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Escola Secundária D. Inês de Castro – Alcobaça Ano Letivo 2011/2011 Curso de Educação e Formação de Adultos – EFA (ReAct) – NS CULTURA, LÍNGUA e COMUNICAÇÃO [CLC] UFCD 7 - Fundamentos da Cultura Língua e Comunicação ____________________________________________________________ O texto criativo como expressão de vivências

Competência: Intervir de forma pertinente, convocando recursos diversificados das dimensões cultural, linguística e comunicacional.

Objetivos específicos:      

Identificar os diferentes contextos que afetaram a trajetória pessoal. Identificar caraterísticas dos textos autobiográficos. Compreender textos escritos de caráter autobiográfico. Distinguir biografia de autobiografia. Construir uma biografia e/ou uma autobiografia. Selecionar biografias de homens e mulheres que poderão ser referência, destacando as informações mais importantes.

Conceitos-chave: contexto de vida; família; trajeto pessoal; texto literário; registo autobiográfico; realidade e ficção.

Recursos / Materiais: Computador com acesso à Internet, textos policopiados e material de escrita.

Os formadores/professores: João Salvado e Manuela Oliveira

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Proposta de trabalho (2) TEXTO A Texto criativo: Expressão de vivências Vejo o meu pai, no limite da minha infância, dobrar a porta do pátio, com um baú de folha na mão. Vejo-o de lado, e sem se voltar, eu estou dentro do pátio e não há, na minha memória, ninguém mais ao pé de mim. Devo ter o olhar espantado e ofendido por ele partir. Mas alguns meses depois o corredor da casa da minha avó amontoa-se de gente, na despedida de minha mãe e da minha irmã mais velha que partiam também. Do alto dos degraus de uma sala contígua, descubro um mar de cabeças agitadas e aos gritos. Estou só ainda, na memória que me ficou. Depois, não sei como, vejome correndo atrás da charrete que as levava. O cavalo corria mais do que eu e a poeira que se ia erguendo tornava ainda a distância maior. Minha mãe dizia-me adeus de dentro da charrete e cada vez de mais longe. Até que deixei de correr. Dessa vez houve choro pela noite adiante - tia Quina contava, conta ainda. Mas não conta de choro algum dos meus dois irmãos que ficavam também. Deve-me ter vibrado pela vida fora esse choro que não lembro. É dos livros, suponho. Depois a infância recomeçou. Três irmãos, duas tias e avó maternas, depois a vida recomeçou. Mas toda essa infância me parece atravessar apenas um longo Inverno. É um Inverno soturno de chuvas e de vento, de neves na montanha, de histórias de terror, contadas à luz da candeia no negrume da cozinha, assombrada de tempestade. Até que um dia um tio de minha mãe, que era padre na aldeia, se pôs o problema de eu não ser talvez estúpido. E imediatamente se empolgou para me consagrar ao Altíssimo. E para me ir desbravando a alma, juntamente com a doutrina, atacou-me a memória com o latinório todo da missa. Aprendi-o sem falhas, ia eu nos seis anos. E quando aos sete o fui ver esticado na cama, a face toda negra, e me obrigaram a beijar-lhe a mão morta, já tinha o destino talhado para o Senhor. Minhas tias apoderaram-se logo de mim, negligenciando um pouco os meus irmãos, e sufocaram-me de religião. Na instrução primária cumpri. Deus mostrava à evidência que me chamava ao seu serviço. Era forte em contas, mais atrapalhado em História, de qualquer modo, os desígnios de Deus eram evidentes. E assim, para se cumprir a sua vontade, parti. Ficava à distância de um dia de comboio, o Seminário. Saio na estação ao anoitecer, há uma multidão de seminaristas à minha volta, todos vestidos de preto. Estou entre eles, não conheço ninguém. Avançamos pelo escuro estrada fora, no tropear confuso de uma enorme massa negra. O Seminário espera-nos numa curva da estrada. É um casarão enorme, olho-o do fundo do meu pavor. Há Outono à minha volta, respiro-o agora em todo esse passado morto, nos castanheiros a desfolharem-se na cerca, no espaço dos salões, nos longos corredores ermos, nos ângulos cruzados pelos espectros perfeitos. Mas seis anos depois, levantado de heroísmo, saí. Fiz o liceu, entrei na Universidade. Mas não o fiz assim em três palavras como o faço aqui. Meu irmão corpo. Como foi difícil acomodarmo-nos um ao outro. A vida que me coube não a pude utilizar toda. Numa fracção dela acumulei assim aquilo com que se realiza - o sonho, o trabalho, a alegria. E eis que se me levantam os sete anos de Coimbra. Sombrios, longos, penosos. Mas o que acede desse tempo à evocação tem apenas o halo de uma balada. Ruas da Alta, e a Torre, e o plácido rio do alto da Universidade, e os mestres que eu julgava um prodígio da Natureza, quando cheguei à cidade, e fiquei a julgar também, a vários deles, quando saí, mas com outro sinal, e a praxe estúpida, e os namoros estúpidos, e a descoberta, enfim, da literatura, que só então descobri, embora trabalhasse há muito o verso com obstinação, e as tertúlias, as rixas, o próprio futebol, as próprias desgraças físicas - tudo me ressoa agora a uma toada de legenda. Da festa juvenil, como da festa literária eu só conhecia as margens do rumor que transbordava da alegria dos outros. Isso basta, porém, a que a legenda se me levante e o seu eco me ondeie ao espaço da evocação. Assim Coimbra, só no ressoar do seu nome tem já um timbre de guitarra. Música de miséria, não é nela que eu a ouço, mas no passado que a transcende e é da memória inatingível, da memória absoluta. Coimbra da saudade difícil, Coimbra de sempre e de nunca. Comigo a levei, longo tempo me acompanhou, presente, obsessiva. Mas havia tanta coisa ainda à minha espera. Faro do ar marinho, da laguna das águas mortas, Bragança das invernias, Évora, Lisboa. Professor sou-o por fatalidade. Mas alguma coisa se me impõe na avidez dos alunos que me escutam, na necessidade de responder à sua descoberta do Mundo - e assim me

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invento o professor que não sou, e eles imaginam em verdade o que é em mim só ficção. Mas dos centros de irradiação da minha actividade, apenas Évora transbordou de emoção para a lembrança. E como a Coimbra, é de novo a música, agora o coral dos camponeses, que a levanta ao espaço da minha comoção. Ouço-o ainda agora, a esse coro de amargura, raiado à infinidade da planície. Évora do silêncio com sinos nas manhãs de domingo, estradas abandonadas à vertigem da distância, ó cidade irreal, cidade única, memória perdida de mim. Sou do Alentejo como da serra onde nasci, a mesma voz de uma e outra ressoa em mim a espaço, a angústia e solidão. E a minha biografia deve ter findado aqui. Lisboa é um sítio onde se está, não um lugar onde se vive. Mesmo que se lá viva há 18 anos como eu. Eu o disse, aliás, a alguém, na iminência de vir: quando for para Lisboa, levo a província comigo e instalo-me nela. E assim se fez. Os livros que aqui escrevi são afinal da província donde sou. Terrorismo do trânsito, das relações pessoais, da luta em febre pela glória por que se luta ou do ódio surdo pela que calhou aos outros, terrorismo das distâncias, das relações humanas ao telefone, das cartas que nos escrevemos para de uma rua a outra ao pé, da cultura tratada a uísque nos salões do mundanismo, da individualidade perdida, da vida massificada. Vejo-me numa enfermaria do hospital, acordando estranhamente de não sei que tempo de inconsciência, com vários médicos conversando entre si e sobre mim. Pergunto de que se trata, porque estou ali. «Foste atropelado» - diz-me o meu filho, que é um dos médicos. Tenho fractura do crânio, várias contusões pelo corpo. Lisboa, selvagem, cidade bonita na claridade dos prédios, no rio das descobertas, no aéreo das colinas, meu veneno e minha sedução. Fui atropelado. Mas é talvez justo que o fosse. Porque eu não sou daqui. Vergílio Ferreira in http://macroscopio.blogspot.com/2008/08/autobiografia-verglio-ferreira.html. Capturado em 5 de outubro de 2011,

TEXTO B Vergílio Ferreira nasceu em Melo, aldeia do concelho de Gouveia, na Beira Alta, a meio da tarde do dia 28 de Janeiro de 1916, filho de António Augusto Ferreira e, de Josefa Ferreira que, em 1920, emigraram para os Estados Unidos da América, em busca de melhores condições de vida. Então, o pequeno Vergílio é deixado mais os irmãos, ao cuidado de tias maternas. Esta dolorosa separação é descrita em Nítido Nulo. A neve - que virá a ser um dos elementos fundamentais do seu imaginário romanesco é o pano de fundo da infância e adolescência passadas na zona da Serra da Estrela. Aos dez anos, após uma peregrinação a Lourdes, entra no seminário do Fundão, que frequentará durante seis anos. Esta vivência será o tema central de Manhã Submersa. Em 1932, deixa o seminário e acaba o Curso Liceal no Liceu da Guarda. Entra para a Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, continuando a dedicar-se à poesia, nunca publicada, salvo alguns versos lembrados em Conta-Corrente e, em 1939, escreve o seu primeiro romance, O Caminho Fica Longe. Licenciou-se em Filologia Clássica em 1940. Concluiu o Estágio no Liceu D. João III (1942), em Coimbra. Começa a leccionar em Faro. Publica o ensaio "Teria Camões lido Platão?" e, durante as férias, em Melo, escreve "Onde Tudo Foi Morrendo". Em 1944, passa a leccionar no Liceu de Bragança, publica "Onde Tudo Foi Morrendo" e escreve "Vagão "J"" que, publicou em 1946; no mesmo ano em que se casou, com Regina Kasprzykowsky, professora polaca que se encontrava refugiada em Portugal da guerra e, com quem Vergílio ficaria até à sua morte. Após uma passagem pelo liceu de Évora (onde escreveu o mundialmente conhecido romance Manhã Submersa, corria o ano de 1953), fixa-se como docente em Lisboa, leccionando o resto da sua carreira no Liceu Camões. Em 1980, o realizador Lauro António adapta para o cinema, o romance Manhã Submersa e, Vergílio Ferreira interpreta um dos principais papéis, o de Reitor do Seminário, contracenando assim com outros grandes vultos da cena portuguesa, tais como: Eunice Muñoz, Canto e Castro, Jacinto Ramos e Carlos Wallenstein. Vergílio morreu no dia 1 de Março de 1996, em sua casa, em Lisboa, na freguesia de Alvalade. O funeral foi realizado no cemitério de Melo, sua terra-natal e, a seu pedido, o caixão fora enterrado na ala do cemitério com vista para a Serra da Estrela.

«Vergílio Ferreira» in Wikipedia, disponível http://pt.wikipedia.org/wiki/Verg%C3%ADlio_Ferreira, Capturado em 5 de outubro de 2011

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Atividades: I 1. Leia o texto A, Autobiografia de Vergílio Ferreira, procurando: a) Distinguir os factos relatados dos pensamentos/reflexões do autor; R: Os factos relatados dos pensamentos é os acontecimentos que aconteceram mesmo, e as reflexões do autor é o que ele pensou (escreveu), os acontecimentos que ele pensou que aconteceram mas que não aconteceram. b) Compreender de que forma esses factos marcaram a vida do escritor; R: O escritor pensou que o pai e a mãe tinham morrido, quando no fato eles emigraram, foram viver para outro país e que levaram o irmão dele e que se esqueceram dele e que nunca o vieram buscar. c) Identificar as marcas linguísticas que nos permitam classificar este texto como autobiográfico; R: As marcas linguísticas que nos permitam classificar este texto são, o texto em primeira pessoa do singular, pronomes pessoais.

2. Coimbra e Évora são evocadas no texto através da música. Que música se associa na memória a cada uma destas cidades? R: Na memória dele associa Coimbra á música quando ele diz “Assim Coimbra, só no ressoar do seu nome tem já um timbre de guitarra” e associa Évora a música citando “Ouço-o ainda agora, esse coro de amargura, raiado à infinidade da planície.” 3. Esta “Autobiografia” permite-nos saber quais os lugares que foram determinantes na vida do autor. Indique quais foram, registando uma frase do texto que fundamente a sua resposta. R: Os lugares que foram determinantes na vida do autor foram: Em casa de familiares neste caso as tias “As minhas tias apoderaram-se logo de mim”; A Universidade “Fiz o liceu, entrei na Universidade. Mas não o fiz assim em três palavras como o faço aqui.”; O Seminário “Saio da estação ao anoitecer, há uma multidão de seminaristas à minha volta”.

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4. “(…) embora trabalhasse há muito o verso.” 4.1 A veia poética do autor manifesta-se também neste texto. Registe frases ou excertos de frases que lhe pareçam estar próximas do texto poético. R: A mim parece-me estar perto do texto poético a seguintes frases: l. 28 “É um casarão enorme, olho-o do fundo meu pavor.” l. 32 “Como foi difícil acomodarmo-nos um ao outro.”

5. Enuncie algumas diferenças e semelhanças entre o texto A e o texto B. R: No texto A é utilizada a primeira pessoa; já no texto B é utilizada a terceira pessoa para se referirem ao mesmo personagem. II Faça uma pesquisa na Internet e selecione dois textos (uma autobiografia e uma biografia) de pessoas que, na sua opinião, possam ser tidas como referência.

Biografia de Fernando Pessoa Fernando António Nogueira Pessoa nasceu em Lisboa em 1888. Após a morte do pai, causada por tuberculose, a família foi obrigada a leiloar parte dos seus bens e depois do segundo casamento da mãe, por procuração, com o comandante João Miguel Rosa, cônsul de Portugal em Durban, Fernando Pessoa partiu com a mãe e um tio-avô para a África do Sul (Durban). Em 1894 criou o seu primeiro heterónimo, Chevalier de Pas. Frequentou várias escolas, recebendo uma educação inglesa, passando por um colégio de freiras irlandesas da West Street (1897), e pela Durban High School, onde criou o heterónimo Alexander Search (1899). A partir de 1901 escreveu os primeiros poemas em inglês. A familia retornou a Lisboa em 1902, mas Pessoa voltou sozinho para a África do Sul. Em 1903 submeteu se ao exame de admissão à Universidade do Cabo da Boa Esperança. Não obteve uma boa classificação, mas tirou a melhor nota entre os 899 candidatos no ensaio de estilo inglês. Em 1904 terminou seus estudos na África do Sul. Regressou a Portugal em 1905 e fixou se em Lisboa, onde se matriculou no Curso Superior de Letras (que abandonou em 1907). Foi a partir desta data que começou a sua intensa actividade literária, continuando a escrever poemas em inglês. Em 1910, escreveu poesia e prosa em português, inglês e francês. Em 1912, Pessoa estreou se 5


como crítico literário, provocando polémicas junto à intelectualidade portuguesa. Em 1913 escreveu "O Marinheiro". Em 1914, devido à sua capacidade de "outrar se", criou mais heterónimos (Alberto Caeiro (criado em 1914 e "morto" em 1915), Álvaro de Campos, Ricardo Reis, Bernardo Soares, etc.), assinando as suas obras de acordo com a personalidade de cada heterónimo. Foi também neste ano que escreveu os poemas de "O Guardador de Rebanhos" e o "Livro do Desassossego". Simpatizante da Renascença Portuguesa, no início, afastou se depois, e em 1915 com Mário de Sá Carneiro e Almada Negreiros entre outros, esforçou se por renovar a literatura portuguesa através da criação da revista Orpheu (cujo primeiro número saiu em 1915), veículo de novas ideias e novas estéticas. Em 1916 suicidou se o seu grande amigo Mário de Sá Carneiro. Em 1918, Pessoa publicou poemas em inglês, resenhados com destaque no "Times". Em 1921 fundou a editora Olisipo, onde publicou poemas em inglês. Em 1924 surgiu a revista "Atena", dirigida por Fernando Pessoa e Ruy Vaz. Em 1926, Fernando Pessoa requereu patente de invenção de um Anuário Indicador Sintético, por Nomes e Outras Classificações, Consultável em Qualquer Língua e dirigiu, com o seu cunhado, a Revista de Comércio e Contabilidade. Em 1927 passou a colaborar com a Revista "Presença". Em 1934 publicou "Mensagem", que ganhou no mesmo ano o concurso literário promovido pelo Secretariado de Propaganda Nacional, categoria B. Em 29 de Novembro de 1935, foi internado com o diagnóstico de cólica hepática. A sua última frase, escrita em inglês, dizia: "I know not what tomorrow will bring". Morreu no dia 30, com 47 anos, deixando grande parte da sua obra ainda inédita. Fernando Pessoa é considerado universalmente um dos maiores poetas de sempre. http://www.truca.pt/ouro/biografias1/fernando_pessoa.html

Autobiografia de Fernando Pessoa Nasci a 13 de Junho de 1888, em Lisboa. Sou filho de Maria Magdalena Pinheiro e Joaquim de Seabra Pessoa. A 24 de Julho de 1893, um dos piores momentos da minha vida, o meu pai morre vítima de tuberculose e a partir de aí a minha infância feliz deixa de ter significado. Em Dezembro de 1895, a minha mãe casa por procuração com o comandante João Miguel Rosa, cônsul português em Durban. Assim, a 7 de Janeiro de 1896 parto para Durban. Fiz a instrução primária e a primeira comunhão na escola de freiras irlandesas da West Street em 1897. Seguidamente, em Abril de 1899, ingresso na Durban High School onde permaneço três anos, aí crio o meu primeiro heterónimo, Alexander Search. 6


Regresso a Portugal, em Agosto de 1901, com a minha família. Em Maio de 1902 vou á ilha da Terceira, nos Açores, onde escrevo a poesia Quando ela passa. Um mês depois, o meu padrasto, a minha mãe e os meus irmãos resolvem partir para Durban, e eu permaneço sozinho em Lisboa. Após três meses, regresso a África do Sul onde sou matriculado na Commercial School e tento escrever romances em inglês. Em 1904, ingresso novamente na Durban High School onde frequento o equivalente ao primeiro ano universitário. Escrevo poesia e prosa em inglês, e, assim, surgem os heterónimos Charles Robert Anon e H.M.F. Lecher. Em Agosto de 1905, regresso á minha terra natal e começo a estudar na Faculdade de letras da Universidade de Lisboa. Em Dezembro de 1910, é fundada a revista Águia que estabelecia uma ponte entre a Europa e Portugal, criando os seus artigos uma grande polémica. Em 1914 de Março, foi um dia de grande inspiração para mim, isto é, no êxtase da poesia surge Alberto Caeiro com O Guardador de Rebanhos. Seguidamente, em Julho aparece a primeira poesia assinada por Ricardo Reis. No Outono, começam as reuniões do grupo do qual a revista Orpheu. Assim, em Março de 1915, sai o primeiro número de Orpheu com importantes colaborações minhas. Em Abril de 1916, o meu grande amigo Mario-Sá-Carneiro suicida-se em Paris. Dois anos mais tarde, em Abril morre Santa-Rita Pintor, um dos grandes percursores do Modernismo. Em Outubro, morre também Amadeu de Sousa Cardoso, vitimado pela gripe espanhola. Em Março de 1920, bons tempos se aproximam, começo o namoro com a minha querida Ophélia Queiroz e vou viver com a minha mãe e os meus irmãos que regressam a Lisboa. Em Novembro interrompo a minha relação com Ophélia. A 17 de Março de 1925, foi um dia trágico porque morre a minha querida mãe.

Em Outubro de 1929, recomeço o namoro com Ophélia, mas a Março de 1931 terminamos definitivamente a nossa relação sentimental. Publico a Mensagem em 1934. http://portugues12ano.blogspot.com/2007/12/texto-autobiogrfico-de-fernandopessoa.html

III 7


Escreva, agora, a sua autobiografia. Deve, à semelhança do que fez Vergílio Ferreira, relatar factos (os mais marcantes), interpretá-los, referir o impacto que tiveram na sua vida e as aprendizagens que terá retirado deles. Se conseguir, poderá desenvolver um texto criativo/literário.

A minha Autobiografia Nasci a 3 de Agosto de 1992, em Leiria. A minha infância foi vivida com os meus avós. Em 1998, fui para a escola dos Moleanos, frequentar o primeiro ano letivo. Um ano após ter entrado para a escola comecei a frequentar o Rancho Folclórico dos Moleanos, porque os meus colegas andavam lá e até gostei, tanto que um ano após, comecei a ter aulas de música, através do rancho, com um professor que eu admiro a nível musical. Em 2002, passei a ir para Alcobaça, para a escola Frei Estevão Martins, onde após 2 anos concluí o 2ºciclo e voltei novamente a mudar de escola para fazer o 3º ciclo. O meu 10º ano foi o único ano que frequentei a escola D. Inês de Castro, que foi no ano que comecei a trabalhar numa pedreira. Mais tarde comecei a trabalhar numa empresa de hidro-sementeiras, com vários engenheiros que me motivaram a tirar o 12º ano á noite onde agora me encontro.

Protótipo Textual

Autobiografia Insere-se no protótipo narrativo. Usa a 1ª pessoa do singular.

Pessoa verbal Usa os tempos pretéritos

Biografia Insere-se no protótipo narrativo. Usa a 3ª pessoa do singular. Usa predominantemente 8


Tempo verbal predominante

Utilização do adjetivo

(perfeito e imperfeito) conjugados com o presente do indicativo, que torna o passado presente na memória. Usa um registo de língua literário. Recorre a um vocabulário rico em adjetivos.

Escolha do vocabulário e uso das figuras de estilo

Utiliza palavras em sentido conotativo, com recursos estilísticos.

Registo de língua

o pretérito perfeito do indicativo.

Usa um registo apenas cuidado. Recorre a um vocabulário objetivo, predominando sobretudo os nomes e os verbos. Utiliza uma linguagem informativa, dando às palavras o seu sentido denotativo.

Biografia – Como o nome indica é a história de vida de uma pessoa, uma vez que bio significa vida e grafia significa escrita. Permite um bom conhecimento do biografado pois fornece informações detalhadas de todos os acontecimentos e pessoas marcantes do seu percurso, organizadas cronologicamente e situadas geograficamente. Autobiografia – A autobiografia, como vimos, é um registo subjetivo e, por isso mesmo, apenas relata alguns episódios e acontecimentos recordados e intensamente vividos pelo autor, sem qualquer preocupação de datação ou localização exatas. Permite todavia conhecer o autor a um nível mais profundo e íntimo, pois deixa transparecer a sua emotividade, os seus sentimentos e a sua maneira de ser, através da forma como escolhe e relata os episódios vividos. Texto Literário - O texto literário tem uma dimensão estética, plurissignificativa e de intenso dinamismo, que possibilita a criação de novas relações de sentido, com predomínio da função poética da linguagem. É, portanto, um espaço relevante de reflexão sobre a realidade, envolvendo um processo de recriação lúdica dessa realidade.

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Proposta 2