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São Carlos, junho de 2009 Informativo no 11

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Editorial

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Comunicados

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Araucária

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Licenciamento, Arborização e Papel Reciclado

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Problemas Respiratórios

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Entrevista com Paulo Mancini

8e9

Ações do Projeto Água Quente

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Ações Ambientais para São Carlos

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Teia

12 e 13 Seção Escola 14

Educomunicação

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Divirta-se

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Prefeito Oswaldo Barba assina Projetos Ambientais para a cidade

Fala-Povo

Prefeito Oswaldo Barba assina projetos para melhoria do meio ambiente.

Durante os últimos meses, acompanhamos as propostas para a melhoria das questões ambientais em São Carlos. Recentemente, decisões importantes foram tomadas e projetos foram assinados pelo prefeito Oswaldo Barba. Essas ações e os projetos são de extrema importância para a cidade e sua população e, provavelmente, vão despertá-la para uma reflexão em relação a melhores atitudes com relação ao meio ambiente e à sociedade. Confira! (página 5).

Projeto Água Quente realiza II Fórum da Bacia Dando continuidade ao tema Espaços Verdes Públicos da Região do Córrego do Água Quente, trabalhado no I Fórum da Bacia, o evento contou com a participação de grupos e instituições locais e municipais. As discussões dos Grupos de Trabalhos, realizadas duran- Grupos de Trabalho durante o 2o Fórum. te o evento, vão contribuir para a elaboração da Carta da Bacia que será redigida juntamente com a Rede (página 8).

Saiba como construir seu próprio Aquecedor Solar! Ter um aquecedor solar em casa é a maneira mais simples de economizar dinheiro e energia. Para isso, a Teia – Casa de Criação preparou uma matéria que ensi-

na como você pode construir um aquecedor solar de baixo custo para sua família. Basta ter alguns materiais simples e seguir o passo-a-passo (página 11).


Boletim Água Quente no 11

Editorial

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décimo primeiro Boletim do Projeto Água Quente “sai do forno” no mês de comemoração das questões ambientais. Em junho comemora-se a Semana do Meio Ambiente e, com isso, esta edição aproveita para refletir um pouco sobre as políticas públicas socioambientais de São Carlos, saúde e educação

ambiental, apresentando também a importância e o significado da araucária em nossa região. Na Semana do Meio Ambiente, foram realizadas no município diversas ações de Educação Ambiental, grande parte delas com o envolvimento do Projeto Água Quente. É sobre isso que também escrevemos neste Boletim, com matérias que apresentam o II Fórum da Bacia (que debateu sobre os espaços verdes públicos),

PROJETO ÁGUA QUENTE Equipe Executora Coordenadores Renata Bovo Peres Thais Troncon Rosa

Parceiros Projeto Brotar Projeto CESCAR

Educadores Ana Laura Herrera Audrey Fernandes Cristiano Cunha Magaly Marques Sara Monise de Oliveira COMDEMA São Carlos Prefeitura Municipal de São Carlos

Patrocínio Petrobras Contatos Site do Projeto: http://aguaquente.teia.org.br e-mail do Projeto: aguaquente@teia.org.br

TEIA - Casa de Criação www.teia.org.br Fone/fax: (16) 3376-3110 Rua Rui Barbosa, 1950, Cep 13560-330 Vila Elizabete - São Carlos/SP

Organizações Participantes Grupo de Mães Aprendiz D. Rosa, Catequese Madre Cabrini, Coopercook, Cooperlimp, Coral Rosa Mística, CEMEI Octávio de Moura, Grupo de Coroinhas da Igreja São Francisco de Assis, Grupo de Oração da Capela Santa Luzia, Pastoral da Criança, Projeto Social Dona Marízia.

Boletim Água Quente Elaboração/textos: Ana Laura Herrera, Audrey Fernandes, Daniel Marostegan e Carneiro, Gabriel De Santis Feltran, Magaly Marques, Renata Bovo Peres e Sara Monise Oliveira. Edição: Audrey Fernandes e Renata Bovo Peres. Imagens: Audrey Fernande Produção gráfica e diagramação: Diagrama Editorial diagrama@diagramaeditorial.com.br Tiragem: 8.000 exemplares

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a Educomunicação e as oficinas realizadas pelos Agentes Comunitários no Parque do Bicão no Encontro de Educação Ambiental (EA 2009). Neste mês também comemoramos as Festas Juninas. Pensando nisso, preparamos uma matéria sobre folclore brasileiro. Como continuidade das ações em Rede, as escolas Natalino Deriggi e Janete Lia também permanecem firmes na elaboração de matérias, falando sobre “Paisagem Sonora da Escola” e “Comunidade de Aprendizagem”. Pen-

sando também em contribuirmos com medidas individuais para a redução do consumo energético, apresentamos o passo-a-passo da construção de um Aquecedor Solar de Baixo Custo. Esperamos, então, que todos aproveitem os conteúdos desta edição e continuem prestigiando este veículo de comunicação que visa à troca de opiniões e um olhar mais atento e crítico em relação ao contexto social em que vivemos. Boa leitura!

Reality show 24 de maio, seis e quarenta, estou no ônibus voltando de Sapopemba, vou até o Ibirapuera. Da janela um mar de autoconstrução. Me sinto assimilando um golpe. Bianca me contou a vida dela, reencontrei a Clarice e a Ivonete.“Foda-se a polícia” pichado no muro, uma pracinha, uma escola. “Paulo Fiorilo” pintado no muro. É um vereador do PT. Uma mulher com uma criança, um velho e um cachorro na laje. Um monte de grade com um carro dentro. Mais uma rua torta, o ônibus barulhento, mais uma estrela do PT no muro. Bianca cuida de três filhos e cinco irmãos mais novos, tem 23 anos. Contorno a favela do Jardim Elba. Sofreu abuso sexual, pelo padrasto, dos 13 aos 15 anos. A mãe a culpava. Um homem vendendo vassouras. Jeová, loja bíblica. Casa de Carnes Serena. Produtos de limpeza em garrafas PET e um bar de sinuca, intercalados por moradias cheias de grade. Mais uma mãe com a menina de mãos dadas. O filho da Ivonete se chama Vitor, tem doze anos, já repetiu duas séries, “tem vezes que tem aula uma vez por semana, só”. Favela, favela, e mais favela agora, do lado esquerdo

do ônibus. Logo um supermercado, referência no Parque Santa Madalena, o Nagumo. Centrinho comercial. O Vítor não sai com os tios que são “do crime”, “só com os trabalhadores”. Um fusca inteiro depenado. Mais fliperama e mesa de sinuca. Quatro adolescentes na esquina, um barzinho. Casas de frente pequena que têm até três andares. Clarice fez psicologia na PUC (Pontifícia Universidade Católica), contou apaixonada de um caso que ela atendia no CEDECA. Um menino de 18, viciado em crack, que estava jurado de morte, mas que até hoje não morreu. Mais uma mulher e uma criança no colo. Mais um ponto de ônibus e um anúncio de conserto de fogão, panela. Mais um escadão. Muita favela agora, bem consolidada, e mais dois meninos de bicicleta na esquina. Trabalhador chegando em casa, um orelhão na mercearia, posto de saúde. [diário de campo, ditado ao gravador] Esta coluna traz, a cada número do Boletim Água Quente, um trecho de narrativas contemporâneas das periferias das cidades obtidas por Gabriel de Santis Feltran, pesquisador em ciências sociais. Contato: gabrielfeltran@gmail.com


Junho de 2009

Comunicados Quadrilha, quentão e diversão! No mês de junho, as festas mais tradicionais são as juninas. Procure informações em seu bairro, descubra onde elas vão ocorrer e não deixe de prestigiá-las!

Vá ao Teatro! O Teatro Municipal de São Carlos oferece o projeto “Quartas Alternativas” com o objetivo de proporcionar intercâmbio entre os grupos de artes cênicas da cidade. Assim, ele vem incentivando a formação artística, possibilitando o diálogo entre algumas linguagens cênicas (dança, teatro, circo, música) e oferecendo espaço para a realização de experimentações. As apresentações são gratuitas!

Visite o Criasc! Cinema para todos Todos os meses acontecem exibições de cinema nos quatro cantos da cidade! Verifique a programação mais próxima de sua casa. Informações no site da Prefeitura Municipal: www.saocarlos.sp.gov.br

O Centro de Referência em Informação Ambiental de São Carlos (Criasc) será um local voltado para a difusão, organização e produção de informações ambientais. Seu objetivo é sensibilizar a comunidade para que ela se envolva nas tarefas de proteção e preservação dos recursos naturais e da qualidade ambiental. Quem passar pelo Criasc poderá obter informações sobre diversos temas ligados à questão ambiental. Mais informações na Coordenadoria de Meio Ambiente pelo telefone (16) 3371-7238. O Criasc fica na Praça Coronel Paulino Carlos, com entrada na Rua Dona Alexandrina, em frente à Catedral.

Mande um e-mail para o Projeto Água Quente! Mande sua opinião, dúvida ou sugestão.

E-mail: aguaquente@teia.org.br Acesse nosso site, sempre atualizado esperando por sua visita. Agentes Comunitárias do Projeto Água Quente.

Site: http://aguaquente.teia.org.br 3


Boletim Água Quente no 11

Araucária:

árvore símbolo de nossa cidade!

Araucária. Copa com formato de cálice.

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unho é o mês do frio, mas também das deliciosas e saborosas Festas Juninas, em que não faltam bebidas e alimentos energéticos e quentes, como o quentão, o vinho quente, a batata-doce, a pipoca, o amendoim torrado, a canjica e o bolo de fubá, entre outras tantas delícias. Humm... é de dar água na boca! Mas o que nunca falta também nessa deliciosa culinária típica é o pinhão. E você sabe de onde vem o pinhão?! O pinhão é a semente de uma árvore bem brasileira, o pinheiro brasileiro ou a Araucária Angustifolia. O pinhão tem elevado teor nutricional com polpa, formada de amido, rica em vitaminas do complexo B, cálcio, fósforo e proteínas. Seu aroma e sabor são únicos, podendo ser comido cru, assado ou cozido. Mas o preferido e mais apetitoso modo de experimentá-lo é o cozido que, com um pequeno segredo, fica no ponto ideal de degustação. Esse segredo está no tempo de cozimento, que é lento, para que a casca se abra. Algumas tribos indígenas brasileiras por muito tempo utiliza4

ram o pinhão como principal fonte de alimentação e, assim, alguns índios acabavam atuando como propagadores ou disseminadores das florestas de pinheiros. Antigamente, São Carlos chamava-se São Carlos do Pinhal por causa da grande quantidade de espécies que existiam na região. Contudo, com o desenvolvimento, poucas árvores ainda restam no município e um grande esforço de vários setores da sociedade vem sendo realizado para aumentar sua “população” de araucárias. Durante a Festa do Clima, realizada todos os anos no mês de maio na cidade, comemora-se o Dia Municipal da Araucária.

A árvore A araucária é uma árvore nativa, de grande porte, com copa em formato de cálice, atinge cerca de 50 m de altura, o tronco pode medir até 8,5 m de circunferência e é uma espécie resistente; tolera até mesmo incêndios rasos devido a sua casca grossa que age como isolante térmico. Cresce em solo

Araucária plantada pelos Agentes Comunitários do Projeto Água Quente na Área de Intervenção Direta durante o Plantio Agroflorestal. Detalhe: semente da Araucária (Pinhão).

fértil, em altitudes superiores a 500 m e atinge bom desenvolvimento em 50 anos. É mais fácil encontrá-la no sul do Brasil, como no Rio Grande do Sul, Santa Catariana e Paraná, mas a encontramos também, em pouca quantidade, em outros estados, como Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. Devido a sua variedade de espécies, 19, é possível encontrá-la em outros países, como Austrália, Chile e Argentina.

A semente e a reprodução A araucária é uma espécie de Giminosperma, tipo de planta que possui flores rudimentares (estróbilos) e sementes (pinhão), mas não possui frutos. Nessa espécie de pinheiro, existem as árvores femininas e masculinas. O pólen, que é produzido pelos estróbilos da árvore masculina, chega até os estróbilos da árvore feminina (pinha) pelo vento, e, com a fecundação, em cada pinha podem se formar até cerca de 100 pinhões.

Sua capacidade de germinação chega até 90% em pinhões recémcolhidos. O estágio mais delicado do pinhão é quando ele começa a germinar, aparecendo um pequenino grelo verde em uma extremidade.

Curiosidades Muito curiosa é a relação de aves e animais com a araucária. Além de servirem para a alimentação do ser humano, aves e animais selvagens também comem o pinhão. A gralha-azul utiliza a araucária para construir seu ninho e esconde seu alimento no oco dessas árvores. O macaco bugio é capaz de debulhar cuidadosamente as pinhas que guardam os pinhões, e o que sobra é aproveitado por besouros, formigas e uma infinidade de insetos. Esquilos carregam sementes, plantando-as sem querer com a intenção de ter uma reserva de alimento para mais tarde. Voltando depois ao lugar onde as deixaram, acabam ajudando a espécie a se multiplicar.


Junho de 2009

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Medidas verdes urgentes!!

o dia 5 de junho, durante a inauguração do Centro de Referência em Informação Ambiental de São Carlos (Criasc), que tem como principal propósito ser utilizado como um instrumento de Educação Ambiental, o prefeito da cidade, Oswaldo Barba, apresentou algumas medidas que serão adotadas para a melhoria das questões ambientais da cidade de São Carlos. Dentre elas, o projeto de convênio com a Cetesb para a desburocratização no fornecimento de licenças ambientais, o uso de papel reciclável pelos órgãos da Prefeitura e o plano de arborização urbana. O prefeito assinou os três projetos acima como medidas a serem adotadas pela administração. A primeira dessas medidas refere-se ao envio de um projeto de lei para a efetivação de um convênio entre município, Cetesb e Secretaria Estadual de Meio Ambiente. A finalidade é agilizar o licenciamento ambiental, que tenha apenas impacto local, sendo realizado pelo próprio município. Dessa forma, as licenças serão estudadas no próprio município e sairão mais rapidamente. Outra medida é a substituição do papel virgem, fei-

to diretamente a partir de celulose extraída de madeira, por papel reciclado, feito a partir de papéis usados pelas repartições públicas do município. Por último, o prefeito assinou o Plano de Arborização Urbana, que já vem sendo discutido na cidade durante as reuniões da Câmara Técnica de Vegetação e Solo, no Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente (Comdema). O Comdema elaborará um Decreto Municipal que cria o Plano Municipal de Arborização Urbana, estabelecendo princípios, objetivos e normas para um sistema de arborização urbana que garanta uma relação saudável com os cidadãos e com a arquitetura da cidade, bem como para um melhor desenvolvimento e florescimento das árvores na cidade de São Carlos. Hoje, São Carlos possui cerca de 50 mil árvores plantadas na área urbana e o atual prefeito tem a intenção de dobrar esse número durante sua gestão. O próprio Criasc contribuirá com essa medida repassando informações essenciais sobre o plantio de árvores, quais as espécies mais adequadas para cada região, cada local da cidade, e muitas outras informações relevantes para o êxito desse Plano.

Plantio Urbano realizado pelo Projeto Água Quente em 2008.

Prefeito Oswaldo Barba assina Projetos diante da multidão.

Plante uma árvore em sua calçada! Um amigo fiel da arborização urbana é a educação ambiental que tem o intuito, neste caso, de promover a sensibilização e o envolvimento da população, não só para a aquisição e o plantio de mudas, mas para a mudança de valores. O índice de depredação das árvores e plantas na cidade ainda é grande, assim como a ideia errônea de que as folhas de uma árvore sujam a calçada, e, por isso, não vale a pena ter uma árvore plantada na calçada em frente de casa. A ONG Ramudá, realizadora do Projeto Rua Viva na cidade, projeto de arborização urbana em calçadas, convida a população a plantar árvores em frente de suas casas, desenvolvendo, assim, um trabalho a partir da educação ambiental. O Projeto Água Quente realizou em 2008 seu I Plantio Urbano nas ruas da Bacia do Água Quente. Para quem deseja ter uma árvore plantada em sua calçada, pode ainda contar com o IPTU Verde, que concede descontos para quem possui árvores plantadas em frente de sua residência e em área permeável no imóvel. Quem quiser mais informações sobre o IPTU Verde, pode buscar no SIM – Serviços Integrados do Município. 5


Boletim Água Quente no 11

O ar que respiramos Um dos sintomas da rinite alérgica: espirro.

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cada estação do ano passamos por uma experiência diferente: verão, calor que refresca com sorvete; primavera, flores colorindo jardins; outono, brisa fresca tocando a “pontinha” do nariz; e inverno... Ah, o inverno! Frio e vontade de ficar em casa tomando chocolate quente! Mas é durante o inverno que aumenta, consideravelmente, o número de pessoas com problemas respiratórios, elevando-se a incidência de resfriados, gripes, infecções e alergias respiratórias devido às baixas temperaturas. Isso se deve, na maioria dos casos, ao tempo seco e frio, aliado à poluição ambiental, que contribui para que as pessoas fiquem em locais fechados e pouco arejados – propícios para a proliferação de

bactérias, fungos etc. Em alguns locais, como na Bacia do Água Quente, geralmente, é uma época em que acontecem muitas queimadas – muitas pessoas colocam fogo em mato, madeiras e outras coisas com a intenção de “limpar” o terreno –; isso também contribui para a poluição ambiental. Asma e rinite tornam-se mais frequentes e intensas nas pessoas. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), existem cerca de 15 milhões de pessoas com asma no mundo. Cerca de 30% da população brasileira sofre de rinite alérgica; o número de pessoas que sofrem com infecções respiratórias é ainda maior! Sintomas como narinas irritadas, sensação de ressecamento nasal e até sangramento do nariz podem piorar os problemas respiratórios, especialmente de quem possui histórico de rinite alérgica.

A mucosa do nariz tem de estar hidratada para que a função de filtrar o ar que entra no organismo aconteça com eficácia. O ressecamento nasal, por exemplo, reduz a força dos anticorpos e das proteínas antimicrobianas presentes no muco nasal, fazendo com que o sistema respiratório fique mais exposto aos componentes tóxicos ou irritantes presentes no ar, como fumaça de automóveis e cigarros, aos microrganismos, como bactérias, e mais exposto também à agressividade do ar condicionado e do clima seco e/ou frio. A asma manifesta-se nos pulmões e a rinite, no nariz. A rinite é um processo inflamatório crônico nas mucosas que recobrem as cavidades nasais e/ou brônquios. A maioria dos pacientes apresenta os sintomas na infância com melhora ao longo dos anos, porém os sintomas podem aparecer em qualquer faixa etária. São doenças crônicas, mas, quando

tratadas adequadamente, podem ser controladas, permitindo que o paciente tenha uma excelente qualidade de vida. O sistema respiratório é constituído pelos seguintes órgãos: nariz (responsável por captar, filtrar e umedecer o ar inspirado), faringe (o ar segue por ela, após passar pelo nariz), laringe (retém as partículas de pó que conseguiram passar pela filtragem do nariz), traqueia (leva o oxigênio para os brônquios), brônquios (dois dutos curtos que entram nos pulmões e, dentro deles, dividem-se várias vezes até ficarem microscópicos, quando serão chamados de bronquíolos) e, finalmente, os pulmões (onde ocorre a troca de gases). O sistema respiratório tem como principal função realizar a troca gasosa, ou seja, levar oxigênio (O2) às células e eliminar o dióxido de carbono (CO2), que tem efeito tóxico em nosso corpo, produzido por elas.

Dicas para prevenir os problemas respiratórios • Realizar limpeza nasal, recomendada para manter as vias aéreas livres de impurezas, cerca de quatro vezes ao dia com solução fisiológica. Deve ser feita, principalmente, por pessoas expostas ao ar condicionado. • Limpar e arejar a casa. Evitar uso de tapetes, carpetes e bichos de pelúcia, que são os locais mais procurados para o alojamento de ácaros e poeira. • Lavar as roupas de cama semanalmente. • Plantas e animais domésticos devem ficar fora de casa. • Praticar atividades físicas aeróbicas que ajudam a melhorar o funcionamento do sistema cardiorrespiratório. • Ingerir bastante água. Alguns casos necessitam de remédios.

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Junho de 2009

Entrevistando

Paulo Mancini

Coordenadoria de Meio Ambiente da Prefeitura Municipal de São Carlos

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os últimos anos, assim como no Projeto Água Quente, várias organizações vêm investindo em ações ambientais na cidade de São Carlos. Porém, ainda é pouco. Com a mudança da gestão municipal, fomos atrás de informações para sabermos o que vinha acontecendo nos últimos anos e o que está por vir na questão ambiental da cidade. Uma das mudanças foi que, até 2008, as questões ambientais eram tratadas pelo Departamento de Política Ambiental, vinculado à Secretaria Municipal de Desenvolvimento Sustentável, Ciência e Tecnologia. Agora, esse Departamento ganhou autonomia, sendo reconhecido como Coordenadoria de Meio Ambiente. Batemos um papo com o Coordenador de Meio Ambiente, Paulo José Penalva Mancini, ambientalista “de carteirinha”, que nos recebeu em sua sala oferecendo-nos um chá. É impossível encontrá-lo e não saber mais algum caso inusitado da história de São Carlos.

Boletim Água Quente (BAQ): Paulo, o que mudou com a criação da Coordenadoria de Meio Ambiente na nova gestão pública? Paulo Mancini (PM): Fundamentalmente, antes a estrutura ambiental do município estava subordinada a uma Secretaria. Então, o órgão ambiental respondia a um secretário. Hoje a gente responde direto para o prefeito. O responsável pelo meio ambiente participa de todas as reuniões do primeiro escalão da Prefeitura. Potencializa as ações do órgão ambiental, porque tem uma articulação direta com o prefeito e todos os secretários. A função é coordenar as ações ambientais de diferentes segmentos do governo e nas diferentes Secretarias. BAQ: Quanto ao Parque Florestal Urbano, proposta criada pelo Plano Diretor, existe alguma ação para implementação nesta gestão? PM: Nas reuniões de planeja-

Paulo Mancini durante apresentação no 1o Fórum da Bacia.

mento estratégico, ele apareceu como um programa de governo, e o que a gente sente é que, se não conseguirmos elaborar um projeto e obter alguns recursos externos para dar um “start”... vai ficar muito difícil! Os recursos para investimentos são escassos; a gente vê nas reuniões do Orçamento Participativo (OP) que ­precisaríamos de duas vezes mais o valor que se tem disponível para atender às demandas que aparecem no dia-adia da prefeitura. Eu acho que, se conseguirmos elaborar um projeto que receba algum financiamento, vai dar para implementá-lo. Precisamos de um detalhamento, um estudo maior sobre a área para podermos começar. BAQ: Conte-nos um pouco sobre o Projeto recém-inaugurado do Centro de Referência em Informações Ambientais, que vai ser uma base física para utilização de toda a praça como instrumento de Educação Ambiental para a cidade.

PM: O quiosque que existe ali na praça já foi bar, livraria, sede da Apasc e até um depósito de vassouras. Por último, foi o Posto de Informações Turísticas (PIT), e o pessoal do turismo fez uma avaliação e viu que as pessoas acabavam indo diretamente até o escritório deles para buscar informações. Em 93, 94, eu fiz um projeto e pensei na criação da Rede de Educação Ambiental (REA) e em um centro de referência para informações ambientais. Então, agora vamos “abraçar a idéia”. Ali está o “coração histórico” de São Carlos, é uma das áreas verdes urbanas mais densas que a gente tem e também uma área de grande circulação de pessoas. Temos a Sala Verde, a Secretaria de Educação, a Biblioteca... É natural usar a praça como um elemento de educação, identificando árvores, contando histórias das casas ao redor dela e das pessoas que nelas moraram e ajudaram na construção de São Carlos.

Pé de Livro: homenagem ao cientista e professor, Samuel Murgel Branco.

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Boletim Água Quente no 11

II Fórum Água Quente Ampliando canais de participação e espaços de representação

Grupo de Danças Brasileiras Girofulô, convidandos todos para dançar.

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om o principal objetivo de continuar ampliando os canais de participação e os espaços de representação dos interesses da comunidade moradora da Bacia do Córrego do Água Quente, em um sábado, dia 30 de maio, o Projeto Água Quente realizou o II Fórum da Bacia no Centro da Juventude Elaine Viviane (Jardim Monte Carlo). O II Fórum foi mais uma ação de mobilização comunitária com a proposta de discutir o tema Espaços Verdes Públicos da Região do Córrego do Água Quente. De forma específica, o evento, que contou com a participação de diversos grupos e parceiros municipais e locais, procurou aprofundar uma discussão iniciada no I Fórum, realizado em novembro de 2008, sobre a importância dos espaços verdes na cidade, sua realidade e suas características nos bairros da Bacia, com o intuito de levantar diretrizes para a elaboração da Carta da Bacia. Esse documento será redigido pela Rede de grupos e organizações que vêm 8

trabalhando em ações conjuntas com o Projeto Água Quente e deverá explicitar responsabilidades e comprometimentos em relação às possíveis ações futuras de requalificação desses espaços e também de Gestão Integrada da Bacia. As atividades do dia iniciaram-se com a apresentação geral do Projeto pelas coordenadoras Renata Peres e Thaís Rosa e com o depoimento de Israel Almeida, integrante do Núcleo de Incentivo à Cultura e ao Conhecimento (NICC) e participante da Rede, que falou sobre a relevância do trabalho conjunto e da soma de esforços para a continuidade das ações. Em seguida, para fomentar a discussão sobre os espaços verdes, a professora Luciana Schenk, da USP/São Carlos, que já havia dado sua contribuição no I Fórum, levantou algumas questões sobre o tema, tais como a importância da qualificação e da manutenção dos espaços, as diferenças que apresentam entre si e suas aptidões de uso. Logo depois, foi apresentado um ví-

Apresentações realizadas pelos participantes.

deo com imagens de alguns espaços verdes públicos da Bacia, selecionados pela Rede por seu potencial de uso nos bairros em que estão localizados. Para prosseguir a discussão, os participantes dividiram-se em Grupos de Trabalho (GTs), separados por regiões da Bacia: Região Cidade Aracy 2 e Antenor Garcia, Região Cidade Aracy 1 e Presidente Collor, Região Cruzeiro do Sul e Pacaembu, e Região Gonzaga e Monte Carlo. O objetivo dos GTs foi analisar e discutir as características dos espaços verdes das quatro regiões apresentadas no vídeo em relação aos seguintes pontos: função socioeducativa, uso e acessibilidade física e social, localização, manutenção e conservação e função ecológica. Após a rica discussão realizada pelos GTs, todos os participantes reuniram-se novamente para apresentar as reflexões e os questionamentos levantados, procurando já construir possíveis propostas para os espaços analisados e também, de forma

mais ampla, para a Bacia como um todo, constituindo uma ferramenta importante para a elaboração da Carta da Bacia, que deverá começar a ser redigida na próxima atividade que o Projeto realizará em conjunto com a Rede, no mês de junho. Para finalizar, houve a apresentação do Grupo de Danças Brasileiras Girafulô, animando a todos após um dia de intensos trabalhos. De maneira geral, pode-se dizer que o debate realizado foi de extrema relevância para que todos pudessem ter uma compreeensão melhor do ambiente da Bacia e refletir sobre seus potenciais e suas carências, levantando propostas conjuntas para a área. Nesse sentido, o Projeto Água Quente acredita que o horizonte da Gestão Integrada da Bacia, entendida como um trabalho conjunto entre setores e moradores da região, por meio de ações educativas, de mobilização e recuperação ambiental, fortaleceuse após o Fórum, reafirmando a autonomia da Rede em relação à continuidade dessas ações.


Junho de 2009

Agentes do Projeto Água Quente oferecem oficina durante o Encontro de Educação Ambiental (EA 2009)

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Produção de Fanzine durante a Oficina.

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o dia 6 de junho, as Agentes Comunitárias do Projeto Água Quente, Benedita Rosa Brito, Elza dos Santos, Leonilda Maria Squarzini, Luzia Gabriel, Neide Aparecida Soriano e Sônia Maria Ferreira de Paula ofereceram uma Oficina de Fanzine na Praça do Bicão. A Oficina envolveu pessoas na apresentação da idéia e explicação de como se pode elaborar uma ferramenta de comunicação de baixo custo. As Agentes fizeram uma breve apresentação do Projeto Água Quente e da Comunicação Comunitária (um dos eixos do Projeto) e, posteriormente, convidaram as pessoas presentes a “criarem” um fanzine em relação ao trabalho desenvolvido durante a Semana do Meio Ambiente. A Oficina fez parte das atividades oferecidas durante o Encontro de Educação Ambiental – EA 2009, realizado em São Carlos, nos dias 4, 5 e 6 de junho. O Encontro teve como tema “Educação

Ambiental e Mobilização Social – contribuindo para a construção do Plano Municipal de Saneamento Ambiental”. Realizado pela Rede de Educação Ambiental (REA) e o Coletivo Educador de São Carlos (Cescar), de Araraquara, Jaboticabal e região, o Encontro teve as atividades iniciadas no dia 4, no Sesc São Carlos, oferecendo ao público exposição de painéis, rodas de conversa, apresentação de vídeos temáticos, oficinas de horta suspensa, compostagem e gincana do lixo. No sábado, dia 6, na Praça do Bicão, foram organizadas atividades pelos alunos e professores da Aciepe de Educação Ambiental, oferecida pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Além da Oficina de fanzine, foram oferecidas oficinas de brinquedos com garrafas PET, reciclagem de papel, exposições, plantio de árvores, apresentações de peças teatrais, entre outras atividades.

Você também viu o Projeto Água Quente por aí?!

os últimos meses, mais uma vez, o Projeto Água Quente esteve presente em vários meios de comunicação. Participou do Programa Convida, Somatória e de um bate-papo ao vivo com as Agentes Comunitárias na Rádio Comunitária UFSCar; foi matéria no jornal Primeira Página, foi entrevistado para a revista Circulô e ainda teve matérias divulgadas na revista Educação Ambiental em Ação, Revista do Meio Ambiente, Portal Ambiente Brasil, Revista do DAE, e não pretende parar por aí!! Agora, para o mês de junho, a Coordenação e os Educadores do Projeto estão preparando o lançamento de dois materiais.

Um deles, a publicação Requalificação Socioambiental em Bacias Hidrográficas Urbanas: a experiência do Projeto Água Quente, São Carlos (SP) relata experiências do Projeto Água Quente nas áreas de requalificação socioambiental, gestão de recursos naturais, educação ambiental, mobilização social e comunicação comunitária, além de reflexões trazidas por convidados externos. O outro material é o Caderno de Atividades, elaborado juntamente com as Agentes Comunitárias. O material visa contribuir para a elaboração de atividades, como dinâmicas, oficinas, visitas etc. pelas Agentes.

Agentes Comunitários participam de Bate Papo na Rádio UFSCar.

Mais informações pelo telefone (16) 3376-3110 ou pelo e-mail: aguaquente@teia.org.br. 9


Boletim Água Quente no 11

Educomunicação:

educando pela Comunicação S

entada em frente ao computador, penso em como escrever este texto de maneira que o leitor, você aí, sinta-se, de alguma forma, apropriado pelo que ele representa. O que interessa nele não é o número de pessoas que irá lê-lo; o que interessa, de fato, é a curiosidade que irá despertar o assunto em você. Quantas pessoas moram com você? Quantos interferem diretamente em sua vida? Um filho, uma irmã, um padrasto... Esqueceu de contar a TV e o rádio, não?! A TV e o rádio são parte de nossas famílias, contam-nos histórias e estórias, fazem a gente sonhar, chorar, mas fazem pensar?! Cada dia, a comunicação torna-se mais presente em nossas vidas. O rádio, a televisão, a grande mídia do nosso país, fazem parte do nosso meio ambiente, em casa, no carro, no trabalho... Podemos dizer que estão tão presentes que já fazem parte de nossa família. Mas será que esses meios de comunicação, esses fazedores de opinião, realmente nos mantêm informados?! Que tipo de informação querem nos “vender”?! Até onde somos influenciados por eles?! No modo de nos vestir, ídolos que admiramos, comportamentos que imitamos... Eles também são os ensinadores ou educadores que todos temos dentro de casa. 10

Neste interim, a educação pela comunicação torna-se mais do que importante!! Afinal, se a comunicação é tão presente na vida das crianças, jovens e adultos, por que não usá-la a favor do saber?! Do conhecer?! Do aprender e do educar?! Não seria essa uma das formas de se fazer comunicação, mas a única forma, não?! Educomunicação?! Uma palavra nova, formada da fusão entre as palavras Educação e Comunicação, que começa a fazer parte do nosso cotidiano. A Educomunicação tem como principal objetivo o empoderamento das pessoas e da comunidade. Estimulando a criatividade, a construção de opiniões críticas em relação ao contexto social em que vivemos e o enraizamento da cidadania, a Educomunicação, que ainda é desenvolvida, na maioria das vezes, somente nas salas de aula, contribui para que todos sejam capazes de fazer comunicação e de ser mais críticos em relação à mídia, distinguindo o que é bom ou ruim, levando em conta a sua realidade e a da comunidade onde está inserido. Os meios de comunicação, entre outras ferramentas, devem se tornar produções educomunicativas: televisão, rádio, jornal, revista, jornal-mural, jornal da escola, fanzines, vídeos, blogs,

entre outros. Basta sabermos usá-los, sabermos como inserilos de acordo com a realidade

dos futuros educomunicadores, que podem ser qualquer um, inclusive nós.

Uma experiência Educomunicativa em São Carlos A Ramudá, ONG atuante na cidade de São Carlos desde 2001, realizou uma cobertura (jornalística) Educomunicativa durante o Encontro de Educação Ambiental em 2009. Os educomunicadores – profissionais das áreas de Comunicação e Educação Ambiental – capacitaram alunos do curso e colégio Caaso, por meio de oficinas educomunicativas, para promoverem a educação pela comunicação. Dessa maneira, esses alunos realizaram uma educobertura jornalística, por meio da

Alunas entrevistam Paulo Mancini

Educomunicação, e ainda aprenderam sobre a disseminação da informação, a democratização da comunicação e o aprimoramento de suas ferramentas. Os alunos, no papel de ecojornalistas, produziram textos, entrevistas, programas de áudio e vídeo. Quem quiser saber mais sobre o Projeto Educação pela Comunicação e acompanhar o material produzido pelos jovens, pode acessar o blog: www.educarcomunicando.blogspot. com


Junho de 2009

Economize dinheiro e contribua para a diminuição no gasto de energia!! Monte seu próprio Aquecedor Solar de Baixo Custo (ASBC)

Veja como é fácil montar um coletor solar de baixo custo! Os coletores solares ASBC são fabricados com placas de forro de PVC. 1º Marque em um tubo de PVC marrom de 70 cm uma área de 61 cm de comprimento por 1,1 cm de largura. Centralize a área marcada de forma que as pontas do tubo fiquem com 4,5 cm de comprimento cada. 2º Faça um rasgo interno à área demarcada para a introdução da serra de extremidade livre. Esse rasgo pode ser feito com o auxílio de uma furadeira com broca de 3 mm. Caso use um ferro de solda para fazer o início desse rasgo, não respire a fumaça do tubo de PVC (ela é tóxica!). 3º Introduza a ponta da lâmina da serra e inicie o corte. Nas pontas do rasgo, faça, cuidadosamente, um corte transversal para poder retirar a tira de PVC.

4º Uma vez realizados os dois cortes e retirada a tira, dê acabamento com a lixa nas superfícies cortadas e arredonde, com lima redonda, as extremidades do rasgo. Em seguida, limpe com álcool. 5º Lixe as extremidades da placa e encaixe 1 cm de placa no rasgo de cada tubo. Limpe com um pano embebido em álcool todas as superfícies que serão coladas.

7º Utilizando a espátula, passe adesivo nas duas linhas ao longo dos 2 contatos tubos/placa do lado superior do coletor. No dia seguinte, vire o conjunto tubos/ placa e repita a operação de colagem no outro lado. 8º Teste de vazamento: Conecte um tubo de 3 m de comprimento na vertical (altura ideal). Complete com água e, por 15 minutos, observe se não há vazamento nas regiões que foram coladas. Se houver, reforce o adesivo nos locais observados e refaça o teste. 9º Após 24 horas e após o teste de vazamento, lixe levemente uma das faces do coletor e limpe com pano e álcool. Pinte a face com esmalte sintético, preto, fosco, usando pincel ou rolo, inclusive sobre a área da colagem e a parte superior dos tubos. Use a fita crepe nos tubos para um acabamento limpo; deixe sem tinta apenas 3 cm das pontas dos tubos para futuro encaixe dos componentes de PVC.

*Informações extraídas do Manual de Instrução de Manufatura e Instalação Experimental do Aquecedor Solar de Baixo Custo ASBC – Elaborado por Sociedade do Sol (SoSol).

Agora que você já montou seu coletor, só falta montar seu reservatório, o que pode ser feito utilizando sua própria caixa d’água! Para saber mais, acesse: www.sociedadedosol.org.br.

6º Prepare uma quantidade adequada de adesivo bicomponente – o adesivo pode ser araldite misturado com talco mineral –, permitindo que o adesivo torne-se pastoso. 11


Boletim Água Quente no 11

Seção Escola A paisagem sonora da escola* Olá!

Nós, na aula de Artes, aqui no Deriggi, resolvemos parar para prestar atenção à paisagem sonora da escola. Mas o que é isso?! Paisagem sonora?! Quando imaginamos uma paisagem, nos vêm à cabeça imagens como: montanhas, campos floridos, cachoeiras etc. Esse é um exemplo de paisagem visual. E uma paisagem sonora, o que seria?! Paisagem sonora é a paisagem que percebemos por

meio do sentido da audição, ou seja, são os sons que percebemos em um determinado ambiente. Os alunos da 6ª C realizaram algumas atividades com o tema “A paisagem sonora da escola”! Em primeiro lugar, jogamos um “bingo dos sons do ambiente” (confiram na foto). Nesse jogo, escutamos alguns exemplos de sons que fazem parte de nossa vida, como sons de telefone, desperta-

Alunos durante a construção do trabalho sobre Paisagem Sonora.

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dor, avião, tosse, espirro, ronco, descarga, grito, entre outros. Os alunos dividiram-se em grupos de 3 ou 4 integrantes, e cada grupo recebeu uma cartela contendo alguns desenhos de objetos ou pessoas que emitem certos sons. O “cantador” (pessoa que sorteia as pedras) controlava um CD com os sons que eram sorteados. Cada grupo tinha que marcar, com um grão de milho, os sons sorteados que possuía em sua cartela. O grupo que primeiro completasse sua cartela deveria gritar: BINGO! Depois desse jogo divertido, a tarefa foi a seguinte: escrever, durante três minutos cronometrados pela professora, todos os sons que percebemos, que vinham de dentro e de fora da sala de aula: portas batendo, barulho do ventilador, respiração dos colegas, passos, crianças gritando e correndo

Trabalho sobre Paisagem Sonora.

na aula de Educação Física, tosse, barulho de folhas de caderno etc. Foi uma lista imensa de sons! Para terminar, cada grupo tentou desenhar, em uma cartolina, a “Paisagem Sonora da Escola”. Mas o desafio era desenhar os sons, e não o objeto que emite os sons. “Mas como isso é possível se não vemos os sons?!”, perguntavam, inquietos, alguns alunos. Bom, aí a criatividade entrou no desafio e ficou à solta! Convidamos vocês também a prestarem atenção aos sons do ambiente e a perceberem o quanto a paisagem sonora do nosso bairro é rica e diversificada! Boa audição! *Texto produzido pela professora de Artes Flávia Costa Prazeres, da Escola Natalino Deriggi.


Junho de 2009

Seção Escola Comunidade de Aprendizagem Janete Lia

A

Emeb Professora Janete Maria Martinelli Lia é uma “Comunidade de Aprendizagem” e, com a ajuda e a participação de voluntários (as), tem oferecido cursos de inglês e biscuit para a comunidade da escola. São dois sonhos antigos de familiares, de estudantes e pessoas do bairro que estão sendo realizados. E a participação não tem sido pequena! A formação de familiares é uma ideia central nas Comunidades de Aprendizagem, uma vez que contribui não só para as transformações sociais e econômicas das famílias e do bairro como também reflete diretamente na aprendizagem de jovens e crianças que estudam na escola. O aluno Rogério de Castro, morador do Jardim Monte Carlo, sobre as aulas, diz: “É um curso excelente! É uma oportunidade única para as pes-

“Realizando sonhos”

Voluntário Fernando ministrando aula de inglês para a comunidade.

Ajude a realizar outros sonhos! Seja você também um (a) voluntário (a)!!

soas de baixa renda. É uma pena que poucos acreditam que é possível aprender quando é de graça. Só basta o esforço de cada um e a vontade”. Vale lembrar que a Comunidade de Aprendizagem Janete Lia realiza outras atividades para a potencialização da aprendizagem também com as crianças que estudam na escola e, para isso, conta com a participação de muitas pessoas voluntárias, seja para estar na biblioteca, auxiliando os estudantes em suas tarefas, seja para atuar na sala de aula, em grupos interativos, ou mesmo para apoiar professores (as). Quem tiver interesse e puder contribuir com a escola, pode ser um (a) voluntário/a. Basta procurar a escola e falar com as coordenadoras Danielle ou Juliana. O telefone é o 16 3375-2626.

Voluntária Stela com suas alunas no curso de biscuit.

*Texto produzido pelas professoras da Escola Janete Lia. 13


Boletim Água Quente no 11

Folclore: mitos e lendas nos quatro cantos do país!

Saci Pererê, um dos principais personagens do folclore brasileiro.

Q

uem nunca ouviu falar do Saci Pererê?! Este, assim como outros tantos personagens, faz parte do folclore brasileiro que, em poucas palavras, é a reunião de mitos e lendas que ouvimos desde crianças, nascidos da imaginação do povo. Muitas das histórias foram criadas para passar mensagens importantes ou para assustar as pessoas.

O Dia do Folclore, comemorado no dia 22 de agosto, existe no Brasil desde meados do século XIX, e é utilizado como instrumento de educação nas escolas, protegido por lei e considerado bem do patrimônio histórico e cultural do país. Segundo a Unesco, o que determina se um fato é folclórico são suas características, ou seja, deve ter tradicionalidade, dinamicidade, funcionalidade e aceitação coletiva. A origem de algumas festas populares pode ser explicada por mitos e lendas. Lendas são estórias contadas por pessoas e transmitidas oralmente através dos tempos. Misturam fatos reais e históricos com acontecimentos que são frutos da fantasia. Mitos são narrativas com forte componente simbólico. Como os povos da antiguidade não conseguiam explicar os fenômenos da natureza, por meio de explicações científicas, criavam mitos com este objetivo: dar sentido às coisas do mundo.

Os mitos também serviam como uma forma de passar conhecimentos e alertar as pessoas sobre perigos ou defeitos e qualidades do ser humano. Deuses, heróis e personagens sobrenaturais misturam-se com fatos da realidade para dar sentido à vida e ao mundo. Fazem parte também do folclore danças, festas, linguagens, músicas, usos, costumes, entre outros. Saiba mais um pouquinho... Música folclórica: caracterizase pela simplicidade, monotonia e lentidão. Aparece em brincadeiras infantis (ex: cantigas de roda), cantos religiosos (ladainhas), ritos, danças e festas, acalantos, modinhas, cantigas de trabalho, serenatas e cantos de velório. Danças e festas: as danças acompanham as músicas em vários rituais folclóricos. Uma das festas mais conhecidas é a festa junina. Linguagem: as manifestações folclóricas que apareceram na linguagem popular são conheci-

das como: adivinhações, parlendas, provérbios (Ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão), quadrinhas, piadas, literatura de cordel, frases prontas e de párachoque de caminhões, trava–língua etc. Usos e costumes: nos usos e costumes aparecem a alimentação, o cultivo de plantas, ervas etc., o vestuário, o comportamento, entre outros, de um povo de uma região. Brinquedos e brincadeiras: os brinquedos são artefatos para serem utilizados sozinhos, como boneca de pano, estilingue, chincha, pião etc. E as brincadeiras envolvem disputa de algum tipo, como pega-pega, bolinha de gude, amarelinha etc. Crenças e superstições: sabença; superstição e crendices. Arte e artesanato: vai desde a culinária até o artesanato propriamente dito. Na maioria das vezes, o artesanato utiliza materiais como madeira, ossos, tecido, pedras etc.

Algumas lendas, mitos e contos folclóricos brasileiros

Alguns dos Personagens do Folclore Brasileiro. Imagem: Wellington Marx http://wwmarx.blogspot.com/

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• Boitatá, a cobra de fogo que protege as matas e os animais. • Boto, o homem jovem, bonito e charmoso que encanta mulheres em bailes e festas, leva-as para a beira do rio, engravida-as e depois mergulha nas águas do rio para transformar-se em um boto. • Caipora, o pequeno índio de pele escura, ágil, nu, que fuma cachimbo e gosta de cachaça. • Cuca, uma velha feia, na forma de jacaré, que rouba crianças desobedientes. • Saci Pererê, o mais conhecido e mais sapeca dos personagens do folclore brasileiro, que foi “imortalizado”, assim como outros personagens, pelo escritor Monteiro Lobato por meio de sua obra “O sítio do picapau amarelo”. O Saci é um menino negro, de uma perna só, com cachimbo e um gorro vermelho que lhe dá poderes mágicos. Apronta travessuras e diverte-se com isso. Adora espantar cavalos e queimar comida. Botucatu, cidade do interior paulista, é a “casa” do Saci. Os moradores dizem a todos os visitantes da cidade que já o viram e criaram até mesmo a Associação Nacional de Criadores de Saci, fazendo com que Botucatu seja conhecida como a “Capital Nacional do Saci”. A Cuca também aparece nas histórias da turma do Sítio do picapau amarelo e está sempre aterrorizando Narizinho e Pedrinho, netos de Dona Benta.


E S ! A T DIVIR

Termine a Fogueira e pinte bem colorido o seu arraial

Brincando de Trava Línguas

Trava Línguas é uma brincadeira que faz parte do Folclore Brasileiro, é um desafio de pronúncia. Chame seus amigos para brincarem. Um escolhe uma frase e pede para o outro falar, a frase deve ter sílabas parecidas e devem ser faladas rapidamente. Seguem alguns exemplos: - Pedro tem o peito preto. O peito de Pedro é preto. Quem disser que o peito de Pedro é preto, tem o peito mais preto que o peito de Pedro. - A vaca malhada foi molhada por outra vaca molhada e malhada. - Um ninho de mafagafos, com cinco mafagafinhos, quem desmafagafizar os mafagafos, bom desmafagafizador será. - Três pratos de trigo para três tigres tristes.

Charge disponivel no http://aguadonadavida.blogspot.com - Visite!

Bolo de Pinhão:

para dar sabor a sua Festa Junina! m o d o d e p r e pa r o

ingredientes 2 xícaras de pinhão cozido e triturado ✓ 1 colher (sobremesa) de fermento em pó ✓ 2 xícaras de farinha de trigo ✓ 1 colher (chá) de canela em pó ✓

1 xícara de leite ✓ 2 ovos ✓ 2 xícaras de açúcar ✓ 1/2 xícara de óleo ✓

Cozinhe o pinhão, descasque e triture. Depois do pinhão triturado, acrescente os ovos, o leite e o óleo. Bata até ficar uma massa homogênea. Tire do liquidificador e acrescente o restante dos ingredientes, sendo a canela por último. Unte uma fôrma redonda de 25 cm de diâmetro e asse em forno moderado por 40 minutos. Se desejar, recheie a gosto. 15


Boletim Água Quente no 11

Fábio dos Santos 20 anos, morador do bairro Cidade Aracy “Eu moro aqui. Nesse campinho falta tela... muita coisa. Acho que ninguém da comunidade foi atrás de melhorias para cá, se tivessem ido já teria melhorado. Acho que os moradores poderiam correr atrás destas melhorias”. Luzia Gabriel 58 anos, moradora do bairro Jardim Gonzaga “Como representante do Projeto Água Quente, acredito que esta praça, a Praça Ronald Golias, tem muita importância, principalmente por ser um espaço para as crianças brincarem e para se ter um lazer para o pessoal... aqui, eu acho que o que falta é sombra, tem pouca” Maria Dayane Brito 12 anos, moradora do bairro Cidade Aracy “Eu venho sempre nessa praça, venho brincar e nunca venho sozinha. Tem mais praça por aqui, mas é longe. Só venho nessa porque minha mãe não deixa ir nas outras. Queria que aqui tivesse mais arvores... é muito sol”. Benedita Rosa 65 anos, moradora do bairro Cidade Aracy “Gosto de ajudar na revitalização de espaços verdes. Estou sempre passando e vendo a movimentação. Acho que o que falta é sombra” Thiago 14 anos, morador do Jardim Cruzeiro do Sul “Perto da minha casa não tem árvore. Se tivesse mais sombra nos parquinhos, as crianças ficariam melhores e não correriam o risco de ter uma insolação”

Patrocínio:

F ala povo Espaços Verdes

A necessidade de espaços verdes urbanos e públicos é uma das consequências do crescimento rápido que as cidades têm sofrido ao longo dos anos. Através dos tempos, os espaços verdes têm sido locais de encontro e de passeio público; tendo, até mesmo, o objetivo de recriar a presença da natureza no meio urbano. O espaço verde assumiu, assim, diversas formas e funções, como espaço de lazer e recreio. Os espaços verdes têm enorme importância nos grandes centros ou locais movimentados. São úteis na separação física entre o trânsito de automóveis e a circulação de pessoas, filtram gases tóxicos produzidos pelos automóveis, absorvem parte do ruído urbano e amenizam as temperaturas. Uma de suas grandes atribuições é a sociocultural: de integração, de jogo, lazer e recreio entre diversos grupos sociais. Os espaços verdes urbanos representam ainda uma possibilidade de contato com a natureza e permitem um ambiente mais saudável, funcionando como “pulmão” do tecido urbano. Na capital São Paulo, por meio de uma parceria entre a Secretaria do Verde e a Secretaria do Trabalho, está sendo colocado em prática o programapiloto “Zeladores de praça”. O programa trabalha com a capacitação de desempregados das comunidades do entorno das áreas verdes para que se tornem funcionários de parques e praças da cidade. Para dar valor a um espaço verde, a comunidade tem de ter por ele um sentimento de pertencimento e uma imagem de preservação da qualidade do ambiente para todos os seus usuários. Em São Carlos, alguns espaços verdes precisam de cuidado especial para se tornarem de uso público; em alguns faltam equipamentos, em outros, segurança. Já existem grupos, como os Grupos da Bacia do Água Quente, analisando as características desses espaços e pensando em conjunto na melhoria deles. Essa é uma das inúmeras ações de que o Projeto Água Quente faz parte. Venha fazer parte também!! Para mais informações, ligue para (16) 3376-3110 ou mande um e-mail para aguaquente@teia.org.br.

Ezequiel de J. Oliveira 18 anos, morador do bairro Cidade Aracy “Venho aqui sempre, gosto de vir para empinar pipa, dar atenção para a molecada que tá crescendo aqui, dando uma ajuda também. Aqui neste espaço falta muita coisa, falta união entre nós, falta refletores para lazer a noite. A comunidade poderia estar correndo atrás de quem pode dar uma ajuda”. Robson C. Da Silva 17 anos, morador do bairro Cidade Aracy “Sempre venho aqui e várias coisas devem ser feitas, mais areia para o campinho, tela. Nao sei o que a comunidade poderia fazer... cada um tem que conservar as coisas que tem e manter pra frente. Faltam mais espaços como este... pistas de skate, campos e parquinhos para as crianças. Aqui, por exemplo, só tem um parquinho longe, que fica ruim para as crianças irem” Débora C. B. Lima 9 anos, moradora do bairro Jardim Cruzeiro do Sul “Eu vim aqui na praça com a minha prima. Perto da minha casa tem parquinho mas não costumo ir porque tem que atravessar a pista e a minha mãe não deixa. Ai fico brincando em casa de boneca. Mas quando vou em alguma praça eu gosto. Gosto dessa praça do jeito que ela tá, tem parquinho, mas eu queria que tivesse mais perto da minha casa” Márcia A. De Lima 32 anos, moradora do Jardim Cruzeiro do Sul “Venho sempre aqui, morava aqui. Vim na casa de uma tia e trouxe as crianças para brincar. Perto da minha casa na tem, são longe para irem sozinhas. Mas geralmente eu levo ou minha irmã. Poderiam ter mais árvores para melhorar espaços assim”

*Entrevistas realizadas em espaços verdes públicos da Bacia do Água Quente (campinhos, parquinhos e praças).

Boletim Água Quente - Número 11  

Boletim Água Quente - Número 11

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