Page 1

Diálogo Metropolitano

Rio DE JANEiRo

» SÁBADO, 28 DE SETEMBRO DE 2013 | ANO 1 | NÚMERO 13 | ALPHA PRIME: 60 ANOS DE JORNALISMO

CIDADES

Rock in Rio 2013 teve mais diversão e menos música O Rock in Rio terminou a sua quinta edição em terras cariocas e deixou a desejar em relação aos eventos anteriores do festival, considerado um dos maiores do mundo. No total, cerca de 595 mil pessoas estiveram presentes na Cidade do Rock durante os 6 dias do festival e se aglomeraram para chegar o mais perto possível de seus ídolos nos palcos Mundo e Sunset. Musicalmente, o Rock in Rio 2013 passou perto de ter entrado para a história como um dos piores de todas as edições. O que unanimamente salvou o festival foi o show do americano Bruce Springsteen, que manteve o público vibrando (na plateia e pela TV) durante quase três horas de espetáculo. PAg 2

Dilma diz a investidores que Brasil tem demanda por infraestrutura A presidenta Dilma Rousseff destacou no último dia 25, em Nova York, que o Brasil tem uma demanda reprimida por infraestrutura por causa de baixos investimentos em décadas, o que torna o setor atrativo para empresários externos. No seminário Oportunidades em Infraestrutura no Brasil para investidores estrangeiros, a presidenta destacou que o consumo interno tem sido maior do que a oferta de serviços, e por isso o governo tem feito concessões de aeroportos, ferrovias e rodovias. PAg 4

CULTURA

ESPORTES

ECONOMIA

Canal Viva exibe “água Viva” Brasil corre risco de ficar fora linfoma mata cerca de 4 mil a partir da próxima segunda do Mundial de Basquete pessoas anualmente no Brasil

“Água Viva”, um dos maiores sucessos da TV, estreia no Viva dia 30 de setembro, à meia-noite. A trama de Gilberto Braga, exibida originalmente em 1980, apresenta um Rio de Janeiro ainda não explorado pelas telenovelas: praias limpas, velas de windsurf cortando as ondas, topless e jogging no calçadão de Ipanema. PAg 5

A seleção brasileira de basquete terminou a Copa América de maneira vexatória. Durante a competição, realizada na Venezuela, a equipe dirigida por Rubén Magnano conseguiu o que parecia impossível: foi derrotada pela inexpressiva seleção jamaicana por 78 a 76 e foi eliminada na primeira fase do torneio. PAg 6

Cerca de 4 mil pessoas morrem anualmente em consequência de linfoma no Brasil. Os dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) indicam ainda que por ano são registrados 10 mil casos da doença. Nos últimos 20 anos a incidência de linfoma dobrou, mas o desconhecimento sobre esse tipo de câncer pela população. PAg 7

E MAIS...

Ações: Sua vida precisa de movimento

França: destino romântico para todas as épocas

Dicas de como incorporar a sustentabilidade no dia a dia

Avaliação crítica dos tipos de cultura

IGoR QuIRINo PAg 2

HAmIlToN VAsCoNCEllos PAg 3

DANIEllE DENNY PAg 4

RENATA PAlmIER PAg 4

GNT estreia segunda temporada de “Copa Hotel”

Elysium é ficção séria e consistente

Brasil quer Copa do Mundo de Futebol Feminino

Tá lembrado? Como funciona nossa memória...

THEll DE CAsTRo PAg 5

HAmIlToN RosA JÚNIoR PAg 5

EsPoRTEs PAg 6

DRA. lIVIA GENNARI PAg 7

Rio Total: Tatá Werneck, a estrela da novela das nove PAg 8

» ESTA EDIÇÃO 8 PÁGINAS | CONFIRA A EDIÇÃO DIGITAL NO SITE www.dialogometropolitano.com.br OU NOS NOSSOS APLICATIVOS


2

Diálogo Metropolitano

» SÁBADO, 28 DE SETEMBRO DE 2013

Rio DE JANEiRo

CIDADES

Rock in Rio chega aos 28 anos com mais diversão e menos música Festival faz apostas duvidosas para o palco principal e foca mais no entretenimento e diversão RAul RAmos O Rock in Rio terminou a sua quinta edição em terras cariocas e deixou a desejar em relação aos eventos anteriores do festival, considerado um dos maiores do mundo. No total, cerca de 595 mil pessoas estiveram presentes na Cidade do Rock durante os 6 dias do festival e se aglomeraram para chegar o mais perto possível de seus ídolos nos palcos Mundo e Sunset. Musicalmente, o Rock in Rio 2013 passou perto de ter entrado para a história como um dos piores de todas as edições. O que unanimamente salvou o festival foi o show do americano Bruce Springsteen, que manteve o público vibrando (na plateia e pela TV) durante quase três horas de espetáculo. Algumas escolhas deixaram um ponto de interrogação e um certo aspecto exagerado de marketing superior a música, foram os casos da britânica Jessie J; do vencedor do American Idol, Phillip Phillips e do rock decadente dos canadenses do Nickelback, que ficou estacionado no começo dos anos 2000 como uma cópia barata do Aerosmith. Com várias opções de entretenimento como rodagigante, montanha-russa, cabelereiro, tatuador e até

cartomante, o Rock in Rio se distanciou do que parecia ser o principal fator de um festival desse porte: a música. Problemas na Cidade do Rock Após uma vistoria durante o primeiro final de semana do festival, a Promotoria de Tutela Coletiva de Defesa do Consumidor do Ministério Público do Rio de Janeiro entrou com uma liminar pedindo a suspensão do Rock in Rio. Entre as observações do órgão, pesaram fatores primordiais, como o pequeno número de médicos no local e áreas de escape para emergência, que estavam obstruídas. Além disso, a Vigilância Sanitária notificou a organização do festival por 159 kg de alimentos impróprios para o consumo e 60 litros de bebida láctea foram inutilizados. Estabelecimentos também foram autuados por falta de higiene. Depois de uma nova vistoria, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro liberou a Cidade do Rock para a realização dos quatro últimos dias do festival. “Constatou-se na inspeção que os organizadores do evento tomaram todas as providências para garantir a segurança dos participantes

dos shows”, informou o TJ em nota. Shows Entre pontos altos e baixos, os riffs das guitarras ecoaram até de madrugada. Confira uma lista das melhores (e piores) apresentações:

PENSANDo Igor Quirino | Publicitário Sua vida precisa de movimento Alguma vez você já reparou ou “se pegou” fazendo associações e analogias de suas ações com outras ações? Como por exemplo, “o próximo passo agora é enviar um e-mail”, sendo que enviar um e-mail é escrevê-lo, geralmente parado e sentado na frente de um computador, e depois, com um simples clique no mouse, “acertar” o botão enviar, e não de fato pegar sua perna e arrastar alguns centímetros à frente? Um outro exemplo: “ele caiu do cavalo”, sendo

que ele só perdeu o emprego porque foi descoberto fraudando algumas notas para superfaturar e ganhar um pouco em cima, não correndo risco algum de se machucar fisicamente quando toca o chão? Se você faz isso, não se preocupe, você não está doente. Isso não é nenhum tipo de problema - ou espero que não. Talvez sua vida só precise de um pouco de aventura, de movimento e, por isso, fantasiar talvez seja a melhor saída para um mundo paralelo da monotonia que você vive hoje. É como se você se inseris-

se, criando uma história, vendo de cima a situação, de outra perspectiva. Pode ser que isso seja um dom de criador e contador de histórias e, quando paro para pensar nisso, me vem a célebre frase de Amyr Klink: “Um homem precisa viajar por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV”. Troque aqui a palavra viajar por viver! Não é a toa que, quando começou suas aventuras, Amyr parou de ler e começou a ver com outros olhos os livros e as ficções fantásticas de Júlio Verne. Será que ele trocou mesmo seus olhos ou entrou nos olhos de outras pessoas para enxergar de outra forma esse conceito? Júlio Verne ou Amyr Klink? Quem foi o melhor contador de histórias, aquele que as criou ou aquele que as viveu? A resposta para essas perguntas vem basicamente com uma escolha, agora só falta se mexer!

MELHORES Bruce Springsteen Com 2h45 de show, o americano mostrou o porquê de ser chamado de The Boss (o chefe). A apresentação cheia de energia foi coroada com a execução na íntegra do disco Born in the USA, um dos melhores e mais conhecidos do músico, que foi tocado faixa a faixa, sem deixar de fora do setlist hits como Thunder Road, por exemplo. Justin Timberlake Tido como um dos maiores músicos pop em atividade, Justin não fez uma apresentação com inovações e repertório que justificasse ser headline de uma das noites, mas foi competente e conseguiu satisfazer o público. Skank De longe o melhor grupo nacional escalado para o Rock in Rio. Com um repertório repleto de hits (de qualidade) a banda conseguiu ainda interagir o tempo todo com a plateia, o que deve ser creditado na conta do vocalista Samuel Rosa.

& David Guetta O DJ, famoso por ser um dos melhores do mundo, tentou transformar o palco Mundo em uma balada e não conseguiu em nenhum momento empolgar. De quebra, fez um remix “duvidoso” da música Song 2, do grupo britânico Blur. Jessie J Não faltou esforço por parte da jovem cantora inglesa, mas o repertório fraco e cheio de covers teve como resultado uma apresentação irregular para um festival do porte do Rock in Rio. Capital Inicial A banda capitaneada pelo vocalista Peter Pan, Dinho Ouro Preto, tenta arrastar para o palco um discurso político sem embasamento e buscando mais um barulho entre o público do que uma verdadeira mudança, “cara”.

PIORES

DIÁLOGO Metropolitano PUBliCADo PElA AlPHA PRiME EDiToRA E JoRNAliSMo lTDA. AlPHA PRImE: 60 ANos DE JoRNAlIsmo DiREToRA mônika santos Ferreira EDiToR CHEFE Jônatas mesquita | mTb 63370 jonatas@dialogometropolitano.com.br REDAÇÃo Jonas Gonçalves Raul Ramos contato@dialogometropolitano.com.br

ColUNiSTAS Danielle Denny, Hamilton Rosa Jr., Hamilton Vasconcellos, Igor Quirino, lívia Gennari, Reinaldo Costa, Renata Palmier e Thell de Castro. PROJETO GRÁFICO E EDITORIAL News Prime Comunicação & Web www.newsprime.com.br contato@newsprime.com.br

REViSÃo Bianca montagnana

REDAÇÃO Avenida das Américas, 3.500 Bloco 05 | sala 313 | Rio de Janeiro | RJ

DiAgRAMAÇÃo Roberta Furukawa Bartholomeu

IMPRESSÃO Gráfica lance

os artigos assinados são de responsabilidade de seus autores, não refletindo, necessariamente, a opinião do jornal


» SÁBADO, 28 DE SETEMBRO DE 2013

Diálogo Metropolitano

RIO DE JANEIRO

3

ECONOMIA

Em média, Rock in Rio reuniu 85 mil pessoas diariamente Maior evento de música e entretenimento do mundo, o Rock in Rio 2013 chegou ao fim no último domingo, dia 22 de setembro. Foram sete dias de festival, onde 160 artistas se apresentaram na Cidade do Rock, atraindo, aproximadamente, 85 mil pessoas por dia (capacidade máxima de público). O sucesso do Rock in Rio começou na venda dos ingressos, quando as entradas se esgotaram em apenas 4h04, um recorde. Cerca de 2,5 milhões de pessoas não conseguiram garantir seus ingressos no site de compras do festival, mas mesmo assim, o público presente foi um décimo superior ao do evento realizado em 2011. Público esse, que de acordo com uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (IBOPE Inteligência), atribuiu nota 8.89 de média ao Rock in Rio, aprovando e consagrando o evento. De acordo com Ricardo Medina, presidente do Rock in Rio, a expressividade dos números demonstra a paixão do brasileiro pelo festival, evento 100% nacional. “Este cenário é reflexo de um trabalho feito com muito amor e dedicação de uma equipe guerreira. Trabalhamos para construir e realizar sonhos. Não só do público, mas de todos nós que estamos envolvidos”, diz. A paixão pelo Rock in Rio é nítida também se observarmos as redes sociais do festival. No Facebook são mais de 2,9 milhões de pessoas que curtiram a Fanpage do evento. No Twitter são aproximadamente 1,5 mi de seguidores. Somando estes e outros canais de redes sociais, o público seguidor ultrapassa a marca de 10 milhões. Números da fiscalização A Secretaria Municipal de

Beyoncé

Ordem Pública (Seop) realizou a fiscalização do evento junto à Guarda Municipal durante os sete dias de Rock in Rio e manteve fechados dez estacionamentos clandestinos nas imediações da Cidade do Rock. Desde o início do evento, também foram rebocados 362 veículos e multados 1.563 por estarem estacionados em local proibido. Um total de 9.566 itens foram apreendidos com ambulantes não autorizados, entre eles 7.503 bebidas diversas, 750 camisas e camisetas, 369 capas de chuva, 335 broches e cordões, 292 unidades de doces, 65 óculos, 65 guarda-chuvas, 58 arcos de cabeça e bandanas, 55 pacotes de biscoito, 17 canecas, 20 bandeiras, 12 carrinhos para transportar mercadorias, cinco quilos de salgado, nove pacotes de cigarro, três isqueiros, quatro mochilas, três pares de chinelo, três chapéus, um isopor, uma bolsa e um tabuleiro. Ao todo, 3.626 agentes (guardas municipais e agentes de Controle Urbano da Seop) atuaram na região durante o festival. A ação de ordenamento contou com 92 viaturas, sete comboios e 21 barreiras de fiscalização montadas no entorno do evento. Contagem regressiva Ainda em euforia, o público que prestigiou o Rock in Rio em 2013 tem mais motivos para comemorar. Foi confirmada a edição de 2015 do festival na Cidade Maravilhosa. O anúncio, feito em entrevista coletiva na Cidade do Rock, contou com a participação de Pedro Paulo Carvalho, secretário-chefe da Casa Civil, que confirmou o apoio da Prefeitura do Rio de Janeiro ao evento. “O Rock in Rio tem um impacto muito positivo. Do ponto de vista econômico, é qua-

se R$1 bilhão movimentado na cidade e quase 20 mil empregos diretos e indiretos gerados, aquecendo a economia do município.”, afirmou. Também presente na entrevista, o presidente do Rock in Rio reforçou a importância de contar com o apoio da Prefeitura. “Para qualquer evento da dimensão do Rock in Rio é fundamental ter a parceria da prefeitura. Temos uma logística de trânsito e de vários assuntos de que a prefeitura participa. A retribuição que o Rock in Rio dá para a prefeitura é o impacto econômico gigante na cidade. Mais que o impacto econômico, é a visibilidade do Rio no mundo. Era tudo o que queria. Sou carioca e amo o Rio”, disse. Com 28 anos de história, o Rock in Rio já está em sua 13ª edição, sendo cinco delas no Brasil (1985, 1991, 2001, 2011 e 2013), cinco em Portugal (2004, 2006, 2008, 2010 e 2012) e três na Espanha (2008, 2010 e 2012). Em 2014. O festival será realizado em Lisboa.

Anúncio da realização do Rock in Rio em 2015

TURISMO EM AÇÃO Hamilton Vasconcellos | Advogado França: destino romântico para todas as épocas Aqui no Brasil estamos entrando na Primavera. No continente europeu, o outono chega com o seu clima de final de férias e com as folhas amareladas caindo nas bucólicas ruas francesas. Não há como não perceber o romantismo poético desta época. Será que é a melhor estação para se conhecer a França? Eu penso que não! Todas as épocas são ótimas. Devemos começar sempre por Paris. Não existe cidade no mundo com clima tão romântico como o da capital francesa. Dá para senti-lo apreciando a torre, caminhando nas pequenas vielas ou mesmo sentado em um dos tradicionais cafés da cidade. Em Paris, é claro, você estará em um dos destinos mais centrais da Europa. De lá saem aviões e trens para quase todas as cidades europeias. O ideal é aproveitar a oportunidade e conhecer um deles! Mas já que estamos falando de romantismo, a

ideia não é fazer turismo nas grandes cidades. A boa pedida é conhecer as pequenas cidades francesas. Elas têm muito menos turistas e preservam o mesmo ar romântico francês. As flores vão estar em toda parte - parques, ruas, vielas e avenidas. São tantos os destinos franceses! Riviera Francesa, a Bretanha, a Provence, Rhône-Alpes, Alsácia, Córsega, Normandia, Vale do Loire, sem contar Champagne ou

Borgonha, duas regiões de vinícolas famosas. Vou dar uma dica: conheça o Mont Saint Michel, uma maravilha do ocidente por sua originalidade e beleza, patrimônio mundial da humanidade, desde 1979, recebe cerca de três milhões de visitantes. O clima medieval fará você caminhar pelas vielas, admirando a bela Baía de Saint Michel e a linda Abadia. Bon voyage!


4

Diálogo Metropolitano

» SÁBADO, 28 DE SETEMBRO DE 2013

RIO DE JANEIRO

BRASIL E MUNDO

Dilma diz a investidores que Brasil tem demanda por infraestrutura Raul Ramos A presidenta Dilma Rousseff destacou no último dia 25, em Nova York, que o Brasil tem uma demanda reprimida por infraestrutura por causa de baixos investimentos em décadas, o que torna o setor atrativo para empresários externos. No seminário Oportunidades em Infraestrutura no Brasil para investidores estrangeiros, a presidenta destacou que o consumo interno tem sido maior do que a oferta de serviços, e por isso o governo tem feito concessões de aeroportos, ferrovias e rodovias. “Temos números para ilustrar as boas perspectivas. Em dez anos, o PIB [Produto Interno Bruto] cresceu 40% em termos reais, o investimento, 70%, e o comércio varejista, 120%”, disse Dilma. Ela reforçou a expansão da massa salarial em 65% no período e a baixa taxa de desemprego, abaixo dos 6%. Dilma disse à plateia de empresários que o Brasil está construindo a malha ferroviária, fundamental para o escoamento da produção de minério e alimentos, com mais de um século de atraso em relação às grandes potências. Com a crise econômica mundial e a diminuição do comércio internacional, os gargalos em infraestrutura ficaram mais claros, com perda de competitividade. “Nosso objetivo é melho-

rar a economia brasileira estruturalmente, contribuindo para torná-la mais competitiva e aumentar a produtividade”, disse Dilma, acrescentando que o governo federal vem tomando uma série de medidas para enfrentar a crise e posicionar melhor o Brasil na economia mundial. A presidenta ressaltou que, apenas em 2007, foi iniciado o Programa de

Aceleração do Crescimento (PAC) e o Minha Casa, Minha Vida, de habitação popular. “Agora é necessário perceber que nosso desafio é novo, é diferente. O Brasil tem muitos gargalos, e não se dá só na infraestrutura”. Dilma disse que a escassez de profissionais qualificados é um dos fatores que contribuem para os gargalos. Para corrigir o proble-

ma, a presidenta citou os incentivos para a formação de engenheiros e a criação do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec). “Criamos o Pronatec para formar 8 milhões de pessoas, mas também como saída do Bolsa Família”, disse, explicando que o programa de ensino técnico também possibilitará aos beneficiários da assistência do go-

verno a conquistar a independência. Na área educacional, a presidenta ressaltou o compromisso em ampliar os investimentos em banda larga no país, importante para que a população tenha acesso às informações e conhecimentos que os habitantes de países desenvolvidos já dispõem. “Não queremos perder o barco como perdemos com a fer-

Dilma Rousseff

rovia. Nós não queremos perder o avião da história, ou talvez o foguete”, disse Dilma, lembrando que o uso dos recursos provenientes dos royalties darão uma grande contribuição para o sistema de educação. Sustentabilidade A presidenta Dilma Rousseff ressaltou também a importância do Fórum Político de Alto Nível sobre Desenvolvimento Sustentável para a implementação dos compromissos firmados durante a Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, ocorrida em junho do ano passado no Rio de Janeiro. O fórum, inaugurado em meio à 68ª Assembleia Geral das Nações Unidas, “oferece à comunidade internacional uma nova governança multilateral capaz de responder aos grandes desafios do desenvolvimento sustentável”, disse a presidenta. Dilma declarou, em discurso na abertura do fórum, que a proteção ambiental não deve ser cumprida somente pelos países que não têm o desafio de combater a pobreza. “Chegamos a uma síntese sobre crescimento, erradicação da pobreza e preservação do meio ambiente, construindo uma tríade que funda a nossa ação”, ressaltou.

ECONOMIA VERDE

NOSSA CULTURA

Danielle Denny | Advogada Dicas de Sustentabilidade

Renata Palmier | Relações Públicas Tipos de cultura

Muito se fala sobre a importância de reduzir o impacto da atuação humana no meio ambiente, mas o desafio é incorporar a sustentabilidade no dia a dia de maneira prática. Algumas atitudes, contudo, são fáceis e altamente eficazes. Substitua lâmpadas incandescentes. Lâmpadas fluorescentes duram mais e economizam até 7,2 kWh por mês. Melhor ainda são as de LED, sigla em inglês para diodo emissor de luz, um semicondutor como o dos chips de computador. A vida útil desse tipo de

lâmpada é 50 vezes maior que a das lâmpadas convencionais, elas não emitem calor nem raios UVA e UVB. Além disso, sua fabricação é mais sustentável, pois gera bem menos resíduos, nenhum tóxico como o mercúrio contido nas lâmpadas fluorescentes, que pode contaminar água, solo e pessoas se não houver o descarte adequado. Prefira as latas. No Brasil, mais de 98% da produção nacional de latas de alumínio consumidas é reciclada, devido ao seu alto valor e à eficiência na sua coleta. O mesmo ainda não ocorre

com a garrafa plástica, cujo índice de reciclagem não chega a 60%, com o vidro que beira os 50%, ou com o longa vida, inferior a 30%. Use o forno de micro-ondas. Ele utiliza 14% menos energia que o forno convencional. Além disso, a energia elétrica no Brasil provém de fonte renovável, a água, e a hidroeletricidade não emite gases de efeito estufa, causadores do aquecimento global, mas o gás de cozinha sim, pois é um hidrocarboneto, como o petróleo. Compre papel reciclado, use os versos e destine para reciclagem não só as folhas usadas, mas também envelopes, embalagens, revistas e jornais. O gasto de energia para reciclar o papel é 28% menor que para produzi-lo originariamente. E conserte vazamentos. Uma única torneira que pingue a cada três segundos pode desperdiçar mais de 100 litros de água por mês, o equivalente a uma piscina semiolímpica por ano.

A palavra cultura abrange várias formas artísticas, mas define tudo aquilo que é produzido a partir da inteligência humana. Ela está presente desde os povos primitivos em seus costumes, sistemas, leis, religião, em suas artes, ciências, crenças, mitos, valores morais, e em tudo aquilo que compromete o sentir, o pensar e o agir das pessoas. A cultura, em seu sentido restrito, assume variadas formas: algumas artísticas outras simplesmente culturais. A arte erudita oferece uma interpretação do significado da existência humana e fomenta o desenvolvimento das linguagens artísticas, tendo valor estético indiscutivelmente independentemente de seu estilo. Infelizmente, como inova as linguagens, nem sempre é compreendida pelo grande público. A arte popular é anônima, desenvolve-se dentro de convenções “fixas” e traduz a visão de mundo e os sentidos coletivos do

grupo no qual tem origem e para o qual se destina. A arte popular, ou folclórica, confere identidade cultural aos grupos e é uma forma de conservação da cultura tradicional. Na sociedade contemporânea, principalmente nos centos urbanos, uma nova arte popular está surgindo; às vezes dando continuidade às tradições, ao adapta-las a novas necessidades, outras vezes com criações inteiramente novas. A cultura de massa, por sua vez, é constituída pelos produtos da indústria cultural, destinados à sociedade de consumo, e visa ao divertimento como meio de passar o tempo. São pro-

dutos relativamente homogêneos, construídos a partir de fórmulas que garantam sua aceitação por grande parcela da população. O público é considerado como “massa”, que, sem consciência de si como grupo social, não faz exigências e se aliena no consumo desses produtos. Por isso é essencial ter uma postura crítica diante da cultura de massa, a fim de perceber os valores e os modelos que nos são propostos, antes de aceitá-los ou rejeita-los. Uma avaliação crítica desses modelos faz a diferença na hora de escolher um produto cultural.


» SÁBADO, 28 DE SETEMBRO DE 2013

Diálogo Metropolitano

RIO DE JANEIRO

5

CULTURA

Canal Viva exibe “Água Viva” a partir da próxima segunda “Água Viva”, um dos maiores sucessos da TV, estreia no Viva dia 30 de setembro, à meia-noite. A trama de Gilberto Braga, exibida originalmente em 1980, apresenta um Rio de Janeiro ainda não explorado pelas telenovelas: praias limpas, velas de windsurf cortando as ondas, topless, jogging no calçadão de Ipanema e vida noturna badalada. O folhetim enfatiza também o acordar de um país para a democracia, onde a mulher tem mais direitos, principalmente o de ser dona de si. “Água Viva” marcou épo-

ca pela estética inovadora na TV, por sair dos estúdios e abusar das cenas externas, pelos modismos que lançou e pelas músicas das trilhas sonoras, que viraram hits da década de 1980. As cenas são pontuadas por sucessos como “Grito de Alerta”, de Gonzaguinha; “Realce”, de Gilberto Gil; “Wave”, de Tom Jobim; e o inesquecível tema da novela, “Menino do Rio”, de Caetano Veloso, gravado por Baby Consuelo. Sem falar nas canções estrangeiras de artistas e bandas que ditavam o ritmo das boates e

das rádios na época, como Shalamar, Voyage e Barry Manilow. Em busca de ascensão social, Ligia (Betty Faria) é pivô de uma crise entre dois irmãos: o playboy falido Nélson (Reginaldo Faria) e o milionário cirurgião plástico Miguel Fragonard (Raul Cortez). Ligia vem de dois casamentos: o primeiro com um homem pobre, Sérgio (Milton Moraes), e o segundo com o ricaço Heitor (Carlos Eduardo Dolabella). Mas acaba se apaixonando por Nelson e vivendo um romance com Miguel.

Glória Pires, Ângela Leal, Isabela Garcia, Maria Padilha e Jorge Fernando

Já a batalhadora Janete (Lucélia Santos) se envolve com o rico Marcos (Fábio Jr.), para desespero da mãe dele, a aristocrática Lourdes Mesquita (Beatriz Segall, em sua primeira grande vilã na TV Globo). Ela é louca para que o filho se case com Sandra (Gloria Pires), filha de Miguel. Numa época de pré-abertura democrática e de mulheres que buscavam mais liberdade, independência financeira e cargos equivalentes aos dos homens no mercado de trabalho, Janete não entende como sua família pode viver às custas da tia, Irene (Eloísa Mafalda), secretária de Miguel Fragonard. Seu pai, Evaldo (Mauro Mendonça), é um eterno desempregado; a mãe, Wilma (Aracy Cardoso), nem pensa em trabalhar para ajudar nas despesas. Um dos pontos altos – e emocionantes – da trama é a história da sofrida Maria Helena (Isabela Garcia), de oito anos. Ela vivia num orfanato e está prestes a ser transferida para um abrigo maior, mas tem a proteção da afetuosa vizinha Suely ( ngela Leal). A moça descobre que o pai da menina está vivo, é Nelson Fragonard, e faz tudo para o bon vivant aceitar a filha. Mas é Stela Simpson (Tônia Carrero) – socialite que recorre ao bom humor para vencer as crises de solidão –, quem

Reginaldo Faria

acaba caindo de amores por Maria Helena e quer ficar com ela. Stela é muito amiga de seu ex-marido, Kléber (José Lewgoy), um homem aparentemente tranquilo, mas que pode ser perigoso. Eles são pais do fotógrafo Bruno (Kadu Moliterno), apaixonado por Sandra, uma pós-adolescente que vive os con-

flitos dessa fase. A melhor amiga da filha de Miguel é a ousada Beth (Maria Padilha), que transgride os costumes da época fazendo topless na praia. “Água Viva” foi escolhida pelos assinantes e internautas em uma votação realizada pelo site e pelas redes sociais do canal. A trama concorreu com outras três novelas.

THELL VÊ TV

NA TELONA

Thell de Castro | Jornalista GNT estreia segunda temporada de “Copa Hotel”

Hamilton Rosa Júnior | Jornalista e Crítico de Cinema Elysium é ficção séria e consistente

O Copa Hotel está novamente com as portas abertas! Fechado por problemas de fiscalização na primeira temporada, o hotel volta a funcionar na segunda, a partir do dia 30 de setembro, às 23h. O herdeiro Fred (Miguel Thiré) também tem novidades em sua vida pessoal: decide tentar levar a sério um relacionamento. Não é só ele que volta diferente. Após descobrir que ela e Antonia (Fernanda Nobre) estavam tendo um caso com o mesmo homem,

Maria (Maria Ribeiro) decide ir embora. Tempos depois, retorna com uma “bomba” que promete mexer com a cabeça do exnamorado. Enquanto isso, Antonia, que finalmente tem a chance de atuar em uma série de TV e ter uma relação a dois com Fred, se surpreende com um problema na família. Ainda fiel a Fred, David (Felipe Rocha) continua ajudando o amigo à frente do hotel. Ao lado de Bia (Verônica Debom), os dois se convencem de que a melhor forma de salvar o hotel é aceitando a parceria de um investidor.

Mas outra questão invade a cabeça de David: ele passa a se interessar por Bia e tenta viver um romance com a irmã do amigo. E para esquentar ainda mais a trama, segredos da vida de Gastón são revelados. Fred descobre que Adele (Zezé Motta) esconde coisas muito importantes sobre o passado de seu pai. A trama também traz novos personagens. Francisco Ribeiro (Bruce Gomlevsky), marido de Bia. Clarice Mello Cunha (Juliana Martins) é mulher de David. Luiza (Branca Messina) é uma bela arquiteta por quem Fred fica absolutamente fascinado. Ernesto Bernstein (Cadu Fávero), que namora Luiza, é um executivo de finanças, consultor do banco que investe no Copa Hotel. E, por fim, a estudante de direito Kelly (Érika Januza) – uma mulata séria, focada, que acha que é sobrinha de Adele. Mas sua verdadeira identidade é descoberta por Otavio (Luca Bianchi) e revelada ao longo da trama.

Elysium, a base espacial que vemos nesta ficção do diretor sul africano Neil Blomkamp, tem uma grandeza apavorante. E, em seu comando, temos uma casta privilegiada, que passa dias felizes em suntuosos jardins floridos. Sem pobreza, sem guerra, sem doenças. Mas isso está no céu, enquanto, lá embaixo, na Terra, milhões vivem em condições insalubres. Matt Damon faz parte do grupo de revoltados que quer acabar com a mamata. Mas, para enfrentar o sistema de segurança, ele precisa ser transformado num cyborg. E, vejam só, quem o transforma é nosso Wagner Moura em sua estreia numa superprodução de Hollywood. É um filme de ação, mas, tal como em Distrito 9 (2009), filme anterior de Blomkamp, que tratava do apartheid, da xenofobia, das questões da imigração sob a capa de um filme de gênero, Elysium assume-se obra de ficção científica derivativa, que quer ter algo

a dizer sobre o mundo em que foi criado. E é difícil não ver Elysium sem pensar, por exemplo, nos debates sobre desigualdade social ou nos serviços nacionais de saúde. Reside aí a primeira singularidade do filme de Blomkamp: utiliza as leis do blockbuster pelo prisma de uma visão resolutamente externa, globalizante, exterior a Hollywood. A Los Angeles de 2154 em que tudo se passa é uma cidade mais latina, misto de comunidade do Rio de Janeiro e township sul-africana, mais próxima da distopia poluída e colonizada de Blade Runner. A segunda singularida-

de está na sua criação “lateral” à máquina dos estúdios: Elysium pode ter dois astros reconhecidos em Matt Damon e Jodie Foster (numa rara performance como vilã), mas as personagens restantes são resolutamente estrangeiras (o sul-africano Sharlto Copley, os brasileiros Alice Braga e Wagner Moura e o mexicano Diego Luna). E o melhor: não são personagens arquétipos, aqui eles mostram sentimentos mais profundos. O resultado tem um esplendor que transcende o gênero. Os fãs da ficção não podem perder.


6

Diálogo Metropolitano

» SÁBADO, 28 DE SETEMBRO DE 2013

RIO DE JANEIRO

ESPORTES

Brasil é eliminado da Copa América e corre o risco de ficar fora do Mundial Seleção passa vergonha e é eliminada após perder todos os jogos na primeira fase da competição Raul Ramos A seleção brasileira de basquete terminou a Copa América de maneira vexatória. Durante a competição, realizada na Venezuela, a equipe dirigida por Rubén Magnano conseguiu o que parecia impossível: foi derrotada pela inexpressiva seleção jamaicana por 78 a 76 e foi eliminada na primeira fase do torneio, perdendo todos os jogos e deixando escapar a chance de brigar por uma vaga no mundial. “Foi um jogo difícil, onde não conseguimos o nosso objetivo. Estou muito triste e decepcionado. É um sentimento que contrasta com a honra que tive em ajudar o Brasil a voltar a disputar as Olimpíadas de Londres. Estou vivendo uma experiência que nunca vivi na minha vida.”, afirmou Magnano. Além da Jamaica, Porto Rico, Canadá e Uruguai completaram o grupo A e se classificaram para a segunda fase; no grupo B, Argentina, México, Venezuela e República Dominicana ainda lutam pelo mundial. Para se ter uma ideia do tamanho do fiasco, o Brasil, ao lado dos Estados Unidos, é o único país que

O técnico Rubén Magnano

nunca deixou de participar de um mundial, além de ter sido bi-campeão em 1959 e 1963. Agora, para manter a escrita, a seleção precisa torcer por um convite da FIBA (Federação Internacional de Basquete) para completar as equipes que irão disputar a maior competição do basquete em 2014, na Espanha. Isso porque quatro dos 24 times que disputarão o torneio entrarão por convite da Federação. Na segunda fase, as equipes do grupo A jogam com as do B. As quatro primeiras na soma de pontos das duas fases garantem a vaga na semifinal e na Copa do Mundo.

Um velho problema aterroriza a seleção brasileira e já é bastante conhecido por todos: os pedidos de dispensa dos principais jogadores nacionais. Os brasileiros da NBA: Tiago Splitter, Anderson Varejão, Nenê Hilário e Leandrinho, além dos novatos Lucas Bebê e Vitor Faverani , pediram dispensa para a Confederação Brasileira de Basquete (CBB). Também saíram Augusto Lima e Marquinhos. Enquanto isso, Argentina, Canadá, México, Porto Rico e República Domini-

cana estão reforçados dos atletas da NBA. No Canadá, cinco atuam na liga profissional americana. Na Argentina, República Dominicana, México e Porto Rico, há um atleta em cada seleção. Essas dispensas colocaram ainda mais lenha na fogueira da eliminação e Rubén Magnano culpou os jogadores dispensados pelo fraco desempenho da equipe. “O primeiro responsável por isso sou eu, mas também tem os jogadores que deveriam estar aqui e não estiveram. Havia alguns jogadores que eu pensei que estariam, mas não vieram. Não falarei em nomes, não perderei meu tempo com isso, mas nos deixaram na mão. Não quiseram representar o País. Por isso, tem que bater em mim e nesses caras”, disse o treinador e gerou a revolta do pivô Tiago Splitter, que atua pelo San Antonio Spurs. “Alguns falaram que a culpa foi dos jogadores que não foram. Com relação a minha pessoa, acho realmente difícil de entender, depois de 13 anos representando meu país! Lembro que quando não estava na minha melhor forma e totalmente no sacrifício, fui criticado por jogar abaixo do que podia”, escreveu Splitter em seu Twitter.

de ouro que não veio até hoje, quem sabe o futebol feminino não nos dá a primeira medalha de ouro”. Aldo Rebelo anunciou também uma disputa nas escolas. Entre 29 de outubro a 3 de novembro, 12 times formados por atletas de 12 estados de todas as regiões do país vão participar da Copa Brasil Escolar Sub17, em Aracaju. O Ministério do Esporte vai destinar R$ 765 mil a essa competição. Para a ex-jogadora da seleção, Michael Jackson, coordenadora-geral de Futebol

Feminino do Ministério do Esporte, o investimento em competições escolares vai ajudar a fortalecer a preparação de base dos atletas. Na avaliação dela, esse também é o caminho para a conquista de medalhas nas Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro. “Acredito muito na seleção brasileira de futebol feminino e tenho certeza de vamos ter uma medalha em 2016”. (Cristina Indio do Brasil / Agência Brasil)

Problemas Internos

Brasil quer sediar Copa do Mundo de Futebol Feminino O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, disse que fez contato com o presidente da Federação Internacional de Futebol (Fifa), Joseph Blatter, para pleitear a candidatura do Brasil como sede da Copa do Mundo de Futebol Feminino. “Eu sinalizei com a ideia, mas acho que outros países também querem. Se o Brasil quiser de fato trazer a Copa do Mundo de Futebol Feminino tem que trabalhar muito para isso”, disse Aldo. O ministro disse que não há definição para quando seria a candidatura. Uma possibilidade é a competição de 2019. “Precisa observar qual é a janela de calendário que está aberta. Não sei se é de 2019 ou coisa parecida”. A próxima edição dos jogos vai ocorrer em 2015, no Canadá. A última foi na Alemanha, em 2011. “Seria perfeito uma Copa do Mundo no Brasil feminina. Com certeza, não falta-

ria torcedor nos estádios. Os Jogos Pan-Americanos, em 2007, foram no Rio de Janeiro e joguei com 70 mil pessoas assistindo. Seria importante para a modalidade, mas precisa ter a vontade e interesse das equipes de camisa que chamam os torcedores”, disse a jogadora Cristiane, atacante da seleção brasileira. Cristiane acompanhou o anúncio da abertura do Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino de 2013, que está sendo disputado por 20 times de 13 estados entre os dias 18 de setembro e 1º de dezembro. A atleta estava jogando na Coreia do Sul e voltou ao Brasil, em maio, para jogar no Centro Olímpico, time de São Paulo que enfrenta dificuldades. Segundo ela, o patrocinador deixou o clube e foi preciso reduzir os salários. Com isso, algumas atletas saíram do Centro Olímpico. “Eu retornei da Coreia sabendo da realidade da equipe, mas retornei para ajudar em busca de um patrocínio. Ainda não posso jogar porque a minha

liberação não chegou da Coreia, mas estou torcendo para que ela chegue e eu possa jogar na quarta-feira”, contou Cristiane, que já participou de várias competições internacionais. Na avaliação da atacante, o campeonato nacional de futebol feminino, que costuma ocorrer em outros países, era o que faltava para a modalidade no Brasil, principalmente se for mantido no calendário da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). “Ter esse campeonato também no ano que vem, sendo uma coisa bem organizada, é um atrativo para as atletas retornarem e para trazer estrangeiras também”, destacou, completando que nunca houve um campeonato brasileiro com a participação de jogadoras de fora do país. O estado de São Paulo é o que tem maior número de representantes na competição, cinco: Francana, Rio Preto, Centro Olímpico, São José e América. Em seguida, com dois representantes cada, estão o Rio de Janeiro (Duque de Caxias e Vasco da Gama) e o Pará

(Tuna Luso e Pinheirense). As outras unidades federativas que participação do campeonato vão disputar com um time: Ascoop (DF), Vitória (PE), Caucaia (CE), São Francisco (BA), Mixto (MT), Botafogo (PB), Tiradentes (PI),Viana (MA), Iranduba (AM), Adi Foz (PR) e Kindermann (SC). O ministro do Esporte também está otimista e já pensa na conquista de medalhas pelas jogadoras. “Nós temos esperança nas Olimpíadas e na medalha do futebol feminino, a medalha


» SÁBADO, 28 DE SETEMBRO DE 2013

Diálogo Metropolitano

RIO DE JANEIRO

7

SAÚDE

Linfoma mata cerca de 4 mil pessoas anualmente no Brasil, diz INCA JÔNATAS MESQUITA

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, apresenta as regras para o cumprimento da Lei 12.732/2012, que determina prazo de 60 dias para o início do tratamento contra o câncer no SUS

Cerca de 4 mil pessoas morrem anualmente em consequência de linfoma no Brasil. Os dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) indicam ainda que por ano são registrados 10 mil casos da doença. Nos últimos 20 anos a incidência de linfoma dobrou, mas o desconhecimento sobre esse tipo de câncer pela população preocupa a comunidade médica e especialistas. Por isso, no Dia Internacional de Conscientização de Linfomas, come-

morado dia 15 de setembro, as campanhas destacam principalmente a importância das pessoas conhecerem os sintomas da doença. De acordo com o diretor da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH), Carlos Chiattone, 70% da população não sabe o significado da palavra linfoma. “O linfoma é a sexta principal causa de câncer no Brasil, mas a maioria da população desconhece o linfoma e quais são os sin-

tomas”, disse Chiattone. Ele defendeu que as autoridades invistam mais em campanhas informativas mais frequentes sobre a doença. Para a presidenta da Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale), Merula Steagall, quanto mais rápido for feito o diagnóstico, maiores são as chances de cura. “Uma pesquisa da Abrale aponta que 32% das pessoas foram diagnosticadas com linfoma no exame de check-up, sem apresentar sinal nenhum. É importante

A VIDA É FRÁGIL. VIVA COM SAÚDE Dra. Lívia Maria Gennari | Médica CRM-SP 132267 Tá lembrado? Como funciona nossa memória? Por que nos lembramos com riqueza de detalhes de eventos ocorridos há muitos anos, mas nunca de onde colocamos a chave do carro? Por que cantamos músicas inteiras, recitamos com facilidade versos do poema favorito e, uma vez aprendido, sempre sabemos como dirigir um carro ou andar de bicicleta? A memória é uma das funções mais complexas e importantes do cérebro humano. O ritmo de

vida atual é propício para o surgimento de sintomas de perda de memória, já que vivemos constantemente estressados e bombardeados por uma gama de estímulos e informações sem fim. Na grande maioria dos casos, as queixas não são causadas por qualquer doença neurológica e, conhecendo o processo de fixação e evocação, é possível melhorar muito a capacidade da memória. O processo de memorização inicia-se com um estímulo. Devemos prestar atenção nele e destacá-lo dos demais. O cérebro

deve atribuir relevância a ele para, enfim, memorizá-lo. Nem tudo é fixado, apenas aquilo que o cérebro considera importante. E o processo não para por aí. Depois de fixar, é preciso trazer a lembrança de volta na chamada evocação. É comum gravarmos as coisas e não conseguirmos evoca-las na hora certa. Existem muitas coisas que você pode fazer para melhorar a sua memória, como o uso de determinadas técnicas mentais e cuidados com a nutrição e com medicamentos, mas nada é tão importante quanto manter o cérebro ativo. Saiba que uma rotina monótona pode ser um grande inimigo na batalha contra o esquecimento. Explorar novos ramos do conhecimento mantém a memória sempre ativa, portanto aprenda a dançar, pinte um quadro, jogue xadrez, estimule de maneiras novas o olfato, paladar, tato, visão e audição e desfrute de suas memórias por muito anos.

as pessoas fazerem os exames anuais e estar atentas para a saúde”. O diretor de Especialidades da Sociedade Brasileira de Patologia (SBP), Marco Antonio Dias Filho, explicou

que o linfoma acomete a todos indistintamente. Mas a desinformação e a falta de acesso ao tratamento são os maiores obstáculos à diminuição do número de mortes. “Apesar de incidir mais em pessoas mais pobres, pela falta de informação e de acesso ao sistema de saúde, essa é uma doença democrática e mata muito rápido. Sem tratamento a maioria dos pacientes morre”, explicou o médico. Como não existe método preventivo para o linfoma, é importante ficar alerta a alguns sinais como nódulos no pescoço, na região axilar, virilha, febre, suor profundo à noite e perda de peso. Os caroços são indolores e se o paciente detectar esses nódulos por mais duas semanas é bom que ele procure um médico para fazer o diagnóstico precoce”, alertou o patologista. O índice de incidência da doença dobrou nos últimos anos no país e chega a cerca de 10 mil casos, segundo dados do Inca. De acordo com Dias Filho, somente no centro de referência onde

trabalha, em Belo Horizonte, são diagnosticados entre sete e 15 pessoas por semana com algum tipo de linfoma. Os linfomas são cânceres das células do sistema imunológico e podem se manifestar de diferentes formas em qualquer lugar do corpo em que haja células linfáticas. Eles se dividem em dois grupos: Hodgkin e não Hodgkin. O primeiro tem cura em torno de 90% e o segundo grupo é mais complexo, com mais de 50 subtipos com manifestações clínicas e prognósticos distintos. A biópsia, que é feita pelo patologista, consiste em pequena amostra de tecido. As opções terapêuticas geralmente são quimioterapia, radioterapia e transplante de medula óssea. As pessoas podem tirar dúvidas e solicitar apoio relacionado à doença pelo telefone 08007739973 da Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale) ou no site http://www.juntoscontraolinfoma.com.br/. (Flávia Vilella / Agência Brasil)

Diagnóstico precoce é o principal desafio no combate ao linfoma O diagnóstico precoce continua sendo o maior desafio do Brasil na luta contra o linfoma. No Dia Internacional de Conscientização sobre Linfomas, especialistas do setor elogiaram os avanços nas políticas públicas, mas alertaram que falta infraestrutura na saúde pública e privada para garantir que o linfoma seja detectado mais cedo e tratado com rapidez. A presidenta da Associação Brasileira de Linfomas e Leucemia (Abrale), Merula Steagall, elogiou a Lei 12.732, em vigor desde maio, que estabelece prazo máximo de 60 dias para que pessoas com câncer iniciem o tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Entretanto, ela alerta que para a lei ser cumprida é fundamental investir em equipamentos e pessoal nas unidades de Saúde. “As pessoas acabam demorando muito para ter o diagnóstico, muitas vezes por causa do sistema, pois a solicitação de exames demora muito”, disse. Esse prazo ainda está demorando cerca de seis meses, o que é tempo demais para esse tipo de câncer”, acrescentou Steagall. Outro problema levantado por pela presidenta da Abrale é o diagnóstico equivocado do subtipo do linfoma que são mais de 80, segundo ela.

“Ainda há muita confusão e o paciente acaba tendo tratamento para um tipo de linfoma que não é o seu”, declarou. O diretor de Especialidades da Sociedade Brasileira de Patologia (SBP), Marco Antonio Dias Filho, explicou que poucos patologistas, responsáveis por diagnósticos de linfoma, que têm hoje à disposição ferramentas necessárias para detectar. “Muitos centros de diagnósticos não desenvolvem métodos imunohistoquímicos ou de patologia molecular, com soros específicos, que são o principal método de diagnóstico de linfoma”, disse. A técnica imunohistoquímica compreende procedimentos que usam anticorpos como reagentes específicos que definem se o linfoma é de Hodgkin ou não Hodgkin e, entre os não Hodgkin, se são de células B ou T, além de cada subtipo de linfoma. O SUS garante a cobertura completa do tratamento de linfomas, que conta a partir da confirmação do diagnóstico. Os pacientes podem passar por cirurgia ou iniciar sessões de quimioterapia ou radioterapia, conforme a indicação de cada caso. Entretanto, para o diretor da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH), Carlos Chiattone, atualizar os protocolos dos tratamentos é fundamental para controlar a doença e evitar que pa-

cientes tenham que ser tratados novamente. “É evidente que o custo dessas novas terapias é muito elevado. Mas é importante que o governo discuta com a indústria farmacêutica, negocie o preço, e que escolha um cronograma de introdução dessas novas medicações”, declarou o médico. Uma pesquisa da Abrale aponta que 42% das pessoas precisaram de apoio jurídico para ter acesso a medicamentos e exames. “Um índice muito grande, pois a Constituição garante ao paciente tratamento adequado”, disse Seagall. “Enquanto o governo não atualiza as novas drogas o paciente pode por via jurídica conseguir acesso no SUS”, completou. O governo está analisando alguns fármacos e deve incorporar em breve os anticorpos monoclonais (rituximabe) a pacientes com linfoma não Hodgkin (LNH) de células B, folicular, CD20 positivo. Esse é segundo mais frequente tipo de linfoma e um dos mais agressivos. “Esperamos que o governo disponibilize o rituximabe o mais rápido possível para esse tipo de linfoma. Com esse anticorpo, agregado à quimioterapia, você aumenta a taxa de cura na cura em 20% especificamente para esse tipo de linfoma difuso de grandes células B”, disse o diretor da ABHH. (Flávia Vilella / Agência Brasil)


8

Diálogo Metropolitano

» SÁBADO, 28 DE SETEMBRO DE 2013

RIO DE JANEIRO

RIO TOTAL

EDIÇÃO: THELL DE CASTRO

HOMENAGEM

O arcebispo do Rio, Dom Orani Tempesta, recebeu na quarta (25) a Medalha Tiradentes e o Título de Cidadão do Rio de Janeiro, em solenidade realizada na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). A mobilização do arcebispo durante a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) e o trabalho desenvolvido na Igreja Católica motivaram a cerimônia, organizada pelo deputado Paulo Ramos (sem partido).

HOMENAGEM II

O presidente da Alerj, deputado Paulo Melo (PMDB), reconheceu e destacou o papel do arcebispo no Rio. Para ele, Dom Orani se caracteriza por ser uma pessoa “humilde”, “sem arrogância” e que “traz uma mensagem de fé”. Melo recordou ainda momentos da infância dele em que a religião foi fundamental para fazer escolhas. “Eu queria vir para o Rio de Janeiro, queria tentar a vida aqui, melhorar de vida, sonhava em sair da pobreza permanente da minha cidade (Saquarema). Eu vim impulsionado pela fé, pela crença em Deus, por acreditar que Deus move montanhas”, contou o presidente da Alerj.

Tatá Werneck, atriz carioca de 30 anos, fez teatro cabeça, arrancou risadas de todo o Brasil com seu humor nonsense na MTV e, agora, quem diria, é estrela de “Amor à Vida”. Mas, da sacana Valdirene, Tatá não tem nada. Apenas a mania de não se levar a sério. Ela está nas páginas vermelhas da Tpm de setembro, edição especial sobre comida e culpa – por que nossa relação com comida é tão neurótica? A foto é de Jorge Bispo.

MAPA

O Rio de Janeiro passa atualmente por um momento de repaginação, com intervenções de mobilidade urbana e o surgimento de novas localidades, a exemplo dos corredores BRT (Bus Rapid Transit) e dos programas habitacionais como Minha Casa Minha Vida, respectivamente. E para documentar todas as mudanças ocorridas nos últimos anos na geografia do município, o Instituto Pereira Passos (IPP) atualizou o mapa da cidade, que já está à venda (R$ 35) na livraria do instituto e no Centro de Atendimento de Cartografia/CAC do Centro Administrativo São Sebastião. Em breve, o mapa será disponibilizado gratuitamente no Armazém de Dados da Prefeitura do Rio.

MAPA II

“O novo mapa nos garante informações precisas a respeito da distância entre os bairros, incluindo Paquetá, e também entre o Rio e alguns municípios vizinhos, como Niterói”, explicou Marco Antônio Zambelli, gerente de Cartografia do IPP, que contou com equipe formada por mais sete pessoas para a criação do mapa.

CADEIRATA

A Prefeitura de Itaboraí realizou no dia 25 de setembro a primeira Cadeirata da cidade, evento dedicado à população em geral – cadeirante ou não – disposta a aderir à causa “O direito de ir e vir é para todos”. Centenas de pessoas participaram. O evento percorreu a Avenida 22 de Maio desde o bairro Nova Cidade até a Praça Roberto Pereira dos Santos, no Centro. Um trio elétrico foi o responsável por abrir o caminho.

IMAGENS

As câmeras instaladas no primeiro semestre nas viaturas do 12° BPM (Niterói) começaram a enviar imagens em tempo real à unidade, no Centro no município. Há uma semana, o comandante, tenente-coronel Gilson Chagas, pode monitorar o andamento das ocorrências do seu computador.

IMAGENS II

As duas câmeras instaladas em cada veículo são capazes de gravar até imagens noturnas em alta definição, além de registrar a rota e localização das equipes. Um equipamento foi instalado em cima do carro para registrar as abordagens e o outro no painel, visando garantir a segurança aos policiais. Durante a fase de implantação do sistema, o material era armazenado ou enviado ao centro de operação, localizado na capital.

IMAGENS III

Até o fim do ano, dois mil veículos de todos os batalhões do estado vão ganhar os kits de videomonitoramento que registram as ações dos policiais durante 24 horas por dia. O processo de instalação das câmeras e base tecnológica nas unidades tem custo de R$ 18 milhões.

CADEIRATA II

“Esta Cadeirata é um choque de reflexão. A sociedade precisa refletir cada vez mais sobre o assunto. Não podemos admitir que alguém só dê valor à acessibilidade e inclusão quando passar a ter algum tipo de deficiência”, disse Audir Santana, vice -prefeito e secretário municipal de Desenvolvimento Social. “Temos de agir pelo bem de todos. Queremos uma democracia cada vez mais ampla”.

FÓRUM

A artrite reumatoide estará em discussão no Rio nos dias 4 a 6 de outubro, quando será realizado a 5ª edição do Change (Fórum Internacional de Artrite Reumatoide), promovido pela Bristol-Myers Squibb com cerca de 180 médicos e convidados. Considerada uma doença grave, pois pode levar à incapacitação funcional dos pacientes, estima-se que a artrite reumatoide atinge cerca de 2% dos adultos entre 40 e 70 anos, sendo de 3 a 5 vezes mais em mulheres do que em homens.

FÓRUM II

O evento, realizado no Hotel Windsor, terá a participação de convidados internacionais, como o Dr. Eduardo Mysler, de Buenos Aires, a Dra. Lilia Andrade, do México, além do Dr. Michael Maldonado, diretor de imunociência da BMS nos Estados Unidos, que falará sobre os resultados do AMPLE – estudo de dois anos que revela eficácia comparável entre dois medicamentos em pacientes com artrite reumatoide de intensidade moderada à severa.

Dialogometropolitano 13 completo  
Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you