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entrevista com...

22 Uma coisa que faço é comunicar por vídeos. Nesse sentido, o tal vídeo feito com meios pequenos tem um efeito maior, porque é pessoal. Os vídeos que saíram do Irão têm mais impacto do que as reportagens feitas pela CNN, porque as pessoas estavam lá, com uma câmara de telemóvel e filmaram acontecimentos ao vivo. Aí, as ONG podem também aproveitar esta questão: a facilidade da imagem. Porque é algo que não está trabalhado. O vídeo e a fotografia não têm de ser profissionais; têm sim de causar o efeito pretendido. Se faço uma acção ao nível de uma ONG e não tenho dinheiro para contratar um fotografo que me faça fotografias esplendorosas, posso fazer fotografias antes e após a intervenção. Uma coisa que eu digo recorrentemente ao nível das empresas é para estas não utilizarem bancos de imagens. Nós vemos muitos sites que têm uma fotografia politicamente correcta dos EUA. Se calhar não corresponde nada à realidade da empresa. Mas é o politicamente correcto. Se uma ONG se dedica ao apoio a toxicodependentes, se calhar é importante ver o que essa organização está realmente a fazer no terreno. Com uma câmara de 50 euros faz-se isso, mas não é utilizado. Por isso é que eu tenho dificuldade em ver desvantagens, só vejo um mar de oportunidades. Dianova: Como gerir a reputação online de uma marca? Filipe Carrera: Consigo controlar uma pessoa relativamente a uma eventual má imagem que esta possa dar de uma marca? Não. Por vezes muitos dos medos online parece que em termos presenciais é o paraíso. Agora há uma coisa: se houver um mau comentário em relação a uma marca, eu se calhar tenho mais possibilidade ao nível da Internet de ter 20 bons comentários se a Organização for boa. Por isso é que mesmo assim só vejo vantagens . Isso é um medo que as pessoas têm porque não querem vigiar. Não, as pessoas têm de vigiar de vez em quando. O meu livro também refere: “você já andou a verificar o seu nome?”. Porque mesmo uma marca que não esteja na Internet, se calhar também há comentários maus

dessa Organização. Uma coisa é ter um mau comentário e 20 bons. Dianova: De que forma pode ser desenvolvida uma boa estratégia de Marketing por meio dos novos media sociais? Seria possível dar exemplos de campanhas bem sucedidas? Filipe Carrera: Houve recentemente uma campanha dos corticeiros – “Salvem o Miguel” - que tinha a ver com a utilização de rolhas de cortiça. E tinha exactamente a ver com as redes sociais. É uma campanha que, no fundo, o objectivo era combater a utilização de rolhas de plástico e que resultou em certa medida. Em Espanha, quando houve os atentados de 11 de Março, as pessoas mobilizaram-se por SMS para as manifestações. E o que aconteceu, o resultado eleitoral foi muito diferente do que se pensava. Porque hoje em dia as pessoas entram em contacto não por proximidade geográfica mas pela ligação que estabelecem. As redes sociais aí trabalharam a uma velocidade recorde. Por isso em três dias deu-se a volta a um resultado. No Irão tentou-se fazer a mesma coisa. Uma boa estratégia tem de envolver os próprios destinatários, porque a partir do momento em que estes são envolvidos, eles próprios vão alimentar. Essa é a lógica da rede. Eles passarão a mensagem. Dianova: Lançou recentemente o livro: Networking. Qual o universo que pretende alcançar? Filipe Carrera: Networking para todos. É um desenvolvimento de uma parte do livro Marketing Digital. Porque este aflora a possibilidade da pessoa fazer o seu próprio marketing digital. Este livro vem colmatar uma lacuna que encontrei em termos de uma bibliografia, porque normalmente a bibliografia trabalha toda a questão ou da parte presencial, e há outros que abordam networking em termos online. Este livro aborda tudo. Ou seja, o profissional como um todo, pensando sempre que o online é um extensão da minha personalidade. Da minha capacidade profissional até. Por isso é que eu falo de coisas como trabalho colaborativo. Porque utilizamos a Internet como instrumento para chegar ao nosso mercado e também de trabalhar em termos profissionais. Por isso é um livro para todos.

Revista EXIT 2010 Media Sociais na Estratégia das Organizações  

Objecto de restyling completo, a revista EXIT apresenta o tema "Media Sociais na Estratégia das Organizações" sobre como desenvolver estraté...

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