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Outubro de 2011 | Ano 1 | nº 5

O dia a dia do produtor rural

Imperatriz/MA SXC

Estiagem e alimentação precária do gado reduzem produção de leite no Maranhão


02

Outubro 2011

E ditorial

O jornal nas mãos certas N

ão é preciso mais esperar muito ou procurar a edição do Diário da Fazenda no Sindicato Rural de Imperatriz. Desde a última edição que o seu jornal passou a ser distribuído pela empresa Maná Moto Expresso e será entregue nas principais lojas do ramo agropecuário e pontos de encontro do produtor da cidade. A mudança vai garantir uma distribuição mais ampla do veículo e permitir que o produtor tenha acesso à publicação

assim que ela sai da gráfica. Para quem ainda não viu a versão impressa, o Diário da Fazenda continua com atualização mensal na sua página na internet www.diariodafazenda.com.br . Ali estão disponíveis para visualização todas as edições já publicadas do seu jornal rural. Além de um arquivo com o material já veiculado na versão impressa, quem visita a página tem informações sobre o veículo, como entrar em contato, enviar suges-

tões de pauta ou mesmo artigos para publicação. Para quem está conhecendo o jornal só agora, trata-se de uma publicação mensal direcionada a produtores rurais de Imperatriz (MA) e região, a empresas do ramo agropecuário e a órgãos governamentais ligados à produção rural. O veículo está aberto a sugestões, críticas e parcerias. Contribua também com o seu jornal, mande email, ligue, anuncie. Boa leitura!

A rtigo

Envie seu artigo para

diariodafazenda@gmail.com

Código Florestal: passo adiante POR Margrit Schmidt é colunista do Jornal de Brasília

A Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado (CCJ) votou o novo Código Florestal, que dá segurança jurídica a mais de 5 milhões de produtores rurais brasileiros. Eles usam apenas 27,7% do território brasileiro e produzem alimentos para os brasileiros e para muitos outros países. O Brasil se alimenta do agronegócio. Representa um terço do PIB e praticamente todo o superavit da balança comercial do País. O campo brasileiro cresceu preservando as florestas. Hoje o Brasil possui 61% de cobertura nativa. A Europa e os EUA financiam ONGS que promovem aqui campanhas de marketing em nome da defesa do meio ambiente, mas não conseguem esconder que querem mesmo é preservar o agronegócio deles. Produzir alimentos, especialmente para os europeus é cada vez mais caro, sem falar que florestas representam apenas 1% do território. O código florestal não defende o desmatamento, como tentam induzir as campanhas contrárias. Tampouco quer anistia para quem cometeu malfeitorias, quer sim, dar a oportunida-

de para que os agricultores possam recompor qualquer área que tenha sido desmatada ilegalmente. Depois de quatro horas de debates, a CCJ aprovou o projeto PLC 30/11. Foi acolhido o texto do relator, senador Luiz Henrique da Silveira (PMDB-SC), que fez pequenas correções de inconstitucionalidades, deixando novos ajustes e o exame das 96 emendas apresentadas pelos senadores para as demais comissões que analisarão a matéria. Apesar da posição do governo ser favorável ao lobby das ONGs ambientalistas, contrárias a aprovação do Código, assim como na Câmara, no Senado o viés maniqueísta - verdes bonzinhos versus ruralistas mauzinhos - também não prevalece. A lógica dos múltiplos interesses e do bom senso acaba predominando nas discussões. O projeto segue agora para a Comissão de Ciência e Tecnologia (CCT), onde poderá ser alterado no mérito. Uma das mudanças deve ser a inclusão de regras para remunerar agricultores que mantiverem florestas em suas propriedades, como pagamento por serviço ambiental. Pontos Revistos O texto também deverá ser alterado na forma, para separar disposições transitórias, como a regularização do passivo ambiental, das disposições permanentes. O relator manteve regra que

limita a intervenção nas Áreas de Preservação Permanente (APPs) protegidas as hipóteses de utilidade pública, de interesse social ou de baixo impacto ambiental. Na primeira versão, Luiz Henrique abria a estados e ao Distrito Federal a possibilidade de dividir com a União poder para definir outras condições de intervenção

“O código florestal não defende o desmatamento”

em APP, além das previstas na lei. O relator retirou esse dispositivo após entendimento com o Governo Federal. Luiz Henrique também modificou trechos de artigos que estabeleciam a necessidade de futuro regulamento, determinando que questões em aberto sejam sanadas em “ato do chefe do Poder Executivo”. Farias propõe modificar o texto para ampliar a proteção de APPs. Kátia Abreu rebateu ironicamente, dizendo que a implementação das sugestões de Lindbergh obrigaria a retirada dos moradores da Rocinha, no Rio de Janeiro.

A rtigo

Menos tributos, mais eficiência Por Katia Abreu * Senadora (TO) e presidente da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), O debate que se desenrola atualmente no Congresso Nacional sobre uma nova vinculação de recursos para a saúde é uma ocasião exemplar para refletirmos com um pouco mais de profundidade sobre o Estado no Brasil. Vivemos aqui um autêntico paradoxo. De um lado temos uma das maiores cargas fiscais do mundo - maior do que a dos Estados Unidos, a da China e a de todos os demais países em desenvolvimento. Nossos governos extraem anualmente quase 40% de toda a renda nacional. Em outras palavras: de cada R$ 100 em riqueza gerados pelo país, quase R$ 40 vão para os cofres dos três níveis de governo. Sem nenhuma dúvida, nossos órgãos de arrecadação têm um padrão mundial de excelência. Infelizmente, essa mesma qualidade não se estende ao restante das estruturas governamentais que lidam com os problemas da população. O outro lado do paradoxo é que com essa abundância de recursos o Estado brasileiro não cumpre satisfatoriamente suas funções. A saúde, a educação, a segurança pública, as estradas, os portos e os aeroportos têm níveis baixos de desempenho. O transporte público nas grandes cidades submete as populações trabalhadoras a verdadeiros suplícios. Não há como fugir da realidade: nosso Estado esgotou sua capacidade para, sozinho, resolver os problemas da nação. O esforço da sociedade para pagar tantos tributos parece inútil. Para cada uma das deficiências do Estado o clamor geral dos governos é só um -é preciso mais dinheiro, ou, em português claro, mais tributos. O jornalista americano H. L. Mencken nos ajuda a responder: “Todo problema difícil tem uma solução simples, óbvia e... errada”.

Se formos atender a todos esses clamores, teríamos de dobrar os tributos, só que, muito provavelmente, os problemas continuariam sem solução e, no final, teríamos um país só com Estado, sem sociedade e sem economia. Por que o Brasil arrecada tantos tributos e parece não ter dinheiro para nada? Em primeiro lugar, os governos têm dificuldades de entender que não é possível fazer bem muitas coisas ao mesmo tempo e que governar é fazer escolhas. Em segundo lugar, o Estado gasta muito mal quase 40% do PIB (Produto Interno Bruto).

“Governos extraem

anualmente quase 40% da renda nacional” De 2000 a 2010, por exemplo, enquanto a inflação acumulada foi de 101,12%, os gastos da União com pessoal, ativo e inativo, cresceram 317%, um incremento real extraordinário. Num Estado moderno não cabem todos os desejos da sociedade. Alguns terão de ficar de fora. A Europa esqueceu disso e está pagando um preço muito alto. Nós ainda temos tempo. A crise do mundo desenvolvido e as pressões internas por mais gasto público deveriam servir de oportunidade para o sistema político e a sociedade se unirem em um grande pacto para uma mudança fiscal profunda, que tornasse o Estado um agente -não um obstáculo ao desenvolvimento. O fato de a presidente Dilma ter antecipado que não pretende patrocinar aumento de tributos é um bom começo para isso.

Expediente Contatos:

diariodafazenda@gmail.com (99) 8111.1818/8138.4433 www.diariodafazenda.com.br Jornal Diário da Fazenda Uma publicação mensal da Ano I, Edição 5, Outubro de 2011 Mensal. Distribuição Dirigida. Palavra Assessoria de Comunicação (99) 8111.1818 | 8138.4433 Imperatriz, Maranhão

Textos e Fotos Equipe Diário da Fazenda André Wallyson Antonio Wagner

Conselho Editorial Marco A. Gehlen - Jornalista - MTB 132-MS Thaísa Bueno - Jornalista - MTB 36-MS Sindicato Rural de Imperatriz Identidade Visual Luciana Souza Reino Editoração gráfica, edição e revisão Equipe Diário da Fazenda

Distribuído e apoiado pelo Sindicato Rural de Imperatriz *Esta Edição contém na página 14 o boletim informativo O Berrante, desenvolvido, autorizado e sob responsabilidade do Sindicato Rural de Imperatriz.

Participe do Diário da Fazenda Envie sua sugestões de pauta, de entrevistas e artigos para:

diariodafazenda@gmail.com


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P rodução

Estiagem e alimentação precåria do rebanho derrubam a oferta de leite para as indústrias Indústrias sofrem para captar volume de leite e trabalham com capacidade ociosa; profissionalização dos produtores melhoraria o cenårio ANTONIO WAGNER

AndrĂŠ Wallyson

C

ai a oferta de leite para as indĂşstrias. Um dos motivos ĂŠ a falta de chuvas nos Ăşltimos trĂŞs meses na regiĂŁo tocantina. O perĂ­odo seco, tĂ­pico desta ĂŠpoca do ano, faz com que ocorra queda de qualidade das pastagens, o que prejudica a produção e, por consequĂŞncia, a captação de leite. Para o consumidor, a escassez no mercado pode fazer com que o preço do produto final suba no mĂŞs de novembro. De acordo com o zootecnista Lucas Leocadio GuimarĂŁes Sousa, essa diminuição da qualidade acontece porque na regiĂŁo ĂŠ utilizado o sistema de criação extensivo, onde o gado tem sua alimentação principal baseada na forragem. “A baixa umidade, o sol excessivo e as queimadas

Tecnificação e alimentação animal correta poderiam reverter problemas da seca

são os fatores principais para a diminuição da qualidade da alimentação animal, prejudicando a produção�, afirma. De acordo com o gerente de política leiteira do Laticinios Palate, Osmani Mendes Ferreira, alÊm da queda na distribuição

de leite para as indĂşstrias, houve ainda um aumento no consumo por parte da população. Segundo Osmani, a distribuição que circulava em torno de 90 mil litros por dia em maio, caiu para 48 mil litros diĂĄrios no mĂŞs de agosto. “Mesmo as-

sim, a expectativa ĂŠ de que haja um crescimento na produção em cerca de 11% com relação a 2010â€?, diz. O diretor executivo do LaticĂ­nios SĂŁo JosĂŠ, Carlos Renato Pinto, aponta que, 95% dos criadores de gado da regiĂŁo utilizam para os animais a alimentação baseada em sal mineral e pasto. Ele afirma que ĂŠ comum faltar leite nesta ĂŠpoca, principalmente, pelo fator climĂĄtico. â€œĂ‰ o perĂ­odo que nĂłs chamamos de Pico da Entressafra, que vai de primeiro de setembro a 30 de outubroâ€?, comenta. Para Carlos existe ainda a concorrĂŞncia desleal dos vendedores clandestinos. “O pessoal que vende ‘leite de tambor’ ou ‘leite de caneca’, nĂŁo paga imposto, tem baixo custo de produção, falta de fiscalização e de tratamento do produto.

Dessa forma, eles podem pagar mais caro para o produtor e vender pelo mesmo preço que as indĂşstrias. Consequentemente, o produtor deixa de repassar o leite para a indĂşstria por um preço mais em conta, o que acaba refletindo no bolso da populaçãoâ€?, destacou. Segundo o diretor do Leite Soberano, Edilomar Miranda, de julho atĂŠ setembro jĂĄ houve um aumento no valor do leite que chega a 10%. “Se nĂŁo houver melhora atĂŠ o final de outubro pode haver o aumento em mais 4% atĂŠ o inĂ­cio de novembroâ€?, especula. Edilomar explica que, “essa realidade nĂŁo acontece somente aqui no MaranhĂŁo, na regiĂŁo Sul, por exemplo, as geadas e o frio intenso tambĂŠm prejudicaram a produção e, como aqui, refletem no bolso do consumidorâ€?.

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C omportamento FOTOS: Antonio Wagner

Campo já presencia mulher à frente da produção rural A força feminina atua e modifica o cenário do agronegócio na região Antonio Wagner

A

vida no campo requer muita garra e força para lidar em um dia a dia repleto de afazeres nada fáceis. Arriar um cavalo, dirigir trator, laçar um gado, tirar leite, sempre foram trabalhos pesados executados por homens, certo? Quase. A crescente, mas ainda pequena participação da mulher no meio rural vem mostrando a quebra de tabus referentes à distinção de trabalho feminino e masculino. O gosto pelo trabalho no campo vem do convívio familiar ou por necessidade. A maioria delas começa a trabalhar cedo, antes do 15 anos,

acompanhando os pais na fazenda. O papel da mulher no meio rural muda gradativamente e as lideranças femininas deixam de ser um caso raro no setor. É o caso de Maria das Dores Matos, ou Dorinha, como ela prefere ser chamada, que desde 1997 administra a “Fazenda Regueira”, propriedade da família, onde o foco principal é a criação de gado de leite e de corte. “Entrei na área mais pela necessidade. Inicialmente foi um desafio. Acho que a mulher não foi criada para executar trabalhos pesados, mas hoje percebo que eu não me daria bem em outra profissão”, comenta Dorinha. Além de administrar a fa-

zenda, ela também participa de todas as atividades junto dos três funcionários que cuidam dos 158 alqueires e dos seus 530 animais. “Monto a cavalo, visto minhas perneiras, saio para vistoriar o campo e o gado. Gosto de olhar tudo de pertinho. Vejo que esta profissão não existe distinção em ser homem ou mulher, ela só requer muita dedicação e coragem, pois há preconceito por pensar que as mulheres não dão conta do serviço”, comenta.

Talento de família Filha e neta de produtores rurais, Januária Alves Rocha, apelidada de Jane, cresceu nesse meio. “Sou de Almenara

Dorinha: além de administrar, participa das atividades na lida diária na fazenda

(Norte de Minas Gerais) e passei minha adolescência no campo. Minha mãe teve que gerenciar a fazenda que tínhamos por meu pai falecer. Ela tomou à frente pela necessidade. Quando jovem, tinha que realizar as atividades para a sobrevivência. Anos se passaram e hoje é uma paixão”, comenta Jane. Administradora da “Estância JB”, localizada no município de São Francisco do Brejão, ela vê a fazenda atualmente como uma empresa. “Cuido de toda a parte burocrática e faço os pagamentos dos funcionários. Além disso, curso Direito para complementar no que precisar dentro da fazenda. A participação da mulher ainda é pouca no Maranhão apesar do grande foco do mercado maranhense ser a agropecuária”, comenta.

Exemplo Um sinal que no geral a mulher vêm ganhando destaque no meio rual foi a conquista, pela primeira vez, de uma

mulher à frente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Desde 2008, a CNA é presidida pela senadora Kátia Abreu. Isso garantiu uma maior sensibilidade em relação aos problemas enfrentados pelas mulheres no meio rural e preocupação para criação de projetos voltados para a saúde feminina. “A mulher não precisa ter dom para trabalhar na área. É só gostar, saber administrar com inteligência e determinação. Não é preciso abrir mão da feminilidade e ver o ramo como forma de lazer”, exalta Jane sobre a entrada da mulher no agronegócio. O aumento da força da mulher no campo é reflexo do que vem acontecendo há alguns anos nos diversos setores da economia e do mundo. Com capacidade de assumir vários papéis e ainda se qualificar, a mulher tem ampliado sua importância para o mercado de trabalho como um todo e sempre com resultados positivos.


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C arne

ANTONIO WAGNER

Abates caem 18% em frigorífico de Açailândia Produtor espera que arroba chegue a R$ 100 Antônio Wagner

O

Maranhão, mesmo sendo considerado o segundo maior produtor de carne bovina da Região Nordeste, perdendo somente para o estado da Bahia, sofreu nos últimos meses uma diminuição no número de abate de bovinos. De acordo com números do frigorífico Equatorial, o maior da região, apesar dos números altos – são cerca de 11.700 animais abatidos por mês –, neste período houve uma queda de 18% em relação ao ano passado que era de 13.806 animais. A causa dessa diminuição, conforme o comprador de bois do frigorífico, Edson Lacerda Júnior, seria o fechamento do maior Frigorífico da cidade,

Vale do Tocantins S/A. No último mes este frigorífico foi reaberto tendo à frente uma nova administração. “Mesmo assim ainda não deu para suprir a demanda exigida pelo mercado comprador de carne bovina”, diz. Até então todo o processo de compra e venda vinha sendo feita pelo frigorífico Equatorial, no município de Açailândia, a 72 quilômetros de Imperatriz. Conforme dados do Equatorial, há seis anos o grupo vem suprindo a demanda de carne bovina para todo o Nordeste. O abate se dá diariamente, com média de 500 bois/dia. Este número faz dele um dos abatedouros mais importantes da região e com aproveitamento de quase 100% dos animais abatidos.

Conforme números do frigorífico Equatorial, em Açailância, abate caiu 18%. Expectativa é que arroba alcance R$ 100 para boi gordo

Entressafra Outro fator que contribuiu para a diminuição no percentual de abate, se comparado ao ano passado, é o período de entressafra, quando os bovinos são negociados com supervalorização, tanto na oferta quanto na procura, fruto da falta de bois, o que ocasiona redução das margens dos frigoríficos e deixa alguns produtores sem animais para a venda.

Segundo ele, a expectativa do produtor é de que a arroba chegue a R$ 100 neste período. Hoje, os pecuaristas maranhenses estão vendendo a arroba do boi por R$ 90, em média. “Com o aumento das tecnologias, do investimento e do aprimoramento de técnicas, têm-se um melhoramento genético. Antigamente se levava quatro anos e meio para se conseguir um boi com 16 arro-

bas. Hoje em dois anos e meio, já se consegue um boi com 20 arrobas”, explica Márcio Morais Silva, comprador de boi do Equatorial. A forma de contornar o período de seca e de alta nos custos pelo frigorífico é investir em confinamentos para manter pelo menos metade dos abates, como forma degarantir as escalas de abate quando o preço do boi dispara no mercado.


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C autela

Foco de aftosa registrado no Paraguai não deve prejudicar pecuaristas maranhenses No dia 15 de novembro começa a segunda etapa da vacinação no Estado. Rebanho regional não registra casos desde 2001 Diário da Fazenda

O

diretor da Agência Estadual de Defesa Agropecuária (Aged), Fernando Lima, assegurou que o Maranhão não sofre riscos em relação ao foco de febre aftosa que foi detectado em fazenda localizada no Paraguai, situada a 150 km da fronteira com o estado brasileiro do Mato Grosso do Sul. O caso foi notificado pelo governo paraguaio à Organização Internacional de Epizotias (OIE). A fazenda de propriedade do presidente da Associação Rural do Paraguai, Silfrido Baumgarten, terá que sacrificar cerca de 819 animais. “O Maranhão não corre riscos de sofrer qualquer influência do fato. Não temos

focos de febre aftosa no estado desde 2001. A doença já foi completamente erradicada dos nossos rebanhos e agora estamos caminhando para o reconhecimento nacional de zona livre de febre aftosa com vacinação até o primeiro semestre do próximo ano”, afirmou Fernando Lima. A partir de 15 de novembro começa a segunda etapa de vacinação no rebanho maranhense. Na primeira etapa – executada nos meses de maio a junho – o estado alcançou o índice de 96,59% de cobertura vacinal, maior já registrado em 10 anos de campanhas oficiais. No planejamento, a Aged está mobilizando, nas 18 regionais no Estado, equipes formadas por médicos veterinários, fiscais de defesa

tiago sampaio

Rebanho maranhense não será prejudicado por conta do foco de aftosa registrado em fazenda no Paraguai, garante Governo

animal, assistentes de defesa agropecuária, técnicos agrí-

colas e auxiliares de campo, abrangendo os 217 municí-

pios maranhenses. (Com informações da Sagrima)

Evento

Empresas do ramo agropecuário participam da 11º edição da Fecoimp Rosana BARROS

Edição 2011 da Fecoimp trouxe também novidades do setor agropecuário. Três empresas do ramo montaram estandes no evento

E

mpresas do setor agropecuário de Imperatriz participaram este ano da 11ª edição da Fecoimp. A empresa Maquisul Comercial Limitada e os laticínios São José e Palate montaram estandes e apresentaram seus produtos e serviços durante os quatro dias de evento, no Centro de Convenções da Associação Comercial e Industrial de Imperatriz (ACII). Este ano a movimentação financeira da Fecoimp tinha como meta ampliar o volume de negócios em 38% com re-

lação ao ano passado. Só para se ter uma ideia do tamanho do evento, em 2010 o valor de negócios acertados ali ultrapassou a casa dos R$ 1,8 milhão. Inclusive, conforme levantamento da Associação, em 2010 montaram estandes na Fecoimp 110 expositores. Já em 2011 foram 200 participantes. Nos últimos dez anos 1.400 expositores participaram da feira trazendo produtos e serviços de diversos setores. No total, 20 Estados já participaram da Feira.

Sucesso Pesquisa realizada com os expositores das feiras de anos anteriores mostrou que 98% deles atribuíram conceitos bastante positivos ao evento. Do total, 68% atribuíram nota 10 à maior Feira Multissetorial do Maranhão; 21% atribuíram nota 9, contra 9% que atribuíram nota 8. Apenas 2% atribuíram nota 7 na avaliação geral. Para esta edição estiveram reunidos representantes do Comércio, Indústria e Serviços.

Ponto eletrônico vai custar pelo menos R$ 3,5 mil a empresários R$ 3,5 mil é o valor mínimo que os empresários terão de desembolsar caso resolvam adotar o Sistema Eletrônico de Ponto (REP). Termina este mês o prazo para as empresas que já usam ou pretendem adotar o recurso se adequarem às exigências da Portaria 1510 do Ministério do Trabalho, que prevê um modelo único para todo o país. Depois deste prazo, quem não estiver de acordo com as orientação estará sujeito às sanções. O consultor Fábio Dutra explica que o empresário que decidir usar o sistema eletrô-

nico de ponto está obrigado a mudar a máquina de registro pelo Sistema REP. “Não há como fazer adequações às maquinas antigas”, justifica. Na sua avaliação, entre as mudanças a mais significativa está a memória do novo sistema, que não permite alterações e gera, diariamente, um recibo de ponto para o funcionário. “É um sistema muito mais transparente. Com ele o empresário fica livre de contestações trabalhistas de ponto e o funcionário também está salvo de possíveis equívocos”, destaca.

Imperatriz vai incentivar plantio de árvores Lançado no fim de setembro pela Secretaria de Planejamento Ur bano e Meio Ambiente (Sepluma), um projeto prevê o incentivo ao plantio de árvores em Imperatriz. O trabalho não tem data para terminar e inicia-se com ações nas escolas. A primeira escola a receber o programa foi o Sesi,

escola com a qual as secretarias desenvolvem o Prêmio Construindo a Nação, programa de nível nacional voltado para o meio ambiente. Para o desenvolvimento do projeto, a Prefeitura de Imperatriz fornece mudas de plantas e, também, proteção, para evitar que sofram depredação.


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E ducação

Formação na área de agrárias é carente na região Apesar de Imperatriz oferecer curso superior no ramo, falta de professores e investimentos técnicos prejudica aperfeiçoamento REPRODUÇÃO

cialmente na área de comércio e serviços, e afirma que formação acadêmica é fundamental para o desenvolvimento do setor. De acordo com Wilson os cursos oferecem aos alunos capacitação para um mercado que abre, cada vez mais, novas possibilidades. “Da última turma de agronomia que formamos, cerca de 60% estão trabalhando com silvicultura na Suzano. Os outros estão em fazendas e lojas de materiais agropecuários”, afirma. Para Wilson a dificuldade na formação para a área de agrárias só está comprometida devido à falta de estrutura oferecida pelos cursos existentes na cidade. Ele afirma que ainda faltam professores e espaços específicos,

como um campus experimental e laboratórios onde os alunos possam colocar em prática o que aprendem em sala de aula. “Temos feito parcerias com órgãos públicos e privados, indústrias e comércios para contornar esta situação. Além disso, estamos aguardando a construção de um centro de agrárias. A verba de quatro milhões é do Governo Federal e o terreno de cinco hectares está localizado ao lado do parque de exposições de Imperatriz. Além dos cursos superiores existem também os cursos técnicos voltados para a área, que são oferecidos na região pelos Institutos Federais do Maranhão e do Tocantins. DIÁRIO DA FAZENDA

Inserção no mercado para novos profissionais do agronegócio é garantido; na cidade são oferecidos cinco cursos nesta área André Wallyson

O

agronegócio é uma das principais molas da economia na região tocantina. Elemento fundamental para a economia brasileira chega a representar cerca de um terço do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, que é a soma de todas as riquezas produzidas pelo país. A capacitação de profissionais nesta área é fundamental para consolidar a atividade, ampliando sua competência para atuar de modo mais eficiente no controle da produção agropecuária. “O setor é abrangente e têm diversas possibilidades em diversos segmentos. Este é um mercado que está longe de ficar

saturado na região”, é o que explica o coordenador do Curso de Zootecnia da Faculdade de Imperatriz (Facimp), Daniel Noal Moro. Segundo Daniel, existe muito mercado para o agronegócio, não só na região tocantina, mas em todo o Brasil, uma vez que o país é, atualmente, o maior exportador de carne do mundo. “Cada dia surgem mais vagas em concursos públicos, fazendas, instituições de nutrição e saúde animal, frigoríficos e, até mesmo, como professores da área. O crescimento do número de lojas de materiais agropecuários tem aberto muitas oportunidades também”, destaca. Daniel diz que o único problema na região é a falta de

professores e em alguns cursos a estrutura necessária para realização de atividades práticas. “Na Facimp temos a maioria dos equipamentos, mas nem todos os cursos tem a mesma realidade”, afirma. Atualmente em Imperatriz existem quatro cursos superiores voltados para a área de agrárias. Além do Curso de Zootecnia da Facimp, na Universidade Estadual do Maranhão (UEMA) são oferecidos os Cursos de Agronomia, Medicina Veterinária e de Engenharia Florestal. Wilson Araujo da Silva, diretor dos Cursos de Agronomia e Engenharia Florestal da UEMA, ressalta que Imperatriz está localizada numa região de grande potencial para o agronegócio, espe-

Coordenador na Facimp diz que mercado para o agronegócio é garantia de emprego


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I nvestimento

Suzano Energia Renovável terá duas fábricas no MA Empresa que vai produzir e comercializar pellets de madeira para produção de energia terá capacidade anual de um milhão de toneladas sidney rodrigues

Maranhão adere a programa de educação no campo O Programa Projovem Campo, destinado à educação de jovens e adultos do campo, será implementado no Maranhão. O programa oferta ensino fundamental

de 5ª a 8ª séries, com qualificação social e profissional para agricultores familiares na faixa etária entre 18 a 29 anos. A meta é atender 72 municípios parceiros agru-

pados por regiões ao longo de todo o território maranhense. A carga horária é de 2.400 horas, distribuída ao longo de dois anos.

MA tem 36 municípios com riscos de desertificação Evento em abril deste ano, no qual foram anunciados outros investimentos

Diário da Fazenda

A

Suzano Energia Renovável, empresa da Suzano Papel e Celulose que vai produzir e comercializar pellets de madeira para produção de energia, terá duas fábricas no Estado do Maranhão. Segundo o presidente da companhia, André Dorf, a terceira unidade fabril prevista no primeiro ciclo de implantação da Suzano Energia Renovável também deverá ficar no Nordeste. O anúncio foi confirmado no último dia 3 de outubro, com a assinatura de um protocolo de intenções com o governo do Maranhão, com previsão de aportes de R$ 1 bilhão. O montante é referente a duas das três unidades fabris previstas na primeira fase da Suzano Energia Renovável, que se encerra em 2014. Num segundo momento, que se estende até 2020,

serão erguidas outras duas fábricas. Cada uma das unidades do Maranhão terá capacidade instalada para 1 milhão de toneladas anuais de pellets de madeira, que serão exportados, especialmente para a Europa. A escolha daquele Estado, conforme Dorf, levou em conta a disponibilidade e o preço da terra e a infraestrutura logística, entre outros fatores. “Em termos de transporte, economizamos cinco ou seis dias de frete marítimo em relação ao Sudeste”, conta. A companhia está construindo uma fábrica de celulose branqueada de eucalipto em Imperatriz, no Maranhão, cujas operações serão iniciadas no fim de 2013. Para a Suzano Energia Renovável, já foi comprada área para plantio de florestas suficiente para abastecer mais de uma fábrica.

Estudos técnicos do do Instituto Maranhense de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Imarh) apontam que 36 municípios do Maranhão possuem características de entorno de semiárido.

De acordo com dados, duas cidades estão em situação mais preocupantes, por atendem aos requisitos de semiárido no Maranhão: Loreto e Grajaú. O Governo do Estado quer implementar ações de

combate a desertificação do municípios maranhenses. O assunto foi debatido na 5ª Oficina de Consulta Pública do Programa Estadual de Combate à Desertificação no Maranhão (PAE/MA).

Imperatriz tem novo Conselho Rural No fim do mês passado a Prefeitura de Imperatriz empossou os novos membros do Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural Sustentável. O órgão tem a finalidade de atuar junto às políticas públicas da área rural e da questão ambiental.

Com a eleição, as questões referentes à Secretaria de Agricultura, Abastecimento e Produção (Seaap) vão passar pelo conselho, que deverá fiscalizar as ações da pasta. Os conselheiros empossados foram Juan Alfonso Rodrigues (presidente),

Josimar Barros Ferreira (vice-presidente), Emanuel Geraldo Carneiro (secretário), Lourdes Dias Paiva (conselho fiscal), Carlos Fernando Santos (conselho fiscal), Edevan Conrado (suplente) e Agamenom Abrantes (suplente).

Cultivares da Embrapa indicadas para safra 2011-2012 Quatorze cultivares de feijão-caupi desenvolvidas pela Embrapa Meio-Norte em parceria com outras Unidades da instituição, estão sendo indicadas para a safra 2011/2012, no Piauí e Maranhão. A indicação é do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, através do zoneamento agrícola, que aponta a lista dos municí-

pios aptos para o plantio nos estados. As cultivares indicadas, todas com produtividade média acima de uma tonelada por hectare e ciclos que vão de 65 a 75 dias, são as seguintes: BRS Tumucumaque, BRS Mazagão, BR14 Mulato, BRS Aracê, BRS Juruá, BRS Pajeu, BRS Paraguaçu, BRS Potengi, BRS Rouxinol, BRS Xiquexique,

BRS Guariba, BR17 Gurguéia, BRS Maratoã e BRS Monteiro. O zoneamento agrícola para a cultura do feijão-caupi na safra 2011/2012, com a lista dos municípios do Piauí e Maranhão, aptos à produção e os períodos adequados à semeadura, estão disponíveis nas portarias 364 e 365, do Diário Oficial da União, do dia 20 de setembro.


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S oja

Vazio Sanitário em Imperatriz termina este mês Ação tem como objetivo impedir a proliferação da ferrugem asiática em plantações de soja, quebrando o ciclo de vida da doença REPRODUÇÃO/EMBRAPA

Diário da Fazenda

T

ermina no dia 15 deste mês o período do Vazio Sanitário para os produtores de soja de Imperatriz. A cidade foi incluída no primeiro período juntamente com as microrregiões do Alto Mearim, Grajaú, Balsas e Porto Franco. Já o segundo período, que vai de 15 de setembro a 15 de novembro, abrange a Baixada Maranhense, Caxias, Chapadinha, Codó, Coelho Neto, Gurupi, Itapecuru Mirim, Pindaré, Presidente Dutra e Rosário, além de Paço do Lumiar, Raposa, São José de Ribamar e São Luis O Vazio Sanitário foi instituído pela Agência Estadual de Defesa Agropecuária (Aged), com o objetivo de impedir a proliferação da ferrugem asiática em plantações de soja, quebrando o ciclo de vida da doença. Para isso, é proibido o plantio em um espaço de dois meses durante a entressafra do grão. Dividindo o Maranhão em

duas microrregiões, os fiscais de defesa vegetal da Aged fazem vistorias e levam informações sobre a portaria nº 638 do órgão, que instituiu o período e visa à proteção da agricultura praticada em território maranhense. Para o fiscal de defesa vegetal da Aged, Hamilton Cruz, os produtores perceberam a importância do Vazio Sanitário com o trabalho de conscientização informativa realizado pela agência. “O trabalho de orientação durante o Vazio Sanitário ganhou a parceria dos produtores. Eles perceberam, ao longo dos anos, que essas ações preventivas contribuem para o sucesso e produtividade das lavouras”, acredita. Caso seja encontrado o fungo da ferrugem asiática, o produtor é autuado e orientado a destruir a plantação de duas formas: mecanicamente ou aplicando herbicida - produto químico para erradicar a doença do solo e impedir que ela se prolifere para regiões vizinhas.

Focos Segundo o site do Consórcio Antiferrugem - uma parceria público-privada para combate a ferrugem asiática da soja, durante a safra 2006/2007, devido a alterações climáticas, foram encontrados 172 focos da doença interior do Maranhão. Com a adoção do Vazio Sanitário, aliado a medidas preventivas dos produtores de soja e ações de inspeção, houve uma redução considerável, sendo registrados 38 casos nas safras seguintes, de 2007 a 2010. A Ferrugem da Soja, conhecida como Ferrugem Asiática, é uma doença causada por fungos que prejudicam a fotossíntese da planta. Os sintomas se manifestam nas folhas através de pequenos pontos marrons, dando a aparência de ferrugem. Em estágios mais avançados a plantação perde a folhagem, evitando a completa formação dos grãos e, consequentemente, causa prejuízos à produção. (Com informações da Aged)

Ferrugem da soja é causada por fungos que prejudicam as folhas e atingem os grãos


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Outubro 2011

Mercado

Notas nacionais

Recordista mundial de produção tira 51,2 kg de leite/dia A Grande Campeã Nacional do Gir Leiteiro 2011, a fêmea Fécula FIV Mutum, é a nova recordista mundial de produção em concurso leiteiro. A marca foi quebrada em evento realizado na 2ª Exposição Regional de Gir

Leiteiro de Luziânia (GO). Ela é filha de CA Sansão na doadora Palma F. Mutum. A produção que valeu o título mundial foi de 156.680 kg de leite, que correspondem, em média diária, a 51.227 kg de leite.

Exportações do agronegócio atingem US$ 88,3 bilhões Este número representa crescimento de 24,8% em relação ao ano anterior REPRODUÇÃO

Taxa de desfrute da pecuária brasileira chega a 22% A taxa de desfrute (percentual do rebanho total que vai para o abate anualmente) da pecuária brasileira nunca foi tão elevada, alcançando a média de 22%. Mesmo assim, para o zootecnista Marcos Baruselli, da Tortuga, os números são apenas razoáveis. Países vizinhos, como Argentina e Uruguai, têm taxas superiores a 30%. Segundo ele,

em 2010, o Brasil só forneceu 8% das 5 mil toneladas da chamada Cota Hilton, programa de compra de carne de alta qualidade da União Europeia. Enquanto isso, Uruguai e Austrália cumpriram suas metas. A Argentina só não cumpriu sua cota pela restrição às exportações de carne definidas pelo governo em 2010.

Produção de carne bovina deve dobrar até 2050 Segundo a FAO, órgão da ONU ligado à agricultura e alimentos, a produção de carnes terá que dobrar até 2050 para atender a crescente demanda mundial. O assunto foi debatido no Encontro 2011 da Pecuária Eficiente, realizado pela Phibro e Grupo Nelore Qualitas, em Goiânia (GO). No evento, ficou claro que para o Brasil explorar ao máximo essa oportunidade, a pecuária precisa acelerar

a adoção de tecnologias que aumentem a produtividade. De acordo com o levantamento apresentado na conferência, apenas 10% do atual contingente de produtores rurais estão atualizados com as modernas técnicas de gestão empresarial. O desafio da próxima década será justamente o de elevar estes índices atuais por meio da difusão de informações técnicas e tecnologias na forma de insumos.

Ministério da Fazenda adota medida para conter importação Conselho Monetário Nacional (CMN) decidiu que todas as linhas de crédito de investimentos do Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf) só poderão ser usadas para importação de máquinas e equipamentos agrícolas que tiverem um mínimo de 60% de conteúdo nacional, como definido pelo BNDES e o Finame Agrícola. Com a mudança nos financiamentos para aquisições de máquinas e equipamentos novos com recursos de qualquer linha de crédito do Pronaf, o governo limita as compras a produtos nacionais. A linha Pronaf Investimento, cujo orçamento para esta safra soma R$ 1,1 bilhão, emprestou R$ 82

milhões desde julho deste ano em mais de 1.444 operações. Apesar do faturamento deflacionado do setor de máquinas brasileiro ter atingido R$ 45,8 bilhões no período de janeiro a julho de 2011 o resultado continua 2,6% abaixo do desempenho alcançado nos sete primeiros meses de 2008, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). Além dessa medida, o CMN autorizou o financiamento de máquinas e equipamentos usados de até R$ 30 mil e que tenham, no máximo, sete anos de uso, além de certificado de garantia ou laudo atestando o seu “bom estado”.

Soja foi o produto mais exportado no período. Oleaginosa ajudou as exportações do agronegócio baterem recorde nacional em 2011

A

s exportações do agronegócio brasileiro nos últimos 12 meses (setembro/2010 a agosto/2011) alcançaram mais um recorde de valor, atingindo a cifra de US$ 88,3 bilhões. O resultado significou crescimento de 24,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. Segundo o secretário de Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Célio Porto, os recordes de exportação devem ser mantidos até o fim do ano. O resultado positivo levou ao aumento do superávit comercial que chegou a US$ 71,9 bilhões no acumulado dos últimos 12 meses. Em relação aos principais destinos das exportações brasileiras, a China apresenta importância crescente. O

país asiático foi o destino de 15,3% de todas as exportações do agronegócio brasileiro no acumulado dos últimos 12 meses (US$13,5 bilhões). Também tiveram crescimento positivo o Japão (50,1%), a Arábia Saudita (41,3%) e a Espanha (41,1%). A Ásia permanece como destaque em relação aos blocos econômicos para onde se destinam as exportações brasileiras, com participação de 29,9% no último ano. A União Europeia ficou em segundo lugar, com 26,7%, e o Oriente Médio, em terceiro, com 9,8%. Os produtos mais exportados no período foram o complexo soja, com exportações totais de US$ 21,5 bilhões, e o complexo sucroalcooleiro, com vendas de US$ 15,6 bilhões e uma variação positiva

de 28,2% quando comparados com os números do ano anterior. As carnes aparecem na terceira posição, com o valor exportado de US$ 14,8 bilhões e um crescimento de 12,1% no último ano. O café (63,1%), os cereais, as farinhas e preparações (127,7%) e os sucos de fruta (41,1%) também tiveram resultados expressivos de exportações no acumulado dos últimos doze meses.

Agosto No que se refere ao mês de agosto, houve um incremento de 34,7% em comparação ao mesmo mês de 2010. Só nesse período, as exportações atingiram US$ 9,8 bilhões, resultando em superávit de US$ 8,3 bilhões, em agosto. (Com informações do Painel Florestal)

Ônus

Insumos fazem aumentar custo da pecuária

O

s pecuaristas gastaram mais com suplementação mineral, adubos e corretivos e vacinas, em especial a de aftosa. O Custo Operacional Total (COT) e o Custo Operacional Efetivo (COE) apresentaram alta de 1,65% e 0,97%, respectiva-

mente, no mês de maio, elevação influenciada pelo preço dos insumos. A informação consta no boletim “Ativos da Pecuária de Corte”, divulgado pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). De acordo com o boletim, a participação da suple-

mentação mineral nos custos totais do produtor, no mês de maio, foi de 19,41%, considerando os 10 estados pesquisados pelo Cepea. Alguns estados, como Goiás, São Paulo e Tocantins, registraram aumento de 7,77%, 7,01% e 6,25%, respectivamente.


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Outubro 2011

E m discussão

MA debate criar lei estadual sobre novo código Objetivo do estudo é identificar as potencialidades do Maranhão sem ameaçar os recursos naturais diário da fazenda

A

ntes mesmo da implantação do Novo Código Florestal brasileiro o Maranhão já começa um estudo técnico que vai dar embasamento para que o Estado elabore seu código florestal, adequado ao nacional, e que vai contribuir, por exemplo, para identificar onde é possível reduzir as reservas legais, sem prejudicar o meio ambiente. O estudo recebeu o nome de ZEE (Zoneamento Ecológico-Econômico) e está sendo elaborado pelo governo estadual, sob a coordenação da

Secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão (Seplan) com o objetivo de identificar as potencialidades do Maranhão, seus desafios e ameaças com o uso dos recursos naturais. O estudo vai também contribuir para orientar o planejamento de políticas públicas voltadas para as áreas social, econômica e ambiental. “Esperamos que o ZEE seja concluído ainda este ano, pois ele será de fundamental importância para que possamos planejar nossas ações”, afirmou o secretário adjunto da Sagrima, Raimundo Coelho de Sousa.

Programa propõe financiamento para o novo Código Florestal Um novo programa de crédito e incentivos fiscais à preservação do meio ambiente está sendo costurado pelo relator do projeto do novo Código Florestal, senador Luiz Henrique da Silveira (PMDB-SC). Será incluído na redação da proposta, já aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado, quando a matéria for apreciada pelas comissões de Agricultura e Meio Ambiente antes de ir ao plenário. O parlamentar adiantou ao DCI que a nova política de financiamento ambiental envolverá crédito e incentivos fiscais para a recuperação, florestamento e manutenção da vegetação. Ele quer também recuperar o que seria a última experiência de renúncia fiscal para reflorestamento promovida pelo governo federal em 1966.

De acordo com o relator, a proposta em análise envolverá temas da atualidade ligados à preocupação com a preservação do planeta. É o caso do crédito de carbono, que são certificados emitidos por agências de proteção ambiental que autorizam especialmente os países mais poluidores a emitir toneladas de dióxido de enxofre, monóxido de carbono e outros gases poluentes, em troca da preservação ambiental em outras partes do planeta.

Pínus e espécies nativas O programa prevê, também, que empresas responsáveis por ações ou projetos de florestamento ou reflorestamento teriam compensação no pagamento de impostos. A proposta permite a pessoas físicas e jurídicas apliquem re-

cursos em projetos desse tipo em propriedade rural familiar. De acordo com a proposta (PLS 249/11), as deduções para pessoa física se limitam a 6% do imposto devido. Para pessoa jurídica, serão autorizadas deduções de até 4% do imposto devido, mas os valores apurados deverão ser considerados para cálculo da Contribuição Social sobre Lucro Líquido. Ainda de acordo com o projeto, o incentivo fiscal será concedido mediante contrato entre o proprietário do imóvel e o declarante do imposto de renda devido. O contrato deverá conter, entre outras informações, a obrigatoriedade de apresentação, por parte do responsável pela assistência técnica, do projeto detalhado de florestamento ou reflorestamento do imóvel. (Com informações do MAPA)


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S anidade

reprodução

Imperatriz vai ganhar laboratório de DNA animal Foco inicial é o diagnóstico de doenças regionais Diário da Fazenda

E

m breve o produtor rural do sul do Maranhão não precisará mais enviar o material genético do seu rebanho para os grandes centros do Sul e Sudeste do País para diagnosticar prováveis moléstias ou mesmo conferir a paternidade do animal. Até o fim do ano deve ser inaugurado o primeiro Laboratório de Biologia Molecular Animal de Imperatriz. O centro de pesquisas está sendo montado na Facimp (Faculdade de Imperatriz) e tem apoio técnico do professor da UFMA (Universidade Federal do Maranhão) e doutor em biologia

molecular, Marcelo Soares dos Santos. Conforme explica o professor, inicialmente o projeto tem como foco diagnósticos de doenças como a tuberculose bovina e outras moléstias do boi e também de caprinos, mas no futuro poderá, inclusive, ampliar a atuação e, quem sabe, promover a certificação animal aqui mesmo. “Vamos começar pequenos, com um ou dois diagnósticos, mas no futuro, se houver os investimentos necessários podemos, sim, pensar em oferecer a certificação para os produtores. O material humano qualificado já temos, mas é preciso investimento em equi-

Certificação do gado é uma das possíveis atividades que o laboratório poderá, no futuro, oferecer ao produtor rural da região

pamentos”, adianta Santos. Segundo ele, hoje, mesmo com a internet agilizando as relações comerciais, uma análise de material genético animal que é enviada para outras regiões do País pode levar semanas. “Demora muito, se tivermos o laboratório funcionando aqui podemos ter o resultado muito mais rápido e o atendimento

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será mais eficiente”, comenta. O primeiro passo já foi dado e, segundo Santos, a equipe, inclusive, já começou um levantamento para descobrir quais as doenças que acometem com mais freqüência o rebanho regional. Como explica o professor, a proposta do laboratório é atender as necessidades do

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produtor sul maranhense, inclusive os pequenos. “Temos muitos problemas de ordem genética nos rebanhos dos pequenos produtores, em particular por conta do endocruzamento, ou seja, cruza entre parentes”, exemplifica. O prédio do laboratório já está em construção e deve iniciar as atividades em 2012.

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Outubro 2011

P olítica pública

Dez mil famílias começam a receber apoio para agricultores em situação de pobreza Mais de 43 mil agricultores familiares do Nordeste e do norte de Minas começam a receber, a partir de outubro, sementes da Embrapa Diário da Fazenda

Dois territórios da cidadania da Bahia e um de Minas Gerais são os primeiros a serem atendidos pela estratégia de inclusão produtiva, um dos principais vetores do Plano Brasil sem Miséria no Campo. Os territórios da cidadania são grupos que apresentam o menor Índice de Desenvolvimento Humano do País. Dez mil famílias agricultoras com renda mensal inferior a R$ 70 por pessoa começaram

a receber visitas de técnicos. A meta deste ano é atender mais 25 mil famílias do norte de Minas e Nordeste. O objetivo é chegar a 253 mil famílias até 2014. Os agricultores receberão sementes produzidas ou certificadas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e terão apoio de R$ 2,4 mil, a fundo perdido, para reestruturar a produção. De acordo com o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), entre 2003 e 2010,

4,8 milhões de brasileiros que vivem no meio rural saíram da situação de pobreza, principalmente em função do aumento da renda gerada pelo trabalho na agricultura familiar, segmento que responde por 74% das pessoas ocupadas no campo. A estratégia inclui, ainda, programas de compra da produção agrícola pelos setores público e privado.

Áreas prioritárias A área rural é uma das prioridades do Brasil Sem Miséria.

No campo, estão 47% dos 16,2 milhões de brasileiros extremamente pobres. O Nordeste concentra 66,5% da população rural brasileira em situação de extrema pobreza com mais de cinco milhões de agricultores.

Sementes chegam a 43 mil agricultores neste ano Mais de 43 mil agricultores familiares do Nordeste e do norte de Minas começam a receber, a partir de outubro, sementes da Embrapa. Cada família receberá um saco de 10kg de

sementes de milho, 5kg de feijão e um kit de hortaliças, além de material com orientações sobre o plantio. Também serão fornecidas minibibliotecas da Embrapa e o programa de rádio Prosa Rural. Ao todo, a Embrapa vai fornecer 2.365 quilos de sementes (quiabo, pepino, cenoura, cebolinha, tomate, repolho, alface, coentro e couve) desenvolvidas pelos programas de melhoramento. Em 2012, as famílias recebem as sementes de feijão (100 mil kg) e milho (50 mil kg).

Programa Água para Todos vai atender 250 mil famílias no MA

C

erca de 250 mil famílias maranhenses serão contempladas com o Programa Água para Todos. A operacionalização das ações do programa foi discutida no início do mês durante a Oficina de Apresentação do Programa Água para Todos no Maranhão realizada pela Secretaria da Agricultura, Pecuária e Pesca (Sagrima). O secretário de Agricultura, Pecuária e Pesca, Cláudio Azevedo, informou que o Termo de Adesão do Maranhão ao programa deve ser assinado, ainda, em outubro pela governadora Roseana Sarney. “A Sagrima é a coordenadora estadual do programa que deve ser implantado este ano, com a

construção inicial de 4.320 cisternas”.

Programa O Água para Todos é um programa do Governo Federal que faz parte do Plano Brasil sem Miséria e é realizado em parceria com os estados. O objetivo é o de levar água para o consumo humano e também para a produção agrícola das famílias que vivem em extrema pobreza, com renda familiar de até R$ 140,00 e que estejam inseridas no Cadastro Único dos programas sociais do Governo Federal. Numa primeira etapa serão construídas cisternas e sistemas simplificados coletivos para consumo humano. A segunda etapa do pro-

grama prevê a construção de cisternas de produção, aproveitamento e ou construção de poços e barramentos com excedente hídrico, dessalinizadores, construção de pequenas barragens e insta-

“O objetivo é levar

água para o consumo humano e também para a produção agrícola”

lação de kits de irrigação. O representante do Ministério da Integração Nacional, João Maria, ressaltou

que a parceria com os estados é muito importante porque eles é que identificam as famílias que receberão os projetos. “Vamos fortalecer essa parceria de inclusão social, pois a presidente Dilma Roussef afirmou que é inaceitável que o Brasil seja a 11ª economia do mundo e tenha tanta desigualdade social”, ressaltou João Maria. O coordenador Nacional do Programa Água para Todos, Carlos Hermínio Oliveira, informou que o programa está sendo realizado inicialmente nos estados de Alagoas, Sergipe, Bahia, Pernambuco, Piauí, Maranhão e na Região Norte de Minas Gerais, ou seja, nos estados de atuação da Companhia Nacional de Desenvolvimen-

to do Vale do São Francisco (Codevasf). “O secretário Cláudio Azevedo nos procurou em Brasília para inserir o Maranhão nesta primeira etapa do programa. No próximo ano iremos lançar o Água para Todos em outros estados do Brasil”, afirmou o coordenador. O programa Água para Todos será realizado em todo o país, no período de 2011 a 2014. O governo federal está destinando aproximadamente R$ 3,5 bilhões para o investimento no abastecimento de água para consumo e R$ 560 milhões para projetos produtivos para agricultura irrigada familiar, pecuária, piscicultura e arranjos produtivos locais.

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Outubro 2011

O Berrante é um informativo mensal do:

REPRODUÇÃO

Criação de búfalos para bacia leiteira pode incrementar produção no MA Rebanho bubalino atual é de 60 mil cabeças, sendo o terceiro do Nordeste Diário da Fazenda

Os criadores de búfalo maranhenses podem implementar os seus negócios a partir do ano que vem. Uma parceria entre a Associação de Criadores e o Sebrae estuda a revitalização da cadeia da bubalinocultura no Estado, voltada para o desenvolvimento da bacia leiteira. A proposta é desenvolver a bacia leiteira do búfalo a partir de 2012. As articulações institucionais e o estudo de viabilidade do projeto já começaram.

No Maranhão, o rebanho bubalino atual é de 60 mil cabeças, sendo o terceiro maior do Brasil e o primeiro do Nordeste. Em tempos passados, esse número foi maior, ultrapassando a casa de 150 mil cabeças. O Estado possui, ainda, particularidades ao seu favor para a criação do búfalo, principalmente na Baixada Ocidental Maranhense e Médio Mearim: clima propício, abundância de água e um solo que favorece pasto de qualidade. Em 27 municípios des-

sas duas regiões, concentrase a maioria do rebanho do Estado – com destaque para Viana, Penalva e Cajari. Francisco Veloso, empresário e maior criador de búfalos do Rio Grande do Norte e que acaba de estruturar a filial do seu laticínio no município de Santa Inês, ressalta que o Maranhão poderá figurar como uma das maiores bacias leiteiras do País, senão a maior. “Para isso, é necessário ordenar a produção, trabalhar o melhoramento genético dos animais e adequar

Criadores de búfalo maranhenses podem implementar negócios a partir de 2012

novas tecnologias no manejo”, aponta. O leite de búfala contém maior teor de proteína e gordura e menos água que o leite de vaca, o que favorece a

produção de derivados. Queijos diferenciados, mantas e a famosa mussarela de búfala têm lugar garantido no mercado do Centro-Sul do País e no exterior.


FOTOS: ANTONIO WAGNER

Fazenda Chaparral: A introdução do Nelore em Imperatriz Diário da Fazenda

“V

inha gente de longe para ver o boi branco”. Aos 76 anos, Osmar Teixeira do Amaral Brito ainda tem muito claro na memória o dia que comprou o primeiro plantel com dez animais da raça Nelore e abriu, literalmente, as porteiras de Imperatriz para o rebanho mais tradicional da pecuária no Sul do Maranhão. “Era 1978 quando conheci a raça numa exposição e resolvi trazê-la para o sítio. Fui o primeiro produtor da cidade a investir no Nelore”, garante. O sítio a que seu Osmar se refere é hoje a Fazenda Chaparral, uma propriedade que ocupa uma área de 7,5 mil hectares, cortada pela BR Belém-Brasília e que se subdivide em três sedes. Ao todo 40 funcionários se revezam no cuidado com a terra, que tem 10 mil cabeças de gado, todas fruto de inseminação artificial, com uma saída anual de dois mil animais. “Cheguei onde queria chegar”, comenta.

Ousadia O sucesso na fazenda foi resultado de muito trabalho e coragem. Nascido em Boa Sorte, no interior de Goiás, ele foi um dos 196 habitantes do município que deixou o vilarejo para mudar seu destino. De lá para cá, o menino Osmar trilhou um caminho glorioso. Aos

14 anos deixou para trás a terra simples que vivia com o pai – “só tinha um curral e quatro vacas leiteiras”, lembra – para nas pouco mais de sete décadas de existência ter acumulado a direção de exatas 24 empresas, de ramos diferentes, incluindo exportação de produtos para Europa, indústria e comércio. Hoje o grupo Chaparral, que começou com seu Osmar e segue com o trabalho dos quatro filhos, inclui empresas do ramo automobilístico, imobiliário e agropecuário no Maranhão e em outros Estados. “Imperatriz surgiu no meu destino por acaso, hoje, não tem um único mês que deixo de vir aqui acompanhar os trabalhos da fazenda”, admite.

Renovação Foi em 1958 que Imperatriz cruzou o destino de seu Osmar. Na época ele trabalhava em São Paulo comercializando, entre outras coisas, peles de animais para o exterior. “Imperatriz era um ponto de recebimento desses animais”, lembra. Nessas idas e vindas à cidade, depois de muita insistência, resolveu comprar o primeiro lote de terras que um dia se tornaria a fazenda Chaparral. Eram 1.080 hectares. “Comprei mato bruto. Comprei para pensar no futuro”, diz. Mas aos poucos o que era para ser só um investimento a longo prazo se tornou uma paixão. “Fui conhecer fazendas

em São Paulo, depois no Texas e resolvi fazer pastagem e criar gado. Descobri que gostava. Foi uma renovação na minha vida”, diz. A fazenda foi o estímulo que seu Osmar precisava. Naquele momento ele tinha se desligado da fábrica de óleo de babaçu que mantinha com parentes e não sabia bem onde investir. Outra vez foi aprender mais sobre o ofício. “Eu não sabia de fazenda, como não sabia de muitos negócios que comecei. Eu sempre busquei estudar, conhecer sobre os ramos que investi”, explica. Aprendeu, mas também ensinou. Enquanto os produtores em Imperatriz ainda faziam o trabalho na base do machado, ele trouxe para a cidade o primeiro trator-esteira. “Custou 105 não sei que moeda. Mas era bastante dinheiro”, relembra. A partir daí foi comprando terras ao redor da sede e investindo cada vez mais. Hoje, além do plantel bovino, dedica-se à

piscicultura. Atualmente os açudes da fazenda mantêm uma média de 50 mil alevinos. Só em 2011 foram comercializados 25 mil quilos de peixe. A fazenda também sustenta um lago de um quilômetro e 30 mil m² de lâmina d’água onde são criados patos e gansos. Entre os animais curiosos da sede, 18 pavões, que vieram do Piauí, embelezam o lugar, que, por sinal, é de um cuidado impressionante. As casas ao redor são todas com acabamento em azulejo, a entrada tem uma cobertura florida, há flores e grama por toda a sede. “Realmente tenho prazer em cuidar daqui”, diz.

Investimento Apesar de frisar que hoje a fazenda é um hobby e que não pretende mais fazer novas investidas, o local não para de crescer. Ali seu Osmar mantém uma escola para os filhos dos funcionários e crianças da redondeza. São 42 alunos. Em

parceria com a Prefeitura ele espera, também, montar, em breve, um posto de saúde para atender à comunidade. Há também uma capela onde são realizadas missas e casamentos. Na agenda de eventos da fazenda mantém a tradicional festa em homenagem à Nossa Senhora da Conceição. Este ano o festejo está marcado para acontecer de 29 de novembro a 8 de dezembro. “É uma homenagem à padroeira da cidade onde eu nasci”, explica. Abençoada pela santa e com uma história que parece de cinema a fazenda Chaparral é um exemplo de prosperidade. “Quando vinha para Imperatriz via o nome das fazendas, todos tinham nomes de santo. Achava isso muito comum. Como sempre gostei de filmes de foroeste me inspirei nessas histórias para nomear a fazenda”, diz. O roteiro foi muito bem escolhido e seu protagonista hoje admite: “Sou sim uma pessoa de muita sorte”.


Participe do

Grande Leilão

Boi Branco Dia 29/10/2011 - Sábado às 11 h da manhã - Estreito/MA - ATR Leilões

Serão ofertados cerca de 5.000 animais para reposição de alta qualidade


Jornal Diário da Fazenda – Edição 05