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SOROCABA, SEXTA-FEIRA, 17 DE MAIO DE 2019

diariodesorocaba.com.br

EDITORIAL A qualificação no futuro novos mercados. Levando-se em conta, porém, que os avanços atuais ocorrem num ritmo cada vez mais rápido, a transição deverá ser mais traumática em muitos aspectos. Quem for dispensado, por exemplo, poderá demorar muito mais para as-

Todos precisam atentar para o fato de que passará muito tempo até que as coisas sejam estabilizadas com as novas tecnologias que vão racionalizar praticamente todas os processos de trabalho existentes hoje

Uma previsão que se vai acentuando cada vez mais é de que, no Brasil e no mundo, os avanços tecnológicos vão eliminar milhões de empregos. Isso já vem ocorrendo com uma série de atividades, mas a diferença, agora, é que o alerta vem sendo reforçado cada vez mais pelo Fórum Econômico Mundial, que sempre se constituiu em defensor do liberalismo econômico mundial. Seus responsáveis dizem que a economia vai sentir de uma forma muito mais rápida os efeitos da Quarta Revolução Industrial, destinada a ser mais abrangente do que as anteriores e trazendo em seu bojo a inteligência artificial, a Internet das Coisas, o Big Data, a impressão em 3D, a computação em nuvem, a biotecnologia e muito mais. O que se prevê é que até 2022 o avanço de todas essas tecnologias deverá eliminar mais de 5 milhões de vagas no mercado de trabalho em cerca de 20 países que respondem a dois terços da força mundial de trabalho, incluindo o Brasil. Diversos estudos trazem à tona que, com o passar dos anos, a inovação terá mais efeitos positivos que negativos sobre o nível de emprego, com as ocupações extintas sendo substituídas por outras, ligadas a

segurar uma vaga no mercado, fazendo aumentar o exército de desempregados em nível mundial. O aprimoramento dos parques tecnológicos, como o de Sorocaba, será de fundamental importância para os novos tempos que virão. De acordo com as informações disponíveis, quase 8

milhões de empregos poderão ser eliminados num primeiro momento, principalmente nos escritórios, na indústria de transformação, na construção e em outras áreas menores. A previsão é de que, em contrapartida, serão admitidos pouco mais de 2 milhões de profissionais de computação, matemática, gestão, engenharia e outras mais. Por tudo isso, todos precisam se conscientizar de que os melhores empregos vão exigir muito mais qualificação, como já se pode observar hoje em dia em diversos ramos de atividades. Muitas vezes o emprego existe, mas não a qualificação, daí a dificuldade de se conseguir um trabalho. Na nova revolução que já está em marcha, até a renda média vai correr o risco de ficar estagnada. De um modo geral, o trabalhador vai ter de ampliar o leque de competências, devendo se familiarizar com diferentes processos, tendo em vista que também será obrigado a participar da tomada de decisões. Todo mundo, portanto, precisa atentar para o fato de que passará muito tempo até que as coisas sejam estabilizadas com as novas tecnologias que vão racionalizar praticamente todos os processos de trabalho existentes hoje.

O ano que não começou depois do Carnaval João Guilherme Sabino Ometto Contrariando o antigo sentimento de que o ano brasileiro sempre começa depois do Carnaval, 2019 segue exatamente igual a 2018, ou seja, com o mesmo elevado índice de desemprego, PIB estagnado, volume muito baixo de projetos empresariais e investimentos e ceticismo do mercado e da sociedade. Em termos práticos, nosso réveillon apenas será efetivado pela reforma previdenciária, decisiva para a conquista do equilíbrio fiscal, queda mais acentuada dos juros, resgate da credibilidade e retomada dos investimentos do Estado e do crescimento econômico sustentado. Considerada a importância da medida para o presente e o futuro, todos esperam que os Poderes priorizem, acima de tudo e de todos, os interesses maiores do País, relevando assuntos político-partidários, temas dogmáticos ou filosóficos e discussões de caráter pessoal. Afinal, não se trata de questão ideológica, mas de equação de matemática, onde a imprecisão do resultado significa o aprofundamento do déficit público, a inviabilização futura das aposentadorias de milhões

de brasileiros e a impossibilidade de extinção da prolongada crise nacional, que já causou danos demais às empresas e às famílias. O diálogo construtivo, os debates entre Executivo e Legislativo e até mesmo os embates retóricos e opiniões divergentes são saudáveis para a democracia. No entanto, há limites republicanos, pois jamais se deve inviabilizar a governabilidade e existem momentos nos quais as decisões transformadoras da História devem prevalecer. É este o caso da PEC relativa ao sistema previdenciário. Seu trâmite, o mais urgentemente possível não pode ser obstruído por quaisquer outras situações menos cruciais para a solução dos problemas do País. A população brasileira deixou muito claro nas urnas de outubro o seu anseio por mudanças. Elegeu o presidente Jair Bolsonaro com quase 58 milhões de votos, 55% do total de válidos. É pertinente lembrar esses números, pois implicam grande responsabilidade por parte de todos aqueles que se apresentaram à sociedade como candidatos e são depositários da esperança da população. O cenário é muito complexo e delicado. A econo-

mia ainda não reagiu de modo proporcional às expectativas positivas criadas com um novo governo. Ademais, é preciso considerar que não temos mais espaços para erros, depois de sobrevivermos a mais grave crise de todos os tempos, com muito esforço da sociedade, empresários e trabalhadores, de alguns políticos corretos e instituições como o Ministério Público, Judiciário e Polícia Federal. Seria absurdamente insensato perder a oportunidade de consolidar esse inusitado movimento inovador e transformador, permeado pela demanda da ética. Temos excelentes perspectivas de desenvolvimento, pois é grandioso nosso potencial. Tudo amplificado pela crença dos brasileiros em sua capacidade de mudar a realidade por meio do voto, intenção enfática manifestada nas últimas eleições. Assim, é premente colocar a reforma previdenciária acima de tudo e de todos, para que possamos, finalmente, desejar feliz ano novo e um futuro de prosperidade ao Brasil e seu povo! - João Guilherme Sabino Ometto é engenheiro e membro da Academia Nacional de Agricultura (ANA)

PALESTRAS GRATUITAS

Estão programadas para esta sexta-feira (17), gratuitamente, duas palestras sobre "Gestão Pública com Responsabilidade" e "Como ser um líder e ajudar a sua cidade". Os palestrantes são o prefeito de Colatina (ES), Sérgio Meneguelli, e o vereador Rodrigo Manga, de Sorocaba. As palestras terão lugar na Faculdade de Direito de Sorocaba (Fadi), na rua Dra. Ursulina Lopes Torres, 123, Vergueiro, às 19h30. As vagas são limitadas e as inscrições podem ser feitas pelo celular (15) 9-9739-9830. O ingresso é 1 quilo de alimento.

PIORES OUVIDORIAS

De acordo com o Ranking de Qualidade de Ouvidorias, o Banco do Brasil e o Santander possuem as piores ouvidorias entre as instituições financeiras de maior porte do Brasil. Numa escala de zero a cinco, o índice do Banco do Brasil ficou em 2,86 no primeiro trimestre deste ano, enquanto o Santander recebeu a pontuação de 3,39. Quanto menor o índice, pior a ouvidoria. São considerados aspectos como o prazo de respostas dos bancos às reclamações e a qualidade da resposta. O índice é formado a partir das reclamações registradas pelos cidadãos nos canais de atendimento do Banco Central.

MAIS UM ANO DIFÍCIL

Com o governo sem uma adequada coordenação política, reduzindo a confiança do empresariado e do consumidor, o que se constata atualmente no Brasil é uma previsão de especialistas para mais um ano perdido na economia. Apesar de a impressão geral dos economistas ser de uma economia estagnada em um patamar muito baixo, já existem aqueles que falam em um novo período de recessão. Os sinais mais preocupantes vêm da indústria, cuja produção recuou 2,2% no primeiro trimestre de 2019.

Defensor da Santa Eucaristia Frei Pascoal Bailão era porteiro, cozinheiro e encarregado da limpeza do convento franciscano. Certa vez, seus superiores precisaram mandar uma carta importante para o Superior-Geral em Paris. Nesse tempo, os hereges combatiam a presença real de Jesus na Eucaristia. A viagem seria muito arriscada. Mas ele partiu, viajando a pé por várias semanas. Certo dia, passou por uma aldeia onde um herege pregava na praça contra Nossa Senhora e o Santíssimo Sacramento. O frade ouviu, não se conteve e gritou: "Isso não é verdade, meu irmão". Bastou localizar o frade para o povo cair encima dele com socos e pontapés. Tentou escapar para fora da aldeia, enquanto as pedradas choviam nas suas costas, derrubando-o por terra. Ardendo em febre e sem poder continuar a viagem, precisou-se esconder-se num paiol. Uma piedosa mulher conseguiu que lhe prestassem os cuidados mais urgentes. Chegou ao destino, mais morto que vivo. Seus cabelos, de pretos que eram, ficaram brancos. (Pe. Clóvis Bovo)

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Sexta, 17 de maio  

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