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12 | ECONOMIA E MORADIA E TERRA

CONTRA O REGIME GOLPISTA

Delegado da Polícia Federal é indicado para presidir a Funai O

governo golpista de Jair Bolsonaro irá nomear um delegado da Polícia Federal para o cargo de presidente da Fundação Nacional do Índio, a FUNAI. Marcelo Augusto Xavier é o nome mais cotado para substituir o general Franklin Ribeiro de Freitas, exonerado após sofrer pressão da bancada ruralista. Marcelo Augusto Xavier é um nome que agrada os ruralistas, em especial o fazendeiro, assassino de sem-terras e atual secretário de assuntos fundiários do Ministério da Agricultura, Luiz Antônio Nabhan Garcia. Augusto Xavier chegou a chefiar uma operação da Polícia Federal contra indígenas e lideranças da luta pela terra em 2017, tendo como base a investigação de su-

postas irregularidades envolvendo a demarcação de terras. No relatório produzido pelo delegado não constava nenhum nome de fazendeiro ou jagunço responsável pelas mortes de indígenas nas comunidades. Ou seja, o próximo presidente da FUNAI é um aliado dos grandes fazendeiros e ruralistas e atuará para impor, ainda mais, uma verdadeira ditadura contra os índios, quilombolas e demais setores do campo. O avanço do golpe de Estado visa impor uma ditadura aberta contra todo o povo brasileiro. É preciso que as organizações de esquerda mobilizem o povo pela derrubada do regime golpista de conjunto.

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PESQUISA

Latifundiário bolsonarista anti-indígena é preso com 583kg de cocaína

Bolsonaro corta questões do IBGE pra ocultar resultado de sua política

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este domingo (07), o prefeito da cidade de Itaituba (PA), Valmir Clímaco de Aguiar (MDB), foi preso, em sua fazenda, com 583 kg de cocaína, 200 gramas de skank, dois fuzis AR 15 calibre 556, uma pistola calibre 9 mm, carregadores e munições, mira holográfica e luneta de precisão para uso em fuzil, rádios de comunicação e um telefone. Valmir é um latifundiário bolsonarista que disse, há alguns meses, que “se os funcionários da FUNAI chegassem à sua fazenda para cadastramento e notificação dos moradores da área, seriam recebidos ‘à bala'”. Vale ressaltar que as terras do prefeito foram recentemente reivindicadas pelos indígenas da etnia munducuru. Os latifundiários bolsonaristas estão ligados a todos os tipos de crimes, inclusive o tráfico de drogas. Eles lu-

tam de maneira encarniçada contra a demarcação das terras indígenas e quilombolas em todo o país, com especial atuação no Mato Grosso do Sul, Estado onde há maior número de povos indígenas. Em sua maioria, as terras dos latifundiários são produtos da grilagem, procedimento de fraude documental que serve para comprovar a posse da terra. A prisão de Valmir Clímaco é um ponto fora da curva. De forma geral, os latifundiários têm estreitas ligações com o Poder Judiciário, a Polícia Federal e com o Departamento de Operações de Fronteira (DOF), que protegem seus interesses e reprimem os povos indígenas. É bastante comum o suborno de juízes, políticos, policiais federais e outras autoridades para defender os interesses dos latifundiários.

corte de 25% que o presidente ilegítimo Jair Bolsonaro impôs ao orçamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) resultará em economia de perguntas no Censo de 2020: o instituto reduziu o número total de questões de 112 para 76. O Censo 2020 deve custar em torno de R$ 2,3 bilhões. O valor previsto inicialmente era de R$ 3,1 bilhões. O levantamento é feito a cada dez anos e tem abrangência nacional. Os pesquisadores do IBGE visitam os domicílios pelo país para obter dados sobre as características dos moradores, nível de estudo, trabalho, entre outras informações. Entre as principais mudanças apresentadas para o Censo 2020 está a alteração no quesito ‘trabalho e rendimento’. Segundo o IBGE, os brasileiros terão que responder qual é a renda total do responsável pelo domicílio, tal como no censo 2000. No último censo, em 2010, os pesquisadores perguntavam sobre a renda de todos os moradores de cada residência. A alteração no questionário vai esconder os impactos das políticas neoliberais implantadas no país com o golpe, como a reforma trabalhista, que foi aprovada com o apoio do então deputado federal Jair Bolsonaro (PSL), responsável por redução de empregos no Brasil. Reduzir drasticamente o número de perguntas pode não apenas não trazer a economia de dinheiro desejada, como também ge-

rar apagões de dados demográficos importantes em algumas partes do país – justamente as mais vulneráveis e pobres. Embora outras pesquisas do próprio IBGE consigam obter dados confiáveis a partir de universos menores (as chamadas amostras de população), atualmente é só o Censo que consegue informações minuciosas de todos os municípios brasileiros. O Censo é a única pesquisa a visitar as casas de todos os brasileiros – são mais de 60 milhões de residências, espalhadas por 5.570 municípios e 8,5 milhões de quilômetros quadrados. Houve 11 Censos no Brasil desde 1872, e o mais recente foi em 2010, o que significa que alguns dados brasileiros estão desatualizados. O Censo traz não apenas o tamanho da população brasileira, mas informações sobre frequência à escola e à universidade (e quais disciplinas estão sendo cursadas), saneamento, sustento da família, raça, mortalidade, tipo de moradia, coleta de lixo e fornecimento de energia elétrica, entre outros dados. Bolsonaro ataca os órgãos e instituições que afetam seus interesses particulares. O chefe do Executivo tem como meta esconder o fracasso do seu governo, sobretudo, na geração de empregos e melhoria da vida dos brasileiros. O governo da direita golpista será um desastre. O grande plano de Bolsonaro é esconder as consequências disso.

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Edição Diário Causa Operária nº5700  

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