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DIÁRIO DO COMÉRCIO

terça-feira, 20 de agosto de 2013

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11 COMÉRCIO ELETRÔNICO Os produtos vendidos pela internet ficaram 0,08% mais caros em julho, em relação ao mês anterior, aponta indicador e-Flation, do Provar.

conomia

Shopping center, motivo de apreensão. O grande número de projetos anunciados aumenta o risco de sobreposição de empreendimentos em mesma região. Assunto foi tema de reunião de varejistas. Fotos Newton Santos/Hype

Rejane Aguiar

mas é essencial para o varejo, que faz seu plano de investimentos numa unidade de um o lado de um cenário novo shopping com bastante de clara desacelera- antecedência, de três ou quação do avanço das tro anos. As redes precisam vendas do comércio, saber exatamente quando os grandes redes varejistas na- centros de compras abrirão as cionais têm como preocupa- portas, de forma que possam ção comum a possibilidade de gerenciar a ambientação da atrasos em cronogramas de nova loja, o estoque e a mão de inauguração de alguns shop- obra. A preocupação, neste pings e a sobreposição de no- ano, está relacionada sobrevos centros comerciais, duas tudo ao fato de as inaugurasituações que ocorrem em vá- ções previstas serem muito rias regiões do País. Essas próximas do período do Natal, questões foram discutidas du- em que as empresas deverante toda a manhã de ontem riam se dedicar exclusivamente às esem reunião tratégias de da Comissão venda – nesde Grandes sa época não Redes de Vaé desejável rejo, grupo de que estejam trabalho do às voltas com Conselho de shopping centers a infraestruVarejo da Asdevem ser tura de uma sociação Con o v a u n i d amercial de inaugurados no País de. O ConseSão Paulo de setembro até lho estima (ACSP), coorque as aberdenado por o fim deste ano. As t u r a s d e Nelson Kheiobras estão em shoppings rallah. diferentes estágios. devem se De setemconcentrar bro até o fim do fim de oudeste ano devem ser inaugurados no País tubro ao início de novembro, o cerca de 30 shoppings, que es- que pode gerar uma situação tão em variados estágios de incomum: a inauguração de obras – alguns bem adianta- até três centros de compras dos, já em fase de acabamen- em uma mesma semana e talto, e outros bastante atrasa- vez até de mais de um no mesdos, ainda concentrados em mo dia. Âncoras – Na avaliação das trabalhos de estrutura. E os varejistas sabem do que estão grandes redes varejistas, ainfalando: alguns organizam co- da há empreendedores inaumissões de engenheiros que gurando shoppings em condivão às obras para fazer visto- ções inadequadas em várias rias e elaborar relatórios sobre regiões. Tem sido comum, por as condições encontradas, do- exemplo, que um centro de cumentos que confrontam compras abra ao público com com os cronogramas apresen- as lojas maiores (as chamadas tados pelos empreendedores âncoras) já instaladas e muitas "satélites" (as lojas menodo setor. Essa atenção aos cronogra- res) ainda vazias. Essa confi-

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Ambiente seguro e confortável: comerciantes esperam que estabelecimentos sejam inaugurados antes do Natal, a tempo de preparar as lojas. guração é muito prejudicial ao varejo e à consolidação do shopping diante dos consumidores, consideram os integrantes do Conselho. Existem casos de shoppings inaugurados com apenas 50% das lojas-satélite em operação. Cobrança – A atração das lojas menores esbarra em outro problema discutido durante a reunião: o desequilíbrio nos valores de condomínio cobrados pelos shoppings. Em alguns casos, o condomínio chega a superar o aluguel; além disso, em shoppings de estruturas semelhantes registra-se um intervalo de cobrança de um condomínio de R$ 53 por m² de área locada até R$ 120 por m² – uma clara distorção de mercado. Os varejistas se preocupam também com o aquecimento contínuo do segmento de shopping centers no Brasil, muitas vezes descolado do ritmo das vendas. Mesmo em um cenário de acomodação da demanda, os empreendedores continuam lançando cada vez mais centros de compras – o que tem como efeito mais imediato a chamada sobreposi-

É difícil dizer qual será o cenário no próximo ano. O Brasil não deve crescer mais que os 2% projetados para este ano. MARCEL SOLIMEO, ECONOMISTA

Grupo Multi desembarca no País de olho nos consumidores do Sul

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Brasil já tem vários grandes grupos de empreendedores de shoppings, mas ainda assim um grupo de origem holandesa viu boas perspectivas no mercado nacional. O grupo Multi, responsável por 176 shoppings na Europa, chega ao Brasil com o plano de um centro de compras na cidade de Canoas, na região metropolitana de Porto Alegre. O shopping que o grupo pretende erguer no Rio Grande do Sul tem projeto de arquitetura do ex-prefeito de Curitiba Jaime Lerner e de um escritório holandês. O grupo também já tem

acertado um shopping em Franca, no interior de São Paulo, e um centro de compras em Curitiba. Em análise, estão outros oito projetos em cidades importantes do País. Supermercado – Em Canoas, serão 80 mil m² de área bruta locável dentro de um terreno gigante de 3 milhões de m² em que devem funcionar, quando todo o complexo estiver concluído, o novo shopping, um supermercado (hoje já em operação), conjuntos residencial e hoteleiro, faculdade e hospital, além de um centro de logística. Segundo a empresa, o shopping ficará no

entroncamento de importantes rodovias gaúchas que interligam as sete maiores cidades do estado. Consumidores – O número de consumidores na região é estimado em 3 milhões de pessoas. O projeto de Canoas será oficialmente lançado em 60 dias e as obras devem demorar dois anos. O shopping deve ter como concorrentes um centro de compras que já existe na cidade e um estabelecimento de médio porte que está sendo projetado pela Multiplan – proprietária do Morumbi Shopping –, a três quilômetros de distância. (RA)

ção (muitos centros em um raio de poucos quilômetros). Existem m u i t a s r egiões do País com mais shoppings do que o mercado consumidor comporta, na visão dos membros do Conselho. A l g u n s exemplos d e s s e p r oc e s s o d e Problemas do setor foram discutidos na Comissão de Grandes Redes de Varejo, da ACSP. a de ns am ento: Sorocaba, que tinha ape- reunião pelo economista Marnas um shopping até há pouco cel Solimeo, da ACSP, corrobotempo, terá cinco; Fortaleza ra os temores dos varejistas. passará a ter sete centros de De acordo com ele, o quadro compras, ante os atuais três. A hoje é de desaceleração nos impressão é de que os planos pilares que garantiram o espara essa grande quantidade pantoso avanço do mercado de shoppings foram feitos pa- consumidor brasileiro nos últira uma outra realidade econô- mos anos – crédito, emprego, mica, de demanda muito mais renda e confiança, todos enaquecida. Muitas vezes, as re- cadeados entre si. Solimeo cides não têm a opção de não es- tou como fatores-chave para a tar nessa profusão de shop- mudança de cenário a inflação pings, mesmo se considera- elevada (que já é percebida rem o retorno insuficiente pa- pela população, principalNelson Kheirallah, do Conselho. ra compensar o investimento mente por causa da alta dos – elas acabam cedendo à ne- preços dos alimentos), a retocessidade de "marcar presen- mada do ciclo de aumentos do Brasil não deve crescer muito ça" em determinados shop- juro básico e a recente valori- mais que os 2% projetados papings. É grande a chance, nes- zação do dólar (que em algum ra este ano. O varejo deve se caso, de haver lojas com de- momento, dentro de alguns crescer com ritmo superior ao s e m p e n h o p i o r d o q u e o meses, deve ser repassada da economia em 2014, mas esperado. para os preços). "É difícil dizer não deve ultrapassar a casa A descrição do cenário ma- qual será o cenário no próximo de 4% de expansão", afirmou croeconômico feita durante a ano. De qualquer maneira, o Solimeo.

Banco da Amazônia busca atrair negócios para a região

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epresentantes do Banco da Amazônia apresentaram ontem, durante reunião da Comissão de Grandes Redes de Varejo, grupo de trabalho do Conselho de Varejo da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), as linhas de crédito disponíveis para varejistas que queiram fazer negócios na região Norte do País. O Banco da Amazônia, que tem como controlador o governo federal, oferece crédito de longo prazo, de uma linha com recursos do Tesouro chamada de Fundo Constitucional do Norte (FNO), com taxas de juros bem baixas, de 4,12% ao ano

4,12 por cento por ano é a taxa de juros de linha de longo prazo, com recursos do Tesouro, chamada de Fundo Constitucional do Norte (FNO). – encargo que cai para 3,5% ao ano em caso de pagamento em dia. Para capital de giro, o banco tem juro de 9,5%

anuais, inclusive para pequenas e médias empresas. Os prazos de pagamento e de carência também favorecem os planos de negócios. Fomentador – As taxas e prazos são atraentes para que seja possível garantir o papel do banco de fomentador do desenvolvimento da região Norte do País, destacaram o diretor comercial, José Roberto de Lima, e o diretor de análise, Nilvo Reinoldo Fries. Segundo eles, o banco tem escritório em São Paulo com equipe preparada para receber os empreendedores que desejarem investir na região amazônica. (RA)

Diário do Comércio - 20/08/2013  

Ano 90 - Nº 23.939 - Terça-feira, 20 de agosto de 2013

Diário do Comércio - 20/08/2013  

Ano 90 - Nº 23.939 - Terça-feira, 20 de agosto de 2013

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