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DIÁRIO DO COMÉRCIO

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

5 NOS BASTIDORES Mudanças na gestão do Ecad irritam músicos e compositores

olítica

EM CENA Artistas denunciam autoritarismo na gestão do Ministério da Cultura

Nelson Antoine/AOG

Serra recebe de repórter do programa CQC, da Band, um boneco vodu de sua adversária, a petista Dilma Rousseff

Sergio Kapustan

O

candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, afirmou ontem que as suspeitas de irregularidades na Casa Civil envolvendo a ex-ministra Erenice Guerra e familiares apontam para a existência de um "esquema de quadrilha". Serra fez a colocação ao comentar a entrevista de Dilma Rousseff (PT) ao programa Bom Dia Brasil, da TV Globo, em que ela afirmou que não poderia ser responsabilizada "pelo que faz o filho ou o parente de alguém" no governo. Para o tucano, qualquer pessoa tem o direito de se defender de denúncias, independente de ser filho ou não, mas, nesse caso, segundo ele, os fatos são graves. "O problema que tem no governo federal não é de filho, é de sistema. O que se armou na Casa Civil, que é o ministério ao lado da Presidência da República, foi um esquema de quadrilha, de corrupção", disse. Serra condenou também o ato de amanhã, em São Paulo, das principais centrais, partidos governistas e movimentos sociais contra a imprensa. Eles avaliam que a cobertura da eleição é prejudicial a Dilma. "Vejo isso como uma coisa fascista. Tem toda a liberdade para dizer o que quiser, quem é cupincha. Quem é independente, é perseguido". Mobilização – Ao lado do candidato ao governo de São Paulo, Geraldo Alckmin, Serra se encontrou com um grupo de artistas e intelectuais no cinema da Livraria Cultura, na Avenida Paulista, que deu apoio à sua candidatura. Em seu discurso, Serra criticou "o corporativismo bolchevique" do PT, numa alusão ao autoritarismo e a ocupação de cargos no governo federal. Ele fez um paralelo com o governo do presidente João Goulart (1961-1964) com o atual governo petista. Conforme o candidato, Goulart foi acusado injustamente de montar uma "República sindicalista", porém o atual governo é quem faz esse tipo de política

Serra denuncia 'quadrilha na Casa Civil' E a tentativa de aparelhar o Ministério da Cultura para abrigar 'petistas e cupinchas'

O PT quer criar a Ecadebrás, mais uma estatal cabide de emprego e o dinheiro dos artistas e autores vai para cupinchas. JOSÉ SERRA ao distribuir verbas e cargos às centrais. Nesse sentido, citou uma frase do candidato do PV ao governo do Rio de Janeiro, Fernando Gabeira, de que "a esquerda não governa mais para o proletariado, mas para curtir o poder".

Apesar do tom das críticas, o tucano afirmou que seu discurso não era de um candidato derrotado e que estava confiante de disputar o segundo turno e se eleger presidente. Serra defendeu a mobilização de setores da sociedade que querem mudanças no comando do País. "A eleição não está definida. Eleição é uma partida que se trava no dia. Se estivermos mobilizados, nós poderemos ganhar". Serra acrescentou que está na nona eleição e que nunca foi tão bem recebido pelos eleitores no País como agora. Esses eleitores, segundo ele, o questionam por desconhecer os eleitores da petista. "As pessoas chegam para mim e falam: 'Escuta, quem vota na Dilma?

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É lamentável que um candidato ao cargo máximo do País trate a cultura de maneira tão superficial e sectária. MINISTRO JUCA FERREIRA Franco citou como exemplo de gestão autoritária as mudanças na gestão do Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad), instituição responsável pelo pagamento de direitos autorais. Segundo Walter Franco, a classe artística não é ouvida

Tucano diz que corrupção no País é questão de caráter

Déficit em conta corrente em 2011 é preocupante, diz presidenciável previsão do Banco aqueles que precisam ser Central (BC), divulga- criados. E só acontece com a da ontem, segundo a economia crescendo de maqual o Brasil deve ter um dé- neira sustentada", afirmou o ficit nas transações corren- tucano . O candidato demonstrou tes de US$ 60 bilhões em 2011 foi classificada como ainda preocupação com o "preocupante" pelo candi- fato da previsão de que o dato do PSDB à sucessão déficit para 2011 será maior presidencial, José Serra. "É que o previsto para este um problema e é um obstá- ano pelo Banco Central, de US$ 49 bilhões culo para o (2,49% do PIB). crescimento No ano passafuturo do do, o déficit foi País", disse o É um problema, de US$ 24,302 tucano, após sem dúvida, bilhões (1,54% se reunir com do PIB). artistas, na camuito, muito " Au m ent a r pital paulista. grande, que o déficit exter"É um probleaumenta o no nesse ritmo ma, sem dúviendividamento é sem dúvida da, muito, muido País. uma fragilidato grande, que de. Chegando aumenta o enJOSÉ SERRA ao governo, d i vi d a m ento vou enfrentar do País. Seja o endividamento direto, por essa situação, porque isso empréstimos, seja aquele enfraquece a economia que decorre da entrada de brasileira. Não se pode deidinheiro estrangeiro para a xar essa questão solta", afirBolsa, que é basicamente di- mou (veja mais na E 1). 13º salário – O tucano nheiro especulativo", destapropôs a criação do "13.º Bolcou ele. Serra disse que vem aler- sa Família", que seria dado tando sobre a questão do dé- aos beneficiários no fim de ficit na conta corrente há cada ano e custaria 8% do ormuito tempo. "É um proble- çamento anual destinado ao ma não para hoje, mas para programa. "Não é nada exoramanhã, e a gente tem que bitante. Quando chegar depensar no amanhã para man- zembro, você dá uma Bolsa ter os bons empregos e criar Família extra". (AE)

Porque eu não conheço ninguém'. É claro que é um exagero de linguagem, mas eu vejo isso pelo Brasil inteiro". Sem autoritarismo – O evento com os tucanos foi organizado pelo Comitê Nacional de Cultura e Direitos Autorais (CNCDA). Estiveram presentes, entre outros artistas, Glória Menezes e Juca de Oliveira, além de escritores, músicos e compositores. Juca de Oliveira gravou um depoimento de apoio ao tucano. Nana Caymmi, Maitê Proença, Nicete Bruno, Paulo Goulart e Beatriz Segall mandaram mensagens de apoio. O tom do encontro foi a rejeição ao "autoritarismo na gestão do Ministério da Cultura". O compositor e cantor Walter

pelo governo. "O País está caminhando para o embrutecimento", alertou. "O PT quer criar a Ecadebrás. Será mais uma estatal que vai virar cabide de emprego de petistas e o dinheiro dos artistas e autores vai para cupinchas", respondeu Serra, ao comentar as críticas do compositor. Glória Menezes defendeu a criação de um programa nacional para levar as peças de teatro aos estados. Os artistas também cobraram a aprovação da PEC 150, que fixa metas para o repasse de recursos na Cultura pelas três esferas de governo e o não contingenciamento do dinheiro destinado ao ministério. Serra lembrou aos artistas que deu apoio à cultura quando foi prefeito de São Paulo e governador do Estado. Citou como exemplos de ações a Virada Cultural, que se iniciou no capital e foi estendida para o interior, e os investimentos na área. Segundo Serra, o orçamento estadual para a pasta em 2009 superou o governo federal em R$ 100 milhões. Durante o evento, o candidato tucano prometeu, se eleito, triplicar os investimentos na pasta. Ao final do encontro, no entanto, não quis se comprometer com valores. Ministro comenta – Em nota oficial, o ministro da Cultura, Juca Ferreira, lamentou "que a cultura tenha entrado no debate eleitoral por meio de chavões e inverdades". "É lamentável que um candidato ao cargo máximo do País trate a cultura de maneira tão superficial e sectária", escreveu. O projeto da nova lei de direito autoral, segundo o ministro, aumenta a transparência do sistema de arrecadação do Brasil. "A suposta estatização do Ecad não existe, é apenas uma leitura marota", afirmou ele.

José Serra disse que esse é o problema na política brasileira, "vale para as pessoas, vale para o País"

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candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, abriu ontem sua propaganda no horário eleitoral gratuito questionando os últimos escândalos envolvendo tráfico de influência na Casa Civil. "Mais uma vez, é aquela história: 'Não vi nada, não sei de nada'", criticou. O candidato disse que é preciso refletir sobre os episódios de corrupção e afirmou que o problema da política atual está no caráter. "Se isso vale para as pessoas, vale para o País. É isso que eu defendo". Na tentativa de se aproximar do eleitor mais humilde, a campanha questionou também a política de juros, na qual o governo acaba "pagando mais para os mais ricos" quando "poderia" reajustar, com esse recurso, o salário mínimo nacional para R$ 600. "Quero assumir um compromisso: como presidente, quero reajustar o benefício em 10%", prometeu o candidato, num discurso direto aos aposentados, os quais, segundo Serra, foram tratados com respeito quando ele foi ministro da Saúde. O programa mostrou a trajetória humilde do candidato, projetos e ressaltou que Serra é "o homem que conhece melhor o Brasil, melhor do que Dilma". Além de ressaltar progra-

Paulo Liebert/AE

José Serra em encontro com artistas na livraria Cultura: "Mais uma vez, é aquela história, não vi nada, não sei de nada".

mas que criou, como o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e o Projeto de Profissionalização dos Trabalhadores da Área de Enfermagem (Profae), Serra promete um reajuste de 10% para aposentados e pensionistas do INSS. A candidata Dilma Rousseff (PT) abriu o programa apresentando os números do IBGE, que mostram o crescimento econômico e seu reflexo na sociedade brasileira. "O resultado prova: a vida do brasileiro melhorou", enfatizou a petista, ao comparar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o do antecessor, o ex-

presidente Fernando Henrique Cardoso. A campanha petista listou números que evidenciam o aumento do consumo das famílias, a abrangência do fornecimento de energia elétrica e água encanada. "Temos agora a obrigação e o dever de avançar mais", disse a petista, que se apresentou como a candidata que esteve ao lado de Lula e, portanto, "sabe o que precisa ser feito" e "sabe como fazer". O programa petista apresentou aos eleitores as metas de obras do PAC 2 e mostrou o depoimento de um casal dekassegui que morou por 10 anos

no Japão e voltou porque a situação econômica melhorou no Brasil. "Temos recursos para seguir crescendo. É hora de acelerar e seguir em frente, para oferecer uma vida melhor para todos os brasileiros ". Em pouco mais de um minuto, Marina Silva (PV) mostrou a trajetória política e se apresentou ao eleitor como a "responsável" pelas políticas que derrubaram o desmatamento no País. A candidata não deixou de mencionar o motivo de sua saída do Ministério do Meio Ambiente. "Preferi sair e manter minha coerência", justificou. (AE)

Diário do Comércio  

22 set 2010

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22 set 2010

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