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alface adentro

panorâmica

equilíbrio

criativos à solta

#7 maio/junho 2012 gratuita ano 1

À LUPA | REPORTAGEM | 14

Lisboa fica em África

sair


2 nesta edição _alface adentro 4_pequenas 7_passe-partout 8_entrevista [Jean-Yves Loude, etnólogo] 13_rua-a-rua [rua do Poço dos Negros] 14_à lupa [Lisboa, mulher mestiça] 20_como nós [Tomás Miranda, luthier]

_panorâmica 22_atualidade 23_opinião [Fernando Cruz, sociólogo]

_equilíbrio 24_[os astros na biblioteca]

_criativos à solta 26_[a Marcha Infantil já tem 25 anos]

equipa coordenação Diana Chaves (dianachaves@sombravertical.pt) Rute Barbedo (rutebarbedo@sombravertical.pt) redação Rute Barbedo fotografia Celestino Santos direção de arte Diana Chaves marketing e publicidade Silvana Cruz colaboradores redação Agostinho Paiva Sobreira, Ana Cepeda Alves, Andreia Montes, Bárbara Morais Simões, Fernando Cruz, Joana Marto, Pedro Pepe e Sara Damásio fotografia Bárbara Morais Simões, José Pedro Tomaz, Luís Rocha dos Reis, Maria João Andrade, Mariana Teixeira da Mota e Ricardo Campos ilustração Alain Corbel, Ana Filipa Pardal e André Alves impressão gráfica Estria, Produções Gráficas, S.A. tiragem 8.000 propriedade

28_Onde Judas Perdeu as Botas [às voltas em Benfica] 29_[gerar milhões com o passa-a-palavra] 30_[em Scena: parar para olhar a cidade]

_sair 32_dia 36_noite

_colinódromo 42_[Miguel Gonçalves Mendes, realizador]

Rua dos Douradores nº 11, 4º andar, sala 403 • 1100-203 Lisboa 21 886 93 17 • 96 473 16 46 www.sombravertical.pt • geral@sombravertical.pt Depósito Legal: 334305/11

com o apoio de:

Nota positiva | Maio/junho


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Alain Corbel é um ilustrador com uma ligação especial a Lisboa e a África. Por isso, quando a Nota Positiva lhe pediu para ilustrar a sua Lisboa africana, aprontou-se a retratá-la assim… Formado em Banda Desenhada no Institut Saint Luc, de Bruxelas, viveu na capital portuguesa de 1997 até há bem pouco tempo e agora dá aulas em Baltimore, nos Estados Unidos. Mas foi no “período Lisboa” que aprofundou a sua relação com África, através de muitas viagens, livros e workshops em escolas do continente. Entre 2001 e 2002, o ilustrador bretão viajou pelas ex-colónias portuguesas de Cabo Verde, Guiné, São Tomé, Angola e Moçambique com o escritor Pedro Rosa Mendes. O projeto resultou no livro Ilhas do Fogo. Em 2002, Corbel venceu o prémio

de melhor ilustrador de Portugal com a imagem de Contos de Macau, de Alice Vieira. Para Alain Corbel, ser ilustrador é uma viagem pessoal profunda. Das vivências entre a Europa, América, Ásia e África, deduz-se uma mensagem de universalidade. Apesar de atualmente viver em Baltimore, não consegue ficar longe das terras quentes de África, como confessou à Nota Positiva. Por isso, iniciou, na sua escola, o programa Mica Summer Travel Intensives (unspoiled-africa.blogspot.pt), um incentivo às artes em lugares de forte componente estética e histórica. Paralelamente, conta as suas experiências em noticiasdoquelele.blogspot.com. Por esta altura, andará entre Cabo Verde e São Tomé…

Esta publicação é escrita ao abrigo do novo Acordo Ortográfico

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Faça parte do grupo de positivos de Lisboa e envie a sua melhor fotografia, opinião, sugestão, curiosidade ou comentário acerca da cidade e/ou da revista para:

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4 alface adentro pequenas

Um fim-de-semana de fetiche À semelhança de Paris, Berlim, Barcelona e Londres, Lisboa entra, finalmente, na cena internacional do fetiche. O Lisbon Fetish Weekend é o primeiro evento realizado em Portugal de cariz artístico, cultural e científico dedicado ao universo fetichista e kink. Organizado pela ConSenSual e com lugar na Fábrica do Braço de Prata, promete uma exposição e um concurso de fotografia, um colóquio e uma viagem ao mundo do qual todos fazemos parte mas nem sempre confessamos. A mostra “Olhares Consentidos 2012 – Exposição Internacional de Fotografia Erotic-Kink de Lisboa” centra-se em 25 obras de fotografia erótica de autores como Peter Czernich, Hikari Kesho ou Jean-Paul Four. A 2 de junho, a festa de encerramento, no LX Casting Club (LX Factory), promete atuações de convidados especiais e uma dinâmica inédita em Lisboa. Alertamos que a admissão é sujeita ao rigoroso dress code habitual este género festas. Para mais informações consulte www.lisbonfetishweekend.com.

Martim Moniz com restaurantes e mercado multicultural A partir de junho, a praça do Martim Moniz será um espaço ainda mais multicultural. Comidas oriundas de vários países africanos e orientais irão pontuar uma esplanada com capacidade para 300 pessoas e, aos fins-de-semana, haverá um “mercado de fusão” aberto a vários tipos de comércio. O espaço funcionará com quiosques de onde os clientes poderão levar os seus tabuleiros para a “praça de alimentação” ao ar livre. Haverá, regularmente, atividades multiculturais, como concertos, workshops, conferências e exposições. A intervenção faz parte do Plano de Acção da Mouraria e veio solucionar o problema das chamadas “gaiolas” do Martim Moniz. Foi em 1998 que o então presidente da Câmara de Lisboa, João Soares, decidiu instalar 44 quiosques no Martim Moniz, com o fim de trazer à praça comerciantes de antiguidades e alfarrabistas, mas o projeto (que custou mais de 650 mil euros) não chegou a ir para a frente.

Nota positiva | Maio/junho


pequenas alface

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Dançar por Lisboa

Diana Matos, Calçada do Duque

Todos os meses, a Nota Positiva partilha uma imagem da série “The Lisbon Ballerina Project”, um trabalho de Luís Rocha dos Reis (Rocha dos Reis Photography). Todas as fotografias deste projeto podem ser visitadas em www.facebook.com/thelisbonballerinaproject.

Bibliotecas de cara lavada

Coworking no autocarro A ideia veio de Londres: potenciar o espaço de um autocarro, transformando-o em local de

Depois do “rejuvenescimento” merecido da Biblioteca Ca-

criação e partilha. A Carris aderiu ao projeto

mões, no Largo do Calhariz, será a vez de outros espaços de

inglês Village Underground e vai dar uma nova

estudo e pesquisa se abrirem de cara lavada à cidade. A Câmara

vida a dois antigos autocarros, oferecendo, assim,

de Lisboa vai investir quatro milhões de euros na recuperação

espaços de trabalho com rendas bastante acessí-

da biblioteca do Palácio Galveias, na deslocação da de Alvalade

veis para profissionais da indústria criativa, so-

e da Hemeroteca Municipal e na construção de um novo espaço

bretudo. Os autocarros, que estavam destinados

em Marvila. Tudo isto, até ao final de 2013.

a abate, deverão funcionar na antiga estação de

O projeto insere-se no programa Bibliotecas XXI, que visa,

Santo Amaro. Os interessados num trabalho a

até 2024, dotar a cidade de oito “bibliotecas-âncora” e 18 de bair-

correr sobre rodas devem enviar e-mail para ma-

ro, noticiou a agência Lusa. Segundo Catarina Vaz Pinto, verea-

riana@madame-management.com e serão sujei-

dora da Cultura, o objetivo é o “reordenamento das bibliotecas

tos a um processo de seleção.

de Lisboa por todo o território”, uma vez que estas “não acompanharam o movimento de modernização que se verificou no país”. Serão, assim, integradas “políticas ativas de combate à literacia e à exclusão”, bem como “pequenos auditórios e áreas expositivas”.


6 alface adentro pequenas

Parabéns, arte urbana!

Um poço de ideias

Há um novo espaço no coração alfacinha pronto

a promover a cultura “em todas as suas formas e sem pretensões”. O Poço de Ideias fica na rua do Poço dos Negros e nasceu com o seguinte objetivo: “que todos tenham acesso à arte, seja para contemplar, usufruir ou comprar”, informa Joana Caldeira, mentora do A Galeria de Arte Urbana comemorou, a 17 de maio, três anos de atividade com muita festa: a inauguração da exposição Low-

projeto. Para isso, o espaço recebe workshops, exposições, concertos, etc..

brow, na Calçada da Glória; o lançamento do site galeriaurbana.

Porquê um projeto assim? Porque “o fácil acesso

com.pt; a publicação de uma retrospetiva do trabalho desenvolvi-

a ferramentas artísticas, sejam de que natureza for,

do; as intervenções artísticas na rua Nova do Carvalho e em três

reflete uma sociedade com pressa de se expressar”. “A

vidrões de Lisboa. O surrealismo pop, que reúne contributos de

procura do porquê  aparece depois do  como, numa

universos como a tatuagem, os comics, a street art e outras sub-

inversão de sentidos que provoca ainda mais vontade

culturas urbanas, é a corrente central na exposição LowBrow, que

de conhecer. É por isso que devemos procurar mais,

conta com trabalhos de Mar, Miguel Januário, Paulo Arraiano ou

porque há sempre mais para explorar.” Assim se ma-

Nuno Costah.

nifesta este poço.

pub

Nota positiva | Maio/junho


passe-partout alface

adentro 7

Um conto por mês

José Pedro Tomaz

Todas as edições, a Nota Positiva publica um microconto resultante dos testemunhos de lisboetas sobre uma fotografia da cidade.

As fitinhas dos santos são das coisas que mais gosto. Dá muito trabalho, mas também dá gozo. Já há uns bons anos que passo cá a beber umas cervejinhas e a descansar um pedaço. Soraia Alves, 39 anos, advogada Vânia Quinteto, 24 anos, estudante Félix Mendes, 46 anos, bancário João Boavida, 38 anos, investigador Paulo Nascimento, 45 anos, arrumador


8 alface adentro entrevista

Nota positiva | Maio/Junho


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Jean-Yves Loude,

etnólogo e escritor

“um piso entre África e a Europa” O etnólogo e escritor francês Jean-Yves Loude anda desde os anos 1980 a remexer África, à procura de memórias que foram ganhando marca de água, submersas na História do colonialismo. Foi o continente vermelho que o guiou até Lisboa. Em 2005, o amante da morna e do funaná encontrou na capital portuguesa a décima primeira ilha crioula e, por isso, escreveu Lisboa, na Cidade Negra, um relato entre a investigação e a ficção que devolveu à cidade a sua mestiçagem. Recentemente, Jean-Yves Loude voltou a Lisboa. Palestrou sobre a posição da cidade na literatura, dançou morna na Associação Caboverdeana, comeu cachupa na Mouraria e conversou com a Nota Positiva sobre essa africanidade. No restaurante São Cristóvão, enquanto Maria do Livramento mexia o ponche numa panela de ferro, o grogue pontuou uma certeza: a Lisboa de Loude tem bem mais cores do que a cidade branca de Alain Tanner. Mas há muita memória para lhe devolver. Texto | Rute Barbedo | Fotografias | Maria João Andrade |

Não tem família nem nenhuma ligação particular a África. Como se interessou por esta cultura?

nós, europeus, não somos civilizados o suficiente para aguentar essa singularidade.

Nos anos 1980, fiz uma viagem ao Paquistão com a minha

Aprendi a lição da diferença e tornei-me etnólogo. Anos de-

companheira Viviane Lèvre. Estivemos com os kalash, um povo

pois, encontrei em Lyon um professor dos Camarões. A amizade

absolutamente único, ameaçado a desaparecer, e percebemos que

era simples. Não perdíamos tempo a ver a cor da nossa pele. Co-


10 alface adentro entrevista

Passagens de Lisboa, na Cidade Negra “(…) no dia em que finalmente chego a Lisboa, é África que se me impõe (…), recordando-me que a rota dos escravos não tomou apenas a direcção do Brasil ou das Antilhas (…), mas que atravessou primeiro mercados florescentes, aqui na Europa, na Península Ibérica.” A visão de General D (rapper português de ascendência moçambicana), entrevistado por Jean-Yves Loude: “Conheci o racismo dos insultos banais, mas sobretudo a rejeição. Só era aceite quando jogava futebol, porque aí era bom. Ser branco, para mim, era fazer tudo para sair com uma rapariga branca, não por estar apaixonado mas para avaliar a minha ascensão social aos olhos dos outros.” A descrição do jornalista são-tomeense Brassalino: “Para mim, Lisboa é uma fatalidade que eu assumo. [..] Lisboa convém aos africanos. Não é rigorosa, é um bocado sorna. E apesar disso os africanos adaptam-se. Porquê? Porque o dinamismo das outras cidades lhes retira toda a energia, destruindo-lhes a personalidade. Aqui as pessoas conseguem traçar o seu caminho. Serpenteia-se, desvia-se, deambula-se. Lisboa não gosta de seguir regras […] Lisboa é uma etapa importante entre África e o Ocidente, uma ponte, uma transição.”

necessidade de escrever. Diálogo a Preto e Branco mudou a nossa

Portanto, quis investigar o passado anterior aos Descobrimentos…

vida, completamente. Foi o primeiro livro da literatura francesa

Tornamo-nos etnólogos, investigadores quase policiais, em

mecei a interessar-me cada vez mais sobre a cultura africana e tive

sobre esta temática escrito por um branco.

busca da verificação dessa História. Fomos à Guiné e pensámos que se o imperador tivesse partido dali, teria passado pelas ilhas

Por que partiram do Paquistão para África? Identificaram uma ligação no desaparecimento de civilizações e de memórias? Sim. Na sequência dos descobrimentos no século XV. Quan-

de Cabo Verde. Então continuámos a “sua” viagem. Mas quando chegámos a Cabo Verde [em 1994], esquecemos tudo isso e entrámos numa história de amor. Aquelas ilhas apareceram-nos como a primeira etapa da luta brutal entre África e a Europa.

do estava a fazer o Diálogo a Preto e Branco, encontrei uma carta de um amigo que dizia que antes do Cristóvao Colombo, um im-

De que forma Cabo Verde vos trouxe a Lisboa?

perador africano [Abou Bakari, do Mali] decidiu fazer uma via-

Era importante vir a Lisboa para encontrar arquivos sobre

gem através do mar das Trevas, com 2000 barcos. Partiu e nunca

Cabo Verde. E quando chegámos a Lisboa, fizemos amigos, co-

voltou. Se ele tivesse voltado, a História era outra. A Europa assu-

nhecemos muitos cabo-verdianos, estivemos muitas noites a

me esta história como uma lenda e, assim, a História africana não

beber grogue… Foi engraçado: os portugueses deixaram Lisboa

existe antes da chegada dos portugueses.

para procurar África e nós deixamos África para vir a Lisboa.

Nota positiva | Maio/Junho


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O que encontraram aqui?

um lugar específico da cidade. É que os alfacinhas conhecem a

A primeira vista desta cidade era africana, embora muita des-

fachada mas não a realidade por detrás dela...

sa presença esteja escondida. Vamos a uma quinta-feira à Associação Caboverdeana e vemos toda a gente a comer cachupa e a dançar funaná à hora de almoço. É incrível! Quando cheguei

Para mostrar essa realidade, recorreu ao testemunho de africanos a viver em Lisboa.

aqui [no final dos anos 1990], a primeira pergunta que fiz foi:

Foi uma forma de dar palavra aos que foram proibidos de

“Porquê tantos africanos em Lisboa?” Explicaram-me que já vi-

falar. O livro existe para dar voz aos novos descobridores de Por-

nha de 1445, com a vinda dos escravos. E aí comecei a explorar

tugal, como participantes na construção da identidade lisboeta.

essa realidade.

E depois surgiu Lisboa, na Cidade Negra (2005, Dom Quixote), com Maria Rebelde como personagem central e ficcionada... Para revestir a investigação, construí um jogo com base nas

Quais foram os principais contributos africanos na identidade lisboeta? A alegria e a consciência.

Que consciência?

lições áudio de Português dadas pela Maria Rebelde, uma mestiça

A consciência de que vivemos juntos, de que temos de apro-

de temperamento forte a viver em Lisboa. Cada lição leva-nos a

veitar-nos uns aos outros [e não uns dos outros] e de que não


12 alface adentro entrevista

devemos edificar diferenças e hierarquias. Estou farto disso! Quero resgatar a memória da escravidão. Não podemos viver mais tempo com essa memória não resgatada.

Lisboa é uma cidade europeia mais africana do que as outras? Em Lisboa, encontramos África em qualquer sítio. Em Paris,

do seculo XIX, em que o cruzamento de brancos e negros é proibido. No Brasil, houve muito mais mestiçagem.

por exemplo, há alguns “setores africanos”. A África de Paris é mais dividida... Aqui é mais diluída e mais forte. Lisboa inspira-me uma alegria que eu não posso alcançar em Paris.

Mas a mestiçagem apenas existe na pele? O fado não é um exemplo de mistura?

Os portugueses não são conscientes da sorte da sua História,

O [Joaquim] Pais de Brito, diretor do Museu de Etnologia,

feita de vitórias e de acasos… É por isso que estou com raiva! Os

mostrou-me a “enciclopédia do fado”, de 1903, que confirma que

nossos antepassados não percebem nada da vida e é por isso que

o fado nasceu nos bairros pobres onde viviam os negros. Depois,

temos de resgatar essa memória.

foi passando para a burguesia e as suas raízes negras foram escondidas. Mais uma vez.

Que visão sobre Lisboa lhe transmitiram os africanos que entrevistou? Pessimista, mas, de alguma forma, equilibrada. É como a imagem de um casal, com luta, briga e paixão. Na minha opinião,

Não deixa, por nenhum segundo, de acusar o Ocidente pela forma como trata a memória africana. Para além da crítica, o que devemos fazer para a restituir?

os africanos têm uma visão com paixão e briga, com um pouco de

É importante dar a conhecer a ligação histórica, as origens,

racismo e muita liberdade. E com a possibilidade de existir e de

e não esquecer o racismo, não deixar que se fechem fronteiras

fazer, mais do que em muitas outras capitais da Europa. Lisboa é

aos africanos, porque um dia, há muito tempo, precisamos deles

um piso entre África e a Europa.

para que fossem a nossa mão-de-obra e parte da nossa identidade. Não podemos responder pelo que os colonizadores fizeram

Por que fala numa cidade negra e não mulata?

mas temos a nossa responsabilidade em relação ao passado e a

A mestiçagem desapareceu para Alcácer do Sal. É o mistério

um presente melhor.

Nota positiva | Maio/Junho


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Fotografia antiga: Câmara Municipal de Lisboa – Direção Municipal de Cultura – Departamento de Património Cultural; fotografo não identificado

Rua do Poço dos Negros

1898-1908

D

e quando em quando, a rua do Poço dos Negros lá se cruza com o mar, assim que encontra a rua das Gaivotas, a travessa dos Mastros ou a dos

Pescadores. E foi a partir do mar que África chegou a Lisboa. A presença dos negros na cidade vinha crescendo desde o

século XV, altura em que chegavam os primeiros cativos negros, entre ouro, ébano e marfim, “empilhados na coberta dos navios, mal alimentados, amarrados uns aos outros, costas com costas”, como contou Filipe Sassetti, comissário florentino que viveu em Lisboa entre 1573 e 1578.

2012 Episódios com (H)história Nos anos 1970, chegou a Lisboa – à rua Poiares de São Bento – uma senhora simpática e “boa de mão” chamada dona Dêdês. De 1973 a 2004, foi ela a responsável pelas festas da independência de Cabo Verde (a cada 5 de julho), no seu restaurante, “Ta Ki Tá Lá”. O estabelecimento já não existe, mas o triângulo de São Bento continua a comemorar a ocasião, seja na rua, em casa ou no barzinho do costume.

No século XVI, a nova cor da cidade já era inegável, confirmava o humanista Clenardo em Os Negros em Portugal: “Estou

Pedra a Santa Catarina [atual rua Marechal Saldanha]” ou na praia.

a crer que em Lisboa os escravos são mais que os portugueses

Assim, no início do século XVI, terá o rei D. Manuel I endereçado

livres de condição. Dificilmente se encontrará uma casa onde

uma carta à cidade ordenando a construção de um poço – “o mais

não haja pelo menos uma escrava (...). É ela que vai comprar

fundo que pudesse ser” – destinado aos corpos dos escravos.

as coisas necessárias, que lava a roupa, varre a casa, acarreta a água, faz os despejos à hora conveniente.”

Bem mais tarde, já no final dos anos 1970, a zona de São Bento recebeu uma nova vaga de gentes de África: imigrantes cabo-

Dada esta nova massa lisboeta, surgiu a necessidade de criar

-verdianos vindos de uma recente independência que os fez pro-

um cemitério para os negros, até porque não lhes era permitido o

curar vida em Lisboa. E ainda hoje lhes encontramos os tachos,

repouso eterno nos adros das igrejas e porque não se podia con-

a vida e a música. Mas, bem espreitada a rua, nunca descobrimos

tinuar a lançar os mortos “na lixeira que está junto da Cruz da

qualquer poço nela.

Esta rubrica resulta de uma parceria com o blog aps-ruasdelisboacomhistria.blogspot.com e com o Departamento de Património Cultural (http://arquivomunicipal.cm-lisboa.pt) da CML


14 alface adentro à lupa

A África que a fazer suar

25 de Maio é o Dia Mundial de África, por isso, a Nota Positiva quis viver a cidade ao ritmo do continente quente. Do novo B.Leza às noites africanas do Chapitô, passando por almoços com coladeira e aulas de quizomba, respira-se uma nova africanidade em Lisboa. Nela, brancos e negros partilham a mesma dança e a cachupa é acompanhada de vinho do Tejo. Texto | Rute Barbedo |

Nota positiva | Maio/Junho

Bartô, vai tê qui dançá

“L

eve-leve”, como em São Tomé, “malembe”, como em Angola. No Bartô, bar do Chapitô, os domingos têm

concerto marcado para as 22h, mas não começam antes

das 23h, seguramente. São 22h48 e os músicos chegam calmamente do jantar. “Vamos aproveitar a noite, que ‘tá’ fixe!”, grita do palco Simon José, cantor angolano que anima mais uma noite africana do Bartô (programa que aquece a primeira colina de Lisboa desde os anos 1980). À segunda música, já se grita “aiué!” e os pares rodopiam na sala. Parece que é fácil, mas enrolar a anca daquela maneira não é para todos – não é por acaso que o continente africano tem mais curvas que o nosso. “Mama África” tem de subir pela espinha, como quem faz funge para acompanhar a moamba. Rente às colunas, Maria penteia o cabelo louro e bate o pé na casa dos 50. “Não sei o que acontece, mas há qualquer coisa em mim que me puxa para dançar e eu tenho de ir”, confessa. E vai! Tem raízes africanas? “Não.


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Ricardo Campos

anda Lisboa

A morna em corpos quentes “Boa noite. Bem-vindos ao B.Leza.” A frase volta a ouvir-se junto ao Tejo, no Cais do Sodré, a nova morada da casa-mãe da interculturalidade lisboeta. Na parede de vidro escancarada para o Tejo, as silhuetas dançantes, refletidas, deslizam com as ondas. O homem mestiço, de camisa aos quadrados, estende a mão à senhora do Martini e da perna cruzada. Morna: a música e a atitude. Mas suficientemente quente para os fazer fundir nos braços um do outro. “Há muitos divórcios e casamentos feitos no B.Leza mas, acima de tudo, há muitas amizades”, conta Sofia Saudade e Silva, sócia do clube. “O B.Leza nasceu de uma história de amor”, em 1995, no PaA única ligação que tenho a África é ser de Lisboa.”

lácio Almada Carvalhais. 12 anos depois, uma ação de despejo

Terá sido a mesma condição a atirar Marta Lança, programadora

contra o Casa Pia Atlético Clube – que subalugava o espaço ao

cultural da Zona Franca, que organiza as noites do Chapitô desde

B.Leza – atrapalhou as entrelinhas. Atrapalhou mas não matou.

novembro, à cultura africana, em 2004. A jornalista e produtora par-

Após cinco anos à procura de casa, hoje revivem-se as noites de

tiu para Cabo Verde com o fim de criar a revista Dá Fala. Dali viajou

morna e coladeira. “Havia saudades do B.Leza”, comenta Sofia.

para Angola, Moçambique e por aí afora.

Por isso é que, para além de um público jovem e renovado, conti-

De regresso a Lisboa, repara que “a música africana é cada vez

nuam a ver-se os clientes do passado.

mais valorizada, não só pelos africanos, como pelos portugueses,

A levitar sobre o Tejo, os casais enrolam, encostam, ondulam,

turistas e estudantes Erasmus”, por isso, as noites do Bartô estão a

se embalam. “Com o B.Leza, notei que os lisboetas começaram a

crescer. No centro dessa relação intercultural, Marta criou o Buala

ouvir mais música africana e que os africanos começaram a ser

[website dedicado à cultura africana contemporânea], porque havia

mais aceites na cidade”, analisa a responsável. Nesta sexta-feira,

imensa coisa interessante a acontecer e os países não se conheciam

Calú Moreira faz acreditar que Lisboa é o retrato da lusofonia

uns aos outros”. “Fala-se da lusofonia numa perspetiva teórica e di-

a várias cores. É “um acreditar nas pessoas, na sua mistura e na

plomática, mas, na verdade, isso é mais visível aqui em Lisboa do que

capacidade que elas têm de se relacionar”. Como nas palavras de

em África”, considera.

Sofia sobre o sonho B.Leza.


Ricardo Campos

16 alface adentro à lupa

DJing Africa Aos finais de tarde de sábado, a Avenida 24 de Julho não é assim tão dura. O rádio sintonizado na Antena 3 abre a janela para uma África urbana, atual e sem fronteiras. Ouvimos “Música Enrolada”, programa que conta com os beats dos

Irmãos Makossa: Paolo, de Itália e Nélson, da margem sul. Os manos juntaram-se no virar do milénio, “quando a world music estava a despontar em Lisboa”, e desde então andam à procura dos ritmos afro com assinatura mappa mundi. Ou seja, para eles, tanto a música como Lisboa são mistura. “Quando meti o pé em Lisboa, em 94, começou a minha relação com África”, atira Paolo, recuando no tempo: “A cultura africana era viva. Havia festas, comunidades africanas fortes, muitos projetos da Guiné, de Angola, com músicos europeus. Sentimos que fizemos parte desse movimento e que ele está novamente a ganhar força, com a reabertura do B.Leza e do Ritz Clube e com sítios novos como o Arte & Manha ou o Clube Ferroviário”, onde passam música. Nélson reconhece o conceito de fusão na pele. Filho de mãe angolana e pai português, nota que o público lisboeta é recetivo ao som que passam, porque está “mais acostumado à noção de mistura e à africanidade”. E Paolo completa com o corpo: “Lisboa é uma cidade africana; inspira e respira africanidade. E a interculturalidade é isso: dar e receber.”

Nota positiva | Maio/Junho

Os Irmãos Makossa vão estar a 25 de maio no Arte & Manha, a 8 de junho no Ritz Clube e no dia seguinte no Bacalhoeiro


Interculturacidade Cachupa no prato, vinho português no copo. O retrato é a filosofia do Centro InterculturaCidade, em São Bento. O centro é a materialização do sonho de Mário Alves, que vê nas diferenças de cor da pele a possibilidade de jogar com uma paleta mais próxima da perfeição. Esta associação sem fins lucrativos promove, desde 2004, “o diálogo entre culturas” através de conferências, filmes, ações de formação e do incentivo às artes e à criação, num espaço que recebe todos, sem distinções. Há jantares temáticos e festas, apoio aos imigrantes, aulas de português e de crioulo cabo-verdiano, adultos e crianças. No InterculturaCidade, a distância entre o moçambicano e o paquistanês é a mesma que da garrafa de tinto ao prato de cachupa. “Vamos à mercearia da senhora do Bangladesh e não sabemos o nome dela. Há guineenses que trabalham em Portugal na construção civil, mas que no seu país eram bailarinos. Temos de quebrar isso e respeitar a diversidade”, defende o diretor do centro. Perto da meia-noite, Maio Copé canta África. Duas salas ao lado, na oficina, trabalha-se em madeira e barro. Portugueses e africanos usam o espaço para exprimir o que lhes vai na alma. “Mais tarde, podemos fazer uma exposição ou vender algumas peças”, contam. Tudo isto é uma forma de valorizar a identidade e o empreendedorismo nas comunidades migrantes. E é um meio para integrar com igualdade, como explica Mário Alves: “Ninguém tem de preencher uma ficha para entrar no centro. Se precisam de alguma coisa, nós damos, tal como fizeram com os portugueses que emigraram para França nos anos 1970.”


18 alface adentro à lupa Quizomba, semba e pés descalços “A força ‘tá’ no muxima [coração em Kimbundu, de Angola] !” Assim encoraja o professor Petchú os participantes do Áfri-

cAdançar, o congresso internacional de danças africanas que se realiza há cinco anos em Lisboa. A música vem da Nigéria, o professor, de Angola, e os alunos, do mundo. Todos estão moídos e a sala, por mais arejada que seja, cheira a sumo de glândulas sudoríparas. Hoje, Petchú dá aulas de danças tribais, mas os últimos 18 anos em Lisboa (na Escola 1001 Danças) têm sido a ensinar muita quizomba, rebita, semba, tarrachinha, entre outros géneros. Quando chegou a Portugal, nos anos 1990, “as danças africanas não estavam propriamente na moda”, afirma o professor. Agora, a quizomba, particularmente, “é muito procurada, porque é uma dança muito social. Permite o abraço, o carinho, a relação humana, que é o que todos procuramos”, explana Petchú. Por outro lado, antes Ricardo Campos

havia “o problema do contacto, do toque e do cheiro a suor; agora não há nada disso”, nota o dançarino. Esse processo de “libertação” fez internacionalizar a música africana. A prova é que 95% dos alunos de Petchú são europeus.

Almoços de coladeira A cachupa é um prato lento que se faz com o amor da morna: em lume brando, com o calor a subir e a misturar os temperos à carne. “Leva aí umas quatro horas e, antes de comer, vamos bebendo grogue”, conta José (nome fictício), de 74 anos, à mesa da

Associação Caboverdeana. Dizem que às terças e quintas este espaço perto do Marquês de Pombal vira “a cantina dos executivos de Lisboa”, mas, para além de fatos e gravatas, também há gente di Kabu Verdi que vem matar saudades de camisa aberta ao calor. Ainda não são 13h30 e Zezé Barbosa, músico residente, avança para uma primeira faixa. Soa a fado com tempero: deu em morna. E por uma questão de temperatura, talvez, a associação é, desde os anos 1960, um ponto de encontros, namoros e afeto. Mas não é só dos ritmos de Cesária e dos pratos da dona Azita que vive esta casa. “Temos apresentações de livros, conferências, debates, exposições, filmes… Prestamos apoio aos imigrantes, temos um gabinete jurídico e uma biblioteca para estudantes de mestrado e doutoramento”, enumera Mário de Carvalho, presidente da associação. Os cabo-verdianos constituem a terceira maior comunidade de imigrantes em Lisboa. Foi a História que os juntou e essa condição de homens e de tempo tem fortalecido a ligação, que será, cada vez mais, estendida a outras comunidades, garante o presidente. Na relação mais próxima aos olhos, Zezé desenha os acordes da multidão gingante. São 14h30 e dá-se o fim de uma cerveja gelada. “Dança?” Nesta casa, até a Nota Positiva dança. E assim Lisboa se agarra a África: no amor de uma coladeira.

Nota positiva | Maio/Junho


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A “mulata roliça” dos Dead Combo Há dez anos que Tó Trips e Pedro Gonçalves (re)criam uma “Lisboa com música lá dentro” e essa cidade respira vários mundos. O mais recente é África, que inspirou o álbum “Lisboa Mulata”, corpo central do concerto de 3 de maio, na Aula Magna. Músicas como “Cachupa Man” ou “Morninha do Inferno” têm feito gingar as ancas da cidade, por isso, perguntamos aos Dead Combo que Lisboa é essa. Texto | Rute Barbedo |

O que vos fez perceber que a cidade que queriam para este disco era mulata? Nascemos e vivemos desde sempre nesta maravilhosa cidade que é Lisboa, que desde sempre foi mulata, multicultural e multirracial.

Onde fica a Lisboa africana dos Dead Combo? Fica um pouco por toda a parte, principalmente na zona da [avenida] Almirante Reis, onde se pode ver gente de todo o mundo integrada na cidade.

“Lisboa Mulata de sangue quente. Mistura-se nos corpos que dançam nos bares, até cair em tentação. Essa Lisboa Mulata que ninguém sabe onde mora, de onde vem. Ginga na guitarra e no destino que Deus lhe deu, também. Filha de todos, das ilhas, da rua e do pregão. Livrem-se aqueles que nos seus braços caírem. Desgraçados no meio desta maldita confusão.”

“Mulata” é a característica de mistura que procuravam na música? Desde sempre que incorporámos elementos de outras culturas na nossa música. Para este disco, fomos “beber” um pouco ao continente africano, coisa que ainda não tínhamos feito.

Com quem se dança uma “Morninha do Inferno” (uma das faixas do último disco)? Com uma mulata de dois metros, espadaúda, e bem roliça, que nos parte as costelas quando nos abraça.

Quem é o Cachupa Man? É um senhor que vendia cachupa na rua do Poço dos Negros, aqui há uns anos.

Em que lugar da cidade gostariam de tocar “Lisboa Mulata”? No meio do rio Tejo!


20 alface adentro como nós

O luthier, o músico e o instrumento Tomás Miranda, luthier de profissão, acaba de tratar o saxofone dourado de Desidério Lázaro e recebe um telefonema... O saxofonista passará pela loja para o experimentar. Também já ajudou Branford Marsalis, que gostou muito do seu trabalho e o convidou a assistir ao concerto. Entregam a Tomás os instrumentos de sopro as principais orquestras e escolas de música portuguesas. Tudo começou em 1980... Texto | Pedro Pepe |

D

urante muito tempo, passava na loja

[os músicos] a pensar naquilo, depois querem que se realize e, na

[Custódio Cardoso Pereira] e ficava

maioria das vezes, resulta.

preso, na montra, a um instrumento.

Paralelamente faço a minha investigação. Tenho um projeto

Na altura não sabia qual era. Era um

em clarinetes, que está a funcionar na Gulbenkian... Os instru-

oboé. O meu irmão costumava lá ir

mentos antigos têm mais madeira e menos chaves. De repente as

muitas vezes e um dia disse-me que precisavam de um aprendiz...

madeiras ficam com menos sonoridades; com mais profundidade

O que fazia ao início era procurar os ângulos. Atrás de um ins-

mas com menor riqueza sonora. O desafio é como um regresso à

trumento apareceu outro, com formas diferentes, com mecânicas

natureza, como se a raiz de uma árvore voltasse à floresta. Se a

diferentes. Numa fábrica monta-se um intrumento, não se discute.

componente técnica é o que se pode aprender – o que está escri-

O que falta é encontrar o equilíbrio do músico com o instrumento.

to – e o segredo é não nos desviarmos da fonte – da origem do

Traduzo-o em palavras como a harmonia dos desequilíbrios; entre

instrumento –, são a intuição e o sonho que permitem melhorá-lo.

três corpos: eu, o músico e o instrumento.

Nos sons que produzo para me situar, que não são belos, en-

Fico todo feliz quando o construtor, que traçou um determina-

contro muitas vezes sons parecidos com os dos passáros. Na minha

do conforto para o instrumento, deixou alguma coisa para mim.

cabeça, as chaminés [dos instrumentos] são ninhos e esta ideia

A minha vida é à procura de problemas, a resolver problemas, a

surge-me com sons e imagens. É incrível. Posso ter a mesma felici-

desgraçar-me todo [risos]... Basta dizer qualquer coisa e já vão

dade que o músico quando toca.”

Este texto foi construído a partir de uma conversa com Tomás Miranda, luthier, na sua oficina (rua Poiais de São Bento, 25)

Nota positiva | Maio/junho


21


22 panorâmica atualidade Solidariedade

Intercâmbio Portugal-Moçambique Alunos de Portugal e Moçambique têm trocado, nas últimas semanas, impressões e ideias sobre formas de reciclagem e de reutilização do lixo, nos seus respetivos países, num intercâmbio promovido pela AIDGlobal, no âmbito do projeto “Educar para Cooperar”. O Agrupamento de Escolas da Bobadela e as Escolas Secundárias do Chibuto e de Malehice são as instituições envolvidas. A AIDGlobal realiza ações de sensibilização, informação e mobilização da sociedade civil, alertando para as causas locais e globais dos problemas de

MÚSICA

Dead Combo no top do iTunes

ECONOMIA

Felicidade interna bruta

LITERATURA

Camões, Saramago e Lobo Antunes na China

DR

SXC

DR

Ricardo Campos

DR

desenvolvimento e das desigualdades.

PASSEIO

“Rota vicentina” Há um novo percurso

Tó Trips e Pedro Gonçalves,

Dois estudantes portugueses

a dupla alfacinha que forma

lançaram uma petição para

As obras Os Lusíadas,

do Cacém a Odeceixe,

os Dead Combo, entraram

introduzir o conceito de

de Luís de Camões, A

no Alentejo. A “Rota

em maio no top do iTunes

Felicidade Interna Bruta

Viagem do Elefante, de

Vicentina” visa promover

norte-americano com os

(FIB) em Portugal. David

José Saramago, e O

o turismo de natureza e

seus dois primeiros álbuns e

Erlich e Susana Jorge

Esplendor de Portugal, de

oferece duas alternativas

um álbum gravado ao vivo.

estudam Ciência Política

António Lobo Antunes,

aos utilizadores: um

A participação no programa

na Universidade Técnica

entraram esta semana

percurso pelo interior,

de Anthony Bourdain terá

de Lisboa e sugerem que

para uma das maiores

que passa por várias

contribuído para a projeção

o Banco de Portugal inicie

bibliotecas do mundo, a de

localidades, e outro

da dupla. Durante a estadia

estudos e debates tendo

Xangai. O acontecimento

que aproveita o trilho

na capital, Bourdain

em vista a medição deste

marca a entrada da língua

pedonais dos pescadores.

conversou com os músicos

indicador no país. O conceito

portuguesa naquele

O projeto final terá 340

nos cafés do Cais do Sodré

da FIB foi criado pelo rei

espaço. Os livros foram

quilómetros, mas já é

e o programa foi musicado

do Butão, Jigme Singye

doados pelo Instituto

possível percorrer 200

pelas guitarras e contrabaixo

Wangchuck, em 1972.

Camões.

deles desde 11 de maio.

da dupla.

Nota positiva | Maio/Junho

pedestre que liga Santiago


opinião panorâmica 23

Fernando Cruz Sociólogo fernandocruz010@gmail.com

Crónica africana

O

relacionamento de Portugal com outros mundos e culturas é um fator incontornável na construção da nossa identidade e para a compreensão do que somos enquanto portugue-

ses, no passado e no presente. Quando problematizamos estas relações, o papel de África e dos africanos é decisivo. A presença de africanos em território português antecede a ard

al

fundação da nacionalidade, mas tem especial relevância entre Ana

Filip

aP

os séculos XV e XIX. No século XVI, um em cada cinco habitantes de Lisboa era africano e ainda em finais do século XIX se encontravam aldeias portuguesas com população claramente africana, como São Romão do Sado ou Tolosa, em Nisa. Recentemente, estudos genéticos desenvolvidos pelo Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge mostraram a presença de sangue africano de Norte a Sul de Portugal, com especial incidência em Alcácer do Sal.

tos mal vistos. Só na segunda metade do século XX, a partir

significativa. Entre os séculos XV e XIX, essa influência desta-

da retórica salazarista da “nação multirracial”, se voltou a dar

cou-se na literatura, danças e cantares populares, estando mes-

visibilidade aos africanos, sem, todavia, se ter assistido a uma

mo uma delas, o Lundum, na origem do “fado”, património ima-

vinda em massa desta comunidade.

terial e cultural da humanidade.

Com o fim da colonização, em abril de 1974, o Decreto-lei

Ainda assim, até ao século XIX, a questão do cruzamento

308/75, que determinava que qualquer cidadão nascido numa

racial aparentava ter pouca importância, mesmo sendo Portu-

das antigas colónias portuguesas até à data da sua independên-

gal, de longe, o país mais afro-asiático da Europa, onde a pig-

cia era, para todos os efeitos, um cidadão português levou à vin-

mentação da população se aproximava mais de África do que

da de centenas de milhares de africanos para Portugal.

do Velho Continente. As ideias racistas veiculadas por toda a Europa iniciaram a hierarquização da inteligência e grau de cipub

vilização dos povos pela cor da pele, tornando-se os cruzamen-

Em Lisboa, particularmente, a marca africana sempre foi

Quase 40 anos volvidos sobre a descolonização, a interação entre Portugal e África mantém-se viva. Há que celebrá-la!


24 equilíbrio

Os astros na biblioteca No Palácio Galveias, espera-nos uma pequena sala com uma grande janela. A luz natural invade o espaço de uma forma quase mística e intensifica o branco das paredes e do teto. Duas cadeiras, uma mesa e um cabide para deixarmos o que não interessa. As chávenas de chá de camomila e um mapa astral fazem adivinhar o início da sessão.

N

Texto | Joana Marto |

Mandala representativa do fogo criativo, da autoria de Teresa Durão

este Projeto de Integração Psicosso-

em que se nasce e no momento presente, traçando influências e

cial Comunitária quem dá a cara é

disposições do ciclo. São sessões de Astrologia? Não. A diferença

Teresa Durão, que nos explica a sua

deste projeto é que se trata de uma ferramenta de desenvolvimento

origem: “criou-se sozinho, não fo-

pessoal (gratuita) com continuidade, numa instituição pública.

mos nós”. Teresa atende o público da

Mas este processo não fica completo sem a sessão de grupo,

Biblioteca do Palácio Galveias e explica que, quando as pessoas

e também nisso é pioneiro e diferente das outras consultas. “É

tentavam encontrar livros sobre desenvolvimento pessoal, acaba-

difícil começar logo em grupo”, justifica Teresa Durão. Assim,

vam por expor os seus problemas. De forma natural, Teresa aferia

começa-se por três sessões individuais: uma abordagem inicial

o que se passava e começava a aconselhar bibliografia.

com as energias principais do momento que se atravessa, uma

“Para cada pessoa que está em processo de desenvolvimento

segunda sessão com mais liberdade para o participante falar, e a

individual e de dor, cada abordagem é única e individual”, afirma.

última com o reconhecimento e aceitação, bem como a preparar-

Como os visitantes acabavam por fazer daquele espaço e tempo

ção para a sessão de grupo.

de atendimento uma oportunidade de autoconhecimento, foi pro-

É preciso encontrar a dinâmica do conjunto, que se inicia com

posto a Teresa Durão, por ter experiência e formação na área, que

uma aprendizagem de relaxamento e meditação. “Criar um grupo

pensasse num espaço e tempo próprios para isto acontecer. Assim

exige disciplina e prática”, explica Teresa, “e a exposição ao outro é

começou a tomar forma este projeto pioneiro que tem deixado a

curativa”. “Quando nos expomos, identificamo-nos como grupo e,

autora muito satisfeita com os resultados e com a elevada procura.

aí, vemos que a ‘montanha pariu um rato’ e que efetivamente um

Neste momento, têm mais de 50 inscrições e já há listas de espera.

mais um é igual a três”. É através desta conversa simbólica que Te-

“Ultrapassou todas as nossas expectativas”, diz Teresa, satisfeita.

resa pretende inspirar os participantes e torná-los mais conscientes, pois só em consciência e aceitação, se protege um bem comum.

A experiência

Esta é a vertente comunitária. “Através da minha experiência,

A primeira sessão começa com uma abordagem do mapa astral

mudo os outros, por reflexo, chegando a um entendimento, onde

e uma breve conversa sobre a influência de cada planeta na altura

todos são penas de uma mesma plumagem”, finaliza.

Para os interessados Local: Biblioteca Municipal Palácio Galveias | Palácio Galveias – Campo Pequeno | 1049 – 064 Lisboa | Tel: 21 780 30 20 | bib.galveias@cm-lisboa.pt O Projecto de Integração Psicossocial Comunitária visa a integração social e cultural da comunidade na sociedade tendo por base técnicas de acompanhamento individual a fim de orientar e formar os munícipes para otimizar a sua qualidade vida. A abordagem é feita com base na análise e estudo do mapa astral individual. A formação e acompanhamento passam também por orientações e referências bibliográficas adaptadas à situação presente do indivíduo, passíveis de o ajudar na promoção da sua qualidade de vida. Nota positiva | Maio/junho

Sessões individuais: às terças-feiras; Sessões de grupo: última quarta-feira do mês, entre as 11h e as 13h. Gratuito mediante inscrição presencial


25

Verão à porta, guerra aberta à celulite A celulite afeta quase 90% das mulheres, revelando-se ser um fenómeno típico feminino. Isto porque o tecido conjuntivo feminino é muito mais flexível do que o do homem. O corpo da mulher está constantemente sujeito a alterações hormonais e a pele vai-se adaptando a novas formas ao longo da vida, em especial durante a gravidez, em que tem de se esticar de forma considerável. Quando se dissociam as fibras conjuntivas, podem acumular-se mais gorduras nas células subcutâneas. O tecido vai endurecendo e aparecem nódulos cada vez mais visíveis, que podem chegar a ser dolorosos. Mas não há razão para desesperar. O verão está à porta, pelo que é altura de combater eficazmente a celulite acumulada durante o tempo mais frio. Por isso, a BeHealthy oferece um tratamento não invasivo com resultados fantásticos. Tendo como “arma secreta” um óleo 100% natural à base de bétula, associado a uma massagem e posterior drenagem, conseguem-se reduções de volume até 3,6 centímetros de média no contorno do músculo. Ao mesmo tempo, a pele torna-se mais firme e lisa. Dirija-se à BeHealthy e ponha à prova o Tratamento Anticelulítico e Reafirmante com Óleo de Bétula! BeHealthy – Saúde Natural 21 941 62 10 • www.behealthy.pt

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26 criativos à solta

Marcha Infantil da Voz do Operário

É infantil mas já tem 25 anos A Marcha Infantil da Voz do Operário está de parabéns, comemorando este ano o seu 25º aniversário. Porque estamos perto dos santos populares e do Dia Mundial da Criança, juntamos os dois mundos na mesma paixão: a de mostrar aos mais novos o orgulho de ser de Lisboa. Texto | Andreia Montes |

Nota positiva | Maio/junho


27 Vítor Agostinho nasceu no Bairro Alto e mora em Alfama. É presidente da Junta de Freguesia de São Vicente de Fora e diretor-geral da Voz do Operário. Já em miúdo queria arbitrar em vez de jogar – sempre teve interesse em dirigir.

Um dia, Helena Fernandes veio acompanhar o filho à Marcha Infantil e foi a falta de voluntários para a costura que a fez ficar. Acabou por trazer o marido, o filho mais novo e a nora. Este ano, as atenções estão viradas para o neto que, sob o olhar atento da família, vai levar o arco. “Começou como mascote e diz que quando for mais velho vai ajudar no arraial.”

Inês Santos chegou há cerca de 14 anos a esta casa, através do filho. Hoje, é coordenadora das voluntárias da costura. Depois de formar as suas aprendizes, levou-as a ajudar na elaboração dos fatos para os mais novos. “As crianças não fazem fretes. O fato tem de lhes assentar, como se da roupa do dia-a-dia se tratasse.”

S

e tivesse de catalogar as marchas populares lis-

Entre almoços e lanches, Ana Garcia dá forças a muitos dos marchantes com as suas comidas. Cozinheira da Voz do Operário há 39 anos e desde há 25 na Marcha, garante trabalhar com gosto. “Sem ser em colaboração não é possível.”

agitação no calendário dos mais novos, segundo Vítor.

boetas perante o restante espetro cultural do

Tudo começa no Pavilhão Atlântico, onde as marchas se jun-

país, Vítor Agostinho, coordenador da Marcha

tam. Apesar do nervosismo e vaidade de cada freguesia, todos

Infantil da Voz do Operário, não teria dúvidas:

abrem alas para as crianças passarem em primeiro lugar. Daqui

elas são o “folclore de Lisboa”, o que de mais típi-

partem para o cimo da Avenida da Liberdade, concentradas em

co a cidade tem para oferecer. A proximidade com as marchas já é

tentar acertar o passo com as notas musicais.

antiga e, por isso, confere-lhe o direito de as tratar com intimidade.

O facto de não haver casas-de-banho na Avenida é um do

Orgulhoso do projeto, Vítor acompanha o trabalho de basti-

problemas apontados pelo responsável. À parte disto, é com ale-

dores de mais de 100 voluntários (na maioria, sócios da Voz do

gria que Vítor Agostinho reconhece da bancada rostos de pais

Operário) que fazem desta a sua casa. “Seja o almoço ou o tra-

dos pequenos marchantes, orgulhosos e surpreendidos com os

balho, tudo serve de convívio. Temos mais amigos e somos mais

seus filhos.

amigos a cada ano que passa”, frisa o responsável.

As crianças regressam da mesma forma que saem da Voz do

Apesar da dificuldade de trabalhar com (tantas) crianças, é ne-

Operário: a cantar. “São como os pássaros. Quando se sentem

las que revê a maior entrega e dedicação. Por isso, não as “trocava”

mais cansados pousam e voltam a voar de seguida”, compara o

por uma marcha de adultos. “Frases como ‘é tão engraçadinho que

coordenador. Não se explica a magia das marchas populares na

se enganou’ não fazem sentido. É necessário compreender o erro.

vida dos mais novos, mas eles bem sabem nada têm de “velho”, da

Sabemos que o seu funcionamento motor está em desenvolvimen-

mesma forma que Lisboa é sempre menina e moça.

to e, por isso, é difícil irem sempre ‘certinhos’ de um lado para o

O “sonho” começou em 1979, com o Ano Internacional da

outro. Por vezes, temos de fazer jogos com eles para explicar certos

Criança, altura em que decorreu a primeira Maratona Infantil do

pormenores”, assegura. Mas, com o tempo, “elas começam a gostar

Bairro Alto. Em 1998, o então vereador do Turismo, Vítor Gon-

de dar sugestões”. “E quando faço alterações e me esqueço, estão

çalves, lançou o desafio de criar uma marcha infantil, com o obje-

atentas e chamam à atenção”, conta Vítor Agostinho.

tivo de ensinar às crianças a importância das profissões, para que

Com capacidade para receber até 74 crianças entre os 6 e os

as tradições não caíssem no esquecimento. Este ano, a profissão

12 anos, a Marcha Infantil da Voz do Operário teve, este ano, de

em destaque é a de costureira e é Inês Santos, coordenadora das

fechar as inscrições antes do tempo em virtude do número eleva-

voluntárias das linhas e agulhas, que melhor alinhava o brio das

do de interessados, todos eles moradores de Lisboa. Os ensaios

marchas a passar de geração em geração: “é importante transmitir

decorrem de segunda a sexta-feira, entre as 17 e as 18 horas e cul-

esta cultura [aos mais novos], para que ela não morra e um dia

minam no dia das marchas, 12 de junho, o momento de grande

possam ser eles, já adultos, a fazer o mesmo por outros”.


28 criativos à solta Onde Judas Perdeu as Botas

Vão os palácios e jardins, mas a imperial bem fica

Tarde abafada de domingo. O céu carregado reflete no betão dos prédios sujos, das muitíssimas marquises ilegais, das janelas sem fundo nem cortina. Cá em baixo, o buliço. É Benfica. Texto | Ana Cepeda Alves e Bárbara Morais Simões | Fotografias | Bárbara Morais Simões |

F

izemo-nos à Estrada de Benfica. Quem lá vai

sossego da tarde, da fábrica fechada. Agora ninguém se conhece,

com frequência ou sem novidade talvez não

ninguém se importa, nem “bom dia”, nem “boa tarde”. Desde que

estranhe o acesso ou o percalço. Mas quem

a fábrica acabou, o bairro perdeu o operariado para dar casa a

vai pela primeira vez e entra pela radial de

outros empregados.

Benfica, passa por viadutos, ultrapassa sinais

intermitentes, mete por aqui, contorna ali e entre vias desencontradas dá com o famoso Califa.

As quintas de Benfica Benfica era um bairro de palacetes pretensiosos, fábricas de vento em poupa, hortas, pomares e jardins. “Em nenhum outro

Duas bicas e dois pastéis de nata depois, estamos no Palácio

lugar de Portugal (...) se encontrarão reunidas em tão pequeno

Beau Séjour. Mandado construir no século XIX pela viscondessa

circuito tão lindas, tão históricas, tão anedóticas, tão saudosas

da Regaleira, eterna apaixonada do romantismo francês, levou à

quintas como as que encerra Benfica.” Tão bem dito pelo Rama-

letra o Beau Séjour e rodeou o edifício de soberbos jardins. Vai-se

lho Ortigão. Mas da freguesia saloia resta-lhe pouco.

a viscondessa, ficam os sobrinhos e o palácio vai para remodelações. Graças aos herdeiros, o Beau Séjour tem uma das maiores

O convívio, esse, faz-se no rés-do-chão deste bairro de anda-

coleções de arte romântica e naturalista portuguesas, pela mão

res altos. Num mercado de traço forte, abóbada grande, imagi-

dos irmãos Bordalo Pinheiro e do decorador Francisco Vilaça. E

nam-se gentes madrugadoras com pregão carregado a começar

é lá que funciona o Gabinete de Estudos Olisiponenses, isto é, se

o dia no meio de alfaces. E se ao domingo o mercado fecha as

estuda a Lisboa profunda.

portas, os cafés e cervejarias estendem as esplanadas pelos passeios do bairro. Os benfiquenses, refastelados, atiram-se à mini

Mesmo em frente e uma geração mais novo, ei-lo: o bairro

e ao caracol, numa de sorver até à última o fim-de-semana. A

operário Grandela. De traço e tinta intocados, o lugar pouco mu-

nós cheira-nos a uma boa patuscada e fazemo-nos à mesa para

dou; o que mudou foi a vizinhança. A dona Olinda, de 93 anos,

trincar um croquete e rematar Benfica com um “gooooooole”

é a moradora mais antiga. Queixa-se do desapego da gente, do

de imperial.

Nota positiva | Maio/junho


BNI Meritus criativos

à solta 29

anfitriao@bnimeritus.com www.facebook.com/BniLisboaMeritus

negócios de palavra Acordar cedo e cedo erguer dá saúde e faz o negócio crescer. Assim pensam os business men da maior e mais bem sucedida rede de referências de negócios do mundo – a Business Network International. Eles cumprem a máxima de que a melhor publicidade para um negócio é o “passa-a-palavra”.

E

ncontram-se uma vez por semana, com o

empresários, todos de diferentes áreas profissionais, com vista

raiar do sol, para partilhar oportunidades

a eliminar a possibilidade de concorrência dentro do mesmo

de negócio através de “referências ‘passa-

grupo. O BNI Meritus – um dos seis grupos a funcionar na ci-

-a-palavra’”. E não podia haver contexto

dade de Lisboa –, por exemplo, tem 25 membros e reúne todas

económico mais adequado que o atual à

as quartas-feiras, no Hotel Sana Metropolitan, das 6h30 às 9h10.

sua ação. Como escreveu o The Wall Street Journal acerca da

Neste momento, “as referências passadas já movimentaram

Business Network International (BNI), “com muitas peque-

mais de 1,2 milhões de euros contados em menos de um ano",

nas empresas a lutarem para resistir à recessão, o negócio do

assegura a organização.

networking está a prosperar... Os empresários percebem que

Em todo o mundo, há mais de 5800 grupos na organização BNI, que, em 2010, conseguiram gerar mais de 1,8 mil mi-

nesta economia difícil têm de fazer algumas coisas extra.” Mas entrar nesta rede de negócios não é como estalar os dedos: o primeiro requisito é ser bom no que se faz, para ter

lhões de euros em negócios, através da passagem de mais de 6,2 milhões de referências.

credibilidade; o segundo é ter muita vontade de trabalhar, ajudando os outros; e o terceiro é ser convidado por um dos membros da organização. O processo consiste na promoção dos produtos e serviços de uns através dos outros. “Atualmente, em Portugal, cada grupo integra entre 20 a 50

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30 criativos à solta

Cidade dos cinco sentidos A 21 de abril, o workshop «Teatros invisíveis» – integrado na iniciativa Scena Lisboa 2012 – levou interessados pelas artes a prolongar o olhar na cidade. De papel e planos traçados, partiram com a certeza de querer observar mais do que está, sentir mais do que é. Texto | Andreia Montes |

“S

e puderes olhar, vê. Se podes ver, repara.” A frase é de José Saramago e podia ter sido o mote do workshop «Teatros invisíveis», uma

iniciativa delineada para despertar os sentidos e calibrá-los ao ritmo da cidade. A um sábado de manhã, os participantes partiram da Sé com materiais de desenho e vontade de explorar os passos seguintes: o Teatro Romano, o Rossio, os Restauradores e o Convento do Carmo. A coordenadora Filipa Malva lançou o pedido: “Pousem o olhar sobre as coisas, as pessoas, tentem perceber, afinal, por que passam, o que sentem e a que cheiram.” Ao longo do percurso, Filipa fez a resenha histórica de cada lugar, explorando a sua relação com o teatro. Apesar de o principal enfoque ser dado à técnica, o conhecimento oferece mais

não tinha a mão treinada e foi importante para recomeçar a de-

recursos e, por isso, reforça a necessidade de ler. Mas o cenário

senhar”, concretiza.

dos tempos modernos nem sempre permite o olhar prolongado.

Já Talita, estudante de Arquitetura, deixou São Paulo seduzida

As pessoas “raramente têm oportunidade de ir para um teatro

pela experiência do Scena Lisboa de 2011 e porque “é interessante

com o objetivo de desenhar a partir de algo que já existe para o

explorar em cada local uma proposta de desenho e de cenografia”.

imaginado. É importante ter a parte prática – sala de ensaios – e o

“Costumo dizer que Lisboa é mimosa, tem detalhes simples e não

lado teórico – as histórias e as estéticas”, diz Filipa.

é totalmente agitada como eu esperava”, descreve.

Para a formadora, este é um convite a ser um cidadão respon-

Também do Brasil, Roberto estudou Artes Plásticas e Teatro

sável. “Mais do que ir para a rua manifestarem-se, [os cidadãos]

e veio para Portugal por ser um dos poucos países com o curso

devem refletir através da arte e, acima de tudo, não devem ficar

de Cenografia. Para ele, o melhor de Lisboa é a memória. “Um

indiferentes”, defende.

azulejo rachado, uma mancha de humidade. Há qualquer coisa que fala do tempo, numa cidade com muita marca humana. É

“Uma cidade com muita marca humana”

encantador! Noutros países onde passo, a relação do turismo é

Para Ana Moita, aluna de Cenografia na Faculdade de Ar-

muito maior e tiramos mil fotografias por segundo. Em Lisboa,

quitectura da Universidade Técnica de Lisboa, o workshop foi

pela distância, acabamos por ter de morar e recorrer à cidade. As

uma boa experiência. “Já tinha alguma dificuldade no desenho,

pessoas tornam-se família. E o Tejo tem alma!”

Nota positiva | Maio/junho


31


32 sair dia

Sair… de Lisboa! Pelo boom é que vamos

Peguem no mapa ou partam sem ele; vão à boleia ou de bicicleta; calcem os chinelos ou sigam descalços. “O que importa é partir”, como afirmava Torga, esquecendo-se de dizer: “mas partam com os bilhetes já comprados, porque podem esgotar”. É que o destino é o 9º Boom Festival, em Idanha-a-Nova. O encontro das tribos psicadélicas é o maior festival português sem patrocínios e um dos mais reconhecidos internacionalmente, muito pela sua filosofia verde e multiculturalidade. Há mais de 15 anos que o Boom promove o ativismo social e espiritual. A par de uma amálgama de tendas coloridas, esculturas, fogo e luzes, o recinto é dotado de um sistema de recuperação de águas, casas de banho com aproveitamento para compostos, geradores alimentados por óleo vegetal e painéis solares. A última edição recebeu, por isso, o prémio europeu “Green’n’Clean Festival of the Year”.

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Nota positiva | Março/Abril

Max

28 de julho a 4 de agosto (durante a lua cheia) 160 a 180 (passe geral)


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Souto Moura e Miguel Palma no Pavilhão 31 até 9 de junho gratuito Eles estão no Centro Hospitalar Psiquiátrico (antigo Júlio de Matos), mas não há nenhuma camisa-de-forças a interferir na liberdade criativa de Eduardo Souto Moura e Miguel Palma. É que desde abril, Lisboa passou a ter um novo lugar aberto a exposições de gabarito: o Pavilhão 31. Trata-se de mais um projeto de Sandro Resende, diretor criativo da associação P28, que, em 2002, substituiu o abandono de alguns pavilhões do antigo Hospital Júlio de Matos espaços de expressão e exposição artística com a colaboração de pacientes. No Pavilhão 31, o conceito de juntar o trabalho de artistas consagrados a projetos desenvolvidos no atelier de artes plásticas do hospital mantém-se. Desta feita, os primeiros nomes consagrados são Souto Moura e Miguel Palma. Para setembro, Sandro Resende promete uma nova exposição.

SAL dá sabor à vida 14, 15 e 16 de junho variável Lisboa vai ficar mais temperada com a primeira edição do Surf At Lisbon Film Fest, um festival que pretende entrar no circuito internacional de cinema de surf. A par de curtas e longas-metragens, o SAL oferece exposições de fotografia, pintura, concertos e atuações de DJ. A decorrer no Cinema São Jorge, o Surf At Lisbon Film Fest (SAL) pretende celebrar e promover novas produções cinematográficas ligadas à área do surf, e, por outro lado, integrar-se na rede de festivais de cinema que acontecem cada vez mais (e ainda bem!) em Portugal. Os teasers do festival são bem apetecíveis e podem ser vistos no site www.surfatlisbonfilmfest.com, onde também está disponível um regulamento para quem queira apresentar propostas. O SAL aparece, assim, como pretexto e veículo para uma nova abordagem desportiva, artística e de promoção turística, sendo, por isso, uma forma de chegar a novos públicos. Integrado nas Festas de Lisboa, o SAL promete apresentar uma abordagem alternativa à imagem e componente plástica do surf. A Nota Positiva faz a chamada: “todos à Avenida da Liberdade!” Joana Marto

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34 sair dia

Out and jazz sextas, às 18h; domingos, às 17h gratuito Lisboa acolhe mais uma edição do maravilhoso, libertador, (re)compensador festival OutJazz, desta vez, com o patrocínio da Meo. Entre o DJing e os concertos alive and kicking, há três garantias: os jardins vão explodir de alegria, o público vai dançar muito e a música vai encher Lisboa de good vibes. Deixamos o calendário de junho:

Sexta, 1 Domingo, 3 Sexta, 8 Domingo, 10 Sexta, 15 Domingo, 17 Sexta, 22 Domingo, 24 Sexta, 29

Jardim móvel do Cais do Sodré

Dj Miguel Sá

Monsanto

Jahvai e DJ Ras Fernando

Jardim do Museu de Arte Antiga

Quarteto phAT

Monsanto

Bling Project, DJ Dedy Dread e DJ Rebel

Largo do Século

Miles Davis feat Fernando Pessoa

Monsanto

Muri Muri e DJ João Gomes

Estação de Santa Apolónia

Fred Martinho Trio

Monsanto

Tora Tora Big Band, Rockit feat DJ Ride, Stereossauro e Rui Murka

Miradouro do Monte Agudo

Nuno Salvador e DJ Yugo-Dee

E viva a música! 16 de junho, das 11h às 24h gratuito Integrada na Fête de la Musique, que nasceu em França em 1982 e se realiza em mais de 400 cidades em todo o mundo, a segunda edição do Faz Música LisNota positiva | Março/Abril

boa! vai oferecer um dia inteiro de atuações entre os blues, o rock, música da América Latina, música clássica, jazz, fado e músicas do mundo, em nove espaços públicos lisboetas. O Jardim da Estrela, o Jardim Botânico, o Miradouro São Pedro de Alcântara, o Jardim do Príncipe Real, o Largo da Trindade, o Largo de São Carlos, a avenida da Liberdade, o Jardim das Amoreiras e a Fundação Arpad Szenes são os palcos do evento.


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até 25 junho Pintura

Nikias Skapinakis – Presente e Passado 2012 – 1950 Museu Colecção Berardo gratuito

2 de junho

maio

Exposição

Festa

Festa do Japão em Lisboa Jardim do Japão, Belém 16 às 23h # entrada livre

5 junho Música

Fado no Elétrico 12 16h #

entrada livre

10 junho Música

Metropolitana 20 anos – Tocar o Futuro Cinema São Jorge 17h # gratuito

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Desenhos da Guiné

Centro InterculturaCidade gratuito

Os irmãos Fernando e Manuel Júlio estão entre os mais originais e populares desenhadores-autores da Guiné-Bissau. Têm feito circular os seus cadernos de banda desenhada com humor. O Centro InterculturaCidade apresenta uma exposição dos dois artistas. Um abraço entre Portugal e a Guiné, que acontece em São Bento.

15 junho 16 junho Baile

Microbaile das Festas de Lisboa praça do Município, rua do Arsenal, travessa do Cotovelo, largo do Cais do Sodré 18 às 19h30 # gratuito

Maratona Fotográfica Fnac Fnac do Chiado 10 às 21h #

20 a 25 euros


36 sair noite

Nota positiva | Maio/junho


37


38 sair noite

Mini-estórias do bagaço (e do café)... ...a sul do tejo

É de uma sede particular que se trata aqui. Há os famintos, os bêbedos e os bagaceiros. Há comida na mesa, alegria com catalisador espirituoso, areia e mar. Em dias em que se atenta contra a liberdade, há que reconquistá-la e as escadas de incêndio serão parte da solução. O plano está na aventura e o pensamento no bagaço. Estou pronto, libertem os touros! Texto | Pedro Pepe | Ilustração | André Alves |

Bebida à pressão (o poço, charneca da caparica)

Zero de bagaço (casa das enguias, lançada, montijo)

Adrião diz: “Pergunta já... se não houver, cancelamos o pe-

Enguias fritas, finíssimas, no prato e cabeças de touro pen-

dido.” Há, de certeza. Aqui, bagaço não falta. Avança almoço de

duradas na parede, de olhos postos nas mesas, nos rostos dos

cozido à portuguesa, pois além de o prato agradar (e muito) tam-

comensais, mais alarves que famintos... Depois de ter acordado

bém importa forrar o estômago e evitar distrações de garfo e faca

trancado em casa, sem chave, o simpático almoço fora de família,

à hora do embate (futebol na TV). Antes do processo de digestão,

rodeado de fartura e brutalidade, assemelha-se a alucinação.

resvés sobremesa – arroz doce, musse de chocolate... –, troca-se

1ª explicação: enquanto eu dava descanso aos ossos, Julião

de mesa. A olhar para a rua, pela janela larga, chega o café e, com

julgou-se sozinho em casa e, ao sair, trancou a porta de casa,

ele, a alegria do bagaço.

como é seu hábito. Subi e desci, bati às portas, depois de rodar a

Nada se compara ao sorriso aberto de José, o administra-

chave que havia na porta de acesso às escadas de incêndio. Procu-

dor da poção, que enche generosamente o mini-copo. Eles vão

rei uma saída mas encontrei apenas um pátio no rés-do-chão, que

e vêm, chegam a cambalear e partem sorrindo, porque a cura

reconheci (costumava vê-lo da janela da cozinha) como a morada

milagrosa do Senhor também pode ser líquida e há quem aposte

do Bolinhas (bulldog de língua maior do que a boca e, por isso,

no bagaço do José.

de língua nos dentes). Não o encontrei; apenas o chão de cimento coberto pelos seus dejetos. Fiquei sem conhecer a expressão

Garrafa com rótulo (restaurante da praia do rei)

daqueles que entendi serem loucos, pois embora estivéssemos apenas separados por uma porta, certamente ficaram surdos de

Não havia o tradicional bagaço caseiro mas ninguém resiste a

súbito ou pensaram que o vento tinha aprendido a bater à porta,

beber o que há. É servido com café ou descafeinado (o bom sabor

devagar e com força. Foi a Mariazinha, do 2º direito, a dona do

da primavera, com ou sem os pés descalços, pois tem faltado o

café do lado, a abrir a porta de emergência da sua casa, depois de

calor para os descobrir). O bagaço da praia tem rótulo e não é dos

avisada da minha presença (a perturbar a calma de um prédio

melhores, como se pode compreender. Saboreia-se com a maresia

de elevador, que já não se lembrava de ter escadas de incêndio).

e cumpre a função... de fazer o corpo parar de tremer.

Nota positiva | Maio/junho

2ª explicação: Não foi dia de provar o bagaço da tauromaquia.


39

O Ritz Clube está de volta O antigo casino e cabaré da Praça da Alegria, Ritz Clube, está novamente aberto aos lisboetas, após ter estado 12 anos encerrado. O espaço será gerido por três jovens empresários que não estão ligados à área da música e que decidiram investir na reabilitação total do edifício. Após o concerto íntimo de 16 de maio, com Sérgio Godinho, e das atuações de Zé Pedro (Xutos e Pontapés) e de Luís Varatojo (A Naifa), como DJ, no dia seguinte, o novo Ritz Clube promete uma programação forte. Destacamos três espetáculos: 25 de maio - Linda Martini + Joaquim Albergaria (DJ set) + Sono (DJ set) 27 de maio - Tell Ritz (Simone de Oliveira, The Legendary Tigerman, Chullage, JP Simões, Pedro Tochas e Ana Deus) 31 de maio - Ena Pá 2000 + Trash Sessions (DJ set)

Do bacalhau à cachupa

DR

de segunda a quinta, das 11h às 00h; sexta e sábado, das 11h às 2h 15, em média

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Batata-doce, mandioca frita, pastel de milho, bife de atum, moamba, cachupa, mas também carne de porco à alentejana. O Mestiço é isso: um restaurante onde a gastronomia africana e a portuguesa se juntam sem papas na língua. Sob a gestão dos cabo-verdianos (músico) Aires Silva e Avelino Chantre (dançarino), este espaço-família junto ao Campo das Cebolas tem ainda música ao vivo aos fins-de-semana. E já que África anda aí em força, o melhor será reservar. Cá vai número: 963660756.

Alípio Padilha

de terça a domingo variável


40 sair noite

Próxima paragem: alkantara! 23 de maio a 10 de junho variável O festival alkantara afirma-se como uma das principais plataformas de difusão da dança e artes performativas em geral. É difícil olhar para a programação e escolher os "espetáculos obrigatórios", mas tentamos.

Sofia Dias & Vítor Roriz Fora de qualquer presente 1 e 2 de junho, às 19h, CCB

6,40 Ir para fora para encontrar. Provocar um distanciamento que devolva um olhar. São as propostas de Sofia Dias e Vítor Roriz, dupla premiada em 2011 com o Prix Jardin d’Europe. P.A.R.T.S. New Works #1 #2 #2 6, 7 e 9 de junho, às 19h, Teatro Maria Matos

5 O alkantara festival colabora com P.A.R.T.S., a escola de dança de Bruxelas dirigida por De Keersmaeker. Esta é a apresentação do trabalho de 16 estudantes de nove países que terminam em 2012 um programa de quatro anos.

Meg Stuart, Philipp Gehmacher & Vladimir Miller the fault lines 26 e 27 de maio, às 17h e às 21h, Museu da Água

14 Dois corpos no chão. Enfrentam-se, lutam, entrelaçam-se. Tentam vencer o outro ou agarrá-lo? Meg Stuart, uma das figuras centrais da dança contemporânea, e Philipp Gehmacher, de Maybe forever, encontram Vladimir Miller, que filma e edita um vídeo em tempo real, até que os eventos e a projeção divergem.

Guilherme Garrido, Hermann Heisig, Nuno Lucas & Pieter Ampe a coming community 7 e 8 de junho, às 21h, Teatro São Luiz

13 Ana Borralho & João Galante Linha do horizonte 30 de maio a 9 de junho (exceto dias 4 e 5), às 20h30, praia das Avencas, Parede

5 Uma praia, o pôr-do-sol e a linha do horizonte. Neste espaço utópico, a consciência não lhe consegue alcançar as pontas. Linha do horizonte é o novo passo de Ana Borralho & João Galante, que funcionam em dupla como um corpo de trabalho. Estreia mundial.

Têm colaborado nos últimos dez anos e, agora, juntam-se numa dança desmultiplicadora. As semelhanças e contradições entre os artistas são os pontos de partida do espetáculo. Anne Teresa de Keersmaeker (Artista na Cidade) Cesena 8 e 9 de junho, às 21h, CCB

10,66 a 21,32 Em  Cesena, o início do dia é o imaginário onde os bailarinos cantam e os cantores dançam. Trata-se do começo de um novo olhar, de um novo dia.

Nota positiva | Maio/junho


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24 maio

Conversa, documentário e jantar

“SandGrains”, Jordie Montevecchi e Gabriel Manrique Associação Caboverdeana de Lisboa 18h30 # 15

27 maio Música

Congo Stars Chapitô 22h #

gratuito

8 junho Cinema

“Morrer Como um Homem”

31 maio

Espaço Nimas 21h30 # 4

Abertura Festas de Lisboa

De 1 a 17 junho, o Espaço Nimas apresenta “Lisboa: a Cidade no Cinema”, uma série de 15 filmes onde a cidade aparece como personagem principal. João César Monteiro, Fernando Lopes, José Fonseca e Costa, Raúl Ruiz, Alain Tanner e Wim Wenders são alguns dos realizadores a integrar o programa. A iniciativa integra as Festas de Lisboa.

Firebirds

Restauradores e Rossio 22h # gratuito

1 junho Espetáculo Puro tango

Voz do Operário 21h # a partir de 30

10 junho

22 junho

30 junho

Sérgio Godinho e convidados

A Naifa

“Um pedido de casamento”, produção Actin

Música

Terreiro do Paço 22h # gratuito

Música

Castelo de São Jorge 22h # 12,50

Teatro

Centro Cultural de Carnide 21h30 # 6


42 colin

ódromo

perguntas a… Miguel Gonçalves Mendes, realizador

2 – O que mais te fascina na cidade? Não estar na periferia da Europa, mas sim no centro do mundo. É a minha cidade preferida no mundo, pela sua luz, poesia e escala humana. É um misto de capital imperial com aldeia e essa é a sua maior beleza. Se já filmaram Lisboa como capital de Lilliput por alguma razão foi. O maior prazer é descobrir os seus recantos, que nos transportam para outro mundo. Cada dia escolher o

Mário Cruz - Lusa

1 – Que outro nome darias a Lisboa? Lisboa.

mundo que queremos conhecer e desbravar... Alfama e os seus labirintos árabes, a Belém quinhentista, a Baixa-Chiado novecentista, o Parque das Nações, a modernidade. Por isso, Lisboa é feita para andar a pé ou de elétrico. 3 – Que desejo pedirias ao Santo António? Que enterrassem a linha ente Algés e o Cais Sodré. Enquanto não o fizerem, Lisboa é uma cidade sem rio. E, já agora, alguns projetos megalómanos:  ponte Algés-Trafaria, para ir mais rápido para a costa; que retomassem o projeto do Norman Foster para o Parque Mayer (um jardim em socalcos desde a Politécnica até à Avenida da Liberdade) –

Co l i n o d r e - s e !

assim tínhamos um Central Park no meio da cidade –; e, já agora, conseguir fazer o meu próximo filme.    4 – Confessa… Alguma vez caiste na calçada? Sim… mas continuo a amá-la. E prefiro cair em calçada do que em cimento.   5 – Se pudesses pintar Lisboa, que cor escolhias? Todas! “Todas as cores do Pantone incluindo o preto”. 6 – Qual o melhor local da cidade para dar beijinhos? Em qualquer miradouro, mas com destaque para o meu preferido, que é móvel: um cacilheiro, para ir até à outra margem e voltar. A vista é deslumbrante e aí percebemos porque queremos morrer aqui.   7 – Completa a frase “Longe de Lisboa…” “…longe de casa”… “longe de mim”.

Se imaginou resp ostas absolutam ente esdrúxulas estapafúrdias a e este inquérito, e nvie-nos um e-m geral@sombrave a il para rtical.pt. Os melh ores pensamento serão publicado s s em www.somb ravertical.pt Nota positiva | MAio/junho


Nota Positiva  

Revista Nota Positiva, a revista que escreve por Lisboa. Nesta edição, as comunidades africanas em Lisboa.

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