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2 | OPINIÃO EDITORIAL

O fracasso da política de “resistência”

A

esquerda pequeno-burguesa adora falar em “opor resistência” à política de devastação causada por Bolsonaro e o golpe de Estado. Essa “resistência”, contudo, é utilizada para encobrir uma política covarde e conciliadora, capituladora. Para ela, não se trata de enfrentar Bolsonaro, avançar no desenvolvimento de um cenário que a permita ter forças maiores do que a direita, que permita derrubar Bolsonaro e derrotar o golpe. “Resistência” significa, para a esquerda pequeno-burguesa, conter a política fascista por meio das instituições como o Congresso e o Judiciário. Primeiramente, essa contenção consiste em apenas tentar diminuir os prejuízos dos ataques bolsonaristas, não anulá-los. Em segundo lugar, é uma tática completamente ineficiente, uma vez que a maioria do Congresso e o Judiciário são tão direitistas quanto Bolsonaro, e estão todos juntos para destruir os direitos mais básicos da população.

No final das contas, o que está por trás de tal política de “resistência” é o vício eleitoral. A esquerda parlamentar não quer se arriscar a perder cargos ao peitar a direita e a burguesia. É con-

forto demais para ser largado. Prefere “resistir”, supostamente desgastando o governo, mas sem colocá-lo contra a lona e derrubá-lo, até as próximas eleições presidenciais.

Assim, quem sabe, em 2022, um candidato como Fernando Haddad finalmente seja eleito. Eis a tática genial da esquerda. Eleito, derrotando a direita nas urnas, Haddad derrotaria o golpe e traria o socialismo para o Brasil. Ilusão que a esquerda institucional insiste em propagar, mesmo após a derrota que sofreu ano passado. Os trabalhadores não estão interessados nessa “resistência” a Bolsonaro. Não nutrem ilusões na saída institucional que possa os beneficiar. Percebem que a reforma da previdência, por exemplo, o roubo das aposentadorias, é feita através dessas mesmas instituições. E estão demonstrando isso, gritando a cada dia contra Bolsonaro e saindo às ruas nas grandes manifestações que vimos nos últimos dois meses. Esse é o caminho a ser seguido para quem quer realmente enfrentar e derrotar Bolsonaro: as ruas, não as urnas; a mobilização popular, não conchavos institucionais.

COLUNA

Reforma da Previdência: a corrupção de R$ 1 trilhão para os banqueiros Por João Silva

O

governo Bolsonaro alardeou em sua campanha presidencial que tudo seria diferente caso fosse eleito. O governo Bolsonaro era o governo da “nova política” sem indicação política, sem a política dos favores, o chamado “toma lá, da cá”, e principalmente sem corrupção. Neste quesito o governo é campeão de casos de corrupção, mas vou me ater ao maior deles, até o momento, a Reforma da Previdência. A direita acusou o PT de ser o partido mais corrupto do planeta e de ter praticado o maior caso de corrupção da história da humanidade. Um argumento típico da direita, acusa o outro daquilo que pratica. A direita fala “de boca cheia” que o golpe foi dado para derrubar o PT que com a corrupção retirou dinheiro público do povo por meio da Petrobrás e desvio de verbas etc. Mas a política da direita golpista, desde o governo Temer está promovendo uma transferência de dinheiro e patrimônio público da casa do trilhão, muito superior a qualquer acusação de corrupção contra o PT. O caso da Reforma da Previdência é um caso exemplar de corrupção, ou seja, transferência de dinheiro público para os capitalistas. O mentor da destruição da previdência social brasileira, é o Ministro da Economia, Paulo Guedes, agente do imperialismo no governo Bolsonaro que está utilizando o exemplo de capitalização usado em outros países, em especial, no Chile, durante a ditadura do General Pinochet, aliás, seu ídolo. Com esta reforma, serão criados inúmeros obstáculos

para os trabalhadores se aposentarem o que vai promover uma “economia”, segundo governo, mas na verdade um assalto a céu aberto, de nada mais que R$ 1 trilhão de dinheiro dos trabalhadores, que contribuíram anos a fio com a previdência para terem uma renda mínima durante a aposentadoria. Esse R$ 1 trilhão vai direto para os bancos privados que passaram a administrar o dinheiro da previdência. É um caso de corrupção institucional que está sendo feito com o apoio comprado da corja de deputados da direita golpista que se apossou do Congresso Nacional nas últimas eleições. O governo Bolsonaro não passa de uma continuação da política do governo Temer que tentou, a todo custo, aprovar esta reforma que agora está sendo levada a cabo pelo governo ilegítimo de Bolsonaro. A reação contra este ataque do governo Bolsonaro só será possível com mobilizações de rua massivas exigindo o fim deste governo que foi eleito mediante uma conspiração de grandes proporções envolvendo o judiciário, a imprensa golpista e o governo imperialista dos Estados Unidos para colocar Lula na prisão e impedi-lo de concorrer às eleições. A Reforma da Previdência, a venda da Petrobrás, dos Correios e outras estatais, a terceirização, o aumento da repressão, a destruição do ensino público e gratuito e todas as medidas antipovo e contra a soberania brasileira só serão derrotas com o povo na rua exigindo o Fora Bolsonaro, a liberdade de Lula, Eleições Gerais e Lula candidato.

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Edição Diário Causa Operária nº5700  

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