensam em sexo chegarem ao festival os achigãs até param de nadar e fazem-se de mortos.

NÚRIA CLAMÍDIA, 65 ANOS Pessoa que acha que as vacinas são um modo de o Governo injetar o consumismo nas pessoas Nunca fui, mas estou a pensar em ir. Pego nos meus dois maridos e vamos na nossa VW pão de forma. Espero que seja um espaço de música e debate. Temos de fazer qualquer coisa por este país, man. Já é hora do Passos Coelho acabar com a Guerra Colonial e fazer regressar os soldados lá da Guiné ou do FMI, ou lá o que é. E se ele não fizer nada, pode ser que o Spínola derrube o Cavaco e instaure a democracia. O quê? Estou a fazer confusão? Quer dizer que os deputados do parlamento nacional não são homenzinhos verdes com um olho na testa? Man, nunca mais lambo cogumelos a ouvir os Sheiks…

Estátua da Rainha Dona Leonor prevê resultados do Euro 2012 Depois da pandemia de animais adivinhos de resultados desportivos (um polvo, uma vaca, uma ovelha, um lacrau, um louva-a-deus e um rafeiro alentejano), chegou agora a vez de estátuas adivinhadoras. Em Beja, a estátua da Rainha Dona Leonor está a prever os resultados do Euro 2012: segundo apurámos, previu a vitória de Portugal diante da Holanda por 7-6, com hattrick do Rui Patrício. É verdade que falhou no número de golos, mas acertou em cheio na vitória lusa, o que criou muitas expectativas na comunidade de apostas desportivas e lhe valeu a alcunha de “Rui Tovar de pedra”. Mas a capital do Baixo Alentejo não se fica por aqui no que se refere a figuras com dons divinatórios: a estátua do Pastor junto à Ovibeja conseguiu prever o final da novela “Dancin’ Days” a ler caganitas de ovelha; já a estátua de Gonçalo Mendes da Maia prevê o fim do d mundo em dezembro de 2015 quando o Trio Odemira lançar o DVD ao vivo e em 3D.

Oficina de cante “alinha a direção” de grupos corais e lubrifica as gargantas a preços convidativos A companhia de teatro Lêndias d’Encantar começou esta semana a promover uma oficina de cante alentejano, sob a orientação de Paulo Ribeiro, com o objetivo de promover e preservar esta tradição tão alentejana. Contudo, uma investigação Não confirmo, nem desminto apurou que esta oficina não será apenas um local de aprendizagem, mas será também… uma oficina, na verdadeira aceção da palavra: o objetivo é proporcionar aos grupos corais um conjunto de serviços que facilitem o seu trabalho, como nos explicou o alto Armindo Lírio Roxo: “Esta oficina do cante é uma grande ajuda para os grupos da região. Finalmente, vamos poder ‘alinhar a nossa direção’… Quando participamos em arruadas a cantar é muito difícil irmos todos direitos e sempre em frente quando metade dos elementos tem os calos numa lástima e os joanetes precisam de ir à revisão. Da última vez que cantámos em Ferreira do Alentejo perdemos o nosso ponto e só o apanhámos em Santa Margarida do Sado, a cantar perdido no meio das estevas. Se a oficina já existisse, tal não teria acontecido…”. É de referir ainda que nesta oficina temática também será possível lubrificar as gargantas dos cantores a preços acessíveis, já que estarão disponíveis os lubrificantes “copo de tinto cheio”, “copo de branco cheio” e, para os mais sensíveis, o “copo cheio de limão com mel”.

Homem de Serpa preso por cultivar cannabis alega ser personagem de conto infantil A GNR de Serpa prendeu, na passada semana, um homem que, alegadamente, cultivava pés de cannabis – sendo que o maior deles tinha, ao que parece, 1,20 metros. O homem, porém, jura estar inocente e chegou a afirmar que se tratava tudo de um mal-entendido, já que não seria mais do que a personagem principal do conto infantil “João e o Pé de Feijão”: “Juro que não fazia ideia de que se tratava de cannabis. Só sei que, como estava a precisar de uns cobres, fui vender uma galinha a um gajo, e ele deu-me em troca pela galinha uns feijões que me garantiu serem mágicos. Contudo, quando cheguei a casa, a minha mulher chateou-se e deu-me com uma frigideira nas ventas e jogou os feijões pela janela. No dia seguinte, fui à rua e o alegado pé de cannabis chegava ao Altinho. Por curiosidade, mas só por curiosidade, e porque queria ter a certeza de que era um pé de feijão, fumei um pouco e vi um gigante a descer lá do alto, atrás de uma galinha e de uma bimby, ou assim… Mas este tropeçou, caiu e morreu… Mas eu não tive nada a ver com o assunto, até porque tive a tarde inteira a comer tremoços no café da piscina… E se aquilo é cannabis, a imperial do Lebrinha bate com mais força. A sério!.”, rematou o detido.


Nº 1574 (II Série) | 22 junho 2012

RIbanho

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da.ambaal.pt POR LUCA

Hoje, sexta-feira, o sol brilhará em toda a região e a temperatura deverá oscilar entre os 32 e os 14 graus centígrados. Amanhã, sábado, o céu estará limpo e no domingo também não são esperadas nuvens.

Finalista do concurso Chefe Cozinheiro do Ano

T

em fibra de vencedor e é com esse espírito que se apresentará em novembro próximo, na final do Chefe Cozinheiro do Ano, o maior concurso nacional de cozinha para profissionais. Ainda que com apenas 26 anos, João Ameixa não rejeita mas também não morre de amores pelas novas técnicas de confeção. Nem se deixa iludir por fenómenos de “moda”. Cozinha por vocação, sublinha, e tem um respeito reverencial pelas “bases” tradicionais.

DR

Trabalhar com os produtos da época

Cozinhar está na moda. O que tem feito para marcar a diferença num meio onde a concorrência é agora maior?

Está entre os oito finalistas do Chefe Cozinheiro do Ano. Como se chega aqui tão jovem?

Quando se abraça a cozinha, não como uma “moda”, mas sim como algo que queremos fazer para a vida, uma vocação a que nos dedicamos a cada dia, tentando ser sempre melhores. Do amigável à competição, sempre encarei tudo da mesma forma – para ganhar! Como e quando percebeu que queria estudar cozinha?

Certa vez, na última página do jornal “A Bola”, vi um pequeno a nú ncio sobre a Escola de Hotelaria e Turismo do Algarve e perguntei-me “por que não?”. Então atirei-me de cabeça e passei três anos em Faro. Fiz o meu primeiro estágio de verão, no qual passava cerca de 10 horas em pé, com funções na grelha, debaixo de um sol que devia rondar os 35 graus. Nesses momentos perguntei-me muitas vezes o que fazia eu ali, mas são essas situações que comprovam o quanto queremos mesmo atingir um objetivo. Rapidamente percebi que, se tinha optado por seguir aquele caminho, também tinha que perceber que todos descascam batatas, alhos e cebolas até chegarem onde realmente querem. Quanto mais PUB

rápido executasse as minhas tarefas, mais fácil seria chegar perto do fogão. Quando o trabalho aperta, não existe mão de obra suficiente e tu já viste como tudo funciona, é aí que tens que mostrar aquilo que absorveste enquanto fazias as tarefas menos boas. Foi esperar pela oportunidade e estar pronto para a agarrar.

João Ameixa 26 anos, natural de Aljustrel

É atualmente subchefe de cozinha do hotel Cascade Resort, em Lagos. Começou na Escola de Hotelaria e Turismo do Algarve, atraído por um inocente anúncio de jornal, e até hoje já passou por vários empreendimentos de luxo desta região de sol e praia. Do Vau Hotel, em Portimão, passando pelo Hilton, de Vilamoura, ou pelo Vila Vita Parc. Cedo percebeu, logo no primeiro estágio de verão, que para chegar ao fogão havia que descascar muitas batatas e ir aprendendo nos entretantos.

Detesto pensar que a cozinha pode estar na moda devido a muitos programas televisivos. Deixa-me deveras indignado ver alguns jovens a entrar na cozinha inf luenciados pela televisão, pensando que será tudo um espetáculo e por vezes sem respeitar as verdadeiras bases da nossa cozinha. Não critico os novos métodos, como a cozinha molecular, mas a cozinha tradicional, as bases, nunca podem ser esquecidas nem tão pouco ser postas de lado. Não critico que se inove ou se use produtos “mexidos” pela mão do Homem, mas prefiro trabalhar com o produto da época, na melhor confeção, respeitando o verdadeiro sabor do alimento cozinhado. Qual será a sua aposta para conquistar a vitória na final, em novembro?

O cabaz será surpresa, haverá muitos ingredientes que só saberei no dia, tirando os principais – borrego da serra da Estrela, cavala e ananás dos Açores. Por isso a aposta será ir de cabeça fresca e o resto sairá com naturalidade, tendo em conta toda a pressão de uma cozinha desconhecida, tempo reduzido e muitos olhos postos em cima. Carla Ferreira

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FMM ganha um dia com espetáculo La Notte della Taranta O Festival Músicas do Mundo (FMM) de Sines vai ter um dia extra, 25 de julho, com um espetáculo gratuito, no castelo, do Ensemble La Notte della Taranta, de música popular italiana. Na sua 14.ª edição, o FMM acrescenta um dia aos seis que já estavam marcados, realizando-se de 19 a 21 e de 25 a 28 de julho, coincidindo com os dois últimos fins-de-semana desse mês. Na noite de 25 de julho, o castelo de Sines recebe o espetáculo “La Notte della Taranta”, pelo Ensemble La Notte della Taranta. Segundo a organização do festival, trata-se de “um espetáculo especial que sintetiza o melhor de um dos mais importantes festivais italianos”. Desde 1998, é realizado, em agosto, na região italiana de Salento, um festival de música com origem na tradicional e veloz dança da ´pizzica’, que os camponeses utilizam como tratamento para picadas de tarântula (em italiano, ´taranta`). O espetáculo apresentado em Sines representa uma síntese dos melhores momentos dos 14 anos deste festival, interpretados por um conjunto de músicos com uma participação muito ativa no evento.

Ateliês de verão no Museu Regional de Beja O Museu Regional de Beja promove entre julho e agosto os habituais ateliês de verão. O ateliê de fotografia digital, que tem como principais objetivos, “a transmissão de conhecimentos no âmbito da fotografia – enquadramentos, perspetiva, cor, preto e branco, pós produção ao nível do Photoshop, bem como a transmissão de conhecimentos sobre a importância do nosso património cultural, histórico e arquitetónico”, é dirigido a crianças e jovens com idades entre os oito e os 13 anos. O ateliê funcionará às segundas, terças e quintas-feiras, de 2 a 31 de julho, com início às 10 e termo às 12 horas. Entre 11 de julho e 17 de agosto, às quartas e sextas-feiras, das 10 às 12 horas, terão lugar os ateliês do património, que incluem, entre outras atividades, visitas às cerâmicas romanas (Museu/Sembrano/Pousada), à azulejaria (Museu/frontarias de edifícios/monumentos) e às ferragens (ruas, etc.), ateliês de barro e azulejos, jogos tradicionais, reciclagem de papel e visitas guiadas ao centro histórico.


Edição nº 1574