Page 9

É preciso ter cuidado para que a ONG não se torne uma espécie de bluff, uma fatuidade, uma espécie de exercício de marketing permanente e sem substância, sem desenvolver projectos com impacto. Mas não há dúvida que no futuro, não aparecer é estar condenado a passar incógnito. É um desafio para as lideranças, pois estas devem ser capazes de fomentar o bom desempenho comunicacional, e simultaneamente um desempenho como gestores, como organizadores, e são tipos de investimentos muito diferentes. Dianova: Face ao baixo investimento que a utilização das redes sociais consubstancia, como podem estes instrumentos de interactividade social contribuir para uma maior sustentabilidade organizacional? João Meneses: Como o investimento é baixo, é possível ter um retorno muito interessante face ao primeiro.

Investir em plataformas de media sociais é, de facto uma relação de custo-benefício que pode ser muito atractiva, em que investimos em meios de fidelização, aumento de notoriedade, empatia que reforçam os laços, o envolvimento, a expectativa, a crença na Organização.

Tal traduz-se seguramente em maior sustentabilidade.

É muito mais barato fazer uma newsletter electrónica do que fazer uma em papel e distribuí-la. Portanto, tanto do lado das receitas como dos custos, penso que a Web 2.0 pode contribuir decisivamente para a sustentabilidade das Organizações. Uma coisa muito interessante é que permitem uma mobilidade maior para pequenos actores. Podemos lançar uma ideia, uma causa, com a mesma facilidade que o faz uma Gulbenkian, uma vez que estas ferramentas nos permitem chegar mais facilmente aos destinatários, potenciais parceiros, potenciais difusores da mensagem.

Essa facilidade do acesso, essa instantaneidade e fenómeno exponencial e viral que se pode gerar pela Web 2.0 é um nivelador social. Porque de repente não é preciso ter capital para ter uma voz, para participar.

entrevista com...

mensagem, hoje a presença nos media é incontornável. E não é possível passar a mensagem sem ter presença nos media, nomeadamente na Web 2.0.

Dianova: Até que ponto passa o desenvolvimento humano e sustentável pela utilização e evolução das novas tecnologias, sobretudo da Internet? João Meneses: As redes vão potenciar o empowerment (capacitação). Estas significam a possibilidade de participar, de ter uma voz e portanto não há desenvolvimento sustentável sem a capacitação dos cidadãos, nomeadamente dos mais excluídos. E as ferramentas 2.0 são ferramentas de capacitação. Por outro lado também são formas que permitem uma cidadania global. Por exemplo, hoje em dia, as redes de comércio justo funcionam muito online, não só em lojas físicas, offline, mas em lojas online.

Por último, todos os hábitos dos cidadãos podem ser alterados por meio da Web 2.0. Há uma associação inglesa chamada We are what we do http://www.wearewhatwedo.org/ que nos dá através do site sugestões de mudança de atitudes e comportamentos que podemos assumir para um mundo melhor. Eles dão diversas sugestões de melhoria, protecção e sustentabilidade ambiental e social.

E a partir destas acções online, acabaram por editar já dois livros: “Change the World for 1penny” e “Change the World Nine to Five”. São livros com sugestões do que podemos fazer ao nível de pequenas mudanças comportamentais para fazer deste mundo melhor. E muitas passam exactamente por potenciar os recursos electrónicos disponíveis e por mudar hábitos e comportamentos utilizando mais ferramentas de cariz electrónico, menos poluentes. E isto que não tem a ver com a Web 2.0, mas tem a ver com a tecnologia, tem tudo a ver com a sustentabilidade: usar o sol que é sustentável e tecnologia. Dianova: Qual o posicionamento da TESE em relação às novas plataformas digitais e media sociais? João Meneses: Estamos a caminhar lentamente para uma adesão integrada. Temos que reformular profundamente o nosso site e mudar não só a imagem mas também a lógica, o paradigma comunicacional.

9

Revista EXIT 2010 Media Sociais na Estratégia das Organizações  

Objecto de restyling completo, a revista EXIT apresenta o tema "Media Sociais na Estratégia das Organizações" sobre como desenvolver estraté...

Revista EXIT 2010 Media Sociais na Estratégia das Organizações  

Objecto de restyling completo, a revista EXIT apresenta o tema "Media Sociais na Estratégia das Organizações" sobre como desenvolver estraté...

Advertisement