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catwalk CADERNO DO CURSO DE MODA CAMPUS ARARANGUÁ ISSN 2238-0833 v.5, n.1 (2012)

CADERNO DE MODA IF-SC ARARANGUÁ

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I`Fashion DESFILES E EXPOSIÇÕES

libras está na moda dica do professor tendências


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PARTICIPAR DO CRESCIMENTO DE ALGUMA COISA É ALGO BASTANTE GRATIFICANTE! Participar do crescimento de alguma coisa é algo bastante gratificante! Ver um filho crescer, uma plantinha se desenvolver, até o cabelo tomar jeito, depois de um corte infeliz! E não esta sendo diferente com a revista Catwalk. Nossa primeira edição foi on-line; já a partir da segunda curtimos a conquista de termos um material impresso, com uma bela tiragem de 2.000 exemplares. Aos poucos ganhamos mais números de páginas e um maior grupo de pessoas colaborando com matérias e trabalhos. Mas sem dúvida essa nossa quinta edição é a mais especial! Ela esta sendo um marco pra toda

a equipe do curso de moda, professores, técnicos e alunos, por termos conquistado um número de ISSN (International Standard Serial Number - Número Internacional Normalizado para Publicações Seriadas). Esse número trata-se do único registro de padrão internacional que identifica as publicações seriadas e possibilita qualidade e precisão na identificação e no controle delas. Isto é, possuir esse número é uma grande responsabilidade pra nós e também a certificação de qualidade da Catwalk! Mas não foi só o ISSN que trouxemos de novidade. A coisa encorpou tanto que achamos por

MARIA CLARA SCHNEIDER reitora do if-sc

EMERSON SERAFIM diretor do campus araranguá

bem criarmos todo um caderno à parte do I’Fashion. Neste local você encontrará uma coluna nova chamada “O que anda rolando no corpo docente” falando um pouquinho sobre vivências acadêmicas de nossos professores fora do universo da sala de aula. Na matéria “Libras esta na moda” vamos falar um pouco sobre a experiência de termos formado nossa primeira aluna surda, uma grande conquista e orgulho para toda a equipe. Ainda neste caderno à parte, trouxemos um rico material de imagens com a atividade desenvolvida com os alunos “Desafio Fotográfico” e “Um

projeto gráfico

artista que inspira”. Além de todas essas novidades, preparamos com capricho a já conhecida matéria sobre tendência, nessa edição falando um pouquinho do outonoinverno 2012, e a coluna dica do professor, abordando a atividade de um personal shopper e muitas dicas de filmes de história da moda. Você também encontrará nessa edição toda a cobertura do nosso Sétimo I’Fashion, evento ocorrido no Grêmio Fronteira no dia 8 de dezembro de 2011. Desfiles e exposições que fizeram parte do grande dia serão amplamente divulgados aqui. Deliciem-se com as novidades e vibrem conosco as novas conquistas!

fotografia


foto flávia sá

Este caderno acompanha semestralmente o calendário de conclusão do curso Técnico em Produção de Moda do Instituto Federal de Santa Catarina - Campus Araranguá (IF-SC), com o desfile das turmas concluintes, no I’Fashion Araranguá. É proibida a reprodução, no todo ou em parte, seja quais forem os meios empregados, sem a autorização por escrito dos autores das matérias e imagens.


o qu e a n da ro l a n d o n o c o r p o d o c e n t e

papel do visual merchandising nos espaços comerciais POR ANAMÉLIA VALENTIN

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A moda é um fenômeno, ao mesmo tempo material e simbólico, ela se apropria de tudo que está a nossa volta e transforma em desejo, consumo. A moda é, portanto, produto de tudo que nos rodeia. Quando trabalhamos com moda, independente do setor ocupado dentro da cadeia têxtil é preciso estar atento sempre. Em outubro de 2011, em busca de capacitação e atualização participei de um Workshop sobre Visual Merchandising com Sylvia Demetresco, um dos maiores nomes quando se trata de vitrinas e espaços comerciais, especialmente no Brasil onde tem alguns livros publicados. Durante os três dias do encontro, Demetresco falou principalmente sobre as novidades e tendências em vitrinas, mostrando exemplos criativos, experiências de compra inovadoras e lojas do futuro. Nesta matéria não tenho a pretensão de apresentar todo conteúdo abordado no Workshop, porém, repasso algumas informações pertinentes e que podem ser aplicadas nos mais diversos espaços comerciais. Em meio a lojas tão parecidas e com produtos tão semelhantes, fruto da rápida disseminação da informação de moda, para atrair o consumidor é necessário cada vez mais provocar o cliente, comunicar-se com ele de forma diferente da concorrência. Nesse sentido, a vitrina e todo o espaço dentro da loja tem o dever de atrair possíveis compradores. Assim, o visual merchandising se encarrega de conceber como e onde será apresentado um produto específico, de acordo com o público visado e dentro de um espaço comercial. A vitrina como elemento exterior fundamental da loja, é também reflexo do interior da mesma e de seus produtos.Toda vitrina, para ser notada e entendida, deve seguir alguns princípios: deve ser facilmente perceptível, rapidamente legível, deve captar o olhar

dos menos atentos propondo temas interessantes e divertidos. Clareza, simplicidade e legibilidade, isso não pode faltar numa boa vitrina. Os principais erros apontados estão nas vitrinas poluídas, com excesso de informação, com iluminação inexistente ou inadequada e com excesso de cores. Dessa forma, não atraem esteticamente, é preciso muito esforço do consumidor para encontrar relação com o produto, uma vitrina assim não está cumprindo seu papel primordial: fazer o cliente entrar na loja. O visual merchandising busca dar sentido aos produtos de uma marca num espaço ou loja, levando em consideração a relação entre homens e objetos, de forma que essa relação proporcione uma experiência agradável, graças a uma organização muito bem pensada e cuidadosamente produzida. Essa experiência que dá um sentido especial à compra faz com que o objeto adquirido seja algo inesquecível. Essa forte tendência à teatralização do ato da compra, faz com que grandes lojas contratem designers famosos e arquitetos para refazer seus pontos de venda, tornando o momento da compra sofisticado, divertido e tecnicamente bem pensado. O sucesso de uma vitrina é seu poder de atração, que não se mede em função da venda do artigo exposto, mas sim do aumento do número de pessoas atraídas por ela que, interessadas, se tornam possíveis compradores. Pesquisas mostram que uma vitrina bem feita impulsiona 90% da entrada de pessoas na loja, por isso é importante compreender que não basta estar no mundo, expor um sapato, um vestido ou expor uma jóia; são formas de fazer com que um produto seja visto, são maneiras de dar-lhe vida. O visual merchandising deve contar a história do produto e todos os benefícios contidos nele, sejam eles simbólicos ou materiais.

O SUCESSO DE UMA VITRINA É SEU PODER DE ATRAÇÃO


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de araranguá para o mundo POR GRAZIELA KAULING

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Para ser professor é preciso estudar muito, pesquisar e acima de tudo manter-se atualizado. A minha pesquisa de mestrado teve como tema a Gestão do Design em pequenas empresas de confecção de Araranguá. A dissertação foi defendida em Dezembro de 2010 na Universidade Federal do Rio Grande do Sul e replicada em vários artigos publicados no Brasil e no mundo. No Brasil, apresentei a pesquisa em São Paulo no 9º Congresso brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design, na Universidade Anhembi e também no 6º Colóquio Brasileiro de Moda. A publicação internacional foi realizada em Copenhagen, na Dinamarca, onde participei do 18º ICED (International Conference on Engeneering Design). Na Dinamarca, a apresentação rendeu uma parceria com o Sueco Lars Löfqvist, da universidade de Gävle e Keiichi Sato do Instituto de Design (ITT – USA) que juntamente com o orientador, Maurício

Bernardes, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul estão escrevendo mais um artigo para publicação em renomado journal na Europa, esta pesquisa deve abordar o tema: Cópia é um processo de Design? No início do ano, recebi a notícia de que outro artigo foi aceito no workshop da revista Technovation, em Grenoble, na França (evento ocorrido em Fevereiro de 2012). Além disso, a viagem proporcionou um acervo de fotos inéditas de jóias etruscas, indumentárias gregas, romanas e egípcias tiradas no museu do Louvre, em Paris, além de fotos de vitrines internacionais de grandes designers e visita ao Centro Dinamarquês de Design (Design by Denmark). Com essas informações enriquecemos e complementamos as aulas dadas. Assim, pode-se dizer que Moda é prática, é chão de fábrica, pesquisa e... publicação científica! E assim vamos... gerando conhecimento... de Araranguá para o mundo! E do mundo para Araranguá!


d e s a f i o f oto g r á f i c o

os vencedores POR FLÁVIA SÁ

Criar uma situação para testar as habilidades dos alunos, ver até que ponto conseguem chegar, observar o relacionamento de trabalho em grupo. Foi com esses objetivos que o desafio fotográfico nasceu. Com a opor tunidade de envolver os alunos do curso de produção de moda em alguma atividade criativa na Semana de Ciência e Tecnologia criou-se a novidade para agitar o calçadão de Araranguá, juntar os alunos e o comércio envolvendo-os em algo inusitado.

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A atividade foi diferenciada devido a competição entre as turmas, então o grande grupo trabalhou junto, dividindo-se por setores para realização de uma produção fotográfica de editorial de moda. Esta iniciativa promoveu a interação dos estudantes com o mercado onde poderão vir a atuar. Em equipes, contactaram os lojistas e parceiros, pensando na produção de moda, composta de roupa, calçado, acessório, maquiagem, cabelo, cenografia, locação, todos os elementos para compor o conceito escolhidos livremente por eles.

Os materiais foram avaliados em inumeros critérios, os principais foram organização da equipe e participação dos membros, pontualidade no inicio e final da sessão, criatividade, produção de moda e captação de recursos. A divulgação dos vencedores teve destaque especial, evento com a projeção das imagens, apresentação da ficha técnica e texto da temática de cada editorial. O público vibrou com o resultado das produções! Os alunos foram premiados com um jantar de confraternização e a participação na Catwalk. Seguem então os vencedores:


O primeiro módulo matutitino produziu algo inusitado em um tema clichê, NOIVA EM FUGA, um assunto conhecido mas explorado com humor e criatividade, apoiados pelas lojas Bella Noivas e Ramage. RELEASE NOIVA EM FUGA A maioria dos contos de fada termina com o casamento entre o herói e a donzela selando o início de uma felicidade duradoura e eterna, o famoso e tão ambicionado final feliz. Passamos nossas vidas atrás desses finais felizes. Somos carentes de finais felizes. Mas, quando estamos diante dele o que acontece? Um dia a gente finalmente encontra o nosso príncipe ou a nossa princesa encantada, e aí? O medo do futuro pode dar lugar à loucura. Loucura de uma noiva que diante de uma decisão muito importante em sua vida estremece e foge. Mas o amor... ah o amor... ele não conhece limites e não desiste nunca... E assim acontece mais um final feliz. PARA VER O ENSAIO COMPLETO VISITE: http://flaviasa.blogspot.com/2011/11/noiva-em-fuga-ganhadores-do-desafio.html FICHA TÉCNICA INSPIRAÇÃO: Casamento Tema norteador: crise de noivos, conflitos, ação. Empresas: Bella Noivas, Paraiso das Noivas, Ramage. Direção fotográfica: Equipe Loucos por moda Casting: Laís Martins e Vinícius de Araújo. Produção de Moda: Equipe Loucos por Moda Make e Hair: Cidinha centro estético Platou: Bruna, Priscila e Sinara Cenografia: Francine, Jaqueline e Josiane. Making of: Ivonir

RELEASE CAFÉ & BLUES O cenário é sempre o mesmo, um café escuro no centro da cidade, a busca por boa música, diversão e arte. O novo ícone do jazz nos traz grandes composições e lindas melodias, com uma volta ao passado sua forte personalidade e excentricidade inspiram jovens da atualidade. A busca por um estilo único, tendências de décadas passadas e inspirações em seus ídolos, fazem de Amy Winehouse ser o ícone de moda que é. Arte, moda e música nunca morrem, apenas são guardadas para serem lembradas. PARA VER O ENSAIO COMPLETO VISITE: http://flaviasa.blogspot.com/2011/11/cafe-blues-e-vintage-2-lugar-desafio.html FICHA TÉCNICA INSPIRAÇÃO: Amy Whinehouse Tema norteador: tributo a Amy, pegada vintage. Empresas: Fazendo Grau, Café e bar Central, Cidinha centro estético, Cia do Sapato, Alcidino ótica e joalheria, Tatoo e Body Piercing Anjo Vermelho, Comercial Cardoso. Direção fotográfica: Equipe Entre tapas e beijos Casting: Samanta Andrade Make e Hair: Cidinha centro estético Cenografia: Amanda Toledo, Bruna Daros, Juciléia Cardoso, Manoela Pires e Maristela De Faveri

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Na produção CAFÉ E BLUES realizada pelo Terceiro módulo vespertino a temática explorada foi tributo a Amy Whinehouse, foram recordistas na captação de recursos. A locação foi no Restaurante Central, as roupas e acessórios da Fazendo Grau, os calçados com Cia do Sapato, Comercial Cardoso, Tatuador Anjo Vermelho e salão de beleza da Cidinha.

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c u s to m i z a r

A ALUNA BRUNA FERNAND ES SILVA BUSCOU NO DIRETOR TIM BUR SUBSÍDIOS PARA SUA CRIAÇÃO TON . ATRAVÉS DA PINTURA MANUAL, ELA RETRATOU CENÁRIOS E PERSONAGENS DO FILME “O ESTRANHO MUNDO DE JACK”.

U EM A MONTEIRO FOCO A ALUNA LETÍCI A E ROMANTISMO DA Z TODA A DELICADE SWIFT E PROPÔS UMA OR YL TA CANTORA RENDA, M BORDADOS DE CUSTOMIZAÇÃO CO CORAÇÕES DOURADOS. E FITAS DE CETIM 8 C AT W A L K 5

ODIN STAMPEDE BASEOU-SE NA ESTÉTICA POUCO CONVENCIONAL DA BANDA JAPONESA THE GAZZETTE. AS FIVELAS PRENDENDO TIRAS E O METALIZADO FORAM ELEMENTOS DE ESTILO ESCOLHIDOS PARA TRANSPORTAR O VISUAL DA BANDA AO TÊNIS.

BANDANA OS BOTTONS E A CLÁSSICA OS ÍCONES RAM DO CANTOR AXL ROSE FO SUZANA A UN AL LA PE ESCOLHIDOS TOMIZAÇÃO. CUS SUA RA MACHADO PA


artista que inspira POR URSULA CARVALHO

Quais elementos caracterizam determinado artista? Como transpor todo um universo artístico para uma criação de moda? Foi a partir do lançamento desse desafio que os alunos do segundo módulo do curso de Produção em Moda tiveram que trabalhar. As diretrizes eram simples: um calçado branco e um artista inspirador. E a atividade era a de customizar esse calçado baseado nas refrências do artista escolhido. O começo de tudo foi a pesquisa artística. Os alunos tiveram que decidir em quem iriam se inspirar. Artes, música, dança, cinema, o céu era o limite. Escolha realizada, iniciou-se uma nova fase de pesquisa, dessa vez direcionada à decisão que foi toma-

da. O objetivo era veficiar o que caracterizava o artista escolhido: seria o colorido? Um universo mais pesado, com preto e metais? Ou o astral romântico? Aí a criação começou a efervescer na etapa seguinte, a de escolha dos materiais e intervenções a serem feitas. Valia de tudo: pintar, bordar, trocar cadarço, aplicar tachas, fitas e rendas. Mãos à obra! Corta, cola, costura, pinta e voilá! Resutados primorosos, um capricho só! Mas o difícil mesmo ficou com a professora Ursula Carvalho, quem orientou a atividade, que teve que escolher, diante de tanta beleza, apenas alguns para serem divulgados.

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NEM SEMPRE OS PÉS PRECISAM ESTAR NO CHÃO! O EXERCÍCIO FOI CARACTERIZAR UM ARTISTA NO PEQUENO ESPAÇO ENTRE O CADARÇO E A PALMILHA.

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d e s f i l e r e c i c l a rt e

idéia é reciclar POR FLÁVIA SÁ

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Dar uma nova utilidade a algo que perdeu o valor e usar da percepção para transformar o conceito de um objeto descartado. Foi com intuito de instigar a imaginação e estimular a inteligência que o projeto RECICLARTE concebeu roupas com materiais alternativos, sob orientação da professora Flávia Sá na unidade curricular de Pesquisa de Moda I. No processo de criação a pesquisa envolveu fundamentação teórica na investigação do tema, aprimoramento de habilidades manuais e intelectuais para encontrar soluções para a criação das peças. Estas deveriam se tornar uma manifestação estética individual e visar libertar a imaginação dando um significado único para cada roupa, podendo considerá-las verdadeiras obras de artes!


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projeto escolhidos:

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alunas ALESSANDRA OLISIA MEDEIROS E LENIR FARIAS DE MORAES inspiração CAMILLE MONET. material FLORES FEITAS EM CAIXA DE LEITE, TNT.

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aluna SONIA BEATRIZ FRAGA CRISTÃO inspiração CAN CAN material CAPA DE GUARDA CHUVA, TOALHA PLÁSTICA RENDADA.

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aluna FRANCIELE GIUSTI DARABAS inspiração MOULIN ROUGE material ATOALHADO RENDADO, GESSO, FITAS DE PAPEL PRESENTE.

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aluna MONIKE GENUINI SOARES inspiração CHARLIS CHAPLIN E TITANIC material GUARDA CHUVA, JORNAL, FITA ADESIVA, LIVROS ANTIGOS.


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e x p o s i ç ão m o u l ag e

POR LILIAN PESCADOR

Moulage Modelagem tridimensional é um termo que também pode aparecer como draping ou moulage e trata-se de uma ferramenta de trabalho que tem se mostrado mais rápida e eficaz, por facilitar o processo de criação e produção permitindo a análise do produto durante o processo, antes mesmo da montagem do protótipo. É uma técnica muito antiga que, depois do movimento fashion durante a década de 1990, está sendo resgatada por profissionais e escolas de moda, mas adaptada às necessidades e possibilidades do momento.

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No terceiro módulo do curso de Produção de Moda do IFSC, durante as aulas de Modelagem tridimensional, conduzidas pela professora Lilian Darós Pescador, as alunas tiveram dois momentos para expor a criatividade através dessa técnica. Foram aulas diferentes e prazerosas, permitindo a construção da roupa no corpo do manequim e imediatamente percebendo-se o resultado.

O primeiro momento foi na Semana Nacional de Ciência e Tecnologia do campus Araranguá, onde foi proposto modelar roupas com papéis, compreendendo o sentido da modelagem plana (bidimensional) aprendida no semestre anterior. Neste momento compreendeu-se o porquê de se ajustar certas partes nos moldes de papel, através do uso de pences e recortes, permitindo dar forma ao corpo. O tema foi livre, o trabalho realizado em duplas e, como nada poderia ser costurado, foi necessário lançar mão de colas quentes, alfinetes e fitas adesivas. Diversos tipos de papéis foram usados como de seda, crepon, cartão,vegetal, veludo, revistas ligadas à modelagem e papel pardo. O ponto alto desta exposição foram as alunas Manoela e Juciléia que fizeram seu vestido com mais de duzentos balõezinhos, aqueles utilizados em festas juninas, através do tema “pedras preciosas”, um trabalho demorado e

quatro trabalhos foram escolhidos:

1 ALUNAS SAMANTA E BRUNA, TEMA LINA CAVALIERI 2 JÉSSICA E KELLY, TEMA IMPRESSIONISMO. 3 RAMONE E JANAINA, TEMA ALFONS MUCHA 4 ALUNAS MARIA JOSÉ E SAMARA, TEMA NOITE EM PARIS

minucioso, mas que permitiu um resultado surpreendente.

A segunda proposta era para o grande dia do I`Fashion, desta vez com o tema La belle Epoque que contou com os croquis do modelo para enriquecer ainda mais os looks. Os vestidos foram confeccionados em tecido e poderiam contemplar a costura em alguns momentos, mas o desafio era utilizar a técnica de draping em alguma parte da sua criação, para que se pudesse ter uma visão além da que a modelagem plana permite.Vários estilos foram evidenciados, através de torcidos, pregueados, volumes, repuxados e franzidos, dando beleza e um diferencial à exposição. Foi construído em tempo recorde: apenas três semanas de aulas, mas nem por isso o trabalho foi prejudicado, e através da dedicação dos alunos, foi finalizado com louvor! Confiram!


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Top

d e s f i l e to p

primeira coleção POR ANAMÉLIA VALENTIM

Para a realização do projeto Top: primeira coleção, os alunos do segundo modulo do curso técnico em Produção de Moda utilizaram o conhecimento adquirido sobre moda comercial e moda conceitual unidos aos conceitos abordados na unidade curricular de Planejamento e Projeto de Coleção sob orientação da professora Anamélia Fontana Valentim. Desta forma, cada aluno planejou ao longo do semestre uma mini coleção de tops, contendo uma peça conceitual e outra comercial. O ponto de partida foi o tema proposto: La Belle Époque, assim, as criações conceituais enfatizavam as características que seriam utilizadas de forma mais contida nas peças comerciais.

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cinco trabalhos foram escolhidos:

1 ALUNA LUANA COELHO FERREIRA SELAU 2 ALUNA BRUNA TURATTI SIGWALT 3 ALUNA GRAZIELA ANGELONI 4 ALUNA BRUNA SILVA FERNANDES SANTOS 5 ALUNA DANIELA FREITAS MEDEIROS


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e x p o s i ç ão ac e s s ó r i o s

o tempo levou POR URSULA CARVALHO

Onde foram parar casquetes, sombrinhas, leques, chapéus e outros acessórios que delineavam a silhueta feminina nos dias e noites da Belle Epoque? Efervescência cultural, ostentação e novas invenções, quando o minimalismo não teve vez e a exuberância no vestuário era evidenciada também pela adoção

quatro trabalhos foram escolhidos:

1 ALUNA JULIARA CAETANO DA SILVEIRA 2 ALUNA MARELINE HEITOR GOMES 3 ALUNA LUANA COELHO FERREIRA SELAU 4 ALUNA BRUNA SILVA FERNANDES SANTOS 5 ALUNA ANA CLÁUDIA DE OLIVEIRA 4 ALUNA BRUNA TURATTI SIGWALT

de muitos acessórios. Todos tinham o seu lugar e na Belle Epoque, mais era mais! Para relembrar este exuberante período, nos divertimos na unidade curricular de Técnicas de Criação, do segundo módulo do curso de moda, reconstruindo esses adereços que marcaram época.


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artigo belle epoque

O ESPARTILHO FEMININO NA BELLE ÈPOQUE FRANCESA POR URSULA CARVALHO

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Gera no mínimo certo espanto a um leitor percorrer os olhos sobre as linhas do texto que dizem “A cantora francesa, Polaire, com uma ‘cintura de vespa’ de 16cm” em 1890 (LEHNERT, 2001, p. 12). Esta cintura exageradamente atrofiada obtida pelo uso do espartilho foi o que marcou a silhueta feminina da Belle Èpoque francesa (ou Bela Época), período compreendido entre o final do século XIX e início do século XX. A moda, como outros aspectos de uma sociedade, está relacionada à cultura que a produziu e, se queremos entender seus reais signos e sinais, devemos contextualizá-la. Dessa forma, Nery (2003) descreve o cenário que configurava neste período. As carruagens foram substituídas por trens a vapor, e a indústria crescia para todos os lados, inclusive para o têxtil. A máquina de costura passou a ser efetivamente usada contribuindo para uma elaboração do traje feminino. Neste cenário surge a Art Nouveau (França), representando a era industrial em massa, com valorização das linhas curvas, orgânicas, e inspiração nas formas vegetais. Este movimento buscava encontrar uma nova tecnologia e novos materiais ultrapassando a tendência da cópia de estilos históricos. Este mesmo imaginário embutido de novidades influenciou também o cenário da moda feminina, quando as roupas ficaram muito trabalhadas, cheias de detalhes imitando as formas orgânicas da natureza. As linhas curvas características do período e representadas pela Art Nouveau, influenciaram diretamente a moda. A Belle Èpoque francesa, foi um período de grande ostentação e extravagância. O ideal de beleza feminino propunha uma mulher madura, fria e dominadora, com busto pesado e levantado e o quadril deslocado para trás (LAVER, 1989). As mulheres vestiam saias que se abriam em direção ao chão e usaram muitas rendas e plumas como adorno. Usavam cabelos presos em coques e

por cima chapéus projetados para frente, como que para gerar um equilíbrio em relação ao quadril que se prolongava para trás. (LAVER, 1989). Outra característica do período, de acordo com Braga (2007), foi a demasiada cobertura do corpo feminino, quando apenas a face e mão ficaram de fora, não envoltas de tecido. As golas eram altas cobrindo o pescoço, as saias muito compridas, as mulheres usavam botas que escondiam as canelas e longas mangas deixando os braços cobertos. Foi o período da história em que a cintura foi mais afunilada do que em qualquer outro, onde se tinha volume nos ombros, cintura afunilada e volume nos quadris. O ideal de beleza apontava para uma circunferência de apenas 40cm e isso fez com que muitas mulheres chegassem a remover suas costelas flutuantes a fim de conseguir uma cintura cada vez mais fina com o auxílio do amortizante espartilho (BRAGA, 2007). A “silhueta ampulheta” também foi denominada de cintura em “S” ou “cintura de vespa” por alguns autores. Lehnert (2001) lembra que o perfil das mulheres, pelo uso do espartilho, mostrava uma severa divisão em dois, com o peito de um lado e o traseiro de outro, “divididos por um nada constituído pela cintura”. Hollander (1996) também salienta a profunda divisão que o espartilho produzia no corpo feminino, dividindo-o em duas marcantes metades. Havia a parte superior, com seus “arranjos sedutores”, a parte de baixo “com a saia e seus segredos inferiores” e no meio o rígido espartilho. Analisando hoje o padrão estético feminino da Belle Èpoque, sente-se certa estranheza em função de tantos excessos em um corpo severamente, moldado, ornamentado e decorado. No entanto, a moda, como um aspecto de uma sociedade, é assim: faz sentido dentro de seu contexto.

REFERÊNCIAS BRAGA, João. História da moda: uma narrativa. 5. ed. São Paulo: Anhembi Morumbi, 2007. HOLLANDER, Anne. O sexo e as roupas: a evolução do traje moderno. 1. ed. Rio de Janeiro: Rocco, 1996. LAVER, James. A roupa e a moda: uma história concisa. 4. ed. São Paulo: Cia das Letras, 1989. LEHNERT, Gertrud. História da Moda: do século XX. 1. ed. Colônia: Konemann, 2001. NERY, Marie Louise. A evolução da indumentária: subsídios para criação de figurinos. 1. ed. Rio de Janeiro: Senac, 2003.


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desfile formandos

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DESFILE DOS FORMANDOS A Belle Epoque, ou Bela Época, como foi chamada no Brasil, foi um período de exuberância, requinte e muita prosperidade. Diversas invenções que hoje fazem parte do nosso cotidiano surgiram ali, como o automóvel, o telefone, a bicicleta, dentre outros. A vida cultural estava efervescente, com cinemas, cabarés, teatros e bares e Paris tornou-se o centro exportador de moda e comportamento para o resto do mundo. Desfiles e exposições produzidos pelos alunos sob orientação de professores e técnicos do curso de moda do IFSC seguiram esse cenário extremamente rico e encantador para a essa edição do I’Fashion.


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Inspirada pelo clima de romance da arte impressionista de Claude Monet, a coleção A “ Delicadeza que Impressiona” no segmento Leisurewear, foi feita para garotas de 18 a 22 anos, românticas, antenadas com a moda e vaidosas. Destaque para as cores invernais como o cinza e o azul marinho e para modelagens com recortes, cintura marcada e golas grandes. Mila Pinheiro Alves Tema: Delicadeza que Impressiona milapinheiroalves@hotmail.com


Eduarda Zilli Pasini Tema: Arte Inovação dudapazini@hotmail.com

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A coleção Arte “ Inovação”, inspirada na Art Nouveau, é destinada a homens de 20 a 25 anos, que são vaidosos e gostam de se destacar. É voltada para o segmento Citywear, pois foi desenvolvida pra um jovem criativo que é antenado nas tendências de moda. O tema evidenciou-se através de estampas, detalhes, formas e cores fortes.

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A coleção “Pétalas do Tempo” tem como foco o segmento de moda Leisurewear com um ar mais sofisticado. Voltou-se para um público feminino de meninas delicadas de 17 a 20 anos. Buscou-se transmitir o romantismo escondido dentro de cada garota, através da Art Nouveau, que focava na originalidade da forma, na valorização da natureza e no trabalho artesanal. Ramone Martins Tema: Pétalas do Tempo ramonemartins.s2@gmail.com


Maristela Quartiero de Faveri Tema: L’art Romantique marifaveri@hotmail.com

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Na coleção “L ’art Romantique”, voltada para meninas de 16 a 20 anos, as peças exaltam a feminilidade, a doçura e a delicadeza presentes no movimento do Art Nouveau. Serão evidenciados elementos delicados, tais como: os tons de nude, rendas, babados e fitas, em uma linha nightwear.

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Para esta coleção, buscou-se inspiração no acontecimento histórico do naufrágio do navio Titanic. Destacando-se detalhes de babados, alças diferenciadas, saias godê e bolsos facão. O públicoalvo são as mulheres de 18 a 23 anos, que curtem fotografar em suas saídas em baladas. Carla Biz Tema: Titanic Carlamoda1989@gmail.com


Monique Vieira Tema: Rainha Alexandra moniquevieirap@hotmail.com

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Com inspiração na rainha Alexandra, apresenta-se para o segmento dailywear a leveza da organza em vestidos fluidos, cintura marcada, rendas, bordados e aplicações em pérolas em uma modelagem mais solta e confortável. Para mulheres que gostam de expressar seu estilo através do que vestem.

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Devido à exigência de um público jovem e inovador que procura esbanjar glamour e faz das ruas passarelas, apresentou-se para a coleção “Capital de Luxo” inspiração em Paris. Através do segmento Dailywear optou-se por paetês, oferecendo o brilho da estação, e por uma cartela de cores em que predominam os tons frios e o degrade do ferro, extraído da Torre Eiffel. Fernanda Barbo Tema: Capital de Luxo nanda_rol_@hotmail.com


Camila dos Santos Tema: Boldness Cat camiladossantos.2010@hotmail.com

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Para a coleção “Boldness Cat” buscou-se referências no Impressionismo e na música da época, focando movimento, suavidade, cores da natureza, técnica do pontilhismo, através de estampas. Um resultado que provoca sensações e emoções que denotam a sensualidade feminina visando a modernidade.

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A Coleção “Intensidade das Cores” é destinada à mulheres de 17 à 20 anos. Voltada para o segmento Evening Gow Wear e com o tema “Fauvismo”, inspira cores fortes revelando a emoção e alegria de viver que transmite essa arte. As apostas se voltam para formas ajustadas, vestidos com uma alça só, com recortes e drapeados irregulares e saias esvoaçantes. Kelly Giassi Tema: Intensidade das Cores kellygiassi@hotmail.com


Thayse Cândido Tema: Independência Andrógena thaysecandidoprodemoda@hotmail.com

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Urbana e moderna, amante de alfaiataria, de cortes lineares, de peças modernas e versáteis a coleção “Independência Andrógena” traz uma mistura da suntuosidade de tecidos leves e plissados com os traços marcantes de peças clássicas como o tailleur. Inspirações trazidas de uma época onde o luxo e a sofisticação faziam parte do cotidiano.

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Inovações para mulheres independentes e livres é a proposta para a coleção “Renovação dos Kaminhos”, inspirada em Chiquinha Gonzaga. Um básico diferenciado para súbitas viagens de mulheres com mais de 55 anos que querem sentirse bonitas e atualizadas com a moda. Propostas de jeans, interferências de alfaiataria, brocados e veludos. Juliana Kindermann Tema: Renovação dos Kaminhos seteju@hotmail.com


Samanta Andrade Tema: Flor Contemporânea samanta.a.m@hotmail.com

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A coleção “Flor Contemporânea” foi desenvolvida a partir da vestimenta masculina da Era Eduardiana, ocorrida na Inglaterra, e que teve como figura central o rei Eduardo. Trás casacos, lapelas e martingales e o jeans com lavagem rasgada. Destinada à um público jovem e descontraído de mulheres de 18 a 24 anos.

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A coleção “Delicadeza dos Gestos” está voltada para um público de meninas vaidosas de 9 a 12 anos com o segmento leisurewear. Inspirada em Alfonse Mucha surgem estampas, babados, formas e curvas sutis, juntamente com uma cartela de cores suaves. Os florais e as rendas vão fazer parte dos detalhes. Samara Guimarães Lumertz Tema: Delicadeza dos Gestos samaralumertz@hotmail.com


Sandra Maria da Silva Pereira Tema: Kids Modern Man sandradecorart10@hotmail.com

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Voltada para um público mirim de 2 a 6 anos e focada na Era Eduardiana, a coleção oferece cores e texturas com um toque vintage, com muita classe, elegância e irreverência. Modelagens estruturadas e também sequinhas, tons que variam entre cinzas, azuis, bege, marrom e amarelados, formando a imagem de um menino arrumadinho porém mais confortável.

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A coleção infantil de moda festa retrô “Magia das Flores”, apresenta peças decoradas manualmente com apliques de delicadeza. Apresenta-se uma cartela de cores mágicas desde os tons branco e nudes, aos rosas e terrosos. E ainda apliques, laços, babados, plissados, estampas, pérolas e paetês. Juciléia Cardoso Tema: Magia das Flores jucy_leiacardoso@hotmail.com


Maria José Valim Tema: Mundo Encantado mariajosevalim@hotmail.com

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A coleção “Mundo Encantado” trouxe como inspiração obras de arte do Impressionismo. A temática será evidenciada por uma cartela de cores claras, contrastadas com cores escuras. Voltada para um público infantil de meninas doces e meigas com idade de 3 a 6 anos, mostra tecidos leves e fluidos, ornamentados com laços, fitas, e babados.

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A Coleção Underwear “Pelos passos do Balé” teve inspiração nas Bailarinas de Edgar Degas para mulheres de 20 a 24 anos, românticas e delicadas. Criativas e que valorizam a beleza de seu corpo, traz peças como calcinhas no estilo hot pant e corseletes, produzidos com materiais como microfibra, tafetá, tule e cetim priorizando o aspecto delicado e artesanal. Janaína Hermes Tema: Pelos passos do Balé jannynha_hermes@hotmail.com


Ingrid Hahn Tema: Link com o Passado ingridhr@hotmail.com

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A coleção teenager plus size “Link com o Passado” fez a ligação entre passado e presente, no período de explosão de novos inventos, da Belle Époque. Percebese, de forma discreta, as linhas telefônicas, trilhos de trem aplicados em bordadose silk’s de telefones antigos divertidamente conectando as meninas ao passado de seus celulares.

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A coleção “Bride Liberty” para o segmento de moda Bridal Wear buscou inspiração na Art Nouveau, em particular no estilo Liberty e em Alfons Mucha, destacando-se formas arredondadas, linhas curvas, volumes estruturados e o ar romântico. Para um público feminino de 20 à 25 anos que não dispensa um momento livre para cuidar do corpo e da beleza. Bruna Daros Tema: Bride Liberty bruhdaros@hotmail.com


Jéssica Pagnan Vicentin Tema: Glacê jessicapvicentin@hotmail.com

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A coleção “Glacê” busca referências na Alta Costura de Charles Frederick Worth, trazendo para o segmento Bridalwear vestidos com amarrações e abotoamentos, babados e tons claros, priorizando o tradicional branco. Focando em mulheres de 23 à 28 anos, românticas e que sonham em casar de “véu e grinalda”, se trouxe a leveza do gazar e a delicadeza das rendas.

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A coleção A “ Fada Maldita” apresenta um novo cenário para a moda masculina, onde o clássico e o ousado andam lado a lado. Trabalhando com os “Geeks” como público alvo, e com o citywear como segmento de mercado, aliam roupas clássicas com referências ao mundo tecnológico, buscando sempre novidades na área da tecnologia, música e arte. Amanda Toledo Tema: A Fada Maldita amandastoledo@hotmail.com


Manuela Pires Tema: Chaplin Contemporâneo manu_pires93@hotmail.com

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Para a coleção “Chaplin Contemporâneo” focou-se nos jogos de sobreposições, juntamente com referências sóbrias e elegantes da alfaiataria. Buscou-se inspirações nas formas arredondadas típicas de Charlie Chaplin, nas sobreposições de peças e nos traços militares, focados nos seus personagens de “O Vagabundo” e “Grande Ditador”.

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e x p o s i ç ão e d i to r i a l

editorial POR FLÁVIA SÁ

Diferentes universos estabelecem diálogos e têm como resultado os registros fotográficos das inúmeras facetas da moda. Na cobertura dos eventos de moda, nos desfiles, nos catálogos e mostruários, nos outdoors, nas sacolas, nas fachadas das lojas, nos tags e displays e não pode-se deixar de citar um grande personagem do marketing de moda: o editorial. Para quem vive e faz moda o editorial é forte instrumento de comunicação, poderoso por atrair a atenção, aplicando conceitos e comportamentos traduzidos por imagens marcantes. Esses ensaios fotográficos objetivam a construção de estilo e divulgação de uma coleção de moda ou de uma marca. E os alunos do terceiro módulo exploraram essa ferramenta para demonstrar a capacidade de materializar belas imagens, orientados pela professora Flávia Sá na unidade curricular de Processo e Desenvolvimento de Mostruário.

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ESSENCIAL Manhã ensolarada, clima perfeito para aflorar toda beleza natural. Charme, poder e sensualidade entram em perfeita harmonia com o cenário paradisíaco. Produções exóticas que contrastam com toda a leveza e ar puro do local, entre a areia das dunas e a refrescância da água que deixa qualquer mulher uma deusa.

GOSSIP GIRL Tarde gostosa de primavera, amigos reunem-se para curtir uma boa conversa descontraida. Momento de lazer em um sofisticado jardim florido, onde o que mais importa é cultivar amizade e desfrutar de boas risadas. Muita bossa, ousadia e estilo acima de tudo. Requinte em um café onde o menu é natural e o brinde é com suco, a afinidade faz com que a conversa flua e o tempo passe rápido. A alegria de ter quem gostamos por perto traz momentos únicos que ficarão na história em belos registros.

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e x p o s i ç ão m o da s u s t e n táv e l

moda sustentável COMO PRÁTICA DE ENSINO-APRENDIZAGEM EM PROJETO DE PESQUISA

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POR ALINE HILSENDEGER E SANDRA MARIA DA SILVA O projeto de pesquisa de iniciação científica “Moda Sustentável” foi desenvolvida no Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), no campus Araranguá e fundamentou-se em pesquisas multidisciplinares com foco nas ciências ambientais. O projeto propôs ser um espaço de trocas de experiências entre o mundo acadêmico e o mercado produtor, a fim de difundir práticas alternativas de destinação dos resíduos sólidos das indústrias de confecção. A pesquisa buscou investigar alternativas de reaproveitamento dos resíduos de tecidos das indústrias para o desenvolvimento de novos produtos, por meio de um referencial teórico sobre o assunto. O projeto teve como objetivo a integração entre os conhecimentos teóricos e práticos com as diversas áreas do conhecimento tendo como objeto a preservação do meio ambiente e a qualidade de vida individual e coletiva. A curiosidade que norteou a investigação foi responder sobre: qual o destino dos resíduos sólidos das indústrias de confecção e como podem ser reaproveitados? As indústrias de confecção de Araranguá-SC apresentam uma importância relevante como impulsionador da economia local. De acordo com a RAIS/ MTE-2010 no município de Araranguá-SC há 1925 estabelecimentos e dentre eles 106 são empresas de confecção de artigos do vestuário e acessórios. Para se ter uma ideia da representatividade deste setor, no montante de 14.346 pessoas empregadas no município, 870 trabalham no ramo do vestuário, ou seja, 6% (seis por cento) da mão de obra total. Foi neste contexto que o projeto tomou corpo e materializou-se a partir dos questionamentos sobre os problemas ambientais. O assunto sobre sustentabilidade é atual e vem chamando a atenção de toda a sociedade para a mudança de consciência e dos padrões atuais. Neste projeto

buscou-se articular o desenvolvimento de produtos com foco na criação com resíduos das indústrias de confecção. O gerenciamento da produção pode planejar desde o processo de criação até o descarte dos produtos para minimizar os impactos. No setor têxtil os principais impactos são a utilização de embalagens de produtos químicos, efluentes líquidos e gasosos. Outros aspectos estão envolvidos com o consumo de água, energia e geração de resíduos. A gestão ambiental empresarial vem colaborar com o meio ambiente de maneira eficaz para a redução do desperdício e de custos gerados no interior das empresas, além de fortalecer a Responsabilidade Social Empresarial e aumentar o nível de confiança e motivação dos funcionários. A contribuição das tecnologias surge como medidas de redução de consumo energético e de materiais combinados com a capacitação dos colaboradores promovem oportunidades de melhoria no desempenho dos processos produtivos e gerenciais preservando o meio ambiente. Após os resultados obtidos por meio das pesquisas foi decidido por desenvolver pufes de garrafas PET (politereftalato de etileno), agregando objetos decorativos como cortina e tapetes, todos elaborados com resíduos de tecidos doados pelas empresas. Este exercício possibilitou ao aluno estimular a criatividade e tomada de decisão. A escolha por compor um lounge que foi exposto no evento do desfile de moda organizado pelo Instituto Federal foi critério do aluno e apresentou uma proposta bastante interessante e criativa. A etapa da pesquisa encerrou com entrevistas com quatro empresários do município. Os resultados parciais apresentaram que os resíduos sólidos das indústrias têxteis de Araranguá são destinados a um aterro municipal em Içara. Este


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fato enfatiza que as externalidades produzidas localmente têm consequências fora do seu próprio território. Assim, torna-se necessário desenvolver políticas públicas para o destino dos resíduos têxteis do município em estudo. Ressalta-se, porém, que a prática da gestão ambiental empresarial não é exclusividade do governo municipal, mas dos setores econômicos e da sociedade. O resultado das entrevistas e da observação direta do setor de confecção, confirmou que há uma preocupação com o destino e reutilização das sobras de tecido por parte dos empresários. Estes problemas podem ser mitigados com capacitação nos setores industriais para pessoas que possam ser responsáveis por assumir um gerenciamento dos resíduos. Além disso, a cooperativa de catadores de lixo pode contribuir significativamente com o recolhimento destes resíduos. Ainda assim, seria preciso dar uma aplicação para os materiais recolhidos. Em vista da desigualdade social e um grande contingente de pessoas consideradas vulneráveis, pode ser desenvolvido alternativas de reaproveitamento e de geração de renda para essas pessoas. A integração dos processos industriais com capacidade de suporte e a preservação do ambiente natural e social são os maiores desafios deste século. Os conceitos de responsabilidade social empresarial começam a incorporar-se na gestão empresarial apresentando-se como processos dinâmicos e possíveis de se obter lucro com responsabilidade ambiental e ao mesmo tempo, oportunizando trabalho e renda para a sociedade. A dinâmica deste projeto foi bastante gratificante aos envolvidos direta e indiretamente. Ao aluno por sua experiência em pesquisa e realização do trabalho, ao professor pela troca de conhecimento e aos entrevistados pela oportunidade de discutir sobre possíveis soluções. Enfim, toda a sociedade tem a ganhar com a preservação ambiental por meio de práticas sustentáveis à geração vindoura.

“A GESTÃO AMBIENTAL EMPRESARIAL VEM COLABORAR COM O MEIO AMBIENTE DE MANEIRA EFICAZ PARA A REDUÇÃO DO DESPERDÍCIO E DE CUSTOS GERADOS NO INTERIOR DAS EMPRESAS.”


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Libras está na moda! C AT W A L K 5

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ESTE É UM RELATO DO PROFESSOR INTÉRPRETE DE LIBRAS, RAMON CUNHA, SOBRE A EXPERIÊNCIA DA FORMAÇÃO DA PRIMEIRA ALUNA SURDA NO CURSO TÉCNICO EM PRODUÇÃO DE MODA DO CAMPUS ARARANGUÁ.

O IF-SC Campus Araranguá recebeu sua primeira aluna surda, Carla Biz, no segundo semestre do ano de 2010, interessada em frequentar o curso de moda. A inclusão do aluno surdo nos diversos níveis da educação é lei, e o desafio foi encarado por todos: professores, técnicos, núcleo pedagógico e outros setores da escola, pela própria aluna e por seus familiares, que precisaram estar presentes em todo o processo educativo. Durante os 3 semestres do curso a Carla se desenvolveu de diversas formas. Tanto nas disciplinas teóricas quanto nas práticas. Um dos maiores desafios que eu e a Carla enfrentamos, foi o de inserir sinais que até então não existiam na área da moda. Nós entrávamos em acordo com relação a como seria aquele sinal descritivo para que a comunicação pudesse fluir bem e para que o entendimento do que estava sendo ensinado em sala de aula ficasse claro. Por exemplo, a cada novo semestre, criávamos um sinal para cada unidade curricular, assim como também para cada professor. O sinal dos professores funciona como uma espécie de apelido, às vezes usando a primeira letra do nome da pessoa e uma característica física dela. Além desses, diversos outros termos da área

ganharam sinais, pois tratavam-se de questões técnicas específicas que até então não haviam sido “batizadas” na língua de sinais (libras). Alguns trabalhos foram desenvolvidos em vídeos usando Libras, como exemplo dos da unidade curricular de História da Indumentária, ministrada pela professora Graziela Kauling, e do projeto apresentado em Projeto de Conclusão de Curso, com a professora Ursula Carvalho. Estes trabalhos foram gravados no decorrer do semestre por meio de pesquisa em imagens e apresentados em substituição ao trabalho “em papel”, destinado aos alunos ouvintes. Essas adaptações foram necessárias ao longo do curso para que a aluna Carla pudesse ser respeitada em suas características, mas em nenhum momento isso comprometeu seu aprendizado. As mudanças vieram no sentido de somar e de respeita-la, e não no de facilitar, exigindo menos ou tornando seus trabalhos menos complexos. “A Carla apresentava dificuldades muitas vezes comuns a diversos alunos, mas, como era uma aluna surda, eu precisei adaptar o modelo de entrega do projeto final para que pudéssemos realizar sua inclusão”, relata a professora Ursula. É algo muito novo e desafiador inserir os sinais do idioma de Libras no mundo da moda. Foi uma experiência também muito recompensadora e gratificante poder contribuir para que a aluna Carla conquistasse seu direito de cursar moda, seu grande sonho. Eu espero que possamos receber mais alunos surdos interessados nos nossos cursos, para que, assim, eles possam ser incluídos na sociedade com seus direitos plenos de cidadãos respeitados.


LETRA “T”

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PROFESSOR RAMON CUNHA E A ALUNA CARLA BIZ

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PERSONAL STYLIST

IFSC

IMAGEM

GEOMETRIA ESPACIAL


dic a do professor

INDUMENTÁRIA UMA HISTÓRIA CINEMATOGRÁFICA

POR EMERSON CARDOSO

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Ao assistir um filme podemos escolher um que, além de uma boa história, possa também ter um figurino que nos auxilie a compreender a indumentária em diferentes épocas. Desde tempos remotos, da Guerra do Fogo a 10.000 a.C. , o homem já apresentava a necessidade e o desejo de se cobrir. Porém, foi na Antiguidade que a indumentária evoluiu, servindo para diversas funções. Poderíamos listar mais de 300. Cleópatra certamente conheceu bem cada uma delas – o que hoje poderia provocar uma Fúria de Titãs entre alguns namorados e maridos. Mas é bom lembrar que até mesmo Alexandre , “o Grande” cuidava da aparência! Nem mesmo as desavenças em Tróia e Odisséia reprimiram o desejo de beleza e poder. Porém, se esses sujeitos conhecessem Os Dez Mandamentos certamente não se divertiriam tanto com as apresentações de um Gladiador. Já na Idade Média a religiosidade e o misticismo deram origem a lendas e mitos que desafiam até hoje roteiristas e diretores de cinema. Foi uma época de Cruzadas, na qual deus nos livre de encontrar as Bruxas de Salém - pobrezinha de Joana D´Arc que não teve O nome da Rosa. Assim, chegamos a 1492: a conquista do Paraíso – foi A Missão! Ainda bem que tivemos Shakespeare Apaixonado, que agradou até mesmo Elizabeth. Ou foi ele um Anônimo? Nessa época, reis e rainhas nunca revelaram tanto luxo e poder por meio de suas roupas. Eh, e definitivamente o mundo percebeu a moda! Que Cromwell não nos julgue mal! Mas é preciso compreender O Outro Lado da Nobreza. Da Rainha Margot, passando pela excêntrica Maria Antonieta até a Jovem Rainha Vitória – sem esquecer nossa ilustre Carlota Joaquina, Princesa do Brasil, que não era A Duquesa – é possível considerar que estar na moda realmente foi um desafio. Acha que essas ideias são Ligações Perigosas? Ana e o Rei que o diga! O que Henrique V na Inglaterra teria a dizer sobre essas Adoráveis Mulheres! Se ele pensava que O Vento Levou todo o luxo e glamour ou que todas as mulheres eram apenas uma Bonequinha de Luxo, foi porque não encontrou Amélia, Olga, Gigi ou Zuzu Angel. Ah, mas se ele tivesse conhecido o Cinema Paradiso italiano, descobriria que realmente o Diabo Veste Prada – Lutero que nos perdoe, mas no Brasil Hoje é Dia de Maria! Agora, se tivéssemos a Memórias de uma Gueixa nos surpreenderíamos com a cultura oriental. No entanto, para nos aprofundarmos nesse mundo, seria preciso participar de O Clã das Adagas Voadoras para concluir que lá existe muito mais do que O tigre e o Dragão – Ah, que Desejo e Perigo, hein?! Já no século XX, no ocidente, O Homem com a Câmera na Mão registrou o mundo em movimento, retratando a Belle Epoque – um misto entre Razão e Sensibilidade, Orgulho e Preconceito. Foi um período de fantásticas viagens – do Titanic aos palcos do Moulin Rouge – que não ficava em Chicago! Até Coco antes de Chanel estava lá. E assim, descobrimos esperançosos que A Vida é Bela – até mesmo para aqueles que estavam na Lista de Schindler! É uma pena que nosso Sonho de Liberdade tenha sido roubado pelo ideal de Beleza Americana. Com tantos Delírios de Consumo, só mesmo O Menino do Pijamas Listrado para nos mostrar a realidade! Se você acha que roupa não é tudo, pense então como ficaria os Embalos de Sábado à Noite? Parece uma atitude de uma Junventude Transviada ou dos Tempos Modernos? O que seria de nós sem o Pret-a-porter? E ainda há quem pense apenas em Sex and the City. Afinal de contas, qual mulher já não sonhou em ser uma Cinderela em Paris ou qual homem não gostaria de ser um Poderoso Chefão? Não seria bom ter um Caderno de notas sobre roupas e cidades? O cinema pode nos levar a perceber o mundo de outra forma ou até mesmo nos inspirar a nos vestirmos de um jeito diferente. O mundo sem o cinema, sem a moda ou sem arte não seria tão Burlesque! Fica a dica!


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O QUE É UM

PERSONAL SHOPPER? Quem não gosta de fazer compras? Comprar hoje é o hoby número um das pessoas em todo o mundo. E se esse hobby se transformasse em prestação de serviço? Em novembro de 2011, estive em São Paulo participando de um curso de extensão com a Personal Shopper Silvana Bianchini na Escola São Paulo e gostaria de compartilhar esta experiência - que é uma grande tendência - com vocês. Para quem já trabalha ou pretende trabalhar com Personal Stylist essa é uma ótima maneira de agregar um diferencial na prestação de serviço de moda. Mas o que é, quando surgiu e como funciona esse serviço? Há quatro anos surgiu no mundo o Personal Shopper, consequência da sociedade contemporânea. Nos Estados Unidos já é oferecido em lojas de departamentos e no Brasil, o Shopping Iguatemi de São Paulo foi o pioneiro em disponibilizar esse serviço para seus clientes. Esse profissional veio para suprir uma necessidade das pessoas: a falta de tempo. É um especialista contratado por pessoas físicas e jurídicas que não possuem tempo e nem a experiência para fazer a compra certa de acordo com suas necessidades, ou preferem investir em momentos estando com a família, os amigos e aproveitando a vida. Para prestar este serviço, o profissional deve conhecer a região na qual pretende trabalhar, as lojas especializadas, ter um bom relacionamento com os lojistas, estar sempre atualizado com as tendências de moda, conhecer estilistas e grifes, entender de tecidos e seu caimento, modelagem e produção de moda. Esse serviço funciona em três etapas: a entrevista, o pré-shopping e a compra. É através da entrevista com o cliente que o especialista vai buscar as informações necessárias para fazer uma boa compra: seus dados cadastrais, seu gosto pessoal (porque muitas vezes a pessoa que contrata também entende de moda), para qual ocasião seria a roupa ou o produto, suas medidas, o que não gostaria de evidenciar em seu corpo e várias outras perguntas pertinentes. Depois da entrevista o Personal Shopper reserva um dia para separar as roupas e acessórios nas lojas de acordo com as necessidades do contratante (pré-shopping), que só terá o trabalho de provar e comprar as peças pré-selecionadas. Esse serviço deve atingir as expectativas e desejos do cliente, deixá-lo satisfeito, pois esse é o principal objetivo de sua contratação. Quem pretende trabalhar na área pode fazer a divulgação através de um site próprio ou blog, ter parceria com algum shopping ou galeria, e também com hotéis, já que muitas vezes os turistas querem conhecer os melhores locais para compras da região. Se o profissional for bilíngue então, melhor ainda! Mas não é só na área de moda que esse profissional pode atuar. Você pode ser um especialista em vinhos, presentes, lembrancinhas, beleza, decoração, flores, enxoval, e porque não, em compras de supermercado? Idéias existem e são muitas, a questão é se especializar e ganhar dinheiro fazendo o que gosta: comprar!

Dicas para se especializar:

Formação: Curso Técnico em Produção de Moda do IFSC – Campus Araranguá. Site para pesquisa: www.personalmia.com Livros: KALIL, Gloria. Chiquérrimo: moda e etiqueta em novo regime. São Paulo: CODEX, 2004. BALDINI, Massimo. A invenção da moda: as teorias, os estilistas, a história. Lisboa: Edições 70, 2005. PALOMINO, Erika. A moda. São Paulo: Publifolha, 2010. CARVALHO, Flávio de. A moda e o novo homem. Rio de Janeiro: Beco do Azougue, 2010. DUCHER, Robert. Características dos estilos. São Paulo: Martins Fontes, 2001. CASTILHO, Káthia. Discursos da moda: semiótica, design e corpo. São Paulo: Anhembi Morumbi, 2005. JONES, Sue Jenkyn. Fashion Design: manual do estilista. São Paulo: Cosac Naify, 2005.

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POR ROBERTA LOHN

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tendências

OUTONO / INVERNO 2012 POR ANAMÉLIA VALENTIN

Falar de tendências atualmente já não é tão fácil, há alguns anos observa-se na moda e em outros setores movidos pelo consumo uma certa liberdade de escolha. Desta forma, encontramos as tendências no estilo de vida das pessoas, no gosto, na individualidade. Não há mais caminhos nítidos a serem seguidos pelos criadores de moda. Nos desfiles, as marcas não tem mais a pretensão de lançar moda, o que se observa é a divulgação de um ponto de partida, quem realmente faz acontecer são as pessoas. É por isso que o trabalho dos coolhunters (caçadores de tendências/novidades/ coisas legais) deve partir da procura por pessoas cool e só depois encontrar coisas cool. Mesmo com dificuldades para definir as tendências e enumerá-las, neste texto apresento alguns caminhos propostos pelo evento Senac Moda Informação e pela empresa WGSN para ajudar na escolha das possibilidades criativas para o outono/inverno 2012.

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Alta Burguesia: propõe um estilo rico e sofisticado, elegante e maduro. A burguesia dos anos 20, 30, 40, 50, 60 e 70 serve de inspiração para looks refinados de estilo aristocrático. Inspiração: Divas de Hollywood (Anjelica Huston, Rita Haywor th, Verônica Lake, Bette Davis); Casamentos reais; Exposição: “Os anos de Grace Kelly, Princesa de Mônaco”e “O discreto charme da burguesia”. Referências atuais: Gucci, Tommy Hilfinger, Donna Karan, Marc Jacobs, Marc by Marc, Ralph lauren, Vera Wang, John Galliano, Miu Miu, Valentino, Jean Paul Gautier, Hermés, Dior, Dsquared2, House of Holand. Cartela de cores: cores saturadas em harmonia com cores de pedras preciosas e metalizados.

tendência •

Atelier 60’s: Resgata o chique dos anos 60 junto ao uso da tecnologia. Linhas retas, recortes geométricos, blocos de cor. Inspiração: Cristóbal Balenciaga, Courréges, Pierre Cardin, Yves Saint Laurent e sua coleção Mondrian; era espacial; estilo Bauhaus. Referências atuais (desfiles): Prada, Blumarine, Bottega Veneta, Celine, Calvin Klein, Loewe, Burberry Prorsum. Cartela de cores: vivas e alegres em contraste com tons neutros. •

Charme masculino: Essa tendência que promete durar, representa uma neutralidade com base na androginia, minimalismo e em referencias masculinas. Releituras da estética grunge dos anos 90, punk-rock dos anos 80 e o power-dressing dos anos 80 e 90. Rockabillies e Teddy Boys dos anos 50 junto a ousadia das divas dos anos 30 e 40 como Marlene Dietrich. Referências militares e geeks. Inspiração: Idolos como: Boy George, Cyndi Lauper, Patti Smith, Grace Jones, Bianca Jagger; New age, grunge e punk-rock; uniformes militares; look executiva dos anos 90. Referências atuais: Paul Smith, Dolce&Gabbana, D&G, Missoni, Salvatore Ferragamo, Balmain, Max Mara, Janson Wu, Chanel, Louis Vuitton. Cartela de cores: cores conservadoras em tons de cinza, marinho e marrom, para um público mais jovem aposte nas cores vibrantes dos anos 80.

Artsy: Tem como foco a mistura de estilos inusitados, a regra é ousar, transgredir, experimentar. As referencias são muitas, cinema, fotografia, artes plásticas, circo, espetáculos, jogos eletrônicos, grafite, artesanato e muitos elementos étnicos. A existência dessa hipercultura promete oferecer às pessoas looks que parecem exclusivos com detalhes artísticos e artesanais. Inspiração: Exposições: “Alexander McQueen: Savage Beauty; Cirque Du Soleil; Alice no país das maravilhas; Salvador Dali; Irmãos Campana; Dita Von Teese; Lady Gaga; Isabela Blow; Ar te e Culturas diversas. Referências atuais: Balenciaga, Dries Van Noten, Comme des Garçons, Vivienne Westwood. Cartela de cores: tudo é possível, desde as cores primárias às mais artificiais, quase lisérgicas. •

Fetiche Dark: Abrange o estilo rebelde e melancólico. Se desdobra em pegadas góticas, vitorianas, barrocas, românticas, medievais, bizantinas e de punk-rock. Passando ainda pelo universo sobrenatural dos vampiros e nas previsões do apocalipse. Os looks possuem mistério e sensualidade. Inspiração: Filmes: temática vampiresca, Elizabeth: A era de ouro, O feitiço de Áquila,The Matrix Revolution; Patti Smith; Madame Grés; Daphne Guiness. Referências atuais: Haider Ackermann; Julien MacDonald, Mark Fast, Clements Ribeiro, Vera Wang, Viktor e Rolf, Gareth Pugh, Thierry Mugler, Emanuel Ungaro, Alexander McQueen. Cartela de cores: Muito preto, cores sóbrias e escuras com ênfase nos azuis e vinhos.


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Catwalk 5  
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Caderno do curso de moda - IFSC

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