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DIÁRIO DO COMÉRCIO

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quinta-feira, 11 de outubro de 2012

e É de pequeno que se inova no negócio Em São Paulo, com 11 milhões de habitantes, há o Ciatec como incubadora de peso. Em Israel, com 7 milhões de habitantes, há 370.

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Incubadoras no Brasil ainda são poucas, mas já vêm contribuindo para que pequenos empreendedores tornem realidade seus projetos. Reprodução

Fotos: Divulgação

Karina Lignelli

A

quantas anda a inovação no Brasil? A edição 2012 da Expo Cietec, que começa na próxima segundafeira, pode dar uma dimensão desse cenário. Considerada o grande evento do empreendedorismo inovador de base tecnológica no País, a Expo não só mapeará esse cenário, mas também facilitará o encontro entre empreendedores e investidores por meio de rodadas de negócio, palestras e espaços de fomento. "É uma forma de pôr inteligência na gestão desse empreendedor, mostrando um modelo de negócio diferenciado, com novidades e ferramentas diferentes para melhorar os processos de inovação", afirma o diretor-executivo do Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia (Cietec), Sérgio Risola. Para aproximar ainda mais jovens inovadores, universidades e empresas, o Cietec lançará no evento o projeto SPIN - São Paulo Ideias Novas. As 50 melhores ideias que surgirem ao longo do ano entre os alunos das escolas técnicas e universidades parceiras, será levada e trabalhada no ambiente do Cietec, de acordo com Risola. "Esse modelo é novidade no País. Queremos formar um celeiro de ideias e oferecer o coaching do primeiro momento, além do planejamento mínimo para começar", explica. Hoje, oito instituições – entre elas, USP, Unesp, Unicamp, Senac e ESPM – onde estudam

Com projetos bons, bem planejados e uma estratégia definida, os recursos aparecem. SÉRGIO RISOLA, CIETEC

A Arquitecasa (www.arquitecasa.com.br), incubada pelo Cietec, desenvolveu um simulador de custo de reforma, construção e decoração. Eduardo Cesar/Divulgação

200 mil alunos, são parceiras do Cietec. "Para 2013, o objetivo é buscar o apoio de outras para chegar a 20, e assim atingir 500 mil alunos", diz. Mas, apesar do empurrãozinho mais do que providencial, ainda há muito o que fazer pelo segmento, afirmam especialistas. A existência mínima de incubadoras, falta de investidores, relação distante entre empresas e universidades, burocracia e pouco apoio por parte do governo são alguns dos entraves enfrentados por quem se aventura a empreender e inovar no País, segundo

Paulo Roberto Feldmann, presidente do conselho da Pequena Empresa da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) – que junto com o Cietec, é responsável pela realização deste evento. Para medir a quantas anda a inovação no País, Feldmann cita números do United States Patent and Trademark Office (Uspto, o escritório de patentes norte-americano): enquanto foram registradas 90 mil patentes no mundo todo em 2011, no Brasil foram apenas 400. "Isso não chega nem a meio por cento", lamenta. "O pequeno empresário tem pouco apoio para inovar. Faltam recursos, linhas de financiamento... Não se inova do dia para a noite. O risco é alto. Erra-se muito até acertar – e para isso, é preciso ter recursos." Feldmann compara ainda o País com Israel, a "Startup nation" (ou "Nação das start-ups", conforme livro do jornalista israelense Saul Singer), considerado o país que mais inova e investe em tecnologia no mundo. "Em São Paulo, que tem 11 milhões de habitantes, há o Ciatec como incubadora de peso. Em Israel, que tem 7 milhões de habitantes, há 370. Ou seja, aqui, a relação habitante/patente ainda é muito precária. Muita coisa é feita de forma amadora, por isso a importância da incubadora para orientar tudo isso." B u r o c r a c ia – Risola, do Cietec, tem opinião semelhante. De acordo com ele, a legislação difícil e a burocras re cia emperram o trast de pe ra cletas pa locação de bici balho de quem quer de a em st si é um Compartibikes inovar. "Cuidar dessa complexidade toda, do Custo Brasil e de outros problemas tira o tempo que deveria ser dedicado à inovação", destaca. Outras duas questões que acabam por afastar os investidores, afirma ele, são a empresa que não esteja bem montada, e o "problema da propriedade intelectual" – ou seja, do registro da patente. "Os investidores pensam

Carro movido a bateria de lítio desenvolvida pela Eletrocell em parceria com a Edra Automotores duas vezes antes de colocar dinheiro se a questão da patente não estiver resolvida. É um longo caminho para liberá-la, não se consegue isso em menos de quatro anos", ressalta Risola, que lembrou que o Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI) acaba de lançar uma medida para o processo tramitar mais rapidamente. "Mas vale lembrar que o empresário tem que saber se é estratégico desenvolver e patentear sua tecnologia naquele momento", alerta. Mudanças à vista – Em 14 anos de atividades do Cietec, que hoje conta com cerca de 135 empreendedores incubados, R$ 140 milhões em recursos beneficiaram 200 empresas, segundo Risola. O órgão trabalha para que empreendimentos inovadores cheguem ao ponto de buscar recursos de forma organizada, e saber que se associar a universidades em busca de pesquisa não é um 'bicho-papão'. Exemplos disso são empresas de setores em que o Brasil se destaca em inovação, como o de energias sustentáveis. Uma delas é a ONG Sociedade do Sol, que assentou 50 mil aquecedores solares no Brasil e na América Latina em parceria com gigantes da construção civil. Outra, a Eletrocell, desenvolveu uma bateria de lítio moderna e econômica, produzida em parceria com a Edra

Automotores, e atraiu clientes como a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL). "Com projetos bons, bem planejados e uma estratégia definida, os recursos aparecem. Mesmo que se tenha faturamento pequeno, a empresa começa a enxergar um fundo de investimento para conseguir seu primeiro milhão." Apesar de ainda não ter acontecido uma "explosão" de inovação no Brasil porque o capital é muito pequeno ("em outros países, esses recursos são de 20% a 50% maiores que aqui", diz Risola), isso está mudando – inclusive por verbas go-

vernamentais. Mesmo considerado por especialistas do setor como um valor tímido, a liberação de R$ 500 milhões para o programa "TI Maior", "sinaliza que o Brasil tem condições de brigar no mercado mundial, e incentiva o setor privado a entrar no eixo de competitividade", acredita Risola.

S ERVIÇO Expo Cietec 2012 15 e 16/10, das 10h às 20h Onde: FecomercioSP - Rua Plínio Barreto, 285 - Bela Vista Informações e inscrições: www.expocietec.com.br

O que é o Cietec

O

Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia (Cietec) foi criado em 1998 pelo protocolo de cooperação firmado entre a Secretaria da Ciência, Tecnologia, Desenvolvimento Econômico e Turismo do Estado de São Paulo (SCTDET), o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo (Sebrae-SP), a Universidade de São Paulo (USP), o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), e o

Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). Considerado o maior Centro Incubador da América Latina, o Cietec é custeado em sua maioria por recursos próprios e conta com 135 empresas incubadas, tanto na Cidade Universitária (USP) como na incubadora associada Intertec, em Mogi das Cruzes (SP). Segundo dados consolidados do último faturamento (dezembro/2011), juntas essas empresas faturaram cerca de R$ 52 milhões.

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DC 11/10/2012  

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