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D i a n a T e i x e i r a 2011


O limite/restrição surge-nos como a condição para a nossa liberdade, tanto pessoal como criativa.

Somos constantemente “obrigados” a aceitar o limite de um espaço, condicionador da nossa acção e do nosso movimento, criando assim pequenos fragmentos e pequenos espaços de e para cada um.

Esta ideia de limite (conceito bastante ab-

stracto, mas ao mesmo tempo bastante presente no

nosso dia a dia) é-nos dada através do limitar de movimentos , do alcance-limite do nosso corpo, de espaços, e também no sentido verbal, é como que uma

condição estereotipada da sociedade, uma ideia-pa-

drão. Sabemos que temos o nosso ponto de inicio e fim de algo. É baseado nesta ideia de restrição, de

“obrigatoriedade”, de padrões, que a exposição nos remete, aludindo-nos à nossa percepção e à nossa -V-


falta de controle sobre os limites que nos são impostos, do nós individual, e de espaço.

Ela própria restringe-nos nos seus limites.

No percorrer da exposição apercebe-mo-nos da

nossa presença lá, como seres individuais numa experiência não só individual mas também colectiva, onde o que percepcionamos é momentaneamente o nosso

espaço e limite, vemos e ouvimos o que a exposição nos deixa ver e ouvir. É aqui que se encaixa o símbolo da exposição.

Um quadrado, uma forma estereotipada, um delim-

itador, um conjunto de linhas que criam uma forma

padronizada, ideia de enquadramento da visão do espectador.

Nós, somos o ponto no meio do quadrado. Diana Teixeira

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“A arte trabalhou e pensou centralmente a questão

do espaço mostrando plena consciência do quanto isso transformava, por sua vez, a experiência da obra.”

Maria Teresa Cruz, 2007

O espectador é parte fundamental da obra; a obra só existe na sua interacção com este. As obras só se completam com a experiência.

Com a cada vez mais difícil explicação/definição de

arte, foi preciso inventar outros “rótulos” para a poder justificar, a categorizarão é para muitos uma parte fundamental embora, muitas vezes ao catalogar as coisas estamos a destruí-las. É aqui que entra a Instalação, uma nova definição de tudo aquilo que não é pintura, nem escultura; esta surge com o intuito de provocar sensações, simular ambientes ou coisas.

A junção da arquitectura à prática artística re-

sulta na vasta possibilidade da criação de novas realidades, de pequenos “mundos artificiais”. - XI -


Diana Teixeira: Imers達o, 2011 - XII -


É aqui que a instalação absorve e constrói o espaço à sua volta ao mesmo tempo que o desconstrói.

Uma forma diferente, com uma nova maneira, “per-

spectiva” de ver e de se relacionar com o conteúdo de um espaço desconhecido (mas que ao mesmo tempo nos é familiar). A obra Imersão possibilita a conjugação de dois espaços ao mesmo tempo, faz a mobilização de um espaço (natural) para outro (arquitectónico), através dos elementos visuais e sonoros que compõem essa realidade “provisória”. Essa ideia de transporte de um local, esse espaço artificial é criado a partir de fragmentos dum espaço real transposto para outro.

O espectador, Imerso pela “quantidade” visual de

formas padronizadas, com a mesma distância entre elas de forma a incomodar e controlar/dar liberdade ao espectador pela área ocupada dessas formas.

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Os dispositivos ópticos surgiram como novas formas

para ver e observar o mundo, com o intuito de nos proporcionarem a visão e o registo de coisas e momentos.

O caleidoscópio, como o próprio nome indica, do

“grego kalos (=belo), eidos (=imagem) e scopéo (=vejo)” (vejo lindas imagens) fornece-nos imagens simétricas resultantes da interacção dos espelhos existentes no dispositivo. Os dispositivos ópticos eram tidos até aos séculos XVIII/XIX como enganadores.

O espelho, protótipo da maioria dos dispositivos

ópticos, que nos dá uma visão invertida da esquerda para a direita, e a ideia de duplo que este nos confere torna por vezes a sua experiência algo de fantasmagórica. É neste sentido que a obra “eidos” surge. Esta tem paradoxalmente duas ideias subjacentes; enquanto experiência individual e delimitador do espaço (não só visual mas também do movimento) causa ao espectador o senti- XVII -


mento de estranheza, de desconforto e ao mesmo tempo de curiosidade devido à realidade que o interior da obra revela (desde aquilo que mostra, ao som que produz), e pelas imagens/padrões que cria com o

conjunto de es-

pelhos.

A interacção do espectador com os espelhos e com

o efeito de luzes e fragmentação da imagem criada pelo caleidoscópio causa uma sensação de “encontro” e “afastamento” com ele mesmo. O observador é quase como que absorvido pelos efeitos de luzes e padrões. É como se o espectador se encontrasse e se descobrisse através das imagens distorcidas mas ao mesmo tempo se estranhasse e não se identificasse com a(s) imagem(s) reflectidas. Reflexão não só visual mas também sonora.

O dispositivo é interactivo e envolve-se com o meio

em que é exposto. Ele, permite-nos ter uma visão que só com o olhar não conseguíamos ver, enquanto que a combinação com o som natural da obra nos transporta para uma outra realidade, um a espécie de “inconsciente óptico”. - XVIII -


Diana Teixeira: Eidos, 2011 - XIX -


Diana Teixeira: Eidos, 2011 - XX -


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ElectroniConspiracy - XXIV -


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O estranho, o desconhecido cerca-nos de uma bar-

reira de medo e desconforto, já o que nos é familiar conforta. Por outro lado, o que acontece quando levamos o que conhecemos e nos é familiar ao extremo?

Electronic Conspiracy resulta desse mesmo extremo.

O som electronicamente alienígena envolve-nos numa atmosfera desconhecida; a imagem completamente conhecida para nós, o corpo, mas mostrado ao pormenor um ambiente muito renascentista e enigmático torna a apreensão da imagem bastante ambígua. A junção destes dois elementos resultam num terceiro.

Liberta no espectador uma vontade de querer domi-

nar a câmera para conseguir perceber o que não lhe é assim tão estranho. Tal como o próprio conceito da exposição também esta obra restringe, é o limitar do que é mostrado; partes de um corpo, texturas. - XXVII -


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Diana Teixeira: Electronic Conspiracy, 2011 - XXIX -


Diana Teixeira: Electronic Conspiracy, 2011 - XXX -


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N a r r a t i v a - XXXII -


Três origens sonoras Três registos diferentes Três atmosferas diferentes Um centro

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“Sempre a direito, nunca à esquerda nem à direita”

Nós, enquanto seres integrantes de uma sociedade

vivemos rodeados dos mais variados sons, vindos de variados sítios, sitios esses compostos por variedades de sons.

É certo que a escuridão e a consequente falta de

visão apela aos outros sentidos, apurando quase instintivamente a nossa audição. A obra “narrativa”, narra exactamente esses sítios, temos noção da nossa percepção. Três origens sonoras diferentes em tempos iguais resultam numa Unidade. O foco de luz ao centro funciona como ponto ponto central para o espectador envolto num ambiente escuro. Fora desse “limite” dado pela luz o espectador deambula entre as várias atmosferas propostas. O som, a luz/ escuridão limita o nosso movimento, não se tem muita noção do que está/não está à nossa volta, o espectador imerge. -XXXIV-


Diana Teixeira: Narrativa, 2011 - XXXV -


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Diana Teixeira: Narrativa, 2011 - XXXVII -


J a n e l A b e r t a -XXXVIII-


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O cinema veio trazer a possibilidade de não só

“fixar o momento” (fotografia) mas também o movimento. Também reprodutibilidade técnica favoreceu a quantidade de imagens como do seus suportes.

A Janela Aberta funciona como um ecrã em tempo

real, com dimensão, onde tal como uma tela de cinema o movimento acontece, a única diferença é que esta nunca é gravada. Por outro lado, e resultante da mudança lumínica

ao longo do dia a obra vai-se alterando,

resultando não num mas em dois ecrãs (um vertical e outro horizontal).

As pessoas são elementos cruciais na obra, tanto

“dentro” do limite da tela como enquanto observadores e o ponto de vista pode ser alterado de acordo com a posição de cada um.

A obra torna-se mutável pois ultrapassa os limit-

es da tela. - XLI -


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Diana Teixeira: Janela Aberta, 2011 - XLIII -


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Livro de Artista 2011  

Livro de artista relativo ao ano 2010/2011

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