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TERÇA-FEIRA, 13 DE FEVEREIRO DE 2019 • EDIÇÃO Nº 5552

DIÁRIO OPERÁRIO E SOCIALISTA DESDE 2003

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“AJUDA HUMANITÁRIA” É PREPARAÇÃO PARA INVADIR A VENEZUELA: O POVO VENEZUELANO DEVE DEFENDER A FRONTEIRA O imperialismo norte-americano é o principal responsável pela crise humanitária que se abate sobre a Venezuela ao liderar sanções econômicas, que, junto com a sabotagem interna dos empresários do próprio país tem levado ao agravamento do desabastecimento, principalmente de gêneros de primeira necessidade e medicamentos.

EDITORIAL

Abaixo a militarização a e ditadura nas Escolas Por diversas frentes, toma corpo a proposta fascista e reacionária do governo ilegítimo de Jair Bolsonaro e de seus aliados golpistas nos governos estaduais de militarizar as escolas ou de colocá-las diretamente sob a intervenção de forças repressivas como as Polícias Militares ou até o Exército.

Freixo espera que ministro de Bolsonaro combata as milícias bolsonaristas De acordo com o jornal Brasil de Fato, o deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ) teria dito que o ministro da Justiça Sérgio Moro “trata as milícias de forma superficial”.

Reestatizar a Vale é o primeiro passo: é preciso expropriá-la e colocá-la sob a administração dos trabalhadores

Destruição dos golpistas: 40% da indústria fechou o ano em crise

Ricardo Salles: um fascista no Ministério do Meio Ambiente

A ladainha da imprensa golpista sobre a recuperação econômica se mostra cada dia mais evidente. Conforme Nesta segunda-feira, o Ministro do Meio Ambiente do governo golpista, Ricardo Salles, participou do programa Roda Viva da TV Cultura. recente pesquisa do IBGE, 40% dos setores industriais brasileiros acumularam mais de 1% de queda na produção, em 2018, em relação a 2017. Outros 15% Paulo Guedes ficaram estagnados. O levantamento mostra que estes elogia reforma da números não se tratam de uma suposta “recuperação lenta”, mas de um ano que representou um freio para a Previdência de atividade industrial.

Rodrigo Maia revela: ala direita do PT fez acordo para votar em deputado bolsonarista para presidência da câmara

Há um fenômeno muito curioso se desenvolvendo no interior do PT. O leitor desavisado poderá ficar um tanto surpreso, mas para os que acompanham este Diário e a imprensa da Causa Operária não é nenhuma novidade: trata-se da bolsonarização da ala direita do PT.

ditador Pinochet, principal causa de suicídio nos aposentados dos dias de hoje

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2 |OPINIÃO E POLÊMICA EDITORIAL

Abaixo a militarização a e ditadura nas Escolas P

or diversas frentes, toma corpo a proposta fascista e reacionária do governo ilegítimo de Jair Bolsonaro e de seus aliados golpistas nos governos estaduais de militarizar as escolas ou de colocá-las diretamente sob a intervenção de forças repressivas como as Polícias Militares ou até o Exército. Depois de achincalhar o povo brasileiro, chamando-nos de “canibais” e “ladrões”, o ministro colombiano da Educação, Vélez Rodriguez, está encaminhando e o Ministério da Educação (MEC) deve anunciar nos próximos dias as ações para ampliar o número de escolas cívico-militares no país. A medida foi anunciada como uma “prioridade do MEC” que passou até mesmo a ter um órgão para cuidar do assunto, a Subsecretaria de Fomento às Escolas Cívico-Militares. O governo quer multiplicar as 120 escolas atuais, espalhadas por 17 estados – 40% delas em Goiás. Em Brasília, o governador, Ibanez (MDB), está buscando impor proposta semelhante na rede do GDF, fazendo realizar para isso assembleia de faz de conta (a maior parte delas feitas nas férias escolares), nas quais leva claques contratadas, elementos de bandos fascistas e policiais militares armados para encenar uma votação na qual a “comunidade” aprova a militarização da Escola. Onde a proposta foi confrontada e derrotada com a participação de professo-

res e estudantes, a PM age para reprimir a manifestação contrária e, junto com o governo, impõe nova votação secreta e sob o controle dos policiais, nos quais o resultado a favor da militarização é garantido. Mais fraudulento do que isso, só a eleição presidencial que elegeu Bolsonaro, depois que o candidato que o povo queria votar, Lula, foi condenado sem provas, mantido como preso político e cassado, em aberta violação da Constituição Federal. No Rio de Janeiro, na esteira dessa política reacionária o governador Witzel (PSC), anunciou que quer colocar PMs afastados da atividade de policiamento por diversos motivos nas Escolas. Isso uma semana poucos dias depois, bateu o recorde declarado de execuções em um único dia, matando 15 pessoas em único dia, em ações em comunidades operárias. O governador que defende o uso de atiradores de elite para fuzilar “suspeitos” nas favelas e bairros operários, quer levar a PM mais criminosa do País para dentro das Escolas. Todas essas medidas são anunciadas sob o pretexto de combater os altos índices de criminalidade brasileiros. Segundo comunicado oficial do MEC, “o Ministério da Educação buscará uma alternativa para a formação cultural das futuras gerações, pautada no civismo, na hierarquia, no respeito mútuo, sem qualquer tipo de ideologia, tornando-os desta forma cidadãos

conhecedores da realidade e críticos de fatos reais.” Mais falso do que isso, parece impossível. O ministro, o presidente, os governadores e todos os “operadores” do regime golpista, imposto para fazer valer a vontade do grande capital (como os bancos que lucraram mais de R$ 100 bilhões no ano passado) vêm o povo brasileiro como “bandidos”, com o uma grave ameaça. E de certa forma, eles têm razão. As escolas estão infestadas de perigosos educadores e jovens (milhões deles) que podem representar um perigo para os defensores da “ética” e do “civismo”, para os “combatentes da corrupção” que deram o golpe e defendem e pretendem destruir o ensino público e tudo mais que diga respeito aos interesses do povo brasileiro, em benefício dos banqueiros e outros monopólios “nacionais” e estrangeiros que patrocinaram o golpe de Estado para roubar até o último centavo do povo brasileiro, do petróleo até nossas aposentadorias, para fazer a alegria dos especuladores norte-americanos. Esta iniciativa está diretamente ligada à campanha ultra reacionária da Escola com fascismo (mal disfarçada de Escola sem partido) que também visa atacar os professores e tolher a liberdade de expressão no interior das es-

colas para impor a política fascista de apoio aos inimigos do ensino público e do povo brasileiro. Para barrar esta ofensiva, é preciso seguir o exemplo da luta dos trabalhadores da Educação de São Paulo, que estão enfrentando o governo tucano nas ruas, bem como aqueles que em Brasília se levantam contra a militarização nas Escolas. É preciso sacudir os sindicatos, a partir de uma iniciativa nas bases das categorias, por meio dos comitês de luta contra o golpe e contra a Escola sem partido, tirar da paralisia a maioria da burocracia sindical, ultrapassar seus setores mais reacionários que se oponham à mobilização e realizar uma ampla mobilização contra a militarização, contra a presença da PM, do Exército e de todo o tipo de força repressiva nas escolas. Contra a ditadura nas escolas e universidades, mobilizar também os estudantes e todos os setores da comunidade escolar. Exigir que elas estejam sobre o controle de quem nelas trabalham e estudam (e no caso das escolas do ensino fundamental, dos pais dos alunos) e não daqueles que querem sua destruição e a repressão dos seus elementos mais ativos. Vincular essa luta à luta contra o golpe de estado, por colocar para fora os bandidos que consideram que o povo brasileiro é “bandido”: Fora Bolsonaro e todos os golpistas! Para o que será necessária uma grande mobilização popular, na qual a defesa da liberdade de Lula pode cumprir um papel fundamental.

COLUNA

O governo Bolsonaro e o golpe na Venezuela Por Rafael Dantas

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mbaixadora do golpe na Venezuela esteve no Brasil. Maria Teresa Belandria, representante do golpista Juan Guaidó, se reuniu na qualidade de embaixadora da oposição que está tentando derrubar Nicolás Maduro com o ministro das Relações Exteriores do governo Bolsonaro, Ernesto Araújo. Participou também o deputado venezuelano Lester Toledo, coordenador da “ajuda” internacional dos golpistas em Caracas. Na pauta estava a “cooperação” entre o governo brasileiro e os golpistas venezuelanos. O governo Bolsonaro se comprometeu com a construção de um “centro de ajuda humanitária” em Roraima. É uma cobertura para a preparação de

uma intervenção militar do imperialismo norte-americano, um posto avançado para a ação do governo Trump. Nas palavras da própria sra. Belandria, “não é apenas uma operação do governo dos Estados Unidos, como se pretende dizer”. É uma operação do imperialismo usando o governo do Brasil (assim como vem fazendo com o da Colômbia) para organizar a reação internacional contra o governo de Nicolás Maduro. Na ofensiva do imperialismo contra o governo e o povo venezuelanos o papel do Brasil não será apenas de suporte logístico, nem poderia ser. A permissão para a construção do “centro” golpista em Roraima, acompanhada da promessa de envio de mantimentos, é a preparação para uma inter-

venção militar, para lançar soldados brasileiros na tentativa de afogar em sangue a resistência do povo venezuelano ao golpe de Estado. É a confirmação do que nosso Partido vem denunciando: o governo Bolsonaro é um capacho do imperialismo, colocando-se inteiramente a serviço do monopólio do petróleo que querem colocar as mãos nas reservas da Venezuela. A vitória da direita fascista no Brasil franqueou o caminho para o imperialismo atacar a Venezuela. Colocou o Estado, com suas forças armadas e recursos superiores a todos os demais países latino-americanos, a serviço dos imperialistas para atendê-los em seus planos de dominação do subcon-

tinente. É um perigo não apenas para os trabalhadores brasileiros mas para os povos oprimidos de toda a América Latina. Precisa ser combatido energicamente. O golpe em marcha e a intervenção militar do imperialismo na Venezuela, assim como a ação do governo Bolsonaro, devem ser amplamente denunciados e repudiados pelos trabalhadores conscientes do Brasil. Os comitês de luta contra o golpe devem conduzir uma intensa campanha sob a palavra de ordem de “fora o imperialismo da Venezuela”. Essa campanha deve ser combinada com a luta central dos trabalhadores no Brasil, pela derrubada do governo Bolsonaro. Derrotar a direita fascista no Brasil é uma tarefa urgente e imperiosa para o movimento operário. É o caminho para, a partir do Brasil, derrotar os fascistas venezuelanos.


OPINIÃO E POLÊMICA| 3

CONTRA O GOVERNO ILEGÍTIMO

Freixo espera que ministro de Bolsonaro combata as milícias bolsonaristas

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e acordo com o jornal Brasil de Fato, o deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ) teria dito que o ministro da Justiça Sérgio Moro “trata as milícias de forma superficial”. O argumento que o psolista apresenta, no entanto, é que não se pode equiparar as milícias às facções de narcotraficantes”, pois “não se enfrenta milícia da mesma forma que se combate o tráfico de drogas, são organizações distintas”. Essas declarações de Marcelo Freixo revelam claramente qual é a política da esquerda pequeno-burguesa para o governo Bolsonaro. Para Freixo, o problema central não é organizar os trabalhadores para derrubar imediatamente o governo ilegítimo e entreguista, mas sim procurar “convencer” os bolsonaristas a adotarem um programa menos avassalador. Há alguns dias, Freixo já havia cometido um grave erro na luta política contra a extrema-direta, quando decidiu entregar a CPI das Milícias, comandada por ele, nas mãos de Sérgio Moro. Na ocasião, Freixo ainda declarou que estava aberto ao diálogo com o ministro bolsonarista. Entregar a CPI nas mãos de Sérgio Moro é um grave erro porque as milícias são compostas justamente por bolsonaristas, e Sérgio Moro é um dos

mais eminentes bolsonaristas. Desse modo, colaborar com Moro, além de ser ineficiente, confunde os setores que acompanham a situação política e querem enfrentar o governo ilegítimo. Nas declarações mais recentes sobre Sérgio Moro, o deputado psolista presta mais um desserviço à luta contra o golpe. Afinal, as críticas feitas a Moro aparecem como algo de caráter técnico – isto é, Moro trata o problema das milícias de maneira inadequada porque não teria competência, e não porque é parte de um governo montado para massacrar a população impunemente. Outra declaração de Freixo publicada pelo Brasil de Fato que também chama bastante atenção é a de que boa parte das medidas propostas pelo deputado psolista para combater as milícias “poderia ser aplicada pelo Ministério da Justiça”. Ou seja, para Freixo, há uma esperança de que o ministro do governo Bolsonaro atenda seus clamores e mude sua política para a Segurança Pública. Se várias figuras do governo Bolsonaro eram completamente desconhecidas antes da vitória eleitoral da extrema-direta, como é o caso do ministro da Educação Ricardo Vélez ou do ministro das relações exteriores Ernesto Araújo, o ministro da Justiça

Sérgio Moro já é conhecido de longas datas por todo o movimento de luta contra o golpe. Foi Moro, enquanto juiz de primeira instância, que condenou o maior líder popular do país sem qualquer prova, ordenou sua prisão antes de concluir o seu julgamento e ainda militou ativamente para que o regime político comportasse uma série de leis antidemocráticas. Muito mais do que os discursos desconexos da ministra Damares, as atitudes de Moro desde 2014 contribuíram significativamente para que o golpe de Estado de 2016 fosse dado e se aprofundadasse. Por isso, é impossível não

saber que Moro é um elemento fundamental para a extrema-direta brasileira – e, portanto, do bolsonarismo. Esperar que Moro trabalhe para a população é o mesmo que pedir aos trabalhadores fiquem em casa enquanto Bolsonaro “resolve a situação”. Essa estratégia parlamentar covarde e criminosa não contribuirá para que a luta contra o governo Bolsonaro avance. É necessário romper todas as ligações com os políticos e os partidos do regime político e organizar um verdadeiro movimento de luta contra o governo ilegítimo. Fora Bolsonaro e todos os golpistas!

RODRIGO MAIA REVELA

Ala direita do PT fez acordo para votar em deputado bolsonarista para presidência da câmara

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á um fenômeno muito curioso se desenvolvendo no interior do PT. O leitor desavisado poderá ficar um tanto surpreso, mas para os que acompanham este Diário e a imprensa da Causa Operária não é nenhuma novidade: trata-se da bolsonarização da ala direita do PT. Essa verdadeira metamorfose é um processo que vem se desenvolvendo desde o golpe de Estado que derru-

bou Dilma em 2016. Na época, vimos um setor do PT apressado, agindo para que o partido ‘virasse a página do golpe’, na já consagrada expressão de Humberto Costa, e que culminou na malfadada campanha das ‘Diretas já’. Posteriormente, esse mesmo setor buscou abandonar a candidatura não só do Lula, mas do PT de conjunto, em prol da candidatura de Ciro Gomes. Agora, mais recentemente, pudemos

ver a ação abertamente bolsonarista por parte dos governadores do PT Camilo Santana, do Ceará e Rui Costa, da Bahia, onde entre outras loucuras consta a defesa da política do ‘bandido bom é bandido morto’, marca registrada da extrema-direita. Não é coincidência que ambos os governadores são aliados de Ciro Gomes. Essa bolsonarização da ala direita do PT se reflete não só na política dos governadores do nordeste, mas também se manifestou na votação para a presidência da câmara dos deputados federais. De acordo com contagem feita por Lindbergh Farias foram 16 os deputados do PT que romperam com a orientação de voto em Marcelo Freixo, do PSOL e votaram em Rodrigo Maia, o candidato do governo Bolsonaro. Embora a votação seja secreta, o próprio Rodrigo Maia acabou revelando, em entrevista para o jornal golpista Estado de São Paulo, parte dessa manobra. Essa declaração gerou resposta por parte do líder do PT na câmara, Paulo Pimenta, que negou ter traído Maia em resposta para o mesmo Estado de São Paulo. De acordo com Maia, um grupo de parlamentares petistas teriam ido a sua casa para discutir o apoio. Maia afirmou que antes de discutir um even-

tual apoio precisaria conversar com o PSL primeiro, afinal a sua candidatura não poderia aparecer diretamente envolvida com o PT, afinal, o partido não está na oposição? Os petistas teriam dito ‘problema nenhum’ em resposta, de acordo com Maia. Este trecho é muito ilustrativo, consegue condensar a essência do papel que a ala direita do PT tem prestado. Rodrigo Maia é casado na igreja e no cartório com Bolsonaro. A ala direita do PT procura Rodrigo Maia na calada da noite, buscando oferecer os seus “serviços” a preços módicos. Rodrigo aceita prontamente o galanteio, mas não sem antes deixar claro: tem que ser escondido, não podemos andar de mãos dadas por aí. A minha esposa não gosta… A ala direita do PT já não procura disfarçar, ela está agora operando em plena luz do dia o seu processo de bolsonarização, de adaptação ao governo Bolsonaro. Caso essa política de baixo meretrício da direita do PT se saia vitoriosa na luta interna do partido os resultados seriam catastróficos para o conjunto da população brasileira, uma vez que fortaleceria a extrema-direita e ajudaria a consolidar o regime que os golpistas estão criando. A ala esquerda do PT deve denunciar e combater a bolsonarização da ala direita do PT e mobilizar toda a sua base em torno da liberdade de Lula, como corretamente a direção do partido já deliberou, mas também pelo ‘Fora Bolsonaro!’.


4 | POLÍTICA

DESTRUIÇÃO DOS GOLPISTAS

40% da indústria fechou o ano em crise A

ladainha da imprensa golpista sobre a recuperação econômica se mostra cada dia mais evidente. Conforme recente pesquisa do IBGE, 40% dos setores industriais brasileiros acumularam mais de 1% de queda na produção, em 2018, em relação a 2017. Outros 15% ficaram estagnados. O levantamento mostra que estes números não se tratam de uma suposta “recuperação lenta”, mas de um ano que representou um freio para a atividade industrial. Embora tentem culpar a greve dos caminhoneiros, o avanço do imperialismo é o verdadeiro responsável por este freio. As multinacionais, em crise, entram como nunca nos países periféricos, para roubar suas riquezas e explorar ao máximo a força de trabalho. Sem capacidade para promoverem um desenvolvimento local, os grandes

monopolistas estrangeiros desencadeiam a recessão interna, evitando o surgimento de forças econômicas e políticas concorrentes. Bolsonaro é a continuidade e o aprofundamento deste processo, iniciado com Temer. Sua essência é a destruição da previdência, a entrega do patrimônio nacional ao capital estrangeiro, o corte absoluto dos gastos com os mais pobres, aumentos e favorecimentos aos mais ricos, ataque aos movimentos populares, fim das estruturas de proteção social e rapina das pequenas migalhas conquistadas pela população. Muitos empresários locais caíram no conto golpista. Primeiro, torceram por Temer. Agora, torcem por Bolsonaro. Mais cedo ou mais tarde, a ficha cairá para eles também. A decepção geral diminuirá a base de sustentação do atual governo e aumentará o descontentamento com este regime. Eis o motivo pelo qual o momento é de fortalecer a mobilização popular.

RICARDO SALLES

Um fascista no Ministério do Meio Ambiente N

esta segunda-feira, o Ministro do Meio Ambiente do governo golpista, Ricardo Salles, participou do programa Roda Viva da TV Cultura. A entrevista conduzida pelos entrevistadores de maneira bem tranquila para mostrar o Ministro como uma pessoa sensata, enaltecendo-o. Apesar da entrevista “água com açúcar”, no final foi questionado se conhecia o trabalho do sindicalista assassinado pelos latifundiários em 1988, Chico Mendes, Ricardo Salles enrolou nas respostas e afirmou: “Eu não conheço o Chico Mendes e eu tenho certo cuidado em falar sobre coisas que não conheço”. “Que diferença faz quem é Chico Mendes nesse momento?”, concluiu. Essa afirmação gerou uma grande repercussão, mas não é a primeira declaração ou medidas que demonstra um comportamento fascistóide e que deixariam qualquer pessoa minimamente progressista arrepiado. É importante lembrar que Ricardo Salles é um legítimo representante da extrema-direita fascista e que, apesar de ser jovem, possui uma enorme ficha corrida. Ricardo Salles é um representante dos latifundiários e atua abertamente contra a legislação ambiental e trabalhista em favor desse setor. Já saiu candidato pelo PFL, DEM e Partido Novo e secretário pessoal do tucano Geraldo Alckmin. É fundador e

atual presidente do Movimento Endireita Brasil, articuladores do golpe de Estado em 2016. Enquanto secretário do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, foi responsável por diversos ataques a esquerda, ao patrimônio público e artístico. Deu a ordem para a retirada e destruição do busto do guerrilheiro e ex-capitão do Exército Carlos Lamarca, que estava instalado no Parque Estadual do Rio Turvo, em São Paulo e a retirada de um mural que explicava a passagem e a instalação de um campo de treinamentos de guerrilha por Lamarca e outros guerrilheiros na região na década de 70. A atitude foi tão grotesca que o Ministério Público abriu um inquérito para investigar a atitude de Salles. Também é alvo de outra ação movida pelo Ministério Público de São Paulo sob a acusação de alterar ilegalmente o plano de manejo de uma área de proteção ambiental, uma APA na Várzea do Rio Tietê (, para beneficiar empreendimentos econômicos, de mineradoras e do agronegócio paulista. A fraude foi realizada em conjunto com a FIESP com a modificação de mapas elaborados pela Universidade de São Paulo e pela perseguição aos funcionários da Fundação Florestal (Órgão responsável pelas questões ambientais no Estado).

Na apelação do MP afirma que “os citados agentes públicos agiram à sorrelfa e com a clara intenção de beneficiar setores econômicos, notadamente a mineração, dentre outros. Foram incluídas “demandas” da FIESP que já haviam sido rejeitadas no momento oportuno”. “Ricardo de Aquino Salles ocupava a posição mais relevante no Sistema Ambiental Paulista e, mesmo assim, pessoalmente determinou a realização de alterações fraudulentas no Plano de Manejo da APAVRT, todas elas desfavoráveis ao meio ambiente.” Na sua gestão ocorreu a maior entrega do patrimônio público ambiental para as empresas privadas desde a ditadura militar, quando entregou de mão beijada 25 unidades de conservação estaduais. Em sua campanha eleitoral, declarou nas redes sociais para utilizarem a munição de fuzil 3006 (seu número de candidato das eleições) “contra a praga do javali” e “contra a esquerda e o MST”. O fascista compara a esquerda e o MST a uma praga, no caso o javali, e que deve ser combatido com fuzil. Somente essa última declaração, ao melhor estilo dos bolsonaristas, já seria suficiente para enquadrar o ministro como fascista. Mas como estamos vendo que a ficha corrida é enorme e vem a vários anos atuando para atacar a esquerda e o patrimônio público em

defesa dos latifundiários e dos grandes capitalistas. Bolsonaro está colocando no governo uma equipe extremamente reacionária e com comportamento fascista. Como já foi dito por este diário de notícias está formado os ministérios mais reacionários da história do país. Essa afirmação mostra que o caminho para impedir o avanço da extrema-direita e de sua política de destruição dos direitos da população não é de maneira parlamentar, com discursos no congresso nacional e entrega de relatórios para os ministros golpistas, ou de oposição democrática. É necessário realizar uma enorme campanha contra o governo Bolsonaro e mobilizar a população para derrotar a extrema-direita.


POLÍTICA| 5

PREVIDÊNCIA

Paulo Guedes elogia reforma da Previdência de ditador Pinochet, principal causa de suicídio nos aposentados dos dias de hoje

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“chicago boy” Paulo Guedes, ministro da economia do presidente fascista, golpista e ilegítimo Jair Bolsonaro, em uma entrevista ao jornal britânico Financial Times elogiou a reforma da Previdência de Pinochet, o ditador e assassino chileno. “O Chile hoje é como a Suíça”, disse Paulo guedes ao jornal Financial Times, ao declarar abertamente que concorda com as medidas ultraliberais chilenas, e ainda afirmou que o Brasil precisa de uma Perestroika , o processo de abertura econômica da União Soviética.

A ditadura chilena de Pinochet foi uma das ditaduras mais sanguinárias da America Latina, foi um laboratório de medidas Ultraliberais como solução do aprofundamento da crise capitalista de 74, foi apoiada por Reagan e Thatcher, respectivamente EUA e Inglaterra, e também pelos Chicago Boys, a escola econômica de Paulo Guedes A reforma da Previdência chilena está sendo imitada pelos brasileiros, e no Chile é a principal causa de suicídio dos idosos, ou seja, para vários idosos só resta a opção de morte perante a reforma da previdência chilena.

CAPITALISMO

Reestatizar a Vale é o primeiro passo: é preciso expropriá-la e colocá-la sob a administração dos trabalhadores

A

s centenas de morte provocadas pelo rompimento da barragem em Brumadinho, interior de Minas Gerais, é uma demonstração clara tanto do caráter completamente inviável da política de privatizações, bem como da característica genocida e desumana do capitalismo. =A Vale, uma das maiores empresas do mundo (a mineradora figura entre as 150 maiores empresas de acordo com um ranking da revista Forbes de 2018), foi passada para o controle privado durante os últimos anos do governo Fernando Henrique Cardoso. Na época, a mineradora tinha reservas com o valor de mercado na casa dos UU$ 3,3 trilhões, no entanto, ela foi entregue para o capital privado pela bagatela de UU$ 3 bilhões. Entre os compradores da Vale, estavam, por exemplo, os banqueiros nacionais e internacionais, representados pelo banco Oportunity, o Nations Bank (EUA), além do próprio mega investidor norte-americano George Soros. Sob controle privado a empresa voltou-se para atender, unicamente, a necessidade de aumentar os lucros dos capitalistas e dos banqueiros, pouco importando os condições de traba-

lho dos trabalhadores e das próprias barragens, bem como os interesses sociais de toda a população brasileira. A consequência dessa lógica de expansão dos lucros da empresa para atender a um punhado de capitalistas pôde ser verificada, na prática, nas centenas de mortes provocadas pelo rompimento das barragens em Mariana, 2015, e agora em Brumadinho. Além das mortes, a enorme quantidade de lama acarretou a destruição da riqueza natural de toda uma extensa área. Apesar de toda a demagogia dos donos da empresa, após esse verdadeiro massacre, para eles isso pouco importa. Eles tem ao seu lado a justiça burguesa, o governo e próprio Estado de um modo geral, ou seja, todas as instituições políticas ao seu dispor para garantir que a busca predatória do lucro de uma minoria se imponha completamente sobre a maior parte do povo. No caso de Brumadinho, os empresários estão se negando até mesmo a pagar verdadeiras migalhas para a população da região, como um salário mínimo, ajudas de custo etc, o que é muito pouco frente ao gigantesco desastre que eles provocaram. É preciso ter claro também que as-

TODOS OS DIAS, A PARTIR DAS 3H NA CAUSA OPERÁRIA TV

sim como a Vale, outras empresas nacionais e internacionais, controladas por capitalistas e banqueiros alucinados pelo lucro cada vez maior, provocaram e provocam todos os dias desastres e massacres como estes. Em 2010, a petrolífera britânica Britsh Petroleum foi responsável pelo vazamento de 3,2 milhões de litros de petróleo, o maior da história, no Golfo do México, após a explosão da plataforma Deepwater Horizon. Na explosão morreram 11 operários da empresa. Tanto neste caso, como no caso da Vale, a completa falta de manutenção das estruturas de produção foram responsáveis pelos desastres. Em ambos os casos a imprensa, sempre do lado dos capitalistas, tentou obscurecer a responsabilidade dos capitalistas atribuindo as tragédias à causas naturais, como foi no caso da Vale, ou a falhas cometidas pelas equipes de manutenção, no caso da plataforma. Na realidade, nos dois casos, a responsabilidade integral é dos próprios empresários e dos banqueiros que controlam as empresas, os quais em casos como estes passam a margem de qualquer responsabilidade. Desastres como estes deixam cla-

ro que a lógica capitalista, na qual as grandes empresas ficam sob o controle de uma minoria social sedenta por lucros cada vez maiores, tornou-se uma ameaça mortal para a imensa maioria da população. Nesse sentido, a única saída possível é expropriar essas empresas, ou seja, retirá-las das mãos dos capitalistas e banqueiros e colocá -las nas mãos dos setores que realmente trabalham e produzem, que se preocupam com o desenvolvimento social, no caso os trabalhadores e a população como um todo. No caso da Vale, essa luta pela reestatização da empresa está na ordem do dia. As centenas de mortes ocorridas, o enorme desastre provocado, demonstram a necessidade de se fazer uma intensa campanha junto aos trabalhadores e ao povo denunciando o caráter criminoso da política privatista, defendendo ao mesmo tempo a luta pela estatização da Vale, colocando-a, logo em seguida, sob o controle dos próprios trabalhadores. Esta é a única forma verdadeira de impedir que outros desastres ocorram. Esta também é a única maneira de colocar a empresa a serviço dos interesses sociais de toda a população brasileira.


6 | INTERNACIONAL

SABOTAGEM E CONSPIRAÇÃO

“Ajuda humanitária” é preparação para invadir a Venezuela: o povo venezuelano deve defender a fronteira O

imperialismo norte-americano é o principal responsável pela crise humanitária que se abate sobre a Venezuela ao liderar sanções econômicas, que, junto com a sabotagem interna dos empresários do próprio país tem levado ao agravamento do desabastecimento, principalmente de gêneros de primeira necessidade e medicamentos. Agora sob o manto de uma suposta “ajuda humanitária” para combater aquilo pelos quais eles mesmos são responsáveis, preparam a invasão do país. Conforme informações de apoiadores do auto-proclamado presidente interino do país, Juan Guaidó, estão sendo montadas três bases de apoio em regiões fronteiriças com a Venezuela na Colômbia, no Brasil e em Aruba ou Curacao no Caribe.

Segundo essa mesma fonte, os entendimentos com os países vizinhos já foram acertados, sendo que o governo colombiano teria indicado os próprios militares como participantes do comboio. Guaidó defende, ainda, que os comboios entrem ao mesmo tempo em território venezuelano, para dificultar a reação de Maduro, que pretende impedir a entrada das doações. A “ajuda humanitária” é um cavalo de Tróia para dar poder, que visa fortalecer o governo paralelo e para infiltrar sabe-se lá o que, no país. Diante disso, Maduro está correto em rejeitar tal “ajuda”. Se de fato existe uma preocupação com a situação de miséria da população, que suspendam o embargo econômico e tirem as mãos das

IMPERIALISMO

reservas venezuelanas guardadas em outros países, que querem confiscar. Os trabalhadores venezuelanos devem se mobilizar para defender as fronteiras, porque sob pretexto da

“ajuda humanitária” estão montando bases de sabotagem e conspiração golpistas nas fronteiras com países vizinhos submissos ao imperialismo, como Brasil e Colômbia.

CHARGE

Golpe no Haiti é manobra dos EUA para sabotar economia da Venezuela

C

ombate a corrupção e interferência de países imperialistas através da ONU, a senha do golpe de Estado direitista está colocada para o povo e governo haitianos. A oposição organiza protestos violentos baseados no combate a corrupção – após relatórios judiciais alegarem que autoridades e ex-ministros do governo teriam desviado milhões de dólares em empréstimos feitos pela Venezuela ao Haiti após 2008, um ataque ao fundo Petrocaribe, sob o qual a Venezuela forneceu petróleo ao Haiti e a outros países caribenhos e da América Central a preços reduzidos e em condições de crédito favoráveis durante anos. Já a ONU através do grupo (Core Group) – composto pela chefe da Missão das Nações Unidas de Apoio à Justiça no Haiti (MINUJUSTH), Helen Meagher La Lime, e por embaixadores de Brasil, Canadá, França, Alemanha, Espanha, União Europeia, Estados Unidos, além do representante especial da Organização dos Estados Americanos (OEA) – procura pautar o governo de Jovenel Moise, como expressa o comunicado emitido por estes “diplomatas”: =O Core Group pede que “líderes políticos e a sociedade civil se engajem em diálogos construtivos e inclusivos para identificar e implementar soluções realistas e duradouras à crise política e econômica atualmente em andamento no Haiti”. O próprio comunicado explica o que são essas “soluções realistas”: “o governo precisa acelerar suas reformas estruturais com objetivo de promover uma melhor gestão de recursos do Estado”, ou seja, forçar o governo a aplicar reformas duras contra a população a pretexto de combater a corrupção. =Continua: “Melhorar condições de vida dos mais vulneráveis, combater

desigualdades e nutrir um clima conducente de investimentos para estimular o desenvolvimento de setores produtivos – essencial para catalisar o crescimento do país”, este ponto é crucial, pois deste o terremoto de 2010 que destruiu parte significativa do Haiti, a reconstrução do país foi deixada para empresas norte americanas e não para empresas nacionais. Por fim: “Mudanças devem vir através das urnas, e não da violência”, afirma o grupo, que conclui pedindo para o governo e legisladores “colaborarem para a lei eleitoral e para a lei orçamentária 2018-2019 ser adotada e promulgada o mais rápido possível. Somente a partir destas ações que as eleições, marcadas pela Constituição para outubro de 2019, podem ser realizadas de maneira livre, justa e transparente, e que um vácuo institucional pode ser evitado”. Os golpistas não apenas procuram pautar o governo atual, como já preparam um próximo mais alinhado aos seus interesses. Fica claro que o objetivo do imperialismo é pressionar o governo haitiano a isolar a Venezuela. Para o imperialismo norte-americano é um crime um país atrasado como o Haiti ter um acordo de cooperação com a Venezuela para seu próprio desenvolvimento e um crime maior ainda a Venezuela impulsionar o desenvolvimento de países atrasados da América Latina. A mesma postura do imperialismo no golpe de Estado no Brasil, onde atacou todas as empresas nacionais e seus acordos de cooperação com outros países latino-americanos (como Cuba, Bolívia, etc). Daí a necessidade de se opor ao imperialismo em todos os casos em que este ataca países atrasados para manter seu domínio econômico sobre eles. Fora o Imperialismo do Haiti! Fora o Imperialismo da Venezuela!

TODAS AS SEGUNDAS-FEIRAS, 12H30


INTERNACIONAL | 7

VENEZUELA

10 golpes promovidos pelos EUA nos últimos 10 anos O atual cenário político internacional está marcado por uma série de conflitos envolvendo o imperialismo, sobretudo o norte-americano, e vários países atrasados que possuem governos nacionalistas burgueses. O imperialismo, que se encontra em uma profunda crise, busca ampliar sua dominação econômica e política sobre todas as áreas do globo e para isso organiza e financia Golpes de Estado contra esses governos. A estratégia golpista do imperialismo, que vimos em ação no Brasil durante o processo ilegal de impeachment da Presidenta Dilma Rousseff, agora se mostra muito evidente no caso da Venezuela onde o atual Presidente e representante do chavismo Nicolás Maduro resiste às tentativas dos norte-americanos de derrubá-lo. Na Venezuela, o imperialismo segue uma receita golpista muito parecida com a que usou em vários outros países, financiando a extrema direita e impulsionando a sabotagem econômica ao mesmo tempo em que trava uma verdadeira guerra comercial contra nosso país vizinho através de boicotes e de sequestro dos ativos das empresas venezuelanas. A ação golpista do imperialismo deve ser denunciada como uma ação criminosa que busca submeter todas as nações à sua dominação e exploração e no caso da Venezuela pretende substituir o chavismo de Maduro por um governo alinhado com seus interesses econômicos e que sirva como uma correia de transmissão de seus ataques às condições de vida da população. O golpe de Estado na Venezuela, tal como o Golpe no Brasil, é parte de uma ação coordenada do imperialismo e dos grandes capitalistas para esmagar a classe operária em todos os lugares e por isso é extremamente importante que toda a esquerda se unifique contra os inimigos do povo. Listamos abaixo dez países que sofreram Golpes de Estado financiados e organizados pelo imperialismo nos últimos. 1- Honduras (2009) Honduras foi o país em que o imperialismo norte-americano inaugurou sua sequência de Golpes na América Latina. Em 2009 o imperialismo financiou a extrema direita para derrubar o presidente legitimo Manuel Zelaya através de um Golpe militar. Zelaya foi o primeiro presidente representante do nacionalismo burguês na América Latina a ser derrubado e de lá para cá o povo hondurenho vêm sofrendo com terríveis ataques contra suas condições vida. Dez anos depois da derrubada de Zelaya Honduras se tornou um Estado policial e o regime político assume características cada vez mais ditatoriais enquanto a miséria e a fome assumem proporções monstruosas. O governo golpista instalado no poder como marionete do imperialismo se apoia nas Forças Armadas e nos órgãos de repressão policial e é

um dos exemplos mais claros do que planejam os grandes capitalistas para o conjunto dos países atrasados. 2- Líbia (2011) A líbia, que hoje vive uma situação econômica e política deplorável, também foi alvo da conspiração do imperialismo para derrubar o governo. O que ficou conhecido como “primavera árabe” e chegou a ser defendido por grupos de esquerda como o PSTU como situação revolucionária, foi uma ação direta do das nações imperialistas para derrubar os governos não alinhados com a sua política no oriente médio. No caso da Líbia o imperialismo chegou inclusive a financiar grupos armados que deflagraram uma guerra-civil aberta contra o governo de Muamar Al Kadafi. Centenas de agentes e soldados americanos, franceses e de outros países imperialistas se infiltraram direta e indiretamente no país para organizar milícias opositoras ao regime que travaram uma dura luta para derruba do governo. A guerra-civil do imperialismo na Líbia deixou milhares de mortos e um saldo gigantesco de destruição, e culminou com o assassinato de Kadafi em 20 de outubro de 2011. O imperialismo chegou a utilizar seu exército oficial, a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte, para atacar o país e esmagar a resistência dos líbios contra o Golpe de Estado. Após o Golpe, as nações imperialistas trataram logo de esmagar a resistência e colocar suas marionetes no comando do país que se vê hoje profundamente afundado no caos e miséria além de totalmente saqueado pelas corporações de negócios capitalistas. O que podemos ver na Líbia após o Golpe de Estado não é mais do que uma caricatura grotesca do que um dia foi país, mergulhado em uma guerra permanente entre facções rivais financiadas pelo imperialismo e marcado pela violência repressão. 3- Paraguai (2012) O primeiro presidente de esquerda da história do Paraguai, Fernando Lugo, foi também vítima da estratégia golpista do imperialismo. Em 2012 as conspirações do imperialismo impulsionaram o Partido Colorado (oposição ao governo de Lugo) a realizar uma enorme ofensiva contra o governo e o conjunto da esquerda paraguaia que resultou na derrubada de Lugo através de manobras muito semelhantes com as utilizadas pela direita brasileira contra Dilma Rousseff. O Golpe de Estado no Paraguai teve como principal ponto de apoio os grandes latifundiários do país, que financiaram grupos de direita no parlamento, nos órgãos de repressão e em mobilizações artificiais contra o governo. A derrubada de Lugo foi ironicamente chamada pela imprensa burguesa de “Golpe Branco” devido ao

fato de ter sido realizado através de uma farsesca cobertura de legalidade. Após o Golpe nosso país vizinho mergulhou em uma profunda onda de violência e desemprego para qual a direita, capacho dos norte-americanos, não consegue encontrar solução. O regime político paraguaio acompanha a crise que se desenvolve na economia e se mantém através de eleições farsescas nas quais a esquerda é totalmente esmagada. Os indígenas e camponeses tem sido as principais vítimas do imperialismo no Paraguai e vivem um regime de verdadeiro terror no interior do país onde o governo faz vista grossa para a perseguição e violência. A classe operária também sofre com o aumento da miséria e permanente deterioração das condições de vida ao passo que os grandes capitalistas enchem os bolsos e exploram a pobreza do povo. 4- Egito (2013) Em 2013 o imperialismo orquestrou mais um Golpe de Estado, desta vez de forma declarada e aberta. Em 2013 o imperialismo mundial impulsionou as Forças Armadas para derrubarem Mohamed Morsi, único presidente eleito no país até aquele momento. As Forças Armadas colocaram os tanques e soldados nas ruas e depuseram o presidente a força, colocando também seu grupo político (a Irmandade Muçulmana) na ilegalidade. Após a queda do presidente as ruas do país foram tomadas por manifestações contra intervenção imperialista e contra a ditadura militar nascida do Golpe de Estado e foram duramente reprimidos pelo exército que promoveu uma série de massacres de civis, o principal deles um mês após o Golpe e levou a morte 800 manifestantes. O imperialismo busca até hoje legitimar a ditadura militar egípcia, tendo realizado uma série de eleições farsescas sem nenhuma participação real da população. A maior parte dos grupos de oposição foram colocados na ilegalidade e são sistematicamente perseguidos, presos e até mesmo executados pelas forças de repressão. O atual presidente do Egito, Abdel Fatah al-Sissi foi eleito em eleições totalmente fraudadas e é também chefe das Forças Armadas e conduz o regime pela via da força, cassando sucessivamente todas as liberdades individuais. Abdel Fatah al-Sissi também entregou o controle de boa parte do poder político e econômico do país nas mãos do imperialismo o que vem aprofundando ainda mais a crise e a miséria que toma conta do Egito. 5- Ucrânia (2014) Em 2014 a extrema direita ucraniana derrubou o presidente do país Viktor Yanukovich, que defendia posições alinhadas com o governo russo de Vladimir Putin em oposição à dominação dos norte-americanos e da União Europeia. O golpe de Estado foi deflagra-

do com o nítido apoio das nações imperialistas que inclusive financiaram e impulsionaram grupos neo-nazistas em todo o país. Um dos eventos mais marcantes do Golpe de Estado na Ucrânia foi o incêndio à Caso dos Sindicatos de Odessa, na qual os fascistas atearam fogo a sindicatos, prenderam opositores e foram diretamente responsáveis pelo assassinato de ao menos 50 pessoas. Desde o Golpe de Estado estes grupos tem sido utilizados pelo governo para perseguir a esquerda e os grupos de oposição e são responsáveis por centenas de assassinatos e ações violentas. O imperialismo, com o objetivo de assegurar seus interesses econômicos permite e incentiva o avanço do fascismo na Ucrânia e autoriza esses elementos à atacarem abertamente a população. O próprio governo assumiu um caráter abertamente fascistas se apoiando nas Forças Armadas e na polícia para manter o controle sobre a população. O governo de Poroshenko, nascido do Golpe, estimula inclusive que os grupos nazistas marchem sobre as cidades ucranianas como forma de intimidar a oposição. Os nazistas já controlam boa parte das instituições oficiais do Estado e já chegaram até mesmo a constituir milícias armadas para atacar a classe operária. 6- Tailândia (2014) Em 22 de maio de 2014 a Forças Armadas Reais da Tailândia deflagraram um Golpe de Estado contra o primeiro-ministro interino. O Golpe de Estado na Tailândia foi também impulsionado pelas forças do imperialismo cujo interesse era o de promover no país um regime de força capaz de controlar totalmente a oposição. O golpe colocou no poder um junta militar intitulada Conselho Nacional para a Manutenção da Paz e da Ordem (NCPO), que inaugurou um período de intensa perseguição política e de repressão à todas as organizações populares. As primeiras medidas do governo militar foram a instauração de toque de recolher e de lei marcial, proibindo a existência de toda forma de oposição ao regime político. O governo também passou a controlar diretamente o imprensa e a internet, proibiu reuniões políticas, revogou a Constituição e prendeu quase todos os opositores. O governo derrubado pelo Golpe era, assim como praticamente todos que são atacados pelo imperialismo, de tipo nacionalista burguês e se apoiava em uma conciliação entre as classes sociais para fazer uma oposição parcial à opressão dos países imperialistas. A derrota desse governo colocou os militares à frente do regime político e deu origem à uma ditadura que esmaga totalmente as organizações populares e coloca na prisão todos os opositores. Depois do golpe a economia tailandesa passou a ser


8 | INTERNACIONAL cada vez mais dominada pelos monopólios imperialistas com o aval dos militares e da burguesia nacional. 7- Brasil (2016) Assim como os outros países da lista, o Brasil também foi alvo da conspiração imperialista para derrubar o governo legitimamente eleito. Em 2016 a presidenta Dilma Rousseff foi ilegalmente deposta através de um impeachment e foi substituída pelo vice Michel Temer, que levou adiante um programa radicalmente diferente e deu largada para uma série de ataques monstruosos contra os trabalhadores. O Golpe de Estado foi embalado pela chamada “campanha contra a corrupção” diretamente impulsionada por órgãos estrangeiros no país que colocaram nas ruas inúmeras organizações de extrema direita para atuar contra o governo. Apesar de ter havido um importante movimento de oposição à direita golpista e de denuncia da ação imperialista no Brasil, a direita segue no poder e aprofunda cada vez mais a repressão aos grupos de esquerda ao mesmo tempo em que destrói a economia nacional e entrega o patrimônio do povo para os norte-americanos.

Além da destituição da presidenta a direita também prendeu o maior líder da esquerda nacional, o ex-presidente Lula, e tenta de todas as formas colocar o Partido dos Trabalhadores na ilegalidade. As últimas eleições, no final de 2018, foram marcadas pela fraude eleitoral e colocaram no poder Jair Bolsonaro, elemento da extrema direita que promete elevar o nível de ataque à classe trabalhadora. O saldo do Golpe no Brasil é o crescente aumento do desemprego e da miséria da população, bem como o fechamento cada vez mais ditatorial do regime que assume contornos fascistas. As Forças Armadas e os órgãos de repressão do Estado assumem papel de destaque no atual governo e ameaçam constantemente o povo de um novo golpe militar no país. 8- Coréia do Sul (2017) Em 2017 a Coréia Do Sul passou por um processo de Golpe muito semelhante ao brasileiro. A presidenta do país foi deposta sob acusações de corrupção envolvendo empresas nacionais, mas o processo assumiu uma clara motivação política de destituir o grupo político no poder.

TODA QUARTA-FEIRA ÀS 19H

O parlamento aprovou um processo de deposição da presidenta que também foi condenada à prisão e pagamento de multa. Além dela vários de seus aliados políticos também foram parar na prisão sob acusações de corrupção em um nítido processo de perseguição política que levou prendeu vários ex-presidentes. O golpe na Coréia do Sul abriu as portas do país para a dominação imperialista mais aberta da economia e da política, e promoveu também o esmagamento de boa parte da burguesia nacional que dava sustentação ao governo deposto. 9- Equador (2017) No Equador o Golpe de Estado imperialista de 2017 colocou o país sob domínio direto do imperialismo norte-americano. O atual presidente do país, Lênin Moreno, foi eleito para ser o sucessor de Rafael Corrêa que governou o país durante 10 anos, mas deu um golpe em seu antecessor e se aliou aos norte-americanos logo depois de eleito. Moreno vem revertendo todas as concessões que seu antecessor fez à classe trabalhadora durante seu governo além de levar adianta a perse-

guição de Corrêa e de seu grupo político, tentando colocar todos na prisão sob acusações farsescas de corrupção. A imprensa burguesa apoia o Golpe no Equador e faz campanha dia e noite contra Corrêa buscando desmoralizar o ex-presidente. 10- Zimbabwe (2017) O último Golpe de Estado da nossa lista é também o mais recente deles, ocorrido no Zimbabwe em 2017. Orientados pelo imperialismo os militares colocaram os tanques e soldados nas ruas e forçaram o Presidente Mugabe a renunciar. O Zimbabwe passa por um intensa crise econômica e política que abriu a brecha para que os militares depusessem o governo. O imperialismo rapidamente saiu em defesa dos militares e abriu uma ampla campanha contra Mugabe acusando-o de corrupção. No entanto, o que fica claro é que a deposição de Mugabe é mais mum dos vários golpes imperialistas ao redor do mundo, orquestrados com a única intenção de assegurar os interesses econômicos dos monopólios econômicos em detrimento dos interesses da população que sofre com a devastação econômica e a miséria.

TODA SEXTA-FEIRA ÀS 16H

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Edição Diário Causa Operária 5552  

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