Page 13

DIÁRIO DO COMÉRCIO

terça-feira, 20 de agosto de 2013

e Dólar recordista, mesmo com intervenção do BC.

A concentração poderá trazer perdas aos que apostam em movimentos unidirecionais Alexandre Tombini, presidente do BC.

conomia

A moeda americana fechou ontem em R$ 2,407 na venda, o maior valor desde 3 de março de 2009.

M

esmo com o Banco Central atuando pesadamente no mercado, o dólar à vista, referência para as negociações no mercado financeiro, fechou ontem em alta de 1,37% em relação ao real, cotado em R$ 2,407 na venda – maior valor desde 3 de março de 2009, quando ficou em R$ 2,433. Ao longo do dia a moeda americana chegou a atingir R$ 2,429. O dólar comercial, utilizado no comércio exterior, também avançou no dia, com alta de 0,83% em relação ao real, para R$ 2,416. No início da noite, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, baixou nota afirmando que a instituição garantirá oferta de dólares e alertou: quem aposta em apenas um tendência para a moeda americana pode sair perdendo. "As cotações oscilam e a concentração de posições em uma única direção poderá trazer perdas aos que apostam em movimentos unidirecionais da moeda". Reiterou ainda que a condução adequada da taxa de juros contribui para reduzir os riscos inflacionários provenientes da desvalorização do real. Ele ressaltou, porém, que "os movimentos recentemente observados nas taxas de juros de mercado incorporam prêmios excessivos". Com isso, indicou considerar exagerada a elevação das taxas de juros no mercado futuro. Tombini disse também es-

13

Paulo Lisboa/Brazil Photo Press/Folhapress

Ao longo do dia, a cotação chegou a atingir R$ 2,429; para conter a corrida, o BC realizou três leilões. tar atento ao processo global de "realinhamento" das moedas. "Nesse contexto, [o BC] não deixará de ofertar proteção ("hedge" cambial) aos agentes econômicos e, se necessário, liquidez aos diversos segmentos", destacou. Durante o dia de ontem, o BC realizou três leilões de swap cambial tradicionais, que equivalem a venda de dólares no mercado futuro, visando conter a disparada. Nas três operações, foram vendidos 36,2 mil contratos de swap com vencimento em 1º de abril de 2014 e 36,3 mil contratos com vencimento em 1º de novembro de 2011, por um to-

tal de US$ 3,6 bilhões. O banco também anunciou mais dois leilões para hoje, um de linha e outro de swap tradicional. A corrida por dólares segue justificada por apostas sobre quando os EUA começarão a reduzir os estímulos econômicos. Para injetar recursos na economia, o Fed (banco central americano) recompra mensalmente, desde 2009, US$ 85 bilhões em títulos do governo. Parte do dinheiro vira investimentos em outros países, inclusive o Brasil. Com a redução desse incentivo, as aplicações tendem a diminuir e, com a perspectiva de menos dólares no mercado brasi-

leiro, o preço sobe. Além disso, investidores preveem que, encerrada a recompra de títulos, o próximo passo será o aumento dos juros – hoje quase em zero – nos EUA. Juro mais alto deixa os títulos do Tesouro americano, remunerados pela taxa, mais atraentes que aplicações de maior risco, como bolsas, especialmente de emergentes. A alta do dólar voltou ao topo da lista de preocupações da presidente Dilma Rousseff, que discutirá o tema em reunião nesta semana com o ministro da Fazenda, Guido Mantega e com o presidente do BC. (Folhapress)

Economistas mantêm previsões para o PIB

D

epois de duas semanas de previsão de queda, os economistas de instituições financeiras que participam da Focus, pesquisa do Banco Central feita semanalmente junto ao mercado, mantiveram as projeções de crescimento do PIB brasileiro para 2013 em 2,21% e em 2,50% para 2014. Tendo em vista a semana de alta na moeda americana, a expectativa dos consultados para a taxa de câmbio se elevou para este ano a R$ 2,28, ante R$ 2,25 da última semana. Para 2014, a expectativa se manteve em R$ 2,30. Os economistas mantiveram a projeção para este ano da taxa básica de juros (Selic) em 9,25%, mas elevaram para 2014 a 9,50%, ante 9,25%. Seguiram também com a perspectiva de que a taxa, atualmente em 8,5%, será elevada em 0,5 ponto percentual na reunião de 27 e 28 de agosto

do Comitê de Política Monetária (Copom). A mediana das estimativas do Top 5 de médio prazo, com as instituições que mais acertam as projeções nesse período, é de que a Selic encerrará este ano e o próximo em 9,75%, ante 9,50% na semana anterior. Também permaneceu inalterada a expectativa de inflação, em 5,75% para esse ano. Já em 2014, a alta dos preços deve fechar em 5,80%, ante os 5,85% da última semana. Já a projeção para a inflação em 12 meses foi elevada pela sétima semana seguida, a 5,97%o, ante os 5,95% apontados na semana anterior. Depois de mostrar moderação em julho, a expectativa é de que a alta dos preços volte a acelerar a partir de agosto, à medida em que vão se diluindo os efeitos transitórios dos ramos de transportes e alimentos. (Agências)

Arrecadação de julho sobe. Mas levemente.

A

arrecadação federal voltou a subir levemente em julho, em 0,89% reais sobre julho do ano passado. Em junho, caiu 0,99% na mesma base de comparação. Em valores absolutos, chegou a R$ 94,3 bilhões, segundo informou ontem a Receita Federal. A recuperação foi ajudada pelo dólar mais alto e pela recomposição de alíquotas do IPI de automóveis, mas a expansão no ano continua fraca devido ao baixo desempenho da economia. Em julho, o destaque da arrecadação foi o Imposto de Im-

portação, cujo aumento real foi de 17,9% sobre um ano antes. O Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) subiu 5,9% em relação a julho de 2012, graças ao incremento de 46,8% na cobrança do imposto sobre automóveis devido à recomposição parcial das alíquotas do tributo a partir de janeiro deste ano. Os demais tributos federais tiveram baixo crescimento ou variação negativa. No acumulado do ano até julho, a arrecadação mostra alta real de 0,55% frente a igual período do ano passado.(Reuters)

Diário do Comércio - 20/08/2013  

Ano 90 - Nº 23.939 - Terça-feira, 20 de agosto de 2013

Diário do Comércio - 20/08/2013  

Ano 90 - Nº 23.939 - Terça-feira, 20 de agosto de 2013

Advertisement