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QUARTA-FEIRA, 15 DE JANEIRO DE 2020 • EDIÇÃO Nº5888

Começa nesta sexta, em Ibiúna (SP), o maior curso sobre o fascismo

N

o próximo dia 17 de janeiroa, sextafeira, tem início a 45ª Universidade de Férias do PCO e Acampamento da Aliança da Juventude Revolucionária. Com o tema “Fascismo, o que é e

como combatê-lo, parte 2”, esse é o curso de formação política maior e mais tradicional da esquerda nacional, há mais de 20 anos organizado pelos militantes do PCO.

Unificar as categorias contra as privatizações de Bolsonaro O início do novo ano vem sendo marcado pela continuidade da ofensiva reacionária do governo fascista contra os trabalhadores, a economia nacional e o patrimônio público brasileiro. Durante todo o ano de 2019, desde a sua posse, Bolsonaro e seu ministério obscurantista, tendo como aliada a burguesia nacional pró-imperialista, levaram adiante um conjunto de medidas que atacaram duramente as condições de vida das massas populares, aprofundando ainda mais a situação de crise, miséria e pobreza já existente no País, advinda do golpe de Estado de 2016, agudizando todas as piores condições para a maioria explorada da nação.

Polícia do carnaval: Estado quer regular até a fantasia dos foliões A Defensoria Pública Geral do Estado do Ceará iniciou uma campanha para o carnaval contra o uso de determinados tipos de fantasia. Nas imagens, divulgadas pela internet, pode-se ler “aça não é fantasia”, “Etnia não é fantasia”, “Identidade não é fantasia” e “Religião não é fantasia”

“É hora de vingar Soleimani e expulsar EUA do Oriente Médio” O assassinato do general iraniano Qassim Soleimani, no último dia 2, em um criminoso e traiçoeiro ataque organizado pelos EUA, estimulou a luta contra o imperialismo em todo o Oriente Médio e aprofundou a crise da dominação imperialista na região.

Reuters foi paga por governo inglês para fazer propaganda imperialista Guedes ameaça funcionários públicos

Golpista Guaidó tenta dar novo golpe para tomar conta da Telesur

Mesmo moderado, Evo está certo ao dizer que bolivianos devem se armar “Na Bolívia, se as forças armadas estão atirando no povo, matando o povo, o povo tem o direito de organizar sua segurança… Em alguns momentos (esses grupos) foram chamados de milícias, em outros foram chamados de segurança sindical ou polícia sindical e, em alguns lugares, é chamado de guarda comunal. Não é novo.”

Bolsonaro quase demitiu Moro, é preciso aproveitar crise da direita Dengue aumentou quase 500% sob Bolsonaro

Juan Guaidó, deputado de direita apoiado pelo imperialismo na Venezuela, autoproclamou-se presidente no começo do ano passado. A manobra não funcionou como esperado pela direita golpista, em mais uma tentativa fracassada de usurpar o poder.


2 | OPINIÃO EDITORIAL

CASA DA MOEDA, ECT, CEF…

Unificar as categorias contra as privatizações de Bolsonaro O início do novo ano vem sendo marcado pela continuidade da ofensiva reacionária do governo fascista contra os trabalhadores, a economia nacional e o patrimônio público brasileiro. Durante todo o ano de 2019, desde a sua posse, Bolsonaro e seu ministério obscurantista, tendo como aliada a burguesia nacional pró-imperialista, levaram adiante um conjunto de medidas que atacaram duramente as condições de vida das massas populares, aprofundando ainda mais a situação de crise, miséria e pobreza já existente no País, advinda do golpe de Estado de 2016, agudizando todas as piores condições para a maioria explorada da nação. Um dos terrenos em que o governo do presidente fraudulento Bolsonaro vem buscando implementar sua política de terra arrasada contra o País diz respeito às privatizações, onde na alça de mira dos direitistas neoliberais estão mais de duas dezenas de estatais e empresas públicas, já anunciadas como inclusas no programa de desestatização do Ministério da Economia. Esta ofensiva, no entanto, é somente a primeira parte do plano

sinistro de Paulo Guedes, pois a disposição do representante dos banqueiros no governo é ir cada vez mais fundo no ataque aos interesses nacionais e contra a soberania do País, cuja disposição é a entrega de todo o parque estatal brasileiro para o grande capital e o imperialismo. A investida pró-imperialista do governo contra a economia nacional não somente será acentuada neste ano como já foi deflagrada com o ataque à Casa da Moeda, instituição secular que os golpistas querem liquidar e transferir para a esfera privada. Os trabalhadores reagiram paralisando as atividades, demonstrando a disposição em lutar contra a privatização do órgão. No entanto, a ofensiva do governo não se restringe e não se restringirá a um ou outro órgão ou a uma ou outra empresa estatal brasileira. A política dos direitistas-entreguistas é a liquidação por completo de tudo o que é publico no País, de todo o patrimônio nacional. Na lista anunciada no ano passado estão, além das empresas de maior quilate, as mais cobiçadas pelo grande capital (Correios, Petrobrás, Ele-

trobrás, Caixa Econômica Federal, Embraer), estão também a Dataprev, o Serpro, a Telebrás e outras, evidenciando que a ofensiva é de conjunto, uma política clara e deliberada de ataque aos ativos nacionais. Neste sentido, somente uma luta conjunta, somente uma grande campanha nacional em defesa do patrimônio estatal pode ser capaz de impedir a decisão do governo golpista em privatizar as estatais mais importantes do País. Nenhuma luta isolada será capaz de impor uma derrota de conjunto ao bolsonarismo, à política de destruição nacional atualmente em curso. O ano teve início com uma grande ofensiva do governo contra os interesses nacionais e o povo brasileiro. O que está em jogo neste momento é a própria sobrevivência do País, dos trabalhadores e das massas populares. A forma eficaz de enfrentar mais este ataque dos golpistas não pode ser outra senão acreditar na força organizada dos próprios trabalhadores, dos funcionários das estatais que estão sendo atacadas pelos privatistas reacionários. Impõe-se como uma neces-

sidade imperiosa, portanto, que haja por parte das direções do movimento de luta, dos sindicatos que representam os trabalhadores, uma linha de ação que vá no sentido da unificação de todas as lutas, de todas as mobilizações, de todas as campanhas, a começar pelas campanhas salariais, mas também a defesa da manutenção do emprego, das conquistas trabalhistas, dos benefícios sociais dos trabalhadores das estatais. Um grande movimento nacional deve ser deflagrado não só pela defesa do patrimônio público, não só em defesa da economia nacional, mas esta luta deve estar projetada para um patamar superior, de enfrentamento direto com o governo fraudulento, golpista, reacionário e direitista. Esta luta só pode ganhar sentido e legitimidade se estiver direcionada para colocar para fora o governo que vem promovendo o maior e mais gigantesco ataque contra as massas populares e o País em seu conjunto. O “Fora Bolsonaro”, portanto, é a bandeira que deve ser levantada para orientar a luta social de massas para o período próximo imediato.

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ATIVIDADES DO PCO | 3 COLUNA

Canibais Por Victor Assis

A eternamente canalha imprensa burguesa pernambucana, há algum tempo, resolveu acrescentar ao seu vocabulário o termo canibalização. O termo, embora remeta imediatamente à palavra canibal, não está relacionado com a prática da antropofagia: a canibalização consistiria na remoção de peças de um equipamento para seu posterior comércio ou na substituição improvisada e inadequada de determinadas peças para suprir alguma necessidade imediata. Ambas as definições têm sido utilizadas pela imprensa burguesa para caracterizar a situação calamitosa dos BRTs (Bus Rapid Transit – Ônibus de Trânsito Rápido) na Região Metropolitana do Recife (RMR). Os BRTs, que foram implementados em várias cidades brasileiras na última década, são ônibus que funcionam sob a base de um sistema próprio, também conhecido como “metrô sobre rodas”. Na RMR, os BRTs foram projetados para terem plataformas de embarque e desembarque elevadas – com ingresso mediante pagamento antecipado -, ônibus modernos com ar-condicionado e corredor exclusivo. Esse projeto, no entanto, nunca foi plenamente realizado. Os BRTs deveriam representar uma grande mudança na mobilidade urbana pernambucana e estar inaugurados até o ano de 2014, conforme era prometido pelo governo do Partido Socialista Brasileiro (PSB). Seria, assim, um legado para população pernambucana deixado pela organização da Copa do Mundo de 2014. Como era de se esperar, os BRTs não ficaram prontos no ano de 2014. Apenas uma parte minoritária das estações foi inaugurada e apenas duas linhas entraram em circulação. Embora a direita, levando a reboque setores da esquerda nacional, procurasse organizar protestos contra a Copa do Mundo para tentar desestabilizar a então presidenta Dilma Rousseff, toda a imprensa burguesa se calou perante ao verdadeiro escândalo centrado na instalação dos BRTs. Afinal,

denunciar todas as falcatruas do PSB, que embolsou milhões com a realização da Copa em Pernambuco, ao mesmo tempo em que se unia aos maiores vigaristas da política nacional para derrubar o governo petista, não era de interesse da direita. O escândalo ao que me refiro não se trata de alguma fofoca de que algum deputado estadual do PSB teria recebido dinheiro de alguma construtora para contratá-la durante a instalação dos BRTs, nem alguma delação premiada contra o então governador Eduardo Campos expondo alguma movimentação ilícita. A maior e mais escandalosa prova de que os BRTs foram uma plataforma para que os golpistas do PSB saqueassem o povo pernambucano é a própria maneira como as obras foram realizadas. Na Avenida Caxangá, uma das mais importantes da cidade, que leva ao oeste recifense, vários indícios mostram que os interesses da população foram a última coisa a ser considerada na implementação dos BRTs. A avenida deveria comportar três terminais integrados para que o sistema funcionasse de acordo com o previsto. No entanto, em 2014, apenas um dos terminais estava funcionando – o Terminal Integrado da Caxangá, que já existia antes da implementação dos BRTs. Os outros dois apenas foram entregues em 2018. Até 2018, no entanto, o sistema foi sendo imposto a todo custo, forçando os usuários a se submeterem a todo tipo de humilhação e sabotagem para chegar a seu local de trabalho. Quando enfim os terminais ficaram prontos, provou-se que o sistema de BRTs é mais lento do que o que já funcionava na Avenida Caxangá: o sistema simples de faixa exclusiva para ônibus. A diferença, no entanto, é que a retirada das linhas comuns da Avenida Caxangá fez com que se tornasse praticamente impossível que um BRT não passasse lotado nas estações, visto que pouquíssimas linhas são comportadas pelo sistema. Um viaduto que corre sério risco de desabamento

desde o seu primeiro dia de vida também faz parte das obras para a implementação dos BRTs. Outra “novidade” trazida pelos BRTs foi a exclusividade do cartão VEM – Vale Eletrônico Metropolitano. Nos ônibus comuns, o usuário tinha o direito de escolher se iria pagar a passagem em dinheiro ou com o cartão. Nos BRTs. não há a opção de pagamento em dinheiro – o que força os trabalhadores a sempre estarem munidos do cartão de passagens. No entanto, o problema vai além disso: a cada recarga que é feita no cartão, o usuário é obrigado a pagar uma “taxa de conveniência”. Os estudantes, que usam o VEM estudantil, são forçados a, além de passar o cartão, passar por um teste de biometria. Se a biometria falhar – o que ocorre frequentemente -, não há nada o que fazer: não há como ingressar na estação, e os fiscais uniformizados de laranja garantem que assim seja. A total ineficiência dos BRTs da RMR é comprovada por uma lista bastante extensa, a qual não teremos condições de apresentar nesta coluna. Aos interessados, fica o convite para se aventurar pelo sistema. Agora, no entanto, é hora de voltarmos à discussão sobre a canibalização. Apesar de toda a sabotagem que os capitalistas provocaram contra a população durante a aplicação dos BRTs, o esgoto editorial pernambucano insiste em erguer uma outra tese para o total colapso do sistema. Para a imprensa burguesa, que, nos últimos dias, têm decretado o fim dos BRTs, o colapso do sistema se deu por causa da canibalização promovida pela população. Em artigo intitulado Bye bye BRT pernambucano, assinado por Roberta Soares, o Jornal do Commercio explica: "No ano passado, a esperança de ver o sistema ser reerguido pelo Estado morreu e vimos o BRT Via Livre ser literalmente canibalizado – algumas estações, mesmo em funcionamento, tiveram piso, teto e fios roubados por viciados para serem comercializados em troca de crack.

É, é isso mesmo que você acabou de ler… Se os BRTs não funcionam, se são comboios que enlatam aqueles que perdem 1/6 de seu dia se deslocando para o trabalho, se até hoje não tiveram suas obras concluídas, se não atendem as demandas mínimas do povo, a grande culpa é de ninguém menos que o próprio povo. Como dito pela própria Roberta Soares, o generosíssimo Estado até teria tentado reerguer o sistema, se não fossem os mal-educados usuários do transporte público. O cinismo da imprensa pernambucana serve não só para mostrar claramente de que lado está – o dos patrões -, como também seu aspecto nazista. Para Soares, portanto, o mundo seria maravilhoso e belo, se não fossem aqueles cracudos que não sabem que se comportar como pessoas civilizadas. Eis, inclusive, a razão pela qual a imprensa pernambucana tem utilizado o termo canibalização. Ao invés de, simplesmente, falar em roubo de peças, vandalismo, danos ao patrimônio ou sucateamento, órgãos como o Jornal do Commercio querem deixar bem claro o aspecto animalesco da destruição dos BRTs: os BRTs estariam em colapso porque o povo não sabe se comportar como gente. Fica a pergunta: se a imprensa burguesa acha que não são gente, o que falta para exigir que se crie uma linha de BRT que leve os cracudos para a câmara de gás? Esse desprezo pelo povo também pode ser visto em outro trecho do mesmo artigo. Na legenda de uma foto que mostra passageiros entrando na plataforma sem pagar, lê-se: passageiros invadem sistema até por diversão. Ou seja, de fato, o valor abusivo de R$ 3,45 não seria o motivo pelo qual há quem não pague a passagem, mas simplesmente porque o povo pernambucano seria uma espécie tão atrasada do desenvolvimento civilizatório que colocaria a fantástica diversão de arriscar-se a ter a cabeça arrancada por um BRT acima de qualquer valor social. Quem seriam de fato os canibais?


4 | INTERNACIONAL

DIREITO DE AUTODEFESA

Mesmo moderado, Evo está certo ao dizer que bolivianos devem se armar O ex-presidente faz um movimento importante à esquerda, dando suporte à luta contra o golpe na Bolívia e a ampliação dos comtiês de autodefesa No último domingo (12), o ex-presidente da Bolívia, Evo Morales afirmou que o povo tem o direito de se armar para se defender. Em entrevista a Reuters, ele afirmou que “Na Bolívia, se as forças armadas estão atirando no povo, matando o povo, o povo tem o direito de organizar sua segurança… Em alguns momentos (esses grupos) foram chamados de milícias, em outros foram chamados de segurança sindical ou polícia sindical e, em alguns lugares, é chamado de guarda comunal. Não é novo.” Evo Morales ratificou assim áudio divulgado pela rádio Kawsachun Coca Tropico e mostra um desenvolvimento do seu posicionamento político depois da postura capitulado adotada diante do golpe de Estado na Bolívia. Morales venceu as eleições, no entanto, aceitou a auditoria do Ministério das Colônias, a Organização dos Estados Americanos (OEA), teve seu governo sitiado por milícias de extrema direita nas ruas e acabou coagido pelas forças armadas a renunciar. Até este ponto, não apenas não esboçou nenhuma reação,

como só repetiu pedidos de paz e de acordos com os próprios golpistas e o imperialismo que os financia. Daí para o exílio, a perseguição continuou, em dezembro, o governo golpista de Jeanine Áñez emitiu um mandado de prisão para Morales por acusações de sedição e terrorismo. E agora em janeiro, com o ex-presidente na Argentina, foi emitido um mandato de captura para que ele não possa participar de eventos nos outros países sul-americanos. Apesar de toda a moderação, vacilação e capitulações seguidas de Evo Morales, que resultaram em sua derrubada sem qualquer luta por parte de seu governo e partido. Ao defender o direito do povo a autodefesa, o ex-presidente faz um movimento importante à esquerda. Dá suporte político aos setores combativos da população da Bolívia, de maioria indígena, que, desde o princípio, travou nas ruas a luta contra o golpe militar e em defesa de seu mandato. Reforça na prática os setores mais avançados, sobretudo de El Alto, de onde partiu a mais enérgica

VENEZUELA

resistência aos golpistas e onde os trabalhadores se organizaram em comitês de autodefesa. Também estimula o setor mais a esquerda de seu próprio partido, o MAS (Movimento Al Socialismo), que diferente das renúncias dos parlamentares, manteve-se nas ruas contra os golpistas. Após diversos apelos à paz e a acordos com os golpistas e o imperialismo, após tantas agressões, ameaças e assassinatos de indígenas, talvez Evo Morales tenha se dado conta que para sobreviver enquanto liderança política e enquanto pessoa, será necessário organizar a população boliviana, única capaz de derrotar o golpe. Este Diário, que cobriu e denunciou o golpe militar na Bolívia desde o início; defendeu e impulsionou a mobilização do povo contra os golpistas e em defesa do mandato de Evo Morales; chamou a construção de comitês de autodefesa contra a extrema direita e os golpistas; sempre esclareceu que o direito a autodefesa do povo é um direito democrático elementar, o único capaz de de garantir todos os demais direitos.

Neste sentido a posição do ex-presidente Evo Morales, que expressou seu acordo do direito dos trabalhadores se defenderem da agressão estatal do governo golpista da Bolívia e das suas milícias fascistas, é um avanço contra toda a direita e o imperialismo na América latina e deve ser defendida por toda a esquerda.

DOCUMENTO REVELA

Reuters foi paga por governo inglês Golpista Guaidó tenta dar novo golpe para tomar conta da Telesur para fazer propaganda imperialista Autoproclamado presidente quer roubar a Telesur para transformá-la em uma CNN ou simplesmente destruí-la Juan Guaidó, deputado de direita apoiado pelo imperialismo na Venezuela, autoproclamou-se presidente no começo do ano passado. A manobra não funcionou como esperado pela direita golpista, em mais uma tentativa fracassada de usurpar o poder. No entanto, Guaidó, com apoio de potências estrangeiras inimigas dos interesses do povo venezuelano, sequestrou bens do país, que foram colocados sob seu controle. No dia 5 de janeiro, Guaidó perdeu a presidência da Assembleia Nacional, e a farsa da presidência autoproclamada ficou ainda mais difícil de sustentar. Agora Guaidó está tentando autoproclamar-se dono da Telesur. A Telesur é um canal de notícias transmitido para diversos países da América Latina, com uma perspectiva diferente do imperialismo, que denuncia a intervenção imperialista na região e mostra a luta dos povos latino-americanos contra essa dominação. Guaidó foi ao Twitter no domingo (12) anunciar que irá “reestruturar” a Telesur por meio de uma “comissão presidencial”, que promoveria o “resgate” do canal de TV. Trata-se de mais uma ação golpista e de sabotagem do imperialismo. Como se não bastasse exportar o sinal da CNN para a América Latina, promovendo o golpismo em toda a região

a serviço do imperialismo, o imperialismo quer transformar a Telesur em mais um canal para reproduzir sua propaganda. Ou simplesmente sucatear a Telesur até que deixe de existir. Com ajuda do imperialismo, a direita venezuelana roubou diversos ativos do governo, aprofundando a crise criada pelas sanções econômicas, pela sabotagem da direita golpista e pela desestabilização deliberada do país. Agora vão tentar roubar a Telesur para evitar a difusão de qualquer fato que desmascare a farsa do imperialismo em sua campanha de mentiras contra o governo do presidente Nicolás Maduro. Essa tentativa de sequestrar a Telesur para submetê-la à direita golpista deve ser repudiada e denunciada, como mais uma ação criminosa do imperialismo contra o povo da Venezuela. Enquanto Guaidó permanecer solto ele deverá continuar agindo de maneira criminosa para prejudicar seu próprio país em benefício dos interesses dos EUA na Venezuela.

A Reuters foi financiada secretamente pelo governo britânico nas décadas de 1960 e 1970 para espalhar propaganda imperialista pelo mundo. É o que revela um documento secreto tornado público ano passado. O esquema para ocultar o financiamento por meio da BBC foi montado a pedido de uma unidade de propaganda antissoviética ligada ao serviço de espionagem, conforme mostra uma reportagem da BBC publicada segunda-feira (12). O dinheiro foi usado pela Reuters para expandir suas atividades no Oriente Médio e na América Latina. Esse fato mostra como a imprensa burguesa, enquanto se apresenta como imparcial, está intimamente ligada aos interesses dos capitalistas mais poderosos. Por meio de grandes agências como a Reuters o imperialismo organiza sua política em todo o mundo, orientando seus lacaios e fazendo propaganda a favor de sua política disfarçada no meio das informações levantadas por uma vasta rede de jornalistas. Quando se fala em fake news (“notícias falsas”) o objetivo é justamente preservar o poder político dos grandes monopólios da informação. Por menor que seja a imprensa independente, sem financiamento de grandes capitalistas, a expressão de opiniões divergentes da propaganda da imprensa burguesa ameaça romper o

cerco criado por uma imprensa golpista e comprometida com a enganação generalizada do povo. No entanto, enquanto usam a cínica campanha das fake news para procurar estabelecer algum tipo de censura, é a própria imprensa burguesa que tem como atividade política principal espalhar mentiras para confundir telespectadores, ouvintes e leitores em favor dos poderosos. A denúncia de que a Reuters foi financiada por espiões encarregados de fazer propaganda antissoviética ajuda a explicar o mecanismo de difusão de campanha contra determinados governos de países atrasados nos dias de hoje. BBC e Reuters negam que um financiamento como esse poderia acontecer hoje, alegando que contrariaria seus “princípios”. No entanto, basta olhar como os grandes monopólios das comunicações internacionais cobriram eventos como os golpes na Ucrânia e no Iraque, entre inúmeros outros exemplos, para identificar imediatamente o alinhamento da imprensa dos países imperialistas aos interesses do imperialismo no mundo. A máquina de propaganda funciona a todo vapor a serviço dos interesses dos grandes monopólios internacionais e de sua dominação sobre os países atrasados e do controle sobre setores inteiros da economia.


INTERNACIONAL | 5

O CHAMADO DO HEZBOLLAH

A TRAGÉDIA ALEMÃ

15/01/1919: direita assassina Rosa “É hora de vingar Soleimani e expulsar EUA do Oriente Médio” Luxemburgo e Karl Liebknecht Organização libanesa chama a luta contra as forças imperialistas do região O assassinato do general iraniano Qassim Soleimani, no último dia 2, em um criminoso e traiçoeiro ataque organizado pelos EUA, estimulou a luta contra o imperialismo em todo o Oriente Médio e aprofundou a crise da dominação imperialista na região. Depois das manifestações que reuniram centenas de milhares de pessoas nas ruas do Iraque, Irã e outros países da região, Resultado de imagem para protesto Hezbollah suleimanilogo após o ataque norte-americano, cresceu também o apoio ao Irã em toda a região, ao contrário do que a imprensa capitalista procura divulgar em todo o mundo. Um exemplo claro dessa situação foi o pronunciamento do organização libanesa Hezbollah afirmou que, no último domingo (12), divulgou pronunciamento em que afirma que que chegou a hora de os aliados do Irã começarem a trabalhar para vingar o assassinato de Soleimani. O Hezbollah, acusado de de terrorista pelos EUA, foi organizado no começo da década de 80, logo após a revolução iraniana (1979) recebendo o apoio da Resultado de imagem para Hezbollah apoio IrãGuarda Revolucionária do Irã e é apontada como sendo parte importante da aliança regional liderada por Teerã conhecida como “eixo da resistência”. A manifestação do Hezbollah encontra amplo apoio, não apenas no povo libanês, mas em toda a região duramente oprimida e atacada pelos EUA e seus aliados na região como o estado sionista de Israel e a monarquia saudita. De acordo com o dirigente do Hezbollah, Sayyed Hassan Nasrallah, as ações contra os EUA deve acontecer “nos próximos dias, semanas e meses”. E acrescentou que observa um “longo caminho” até atingir seu objetivo de expulsar as forças norte-americanas da região.

Nasrallah negou que o general iraniano estivesse planejando ataques aos territórios norte-americanos no Iraque, pretexto usado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para justificar o ataque criminoso. A situação no Líbano, Iraque e toda a região, evidencia as dificuldades que os EUA e seus aliados imperialistas têm para levar adiante sua operação de ataques e cerco ao Irã, expressando o enorme apoio popular que o povo e o governo iraniano têm em seu enfrentamento contra as maiores potências capitalistas do planeta que já promoveram centenas de guerras, com milhões de mortos na região para defender o controle dos grandes monopólios internacionais sobre o petróleo e demais riquezas da região. Fica claro, neste momento, apesar das distorções feitas pela imprensa imperialista, que há um enfraquecimento das posições políticas e militares do imperialismo na região, frente a um crescimento da revolta popular contra os EUA e seus aliados. Essa situação abre caminho para que as massas populares dos diversos países e nacionalidades intervenham na crise e avancem em direção a um amplo movimento para expulsar em definitivo os EUA e seus aliados do Oriente Médio, o que poderá abrir uma etapa de lutas vitoriosas de todos os povos da região. Essa mobilização, pelos meios que forem necessário, devem ser apoiada e impulsionada pela esquerda classista em todo o mundo. É preciso deixar de lado as considerações de natureza abstrata e secundárias sobre o caráter do regime iraniano, muito comuns na abordagem da esquerda burguesa e pequeno burguesa, e apoiar ativamente a luta de um país oprimido contra um país opressor.

Reconhecidos como os principais dirigentes do Partido Comunista Alemão, Rosa Luxemburgo e Karl Liebknecht foram brutalmente assassinados pela contra-revolução alemã. Há exatamente 101 anos, os dois principais dirigentes do Partido Social Democrata alemão foram brutalmente assassinados pela direita alemã. Rosa e Karl estavam em meio ao calor da crise revolucionária que permanecia aberta depois da revolução de novembro de 1918 – que derrubou o Kaiser. O surgimento dos sovietes (conselhos operários), a queda do Kaiser e, sobretudo, a proclamação da República, inquietavam Rosa, que não via a hora de dar o golpe de misericórdia e mover a roda da história alemã em direção ao socialismo. De origem polonesa, Rosa Luxemburgo fora obrigada a sair do seu país aos 19 anos, passando a morar em Zurique, na Suíça – local onde fez contatos com lideranças sociais-democratas exiladas, como Vera Zasulitch, o pai do marxismo russo, Georgi Plekhanov e Pavel Akselrod; naquele momento os maiores difusores do marxismo na Rússia. Rosa foi fundadora da Liga Spartakus, organização socialista e anti-imperialista que teve papel de destaque na Alemanha durante a primeira guerra mundial. Posteriormente, essa organização deu origem ao Partido Comunista Alemão. Rosa foi, sobretudo, uma ferrenha combatente contra o revisionismo teórico de Bernstein no interior da social-democracia alemã. Defensora da experiência da Revolução Russa de 1905 [considerada como o “ensaio geral”, por Lenin], destacou, sabiamente, o uso da greve geral como instrumento importante na luta revolucionária. A vida de Rosa foi completamente dedicada à militância. Já em 1893, aos 22 anos, colaborou na fundação do Partido Social Democrata Polaco. Logo em seguida, em 1898, en-

trou para o Partido Social Democrata Alemão. Pouco depois do levante revolucionário russo ocorrido em 1905, Rosa, apoia os bolcheviques contra os mencheviques em todos os problemas mais importantes da Revolução russa, em 1907, na conferência do Partido Social Democrata Russo, em Londres. Por conseguinte, no mesmo ano, no Congresso de Stuttgart da II Internacional, juntamente com Lenin, se coloca firmemente contra a guerra, elaborando a proposta que foi adotada, na essência, pelo Congresso. Mais tarde, após a Revolução de Novembro de 1918 na Alemanha, Rosa junta-se a Karl Liebknecht, político, advogado e revolucionário, e fundam o Partido Comunista Alemão. Reconhecida por seu domínio na área da filosofia e da economia, Rosa era, certamente, uma das herdeiras de Marx, concentrando-se na crítica ao modo de produção capitalista e suas contradições. No entanto, logo depois da revolução de novembro de 1918 que derrubou o Kaiser, Rosa Luxemburgo foi assassinada, ao lado de Karl Liebknecht. Os dois foram sequestrados por um destacamento de soldados por volta das nove horas da noite, e levados ao Hotel Éden para averiguações. Ao invés de seguirem para a prisão, onde se encontravam centenas de operários revolucionários, os dois dirigentes revolucionários foram conduzidos ao zoológico municipal onde terminariam brutalmente assassinados. Afinal, a burguesia e os generais alemães já haviam decretado a sentença de morte dos dois principais dirigentes do Partido Comunista Alemão. Dias depois, sem identificação, os dois corpos seriam jogados nas águas frias do canal Landwher.

Colômbia: direita assassina mais um ativista; são 18 vítimas em 2020 Mais um líder social assassinado na Colômbia. Nesta segunda-feira, a Fundação Cordobexia anunciou mais uma morte, agora, do líder camponês Jorge Luis Betancourt Ortega, no departamento de Córdoba, no norte da Colômbia, que soma 18 ativistas e ex-combatentes mortos desde que iniciou o ano de 2020. Jorge Luis Betancourt Ortega, 42 anos,que foi morto à tiros em sua casa na tarde de segunda feira,era coordenador de esportes do Community Actio Board no distrito de San Francisco del Rayo no município de Montelíbano no departamento de Córdoba. O instituto de Estudos para o Desenvolvimento e a Paz (Indepaz), denuncia

que somente em Córdoba existem 270 pessoas, entre líderes comunitários, ativistas sociais e ex-combatentes das FARC ameaçados de morte. A média de assassinatos supera 2 por dia na Colômbia. Os assassinatos ocorrem principalmente nos departamentos de Cauca, Antioquia e Narinõ. Em 2019 250 líderes foram mortos . Além da denúncia do assassinato a Organização exigiu de Iván Duque a garantia de segurança dos ativistas, apelo irrelevante e pueril ,uma vez que o governo direitista tem relações estreitas com as milícias paramilitares que tomaram conta das províncias do país, inclusive com denúncias de financiamento destas milícias.

Desde que o acordo de paz foi firmado em 2016 e as FARC depuseram suas armas, contabiliza-se mais de 700 mortes de pessoas ligadas à movimentos sociais e integrantes das FARC, mostrando que o acordo foi um grande engano. A ideia de mudança por dentro do regime democrático burguês foi uma ilusão pois a oposição à extrema direita está simplesmente sendo sumariamente eliminada. A eliminação de líderes e ativistas sociais é uma prática difundida nos governos ditos democráticos por todo o mundo. A tática visa desestruturar as organizações e se intensifica à medida que as contradições do regime são expostas assim como a polarização se intensifica.

No Brasil, a ascensão fraudulenta do fascista Bolsonaro também levou a um crescente número de pessoas mortas no campo e na cidade. Os assassinatos são quase que diários, as execuções crescem na mesma medida em que o governo fascista perde seu apoio. Para enfrentar a escalada de mortes não existe outra alternativa a não ser o enfrentamento direto com os fascistas. O povo desarmado é alvo fácil para as milícias assassinas, sendo fundamental a formação de comitês de autodefesa por todo o país. Apostar nas eleições de 2022 é um engano colossal, fraudaram 2018 e fraudarão 2022.


6 | POLÊMICA E CIDADES

OFENSA NO CEARÁ?

Polícia do carnaval: Estado quer regular até a fantasia dos foliões Defensoria Pública do Estado parece ter ouvido o clamores da esquerda identitária e está em campanha contra fantasias que seriam “ofensivas” A Defensoria Pública Geral do Estado do Ceará iniciou uma campanha para o carnaval contra o uso de determinados tipos de fantasia. Nas imagens, divulgadas pela internet, pode-se ler “aça não é fantasia”, “Etnia não é fantasia”, “Identidade não é fantasia” e “Religião não é fantasia” (veja imagens abaixo). Não é a primeira vez que ideia desse tipo aparecem no carnaval. A novidade, até onde se sabe, é que a campanha desse ano no Ceará é feita de maneira oficial por um órgão de Estado. A ideia de que seria ofensivo usar determinadas fantasias é apresentada por setores da esquerda pequeno-burguesa identitária. No ano passado, Manuela D´Ávila do PCdoB chegou a fazer um vídeo para “explicar” quais fantasias seriam politicamente incorretas no carnaval. Ao defender tal ideia, a esquerda adota uma política de tipo policialesca através de um controle ideológico do

que se poderia ou não fazer. A esquerda acha que seria possível obrigar que o povo se adeque àquilo que ela acha ser certo ou errado. A campanha da Defensoria Pública mostra aonde pode ir essa ideologia da esquerda pequeno-burguesa: pode facilmente se transformar em um pretexto para uma ação de tipo policial por parte do Estado. Afinal, se é possível considerar determinado tipo de fantasia uma ofensa, ou até mesmo como insinua a campanha, racismo, preconceito religioso etc, estaria moralmente justificada uma repressão contra um cidadão que se fantasiasse seja lá do que for. Esta é a única consequência do controle ideológico proposto pela esquerda pequeno-burguesa. A repressão, no entanto, não irá recair sobre os verdadeiros racistas, fascistas etc. Como sempre, a repressão se voltará contra o povo pobre que está nas ruas apenas se divertindo no carnaval.

JUNDIAÍ (SP)

Jovem e negro, mais um assassinado pela PM Jovem é levado pela polícia sem qualquer registro de abordagem e cães farejadores encontram vestígios de seu cheiro 35km distante Os lacaios fascistas da polícia cada dia mais são incentivados a exterminar os jovens negros e pobres. Desta vez cães farejadores da própria polícia militar encontraram o cheiro do jovem de 20 anos, Carlos Eduardo dos Santos Nascimento, na mata próxima ao município de Jarinu (SP). O local fica a cerca de 35 km de onde o jovem foi abordado pela PM em Jundiaí (SP) no dia 27 de dezembro e levado algemado na viatura quando, em seguida, desapareceu. O desaparecimento do jovem, que era ajudante de caminhão de mudanças, não foi por acaso. Ele estava com quatro amigos se divertindo em um bar da periferia de Jundiaí quando a polícia abordou todos os presentes no recinto. Carlos sendo o único negro foi também o único a ter sido colocado na viatura. Sem sequer ter registrado a abordagem do jovem ele foi levado para um destino já bastante comum da polícia. Os lacaios que são chamados de policiais negam qualquer tipo de abordagem e, mesmo com o afastamento destes das ruas, a polícia trata o caso como mero desaparecimento. O fato é que as investigações só começaram seis dias após o ocorrido, dando mais tempo para a destruição de provas técnicas que comprovem o acontecido. A própria instituição aproveitou as festas de ano novo para ganhar tempo para

os agentes afastados limparem a área. Após esse período para não caírem em total descrédito perante a esquerda pequeno burguesa, iniciaram investigações que levaram a mata. Lá os policiais devem ter cometido todo tipo de atrocidade contra o rapaz, aproveitando da baixa de efetivo e da desmobilização da corporação para investigar seus próprios crimes. A política de Bolsonaro incentiva que situações como essa sejam cada dia mais comum. E é justamente isso que vem acontecendo. Massacres um após o outro demonstram que é uma política genocida que visa o extermínio de toda a população negra no país. Segundo o pai da vítima, os amigos dele “estão com medo, não só eles como todo mundo que viu a abordagem está com receio de ir conversar na Corregedoria e ir conversar na Polícia. Não sei o porquê, mas estão com medo de ir conversar e falar o que realmente aconteceu”. A milícia fascista do estado burguês costumeiramente tem essas atitudes, ataca, mata e depois persegue todos aqueles que possam ser testemunhas das atrocidades que cometem. A dissolução da PM é emergencial e somente o povo na rua pode fazer com que isso aconteça, fazendo com que a máquina de extermínio dos jovens negros e pobres cesse.

Aqui, vale a máxima fundamental do que sempre defenderam os marxistas: cada um fala e se expressa como quer. Colocar em prática uma espécie de polícia ideológica no carnaval só vai servir para atacar o povo em geral e particularmente o direito à livre expressão

da população. É preciso lembrar da repressão que os governos estão preparando contra o povo nas ruas durante o carnaval. Fica fácil descobrir qual o sentido dessa política de controle ideológico e censura: justificar ainda mais repressão.

Prefeito golpista do PSDB, Bruno Covas proibe uso de plástico O prefeito golpista Bruno Covas (PSDB) sancionou no último dia 13, lei que proíbe estabelecimentos comerciais de fornecerem produtos descartáveis feitos de plástico em São Paulo. Com um ano para se adequar à nova legislação, o comércio que desrespeitar as regras pode ser punido com multa de até R$ 8 mil ou acabar fechado pela Prefeitura. De autoria do direitista vereador Xexéu Tripoli (PV), o projeto aprovado pela Câmara Municipal passa a ser proibir na capital paulista o fornecimento de copos, pratos, talheres, agitadores para bebidas entre outros. Além da população em geral, bares, restaurantes e padarias, a nova lei mira empresas de festas infantis, clubes noturnos, salões de danças e espaços para eventos culturais e esportivos. Com a lei imediatamente aumentará a repressão ao comércio ambulante, barracas de pastéis e alimentação e feiras públicas . Mais uma vez usando da mesma farsa, já usada contra as sacolas plásticas em supermercados, com a desculpa da defesa da natureza, quando os supermercados marcavam com as embalagens o que ocorreu depois de toda campanha de governos, com auxílio da imprensa capitalista foi de que hoje em dia em todos os supermercados das grandes e médias cidades, o “cliente” paga pelas suas sacolinhas, aumentando ainda mais os lucros dos capitalistas. Agora a desculpa é que em lugar dos produtos de plástico poderão ser fornecidos outros com a mesma função em materiais biodegradáveis. Outros materiais que também estão proibidos são do tipo oxi-biodegradáveis – muitas vezes apresentados como “biodegradáveis”, por se decompor mais rápido.

Como toda medida que está destinada a aumentar determinados monopólios, a medida não afeta a venda de descartáveis em supermercado ou uso de garrafas pet para embalagens, o que mexeria com grandes capitalistas de rede de supermercados e da indústria da bebida. De acordo com a lei, em caso de não cumprimento o proprietário do estabelecimento receberá advertência na primeira autuação. Já na segunda, a Prefeitura irá aplicar multa de R$ 1 mil. O valor sobe para R$ 2 mil (terceira autuação) e R$ 4 mil (quarta e quinta autuações). Na sexta, a multa é de R$ 8 mil e o local é fechado administrativamente. Situação que aumentará a repressão com o comércio ambulante, onde os capatazes de Covas, a GCM e a fascista turma da remoção terão mais um álibi para retirar não só os plásticos descartáveis como todos os produtos. O vereador coxinha Xexéu Tripoli, autor do projeto declarou: “A gente sabe hoje que, na cidade de São Paulo, 16% do lixo que vai para aterro sanitário é plástico. Mas a gente não consegue mensurar exatamente quanto desses 16% é de plástico de uso único (descartáveis)”. Segundo a Autoridade Municipal de Limpeza Urbana (Amlurb), estima -se que foram recolhidos cerca de 3,65 milhões de toneladas de resíduos domiciliares em 2019 – o que indica 635 mil toneladas (16,9%) de plástico. O Governo Municipal que irá aumentar a repressão não cita por exemplo, porque não há uma política municipal de reciclagem. Os capitalistas mais uma vez, criam lei que no fundo serve para reprimir e controlar cada mínima coisa da vida da população. Sempre com uma justificativa moral.


ATIVIDADES DO PCO | 7

45ª UNIVERSIDADE DE FÉRIAS

Começa nesta sexta, em Ibiúna (SP), o maior curso sobre o fascismo Um momento de estudo, confraternização e lazer dos militantes e simpatizantes do PCO No próximo dia 17 de janeiroa, sexta-feira, tem início a 45ª Universidade de Férias do PCO e Acampamento da Aliança da Juventude Revolucionária. Com o tema “Fascismo, o que é e como combatê-lo, parte 2”, esse é o curso de formação política maior e mais tradicional da esquerda nacional, há mais de 20 anos organizado pelos militantes do PCO. Além de um curso aprofundado sobre o tema, coisa que não se encontra em nenhuma universidade, já que o PCO e o companheiro Rui Costa Pimenta – que será o expositor do tema – compreendem a teoria como um instrumento para a luta política prática, a Universidade de Férias também é um momento de confraternização entre os militantes e simpatizantes do PCO e amigos. Por isso, todos os anos o curso é realizado em um local agradável, com espaço pra esportes, lazer, debates,

exibição de filmes, palestras culturais e ótima alimentação. A cidade de Ibiúna, que fica a 70 quilômetros da capital paulista, na região de Sorocaba, é uma estância turística com muitos atrativos para quem quer descansar e aproveitar um pouco dias de tranquilidade. Pelo menos dois dias do período do curso, os participantes da Universidade de Férias farão passeios por pontos turísticos da cidade, que conta com cacheiras, represa, vinhedos, trilhas etc. Esse é mais um atrativo para todos aqueles que queiram aproveitar o mais completo e aprofundado curso sobre o fascismo com o companheiro Rui Costa Pimenta, ampliar o conhecimento do marxismo e conviver com os militantes da luta revolucionária de todo o País. Participe! A Universidade de Férias começa no dia 17 de janeiro e vai até o dia 25 de janeiro.

VENHA PARTICIPAR!

Participe do jantar do PCO, em Blumenau (SC) O PCO em Santa Catarina realizará um jantar nesta quarta-feira, com open bar, para financiar a ida para Universidade de Férias, venha participar! Nesta quarta-feira (15) acontecerá na Sede Estadual do Partido da Causa Operária em Santa Catarina, localizada na cidade de Blumenau, um belo jantar com churrasco, uma série de aperitivos, open bar e música ao vivo. Este jantar tem como intuito servir como base de arrecadação para a Universidade de Férias do PCO, a maior atividade de formação política da es-

querda brasileira que ocorrerá ainda neste mês de janeiro. Sendo assim, com a finalidade de unir os companheiros do estado em uma atividade de socialização, o PCO uniu o útil ao agradável e por meio de um convite de 50 reais, você poderá desfrutar de um completo jantar e ainda ajudar para que mais pessoas possam ir à universidade de férias, algo fundamental para

a formação política de todos, e em um momento de forte crise social e avanço do fascismo, ter tal preparação teórica é essencial para a atividade prática que decorrerá no próximo período. Por isso, junte-se a nós em um descontraído evento e ainda ajude na organização da Universidade de Férias com os militantes de Santa Catarina e região.

O Centro Cultural Benjamin Perret (CCBP) em Blumenau, encontra-se na Rua João Pessoa, número 707, no bairro da Velha, próximo a vila germânica. O jantar começará a partir das 19 horas e prosseguirá durante toda noite. Interessados em participar e/ou ajudar financeiramente, podem entrar em contato com um dos organizadores do evento no estado: (47) 9 9155 2525 (Telefone e Whatsapp).

TODAS ÀS SEGUNDAS-FEIRAS ÀS 14H NA CAUSA OPERÁRIA TV


8 | POLÍTICA E ECONOMIA

DEMITIR NAS RUAS OS DOIS

Bolsonaro quase demitiu Moro, é preciso aproveitar crise da direita As contradições internas da direita não vão derrubá-la sozinhas, mas favorecem a mobilização pelo Fora Bolsonaro! Segundo um livro lançado recentemente, o golpista Jair Bolsonaro quase demitiu Sérgio Moro. É o que conta a jornalista Thaís Oyama na publicação, que chegou às livrarias sob o título “Tormenta – O governo Bolsonaro: crises, intrigas e segredos”. Quem impediu a demissão foi o general Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança Institucional. Heleno disse a Bolsonaro: “se demitir o Moro, o seu governo acaba”. O que despertou a ira do golpista na presidência foi o fato de Moro criticar uma decisão de Dias Toffoli, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) relativa ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) que beneficiou o senador Flávio Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro. Diante das críticas, feitas publicamente, Bolsonaro queria demitir seu ministro da Justiça do governo. Esse episódio, além de mostrar mais uma vez Bolsonaro usando seus poderes para proteger a família contra o

interesse público, revela o ambiente de permanente crise entre os diversos setores da direita que dividem o poder desde o golpe de estado de 2016. Moro, como representante da Lava Jato, ligada ao imperialismo, representa uma potencial ameaça eleitoral para o próprio bolsonarismo. Os dois, no entanto, são obrigados a continuar convivendo dentro do governo, em permanente tensão. Esse fato é característico de um governo improvisado como é o de Bolsonaro. O plano original dos golpistas era eleger Geraldo Alckmin, mas tiveram que apoiar Bolsonaro de última hora, evidenciando a crise interna do regime golpista que a direita está procurando estabilizar. As contradições internas dos diversos grupos golpistas que compõem esse governo de extrema-direita devem continuar alimentando crises enquanto o governo durar. Diante disso, à esquerda cabe aproveitar esse quadro de crise para se

mobilizar contra o governo. A direita não vai cair sozinha, por mais brigas que haja dentro do governo. No caso mais extremo, a direita poderia superar essa crise com uma solução à direita. É necessário que a classe trabalhadora entre em cena, indo às ruas contra o governo. Nesse caso a

crise interna do governo pode ajudar a derrubá-lo. Esse é mais um elemento, portanto, que torna favorável a luta pelo Fora Bolsonaro! Essa é a palavra de ordem mais popular do País hoje, e precisa ser levada às ruas de forma organizada pelas organizações de esquerda.

POVO MORRE COMO NUNCA ANTES

Dengue aumentou quase 500% sob Bolsonaro Em 2019, foram registrados mais de 1,5 milhão de casos em todo o País Foi anunciado pelo Ministério da Saúde, um aumento de 488% nos casos de dengue em 2019, em relação ao ano de 2018. A situação que vinha se deteriorando nos últimos anos, se gravou drasticamente no governo do fascista Jair Bolsonaro, sobretudo no mais populoso estado do país, São Paulo. Em todo país foram registrados 1.544.987 pessoas com dengue durante o ano, sendo que 782 morreram por isso. Além disso, doenças como Zika ultrapassaram a marca de 10 mil ocorrências e foram 132 mil casos de Chikungunya. Só em São Paulo foram ocorreram mais de 33% dos casos de dengue e mortes no país. A campanha feita pelo governo diz respeito a época do ano, que seria naturalmente mais propicia ao desenvolvimento da doença, como também uma evolução do vírus, o que teria causado maior proliferação. No entanto, o que não explicam os jornais burgueses é que o aumento de todas as doenças, algumas até já erradicadas no país, ocorreram justamente após o golpe de Estado em 2016, e aprofundou-se ainda mais após o início do governo Bolsonaro, um fascista que está dando continuidade a política golpista e literalmente destruindo o país. O aumento no número de casos e mortes reflete a politica consciente de destruição da saúde pública brasileira e o aumento desigualdade social,

fruto da política de destruição da economia nacional e ataque à população trabalhadora em favor dos interesses do grande capital imperialista. Bolsonaro conseguiu com isso um aumento significativo no número de mortes causadas por doenças no país, tudo isso em apenas um ano de governo, algo que demostra com facilidade que se permitirmos que o mesmo complete seu mandato ilegítimo de quatro anos, o País estará completamente destruído e o povo vivendo em uma situação de miséria e sofrimento nunca antes vista. Mobilizar o povo pelo Fora Bolsonaro é assim uma necessidade urgente, não podemos permitir que o povo continue morrendo devido a total destruição da saúde e condições básicas de vida promovidas por um governo fantoche do imperialismo. Fora Bolsonaro e Todos os Golpistas!

A GLOBO

MENTE O DIÁRIO

DESMENTE


POLÍTICA E ECONOMIA | 3

ENTREGUISMO

Os 22 aeroportos que os golpistas querem privatizar em 2020 Meta do governo é passar para a iniciativa privada todos os terminais sob responsabilidade da Infraero até 2021

A política entreguista de Jair Bolsonaro para a economia vai de vento em popa. Depois de privatizar 12 aeroportos em março de 2019, o governo anunciou a entrega de mais 22 aeroportos brasileiros para a iniciativa privada até o fim de 2020. A meta é “vender” todos os terminais sob responsabilidade da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) até 2021, o que deve extinguir o órgão. Os terminais desta rodada de privatizações estão localizados, principalmente, nas regiões Sul, Centro-Oeste e Norte. A entrega oficial dos 22 aeroportos será por meio de leilão que está previsto para outubro. Ainda não foi definido o valor de outorga – preço que as empresas vencedoras pagam à União. Os aeroportos foram agrupados em blocos para a venda, sendo que cada bloco terá um aeroporto mais rentável e outros com menor demanda de passageiros. Com esse modelo de licitação, não será possível para os consórcios adquirirem a concessão de um único aeroporto. A estratégia do governo demonstra sua meta de “se livrar” de todos os terminais, inclusive os menos lucrativos. Segundo a organização do Ministério de Infraestrutura, o bloco Sul contém nove aeroportos, incluindo o de Curitiba que é o mais atrativo. No bloco Central, serão entregues o aeroporto de Goiânia e mais cinco. O terceiro bloco da rodada de leilão será o Norte I, com sete aeroportos, sendo o de Manaus o mais lucrativo. Em 2018, os terminais dos três blocos movimentaram 23,7 milhões de passageiros, ou seja, 11,2% do mercado nacional de aviação. A imprensa burguesa destaca que a entrega dos aeroportos deve fortalecer o que chamam de retomada na economia. No entanto, o cenário de crise com alta no valor dos combus-

tíveis, que representam mais de 20% dos custos operacionais diretos de um voo, e das passagens aéreas devem frear o número de passageiros do transporte aéreo. Além disso, a privatização deve comprometer milhares de postos de trabalho da Infraero. Ainda assim, os números sobre a movimentação de passageiros dão uma ideia do quanto as empresas do setor aeroportuário poderão lucrar com a “compra” dos aeroportos – as concessões terão duração de 30 anos. Os dados de 2018 colocaram o Brasil como o terceiro maior mercado de transporte aéreo do mundo. Vale lembrar também que os aeroportos receberam grande investimento dos cofres públicos nos governos do PT com reformas e ampliações para a Copa do Mundo de 2014 e para as Olimpíadas em 2016. Segundo o Tribunal de Contas da União, as obras relativas a aeroportos custaram R$ 6,2 bilhões – isso até a data do campeonato mundial. Finalmente, é importante destacar que esta é apenas a segunda rodada de privatizações. O governo federal garante que fará, ainda, uma terceira e última rodada de leilão com a oferta de 19 terminais para a iniciativa privada, entre os quais estão os principais aeroportos brasileiros sob controle da Infraero: Congonhas (SP) e Santos Dumont (RJ), que juntos receberam 31,1% do tráfego doméstico em 2017. Portanto, diante de mais esse ataque à economia nacional, é preciso que os trabalhadores aeroportuários e seus sindicatos organizem protestos contra a medida dos golpistas e que a população saia às ruas com a palavra de ordem “Fora Bolsonaro”. Só a mobilização popular das massas para derrubar o governo eleito pela fraude poderá pôr fim ao golpe de estado e barrar a entrega total do patrimônio público aos capitalistas.

Reunião do Coletivo de Mulheres Rosa Luxemburgo Todos os sábados às 16h Local: Centro Cultural Benjamin Perét Rua Serranos nº 90, próximo ao metrô Saúde São Paulo - SP Entre em contato conosco: • telefone/whatsapp: (11) 98192-9317 • facebook: @coletivorosaluxemburgo • Se você não for da cidade de São Paulo, participe a distância via Skype. Contato no Skype: mulheres_8


10 | MOVIMENTO OPERÁRIO

PARA FAVORECER OS BANQUEIROS

Guedes ameaça funcionários públicos Ministro da economia, o golpista, banqueiro neoliberal, ameaça trabalhadores das estatais, caso reivindiquem seus direitos, quer demitir, privatizar sem reclamação Formado em Chicago e professor no governo no Chileno, do ditador e sanguinário Augusto Pinochet, Paulo Guedes está ameaçando os funcionários públicos. Segundo ele, “não seria do interesse do funcionalismo não criar muita onda agora”, afirmou ao portal Terra, ontem (14). O ministro golpista, admirador da política implementada pelos governos de Ronald Reagan, nos EUA, e da Margareth Thatcher, na Inglaterra ameaçou os servidores públicos para não entrarem em greve. “Qualquer onda do funcionalismo para pedir aumento de salário agora, mais privilégios, seria uma demonstração colossal de insensatez”, afirmou ao jornal Estadão. O Pinochetista Paulo Guedes, favorável à ditadura militar disse ainda, “com 40 milhões de brasileiros sem carteira assinada, acredito que, se isso ocorrer, poderá levar a opinião pública a exigir medidas muito mais duras do que as que nós vamos propor para os funcionários atuais na reforma administrativa. Estamos poupando o funcionalismo na questão da estabilidade e não estamos falando nada de salários atuais.” De acordo com o ministro da economia, que está quebrando o país junto

com o fascista e fraudulento Bolsonaro, mentiu cinicamente ao afirmar que nos últimos 15 anos, o funcionalismo federal teve mais de 50% de aumento real (acima da inflação) nos salários, enquanto o Brasil mergulhou no desemprego em massa. Ao contrário do que afirma o ministro, o que se vê no País é um brutal ataque aos servidores públicos, com salários congelados, fechamento de milhares de postos de trabalho, cortes de recursos dos orçamentos públicos etc. Uma preocupação do governo é

que, já no mês de janeiro, os trabalhadores estão começando a se mobilizar contra a as medidas neoliberais, contra as demissões e as privatizações, como por exemplo os trabalhadores da Casa da Moeda, os atos dos bancários da Caixa Econômica Federal, dos Petroleiros, na Bahia, bem como os correios que, hoje e amanha (15 e 16) vão se reunir e há indícios de paralizações, entre outros. O ministro Paulo Guedes, discípulo de Von Mizes quer, na realidade fazer como, seu outro tutor, o Milton Fried-

man que impôs à população de Johnstown, no Estado da Pensilvânia, nos EUA, inundada em 1989, onde morreu mais de 2200 pessoas, a privatização de todas as escolas e muitas outras dificuldades aquele povo. Seguindo os ensinamentos de seu professor Friedman, Guedes, neste ano de 2020 já quer desfazer de várias estatais, mas a mobilização dos trabalhadores poderão criar dificuldades, pode não ser tão fácil como tinha sido previsto, por isso Guedes está desesperado. Temendo um possível “amolecimento” de Bolsonaro com a pressão dos servidores, Guedes disse acreditar que “ele sabe a diferença entre um presidente forte e popular, como (o ex-presidente americano) Ronald Reagan e a ex-primeira ministra (britânica) Margaret Thatcher, e um populista e fraco, como (o ex-presidente) João Goulart”. (portal Terra, 14/01/2020) Para os servidores só há uma alternativa para impedir o ataque do governo golpista do Bolsonaro e seus pares, contra o desemprego e a privatização, a mobilização do conjunto das direções sindicais dos trabalhadores, da CUT, dos sindicatos do funcionalismo, bem como, formação de comitês de luta por fora Bolsonaro

ATAQUE À SOBERANIA NACIONAL

Greve na Casa da Moeda: aumentar o movimento até frear a privatização Os trabalhadores da Casa da Moeda estão em greve e ocupam a sede administrativa da empresa. O Partido da Causa Operária apoia o movimento de ocupação e luta contra a privatização. Os funcionários da Casa da Moeda estão em greve contra a privatização anunciada pelo governo Bolsonaro desde a última sexta-feira (10). Um grupo de trabalhadores ocupa a sede administrativa, que fica no complexo do parque fabril, localizado em Santa Cruz, zona oeste do Rio de Janeiro. Na segunda-feira, funcionários registraram o ponto, mas se recusaram a trabalhar. No dia 5 de novembro de 2019, o presidente Jair Bolsonaro editou uma Medida Provisória (MP) que quebra o monopólio da Casa da Moeda na fabricação de dinheiro, passaportes, selos postais e fiscais federais e controle sobre a fabricação de cigarros e bebidas. A intenção do governo, com a quebra do monopólio, é permitir que um punhado de empresas estrangeiras que dominam o mercado mundial participem em licitação para assumirem o serviço. A entrega deste serviço para empresas estrangeiras é um atentado contra a soberania nacional, além de aumentar a possibilidade de falsificação de passaportes e outros documentos públicos, a sonegação de impostos e entregar dados fundamentais sobre o funcionamento da economia e sobre a

população brasileira nas mãos de empresas estrangeiras, que, como se sabe, são estreitamente ligadas aos governos de outros países. A produção de dinheiro de forma errônea coloca em risco a própria segurança econômica do país. Países como Estados Unidos, Japão, Unidos, Japão, Coreia do Sul, Austrália, África do Sul, Inglaterra, França, China e Alemanha produzem suas próprias moedas para garantirem a soberania nacional. Nos três países mais industrializados da América Latina, Brasil, Argentina e México, a produção de dinheiro é feita por órgãos públicos. Nos Estados Unidos, a produção da moeda é feita exclusivamente por entidades públicas. A greve com ocupação da empresa é uma política correta por parte dos trabalhadores. O Partido da Causa Operária apoia o movimento de ocupação, uma vez que este é o único meio de impedir a entrega da Casa da Moeda e o ataque frontal à soberania do país, que são parte do programa golpista de entregar o patrimônio público em função dos interesses do capital internacional e alinhar a política do país de acordo com os interesses do imperialismo mundial.


MOVIMENTO OPERÁRIO | 11

PARA FAVORECER OS BANQUEIROS

Petrobrás: petroleiros da Bahia fazem ato contra a privatização Sindipetro reune a sociedade civil organizada para manifestação em defesa da Refinaria Landulpho Alves-Mataripe durante a visita dos chineses da Sinopec, interessados na compra O Sindicato dos Petroleiros da Bahia (Sindipetro), acompanhado por diversas associações de moradores das cidades vizinhas – Associação de Pescadores de São Francisco do Conde, Sitcan, Sindsefran e sociedade, realizou, nesta terça-feira (7), um ato na Refinaria Landulpho Alves-Mataripe (RLAM) contra a visita da comitiva da estatal petroleira chinesa, a Sinopec, uma das petroleiras estrangeiras interessadas na compra das refinarias brasileiras, que foi acompanhada pela alta cúpula da direção da Petrobras. Segundo Jairo Batista, coordenador geral do Sindipetro Bahia, “A visita dessa comitiva à refinaria visa satisfazer a segunda fase do processo de venda. Nós, trabalhadores da Petrobras, ativos, terceirizados e aposentados, somos totalmente contrários, assim como a sociedade, por conta do investimento financeiro, do trabalho e da luta feitos pela e para a estatal. Não é justo entregar assim de bandeja para os estrangeiros”. Os petroleiros afirmam que a luta contra a privatização do Sistema Petrobras ultrapassa as questões corporativas. Essa deve ser uma luta de toda a sociedade, ponderou o coordenador do Sindipetro Bahia, Jairo Batista, lembrando o importante papel desempenhado pela estatal em prol do desenvolvimento do Brasil. “A venda

das refinarias é um ataque à soberania nacional e a autonomia do país em relação ao processamento de derivados de petróleo, colocando um setor estratégico da economia brasileira nas mãos de empresas estrangeiras”. A campanha de privatização de uma das maiores empresas do país pelo governo ilegítimo do fascista Jair Bolsonaro, respaldado pelo atual presidente Roberto Castello Branco está fazendo com que os petroleiros fiquem cada vez mais apreensivos. São mais de 13 mil petroleiros que podem perder o emprego, uma demissão em massa envolvendo trabalhadores efetivos e terceirizados. Nos últimos cinco anos, um em cada quatro trabalhadores efetivos da Petrobras foi desligado da empresa. Entre os terceirizados, foram dois em três”, alerta o coordenador da Federação Única de Petroleiros – FUP, José Maria Rangel, e, ainda, que 270 mil trabalhadores, entre próprios e terceirizados, já perderam seus postos de trabalho em função do desmanche do Sistema Petrobras. A essa completa destruição e desmanche da estatal, também se soma a insistência da empresa em assediar os trabalhadores adotando metas de saúde e segurança como critérios para pagamento de bônus e concessão de vantagens.

Pressionado por Guedes que fala em recuperação da empresa, atacando o chamamento de greve, com ameaças de demissão inclusive, o sindicato fez um levantamento da repercussão dessa política entreguista contra a categoria e apurou que, entre 2013 e 2018, a Petrobras registrou a maior queda no número de trabalhadores entre as grandes petroleiras do mundo. O número de trabalhadores da companhia caiu 26,4%, de 86.108 para 63.361 trabalhadores. No mesmo período temporal, a Total elevou em 5,7% seu quadro profissional, passando de 98.799 para 104.406 trabalhadores. Entre trabalhadores terceirizados o corte de pessoal foi ainda maior: de 360.372 trabalhadores em 2013 para 112.362 no primeiro trimestre deste ano, um corte de 68,8%. Além de demissões e transferências em massa, a atual gestão da Petrobras vem promovendo uma política de venda de diversos ativos da companhia que tende a aumentar ainda mais o corte de pessoal da empresa. A consequência disso será o aumento da taxa de desemprego, que ficou em 12,5% no terceiro trimestre, de acordo com o IBGE, números esses de dezembro de 2019. As taxas de desemprego e desocupação são, inclusive, mais uma prova de que o ministro Paulo Guedes está equivocado quando, ao criticar os pe-

troleiros, mencionou uma suposta recuperação da economia brasileira. Ao contrário do que prega Guedes, analistas apontam um crescimento pífio do PIB para 2019, demonstrando assim que não há a recuperação que o ministro diz ocorrer. Para impedir os ataques e a entrega da estatal ao capital estrangeiro, ao imperialismo, a única forma eficaz de luta neste momento é a intensificação das mobilizações. A greve já sinalizada é o estopim para isso. Mesmo assim, a garantia do sucesso da mobilização só se afirma com um pronunciamento mais incisivo dado pela ocupação das plataformas e refinarias, e dos principais pontos da empresa pelos trabalhadores. Não existe outra alternativa que possa assegurar um retrocesso do governo no cronograma de entrega da empresa senão uma radicalização do movimento, que, inclusive, deve ser acompanhada de toda a classe trabalhadora do País, que precisa, necessariamente, que a CUT, os sindicatos combativos das principais categorias, chamem a responsabilidade pra si tomando a dianteira de atos e manifestações de apoio e solidariedade aos petroleiros, exigindo que a estatal permaneça como patrimônio público nacional, 100% estatal e sob o controle dos trabalhadores.

ATO CONTA A PRIVATIZAÇÃO

Bancários de Brasília realizam ato contra a privatização da Caixa Sindicato dos Bancários de Brasília e Trabalhadores da Caixa Econômica realizam ato contra a política de privatização do governo golpista No último dia 13 de janeiro, bancários do país inteiro foram às ruas em manifestação contra a política do governo ilegítimo/fascista, Bolsonaro, de privatização da Caixa Econômica Federal. As manifestação acontecem no mês em que o banco completa 159 anos de existência, fundada ainda na época do império de Dom Pedro II. Sua história de fundação é bem peculiar e de características bem populares, tendo como uma das mais importantes a procura pelas camadas mais populares da população, incluindo os escravos, que podiam economizar para obterem as suas cartas de alforria e, essas características populares permanecem até hoje. Sendo o maior banco público da América Latina, suas maiores operação estão voltadas para o desenvolvimento social através de programas, tais como, pagador da Bolsa Família, Seguro Desemprego, financiamento de obras públicas, principalmente voltadas para o saneamento básico, financiamento da casa própria, Minha Casa Minha vida, voltada para a população de baixa renda, etc. É contra tudo isso que o governo golpista de Bolsonaro e seus asse-

clas pretendem acabar, para entregar esse gigantesco patrimônio do povo brasileiro nas mãos de meia dúzia de banqueiros internacionais, como já foi várias vezes repetida, tanto pelo tresloucado Ministro da Economia, Paulo Guedes, quanto pelo próprio presidente da Caixa, Pedro Guimarães. O ato contra, a privatização da Caixa em Brasília, aconteceu em frente ao prédio Matriz I. O ato começou por volta da 10h, foram organizadas tendas, a temperatura nessa segunda-feira passou dos 30º, onde os bancários foram se aglomerando para acompanhar as atividades que aconteceram no espaço em frente ao prédio, que abriga mais de mil trabalhadores. Além da distribuição de camisetas, bonés e panfletos da campanha A CAIXA É TODA SUA, o ato contou com a participação da Orquestra de Senhoritas, grupo instrumental brasiliense, com a apresentação de músicas nacionais cujo os temas estava mais voltada para a luta dos trabalhadores. As manifestações dos trabalhadores da Caixa, que aconteceram no país inteiro, é uma resposta à política de ataque da direita golpista a todas as empresas estatais e, no caso espe-

cífico, à Caixa Econômica Federal que está sendo fatiada com a venda das suas subsidiárias, como aconteceu no final do ano passado quando os golpistas leiloaram a Lotex e entregaram, a preço de banana, para um consórcio estrangeiro formado pelas multinacionais italiana e norte-americana e, já no começo de 2020, a direção golpista da Caixa, através de Fato Relevante, publicou um comunicado a mercado informando a aprovação de oferta pú-

blica de ações da Caixa Seguridade. As manifestação, que aconteceram nesse dia 13 em todo o país, devem ser a ponta de lança para uma gigantesca mobilização dos bancários da Caixa, conjuntamente com os demais bancários e trabalhadores da estatais, que correm o risco de privatização, com a palavra de ordem que unifica toda a classe trabalhadora contra todas as medias dos golpistas: Fora Bolsonaro e todos os golpistas.


12 | NEGROS E CULTURA

BOLSONARISMO

Governo Bolsonaro ataca documentário indicado ao Oscar O presidente fascista Jair Bolsonaro atacou o documentário Democracia em Vertigem em coletiva de imprensa. O ataque à cultura é parte fundamental do programa da extrema-direita. Em coletiva de imprensa no Palácio Alvorada nesta terça (14), o presidente fascista Jair Bolsonaro atacou o documentário Democracia em Vertigem, que foi indicado a concorrer ao Oscar na segunda-feira (13). Segundo o fascista, o documentário é uma ficção da esquerda e o comparou com lixo, embora afirme que não o tenha assistido e se recusasse a responder mais perguntas feitas por jornalistas sobre o assunto. O secretário especial de Cultura do governo Bolsonaro, Roberto Alvim, um conservador e seguidor do astrólogo Olavo de Carvalho, foi além ao afirmar que o documentário é uma ficção da esquerda produzida com o objetivo de tentar minar a percepção da realidade. De acordo com Roberto, a indicação do documentário comprova a tese de que há uma guerra cultural sendo travada em âmbitos nacional e internacional. A direita fascista classifica toda a produção cultural de conteú-

do crítico como o que denominam de “Marxismo Cultural”. O documentário da Netflix, dirigido pela cineasta Petra Costa, aborda o golpe de Estado que se deu por meio de um impeachment fraudulento contra a ex-presidenta eleita Dilma Rousseff

(PT) em 2016 e toda a política golpista da direita que prendeu o ex-presidente Lula para retirá-lo da disputa eleitoral em 2018 e permitir que Jair Bolsonaro chegasse à Presidência da República. O ataque dos golpistas à cultura é parte fundamental de seu programa

de silenciamento contra a esquerda, os movimentos sociais e a população em conjunto. O bloco golpista, liderado por Jair Bolsonaro, busca implementar uma série de medidas para cassar a liberdade de expressão, a crítica política e o debate democrático. O programa Escola Sem Partido, a busca por acabar com a autonomia universitária e controlar a nomeação dos reitores, a imposição de trâmites burocráticos ao lançamento do filme Marighella por parte da Ancine, o esvaziamento de conteúdo dos livros didáticos e sua adequação à ideologia da extrema-direita, a implementação da ditadura militar nas escolas por meio do programa Escolas Cívico-Militares do MEC, o Projeto Valores que reinsere a educação moral e cívica nas escolas, a perseguição a jornalistas e artistas e a repressão policial a manifestações da cultura popular são todas tentativas de controlar a expressão cultural no país, etc.

CULTURA

INSTITUIÇÕES RACISTAS

Orquestra Sinfônica comemora 250 anos de Beethoven

Basta ser negro para mofar na cadeia

Orquestra Sinfônica presta homenagem Beethoven, mas golpistas continuam atacando a produção nacional

A orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro (OSTNCS) faz primeiro concerto da temporada 2020, no dia 4 de fevereiro, no Cine Brasília. A temporada estará comemorando 250 anos de Ludwig van Beethoven. A apresentação está sob a regência do maestro Cláudio Cohen e tem como repertório importantes composições de Beethoven. Tido como um dos maiores ícones da história musical mundial, Beethoven inovou em suas composições. Suas maiores obras foram composta nos últimos dez anos de sua vida, quando estava praticamente surdo. Suas principais obras incluem a Nona Sinfonia, Missa Solemnis e a Grande Fuga.

Apesar da importante homenagem ao compositor alemão, os golpistas continuam atacando a produção nacional, porque sabem que há uma tendência geral em contestar o golpe. Desde o inicio, o governo Bolsonaro vem sendo um propagandista contra as manifestações culturais, como a tropicália, o funk, o samba e até mesmo o cinema. Através das lei de incentivo e cortes nos fundos de cultura o governo quer controlar produção artística no país. O que está acontecendo é um cerceamento de expressão. Para combater esse inimigos da cultura, precisamos criar uma ampla campanha pelo “Fora Bolsonaro.”

Mesmo com provas da inocência, no Brasil os negros são mantidos presos Lucas Vital e Silva, 24, está preso desde 31 de julho de 2019, mesmo tendo provas claras de que estava em casa conversando com a namorada pelo WhatsApp, enquanto o roubo pelo qual foi preso estava ocorrendo. Assim, a Justiça de São Paulo, demonstra mais uma vez seu racismo contra a população negra, pois, desde o dia 29 de novembro, foi determinado que o IC (Instituto de Criminalística) fizesse a perícia no celular do jovem, mas até agora nada. Sobre a “investigação”, a PM foi até a região apontada pela vítima, Clayton Medeiros, 34, encontrando Vital e Silva conversando com um vizinho. Como de praxe, o negro é suspeito, e assim, “compararam” uma tal selfie do assaltante com o rosto de Vital e Silva e o levaram à delegacia do bairro. Vamos aos fatos “estranhos”. Após a vítima ver as imagens, áudios e mensagens, onde o suposto criminoso se encontrava no bairro do Jabaquara, conversando com a namorada no mesmo horário do roubo, a pelo menos 2,5 quilômetros de distância, alegou: “a voz dele não se parece com a do criminoso. O que parece: Parece que colocaram a foto dele num celular qualquer, pegaram a conversa de um cara qualquer, mostraram para você e disseram que era ele”. É assim que a polícia criminosa, assassina e racista trabalha, falsificando dados, queimando arquivos e passando por cima de todas as leis, enquanto a justiça “passa o pano” em tudo.

E aqui não se trata de um fato isolado, sendo que há inúmeras denúncias das arbitrariedades dessa instituição, e infinitas das outras dentro do golpe de Estado. É preciso ficar claro que isso é uma política da burguesia de conjunto, uma política da direita golpista, imperialista, levada à cabo no Brasil, nos EUA e que deve ser combatida com organização popular de todos os setores oprimidos. Após o golpe, as instituições burguesas vem tomando uma política abertamente fascista, higienista, aos moldes nazistas, encarcerando o máximo de pobres, pretos, imigrantes, enquanto livra empresários devedores de impostos, banqueiros ladrões de aposentadorias e políticos traficantes.


MULHERES E JUVENTUDE | 13

A DIREITA CONTRA AS MULHERES

Deputado do PSL defende assédio contra mulheres, isso é a direita Publicação do direitista foi uma crítica à ação de um grupo feminista para o carnaval em Santa Catarina O deputado estadual Jessé Lopes, do PSL, partido pelo qual Jair Bolsonaro foi eleito, defendeu o que ele chamou de “direito” da mulher de ser assediada, em uma postagem nas redes sociais. Para o deputado, o assédio “massageia o ego, mesmo que não se tenha interesse na pessoa que tomou a atitude”. A publicação foi uma resposta à ação de um grupo feminista que arrecada recursos para confeccionar e distribuir tatuagens temporárias com a frase “Não é não”, no carnaval em Santa Catarina. O direitista disse ainda que as mulheres já conquistaram todos os direitos necessários, muitas vezes, mais direitos do que os homens. Para ele, “hoje as pautas feministas visam (sic) em seus atos mais extremistas tirar direitos. Como, por exemplo, essa em questão, o direito da mulher poder ser

‘assediada’ (ser paquerada, procurada, elogiada…)”, escreveu. Essa é apenas mais uma mostra de como a direita e a extrema-direita pensam sobre a questão da mulher na sociedade. Longe de ser apenas a manifestação de um pensamento, os governos direitistas vem promovendo, ainda mais, a opressão contra as mulheres que serve como um mecanismo de dominação do povo, considerando que a população feminina corresponde a pelo menos metade da população. Mundialmente, com o avanço da extrema-direita, crescem os números de agressões e assassinatos de mulheres. O movimento “Não é não!”, por sua vez, repudiou a fala do deputado. Em entrevista ao portal O Globo, a cofundadora do movimento, Barbara Menchise, apontou que há diferença entre assédio e paquera e que assédio é crime. “Foi criada no ano passado a

lei da importunação sexual, que ficou conhecida como a ‘Lei do não’. Já entrou em vigor, e prevê de 1 a 5 anos de prisão.” É importante destacar, no entanto, que tanto a resposta da representan-

te do grupo como a própria ação de distribuir tatuagens para combater o assédio demonstram a falta de compreensão desses movimentos do problema real da mulher na sociedade. Essa característica é típica da maioria dos movimentos da esquerda pequeno-burguesa que dizem lutar pela libertação da mulher, enquanto exigem mais leis para punir a classe trabalhadora. Em vez de se apoiar no judiciário e na repressão estatal contra quem quer que seja, as mulheres devem se organizar para enfrentar os casos de violência, inclusive com a ajuda de homens nesse processo. De uma maneira mais ampla, os movimentos feministas devem lutar junto do conjunto da população pela derrubada do governo formado por elementos como o deputado Jessé Lopes, e pelo fora Bolsonaro.

CONTRA AUMENTO DA PASSAGEM

Amanhã: todos ao Theatro Municipal contra o aumento da passagem em SP É necessário protestar contra o aumento da passagem, a repressão policial, a exclusão social e a entrega do patrimônio público Neste próximo dia 16 de janeiro, o Partido da Causa Operária estará no Theatro Municipal de São Paulo, a partir das 18h com bateria, bandeiras, cartazes e panfletos para protestar junto a outros movimentos contra o aumento da passagem do transporte público de São Paulo. O momento também servirá para por em xeque toda a política direitista de aumento da repressão policial, exclusão social e entrega do patrimônio público promovida pelo go-

vernador João Dória e pelo prefeito Bruno Covas. Sempre é bom lembrar que o PSDB paulista apoia o governo Bolsonaro e comanda uma das polícias mais violentas do país, responsável por inúmeros desaparecimentos e massacres contra o povo pobre da periferia, a exemplo da chacina ocorrida em Paraisópolis. Nas áreas que poderiam trazer melhorias das condições de vida da população, Dória realizou o fechamento de unidades básicas de

saúde e paralisou diversas obras em hospitais. Na educação, ainda quando prefeito, o atual governador pretendeu dar ração às crianças das escolas públicas, restringiu o acesso à merenda escolar e dificultou a entrega de leite a milhares de famílias necessitadas. No âmbito da cultura, cortou verba de incentivo, apagou grafites em murais, que são obras de arte tradicionais da cidade. Também atacou violentamente os moradores de ruas e usuário de drogas, nas vezes em

que mandou jogar sobre eles água fria em pleno inverno. Fomentou ações desastrosas na Cracolândia, como a derrubada de um prédio na região com pessoas nas imediações, causando feridos e mortos. Portanto, é necessário lutar pelo Fora Dória, Fora Covas e Fora Bolsonaro, todos políticos da direita golpista que tem se alastrado no país com medidas anti-povo e pró-burguesia. Maiores informações sobre o evento no Facebook.

ESCOLA COM FASCISMO

Weintraub quer jogar no lixo 2,9 milhões de livros Weintraub pretende jogar fora cerca de 2,9 milhões de livros didáticos para dar seguimento à agenda golpista da escola com fascismo “Péssimos” e “muita coisa escrita”. Esses são os adjetivos que o presidente golpista Jair Bolsonaro utilizou para qualificar o conteúdo do material didático que o ministro da educação, Abraham Weintraub, pretende descartar. São cerca de 2,9 milhões de livros indo para a lata do lixo. Este governo que descarta milhões de livros didáticos novos é o mesmo cuja promessa de campanha era adotar a escola com fascismo, aquela que estimulava alunos à perseguição ideológica dos professores dentro da sala de aula – a mesma tática adotada por policiais à paisana dentro de salas das universidades nos anos em que ocorreram a ditadura militar.

Estes exemplares nunca foram usados, sequer abertos, e servidores do estado garantem que o valor total de todos estes livros pode ultrapassar 20,3 milhões de reais. Cada livro custa, em média, 7 reais e são de todas as disciplinas, desde o ensino fundamental ao médio. Os livros foram comprados pelo Ministério da Educação por meio do Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) em gestões anteriores. O levantamento aponta que estes livros teriam vencido entre os anos de 2005 e 2019. Agora todo o estoque precisaria de um destino, já que a sua manutenção tem um custo próprio. A questão é que não se trata apenas de cortar os custos para esta manutenção, atua-

lização do conteúdo ou controle de qualidade, mas dar prosseguimento à agenda de formação acrítica de alunos e professores. Weintraub alegou que “daria uma boa limpada” no novo conteúdo a ser distribuído para todas as escolas municipais e estaduais do Brasil. Nós já podemos imaginar que tipo de “boa limpada” esse ministro do golpe de Bolsonaro vai dar nesses livros. Além do enorme desperdício de material, o governo federal pretende descentralizar a verba de compra de merenda e materiais didáticos e passar a arrecadação para os municípios, já que a contribuição do salário-educação é de responsabilidade das empresas. Mais uma prova concreta de que o

golpe é totalmente contra a educação e a formação cultural, direitos básicos do povo, e à serviço da burguesia. É por esse motivo que a direita pretende sucatear as escolas, proibir os debates e perseguir a liberdade de cátedra dos professores, além de seguir com o programa de militarização das escolas. É conveniente lembrar que o golpe de Bolsonaro pretende cumprir a meta de militarizar mais de duzentas escolas no país, cerca de cinquenta ao ano até 2022. Isso significa que os 20 milhões que o golpe pretende “economizar” com todo esse desperdício de materiais didáticos novos também servirão para a consolidação de seus quartéis generais no lugar das escolas.


14 | MORADIA E TERRA E ESPORTES

SÃO PAULO

Covas quer retirar moradores de ocupação na Mooca (SP) pela força O Prefeito Bruno Covas (PSDB) deu prazo até dia 22 para a desocupação do Viaduto Alcântara Machado, sem oferecer qualquer auxílio alguel e cadastro em progrmaa habitacional. O prefeito Bruno Covas (PSDB), um expoente da direita tucana que se autointitula como “democrática”, deu o prazo de até dia 22 desse mês para a desocupação do Viaduto Alcântara Machado, bairro da Mooca, na cidade de São Paulo. A Justiça de São Paulo expediu o mandado de reintegração de posse solicitada por Bruno Covas, apadrinhado político do governador fascista João Dória. A expedição do mandado de reintegração de posse em favor da Prefeitura significa que todo o aparato de repressão estatal será utilizado para seu cumprimento, com o uso da Tropa de Choque, cães, bombas de gás lacrimogêneo e tiros de balas de borracha e encarceramento para retirar os moradores do local. As famílias que vivem no Viaduto aceitam sair sob a condição de receberem auxílio aluguel (valor de R$ 400,00) e cadastramento em progra-

ma habitacional da Prefeitura. Cerca de 250 pessoas vivem no local, que conta com banheiro, lavanderia, cozinha, biblioteca e refeitório coletivo que alimenta 120 pessoas por dia. Estima-se que entre 300 a 400 pessoas

por façam uso da estrutura diariamente. Os moradores, geralmente desempregados, catadores de materiais recicláveis, ajudantes de serviços gerais, pessoas que não têm outra alternativa de sobrevivência, afirmam que se não

for apresentada nenhuma opção pelo poder público, vai haver resistência, pois não aceitarão a perda total de sua dignidade. Os moradores relatam que o prefeito Bruno Covas não ofereceu qualquer alternativa diante do mandado de reintegração de posse. Famílias que vivem no local serão simplesmente lançadas na rua. O sociólogo Paulo Escobar afirma que a Prefeitura atende aos interesses da especulação imobiliária, que tem interesse na valorização do local e no uso para empreendimentos comerciais. O caso em questão demonstra que a direita que se classifica como “democrática”, caso do PSDB, é tão hostil aos interesses do povo quanto a direita bolsonarista, abertamente fascista. Em todas as ocasiões, a direita “democrática” não hesita em utilizar-se da violência do aparelho de repressão estatal para garantir que prevaleça os interesses dos capitalistas.

PERSEGUIÇÃO SISTEMÁTICA

Perseguição contra as organizadas: torcedores do Cruzeiro são presos Mais torcedores de organizadas do Cruzeiro são presos por dita “associação criminosa”. Uma campanha de perseguição contra as torcidas em todo o país. Mais dois torcedores da torcida organizada do cruzeiro foram presos na manhã desta terça (13/01), no centro de Belo Horizonte. Eles são membros da torcida Pavilhão Independente e participavam de uma reunião de rotina, quando foram presos pela polícia militar que adentrou a sede da torcida, após receber denúncia anônima. Segundo os policiais, os dois possuíam mandado de busca e apreensão por “associação criminosa”, em decorrência de ação Ministério Público Estadual, o qual pediu a prisão de mais de 20 torcedores. A ação deflagrada pelo MP chamada de “operação voz da arquibancada” em dezembro, tem como alvo membros e, principalmente, líderes das principais torcidas organizadas do Cruzeiro a Máfia Azul e a Pavilhão Independente. Dezenas de torcedores já foram presos, segundo o MP e a PM, em decorrência de conflitos que se acirraram durante o fim do campeonato brasileiro, desde o jogo contra o Flamengo em setembro, até a rodada final em que o time do Cruzeiro foi rebaixado, após derrota para o Palmeiras em 08/12. O rebaixamento, logicamente, gerou grande insatisfação nos torcedores, como é comum em todo rebaixamento, os quais protestaram principalmente contra a diretoria, que mergulhou o clube num mar de dívidas, prejudicando o desempenho do time dentro de campo. O episódio de insatisfação dos torcedores foi alvo de intensa campanha pela grande mídia, principalmente a Globo,

que aproveitou a confusão gerada após o jogo com o Palmeiras para insuflar a campanha contra as torcidas organizadas. É fundamental destacar que, trata-se de uma ampla campanha contra as torcidas organizadas, não só do Cruzeiro, mas de todo o país. As torcidas organizadas são um movimento popular organizado, que atua especificamente no futebol e nos estádios, mas o seu cunho de associação popular não se encerra por aí. São as torcidas organizadas as responsáveis por pressionar as diretorias dos clubes, tomada por elementos da burguesia, se manifestar contra o descaso do poder público com o esporte, equipamentos esportivos, transporte público e, até em situações que não estão exclusivamente ligadas ao futebol, como ausência de uma área esportiva ou de lazer na comunidade, de programas sociais para os jovens etc. Ou seja, as torcidas organizadas são um instrumento de organização da população e reivindicação por direitos e por isso são alvo de constante perseguição pela política reacionária da direita. A operação montada em Belo Horizonte, como bem ameaçou um dos comandantes da PM integrantes da força tarefa, não se restringe à torcida do Cruzeiro, bem como podemos ver diversas operações semelhantes em outros Estados. Estão se tornando cada vez mais comuns os jogos de torcidas únicas ou até sem torcida, a proibição de bandeiras, faixas etc. O MP de Minas chegou a pedir o banimento das torcidas Máfia Azul e Pavilhão Inde-

pendente, segundo a PM porque estes não conseguem chegar a um acordo de paz e como dito por um dos promotores do MP, “a sociedade não quer este tipo de gente frequentando os estádios, junto com pessoas de bem”. Outro ponto a destacar é que, vários torcedores foram presos, assim como os citados nesta matéria, pela acusação de “associação criminosa”, o típico crime em que não é necessário apresentar provas cabais, mas somente, denúncias ou um suposto perigo à terceiros ou à sociedade. Tipificação essa similar a outras usadas nos bairros pobres, como associação para o tráfico, desacato de autoridade, auto de resistência entre outros. Os membros e líderes das organizadas não devem aceitar essa perseguição, muito menos, realizar uma caça às bruxas em seus quadros. Como todo grupo que concentra milhares

de pessoas é normal que haja pessoas de todo tipo de comportamento e até comentam crimes, e cada pessoa é responsável por seus atos. Mas, daí a criminalizar as organizações e considera-las com finalidade criminosa é algo muito diferente. Assim, é preciso defender o direito à livre associação, que é um direito garantido constitucionalmente, e fundamental para os direitos humanos da pessoa, e que não podem ser suprimidos de forma alguma. Além disso, é preciso denunciar e se manifestar contra toda essa campanha contra as torcidas organizadas, que também são um patrimônio do futebol brasileiro, pois faz parte da campanha da extrema direita de reprimir cada vez mais todas as formas de expressão popular e, principalmente, aquelas que podem impulsionar um movimento organizado contra a política da burguesia.


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Diário Causa Operária nº5888  

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