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Maio de 2012 | Ano II | nº 10

O dia a dia do produtor rural

www.diariodafazenda.com.br | Imperatriz/MA

JBS-Friboi arrenda frigorífico Frisama em Açailandia O grupo JBS - gigante mundial do setor de carne bovina arrendou a unidade frigorífica

do Frisama de Açailândia e deve começar a operar imediatamente. A notícia divide opiniões entre os

produtores da região: de um lado, alguns estão apreensivos quanto à possibilidade de maior concen-

tração no setor da carne, o que pode refletir em menores preços do boi; do outro lado, aqueles

que apostam em maior profissionalização do setor, em função da seriedade do grupo. Páginas 3.

dia de campo FOTOS: DIEGO LEONARDO BOAVENTURA

Dia de Campo em Açailândia marca novo momento do agronegócio no sudoeste do MA O dia de campo realizado em 19 de maio na Fazenda Bola Branca, de

propriedade do pecuarista Franciscano, mostrou o bom momento que vive

o setor no sudoeste do Maranhão, com grandes investimentos na cultura de

milho e soja, com integração lavoura-pecuária. página 8

Produção

Minha Fazenda

Aftosa

Cultivo de banana cresce na região

Serra Quebrada é referência em aves

Adiada campanha de Sinrural lança a 44ª vacinação do MA edição da Expoimp

Estudo aponta o MA com condições favoráveis para o plantio da cultura.

Fazenda tem como foco a criação do galo índio gigante em Buritirana (MA).

Novo período será de 1º a 30 de junho, em função do calendário da sorologia.

página 9

página 11

Largada

página 6

Evento marcou apresentação dos leilões, shows e atrações da feira em 2012.

página 5


02

Maio 2012

E ditorial

Expediente

Jornal Diário da Fazenda Ano II, Edição 10, Maio de 2012 Mensal. Distribuição Dirigida. Tiragem: 2 mil exemplares Imperatriz, Maranhão. Uma publicação mensal da

Profissionalização da pecuária D

epois de acompanhar por anos o mercado pecuário em regiões onde o JBS-Friboi atua fortemente, como em Campo Grande (MS), não resta dúvida que o arrendamendo anunciado na página 3, da unidade de Açailândia pelo grupo, deve sim provocar maior profissionalização do setor da carne no Maranhão, uma vez que

diariodafazenda@gmail.com (99) 8111.1818/9113.6191 www.diariodafazenda.com.br Textos e Fotos Equipe Diário da Fazenda Antonio Wagner Diego Leonardo Boaventura Conselho Editorial Marco A. Gehlen - Jornalista - MTB 132-MS Diego Leonardo Boaventura - Jornalista Sindicato Rural de Imperatriz Identidade Visual Luciana Souza Reino Editoração gráfica, edição e revisão Equipe Diário da Fazenda Distribuído e apoiado por Maná Expresso e Sindicato Rural de Imperatriz Participe do Diário da Fazenda Envie sua sugestões de pauta, de entrevistas e artigos para:

diariodafazenda@gmail.com

cotações locais mais volúveis às variações dos mercados globais. Por hora, é torcer para que o grupo mantenha em atividade os frigoríficos arrendados no MA e Pará e que possa ser um aliado de peso na busca pelo status de zona livre de Febre Aftosa, o que liberará as exportações de carne bovina maranhense a outros países.

Código Florestal

Eventual veto de Dilma manterá impasse

M Contatos:

JBS é o maior do mundo do segmento e não alcançou tal posição por acaso: é eficiente e mantém seriedade na relação com os pecuaristas. No entanto, em entrevista já ouvimos de um dos diretores do grupo que os valores pagos pelo boi seguem os preços internacionais e de mercado, ora crescentes, ora em baixa, colocando as

esmo depois de mais de dez anos de tramitação, o texto do Código Florestal, aprovado no fim de abril na Câmara dos Deputados, é alvo de críticas por parte de ambientalistas, ruralistas e até pela cúpula do governo federal. A presidente Dilma Rousseff é pressionada agora por todos os lados para vetar o texto que passou pelo Plenário. Ela tem 15 dias úteis para tomar uma decisão, contados a partir do dia em que o texto chegar ao Executivo, o que ainda não aconteceu. Ainda que Dilma con-

firme as expectativas e vete o texto, na íntegra ou parcialmente, a discussão em torno da reforma do código deve aumentar ainda mais. Pelo lado dos ambientalistas, que votaram contra o Código desde o começo, a promessa é pressionar para que a discussão comece do zero novamente, como diz o deputado federal Ivan Valente (PSOL-SP).

Ambientalistas X ruralistas São vários os pontos do textobase que separam os ruralistas dos

ambientalistas no Congresso. Mas, a obrigatoriedade de reflorestar 15 metros de vegetação na margem de rios de até 10 metros de largura é uma das principais polêmicas. Parte dos deputados defende que é impossível exigir que um pequeno proprietário cumpra a regra, caso tenha um pequeno córrego em sua propriedade. A presidente Dilma Rousseff terá até o final deste mês para se definir sobre o tema, pois o prazo de 15 dias úteis conta a partir da chegada do texto, informou a Casa Civil.

Investimento

Parceria fomenta Integração Lavoura-Pecuária-Floresta

A

Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) assinou com a John Deere um termo de cooperação técnica para a Rede de Fomento à Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF). Os investimentos da companhia serão de R$ 2,5 milhões, em um período de cinco anos Segundo Alfredo Miguel Neto, diretor de Assuntos Corporativos para América Latina, a participação da John Deere no projeto vem ao encontro da missão da companhia em oferecer tecnologias produtivas

e sustentáveis à agricultura brasileira. “Diante do aumento da demanda global por alimentos, a John Deere trabalha na busca de tecnologias e sistemas agrícolas que permitam aos produtores obter maior produtividade, sustentar o crescimento da agricultura e preservar os recursos naturais”, comenta. A Rede de Fomento é um conjunto de instituições privadas dispostas a dar apoio ao programa iLPF, contribuindo com a gestão, mediante análise e aprovação dos projetos e atividades que serão financiadas com esses recursos. O ali-

nhamento conceitual está estabelecido no documento intitulado Marco de referência para o Sistema Integração Lavoura-Pecuária-Floresta.

Conceito iLPF Integração Lavoura-Pecuária-floresta (iLPF) é um conceito de manejo agrícola que busca uma produção sustentável, integrando diversas atividades agrícolas, pecuárias e florestais numa mesma área, em cultivos consorciados, em sucessão ou rotação.


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Maio 2012

C arne

Grupo JBS-Friboi arrenda frigorífico em Açailândia Em 2007, o JBS consolidou-se como a maior empresa do mundo no setor de carne bovina, com a aquisição da Swift & Company Diego Leonardo Boaventura

O

grupo JBS-friboi - gigante mundial do setor de carne bovina - adquiriu, por meio de um arrendamento, a operação do Frisama Frigorífico Açailândia. Os produtores da região estão apreensivos e se perguntam se a vinda desta grande empresa expandirá o setor, trazendo segurança aos negócios, ou irá acarretar redução no preço do boi. No entanto, a expectativa é que o JBS possa profissionalizar e melhorar o setor de carne no Maranhão que, há muito tempo, passa por dificuldades. No total, o grupo JBS adquiriu quatro novas plantas, sendo uma no Maranhão, em Açailândia, e outras três no estado do Pará, nas cidades de Altamira, Eldorado dos Carajás e Novo Repartimento. Essa última ainda está em fase de construção. Recentemente, o presidente do Sindicato Rural de Imperatriz (Sinrural), Sabino Costa, recebeu uma

visita de representantes da empresa que, na ocasião, comunicaram o arrendamento da planta de Açailândia. Para o presidente do Sindicato, a vinda de um grupo desse porte para região tem vários aspectos. “Trata-se de um grande frigorífico, um dos maiores do mundo, e é importante porque traz estabilidade ao produtor no que se refere à questão dos pagamentos. Mas, por outro aspecto, um grande grupo tende a ter no país uma concetração e essa, como qualquer outro monopólio, é ruim para o produtor, pois eles poderão, no futuro, influenciar o preço do boi”, afirma.

JBS-Friboi Em 2007, o JBS consolidou-se como a maior empresa do mundo no setor de carne bovina, com a aquisição da Swift & Company nos Estados Unidos e na Austrália. Com a nova aquisição, o JBS ingressou no mercado de carne

suína, apresentando um expressivo desempenho também nesse segmento ao encerrar o exercício como o terceiro maior produtor e processador desse tipo de carne nos EUA. A aquisição aumentou o portfólio da companhia ao incluir os direitos sobre a marca Swift em nível mundial. Hoje, no Brasil, o JBS possui 35 unidades de abates de bovinos, uma unidade de carne em conserva, uma unidade de vegetais, duas unidades de confinamento, sete unidades industriais de lácteos, 23 unidades industriais de couros, uma unidade fabril de colágeno, uma unidade de biodiesel e 16 centros de distribuição.

Problemas Entidades ligadas aos produtores rurais no Centro-Oeste fizeram recentemente um “levante” sobre o domínio dos grupos frigoríficos. A denúncia está diretamente relacionada ao avan-

diário da fazenda

A JBS possui 35 unidades de abates de bovinos no Brasil e 16 centros de distribuição

ço do grupo JBS naquela região. A reclamação geral por parte dos produtores em relação ao JBS é que, após a aquisição de algumas plantas, simplesmente, desativaram as mesmas. Sabino Costa espera que no Maranhão não aconteça o mesmo. “Isso gera

desemprego, algo muito ruim para nosso produtor. Esperamos que aqui não venha ocorrer isso e que o frigorífico seja ampliado e não fechado”, conclui. A equipe do Diário da Fazenda contatou o JBS, mas não obteve resposta até o fechamento dessa edição.


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F eira

Agrobalsas faz 10 anos e movimenta sul do Maranhão Volume de negócios deve chegar a R$ 200 milhões Diário da Fazenda

C

om o tema “Agricultura inteligente com baixo carbono, gerando incentivos e não penalidades”, a Feira Agroindústria de Balsas (Agrobalsas) - um dos maiores eventos de agronegócio do Maranhão - completa 10 anos em 2012. O evento é realizado de 22 a 26 de maio no campo experimental da Fazenda Sol Nascente, em Balsas (MA), numa área de 50 mil metros quadrados. A estimativa é que um público de mais de 10 mil pessoas visite a feira. Segundo a Fundação de Apoio à Pesquisa do Corredor de Exportação Norte (Fapcem),

organizadora do evento, o volume de negócios durante a feira deverá se aproximar dos R$ 200 milhões.

Temas Os principais temas apresentados na Agrobalsas 2012 são: Sistema de Plantio direto nos Cerrados Nordestinos, Integração Lavoura, Pecuária e Floresta, Fixação biológica do nitrogênio, Biotecnologia e Culturas alternativas e alimentos funcionais. Além, também da realização de rodadas de negócios, mini-cursos, vitrines tecnológicas das principais culturas, visitas técnicas, fórum do agronegócio e os 70

O Agrobalsas terá 70 estandes montados este ano, além de rodadas de negócios, mini-cursos, vitrines, visitas técnicas e shows

estandes montados no evento. O secretário adjunto da Secretária da Agricultura, Pecuária e Pesca do Maranhão (Sagrima), Raimundo Coelho de Sousa, informou que a Sagrima não só participará do Agrobal-

sas 2012 como também dará todo o apoio necessário para sua realização. “O Agrobalsas é muito importante para o Maranhão porque é um instrumento de divulgação e difusão de tecnologias apropriadas para

o desenvolvimento do agronegócio na região e no estado do Maranhão”, afirmou Raimundo Coelho. Na abertura do evento haverá um show, com entrada franca, do cantor sertanejo Renato Teixeira.


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E vento

Sindicato Rural lança 44ª edição da Expoimp Novo tatersal, já em construção no Parque de Exposições, é uma das novidades para realização de leilões na edição da feira em 2012 ANTONIO wagner

Diego Leonardo Boaventura

N

a noite do último dia 22, na Churrascaria do Parque de Exposições Lourenço Vieira da Silva, o Sindicato Rural de Imperatriz (Sinrural) lançou oficialmente 44º edição da Exposição Agropecuária de Imperatriz (Expoimp). Durante a solenidade, o presidente do Sinrural, Sabino Costa, apresentou a programação oficial da feira em 2012 e as novidades que o público terá neste ano. O representante do Sinrural destacou a importância da exposição para região e reafirmou o compromisso da entidade em fazer desse evento um dos melhores do país. “A Expoimp é sem dúvida o mais importante evento de nossa cidade, um evento consagrado regionalmente que extrapola as fronteiras de Imperatriz.

Sinrural terá uma comunicação especializada, da Palavra Assessoria de Comunicação. No lançamento oficial da feira, o Sindicato contou com a presença dos seus patrocinadores Master – os bancos do Brasil, da Amazônia e do Nordeste; representantes do Sebrae, da marca Nova Schin e Tok Bolsas, além dos governos do Estado e da Prefeitura Municipal. Inclusive o prefeito Sebastião Madeira esteve presente e falou também da importância da Ex-

poimp para o desenvolvimento da cidade. No encerramento da festa foi servido um coquetel aos convidados que aproveitaram para discutir os detalhes da exposição, que começa no dia 7 de julho e vai até o dia 15 do mesmo mês. Vale salientar que informações sobre a Expoimp e sobre o Sinrural podem ser obtidas pelo site www.sinruralimperatriz.com.br . No facebook o endereço é www.facebook. com/sinrural.

AGENDA DE LEILÕES EXPOIMP 2012 Programação da Expoimp 2012 foi apresentada pelo presidente do Sinrural Sabino Costa

Então, é um compromisso de todos que compõem a diretoria do Sinrural fazer desta 44º edição uma feira ainda melhor”, ressaltou. A construção de um novo tatersal dentro do Parque de

Exposições - um antigo sonho do Sinrural e dos produtores da região - será uma das novidades deste ano para os leilões que sempre foram um forte segmento na feira. Outra novidade, é que a partir deste ano o

08 de julho - 09 de julho – 10 de julho – 11 de julho – 12 de julho – 13 de julho – 14 de julho –

12º Leilão Balde Branco 12º Pec-Sêmem Alta Genetics 2º Leilão Tropa de Serviço 2º Leilão Nelore, produção Vale do Mutum Noite do Nelore Elite e Convidados Noite do 3º Leilão Mangalarga Marchador 8º Leilão Tabapuâ Vale do Mutum e Convidados


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A ftosa

Adiada para junho segunda etapa da campanha de vacinação contra a Febre Aftosa no Maranhão A mudança no calendário, para os dias 1º a 30 de junho, segue determinação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento ANTONIO wagner

Diego Leonardo Boaventura

D

evido ao processo de sorologia, a Agência Estadual de Defesa Agropecuária do Maranhão (Aged/MA) - órgão ligado à Secretaria da Agricultura, Pecuária e Pesca (Sagrima) - adiou o período da segunda etapa da Campanha de Vacinação contra a Febre Aftosa no Estado, que seria realizada em maio, para os dias 1º a 30 de junho. A sorologia é uma etapa do projeto do governo estadual que tem o objetivo de alcançar o status sanitário de Zona Livre de Febre Aftosa, com vacinação, previsto para acontecer no segundo semestre deste ano. A modificação no calendário de vacinação segue determinação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Segundo a médica veterinária da Aged/MA, Alzira Medlig, no Maranhão foram selecionadas 340 propriedades rurais de 147 municípios, sendo, mais ou menos, 145 propriedades pertencentes à regional de Imperatriz. “Atualmente, a sorologia está

envio de materiais. Ainda segundo a médica veterinária, o benefício maior com aquisição do status de Zona Livre de Febre Aftosa, com vacinação, é que o gado maranhense poderá ser exportado e ter sua circulação livre.

Rebanho

O Maranhão possui o segundo maior rebanho de bovinos do Nordeste e o terceiro maior rebanho de búfalos do Brasil

na fase de entrevistas: os fiscais estão indo visitar as fazendas entrevistando os proprietários, vendo a quantidade de animais”, conta. Para participar do inquérito sorológico a propriedade rural deve ter no mínimo 30 animais na faixa etária de dois a três anos. O principal objetivo do processo �� diagnosticar a circulação viral

da Aftosa no Estado. Além do Maranhão, também estão incluídos no Projeto de Ampliação de Zona Livre de Febre Aftosa do Mapa, os estados de Alagoas, Ceará, Pará, Pernambuco e Piauí. Após o envio de todo o material coletado para laboratórios credenciados pelo Mapa, estima-se que o Ministério realizará a

análise sorológica em um período de 60 dias, que coincidirá com o prazo final para a conclusão dos relatórios de auditoria. Para o trabalho, cerca de 100 profissionais, veterinários e técnicos, e também chefes das unidades regionais e locais da Aged, participaram de um treinamento sobre noções de sorologia, colheita e

O Maranhão possui o segundo maior rebanho de bovinos do Nordeste e o terceiro maior rebanho de búfalos do Brasil, com cerca de 7,2 milhões de cabeças. Cerca de 790.598 são animais de gado leiteiro, tendo a regional de Açailândia a maior concentração que é 328.123 animais, seguida de Imperatriz, com 241.107 animais e Santa Inês, que possui 46.116 cabeças de gado. Apesar do Estado não registrar nenhum caso de febre aftosa há cerca de 10 anos, atualmente o Maranhão só pode comercializar carne para outras regiões que possuem a mesma classificação sanitária que a sua, que é de zona de médio risco, alcançada no ano de 2007.

Trânsito de animais é restringido em seis estados O

Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) restringiu desde o dia 17 de maio, o ingresso de animais vivos susceptíveis à febre aftosa, seus produtos e subprodutos nos seis estados envolvidos no inquérito soroepidemiológico para avaliação

de circulação do vírus da doença. Alagoas, Ceará, Maranhão, a parte centro-norte do Pará, Pernambuco e Piauí – classificados como médio risco – não poderão receber bovinos, búfalos e derivados provenientes de outras Unidades ou parte destas, classificadas como médio risco ou de maior risco para febre af-

tosa. O objetivo da determinação, publicada por meio da Instrução Normativa nº 11, no Diário Oficial da União (DOU), é reduzir possíveis riscos de introdução do vírus na área em estudo para que o Brasil possa ampliar a zona livre de aftosa com vacinação no final do ano. Estão

excluídos do inquérito soroepidemiológico, no estado do Pará, os municípios de Afuá, Breves, Faro, Gurupá, Melgaço, Terra Santa; as partes do município de Chaves localizadas na região do Rio Croarí e ainda as ilhas deste município; a região localizada à margem esquerda do Paraná do Rio Juriti Velho e toda a região

do Rio Mamurú, na divisa com o Amazonas. Os estados do Rio Grande do Norte, Paraíba, Roraima, Amapá e Amazonas (exceto parte dos municípios de Lábrea e de Canutama e as cidades de Boca do Acre e Guajará que já são classificados como livre de aftosa com vacinação) – considerados de alto e de médio risco.


07 07

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C omércio Exterior

Balança do agronegócio tem superávit de US$ 15 bi No primeiro trimestre, em relação ao mesmo período do ano passado, as exportações cresceram 8,7% atingindo US$ 19,41 bilhões REPRODUÇÃO

suas compras. A situação mais crítica foi com a Rússia, que reduziram as importações do agronegócio brasileiro de US$ 1,216 bilhão no primeiro trimestre de 2011 para US$ 565 milhões, uma queda de 53,5%. A redução é resultado, principalmente, do embargo russo aos produtos de vários frigoríficos nacionais, em vigor desde junho de 2011. As exportações brasileiras somam, em maio, até o dia 20, US$ 14,823 bilhões, com média diária de US$ 1,140 bilhão, resultado 8,1% superior à média verificada em maio de 2011 (US$ 1,055 bilhão). Segundo os dados nesta segunda-feira pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), esse aumento é resultado do crescimento das vendas nas três categorias de produtos.

Maio

Lideraram as exportações do setor nos três primeiros meses do ano o complexo da soja, com US$ 4,83 bilhões Diário da Fazenda

O

agronegócio brasileiro registrou superávit em sua balança comercial de US$ 15,09 bilhões no primeiro trimestre deste ano. Em relação ao mesmo período do ano passado, as exportações cresceram 8,7%, atingindo US$ 19,41 bilhões, e as importações aumentaram 9%, chegando a US$ 4,32 bi-

lhões, de acordo com dados divulgados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Lideraram as exportações do setor nos três primeiros meses do ano o complexo soja, com US$ 4,83 bilhões, as carnes, US$ 3,61 bilhões, o complexo sucroalcooleiro, US$ 2,33 bilhões, os produtos florestais, US$ 2,24 bilhões, e o café, US$ 1,76 bilhão. No segmento carnes, a de frango

rendeu US$ 1,76 bilhão, a bovina, US$ 1,22 bilhão, e a suína, US$ 313,63 milhões. O maior comprador da produção do agronegócio brasileiro é a China, com US$ 2,96 bilhões no acumulado do primeiro trimestre de 2012. O valor é 84,5% maior que o do mesmo período do ano passado. Outros grandes compradores, no entanto, como os Países Baixos, a Alemanha e Rússia diminuíram

As exportações de básicos, nesse período de comparação, cresceram 10,2%, com destaque para as vendas de algodão em bruto, minério de cobre, soja em grão, fumo em folhas, carne bovina, suína e de frango e farelo de soja. As vendas de manufaturados tiveram aumento de 6,4%, motivado pela elevação das exportações de suco de laranja, óleos combustíveis, açúcar refinado, automóveis de passageiros, motores e geradores, veículos de carga e a laminados planos. Com relação aos semimanufaturados, o aumento foi de 2%, com destaque para os embarques

de ferro-ligas, ouro em forma semimanufaturada, óleo de soja em bruto e alumínio em bruto. Na comparação com abril deste ano, quando a média diária exportada foi de US$ 978,3 milhões, as exportações em maio estão 16,6% maiores. Nessa base de comparação, o aumento das vendas de semimanufaturados chega a 25,2%; de básicos, 20,3%; e de manufaturados, 7,5%. As importações em maio totalizam US$ 11,871 bilhões, com média diária de US$ 913,2 milhões, valor 2,1% su-

Em maio, as exportações cresceram 10,2% com destaque para as vendas de algodão, cobre, soja, fumo, carne bovina, suína e de frango

perior ao registrado em maio do ano passado (US$ 894,8 milhões). Segundo os dados do MDIC, nesse comparativo, houve aumento dos gastos com farmacêuticos (29,8%), cereais e produtos de moagem (23,8%), siderúrgicos (19,8%), combustíveis e lubrificantes (7,6%), químicos orgânicos e inorgânicos (5,5%) e aparelhos eletroeletrônicos (3%).


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Milho e Soja

Dia de Campo em Açailândia marca novo momento do agronegócio no sudoeste maranhense O sudoeste do Estado tem investido na cultura de milho e soja, praticando a denominada integração lavoura-pecuária Diego Leonardo Boaventura

O

dia de campo realizado em 19 de maio na Fazenda Bola Branca, de propriedade do pecuarista Francisco Santos Soares “o Franciscano”, em Açailândia (MA), mostrou o novo momento que vive o agronegócio no sudoeste do Maranhão, com grandes investimentos na cultura de milho e soja e, principalmente, com a integração lavoura-pecuária para otimizar as áreas. No evento, empresas ligadas ao agronegócio como a Sementes Pioneer, organizadora do dia de campo, participaram dos trabalhos, mostrando nas várias estações montadas dentro da lavoura de milho da Norte Grãos Agronegócios (NGA) - seus produtos e divulgando as tecnologias adotadas na área. Os técnicos e profissionais das empresas falaram sobre os modernos cultivares de milho, tratamento de sementes, agricultura de precisão para recomendação de adubação, máquinas e equipamentos de última geração utilizados na mecanização do plantio. A NGA Fundada em agosto de 2011 pelo grupo Agrosal e Fazenda Bola Branca, com o apoio do Banco do Nordeste, a NGA está construindo um centro de beneficiamento de grãos e armazenagem em Açailândia. Segundo a engenheira

agrônoma, Glaucia Cangussú, a falta de infra-estrutura adequada de armazenamento e secagem de grãos sempre foi um grande entrave, um forte ponto de estrangulamento na produção de agricultura em toda a região. “A partir da implantação dessa agroindústria podemos afirmar que os produtores rurais que possuam terras com aptidão para agricultura poderão ingressar na atividade com muito mais segurança e pecuaristas que possuam áreas de pastagens degradadas poderão fazer a reforma no sistema integrado lavoura-pecuária, endo ganhos para sua propriedade, diversificando suas receitas e estarão sendo corretos ambientalmente com a prática da Agricultura de Baixo Carbono”, afirma a engenheira. Além de armazenar sua própria produção, a empresa vai terceirizar outras áreas agrícolas, podendo colher e guardar grãos de terceiros. Em 2012, o grupo só irá utilizar metade da sua capacidade de armazenamento. A estocagem total prevista será de 30 mil toneladas de grãos, com 160 toneladas por hora.

FOTOS: DIEGO LEONARDO BOAVENTURA

Localização estratégica A indústria, localizada às margens da Rodovia Belém-Brasília, fica próxima à Ferrovia Norte-Sul, o que irá possibilitar a exportação de grãos Os técnicos e profissionais das empresas falaram sobre os modernos cultivares de milho, tratamento de sementes, agricultura em breve, produzidos na re- de precisão para recomendação de adubação, máquinas e equipamentos de última geração gião.


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F ruticultura

Cultivo de banana cresce na região de Imperatriz Os municípios que mais produzem, em torno de Imperatriz, são Porto Franco, Lajeado Novo e São João do Paraíso FOTOS: REPRODUÇÃO

um documento chamado Certificado Fitossanitário de Origem. O documento tem validade de 30 dias e permite que a produção circule livremente para outros estados. “Com o certificado e a nota fiscal, o produtor retira na Aged outro documento - Permissão de Trânsito Vegetal (PTV) que certifica o produto como imune a doença”, garante o fiscal.

Variedades As principais variedades cultivadas na região são a Pacovan e a Prata Anã. A Pacovan atende o mercado consumidor do Pará e a Prata Anã é distribuída para Imperatriz e a capital São Luís.

As principais variedades cultivadas na região de Imperatriz são a Pacovan e a Prata Anã Diego Leonardo Boaventura

U

m estudo feito pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) aponta o Maranhão como um dos estados com condições mais favoráveis para o plantio de banana. Estas vantagens têm estimulado os agricultores maranhenses que, na safra de 2011, produziram cerca de 108.625 toneladas da fruta. Na região de Imperatriz, os municípios que mais produzem são Porto Franco, Lajeado Novo e São João do Pa-

raíso. Mas, de acordo com o zoneamento agrícola, todos os 217 municípios do Estado estão aptos o ano inteiro para o cultivo. Nessas cidades próximas a Imperatriz as áreas plantadas com banana vão de 30 a 100 hectares, tendo uma produção média de 30 toneladas por hectare, dependendo da cultivar. “Cada cultivar tem uma produção, na região o sistema é bem produtivo porque geralmente os bananais são irrigados e bem adubados”, afirma o fiscal estadual agropecuário da Agência

de Defesa Agropecuária do Maranhão (Aged/MA), Jean Teixeira. Segundo ele, a Aged atua no programa de controle da Sigatoka-negra - principal doença que ocorre na cultura da bananeira. “Essa doença não existe no estado do Maranhão e o programa é exatamente para fazer o controle e evitar que a doença venha se instalar no Estado”. Profissionais capacitados pelo Mapa e pela Aged vistoriam os bananais nas áreas de produção certificando que o plantio não tem a doença. Após a inspeção, é emitido

Rendimentos Segundo o estudo do Mapa, o clima influi diretamente nos processos respi-

ratório e fotossintético da planta. Para obtenção de altos rendimentos e melhor qualidade, são necessárias temperaturas altas e uniformes, com mínimas não inferiores a 18ºC e máximas não superiores a 34ºC. A faixa de temperatura ótima para o desenvolvimento das bananeiras comerciais é de 26 a 28ºC. Para o bom desenvolvimento da cultura as chuvas devem ser superiores a 1.200 mm por ano com boa distribuição anual. As maiores produções estão associadas a uma precipitação total anual de 1.900 mm, bem distribuída no decorrer do ano. As plantações cheias de cachos indicam a boa safra de bananas este ano no sudoeste do Maranhão. O tempo bom, com menos calor e menos vento, deixou os produtores animados e o rendimento da safra deve passar de 45 toneladas por hectare.

As plantações cheias de cachos indicam a boa safra no Estado


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O Berrante é um informativo mensal do:

Espaço destinado a informações de interesse do Sinrural fOTOS: ARQUIVO PRODAP

Palestra traz tecnologias novas para a produção pecuária Meta é que a agenda de eventos do Sinrural traga novidades aos produtores Diego Leonardo Boaventura

N

o último dia 14 aconteceu, no auditório do Parque Lourenço Vieira da Silva, uma palestra promovida pela Prodap Nutrição Inteligente, em parceria com o Sindicato Rural de Imperatriz (Sinrural), sobre as novas tendências e desafios para gestão na pecuária e o impacto da performance no resultado da pecuária de corte a pasto. O primeiro tema foi trabalhado pelo consultor sênior da Prodap Projeto de Gestão, Paulo Emilio, e o segundo pelo coordenador técnico da Prodap Nutrição Inteligente, João Correia.

Tradicionais produtores da região se fizeram presente no evento - que contou com bom público - e debateram com os palestrantes a gestão da pecuária, afim de melhorar a administração de suas empresas rurais, buscando uma otimização dos resultados financeiros. O diretor executivo do negócio nutrição da Prodap, Bernardo Arruda Reis, disse apostar nos produtores rurais de Imperatriz. “Acreditamos na região como uma terra promissora para o agronegócio e observamos uma expansão no uso de tecnologias de intensificação da produção”, enfatiza.

Segundo ele, isto se dá pelas condições do Estado, em tamanho, condições climáticas, características de solo e outros pontos favoráveis para o desenvolvimento da atividade pecuária no Maranhão.

Prodap Há 33 anos no mercado brasileiro, a Prodap trabalha com três frentes: consultoria em gestão, indústria de nutrição - produtos e serviços – e desenvolvimento de sistemas, softwares de gestão de fazendas. O desenvolvimento de softwares é o negócio mais conhecido da empresa.

Evento lotou o audiório do Parque de Exposições na noite de 14 de maio

Parceria O Sindicato Rural vai continuar fazendo parcerias com empresas como a Prodap, com o objetivo de trazer novas tecnologias para o agronegócio da região, setor decisivo para o desenvolvimento do Maranhão. Para o presidente do Sinrural, Sabino Costa, iniciativas como essa são de suma importância para que a produção pecuária seja tecnificada. “Na maioria das vezes,

a pecuária é gerida com muito empirismo e nós precisamos sair disso para um momento mais profissional. Essas empresas, que têm larga experiência, podem dar grande contribuição para aqueles produtores que efetivamente se interessarem por contratá-las”, explica. No encerramento da palestra foi servido um jantar aos convidados que aproveitaram para conhecer melhor os representantes da Prodap.


Maio de 2012

Fazenda Serra Quebrada e a criação de aves fOTOS: REPRODUÇÃO/tHAYS ASSUNÇÃO

Diego Leonardo Boaventura

V

oltar às raízes, esse foi o sentimento do empresário Francisco da Silva Almeida, conhecido como Chico Brasil, ao adquirir 25 anos atrás uma propriedade no KM 58 da BR 122, no município de Buritirana-MA, a 55 quilômetros de Imperatriz. “Nasci no campo e tive que vim para a cidade estudar e trabalhar”, conta. Chico Brasil teve seu primeiro emprego no Armazém Paraíba, em Imperatriz, e lá trabalhou por 22 anos. Segundo ele, a empresa foi uma grande escola e onde começou a gostar do mundo empresarial. Na proporção em que seu salário aumentava e, como existe uma pré-disposição do ser humano em retornar às suas origens, comprou os 150 hectares de terra da atual Fazenda Serra Quebrada. Andando pela área acidentada da Fazenda Serra Quebrada é difícil acreditar que na propriedade, diferente de outras, o carro-chefe não é o gado, mas, sim, o galo! Não há muitas vacas à vista. A Fazenda nunca havia desenvolvido um projeto específico, somente há dois anos e meio, depois de uma reportagem, o empresário conheceu ‘aquilo’ que iria tornar a propriedade referência em todo o Brasil: o galo índio gigante do Himalaia.

Raça Desenvolvido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) do estado de Goiás, o maior galo do mundo surgiu do cruzamento

cidade, que são muitos, Chico Brasil tem duas lojas no interior do Estado, uma pasta no governo estadual e é presidente da Câmara de Dirigentes lojistas de Imperatriz (CDL). Mas sempre encontra tempo para visitar a fazenda. Costuma ir às sextas-feiras à noite e retornar na segunda pela manhã. Curiosidade

Um dos destaques da produção da fazenda, de propriedade de Chico Brasil (no detalhe) é a criação de galos índios gigantes

genético da galinha caipira brasileira com raças de origens asiáticas. “Comecei a criar o frango por esporte e, pesquisando, percebi que existia uma demanda de mercado. A partir daí, melhorei o plantel e a estrutura para criação”. A raça é muito rústica e o abate só acontece a partir do sétimo mês. Os frangos machos são os que crescem mais, chegam até um metro e meio de altura e pesam até seis quilos na sua fase adulta, já na fase jovem ficam numa média de quatro quilos e meio. As galinhas pesam em média três quilos e meio. Os pintos da raça índio gigante nascem, em média, com 20 dias. Hoje, a Fazenda Serra

Quebrada está produzindo de 500 a 600 pintos por mês.

Estrutura Na Serra Quebrada - que recebeu esse nome devido à serra partida que existe na propriedade - possui uma estrutura quase semi-artesanal, no entanto, a reprodução dos ovos já ocorre por chocadeiras. “Nós temos galpões específicos para reprodução do plantel”, detalha. Recentemente, o produtor visitou uma criação da raça índio gigante em Goiânia (GO), pioneira no Brasil no melhoramento dessa genética. Lá observou que a sua estrutura está muito acima dos criadores

brasileiros. “Eu diria para você, sem medo de errar, que hoje nós temos a melhor estrutura de organização para melhoramento genético dessa raça no país”, estima. Há também na propriedade um plantio de acerola, uma horta, produção de leite e um pouco de carneiro. Além da criação de gado de corte, de pato paysandu e de guiné gigante. Este último, a projeção é que no período de postura a fazenda produza mais ou menos de quatro a cinco mil filhotes para colocar no mercado. Para o produtor, a grande sacada é fazer com que a fazenda se torne autossustentável. Conciliando os afazeres da

Há alguns anos aconteceu um fato muito interessante na Fazenda Serra Quebrada. Uma ovelha, enjeitada pela mãe, acabou sendo criada em companhia de um cachorro pastor alemão. Os dois se tornaram bons amigos, mas, infelizmente, a ovelha foi roubada numa noite juntamente com cinco carneiros. “Era uma cena interessante, o cachorro sempre andava junto com a ovelha” conta Chico. Além das áreas de produção, a fazenda possui área de reserva florestal e um espaço para lazer, com campo de futebol society. “Eu, além de gostar de trabalhar, também dou umas aulas de futebol quando posso, a impressão que tenho é que o Neymar deve ter me visto jogar”, brinca o produtor rural.

Projetos Para o futuro, o produtor tem planos de utilizar água da propriedade, que é de excelente qualidade, e colocar uma fonte de água mineral. “Dada à qualidade da água que tenho, muito gostosa mesmo, pretendo fornecer água mineral para a região”, finaliza.



DIÁRIO DA FAZENDA ED10