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DIÁRIO DO COMÉRCIO

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terça-feira, 20 de agosto de 2013

James Best Jr/The New York Times

nformática

Só reinvenção dá sobrevida a PCs Profissionais não os abandonam, mas consumidores comuns já adiam compras. Nick Wingfield*

F

alar em morte iminente do computador pessoal pode ser um exagero. Mas não há dúvida que a indústria que os produz parece estar no limbo. Como o mainframe, considerado acabado há décadas mas que permaneceu como um negócio útil, o PC quase certamente enganará a morte. Está claro que dispositivos móveis como o iPad continuarão afetando suas vendas. Mas esses novos dispositivos, nunca vão satisfazer mestres de planilhas, editores de filmes e ouvtros profissionais que dependem de diversas telas e da precisão que podem extrair de um teclado e de um mouse. Ainda assim, há forte corrente entre executivos da tecnologia no sentido de que a relevância do PC diminuirá progressivamente. "Em minha humilde opinião, o PC como o conhecemos está em contínuo declínio, relegado a um dispositivo utilitário para empresas", diz Hector Ruiz, ex-presidente da Advanced Micro Devices, fabricante de chips para PCs e outros dispositivos. O clima em torno da indústria está cada vez mais sombrio, pois o mercado está efetivamente em recessão, sem retomada em vista. Durante o segundo trimestre deste ano, as vendas globais de PCs caíram cerca de 11%. Foi o quinto trimestre consecutivo de quedas – a pior sequência registrada desde a invenção da máquina, há mais de 30 anos. A Intel e a Microsoft, respectivamente fornecedoras de chips e do sistema operacional Windows para a maioria dos

PCs, divulgaram resultados financeiros decepcionantes. Uma grande reformulação do software da Microsoft, o Windows 8, não elevou as vendas e pode tê-las piorado. A antes poderosa Dell, profundamente enfraquecida pela crise do hardware, trava uma luta com acionistas na tentativa de fechar capital, para fugir da pressão de investidores. Em sua tentativa de fazer tal operação, Michael S. Dell, o fundador da companhia, e a empresa de investimentos Silver Lake argumentam que a intenção deles é transformar a Dell em provedora de serviços corporativos em software. Enquanto a venda de PCs na área corporativa continua estável, a demanda entre consumidores pessoas físicas caiu muito, principalmente porque essas pessoas passaram a comprar iPads, Kindle Fires e outros tablets. Ainda assim, um choque de realidade: mais de 300 milhões de PCs devem ser vendidos neste ano no mundo – muitas máquinas para um mercado que está doente. As vendas de tablets também crescem explosivamente. Neste ano, é esperada a venda de mais de 200 milhões deles, ultrapassando pela primeira vez os laptops, a mais forte categoria de PCs, segundo a firma de pesquisa Gartner. Invasão de terreno Steve Jobs, presidente da Apple que morreu em 2011, previu há vários anos que os PCs se tornariam algo parecido com picapes – veículos de trabalho usados por muitos, mas superados em número pelos tablets, os carros do mercado de tecnologia. (A analogia acabou sendo desmentida pelas estatísticas: o veículo mais popular

nos Estados Unidos durante vários anos foi uma picape, a Ford F-150.) Uma das teorias correntes no mercado é que os tablets estariam levando os usuários de PC a adiar – talvez por um ou dois anos – a compra de novas máquinas, mas que essas pessoas eventualmente estarão prontas para isso. "Os ciclos de troca estão sendo adiados", afirma Toni Sacconaghi, analista da Bernstein Research. Segundo opinião mais pessimista, grande parte da demanda por PCs nunca voltará. De acordo com Daniel Huttenlocher, do novo campus de tecnologia da Cornell University, os consumidores começaram a comprá-los em grandes quantidades na década de 1990, principalmente por não existir então nenhum dispositivo melhor para acessar a internet. Porém o PC, argumenta, sempre foi mais adequado ao escritório, para produzir documentos, apresentações, etc. No modo de ver de Huttenlocher, os tablets são melhores para o consumo de conteúdo – de assistir ao Netflix a navegar na web. "Existem muito mais consumidores do que produtores, mesmo num mundo repleto de conteúdo gerado pelo usuário", explica. No primeiro trimestre deste ano, 53% das vendas de computadores ocorreram no mercado de consumo e 47% no segmento empresarial, estima a firma de pesquisa IDC. Muitos consumidores ainda preferem o PC para tarefas como editar filmes caseiros e escrever monografias. No entanto, os tablets vão ganhando terreno em nichos profissionais, de manuais de voo para pilotos co-

merciais a caixas registradoras em restaurantes. Adaptação à mudança Os maiores operadores da indústria do PC – especialmente Microsoft e Intel, o duopólio de softwares e chips que mais tem a perder com a queda da indústria – apresentam uma receita aparentemente simples para a sobrevivência do PC: redefini-lo para torná-lo mais parecido com um tablet. A Microsoft criou o Windows 8 para trabalhar bem em dispositivos com tela sensível ao toque. Se o usuário se cansar de usar os dedos, pode mudar para uma interface clássica do Windows e voltar ao mouse e ao teclado. A Intel, enquanto isso, aperfeiçoou seus chips para que sejam mais econômicos no consumo de bateria, importante requisito para dispositivos móveis. As mudanças deram origem a um frenesi de lançamentos de dispositivos híbridos, efetivamente borrando os limites entre PCs e tablets. Hoje existem laptops que se transformam em tablets girando ou destacando suas telas. Outros têm telas sensíveis ao toque para alternar diferentes modos de operação. A Microsoft e a Intel apostam que os dispositivos com

lançamento programado para o outono do Hemisfério Norte finalmente trarão os compradores de PCs de volta às lojas. A Microsoft pretende lançar nova versão de seu sistema, o Windows 8.1, resolvendo problemas apontados por clientes na versão inicial. "Veremos nos próximos meses muito mais projetos de cada fabricante de PCs", aposta Adam King, diretor de marketing de produto da Intel. Usando a analogia automotiva de Jobs com outra finalidade, Frank Shaw, porta-voz da Microsoft, disse que a indústria de carros seguiu se subdividindo em muitas categorias, incluindo modelos de luxo e veículos elétricos. "Podemos dizer que o mesmo está acontecendo na computação", argumenta Shaw. Anand Chandrasekher, diretor de marketing da Qualcomm, que fornece chips para alguns dispositivos móveis com Windows, acha que a Microsoft se adaptará às mudanças. "Admiro a companhia pelas mudanças que fez", explica Chandrasekher. "Estamos otimistas de que terá forte presença no mercado". Alguns duvidam que uma nova classe híbrida de dispositivos interrompa o crescimento

dos tablets da Apple e de aparelhos baseados no sistema operacional Android, do Google. Marc Benioff, presidente da salesforce.com e frequente antagonista da Microsoft, disse que os clientes já rejeitaram novos tipos de dispositivos, como o tablet Surface da Microsoft. "O motivo para não estarem acelerando o crescimento é simples", afirma Benioff. "Há tecnologia melhor". Aconteça o que acontecer à indústria do PC, a mão de ferro que empresas como Microsoft e Intel exerciam sobre os fabricantes de hardware parece ter sido afastada. A HP hoje fabrica um laptop usando o software Chrome OS, do Google, e um tablet baseado em Android. A Lenovo, maior fabricante mundial de PCs, é grande vendedora de smartphones e tablets Android, especialmente na China. Em uma era mais antiga da computação, todos esses seriam vistos como atos intoleráveis de deslealdade. "Somos uma empresa de dispositivos", declara Gerry Smith, vice-presidente da Lenovo e chefe da divisão nas Américas. "Somos agnósticos em hardware e agnósticos em software, seja ele Android ou Windows". *The New York Times

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Diário do Comércio - 20/08/2013  

Ano 90 - Nº 23.939 - Terça-feira, 20 de agosto de 2013

Diário do Comércio - 20/08/2013  

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