Page 1

is át r al G n r o j

28 olhares 28 criações

azzle r t r e pu oste f / oapa fia / p m gra o fot

Caldeirão cada vez mais vazio Sobreiros doentes, pragas de plantas invasoras e uma réstia de população humana em rápido declínio, são alguns dos problemas que ameaçam transformar o interior do Algarve numa terra de ninguém. pág. 38/39

workshop de

fotografia na Serra do Caldeirão 10 olhares 100 fotografias

notas sobre um workshop de projecto fotográfico na Serra do Caldeirão. Não há forma simples de abordar território tão equívoco como o das imagens. Afinal para que serve uma imagem e, no caso da linguagem fotográfica, o que verdadeiramente nos revela e fixa enquanto fotógrafos? pág. 30/31

raças autóctones em extinção há muito que a vaca algarvia já cá não está. Também estão em perigo a ovelha churra e a cabra algarvia. Cerca de 40% do total das raças nacionais encontra-se ainda em perigo de extinção mais ou menos acentuado. Dos vários trabalhos de campo realizados restam relatórios, amostras de sémen congelado e poucas cabeças de gado vivo no Alentejo – eventualmente, os últimos exemplares de um património sem grande hipóteses de ser recuperado. pág. 40/41

música

dança dança

teatro escrita

aquilo que o homem desarranjou, só ele pode arranjar. As pessoas daqui, dizem que não são do Algarve, eles dizem-se de onde? Da serra, identificam-se como serrenhos e, quando vão ao litoral, dizem que vão lá a baixo ao Algarve. “a Serra” para eles é uma transição entre o Algarve e o Alentejo, estão um bocadinho fora do mapa, fora do planeta, são um bocado da terra de ninguém pág. 36/37

teatro escrita

viagem às curvas

escrita

é necessário o Homem para que a árvore tenha viabilidade. Falar dos Sobreirais na Serra Algarvia obriga a compreender a história de Portugal, a sua economia e os seus principais momentos político-sociais. A situação em que se encontram exige uma atenção especial, sob pena de desaparecerem no futuro próximo. pág. 42/43

27 setCarlos Bica Norberto Lobo Abel Neves José Laginha Marlene Vilhenas 28 set Amélia Muge José Martins José Maria Vieira Mendes Patrícia Silva Vera Manteros 29 set João Paulo Esteves da Silva Mickael Oliveira Mariana T. Barross Ma João Luís Daniel Gorjãos 30 set Cláudia Dias Cecília Laranjeira Gonçalo M Tavares Rui Antónios André e. Teodósios música

os sobreirais da serra algarvia

26 set

dança

entre 1970 e 2011 a serra perdeu 36,5%. dos residentes e hoje temos 464 idosos por cada 100 jovens. As alterações na economia regional, em particular as associadas com o desenvolvimento turístico, deram origem a uma dinâmica migratória do interior para o litoral. pág. 44

3 documentários + 1 10 projectos fotográficos fotografia Luís da Cruz making of do festival

música

em fuga

entrada livre

escrita

serrenhos

no CAPa Faro


editorial

no ano em que a DeVIR, associação de actividades culturais completa 18 anos de actividade e o CAPa, centro de artes performativas do Algarve 11 anos de existência, é com bastante entusiasmo que avançamos com a 1ª edição dos encontros do DeVIR. Mais do que de um novo festival, que esteve a incubar desde 2004, estes encontros são um festival temático novo, que descomplexadamente se assume como um manifesto político, porque é reactivo. Se por um lado, resulta de um conjunto de 28 encomendas de criação, que envolvem cerca de 30 criadores portugueses, num país que pouco investe na Cultura, apresentadas nos encontros do DeVIR - criação (26 a 30 de Set no CAPa - Faro), por outro, chama a si a responsabilidade de questionar o presente e perspectivar um futuro, que não o que se adivinha para o Algarve, trazendo para actualidade questões levantadas por 12 estudiosos, debatidas nos encontros do DeVIR - ciência (24/25 de Novembro no auditório de Olhão), que poderão ser decisivas para a sustentabilidade desta região. Portugal, a par de Espanha, Itália e Grécia, é um dos países europeus, com maior risco de desertificação, física e humana. O problema da desertificação humana do interior vs a descaracterização das cidades do litoral, embora seja comum a todo o território nacional assume contornos distintos no Algarve, atendendo à singularidade das suas características geográficas – zona serrana a distar apenas 20/30 km do litoral. A proximidade entre as cidades descaracterizadas (como consequência da pressão imobiliária dos últimos 50 anos) e as aldeias cada vez mais despovoadas (resultado da dinâmica migratória, do interior para o litoral nas décadas de 60/70), pode permitir perspectivar um desenvolvimento mais equilibrado do território, numa região onde se investe quase exclusivamente no litoral, o que tem consequências cada vez mais visíveis e directas na qualidade de vida das suas populações. Move-nos o desejo de sensibilizar e de co-responsabilizar a comunidade e os decisores políticos, para uma realidade que urge ser avaliada e discutida por todos, de modo a reverter a situação actual, quer seja a nível cultural, ecológico ou social. Mais do que pretender encontrar soluções para a desertificação humana das zonas rurais da Serra do Caldeirão, ou para, a descaracterização do litoral algarvio, queremos que este festival possa contribuir para apontar diferentes direcções para uma realidade que todos, sobretudo os decisores, persistem em ignorar. Não nos interessa refletir sobre o que não tem retorno, queremos antes fomentar encontros onde, com realismo e sensatez, se desmontem falsas inevitabilidades. Queremos dizer que as gentes da Serra, apesar de abandonadas, mantêm o orgulho de serem serrenhos, e que o litoral, constantemente adulterado, é cada vez mais inóspito para os que nele vivem. Os encontos do DeVIR nascem num contexto de precariedade, de asfixia financeira – restrições impostas pelo Estado ao sector cultural, como nunca se viram, que nos obrigaram a reinventar, sem nunca perder a dimensão de serviço público. Num tempo de escassez, lançamos um novo festival que alia o social ao cultural, o ecológico e político ao artístico, aproveitando o contributo único e insubstituível que a Arte e a Cultura - criando memória e fazendo futuro, podem dar a uma sociedade sem direcções, que se está a afundar. Este festival resulta de um conjunto de encomendas feitas a criadores nacionais, o que o tornam único mas também responsável e solidário. Demos-lhes a conhecer a Serra do Caldeirão (ou Serra Mú), facultámos-lhes informações e promovemos visitas guiadas por um técnico que trabalha naquele território, sem fomentar o contacto directo e o envolvimento com as populações, evitando o lado intrusivo e voyeurista. No entanto, a Serra e os serrenhos estão presentes e em discurso directo nos 4 documetários que realizámos, nas imagens de 10 novos projectos fotográficos (desenvolvidos no âmbito do projecto Valados – 21 workshops ano 2010-12) e no making of do festival, mas também nos registos impressionistas, imagens captadas por cada um dos criadores aquando das suas primeiras vistas àquele território. Recorremos ao conhecimento de muitos, desafiando-os a reflectir e a escrever sobre a realidade de um território que partilhamos, relativamente ao qual todos somos responsáveis. Sem ignorar os últimos acontecimentos trágicos, mas também sem nos deixarmos afundar nas cinzas, aproveitamos esta publicação para editar um conjunto de entrevistas e artigos de opinião sobre o Caldeirão, onde se fala das muitas dificuldades, mas também das grandes potencialidades deste território que poucos conhecem. No final da leitura deste jornal, desafiamo-lo a reutiliza-lo, resolvendo um puzzle constituído por muitas das suas páginas que, quando juntas, resultarão num mapa/carta militar da Serra do Caldeirão, que poderá ser muito útil numa visita a um território que tem tanto de desconhecido, como de fascinante. boa viagens e bons encontros! JL

more than a new festival, these meetings are a festival centred on a new topic, which without complexes sees itself as a political manifesto, because it is reactionary. While on the one hand it is the result of a set of 27 ordered works of art that involve around 30 Portuguese creators, in a country that invests little in Culture, the DeVIR – creation meeting (26 to 30 September in CAPa - Faro), on the hand it is taking responsibility for asking questions about the present and looking to the future, in relation to the Algarve, bringing to the forefront questions raised by 12 scholars, DeVIR – science meetings (24/25 November in Olhão Auditorium), which could prove decisive for the sustainability of this region. We are motivated by the desire to raise awareness and make the community and the political decision makers jointly responsible for a reality that urgently needs to be assessed and discussed by everybody, in order to reverse the current situation, at the cultural, ecological and social levels. It is more than an attempt to find solutions for the human desertification of the rural zones of the Serra do Caldeirão, or the spoiling of the Algarve coastline. We want this festival to contribute to finding different directions for a reality that everybody, and above all the decision makers, continue to ignore. This festival is the result of a set of orders commissioned from Portuguese creators, which makes it unique and also a responsable solidary initiative. We give you the chance to get to know the Serra do Caldeirão (or Serra do Mú), transmitting information and organising guided tours by a guide who works in the region, without fostering direct contact and involvement of the populations so as to avoid an intrusive or voyeuristic approach. However, the mountains and its peoples are present and speak directly in the 4 documentaries we have made, in the images of the 10 new photographic projects, within the scope of the Valados project (21 workshops/ year 2010-12) and in the making of the festival. After reading this newspaper we challenge you to reuse it and solve the puzzle constituted by many of its pages that, when put together, comprise a map/military cartography of the Serra do Caldeirão which can be extremely useful when visiting a region that is as unknown as it is fascinating. bon voyage and happy meetings!


págs.

editorial índice/programa

02 03 28

26 set

no CAPa 21h30

estreia de 3 documentários +1 lavraofícios abusoverbal prosolhos & ofogo

apresentação 10 projectos fotográficos na Serra do Caldeirão apresentação encomenda de criação ao fotógrafo Luís da Cruz estreia do making of dos encontros do DeVIR-criação

30

27 set 04

olhares no CAPa 21h30

Carlos Bica Norberto Lobo Abel Neves José Laginha Marlene Vilhena música

06

escrita

08

28 set 10 12

dança

olhares no CAPa 21h30

Amélia Muge José Martins José Mª Vieira Mendes Patrícia Silva Vera Mantero

música

escrita

14

dança

29 set 16

olhares no CAPa 21h30

João Paulo Esteves da Silva Mickael de Oliveira Mariana Tengner de Barros Maria João Luís Daniel Gorjão

música

18

escrita

20

30 set 22 24

olhares no CAPa 21h30

Cláudia Dias Cecília Laranjeira Gonçalo M. Tavares Rui António André e. Teodósio escrita

26

teatro

conversas informais com os criadores após cada espectáculo

workshop

30

percursos/puzzle

32

incêndio

34

viagem às curvas

36

entrevista

38

entrevista

40

sobreirais

42

serrenhos em fuga

44

fichas técnicas

45

apoios

46

DeVir/Capa

47

escrita

CAPa centro de artes performativas do algarve rua frei lourenço de stª maria nº 4, 8000-352 Faro informações / reservas 289 828 784 tm 918 703 415(6)

dança


04 olhar Carlos Bica

Carlos Bica e Norberto Lobo

e se a nossa casa fosse tudo o que nos rodeia? what if our house was everything that surrounded us?

Ameixial Monto do Cravo Mealha

Feiteira ficha técnica contrabaixo, composição, direcção musical e imagem Carlos Bica guitarra acústica Norberto Lobo operação de som Luís Guerreiro luz Hugo Coelho captura de imagens e elaboração do guião para o vídeo Carlos Bica montagem Hugo Coelho

Barranco do Velho

Montes Novos

Casas Baixas

Cachopo


06 olhar Abel Neves

Abel Neves

alguns sinais para um texto sobre uma visita breve à serra do Caldeirão some signs for a text on a brief visit to the serra do Caldeirão

[o título talvez esteja achado, mas ainda não pode revelar-se não posso saber ainda o que virá a ser o texto sobre a visita ao Caldeirão, mas não será, nem poderia ser, uma reportagem nem será uma crónica usar-se-á o gosto pela dispersão, ao modo das polinizações palavrinhas à brisa algum texto está já composto, mas os sentidos ainda não imperam] [visita relâmpago: um clarão sem ruído] o lugar: gente, solo, casas, animais. o horizonte: imagem vídeo A paisagem a miragem: escrita/ texto A ilusão 1) o interior (o lugar) 2) o litoral (a utopia?) 3) da utopia ao lugar o lugar [quando abri o caderno dos apontamentos breves tinha uma frase escrita numa antiga ocasião: “podia ter perdido a memória, podia ter perdido” decidi aceitá-la] o horizonte [o Algarve além do horizonte o Algarve a descer, não muito, mas a descer, a ir para o mar, a ir ao sal e aos peixes, indo às áfricas para cima é ir ao país que há para baixo é ir às áfricas] a miragem [pés no lugar e vistas alteradas: alterações do lugar por efeito do que há além do horizonte a ilusão de uma terra melhor as necessidades mancham a ilusão? vem uma voz que me diz: de onde estás, vê se vês a ria Formosa leva saudades] [para que não haja perdição, há um fio que vai do litoral à serra] [é certo que irei aos pequenos capítulos] [por vontade da natureza, não haveria recanto que não estivesse sujeito ao domínio das vegetações assim, os guerreiros insurgem-se contra as raízes e o espalhafato do folhedo, e procuram a todo o tempo impedir a praga vegetal os guerreiros somos nós, interessados em ocupar tudo o que puder ser ocupado, afastando os moradores de antes] [uma materialização ilusória, a utopia: a fata morgana a serra com as suas artes do espectáculo] [são de estimar as pessoas que se aguentam neste mundo para, simplesmente, saudar as manhãs feitos pássaros, os serrenhos interessam-se pelas manhãs o olhar dispersa-se] [inevitavelmente a ruína, a paisagem humana arruinada: “onde vai o ferro, vai a ferrugem”] [e talvez haja um conto breve] ficha técnica texto e imagens Abel Neves luz Hugo Coelho captura de imagens e elaboração do guião para o vídeo Abel Neves montagem Hugo Coelho

[so there is no destruction, there is a line that goes from the coast to the Mountain] [by the will of nature, there would be no nook that was not subject to the power of the vegetation so, the warriors rebel against the roots and the confusion of the foliage, and seek at all times to prevent the vegetation plague we are the warriors, interested in occupying all that can be occupied, keeping away the dwellers of yore] [one has to appreciate the people who stand in this world to simply greet the mornings like the birds, the mountain people are interested in the mornings as they gaze around] [inevitably the ruin, the ruined human landscape: ‘where there is iron, there is rust’]

Ximeno Portela Vermelhos

Serra Chã

Cortelha

Barranco do Velho


08 olhar José Laginha

José Laginha e Marlene Vilhena

o “navio fantasma” japonês «Ryou-Un Maru», que se dedicava à pesca da lula, estava ancorado no porto da localidade japonesa de Hachinohe, na prefeitura de Aomori, quando foi arrastado pelo tsunami, tendo percorrido 4.703 quilómetros entre Março de 2011 e Abril de 2012. O barco, sem sinalização nem tripulação, esteve à deriva nas rotas de alto tráfego marítimo nas águas norte-americanas, e tornouse um perigo* real para os marinheiros. Dirigiu-se para o sudeste do Alasca, mais precisamente para a cidade de Sitka, a uma milha por hora. A embarcação japonesa de 65 metros de comprimento foi localizada por um avião da Força Aérea do Canadá, quando se encontrava a 278 km a oeste da ilha Haida Gwaii, no norte da província de British Columbia. A 5 Abril de 2012 a Guarda Costeira dos EUA abriu fogo contra o navio fantasma, usando uma metralhadora de calibre 25 milímetros, afudando-o, segundo Marc Proulx, coordenador marítimo do Centro de Socorro de Victoria. * aquilo a que chamo natureza está a descansar. está quase a acontecer, virá em força, mas depois. aqui o chão chama-se terra e promete.

a esteva (cistus ladanifer) é uma espécie de planta com flores da família cistaceae. é nativa da parte ocidental da região mediterrânica, crescendo espontaneamente desde o sul de França a Portugal, mas também no noroeste de África. É um arbusto que atinge 1m de altura e 2,5 m de largura. As folhas são persistentes, lanceoladas, com 3 a 10 cm de comprimento e 1 a 2 cm de largura e libertam uma resina aromática, o lábdano, usado como fixador em perfumes. a resistência** deste arbusto advém da sua estratégia de crescimento e expansão, a alelopatia, produção de substâncias químicas que, libertadas no ambiente, podem prejudicar o desenvolvimento normal e até mesmo inibir a germinação de outras espécies.

the Japanese ‘ghost ship’, ‘Ryou-Un Maru’, which was dedicated to fishing for squid, was anchored in the port of the Japanese city of Hachinohe, Aomori Prefecture, when it was swept away by the tsunami, having travelled 4,703 kilometres between March 2011 and April 2012. The ship, without signalling or crew, is adrift in the high traffic sea routes in North American waters, and became a real danger* to sailors. * what I call nature is resting. It is about to happen, will come in strength, but later. here the ground is called earth and promises.

gum rockrose (Cistus ladanifer) is a species of flowering plant from the Cistaceae family. It is highly resistent** thanks to it strategy of allelopathic growth and expansion. ** here I just am I feel whole. I do not fight but I resist, I am from here already. I am no longer feeling, so I can stay.

abandonement: to neglect, leave abandoned*** a territory *** all approaches but nothing comes. the smell came down. Here not even memories make sense. I am unlocked.

** aqui só estou, sinto-me todo. não luto mas resisto, já sou daqui. estou a deixar de me sentir para ficar.

significado de abandono subst. m.
1. acção de partir para não voltar: o abandono de um território 
 2. acção de deixar desamparado: negligenciar, deixar ao abandono*** um património relativamente ao qual somos responsáveis;
ao abandono
sem protecção ou cuidado: eles deixaram a serra ao abandono. *** tudo se aproxima mas nada chega. o cheiro caiu. aqui nem as memórias fazem sentido. estou destrancado.

Ximeno Cerro dos Vermelhos

Portela Moita da Guerra

ficha técnica concepção, co-criação, interpretação, cenário/figurinos e texto José Laginha co-criação e interpretação Marlene Vilhena música original Simão Costa, (excertos de sinfonias) G. Mahler (recolha) Michel Giacometti professor de voz Francisco Brazão desenho de luz Hugo Coelho e José Laginha operação de som Luís Guerreiro luz Hugo Coelho captura de imagens e elaboração do guião para o vídeo José Laginha montagem Hugo Coelho costura Rosa Vitorino produção Ana Rodrigues residências artísticas DeVIR/CAPa, Comédias do Minho/Centro Cultural de Paredes Coura, Casa das Artes de Arcos de Valdevez/Movimento Incriativo agradecimentos Miguel Vieira, Miguel Vitorino, Hugolino Rocha, João P Vaz, Pedro Morgado, Vasco Ferreira, Carlos da Silva, Nuno Soares, Susana Paiva

Cortelha


10 olhar Amélia Muge

Amélia Muge e José Martins sinais da noite nos dias signs of the night in the days

nota prévia acesos em mim estão os incêndios decorridos depois da visita. As memórias do que vi e trouxe nas imagens, parece que pegaram fogo também. Toda a sinopse e a maioria do trabalho a apresentar, foi feito antes do que aconteceu. Como as matas, ardem as palavras que escrevi e não sei, das imagens recolhidas, o que ainda existe. Como as árvores, as coisas e os bichos, o sentido desta escrita parece ser um monte de cinzas. Está a serra de luto. E eu, mais do que nunca, quero com este trabalho homenagear os locais que visitámos e a sua beleza única e insubstituível. O tempo vai voltar a devolver à serra o que é dela. Por isso, o que aqui partilho convosco, traz também esse gesto de esperança, de fenix renascida, que vai voar para lá deste requiem.

este título evoca uma ideia de noite simbólica, onde a ausência é escura, bem como o abandono, ou o desconhecido. Aqui partilhamos o que foi registado pelo nosso olhar em viagem, marcado pelas nossas lembranças, que esta visita refez e transformou em desafio criativo. Sinais da noite nos dias, faz lembrar o desconhecimento da riqueza da serra, face a um Algarve identificado com o sol, a praia, a visibilidade, a marca de um turismo cosmopolita, de época balnear, que parece ser a única maisvalia da região. Sinais da noite nos dias procura vestígios de um escuro, que nos desperta a visão, no meio de um espaço marcado pelo pisotear dos bichos, dos homens, do tempo. O que respira ali para lá do humano que se esconde por detrás das portas, da sombra dos alpendres, das frinchas das janelas? Que olhares nos fazem lembrar a noite dos medos, as penas dos voos por cumprir? Que riscos com asas dão crédito aos nossos ouvidos assaltados por chilreios de fim da tarde, ladrares de cão, cacarejares de galinha, ou mesmo chiares de porco? Que histórias se retorcem como os troncos? Que pragas corrompem as seivas da esperança? Que vida nos olha com curiosidade, medo, ou desconfiança? Que saudades do futuro nos retêm, mesmo depois de partirmos? Vindos desta noite que nos cega de luz, sabemos que esta serra não é de fácil entrega. Sabemos que o fascínio se esconde por detrás dos muros caídos, dos sons que se ouvem sem que se perceba quem os faz, ou fez. Sabemos que é impossível reter tanta dádiva, só à espera que a gente estenda até ela o nosso olhar, o nosso tempo de sermos mais serra. Por aqui vamos, no alto da procura destes caminhos sinuosos , cheios de curvas e saltos. São assim os caminhos que nos levam de certeza a qualquer coisa de único, que se revela, tal como a noite, no tempo de pensar que se pensa, sentindo que se vai, vindo do escuro, para uma sombra cheia de luz. Como a do mistério. ficha técnica concepção, criação Amélia Muge (a partir de proposta da DeVIR) voz e braguesa Amélia Muge banda sonora José Martins e Amélia Muge textos e canções Amélia Muge Canções Tradicionais percussão, som e sonoplastia José Martins desenho de luz Hugo Coelho captura de imagens e elaboração do guião para o vídeo Amélia Muge montagem Hugo Coelho agradecimento Miguel Vieira

Signs of the night in the days looks for traces of a darkness that awakens a vision, in the middle of an area marked by the trampling of animals, men, time. Coming from this night that blinds us with light, we know that the Mountain does not give in easily. We know that the allure hides behind the fallen walls, the sounds that can be heard without realizing who is making or has made them. The sun looks like the moon On a rainy and windy day. The branch sings a lament Like the howling of a dog. On a day when the rain overshadows The curved back of the land It seems the mountain cries For the fires to come. Running down the windows The houses, the boughs Signs of a leaden sky Signs of the night, in the day.

Ameixial Monto do Cravo Mealha

Feiteira

Barranco do Velho

Montes Novos

Casas Baixas

Cachopo


12 olhar José Maria Vieira Mendes

José Mª Vieira Mendes fechar fronteiras um diário closing borders

depois de dois dias de visita a uma serra que não é minha e a conversar com a coreógrafa Vera Mantero, comecei um diário póstumo desta viagem. Entradas que se escrevem como se cada dia fosse sempre aqueles dois dias, tratando a memória como ela merece: mentindo-lhe. O texto que ainda hoje se continua a escrever (porque “hoje” não é nada), aproveita a circunstância da observação minuciosa de uma serra e o convívio com uma representante de um género (o da dança) para continuar a descrever aquilo que hoje obsessivamente me importa. Fechar fronteiras é um diário que é teatro que é um território limitado. É a definição de fronteiras e a procura de um género num mundo cheio de géneros. E denunciar nas palavras as suas armadilhas e aproveitar o que me aparece à frente e me assegura a continuação. Escrever este diário é dar conta da existência, como faço todos os dias. É o formato do quotidiano, unidade mínima que garante uma descrição possível. A acumulação dos dias, dos acontecimentos, das ideias e de outros olhos é a única possibilidade que por agora encontro para dizer que existo. E a serra é o lugar que hoje o confirma. excertos um amigo escreveu num texto: “o homem tem um braço gigante.” Um leitor à procura de significados perguntou-lhe: “o que significa um braço gigante?”. E o meu amigo respondeu: “Significa que o homem tem um braço gigante.” Este diário não é poesia. Não é metáfora. Aqui, uma palavra é uma palavra. Como uma rosa é uma rosa. *** O meu lugar é uma montanha que é uma folha de papel. Por exemplo. Posso descrever essa folha com as palavras giesta, canja para o jantar, museu vivo, medronhos, curral, estrelas e auto-estrada. Posso pintá-la com cores e descrever os sons. A minha montanha é construída. Andaimes a sustentar a terra. A ordem sou eu que a faço. Traduzo aquilo que me dizem umas bocas sem dentes. Sou um porta-voz. (De pequeno porte. Mas com muitas portas.) Represento um género. Chama-se teatro. (Pode ser teatro de portas.) Nada do que digo é meu. E no entanto ninguém me percebe. Dizem que sou abstrata. Ou simbólico. Ou bela. Ou teatral. Não percebem. Eu sou uma montanha. Sugiro uma visita de estudo. *** Eu não estou aqui. Sou conhecido pela minha ausência. Nunca estou nos dias em que falo. Aquilo que aqui veem é uma representação que não me quer representar. Esta representação representa-se a si própria. É teatro. Não precisa de mim. Vive numa montanha. E isto é o mesmo que dizer: “Eu tenho um braço gigante”. Ou: “Eu sou uma montanha”. *** O linho é uma planta e não um lençol. Um serrano é aquele que habita a serra e não o que serra o tronco. Uma roca é um instrumento de tecelagem e não uma rocha. Um sobreiro dá cortiça e não sobranceiros. Um pego é um acidente de relevo e não um prostituto. Uma azinheira é uma árvore com sombra e não uma pista de velocidade. A montanha é uma serra e não uma mão estranha. Este texto é um braço gigante e não um queixo.

closing borders is a journal that is theatre that is a limited territory. It is the definition of borders and the search for a genus in a world full of genera. And denounce its pitfalls in words and take advantage of what appears to in front of me and assures me to continue. Writing this diary is to give an account of existence, as I do all day. It is the format of daily life, minimal unit which ensures a possible description. The accumulation of days, of events, of ideas and other eyes is the only possibility for now to say that I exist. And the mountain is the place that today confirms that.

Casas Baixas Cachopo Feiteira Montes Novos Barranco do Velho Javali

ficha técnica texto e imagens José Maria Vieira Mendes apresentação Patrícia da Silva luz Hugo Coelho e Patrícia da Silva captura de Imagens e elaboração de guião do vídeo José Maria Vieira Mendes montagem Hugo Coelho

Alcarias Baixas

Pêro de Amigos

Cova da Muda


14 olhar Vera Mantero

Vera Mantero

talvez tudo com vozes ao longe, vozes de vidas que já não existem. ou sons de pedras. música de pedra. feita com pedras. “duas pedras afrontadas parecem indicar a abertura”. também podia usar o triângulo (“ferrinhos”), mas só para esfregar as duas peças de metal uma na outra, não para bater. fazer com elas um som soprado, um som de silêncio. e dizer ou cantar algo. as melodias daqui são muito bonitas e todas de tendência “orientalóide”. parece que são “em eólio”. por serem assim lindas e enleadas. e é frequente encontrar-se um curto estribilho que reza assim: “oh, tão lindo!”. oh, tão lindo. oh. tão lindo. oh tão lindo. há gente assim, que se sabe espantar com a beleza. podia talvez fazer uma montagem com vários “oh, tão lindo!” juntos e misturados. como a sequência de beijos na boca no fim do Cinema Paraíso. muitas das músicas são religiosas mas curiosamente “enxertadas” em ritmos quase dançantes. religião transe. repetição hipnótica. e há também o caso de as músicas na Cortelha começarem todas com um ou no máximo dois acordes no acordeão. “estes artefactos de pedra colocam importantes questões crono-culturais”. visita à serra, vídeo 2, 2º clip, por volta dos 3’: aqui esta parte da nossa serra é muito sui generis no que diz respeito à produção da cortiça. Porque a tradição está muito enraizada. Toda a vida tiraram a cortiça como tiram, toda a vida tiveram os tiradores de cortiça como têm, toda a vida negociaram a cortiça na árvore como negoceiam, e toda a vida a cortiça foi tratada como ainda hoje é tratada. visita à serra, vídeo 2, 12º clip, no início: “vejam uma coisa: aparentemente isto não presta pra nada... sim, a esteva... isto é esteva, não é?... sim. isto... onde está castanho... isto, tipo assim... é extraído daqui um óleo. do qual fazem... óleo de essência

de esteva e pasta de goma. hmm... ahã... pra quê? (silêncio). indústria cosmética. ah é?... um perfume é tanto mais caro quanto mais tempo ele ficar fixo na pele, correcto? hmm... deve ser... não sei, eu não uso perfume... mas deve ser... (risos) se o perfume ficar 48h na pele vais ver que ele é super caro. ahã... a substância responsável dessa fixação encontra-se aqui” (ramo de esteva na mão desde o início). UM ESTEVAL É UM MAR DE ESTEVAS. visita à serra, vídeo 2, 37º clip: “mas Miguel, diz-me lá, para além das barragens para reter a água, o que é que era importante fazer aqui? olha, parece-me importante... [fica a pensar]... ppvvvv [som com os lábios]... que o Estado diga aos proprietários dos terrenos o seguinte: Meus amigos, ou o vosso terreno começa a produzir alguma coisa ou nós tomamos posse dele. [olha para mim em silêncio com ar de quem pergunta se estou a perceber]. Tás a ver a ideia?. Tou”. Maria não acredito que não saibas dar o passo. Dá um passinho atrás de outro, encosta-te aqui ao meu braço. Olha lá maria, meu amor já ganhaste, olha lá maria, não o deixes fugir Olha lá maria, tem muito cuidado, olha lá maria, não o deixes partir. como usar texto de outras maneiras que não pura e simplesmente dizendo-o? acho que esta questão sempre esteve presente em mim em relação ao texto. como agora só consigo imaginar dizer texto de uma maneira normal e estou a estranhar muito isso e isso parece-me uma coisa pobre, lembrei-me que dantes era assim que eu abordava a palavra: nunca a ser dita normalmente, sempre a ser encontrada uma forma outra, “estranha”, de a dizer. como se “dizer normalmente” não servisse para se perceber o que se está a dizer, não funcionasse para se perceber o fenómeno do que está a

ficha técnica concepção, interpretação Vera Mantero luz Hugo Coelho e Vera Mantero desenho de luz Hugo Coelho e Vera Mantero captura de imagens e elaboração de guião para o vídeo Vera Mantero montagem Hugo Coelho residência DeVIR/CAPa agradecimento Miguel Vieira

ser dito. e além disso talvez a maior parte das vezes o texto não fosse de facto usado para ser dito e sim para outras coisas. “Quem fala encontra uma extraordinária fonte de inspiração num rosto humano que esteja à sua frente; e um olhar que nos anuncia que um pensamento ainda só meio expresso já foi captado oferece-nos muitas vezes a expressão necessária para a restante metade [que ainda está por expressar/articular]”. Heinrich von Kleist, Sobre o Teatro de Marionetas. Coisas deste género intersectadas por uma litania que não tenha nada a ver com coisas deste género. maybe all with voices from afar, voices of lives that no longer. or sounds of stones. Stone music. made with stones. ‘two affronted stones seem to indicate the opening’. I could also use the triangle, but just to rub the two pieces of metal together, not to hit them. make with them a blown sound, a sound of silence. and say or sing something. the melodies here are very beautiful and all tend to be oriental sounding. They seem to be ‘Aeolian’. because they are so beautiful and entangling. and you often find a short refrain that goes: ‘oh, so beautiful!’. oh, so beautiful. oh. so beautiful. oh so beautiful. There are folks like this, who are astounded by the beauty. many of the songs are religious but curiously ‘grafted’ in almost danceable rhythms. religious trance. hypnotic repetition. and there is also the case with the songs in Cortelha all start with one or at most two chords on the accordion. ‘these stone artefacts pose important chrono-cultural’.

Casas Baixas Cachopo Feiteira Montes Novos

Alcarias Baixas

Barranco do Velho Javali

Pêro de Amigos

Cova da Muda


16 olhar João Paulo Esteves da Silva

João Paulo Esteves da Silva partitura music score

no princípio não acreditei no projecto que desenhei em segredo logo durante a visita à Serra do Caldeirão. Recolher imagens com uma câmara era, no meu caso, uma completa novidade. E no entanto tive a sensação que poderia fazer um filme! Foi esse o começo do projecto, silencioso; só acreditei depois da montagem com o Hugo Coelho. Mas é isso! Com as imagens recolhidas na serra fiz um filme de trinta minutos. Chama-se Partitura; a ideia para a performance de 29 de Setembro é a de ler essa partitura, ou seja, produzir, ao vivo, a banda sonora do filme, tocando piano, acordeão, dizendo, aqui e ali alguns textos, cantando e guardando, ocasionalmente os sons originais: cacarejos, balidos, vozes, vento, etc… Agora, ao trabalhar com o filme, tenho a sensação de estar a elaborar como que um poema multimédia, em que os diversos elementos, visuais, textuais, sonoros… se vão traduzindo numa harmonia possível, ou inventada. O título, Partitura, remete também para a ideia de partida nos seus diversos sentidos: abandono, viajem, separação, quebra etc.…há gente que parte, modos de vida que se quebram, destruições e restauros…Tudo isso faz a partitura que vai estar na estante. Houve uma desgraça durante as filmagens; mas ainda bem: uma imagem na qual depositava grandes esperanças não apareceu depois no vídeo. Falta de pilha, com certeza. Era uma planta de linho em flor. Durante o passeio tinha estado uns minutos a filmá-la e a escrever num bloco umas melodias que ia ouvindo só por estar a vê-la, ao mesmo tempo que, ao fundo ressoavam explicações técnicas sobre tecelagem. A imagem desapareceu! Mas não da memória. E é possível que este linho desaparecido acabe por dar o tom à Partitura, tecida com o que se esvai… com o que se parte, e que parte.

music score read that music score, that is, to produce, live, the film’s soundtrack, playing the piano, the accordion, saying some words here and there, singing and occasionally keeping the original sounds: cackling, bleating, voices, wind, etc… When working on the film, I have the feeling of creating something like a multimedia poem, in which the various elements, visual, text, sound… are blending into a possible harmony, or invented. The title, Partitura (score), also conveys the idea of departure in its various senses: abandonment, travel, separation, break, etc… there are people who depart, ways of life that break up, destruction and restoration… All this makes the music score that will be on the shelf.

Ameixial Monto do Cravo Mealha

Feiteira

ficha técnica piano, composição, direcção musical e imagem João Paulo Esteves da Silva operação de som Luís Guerreiro luz Hugo Coelho captura de imagens e elaboração do guião para o vídeo João Paulo Esteves da Silva montagem Hugo Coelho

Barranco do Velho

Montes Novos

Casas Baixas

Cachopo


18 olhar Mickael de Oliveira

Mickael de Oliveira e Mariana Tengner Barros

apologéticas se me perguntarem se sou um homem de visão, direi que não. apologetic If you ask me if I am a man of vision, I would say no.

se me perguntarem se a verdura me desperta emoções, direi que não. Se me perguntarem se o degelo me assusta, direi que não. Se me perguntarem se as alterações climáticas mexem comigo, direi que não. Se me perguntarem se o impacto de um asteróide faz-me sentir pequeno e finito, direi que não. Se me perguntarem se a presença do homem é uma peste para o planeta, direi que não. Se me perguntarem se o homem deve povoar o planeta, direi que não. Se me perguntarem se o homem é bom, direi que não. Se me perguntarem se o homem é mau, direi que não. Se me perguntarem se sou um homem de dialéctica, direi que não. Se me perguntarem se sou um homem de visão, direi que não. E o meu pequeno “teatro” na black-box do CaPa será um simples mea culpa, sob fundo musical.

If you ask me if the vegetation stirs emotions in me, I would say no. If you ask me if the melting icecap scares me, I would say no. If you ask me if the climate change moves me, I would say no. If you ask me if the impact of an asteroid makes me feel small and finite, I would say no. If you ask me if the presence of man is a plague for the planet, I would say no. If you ask me if man should populate the planet, I would say no. If you ask me if man is good, I would say no. If you ask me if man is bad, I would say no. If you ask me if I am a dialectician, I would say no. If you ask me if I am a man of vision, I would say no. And my little ‘theatre’ in the CaPa black-box will be a simple mea culpa, on a musical background.

Anta da Masmorra

Mealha ficha técnica textos Mickael de Oliveira direcção Mickael de Oliveira, com a colaboração de Mariana Tengner Barros interpretação e música Mickael de Oliveira e Mariana Tengner Barros acompanhamento crítico Cláudia Dias e Mariana Tengner Barros operação de som Luís Guerreiro luz Hugo Coelho captura de imagens e elaboração de guião para o vídeo Mickael de Oliveira

Casas Baixas Alcaria Pedro Guerreiro

Cachopo


20 olhar Maria João Luís

Maria João Luís e Daniel Gorjão

uma solidão igual à minha uma solidão igual à minha

“Do que somos e queremos na verdade pouco resta, um pó ínfimo sobrenada, e o resto, Pierre Loeb, o que é?” encontros e reencontros para questionar a serra e o homem. O encontro de Daniel com Maria João e de ambos com Antonin, para em conjunto pensar uma performance com a ideia de que a serra é apenas e só o espelho do homem e o homem o espelho da serra, que vivem neste momento uma solidão partilhada, sem encontros nem desencontros, sem chegadas nem partidas, presos por si mesmos à vontade de uma natureza que não se apoia a si própria, onde os movimentos são constantes de ambos os lados, dispersos, perdidos e nunca apoiados. É o abandono da serra ao homem e do homem à serra que se torna inevitável como nascer e morrer, como sermos gente, a gente entre serras, antes das serras e depois das serras.

“Of what we are and want in truth there is little left, a minute speck of dust, and the rest, Pierre Loeb, what is it?” Encounters and re-encounters to question the serra (mountain) and mankind. The meeting between Daniel and Maria João and both of them with Antonin, so that they can together think up a performance with the idea that the mountains are merely and nothing more than the mirror of mankind and mankind the mirror of the mountains, who today are living through a moment of shared solitude, with no encounters or reencounters, no arrivals or departures, chaining themselves to the will of a nature that does not support itself, where the movements of both sides are constant, dispersed, lost and never supported. It is the mountain’s abandonment to man and man’s abandonment to the mountain which becomes as inevitable as birth and death, as us being people; people among the mountains, before the mountains and after the mountains.

Ximeno Portela Vermelhos

ficha técnica criação e interpretação Maria João Luís e Daniel Gorjão texto Antonin Artaud e Maria João Luís desenho de luz Hugo Coelho captura de imagens e elaboração de guião para o vídeo Daniel Gorjão montagem video Hugo Coelho residência DeVIR/CAPa

Serra Chã

Cortelha

Barranco do Velho


22 olhar Cláudia Dias

Cláudia Dias e Cecília Laranjeira ES.CA.LA Pour des raisons climatiques, pour des raisons économiques, pour des raisons de délocalisation d’entreprises, pour des raisons touristiques, les gents bougent, et ils bougent dans un monde qui est effectivement de plus en plus petit. Paul Virilio

é um projecto que tem início com a visita efectuada à Serra do Caldeirão, em Abril de 2012, no âmbito dos Encontros do Devir. Nessa visita fiquei impressionada pela camada extremamente fina dos solos, originada pela rocha xisto-grauvaque. Esta rocha produz solos poucos férteis, uma das razões para o abandono da Serra e pela migração das populações para a zona Litoral do Algarve. Por outro lado, a pedra é um material passível de ser trabalhado, moldado, transformado e usado, quer na construção de objectos concretos e utilitários, quer na construção de objectos artísticos. Nasce assim a imagem detonadora para esta criação – trabalhar com pedras recolhidas na Serra do Caldeirão, retiradas do seu meio natural e deslocadas para o estúdio. A transposição de elementos naturais/reais para o contexto ficcional do palco não tem uma ambição naturalista. Prende-se tão somente com curiosidade explorar a matéria pedra. De forma a evitar essa leitura naturalista decidi trabalhar sobre a escala. Construí uma maquete de uma black box, com as dimensões de 50cm/50cm, correspondente a um palco de 10m/10m. Será nessa representação laboratorial do palco que as pedras serão colocadas e o centro da acção decorrerá. O espectáculo resultará da manipulação da maquete ao vivo com possível captação e projecção vídeo

the overriding image for this creation – working with stones collected at the Serra do Caldeirão. The transposition of natural/real items into the fictional context of the stage is not part of a naturalist initiative. It came about through the curiosity of exploring the stone material. In order to avoid this naturalist reading, I decided to work to scale. I constructed a black box model (50x50cm), corresponding to a stage (10x10m). It will be in this laboratorial representation of the stage that the stones shall be placed and where the centre of action shall take place. The performance will result from the live manipulation of the model with possible video recording and projection.

Anta da Masmorra

Mealha ficha técnica direcção Cláudia Dias assistência Cecília Laranjeira interpretação Cláudia Dias e Cecília Laranjeira vídeo Cecília Laranjeira desenho de luz Cláudia Dias captura de imagens e elaboração de guião para o vídeo Cláudia Dias montagem Hugo Coelho som a definir residência DeVIR/CAPa

Casas Baixas Alcaria Pedro Guerreiro

Cachopo


24 olhar Gonçalo M. Tavares

Gonçalo M. Tavares simplicidade e ameaça um passeio pela Serra (escrito antes do fogo-mau)

simplicity and threat a stroll through the Mountain (written before the evil-fire) as if to simplify is to assume that on the eighth day what is left to do is nothing – let grow what is already growing.

como se simplificar fosse assumir que no oitavo dia o que há a fazer é nada deixar crescer o que já está em crescimento.

Ximeno Portela Cavalos Cerro dos vermelhos

Moita da Guerra Cortelha

ficha técnica textos Gonçalo M. Tavares luz Hugo Coelho captura de imagens e elaboração de guião para o vídeo Gonçalo M. Tavares montagem Rui António


26 olhar André Teodósio

André e. Teodósio (*? ?) aka PERIGO DE MORTE aka DANGER OF DEATH

a convite dos encontros DeVIR/Capa percorri no Algarve ‘cidades fantasma’. Onde por entre serras e cidades se podia assistir ao fim da humanidade, essa nova natureza, estive presente como testemunha. Haverá maior Museu que a Natureza? De máquina de filmar na mão assisti e registei a catástrofe humana acompanhada por desertos, cruzes, selvas, ossos, migalhas, tachos furados, carros bambos, casas e casotas adjacentes. PERIGO DE MORTE é um grande desastre: o sacrifício de se estar em perigo de morte. Não a morte do espaço. O de toda a humanidade (ou pelo menos, a minha). E há que fazer alguma coisa! PERIGO DE MORTE é a acção de um dia. E no fim diremos... Ite, missa est.

aka DANGER OF DEATH I travelled through ‘ghost towns’ in the Algarve. Where amidst mountains and cities I could watch the end of humanity, that new nature, I was present as a witness. Is there a bigger Museum than Nature? Holding a camcorder, I saw and recorded the human catastrophe accompanied by deserts, crosses, jungles, bones, scraps, pierced pots, rickety cars, houses and adjacent kennels. DANGER OF DEATH is a great disaster: the sacrifice to be in danger of death. Not the death of the space. That of all humanity (or at least mine). And something must be done! DANGER OF DEATH is the action of one day. And at the end we will say... Ite, missa est.

Ximeno Cerro dos Vermelhos

ficha técnica um espectáculo de e por André e. Teodósio captura de imagens e elaboração de guião para o vídeo André e. Teodósio

Portela Moita da Guerra

Cortelha


28 docs serra mú

prosolhos imagens das caras das gentes da serra servem de suporte aos seus testemunhos

só testemunhos

lavraofícios imagens do manuseamento de instrumentos de trabalho

como se faz

abusoverbal imagens da Serra do Caldeirão ou Serra Mú onde não cabe o humano

só paisagem

nota no processo de investigação e produção destes encontros, nunca houve o interesse de entrar em contacto directo, ou em diálogo, com as comunidades locais ofogo é um documentário extra que mostra o efeito do fogo que ciclicamente atinge a Serra.


csรณ paisagem negra

imagens da Serra depois do fogo

ofogo

A Tia Bia

Pensรฃo Restaurante Barranco do Velho

Retiro dos Caรงadores

Ma Rosรกrio Domingos

Cachopo

Currais

Restaurante

Ervas aromรกticas


30 worshop serra mú

um público para as imagens e, já agora, um palco notas sobre um workshop de projecto fotográfico na Serra do Caldeirão

Não há forma simples de abordar território tão equívoco como o das imagens. Afinal para que serve uma imagem e, no caso da linguagem fotográfica, o que verdadeiramente nos revela e fixa enquanto fotógrafos? Todos os participantes neste projecto sabem que defendo uma prática da fotografia para além da técnica, imersa na consciência do acto criativo inerente à construção de qualquer objecto artístico. Sabem que não concebo a fotografia senão enquanto linguagem de pleno direito e que não promovo uma prática onde liberdade e responsabilidade não se doseiem em igual medida. O que talvez não saibam é que, cada vez mais, insisto na ideia de que não há fotografia sem comunicação, sem partilha com os seus espectadores. A fotografia que não encontra o seu público é, à imagem de qualquer espectáculo de artes performativas, um nado morto que não terá possibilidade de alimentar o imaginário de quem a frui, interpreta e reinventa. As imagens de todos os que, no âmbito desta formação, se dedicaram de forma sistemática - pesquisando, experimentado, questionando - à construção de uma imagética pessoal sobre o território da Serra do Caldeirão merecem um espaço que não cabe nestas páginas. Merecem ser fruídas enquanto séries coerentes que são, visionadas integralmente e projectadas à escala da paisagem. Merecem também um público que saiba distinguir um exercício técnico de um projecto artístico e um palco onde, frente aos seus interlocutores, cada um dos fotógrafos possa afirmar a sua singularidade. E é por isso que desde já vos convidamos a estar presentes no CAPa onde, na noite de 26 de Setembro, serão projectadas as séries fotográficas integrais, Susana Paiva devidamente contextualizadas.

01

02

There is no simple way to tackle a field as equivocal as the field of images. What is an image for? And, when it comes to photographic language, what do images truly reveal and establish for us, as photographers? All the participants in this project know that I advocate the practice of photography that goes beyond the technique, immersed in the conscience of the creative act inherent to the construction of any artistic object. They know that I see photography as no less than a language unto itself and I advocate practice where freedom and responsibility come in equal measure. What they perhaps do not know is that I increasingly insist on the idea that photography does not exist without communication, without sharing with its viewers. Photography that does not find its audience is, like any performing art, a stillborn without any chance of feeding the imagination of whoever enjoys, interprets and reinvents it.

01 Alexandra Martins 02 Bruno Filipe Pires 03 Eurídice Cristo

03

dona Ausência mora aqui

04 Nada Mandelbaum hipódrico

05 Marco Berenguer

a efémera marca humana

06 Miguel de Sousa 07 Luís Nogueira

olha para as coisas de frente até começares a vê-las

08 Tátá Regala

pé-de-folga ( foto das sandálias) Pé-de-Rosa (das pantufas)

09 Rui António movimento

10 Jorge Manso

terra a.m. (foto c /verde) terra p.m. (foto mais escura)

04


05

06

07 08

10

09


32 boa viagem e bons encontros

Cavalos

Ameixial Cachopo

Monto do Cravo Mealha

Moita da Guerra

Casas Baixas

Feiteira Feiteira

Cachopo

Montes Novos

Cortelha

Barranco do Velho

Barranco do Velho

Montes Novos

Anta da Masmorra

Ximeno

Mte da Estrada Monto do Cravo

Portela Mealha

Cortelha

Vermelhos

Cachopo Estragamanténs Feiteira

Barranco do Velho

Serra Chã

Montes Novos Barranco do Velho

Mealha

Anta da Masmorra

Alcaria Pedro Guerreiro

Valeira

Ximeno

Cachopo Estragamanténs

Cerro dos Vermelhos

Feiteira Barranco do Velho

Portela Moita da Guerra

Montes Novos Cortelha

Moita da Guerra Ameixial

Corte João Marques

Cavalos

Anta da Masmorra

Mealha

Cortelha Monto do Cravo

Alcarias Pedro Guerreiro

Serra Brava Cachopo Barranco do Velho


Casas Baixas

Mealha

Cachopo

Cachopo Anta da Mealha

Feiteira Montes Novos

Alcarias Baixas

Barranco do Velho Javali

Montes Novos

Pêro de Amigos

Estragamanténs Feiteira

Barranco do Velho

Cova da Muda

Estragamanténs Moita da Guerra Feiteira Cortelha Anta da Masmorra

Alcaria Pedro Guerreiro

Mealha

Casas Baixas

Montes Novos Barranco do Velho

Cachopo

legenda juntando todas as imagens do mapa (peças do puzzle) pela ordem sugerida, obterá um mapa/carta militar da Serra do Caldeirão os trajectos aqui assinalados foram os percursos que os criadores realizaram durante as suas visitas à Serra. Ximeno Portela Cavalos Cerro dos vermelhos

Moita da Guerra Cortelha

Carlos Bica Amélia Muge João Paulo Abel Neves Daniel Gorjão André Teodósio José Laginha Vera Mantero José Maria V. Mendes Cláudia Dias Mickael Oliveira Gonçalo M. Tavares workshop de fotografia


34 páginas negras incêndio

sobreiro 1ª extracção cortiça virgem 25/30 anos

sem valor comercial

2ª extracção cortiça secundeira 40/50 anos sem valor comercial

3ª extração cortiça amadia 50/60 anos com valor comercial

extracções subsequentes ciclo mínimo legal 9 anos


incêndio área total ardida 24.800 hectares área de sobreiro 2.800 hectares nº aproximado de sobreiros ardidos 280.000 nos sobreiros que resistiram ao fogo será necessário esperar um ciclo de 2/5 anos para retirar a cortiça ardida e depois mais o ciclo mínimo normal de 9 anos para retirar cortiça com valor comercial


36 viagem às curvas Miguel Vieira/criadores

Cortiçadas 37°15’26.47”N, 7°57’23.66”W estamos no Algarve! para além da questão da fixação de população que outras A maior parte das pessoas que conheço que dizem que vêm ao Algarve falam apenas da faixa litoral, isto para eles não existe. Mais: as pessoas daqui, dizem que não são do Algarve e eles dizem-se de onde? Da serra, identificam-se como serrenhos, e quando vão ao litoral dizem que vão lá a baixo ao Algarve eles podiam dizer que são da serra do Algarve não, dizem-se da serra então é a serra… “a Serra” para eles é uma transição entre o Algarve e o Alentejo mas eles também não se sentem alentejanos? não, não! os alentejanos vivem em terras planas, o algarvio é aquele vive perto da praia e eles são serrenhos, a serra é isto! estão um bocado fora do planeta estão um bocadinho fora geograficamente do mapa engraçado, são um bocado da terra de ninguém sim, é a tal zona de transição, nem Algarve, nem Alentejo

Vale Maria Dias 37°15’48.93”N, 7°57’45.26”W esta zona está um bocado abandonada, o que é que se devia estar a fazer aqui ou, ao que é que se devia estar a ter atenção? os melhores solos agrícolas estão lá em baixo. Lá temos camadas aráveis de 1-5 metros de profundidade. Os melhores terrenos na serra têm cerca de 40 cm e isso aqui é excelente, depois é pedra, rocha. Lá em baixo fazem cidades em cima de terras que podem ser bastante produtivas em termos agrícolas. O que acontece cá na serra é a dificuldade de construir, de fazer pequenos projectos de requalificação e transformação, o que permitiria a fixação de população. aqui há poucas pessoas, cada vez há menos, as pessoas são idosas, morrem e não há substitutos, isso é problemático porque está a haver uma desumanização da serra (desertificação humana). Atenção! Não estamos a falar de desertificação (do território), aqui não há deserto, como podem ver. As pessoas é que fogem daqui. Cortelha 37°15’26.47”N, 7°57’23.66”W seria vantajoso que as autarquias tivessem um trabalho mais atento e pró-activo? sim, por exemplo abrindo o leque dos PDMs. Dou-te o exemplo de um grupo de jovens que vive e trabalha aqui na Cortelha, alguns já com filhos, outros na perspectiva de tê-los. Apresentaram um projecto à CM. Loulé, há 10-12 anos que consistia na construção de uma urbanização, criando uma comunidade com 12 - 14 habitações, num terreno que é um cabeço só tem rocha, não tem mais nada, sem aptidão para agricultura. Ainda estão à espera, porque uma parte é reserva ecológica nacional, outra é outra coisa qualquer, e há aquele impasse. Eu acho ridículo! Quando os mesmos autarcas no litoral autorizam construções em cima de falésias, da praia, das melhores terras do Algarve para cultivo, e aqui na serra não se pode fazer nada. A maior parte dos casos, eu posso-vos dizer, tem a ver com os ambientalistas. Os senhores ambientalistas têm muita culpa disto. mas por exemplo vocês têm algum diálogo com eles? não Porque é que isso não acontece? eles são donos e senhores do seu nariz, eles sabem tudo. As câmaras têm divisões de ambiente ainda não percebi o que é que fazem, a CCDR tem divisão de ambiente (ou parte do ambiente) e não sei o que fazem, depois há o ICN e antigamente havia o Ministério do Ambiente que já não há é como o da Cultura! não faço ideia do que fazem, no entanto temos uma herança legislativa e burocrática que nos é imposta nestas zonas da serra pela parte ambiental, que é uma coisa brutal. mas porquê é que essa herança não funciona no litoral mas funciona aqui? o problema é dos interesses económicos, eles têm uma arma que é o PDM, pegam e alargam as cidades, alteram o PDM? sim, telefonam para toda a gente (os que detêm o poder ou a tomada de decisão dos diferentes sectores), alteram e ponto final, não querem saber, mas abrir uma excepção dentro do plano de pormenor para esta zona…é impossível!

questões se levantam aqui na serra? a questão da produção florestal. Nós temos aqui um grande problema, aliás 2: o primeiro são os fogos, e o outro é que não há cadastro. Ao não haver cadastro dificilmente se conhece bem os limites das propriedades, porque não estão marcadas. Acontece que a maior parte deste conhecimento tem vindo a morrer com as pessoas mais antigas. Os mais novos nada conhecem de uma área que é fabulosa para a produção florestal e está abandonada. Está abandonada por duas razões: uma tem a ver com o facto dos proprietários não conhecerem os terrenos que têm (quer em dimensão quer em qualidade para produção florestal), e por isso não os tratam, por outro lado a divisão dos terrenos em micro-parcelas não é sustentável em termos produtivos. Acresce ainda o facto de não haver dinheiro para investir, tomara as pessoas terem dinheiro para comer, vestir, levar os filhos para a escola, quanto mais meter dinheiro aqui na floresta… embora isto pudesse transformar-se num bom mealheiro mas não é imediato, a floresta tem sempre um limiar de retorno económico no mínimo para cima de 20 anos.

Serra Brava 37°15’37.36”N, 7°59’36.32”W estamos a entrar na serra brava, puro e duro. Isto é o início de um sub-bosque: não há a intervenção do homem, não há mato, há um manto de folhagem no chão, sente-se um fresco que não se sente lá em cima e embora não tenha chovido, a terra está húmida. Toda esta mancha que estão ver, se não houver nada que a altere, daqui a 40-50 anos teremos um magnífico bosque pré-adolescente. As entradas de veios de luz que passam por entre a folhagem da copa das árvores, que não são suficientes para o desenvolvimento de mato mantêm uma estabilidade debaixo deste manto. Por baixo desta folhagem há uma camada de matéria orgânica, que cria um equilíbrio microbiológico e de nutrientes, mantendo bons índices de humidade, que faz com que as árvores tenham uma sustentabilidade muito boa. É isto que enriquece o solo, em vez de termos aqueles eucaliptais que desfertilizam a terra, aqui tens um sobreiral onde existe uma série de plantas associadas a estas árvores, estou a falar das herbáceas, não das arbustivas, e um mundo de insectos, de bactérias e de aves e de animais. É impressionante a biodiversidade que temos aqui! Em termos económicos isto pode não ser produtivo (devido à elevada densidade, cada árvore produz menos cortiça, embora de maior valor comercial, o custo de extracção também é maior, o que colocando na balança os custo/benefícios temos no final um saldo não negativo mas abaixo do que costuma ser, por exemplo, no Alentejo, em que as árvores nessa região podem facilmente produzir 15-20 arrobas e as nossas 2 a 5 arrobas em média). Estes sobreiros produzem alguma cortiça, mas não em quantidade suficiente, no entanto em termos ambientais e paisagísticos: para a fauna, para a flora, para o ciclo da água, para limpar as cidades do dióxido de carbono - é do melhor que há.

Barranco do Velho 37°14’15.78”N, 7°56’13.13”W o sobreiro foi considerado a árvore nacional, e a cortiça é cada vez mais um produto que se distingue na produção nacional. Uma coisa curiosa para quem não sabe: a cortiça quando retiramos pela primeira vez é chamada cortiça virgem, que é aquilo que nós estamos ver aqui nestes troncos e que não tem valor comercial. Depois a segunda extracção é chamada secundeira, que também tem um valor comercial muito baixo. A terceira chama-se cortiça Amadia, essa sim é de qualidade e tem bastante valor comercial. Esta última extracção dá-se num sobreiro com mais de 50-60 anos. incrível! E quando é que se pode tirar a primeira cortiça? o que conta é a espessura: para retirar a primeira cortiça tem que ter à altura do peito -1.30m, 0.70 m de perímetro, o que acontece mais ou menos aos 25, 30 anos. depois a Anadia retira-se de quanto em quanto tempo? retira-se sempre de 10 em 10 anos. Por lei não se pode extrair cortiça antes de 9 anos, mas na Serra do Caldeirão, pelas suas características


edafoclimáticas, a cortiça é muito apertada e um pouco fina, o que é o passaporte para uma cortiça de qualidade, no entanto para ter a espessura ideal deixa-se crescer mais um ano. Depois da tiragem da cortiça é obrigatório colocar marcações a tinta no tronco com as iniciais do nome do proprietário e o algarismo referente ao ano de extracção: por exemplo aqui está um zero, é porque foi extraída em 2010. Não são permitidas meças, ou seja, dividir a extracção: ir tirando todos os anos cortiça em pequenas quantidades da mesma árvore. Apesar da quantidade de plantação de sobreiros que se pode ver, o sector da cortiça está com alguns problemas, debate-se com uma doença e/ou praga(s). Neste momento o problema é que não se consegue assegurar a produção, o montado está em declínio, por razões diversas, não se pode dizer que seja só doença, não se sabe a razão específica, até hoje não há estudos que sejam conclusivos.

Montes Novos 37°16’1.53”N, 7°54’31.45”W que planta é esta que se vê por todo o lado? é a esteva, uma planta invasora, um outro problema da serra. Um dos trabalhos fundamentais na requalificação do território que se faz aqui na serra é o controlo da invasão da esteva, o que permite o regresso da nossa flora nativa. O que possibilita a subsistência e predominância deste arbusto é um processo de alelopatia, através da produção de tercenos, uma substância química fundamental para a sua sobrevivência. Funcionam mais ou menos como as feromonas, ou seja, a esteva invade o território, e liberta tercenos no ambiente que fazem com que haja um ataque às outras plantas. Essa substância existe nas gomas, essências e nos óleos que se utilizam na indústria da cosmética. Paralelamente ao controlo da esteva fazemos a limpeza de mato, reflorestação e recuperação de pinhal e sobreiral e abrimos e requalificamos acessos importantes para o combate aos fogos. Outra intervenção fundamental passa pela criação de represas de água essenciais principalmente no verão para a manutenção da fauna e algumas hortas, abastecimento dos helicópteros e carros de combate aos incêndios.

Estragamanténs 37°18’ 21.78”N, 7°53’ 11.29”W entrámos na herdade de Estragamantens, um dos poucos antigos latifúndios existentes na serra do Caldeirão, para além da Valeira. Esta herdade pertencia a uma única família e albergava um número significativo de famílias que aqui trabalhavam. Aquelas casas neste momento têm hoje muitos proprietários, de sucessivas heranças. Já houve a tentativa de aquisição deste monte por parte de um grupo económico que queria fazer aqui um projecto de hotelaria, mas os herdeiros não se entendem. o facto de vir para aqui gente que não vem propriamente instalar-se com o propósito de produzir e tratar das terras, não achas que pode ser factor negativo? talvez leve alguns anos até haver um equilíbrio entre a parte hoteleira e a natureza, porque um projecto desses implica gente aqui a circular e obviamente é preciso encontrar uma boa gestão. Seria preferível virem para aqui pessoas fazer as suas vidas e ter as suas actividades: florestal, agrícola, agro-florestal, agro-silvopastoril. No entanto prefiro a criação de uma unidade hoteleira, com tudo o que isso implica do que isto estar ao abandono.

Cachopo 37°19’58.76”N, 7°49’2.18”W pegando na questão da desumanização (desertificação humana), há uma coisa que ainda não percebi: quais são as vantagens da humanização da serra? quais as vantagens das pessoas virem viver para aqui? aquilo que foi e é feito de mal pelo homem tem que ser recuperado. Muito dificilmente a natureza consegue fazê-lo só por si. Dois exemplos incontornáveis: o controlo da invasão da esteva (monocultura e ausência de Biodiversidade) e a recuperação e manutenção dos cursos de água. Aquilo que o homem desarranjou, só ele pode arranjar.

most people I know who say they are coming to the Algarve are only talking about the coast; this here does not exist for them. And another thing: the people here don’t say they are from the Algarve. where do they say they are from? from the Serra, they identify themselves as serrenhos (mountain dwellers), and when they go to the coast they say they’re going down to the Algarve. they could say they are from the Algarve Serra? but they don’t; they say the serra is the serra… “a Serra” in their eyes marks the transition between the Algarve and the Alentejo. but they also don’t feel like alentejanos (Alentejo residents)? no, no! The alentejanos live on flat land, an algarvio (Algarve resident) is somebody who lives near the beach and they are serrenhos, that’s what the serra is! they are a little bit on another planet? they are, geographically speaking, a little off the map. that’s funny, somewhat in no man’s land? yes, it’s the transition, not the Algarve, or the Alentejo. this zone is a little bit abandoned. What should be done here, or how should it be given attention? the best agricultural land is down below. There we have layers of soil of between 5 to 10 metres in depth. The best land in the mountains is around 40 cm deep, and this is excellent; afterwards it’s stone, rock. Below they build towns on top of the land that could be very productive in terms of agriculture. Up here in the mountains it’s difficult to build, to plan for small improvements and transformation projects, which would help the population to settle here. There are very few people here, and less and less. The people are old, they die and are not replaced. This is a problem because there are less and less people in the mountains – they are becoming deserted of humans. But look! We are not talking about desertification (of the land) – this is not a desert – as you can see. It’s just that the people are moving away. talking about this aspect, there’s one thing I haven’t been able to understand yet: what are the advantages of the humanisation of the mountains? Why do you think it would be a good thing for people to come and live here? What are the advantages? the damage that is and has been done by man has to be rectified. It will be very difficult for nature to do it on its own. Here are two clear examples: controlling the invasion of the gum rockrose and recuperating the water courses. What man has adversely affected, only man can put right.


38 entrevista Miguel Vieira

um Caldeirão cada vez mais vazio Bruno Filipe Pires 10.05.2012

Sobreiros doentes, pragas de plantas invasoras, e uma (réstia de) população humana em rápido declínio são alguns dos problemas que ameaçam transformar o interior do Algarve numa terra de ninguém. O diagnóstico é feito por Miguel Vieira, 39 anos, agrónomo e técnico da Associação de Produtores Florestais da Serra do Caldeirão (APFSC) - instituição particular de utilidade pública, enquadrada nos concelhos de Tavira, São Brás de Alportel e Loulé. Com cerca de 400 associados, esta associação dedica-se não só à prevenção de incêndios florestais e estudo do declínio do sobreiro, mas também a apoiar quem ainda vive na (e da) Serra do Caldeirão.

Podemos falar em desertificação na Serra do Caldeirão? Miguel Vieira Não. Isto não é nenhum deserto. Pelo contrário, é a expansão total da biodiversidade. O que há é um processo de desumanização. Penso que começou nos anos 1950 e teve o seu auge nos anos 1970. Qual é a vossa área de actuação? MV Não é toda a Serra do Caldeirão porque esta também entra no Alentejo. Estamos confinados à parte do Algarve, mais especificamente concelho de Tavira, São Brás de Alportel e Loulé. Quantos associados têm? MV Na ordem dos 400. Muitos não estão cá, mas têm algum interesse em recuperar o seu património. É um processo muito complicado porque não há cadastro. Não se sabe o que pertence a quem. Aqui na Serra, onde há árvores, as pessoas sabem mais ou menos onde são as suas partilhas. Porque, quando extraem a cortiça, dá para ver quem é o proprietário, pelas marcas que são pintadas no casco nas árvores. Quando não existe este tipo de arvoredo, e onde as manchas de mato e esteva são contínuas, isso é impossível. Há pessoas que não conseguem encontrar as propriedades que herdaram! Dou o exemplo aqui do Barranco do Velho: estamos na última década para se fazer o cadastro do território. Temos uma série de pessoas que estão na casa dos 70/80 anos, que ainda fazem a manutenção das propriedades de quem está fora. Ainda tomam conta das coisas. Resta-lhes, não tenhamos dúvidas, uma década de vida no máximo e sem elas será muito difícil o processo de cadastro. Nós íamos ter um gabinete de atendimento de cadastro, mas tem tido sucessivos atrasos. Essa ausência de cadastro é um factor de desumanização da serra? MV Em parte, sim. Repare, quando a pessoa tem vontade de voltar, quer ver o que tem, chega aqui e depara-se com estas dificuldades todas, facilmente desiste.

Essas propriedades poderiam ter usos agrícolas? MV Claro que sim. Na nossa serra há de facto zonas improdutivas, mas são ravinas e rochas. São trocos no cômputo geral. O problema agrava-se mais no concelho de Tavira, embora em Loulé já comece a haver o tal processo de desaparecimento dos idosos que têm o conhecimento.

não conseguiram juntar dinheiro ao longo da vida porque nunca tiveram rendimento para isso, sobrevivem à base da pequena agricultura ou da pequena produção florestal que ainda têm, ou da magra reforma que mal dá, a qualquer momento recebem uma carta a dizer: ou pagas, ou levamos-te tudo o que tens. E isto acontece em variadíssimas situações.

Acha que é possível reverter este processo? MV Há um monte chamado Estragamantens onde, segundo relatos, viviam para cima de 30 famílias, que em média tinham 5 a 6 filhos. Hoje em dia, não vive lá ninguém. Está em ruínas. Há muitos casos destes. Hoje quem é que quer vir para a serra? Só um escritor, um filósofo ou um tipo qualquer das artes que quer paz e sossego. Imagine uma família que queira vir para cá. Habitabilidade não existe. Se quiser comprar um terreno para construir uma casa, não pode. Tem de comprar uma ruína, que data do século XIX ou do princípio do século XX, que será para demolir. O seu custo é estupidamente caro. Custa a mesma coisa que um apartamento novo em qualquer sítio na orla costeira. Portanto, aquilo que temos é paz, sossego e paisagem. Repare, a sociedade evoluiu e as condições em que as pessoas habitavam a serra há uns anos atrás, não são as de hoje. No mínimo, hoje exigimos água quente, saneamento básico, escolas, sítios onde se possa fazer algum consumo, principalmente de bens alimentares, saúde e espaços de socialização. Aqui não há nada disso. Estamos a quilómetros de qualquer coisa... Reverter? Sim, é possível se houver uma grande vontade por parte dos decisores.

O que se produz na Serra do Caldeirão? MV O rendimento da nossa floresta não é apenas a cortiça, embora seja aquilo com que as pessoas mais se preocupam. Mas há uma panóplia de outros produtos – sementes, cogumelos silvestres, caça, fruto de medronho, rama ornamental, aguardente, pecuária, apicultura.

Como é a relação da Serra com o Poder central? MV Os serviços centrais estão quase todos completamente obsoletos. Hoje em dia não há proximidade de nada. Alguma coisa que corra mal num projecto, num subsídio, a pessoa recebe logo em casa uma carta ameaçadora. Tem de pagar ou vai para penhora. Pessoas de 70/80 anos que estão na sua fase terminal de vida, que

Que se passa com os sobreiros? MV É um problema muito muito sério. Sim, trata-se de um fungo: Phytophthora cinnamomi. Mas antes do fungo, existe um factor que é o uso da grade de discos. Tratase de uma alfaia pesada (com mais de um tonelada) que é responsável pelo corte das raizes das árvores. As pessoas ainda têm o sentimento na cabeça, que como os pais e os avós fizeram toda a vida lavouras, ainda pensam que a terra tem de ser lavrada. Claro, a diferença é que antigamente lavrava-se para se semear. Hoje, lavra-se para limpar mato. Logo, o que acontece é que a utilização de maquinaria e alfaias pesadas vai fazer com que as árvores em redor fiquem bastante debilitadas, já que se vão cortar as suas raízes. Para além disso, o nosso solo aqui é muito pobre em fósforo, que é o responsável pela produção de novas raízes e teor de fitoalexinas que são resistências naturais das plantas. E com o corte das raízes, ao abriremse feridas, aquilo fica muito susceptível à invasão de agentes externos. Tudo o que é pragas e doenças têm uma porta aberta para entrar. Que outros problemas identifica? MV Se falarmos em termos de incêndios florestais, a esteva constitui um problema. É uma invasora que já ultrapassou o fora


Caldeirão a story of decline

de controlo. A esteva tem grande potencial calorífico e é um combustível que arde com grande intensidade. Também temos a acácia mimosa, uma praga, que se não forem tomadas medidas, dentro de 30 anos vamos ter aqui um problema sério. Há ainda um atentado que é o aterro sanitário próximo da Cortelha. Está montado em cima das linhas de cabeceira da maior linha de água do Caldeirão que alimenta o Guadiana. Na altura em que essa decisão foi tomada, o Secretário de Estado do Ambiente era o Eng. José Sócrates. Segundo um grupo parlamentar que aqui esteve, comentou que apenas quis saber onde haviam menos habitantes para se construir o aterro... Mais algum caso de desperdício? MV A Serra todos os anos é assaltada. Roubam, das propriedades das pessoas. Há pilhagem pura e dura. Os medronhos desaparecem dos arbustos, os cogumelos são saqueados, a cortiça desaparece das pilhas, a caça é furtiva, entre outras coisas. O ano passado, as pessoas andavam preocupadas com os assaltos e havia populares a fazer vigilância às pilhas de cortiça. Por exemplo, recentemente foi visto um carro suspeito. Os populares ligaram à GNR e responderam que não podiam vir pois só estava um homem no posto mais próximo. Os impostos são para quê, afinal de contas? Para pagar guardacostas ao Presidente da República? Para pagar deputados obsoletos? A gente inculta no Parlamento? A política de conservação da natureza têm sido, sobretudo, não a utilizar. Qual é a sua opinião? MV Terá que haver sempre uma sinergia, uma cooperação e uma simbiose entre todos os elementos do território. Porque senão, nada funciona. Repare, o homem já interveio na natureza. Se não o tivesse feito, então eu concordaria com a radicalização do ambiente, a natureza por ela própria. Mas isso não pode ser. Se isso tivesse acontecido, existiria um bosque na Serra do Caldeirão. E nós não estamos num bosque. Um bosque é um sítio onde temos árvores de porte, em que as suas copas estão bem formadas, estão bem unidas umas com as outras e esse bosque evoluído é húmido, é verde e tem animais. Mas isso não existe. É mentira. Há um sítio aqui na serra em que se pode ver perfeitamente já uma

evolução para um pré-bosque. Mas bosque é impossível, porque já há invasoras. É caso da acácia mimosa, uma praga que se não forem tomadas medidas, dentro de 30 anos, vamos ter aqui um caso sério. Onde é que está o Estado? O Estado está consciente desse problema? MV Não sei se está. Mas se estiver consciente e nada for feito, é grave. Há emprego na Serra? MV Temos picos. Não podemos garantir a continuidade. A lei do trabalho não é compatível com a agricultura. Nesta actividade não há horários nem feriados. A lei do trabalho tem de ter isto lá escrito. Agricultura não é comércio, nem serviços. É a mãe natureza que faz os horários. Como é que vê este território? MV Já vi isto com melhores olhos. O incêndio de 2004 deixou tudo num descalabro. Arderam 28 mil hectares. Após esses incêndios houve zero medidas governamentais de apoio à recuperação daquilo que ardeu. O que há agora são umas medidas avulsas, e uma complicada e cara burocracia. No quadro comunitário anterior (programa AGRO) fizemos para cima de 200 projectos, principalmente florestais. Agora temos uma dezena. Isto quer dizer alguma coisa, não quer?

Diseased cork trees, plagues of weeds smothering natural vegetation and a human population in rapid decline. These are three of the principal problems threatening to turn the interior Algarve into a veritable no-man’s-land. This analysis comes from Miguel Vieira, 39, agronomist and one of the technicians at APFSC, the association of forestry producers of Serra do Caldeirão – a private institution with public responsibility, active in the boroughs of Tavira, São Brás de Alportel and Loulé. With approximately 400 members, APFSC concentrates on trying to save the declining cork oak and prevent forest fires. It is also a point of contact for those who live and work in the Caldeirão hills Can we talk about the desertification of the Serra do Caldeirão? Miguel Vieira No. Because it isn’t a desert. On the contrary, it’s a rampant expanse of biodiversity, with life to be found everywhere. What we can say is that there’s a “de-humanisation process” ongoing. It began in the 50s, and had its zenith in the 70s. Do you think the “dehumanisation process” can be turned round? MV There’s a hillside hamlet called “Estragamentens”. Research undertaken by our association shows that 30 families used to live there. On average each family had five or six children. These days, there’s no-one left. The place is in ruins. There are lots of cases like Estragamentens. Who would want to come and live here now, after all? A writer, a philosopher or someone connected to the arts looking for peace and tranquility perhaps. Imagine a family wanting to come and live here?! There simply aren’t the conditions. If you want to buy a plot of land to build a house, you aren’t allowed to. You have to buy a ruin that dates back to the 19th century or the beginning of the 20th – and then you have to demolish it! The cost is ridiculous. It makes building a home here as expensive as buying an apartment on the coast! Of course, what we do have is peace, tranquility and stunning natural beauty – but society has moved on. The way people live in hillside communities these days is not what it used to be. At the very least they require hot water, basic sanitation, schools, places where they can buy basic provisions, have access to health/ social interaction. There’s nothing like that here. We’re kilometres away from everything…Can things be turned around? Yes, it would be possible if there were a real push to do so by decision-makers.


40 entrevista José Chumbinho

raças autóctones em extinção Bruno Filipe Pires 22.08.2012

Há muito que a vaca algarvia já cá não está. Também estão em perigo a ovelha churra e a cabra algarvia. Uma problemática que José Chumbinho, 58 anos, conhece bem. Entre 2002 e 2005, este antigo técnico dos serviços de veterinária da Direcção Regional de Agricultura do Algarve fez parte de uma equipa multidisciplinar de investigação sobre a raça bovina algarvia. Dos vários trabalhos de campo realizados restam relatórios, amostras de sémen congelado e poucas cabeças de gado vivo no Alentejo – eventualmente, os últimos exemplares de um património sem grandes hipóteses de ser recuperado. Chumbinho explica porquê…

“Realmente existe uma vaca algarvia que já estava dada como extinta há mais de 30 anos. Ao longo deste período, muitos veterinários que conheci foram formados sendo-lhes passada a informação errada que esta raça não existia. Às vezes falavam comigo sobre isso e escarneciam de mim. Quem era eu, um mísero funcionário para dizer que a vaca algarvia existia? Independentemente do facto de ter sido “criado com elas”, conta José Chumbinho, actualmente reformado. A insistência acabou por resultar num projecto de recuperação da raça bovina. O relatório final, datado de Maio de 2005, apresentou resultados que “confirmam a existência de uma população bovina autóctone. Um total de 21 animais compostos por 18 fêmeas e 3 machos apresentam-se como bons candidatos enquanto núcleo de partida” para se começar a inverter o processo de extinção. Contudo, hoje “existem poucos animais. Há apenas uma associação que está a fazer das tripas coração para que essas vacas, hoje já muito velhinhas, continuem a ter crias”, revela. “Há outras vacas algarvias por aí, mas não há verba, nem interesse para se fazer um trabalho sério de protecção aos animais que ainda restam. Há um exemplar que está numa herdade do Alentejo, onde entrou a brucelose. É uma das melhores vacas e mais novas. Não pode sair de lá, pois a propriedade está em sequestro” sanitário. “Embora a lei não o permita, num caso destes deveria haver uma excepção para retirar esse animal da exploração, até porque, segundo sei, ainda não está positivo. E portanto, não deveria correr o risco de ficar doente e ser abatido, porque é um património genético vivo que está ali”, lamenta. Mas o que distingue esta raça? “São características próprias da evolução da vaca alentejana que ao longo de talvez milénios, viveu no Algarve. Como esta era uma região relativamente mais rica a nível de verdes, esta vaca evoluiu de uma outra maneira. Era o tractor dos pobres. Era uma vaca que puxava a carreta, que lavrava, que tirava a água à nora. Era a vaca que dava o leite, com que eu próprio fui criado. Era a vaca que fazia a debulha à moda antiga”, diz. Na Serra do Caldeirão, a vaca algarvia existia por toda a zona serrana confinante com o

Alentejo, nomeadamente na confluência do concelho de Silves com o de Loulé (inclusive). Esta “mancha bovina” continuava pelo concelho de Tavira. Segundo José Chumbinho, a presença desta raça autóctone não estava confinada às zonas serranas. A sua distribuição era sempre da serra para o litoral e tinha uma particular importância nas hortas do barrocal algarvio. Certo dia, em trabalho de campo no âmbito do projecto de recuperação da raça bovina, numa herdade do Alentejo com mais de 900 cabeças de gado, “os funcionários da quinta que nos estavam a ajudar ficaram admirados com as vacas que eu escolhia para tirar sangue” para as análises de ADN. “Diziamme que eram as mais ruins.” Na verdade, Chumbinho procurava as que lhes pareciam eventualmente vacas algarvias. Depois de todas as tentativas esgotadas no Algarve, as pesquisas sobre a vaca algarvia continuaram no Alentejo. “Vi as vacas numa pastagem, ao longe. O dono dispôs-se a colaborar connosco. Quando lá fomos tirar sangue, verificámos que pareciam todas algarvias. O dono incrédulo disse que era raça alentejana pequena. Entretanto, escolhemos uns vitelos para serem futuramente touros reprodutores de raça algarvia. Foram criados na estação zootécnica de Santarém. Através das análises, foi confirmado que eram algarvios puros. Passados dois ou três anos, foram abatidos. Fizeram-se as colheitas de sémen que está congelado, e os touros foram para bifes.” “Encontrámos também dois na zona de Aljezur, já muito velhotes, bichos com 17 anos. Comprámos os animais, em muito mau estado. Foram tratados, vitaminados e desparasitados na Venda Nova, Amadora. Começaram também na produção de sémen. Portanto, temos hoje sémen de quatro touros” à guarda de uma associação de produtores do Algarve. Razões para a extinção Para Chumbinho, o início da extinção da vaca algarvia remonta aos anos 1960, quando entidades oficiais da altura, criaram a Estação de Fomento Pecuário do Algarve, instalada numa propriedade chamada “Descampadinho”, na freguesia de Odeáxere, às portas de Lagos. “O objectivo era ajudar a melhorar o

rendimento dos agricultores. E então, na altura importaram e introduziram cá a raça francesa Limousine de bovinos”, explica. “Soube, mais tarde, que os primeiros animais entraram contrabandeados no país. Foram introduzidos na fronteira numa manada de bovinos charoleses. Ninguém reparou. Então esses bovinos vieram para Lagos, onde havia um posto de cobrição. Na altura, não havia a técnica da inseminação artificial. As pessoas levavam lá as suas vacas para serem cobertas. Então, com a boa intenção de melhorar o rendimento dos agricultores, a Estação de Fomento Pecuário do Algarve deu inicio ao descuro da raça algarvia”, explica. “Entretanto, os agricultores começaram a ver os seus vitelos com melhor conformação, com peças de carne melhores, com mais peso e começaram a optar inconscientemente por aquelas vacas de raça francesa”. As várias gerações de vitelos cruzados, foram assim, ficando cada vez mais próximas do “puro” limousine e mais distantes da autóctone algarvia. “É claro essas vacas também são bonitas e funcionais. Mas não se admite acabar-se com uma raça que ao longo de milénios ou centenas de anos se foi firmando aqui”, lamenta. Ovelhas, cabras e porcos algarvios Chumbinho recorda que em tempos idos, existiu também um porco algarvio. “Eram uns porcos grandes, que frequentemente e após estarem gordos e prontos para o abate, entrevavam com o peso. Tinham o toucinho mais alto e eram considerados melhores porque davam mais carne. Além disso, tinham menos gordura entremeada. Para além do tamanho, há uma série de outras características que diferenciam esse porco.” Por todo o Algarve, Chumbinho trabalhava directamente com os suinicultores. “Uma vez encontrei duas porcas algarvias e disse à pessoa que as tinha para não as vender sem falar comigo. Talvez eu conseguisse arranjar alguém interessado em fazer criação. Pedilhe por favor que não as matasse. Passados uns tempos, disse-me que já tinha vendido os animais… para a faca”, lamenta. “Eram as únicas que conhecia no Algarve. Estavam em Monchique.” É sabido que também correm perigo de extinção a ovelha e a cabra algarvia. “Já


não estou dentro disso, mas penso que a cabra está mais ameaçada. Quem ainda tem rebanhos são os velhotes”, sendo a maior mancha na zona de Castro Marim, o “solar da cabra algarvia”. Chumbinho recorda um trabalho em que participou para um congresso mundial de caprinos, no qual “descobrimos que ali na zona das Águas Frias, entre Salir e Alte, haviam umas cabras algarvias diferentes das outras. Começamos a ver que tinham uma caixa torácica maior, os terços anteriores maiores, as mãos muito mais grossas que as pernas, uns ombros mais grossos e membros mais curtos, entre outras particularidades. É que durante mais de 30 anos, o dono do rebanho não introduziu outras raças. Porque o rebanho tinha tido brucelose haviam uns largos anos, optaram por seguir os nossos conselhos de não introduzir mais bodes estranhos no rebanho. Assim mantiveram alguma consanguinidade. Como este local da Serra do Caldeirão está localizado em zonas muito acidentadas e com grandes declives, as cabras tinham de subir muitos cerros, isso foi fazendo com que se desenvolvesse o terço anterior ao longo dos anos”, conta. Na Serra do Caldeirão, por cima de Vale Maria Dias, ainda há cabras algarvias puras. “A algarvia é uma cabra, bonita, e boa leiteira. É uma cabra cornuda que está habituada a andar muito. Costumava dizer que a cabra algarvia era a melhor do mundo, pois dava uma média de 2,5 litros de leite comendo pedras.” “Agora, temos o problema da ganância das pessoas. Hoje, os jovens empresários são livres de escolher as raças que quiserem. Então, para obterem o maior rendimento possível compram cabras espanholas, como a murciano-granadina e a florida. No geral, é uma cabra mocha, sem cornos. É grande

produtora de leite porque os espanhóis, ao contrário de nós, tiveram condições para a desenvolver.” Comparativamente, em Portugal e no Algarve em particular “os técnicos que aqui têm querido fazer qualquer coisa são normalmente travados. Depois, nunca há dinheiro. Os serviços oficiais não são credíveis. Põem à frente disto pessoas com ideias pré-concebidas e não pessoas com ideias que deveriam ter sido adquiridas em função daquilo que seria desejável, isto é, manter um património que é nosso”. “Eu não sou contra as raças espanholas. Sou é contra a falta de cuidado em preservar as raças nacionais que não estão devidamente desenvolvidas”, opina. E está a ser feito alguma coisa para recuperar a raça? “Não estou a ver. A cabra algarvia tem uma associação nacional com sede no Azinhal, Castro Marim. Tem livro genealógico, regista os animais, mas pouco mais pode fazer, pois as necessidades financeiras são imensas, tal como nas outras associações. Entretanto também o laboratório que dava apoio aos estudos não funciona como seria desejável.” Finalmente, em relação à ovelha churra algarvia, também foi Chumbinho que integrou o grupo de trabalho que iniciou os preliminares para se começar a fazer o livro genealógico da raça. Segundo nos diz, havia duas variedades, uma mais para carne, outra mais para leite. Sendo que esta última, depois de tosquiada, distinguia-se por ser pintalgada na pele branca. Nas últimas décadas, tem-se verificado uma diminuição drástica nalgumas raças autóctones, que em alguns casos chegou mesmo à extinção. Cerca de 40% do total das raças nacionais encontra-se ainda em perigo de extinção mais ou menos acentuado.

The Algarvian cow - a race particular to the region - has long been considered “extinct”. And although there are still some flocks left, the Churra sheep and Algarvian goat are also considered to be in danger of disappearing once and for all. These are sad realities that José Chumbinho knows only too well. Between 2002 and 2005, the former veterinary service technician took part in research into the possible recovery of the Algarvian cow. Various reports and studies of work undertaken remain, along with some samples of frozen sperm and just a few head of live cattle, currently to be found in the Alentejo. This is all that remains of a heritage that has little chance of ever being recovered. “To be honest, the Algarvian cow was considered extinct more than 30 years ago. There are really only a few animals left, along with one association that is working flat out to ensure that these cows - now very old continue to reproduce” Chumbinho explains. The 58-year-old also recalls there once existed an Algarvian pig. Up in the Caldeirão hill range, above Vale Maria Dias, pure Algarvian goats can still be found. Is anything being done to save these regional breeds? “I don’t see anything,” Chumbinho replies. “There’s a national association for the Algarvian goat, based at Azinhal, Castro Marim. It keeps genealogical records/ registers the animals, but can’t do anything much else”. There has been a drastic reduction in a number of regional breeds over the last few decades - and in various of cases, this reduction has reached extinction level. These days, 40% of all national breeds find themselves at risk of extinction, some more so than others.

raça bovina algarvia características mais frequentes cabeça grande, com pelagem de cor uniforme e

pêlos curtos faces compridas, chanfro estreito de perfil convexo e espelho rosado olhos de localização superior com órbitas salientes orelhas com pêlos curtos cornos compridos de cor não uniforme, com orientação do meio do corno para trás e ponta para fora pescoço largo, barbela grande, dorso largo, garupa comprida e inclinada membros com pêlos interpolados, apresentando os membros traseiros pêlos mais escuros interpolados até ao curvilhão cauda comprida com pêlos mais claros interpolados úbere malhado de branco com inserção recta unhas escuras.


42 sobreirais Ana Arsénio

os Sobreirais da Serra Algarvia no contexto do Desenvolvimento Rural Ana Arsénio, In Loco

Falar dos Sobreirais na Serra Algarvia obriga a compreender a história de Portugal, a sua economia e os seus principais momentos político-sociais. A situação em que se encontram exige uma atenção especial, sob pena de desaparecerem no futuro próximo. Quando se fala em políticas de desenvolvimento, somos muitas vezes remetidos para quadros de medidas que permitem intervenções, de forma a promover o aproveitamento dos recursos do território e a proporcionar qualidade de vida aos seus residentes. Mas se para uns construir infra-estruturas é desenvolvimento, para outros, o desenvolvimento só é efectivo se cada projecto for participado e apropriado pelos seus directos beneficiários, se contemplar o aproveitamento e valorização sustentada dos recursos e potencialidades locais, consolidando ou criando rendimento e emprego. Em suma, também quando lemos ou ouvimos falar de Desenvolvimento Rural, nem sempre estaremos, objectivamente, perante o mesmo conceito. A frase de Brito de Carvalho: “É necessário o Homem para que a árvore tenha viabilidade”, ilustra bem a intimidade das 3 vertentes que devem ser a base do Desenvolvimento Rural: a social, a ambiental e a económica. No entanto a maior parte da população portuguesa reside e concentra-se na faixa litoral, sobrecarregada pela indústria e actividades económicas do sector comercial e administrativo e pelo turismo. Esta distribuição desequilibrada da população, das actividades económicas, das infra-estruturas e dos investimentos dificulta qualquer estratégia que vise um harmonioso ordenamento do território. A solução não será transpor para o espaço rural os modelos de crescimento económico que vigoram no litoral, mas partir do que são os recursos existentes para, de forma sustentável, potenciar o seu aproveitamento e valorização. Hoje a serra do Algarve vive a sensação de um futuro incerto. À espera que os sobreiros morram, (que na cura já se perdeu a esperança) que os velhos morram, que a esteva invada e o fogo destrua o que

resta… Não se sabe o que vem depois, o que se poderá fazer…? Projectos recentes multiplicam-se no sentido de recuperar o tempo que já se perdeu, na esperança de resgatar saúde e juventude, de retroceder esta marcha ou pelo menos preparar o espaço e as pessoas para o que vem a seguir. A população é maioritariamente envelhecida, a propriedade é pequena, o novo proprietário é ausente, a mão-de-obra é reduzida e cara, a gestão florestal parece uma tarefa quase impossível.O apoio técnico só agora começa a ser valorizado e reconhecido por parte dos proprietários florestais. A gestão até aqui tem-se limitado à reflorestação, limpeza de matos, total ou apenas em “ruas” para retirar a cortiça, incorporando-se só muito recentemente mecanismos de protecção e de vigilância. Pensa-se nos fogos quando eles estão à porta. Poucos são os casos de diversificação, e em que se associe à produção florestal outros usos e aproveitamentos: criação de gado, aproveitamento energético, aproveitamento de recursos secundários. A gestão florestal não é vista como um investimento a longo prazo mas assunto de gestão corrente. O proprietário florestal terá que rentabilizar a sua exploração para poder ver retorno dos investimentos efectuados. E para essa rentabilização todos os recursos contam, numa óptica de multifuncionalidade e plurirendimento. A par da produção é fundamental trabalhar a transformação, acrescentar valor, abrir canais e fileiras para escoar. Mas este cenário deve ser acompanhado de uma mudança radical na administração pública. Para que essa pluriactividade aconteça deverá haver um tecido institucional que facilite e oriente estas iniciativas. Não se tratam de estímulos financeiros, mas de aconselhamento técnico, facilitação, ao contrário da realidade presente de obstaculização burocrática. Paralelamente deverá haver uma concertação de planos e programas de desenvolvimento e ordenamento. Os planos de conservação e protecção ambiental deverão coexistir com as actividades económicas que permitem uma gestão e manutenção de espaços rurais. Basta ver na vizinha Espanha, os casos do porco preto, do mel,

dos cogumelos e outros produtos silvestres, do artesanato, e, mais recentemente da produção de biomassa. As nossas potencialidades são muitas e iguais às do país vizinho. Não é uma questão de inveja mas de bom-senso. É esta atitude proactiva, generalizada a todos, que faz a diferença. Ela é suficiente para dinamizar um território rural. Ela é a melhor estratégia de desenvolvimento. A gestão florestal da Serra do Caldeirão passa por ligar o Homem à Terra. Na perspectiva emocional, social, cultural, económica e ambiental. Se antes a gestão assentava na polivalência de actividades, na exploração de recursos variados ao longo do ano, na manutenção de espaços limpos e produtivos e na presença constante do homem, porque é que actualmente estamos tão afastados deste modelo? Por medo de regressar “às passas do Algarve”? Temos que reconhecer que hoje vivemos uma realidade diferente, mas o recurso à inovação e à modernização da forma de realizar as actividades pode ser a chave para a promoção de um desenvolvimento sustentável para o mundo rural. Estaria aqui a solução para os incêndios florestais. Igualmente haveria uma poupança de recursos públicos evitando accionar planos de emergência e de calamidade. Para além dos rendimentos financeiros de cada actividade económica, fomenta-se o ordenamento e a promoção do território, a sua dinamização, e o essencial, estáse a contribuir para a conservação da base de todas estas actividades e da sua perpetuação para as gerações futuras. Estamos a garantir que o “solo” seja usado num futuro próximo. Estamos a garantir que se dê continuidade ao que se começou. A morte dos sobreirais arrasta consigo inevitavelmente outras actividades económicas que estão intimamente ligadas e perfeitamente integradas no espaço rural. E são estas actividades que mantém viva a Serra, mobilizando gentes e recursos, dinamizando espaços e produtos. Assim estas tornam-se na principal preocupação do Desenvolvimento Rural, pilares para uma estratégia de revitalização e sustentabilidade. Existem presentemente,


condições favoráveis a uma nova fase do ordenamento florestal. Na sequência dos dramáticos incêndios ocorridos na Serra Algarvia em 2003 e 2004, com consequências económicas e sociais graves e, em que o bem-estar e a qualidade de vida das populações estiveram seriamente ameaçados. A consciência das alterações ambientais eminentes vem criar condições para uma nova política de ordenamento florestal que se preocupa com a gestão e protecção, incluindo a sensibilização e participação das populações e, a sua responsabilização pela gestão dos espaços. É fundamental que esta nova geração de políticas florestais responda ao desafio fundamental: fixar populações, criar postos de trabalho, diversificar o uso da floresta, gerir adequadamente os riscos de incêndio visando a sustentabilidade do sector florestal e do espaço rural. Para o conseguirmos é preciso empenhamento de todos: dos proprietários florestais, dos técnicos, das organizações de produtores e de desenvolvimento rural, da administração pública com implicações no ordenamento e gestão do território, no enquadramento legal e fiscal das actividades, na criação de condições que favoreçam o exercício de actividades sustentáveis e que contribuam para a fixação de população activa e com competências.

the Cork oak forests of the Algarve in the context of Rural Development The cork oak forests of the Algarve Mountain in the context of Rural Development To speak of the cork oaks forests in the Algarve Mountain requires understanding the history of Portugal, its economy and its main political and social moments. The situation in which they are now requires special attention, lest they disappear in the near future. (…) if for some people building infrastructures is development, for others development is only effective if each project is shared and appropriate for its direct beneficiaries, if it includes the use and sustained valorisation of local resources and potential, consolidating and creating income and employment. In short, even when we read or hear of Rural Development, we are not always objectively before the same concept. The words of Brito de Carvalho: ‘Man is necessary so that the tree has viability’, illustrates well the intimacy of the 3 aspects that should be the basis for Rural Development: social, environmental and economic. However, most of the Portuguese population resides and focuses on the coastal strip, overburdened by industry and economic activities of the commercial and administrative sector and by tourism. This unbalanced distribution of population, economic activities, infrastructures and investment hinders any strategy aimed at a harmonious land management. The solution will not be to transfer to the rural space the economic growth models that prevail on the coast, but from what are the existing resources, to enhance their use and valorisation in a sustainable manner, to enhance your enjoyment and appreciation. Nowadays, the Algarve Mountain lives in a sense of uncertain future. Waiting for the oak trees to die, (which in healing, hope is already lost) that the old people die, that the cistus take over the land, that fire destroys what remains ... No one knows what comes next, what can be done ...? (…) (…) The forest management of Serra do Caldeirão passes through linking Man to the Land. From an emotional, social, cultural, economic and environmental perspective. If before the management was based on the versatility of activities, the exploitation of the various resources throughout the year, in keeping the spaces clean and productive and the constant presence of man, why are we now so far away from this model? The fear of returning to the old hardship days? We must recognize that we live a different reality, but the use of innovation

and modernization in the way of conducting the activities can be the key to the promotion of sustainable development for the rural areas. It could be the solution to forest fires. There could also be a saving of public resources by avoiding triggering emergency and calamity plans. In addition to the financial income from each economic activity, it would foster the development and the promotion of the territory, its dynamism, and most importantly, it would contribute to the conservation of all these activities and their perpetuation for future generations. We are ensuring that the ‘soil’ is used in the near future. We are ensuring that what was begun will continue. The death of the cork oak forests inevitably drags along other economic activities that are closely linked and fully integrated into the rural areas. And it is these activities that keep the Mountain alive, mobilizing people and resources, promoting the spaces and products. Thus they become the main concern of Rural Development, the pillars of a revitalization and sustainability strategy. (…)


44 serrenhos em fuga

serrenhos em fuga

algumas notas gerais sobre a evolução da população entre 1970 e 2011 (nota: é necessário ter presente que os dados recolhidos aquando do Recenseamento de 1970 apresentam um nível de erro elevado; os dados referentes a 2011 são ainda provisórios)

em 1970 residiam 268 mil indivíduos no Algarve em 2011 foram recenseados 451 mil um crescimento de 68,3% em 40 anos

Serra

representa cerca de 51% do território do Algarve em 1970 residia na Serra 19,2% da população total do Algarve em 2011 aquela proporção baixou para 7,3%. um decréscimo de 36,5% residente na Serra algarvia

nota: ao longo das últimas décadas, por questões relacionadas com alterações na economia regional, em particular as associadas ao desenvolvimento turístico, verificou-se uma dinâmica migratória do interior para o litoral. Há também que ter presente que em meados da década de 70 o processo de descolonização conduziu a um retorno significativo de populações residentes nas ex-colónias, que se fixaram preferencialmente no litoral do Algarve. Por outro lado, a dinâmica gerada pelo turismo, nomeadamente em termos de emprego, atraiu também pessoas de outras regiões do país e, mais recentemente, imigrantes de outros países, sobretudo europeus e lusófonos.

1970

2011

19,2%

7,3%

Barrocal

representa cerca de 26% do território do Algarve 19,5% da população do Algarve residia no Barrocal em 1970 em 2011 aquela proporção era de 23,4% um acréscimo de 40,4% residente no Barrocal

1970

2011

19,5%

23,4%

Litoral

representa cerca de 22,5% do território do Algarve em 1970 aproximadamente 57% da população residia no litoral em 2011 aquela proporção subiu para 73,2% um acréscimo de 114,7% residente no Litoral

estrutura etária da população (em 2011) uma das realidades fortemente associadas à zona serrana relaciona-se com o envelhecimento da população. a população residente das freguesias da serra dos concelhos de Loulé, S. Brás e Tavira com 65 ou mais anos representa 40,3% do total dos habitantes aí recenseados. a percentagem de residentes até aos 24 anos (842 indivíduos) representa 14,2% o índice de envelhecimento é de 464 idosos por cada 100 jovens dos 0 aos 14 anos a partir de dados fornecidos pela CCDR Algarve. IB. 07-03-11 fontes: recenseamento da população de 1970, 1981, 1991, e 2011. INE

Serra

Barrocal Litoral

1970

2011

57%

73,2%


ficha técnica do festival direcção artística atistic direction José Laginha gestão e direcção de produção administration and prodution direction Ana Rodrigues produção executiva e comunicação executive prodution and communication Marlene Vilhena registo de imagem image registration Rui António direcção técnica technical direction António Martins iluminação light design Hugo Coelho som sound design Luís Guerreiro manutenção e limpeza cleaning and maintenance Rodica Fornea

documentários

concepção conception José Laginha realização video director Rui António com with Beatriz Inácio, Manuel António, Carminha e Maria Teresa (Mealha), Floripes Coelho e Manuel Joaquim Rodrigues (Alcarias Pedro Guerreiro) Ermelinda Maria, Salvador Gonçalves (Montinho do Cravo) José Rodrigues Cavaco (Vale de Ôdres), Francisco Candeias Domingos, José Ângelo Gonçalves (Currais) Ivone Coelho banda sonora soundtrack abusoverbal Red Trio - Quick Sand lavraofícios Ricardo Villalobos/Max Loderbauer-Redetach

making of

concepção e realização vídeo conception & video director Rui António

fotografia

no curral da família Tomás 2003 in the Tomás Family corral Luís da Cruz

agradecimentos thanks CECAL/CMLoulé; Biblioteca Álvaro de Campos/CMTavira; Miguel Vitorino; Ludovico Silva; Elisabete Teodoro; Leonel Lores; Maria Rosário Domingos, Sérgio Cavaco (Currais), Maria José Gonçalves, Rogério dos Reis Simão, Maria Isabel Rosa (Mtº do Cravo), Otília Cardeira (Cachopo), Ana Mª Cavaco Martins (Moita da Guerra)

ficha técnica do jornal concepção conception design gráfico graphic design José Laginha edição editors José Laginha e Marlene Vilhena tradução translation soc. de traduções e textos, lda. e Natasha Donn (jornal Algarve 123) tipografia tipography Grafedisport, impressão e artes gráficas, sa. Gráfica Comercial consultadoria técnica technical consultancy Miguel Vieira e José Albuquerque APFSC ass. de produtores florestais da Serra do Caldeirão Francisco Keil do Amaral ICNF carta militar military map APFSC/IGOE distribuição Ivo Laginha e António Mestre apoio técnico e agradecimento especial technical support and special thanks jornal Algarve 123 agradecimentos thanks Bruno Filipe Pires, Clara Lopes, Isabel Beja (CCDRalg)


bilhetes tickets 26 setembro 21h30

entrada livre free entrance

27 a 30 setembro 21h30

bilhete simples full price 6€ bilhete desconto with discount 5€ passe 4 dias pass 4 18€ descontos discount para menores de 25 anos e maiores de 65 anos under 25 or over 65 yaers old

bilheteira ticket sales abre 1 hora antes dos espectáculos

reservas booking telf. 289 828784 ou 918703414(5) devir@mail.telepac.pt classificação maiores de 10 anos é interdito filmar, fotografar ou gravar sem previa autorização. por favor não se esqueça de desligar o seu telemóvel all kind of film, photo or sound recording is strictly forbidden during the performances.

localização location rua frei Lourenço de Stª Maria, nº4 – Faro (junto ao parque de estacionamento do Largo do Carmo/Metalofarense)

organização

estrutura financiada por

SECRETARIA DE ESTADO DA CULTURA

iniciativa co-financiada por

assessoria técnica

apoio à divulgação


DeVIR ass. de actividades culturais (1994) ao longo dos últimos 18 anos, os diferentes subprojectos que temos vindo a desenvolver têm seguido uma mesma lógica,

assente em 2 vectores principais: apoiar a criação e informar/criar públicos. a sul festival int. de dança contemporânea (94-2006) Perhaps she could dance first and think afterwards Vera Mantero Socorro! Gloria! Piezas distinguidas Maria José Ribot (Es) Pesogallo Mónica Valenciano (Es) Sin Título Inês Bosa e Carles Mallol (Es) Auto.Retrato Margarida Bettencourt Nossa Senhora das Flores Francisco Camacho Rambo Ribeiro Paulo Ribeiro Extracto do Cio Azul Clara Andermatt Doença D’Infinito José Laginha Every Day’s Blood Olga Mesa Savon de toilette Amélia Bentes Auto-Retrato Madalena VitorinoA dança do existir Vera Mantero Enciclopédia Roberto Castello (it) E.I.B.T.W. Leone Barilli (It) Lo spazio nel cuore Enrica Palmieri (It) Anteros o amante visual Paula Massano Vozin Sofia Neuparth Passo un lungo momento Grupo Allena, Anouscka Brodacz (It) Dom/São Sebastião Francisco Camacho Para enfastiadas e profundas tristezas Vera Mantero Recidive/ Controverse Hela Fattoumi e Eric Lamoureux (Fr/Tn) Branco Sujo João Fiadeiro L’authentique silhouette de Brigitte Muller Said Sï Mohamed (Dz) Primeiro Nome: Le Francisco Camacho Périr pour de bom Nacera Belaza (Dz) Diz-me como comes, dir-te-ei quem és” José Laginha Viva o momento Peter Michael Dietz (Dk/Pt) Um homem seguiu em frente Rui Nunes uma misteriosa Coisa disse o e.e. Cummings Vera Mantero Cuerpo colibri sediento Georgina Martinez (Mx) Fou-Nána António Tavares O berimbao de Caxixi / Altar Mayor Awilda Sterling (Pr) Landscape Maria Inês Villasmil (Ve) Lilith” Carlota Lagido Miss Puerto Rico o la isla que se repite Viveca Vásquéz (Pr) O corpo Fausto Matias More Francisco Camacho Violating Space Francisco Rider da Silva (Br) Carpe Diem Manuel Pérez Torres (Ve) A queda de um ego Vera Mantero Every Fragment of Dance is Awakene / Walking Tall Astad Deboo (In) Love Series not talking about perfection Aldara Bizarro Wandering Songs / La Terre Blessée Ranjabati Sircar (In) ausência, a inebriante perspectiva do repouso José Laginha (In) Balancing the spot , Moving with the chair/ Exploration on the ground level Vishwakant Singha (In) V for… Mallika Sarabhai (In) Le Foins Vera Mantero Enciclopédia Roberto Castello (It) City Maps Imlata Dance Cia (In) És tu Zé? + Valsa Lenta José Laginha Shirtologia (Miguel) Jerôme Bel / Miguel Pereira (Be/Pt) Cancion de Diente David Zambrano (Ve) Hermosura El Descueve (Ar) Les Porteuses de Mauvaises Nouvelles” Companhia Instável / Wim Vandekeybus Mendiolaza Krapp (Ar) Cuadrado negro sobre fondo negro Rodrigo Pardo (Ar) Vistas Florencia Olivieri (Ar) Parasita acumulador #03 Carlos “Zíngaro” / Ludger Lamers Pixel Rui Horta 6 Set. no CAPa, 7 Set. no CAPa Miguel Pereira Inner Lawas duWa Dance (Sk) Handy # 23 Produções Real Pelágio Nurofen Peter Jasko (Sk) Peças Soltas Rui Horta What Sort of Tenderness Márta Ladjánszki / Reka Szabo (Hu)Solitary Virgin Leonor Keil Almost 3 Cia Tamater (Hu) In Bella Cópia Cia. Déja Donné (Cz) Talvez ela pudesse dançar primeiro e pensar depois Vera Mantero You come to see the show and you’ll get an extra burger! Mihai Mihalcea (Ro) Swan Lake City Dancetheatre of National Theatre of Northern Greece (Gr) LIVE | EVIL/ EVIL | LIVE Francisco Camacho Anthem Mayday(Cy))Hermaphrodite Quasi Stellar Dancetheatre (Grécia) Delirium Candaş Baş (Tr) Roj Çaglar Yilmaz (Tr)Tired Ilyas Odman (Tr) Crazy happiness Oktana Dancetheatre Company Gr) Home sweet home Emre Koyuncuoğlu (Tr))TABULA RASA Cross-Section (Jp) Komachi Masami Yurabe (Jp) 7p.m./Rumour (loose in the air) Maria Ramos (Portugal) Carlo X Carlo j.a.m. Dance Theater (Jp) Mizunoie Water house Shykakusai Monochrome Circus (Jp) não temos Pátria temos barabatanas 06 José Laginha Refined colors Monochrome Circus (Jp) Fuwafuwa Ladybug Miho Konai (Jp) Against Newton II LUDENS(Jp) Detour Miho Konai (Jp) Kaminari Kamu Suna Ballet Company Pollen Revolution 120 Akira Kasai (Jp) CAPa, Centro de Artes Performativas do Algarve (2001) é um edifício de três andares que comporta além da sala de apresentação de espectáculos, 2 estúdios de trabalho, zona de residência (15 camas) ,escritório/cozinha/lavandaria, instalações sanitárias, balneários, arrecadação e sala de trabalho. O CAPa é um lugar de criação, onde acolhemos criadores profissionais nacionais e internacionais, numa programação alternativa, que cruza linguagens e que se enquadra no território do contemporâneo, da urgência e do risco. Uma casa onde se investiga, onde se pratica a experimentação e, consequentemente, onde nos aproximamos do “novo”. O reconhecimento do trabalho que desenvolvemos nos últimos onze anos, faz com que o CAPa seja um Centro de referência e o único representante nacional numa rede europeia de casas da dança, EDN – European Dancehouse Network que compreende 23 cidades europeias que integram o Modul-dance project actividades 21 temporadas de programação; 11 programas anuais de residências; projecto In-OUT; projecto Sub12/Sub18; DRAMAT – Escrita por Medida (acolhimento); “a sul” Festival Internacional de Dança Contemporânea; Curso de Gestão e Produção das Artes do Espectáculo / Fórum Dança; projecto Jovens Artistas Jovens; Plataforma de Dança de Criadores Portugueses Emergentes (encontro de programadores da rede IDEE), modul-dance; Ciclo farejar…; Ciclo Balanço; Festival Europeu Temps d’images (extensão); projecto 5’55’’; projecto VALADOS (2010-12) parcerias REDE, associação de estruturas para a dança contemporânea (27 estruturas nacionais); IDEE – Iniciatives in Dance through European Exchange; IRIS, Associazione Sud Europea per la Creazione Contemporanea; EDN – European Dancehouse Network (23 casas europeias da dança); RIP – Rede Informal de Programadores; programa estratégico Algarve Central - uma parceria territorial (autarquias de Faro, Loulé, Olhão, São Brás de Alportel e Tavira) espectáculos Profundo delay Cláudia Jardim, Pedro Penim “Syrinx” António Calpi Ideia Carapinha Miguel Hurst, Zézé Hurst Live Amélia Bentes, Carlos Barreto Pão e Laranjas: leito de mesa, jogo de cadeiras João Pedro Vaz Projecto Karingana Luís Carlos Patraquim concerto Nuno Rebelo, Ulrich Mitzlaff, Gregg Moore concerto José Peixoto, Mário Franco concerto Alexandre Soares, João Pedro Coimbra Azul asa de corvo Mario Trigo, Ligia Soares, Rute Lizardo Canções de BREL Francis Seleck, Michel en Voz Baja Félix Santana (Es) we don’t have vídeo yet Natália Medina, Dominik Borucki (Es) Dança do Existir Vera Mantero Crash Landing Luciana Fina Of skin and metal Olga Shubart desenhos Seegründ Lubke True North Bruno Listopad Metamorfose Sin-Cera André Indiana André Indiana Maria Bakker Gonçalo Ferreira de Almeida Interferências ciclo Palcos Mutantes Diz ciclo Palcos Mutantes Nomad ciclo Palcos Mutantes Contador de histórias ciclo Palcos Mutantes Madame de Sade Teatro Praga António Miguel Miguel Pereira concertos Pousada da Música encontros, histórias dos ciganos entre nós Luciana Fina, Olga Ramos What´s Up Dominik Boruki e Cláudia Cardona (De/Bo/Es) Os Gigantes da Montanha Sin-Cera Mini@tures Mulleras Dance Company (Fr) Chão Útero, Carlos Bica & Sandra Rosado/Mariana Amaral A Memória; Os Lugares; As Coisas; E o Mundo aconteceu Teatro do Vestido No Fundo, No Fundo DRAMAT – Escrita por Medida, Lilástico 6 Set. no CAPa e 7 Set. no CAPa Miguel Pereira Inner Lawas duWa Dance (Sk) Os Donos dos Cães DRAMAT – Escrita por Medida, Teatro da Garagem Semblanza Flamenca Choni, Raul Cantizano, Vicente Gelo és tu Zé? & valsa lenta 03 José Laginha as Moscas Sin-Cera Kip teatromosca Trilogia Stringberg Mala voadora Noite Amélia Bentes amarduele Cia Lapsus (Es) Vera Mantero e Pedro Pinto interpretam Caetano Veloso Vera Mantero & Pedro Pinto Hitch Francisco Camacho City Dance Leslie F. Grunberg Paradis Montalvo Avec Sónia Wieder-Atherton Chantal Akerman Uzès Quintet Catherine Maximoff Annonciation Angelin Prelocaj Les Temps du Repli Cathie Levy Solo Thierry Knauff Les Guerriers de la Beauté Pierre Coulibeuf Bill Viola Mark Kidel Fase Thierry De Mey (projecções) T2 Quarto Andar José Nascimento/ João Galante Private Lives teatro Praga MAPA João Pedro Vaz ENDGAME Revisitado Teatro Meridional/Primeiros Sintomas Que o meu nome não te assuste marionetas de Maria Parrato Mark Lewis and The Standards Mark Lewis,Nuno Rebelo, Alexandre Cortez, Vítor Rua, Samuel I-KI Ten Pen Chii Wake Up Hate Paulo Castro Comer o Coração de Rui Chafes e Vera Mantero Inês Oliveira French Swinging Songs Francis Seleck/Miche Adélia Z Teatro da Garagem Vassilissa ou a boneca no bolso Teatro O bando Vera Mantero canta os Americanos… com Nuno Vieira de Almeida Vera Mantero, Nuno Vieira de Almeida Is that all there is? Then let’s keep dancing! Vera Mantero, Nuno Vieira de Almeida MUTIS Matxalen (Es) Txatxorra’s Cube Txatxorras (Es) Perdoar Helena .lilástico Cinema Scope A Fábrica A Vida Continua Teatro da Garagem Agatha Christie Teatro Praga EVIL | LIVE LIVE | EVIL Francisco Camacho Contos do Mediterrâneo Jorge Serafim, Pepe Maestro (Es) Mostapha Bahja (Ma) Bene Cordero (Es) ARCA Hermaphrodite Quasi Stellar (Gr) ANTHEM Mayday (Cy) Crazy Happiness Oktana Dancetheatre (Gr) Fábrica de Nada Artistas Unidos Canções e Fugas Mário Laginha Stand-up Tragedy Mundo Perfeito Homens Cristina Moura (Br) Ácido Teatro da Garagem Quando a alma não é pequena Dead Combo Olelés Jordi Cortés e Damián Muñoz (Es) POPlastik 1985-2005 Pop Dell’Arte Una media de dos o pocas veces más Companhia Pendiente (Es) Masquerade The Legendary Tiger Man Abertura Fácil Francisco Campos/ArQuente Hard 1 e 2 Mala Voadora Tabula rasa Cross-Section (Jp) Komachi Masami Yurabe (Jp) 7p.m./Rumour (loose in the air) Maria Ramos (ext) Festival Temps d’images/ Map Me Charlotte Vanden Eynde (Be)Improviso Encenado João Canijo/Rita Blanco Ciclo arte - Cartes Postales Richard Copans e Raimund Hoghe Bill T. Jones, solos Don Kent e Bill T. Jones One flat thing reproduced Thierry De Mey e William Forsythe 2 Iris Philippe Decoufle Divagations dans une chambre d’hotel Bruno Beltrão, Philippe Barcinski e Dainara Toffoli - documentários (Fr/Gr) - Cine-Concerto de tributo a Carlos Paredes Edgar Pêra e Nuno Rebelo, Tó Trips e Pedro Gonçalves (Dead Combo) Azul a Cores Mundo Perfeito Debaixo da Cidade APA – actores prod. ass. /Manuel Wiborg Testimonio de lobos Mal Pelo (Es) Shall we dance III Teatro Praga Hamlet Light Vvoitek Ziemilski – ensaio aberto Glória Caduca Compañia Lucier (Es) – ensaio aberto Lá e Cá Catarina Vieira e Solange Freitas Não sou daqui Amélia Muge Como un grand vendaval de vidrio Compañia Pendiente/Ana Eulate (Es) ensaio aberto Son Sonoros Colectivo Pan, Luz y Mantequilla (Es) ensaio aberto JP Simões1970 Finka-Pé ass cult Moinho da Juventude Comédia em 3 actos Teatro da Garagem O Labirinto A Morte e o Público João Samões – ensaio aberto Jazz ta Parta Jazz ta Parta Moradas Inúteis de José Carlos Barros e projecto Palavra Ibérica Sulscrito - literatura nova criação Barba Azul, (ensaio aberto) O vôo nocturno Jorge Palma Odete, Odile Sara Vaz Drumming drumming Stabat Mater Artistas Unidos Tritone Real Pelágio Trio Sérgio Pelágio Real Pelágio Shall we dance IV Teatro Praga uma bailarina na escola Aldara Bizarro Malgrés Nous… Companhia Paulo Ribeiro Grândolas Mário Laginha Bernardo Sasseti A Gente Sã do Campo Te-Atrito /A GavetaTeatro-Clip Teatro da Garagem C’oas Tamanquinhas do Zeca Couplle Coffee & Band Páscoa Peste, associação de pesquisa teatral Window Bomba Suicida Yesterday’s man Mundo Perfeito Zeca Afonso por Filipa Pais & João Paulo Silva Ciclo Zeca Afonso Filipa Pais João Paulo Silva Nasciturno Ludo Matéria Prima Quinteto Carlos Bica jus ou a solidão da justiça Te-Atrito Shreefpunk Matthias Shriefl Beautiful me Gregory Maqoma O Avarento ou a última festa Teatro Praga Nova Criação 2008 Companhia Instável O Babete Real José Carlos Garcia ensaio aberto Filhas da Mãe, fantasias eróticas das mulheres portuguesas Célia Ramos ensaio aberto - a Couple dance Guilherme Garrido e Mia Haugland Habib (Pt/No) 5’55’’ – 1ª edição equipas dos 12 projectos selecionados Solidões Helena Albuquerque Barnwave Kevin Blechdom, Christopher Fleeger (Us) ensaio para programadores Metamorfose António Latella (It) ensaio aberto Filhas da Mãe, fantasias eróticas das mulheres portuguesas Célia Ramos Our early balloons Rose Blanket Skeletons on Rock Andres Lõo (Ee) ensaio aberto Purgatório Martim Pedroso ensaio aberto Sobre a Natureza das Cousas Iván Marcos e Jesús Barranco (Es) White Works Carlos Bica e João Paulo Esteves da Silva filme documentário Eu não tu Ana Borralho João Galante Túmulo de Cães Alunos finalistas do Curso de Artes Performativas ensaio aberto Geopolítica do Caos José Nunes e Cátia Pinheiro ensaio aberto Mappugghje (Ti amo pazzescamente) Stefano Mazzotta, Emanuele Sciannamea (It) Transit_360 Iris Gutler (At) ensaio aberto Antoine Ludger Lamers, Jorge Gonçalves (De/Pt) ensaio aberto Untitled, Still Life Ana Borralho, João Galante e Rui Catalão Chocolate Maria João, Mário Laginha Das coisas nascem coisas e Visita Guiada Cláudia Dias ensaio aberto Veralipsi Sofia Silva António e Maria e A Bela e o Men ino Jesus Projecto Odisseia Cabisbaixa Carlos J. Pessoa A Casa de Bernarda Alba Maria João Luís Imago Hélder Seabra Contos em Viagem – Brasil Teatro Meridional Boato novo albúm JP Simões Os quais Jacinto Lucas Pires, Tomás Cunha Ferreira Ciclo Balanço Filipa Pais Zoetrope Micro Áudio Waves + Rui Horta Migna Mala Projecto seleccionado na 1ª edição do projecto 5’55’’ Migna Mala Ciclo Balanço Vera Mantero Cal José Luís Peixoto/ Maria João Luís e Gonçalo Amorim Mazgani Mazgani Mapa-Corpo Amélia Bentes Vulcão Abel Neves/ João Grosso dia F Ciclo Balanço Francisco Camacho ensaio aberto Mejor no saber su nombre Bárbara Sánchez y Roberto Martínez (Es) ensaio aberto Haute Couture Rafael Alvarez, Paulo Guerreiro ensaios aberto Nova Criação Mal Pelo (Es) ensaio aberto My name is Luísa Gabriella Máthé (Hu) ensaio aberto In a Rear Room Andresa Soares e Ricardo Jacinto ensaio aberto Principios Opuestos Mario García Sáez, Víctor Zambrana (Es) ensaio aberto My Own Private Don Carlos Jose Manuel Mora ensaio aberto Accumulation Processes Pavlos Kountouriotis (Gr) ensaio aberto Luzes ligadas não quer dizer que estejamos em casa Monica Gillette & António Pedro Lopes (Us/Pt) TUCO Cia Instável Karine Ponties (Ff ) ensaio aberto Trilogy &Vocal Cords Albert Quesada & Vera Tussing (Es/Uk) Kore-A-Moves – Tournée Europeia de Dança da Coreia:no comment Shin Chang Ho Modern Feeling Lee In Soo Promise Jeon Mi Sook Mong Whan (Bitter Dream) Kim Eunjeong Transforming view Park Young-Cool, In Jung-Ju Performing Dream Sun-A LEE Several QuestionsJang Eun Jung ensaio aberto TV Heroe & Hotel Europa André Amálio, Margarida Barata ,Tereza Havlickova, Daniel Somerville (Pt/Cz/Uk) Óscar e a Senhora Cor-de-rosa Eric-Emmanuel Schmitt,Ivone De Moura, Lídia Franco, Lídia Franco Retratinho de Guerra Junqueiro teatromosca The Supervisor – EP André Banza,Pedro Ramalho, Renato Silva Retratinho de Paula Rego teatromosca Brilharetes João de Brito , Tiago Nogueira , Jorge Silva Melo ensaio aberto Más pállá que páccá Luca Nicolaj (It/Es) As três vidas de Lucie Cabrol teatromosca ensaio aberto The very delicious piece Jasmina Krizaj, Cristina Planas Leitão (Si/Pt) ensaio aberto Dolores Automáticos Mónica Cofiño, Mariate García (Es) O Gato Malhado e a Andorinha Sinhá, uma história de amor Maria João Miguel ensaio aberto Não temos pátria, temos barbatanas 011 José Laginha O Marinheiro Luísa Monteiro Não temos pátria, temos barbatanas 011”, a encomenda &valsa lenta José Laginha O LUDO O LUDO Tuniko Goulart Trio Tuniko Goulart , Paulo Luz e Giovani Goulart flajazzados flajazzados Snapshots Carlos J. Pessoa ensaio aberto NO Digital Tiago Cadete, Raquel André EUROPA teatromosca Em Casa no Jardim Zoológico Dinarte Branco ensaio aberto O Homem e o Urso Máquina Agradável ensaio aberto Cena escrita Pedro Gil, Mickael Oliveira, Miguel Castro Caldas, André Amálio Olympia e O que podemos dizer do Pierre Vera Mantero Fuga Sem Fim Cia Instável Victor Hugo Pontes Mazgani Mazgani Tróia teatromosca lançamento da revista digital de fotografia de autor Flânerie/ Projecção de fotografia WIP-The Portfolio Project Ana Filipa Quintão, Ana Pereira, Luís Pinto, Mário Pires e Susana Paiva no mote de baixo Zé Eduardo& Carlos Barreto AZUL tournée Things About Carlos Bica,Jim Black, Frank Mobus trilogia do mar Marenostrum trabalho final mestrado Bonum Cursum, Até já! Filipa Rodriguez WIP-The Portfolio Project Ana Catarina Pinho, Manolo Espaliú, Sergio Castañeira e Tiago Grosso WIP-The Portfolio Project / 2ª edição flânerie/ edição Fotografia e Curadoria Queijo curado é outra coisa Susana Paiva, Renato Roque, Brenda Turnnidge, Catarina Leal, Hugo Costa Marques What we can not do alone? Projecto Interferências 2012 ( Pt/At/Mx) encontros do DeVIR criação programa de residências Izur Vagabund Eléonore Dider, Jiska Morgenthal I want some sugar in my bones Cia. RE.AL /João Fiadeiro nova criação 2002 Vera Mantero CAPa 6 e 7 de Setembro Miguel Pereira Lugar Nenhum Teatro do Vestido No Fundo, No Fundo DRAMAT – Escrita por Medida, Lilástico & Jacinto Lucas Pires, Marcos Barbosa What´s Up Dominik Boruki (Gr/Es) e Cláudia Cardona (Bo/ Es) és tu Zé? & valsa lenta 03 José Laginha Kip teatromosca MAPA João Pedro Vaz ROJ Çağlar Yılmaz (Tr), EVIL | LIVE LIVE | EVIL Francisco Camacho, Abertura Fácil Francisco Campos/ArQuente Hard 1 e 2 Mala Voadora Tabula rasa Cross-Section (Jp) 7p.m./Rumour (loose in the air) Maria Ramos Azul a Cores Mundo Perfeito Debaixo da Cidade APA – actores prod. ass. /Manuel Wiborg Testimonio de lobos Mal Pelo (Es) Shall we dance III Teatro Praga Titânia e Titanin ARCA projecto de teatro de rua Não temos pátria temos barbatanas. a encomenda & valsa lenta 06 José Laginha Gift In-Jung Jun Blue Elephant Company Lá e Cá Catarina Vieira Solange Freitas Hamlet Light Vvoiteek ZiemilskiREFLEX Ana Martins Post Piano Man Juschka Weigel (Gr) Primo Sale QuaLiBo (It) Shall we dance IV Teatro Praga (Pt) She will not live Joana Von Mayer Trindade (Pt) Nova Criação Barba Azul, criações teatrais (Pt) What’s not Love Alan Lucien Oyen (No) Oficina de Teatro e Corpo ASMAL, Ass. de Saúde Mental do Algarve O Labirinto A Morte e o Público João Samões Comédia em 3 actos Teatro da Garagem Oceano Carolina Ramos Lá e Cá Catarina Vieira e Solange Freitas Hamlet Light Vvoitek Ziemilski Glória Caduca Compañia Lucier (Es) PIEL Moare Danza (Es) Como un grand vendaval de vidrio Compañia Pendiente/Ana Eulate (Es) Son Sonoros Colectivo Pan, Luz y Mantequilla (Es) A Gente Sã do Campo te-Atrito/ A Gaveta 101O Pato Profissional Espectáculo de Teatro Rogério Nuno Costa Acting Out Carla Fernandez (Es) Cause without effect? Carolina Ramos/Sarah Dillen (Pt/Es) Conservatório Teatro Praga Doo Miguel Pereira Deseos Inmaculada Jiménez (Es) A Festa Mundo Perfeito jus ou a solidão da justiça te-Atrito Prayers Gabriella Maiorino (It/Nl) not the right kind of light for a magic act Arne Forke (De) Shadow Play Projecto Ruínas Dream Play Martim PedrosoThe idea of Self Masja Abrahamsen(No) Nova Criação 2008 Companhia Instável (Pt/Gr/ Fr) Nova Criação 2008 Matxalen Bilbao (Es) O Babete Real te-Atrito Residência longa duração ASMALass. Saúde Mental do Algarve Residência longa duração Escola Secundária Pinheiro e RosaO Babete Real José Carlos Garcia Metamorfose António Latella (It) Filhas da Mãe, fantasias eróticas das mulheres portuguesas Célia Ramos a Couple dance Guilherme Garrido e Mia Haugland Habib (Pt/No) Solidões Helena Albuquerque Demo, um musical Praga Música original: Kevin Blechdom, Christopher Fleeger, Andres Lõo (Pt/Us/Ee) Sunset on Mars Germán Jauregui (Es) Purgatório Martim Pedroso TEN Preludes Marianne Baillot (Fr) Sobre a Natureza das Cousas Iván Marcos e Jesús Barranco (Es) A brave search for the ultimate reality Florin Flueras (Ro) fantasy show made out of trash Maria Baroncea (Ro) Avatar Róman Torre, Mª Angeles Angulo (Es) Residência de Longa Duração Oficina de Teatro Mónica Samões Grupo de Teatro do Sótão – ASMAL Geopolítica do Caos José Nunes e Cátia Pinheiro Post-It Bod Cecília Colacrai (Ar/Br) A seriedade do animal Marlene Freitas Mappugghje (Ti amo pazzescamente) Stefano Mazzotta, Emanuele Sciannamea (It)Transit_360 Iris Gutler (At) Antoine Ludger Lamers Jorge Gonçalves (De/Pt) The Choir Project Heidi Rustgaard Hanna Gilgren (Uk) Untitled, Still Life Ana Borralho, João Galante e Rui Catalão Shift Lisa Parra (Es) Veralipsi Sofia Silva Nova Criação João Samões Nerves Like Nylon Maria Ramos Imago Hélder Seabra Migna mala Migna Mala Eksperimental Free SceneLuís Miguel Félix, Augusto Corrieri Proyecto 2009/2010 Patrícia Caballero (Es) Obscure Marc Martinez (Es) Família Ricardo Gageiro She is red inside (with those black things) Cinira Macedo e Cláudia Tomasi (Pt/It) Como rebolar alegremente sobre um vazio exterior André Guedes e Miguel Loureiro Mejor no saber su nombre Bárbara Sánchez y Roberto Martínez (Es) Haute Couture Rafael Alvarez, Paulo Guerreiro Nova Criação María Muñoz, Pep Ramis (Es) My name is Luísa Gabriella Máthé In a Rear Room Andresa Soares e Ricardo Jacinto Principios Opuestos Mario García Sáez, Víctor Zambrana (Es) My Own Private Don Carlos Meine Seele Teatro / Cia TRAUM-A (Es/Nl) Accumulation Processes Pavlos Kountouriotis (Gr) Luzes ligadas não quer dizer que estejamos em casa Monica Gillette, António Pedro Lopes (Us/Pt) Trilogy e Vocal Cords Albert Quesada, Vera Tussing (Es/Uk) TV Heroe e Hotel Europa André Amálio, Margarida Barata ,Tereza Havlickova Daniel Somerville (Pt/Uk/Cz) Não Temos Pátria, Temos barbatanas 2010 José LaginhaO Babete Real José Carlos Garcia Metamorfose António Latella (It) Filhas da Mãe, fantasias eróticas das mulheres portuguesas Célia Ramos a Couple dance Guilherme Garrido e Mia Haugland Habib (Pt/No) Solidões Helena Albuquerque Demo, um musical Praga Música original: Kevin Blechdom, Christopher Fleeger, Andres Lõo (Pt/Us/Ee) Sunset on Mars Germán Jauregui (Es) Purgatório Martim Pedroso TEN Preludes Marianne Baillot (Fr) Sobre a Natureza das Cousas Iván Marcos e Jesús Barranco (Es) A brave search for the ultimate reality Florin Flueras (Ro) fantasy show made out of trash Maria Baroncea (Ro) Avatar Róman Torre, Mª Angeles Angulo (Es) Residência de Longa Duração Oficina de Teatro Mónica Samões Grupo de Teatro do Sótão – ASMAL Geopolítica do Caos José Nunes e Cátia Pinheiro Post-It Bod Cecília Colacrai (Ar/Br) A seriedade do animal Marlene Freitas Mappugghje (Ti amo pazzescamente) Stefano Mazzotta, Emanuele Sciannamea (It)Transit_360 Iris Gutler (At) Antoine Ludger Lamers Jorge Gonçalves (De/Pt) The Choir Project Heidi Rustgaard Hanna Gilgren (Uk) Untitled, Still Life Ana Borralho, João Galante e Rui Catalão Shift Lisa Parra (Es) Veralipsi Sofia Silva Nova Criação João Samões Nerves Like Nylon Maria Ramos Imago Hélder Seabra Migna mala Migna Mala Eksperimental Free Scene Luís Miguel Félix, Augusto Corrieri Proyecto 2009/2010 Patrícia Caballero (Es) Obscure Marc Martinez (Es) Família Ricardo Gageiro She is red inside (with those black things) Cinira Macedo e Cláudia Tomasi (Pt/It) Como rebolar alegremente sobre um vazio exterior André Guedes e Miguel Loureiro Mejor no saber su nombre Bárbara Sánchez y Roberto Martínez (Es) Haute Couture Rafael Alvarez, Paulo Guerreiro Nova Criação María Muñoz, Pep Ramis (Es) My name is Luísa Gabriella Máthé In a Rear Room Andresa Soares e Ricardo Jacinto Principios Opuestos Mario García Sáez, Víctor Zambrana (Es) My Own Private Don Carlos Meine Seele Teatro / Cia TRAUM-A (Es/Nl) Accumulation Processes Pavlos Kountouriotis (Gr) Luzes ligadas não quer dizer que estejamos em casa Monica Gillette, António Pedro Lopes (Us/Pt) Trilogy e Vocal Cords Albert Quesada, Vera Tussing (Es/Uk) TV Heroe e Hotel Europa André Amálio, Margarida Barata ,Tereza Havlickova Daniel Somerville (Pt/Uk/Cz) Não Temos Pátria, Temos barbatanas 2010 José Laginha Más pállá que páccá Luca Nicolaj (It/Es) The very delicious piece Jasmina Krizaj,Cristina Planas Leitão (Si/Pt) Dolores Automáticos Mónica Cofiño, Mariate García(Es) Não temos pátria, temos barbatanas 011 José Laginha Tableaux Vivants Anne Juren, Roland Rauschmeier (Fr/De)Try Out Marta Ladjanszki, Zsolt Varga , Zsolt Koroknai (Hu) NO Digital Tiago Cadete, Raquel André New Religion Valentina Desideri, Florin Flueras (It/Ro) O Homem e o Urso Máquina Agradável Portrait Companhia Wolff -Thomas Ryckewaert (Be) Cena escrita Pedro Gil, Mickael Oliveira, Miguel Castro Caldas, André Amálio Triptico Fernando Renjifo (Es) Edit Vera Tussing (Uk) Slow Sports Albert Quesada (Es) Fuga Sem Fim Cia Instável Victor Hugo Pontes Nova Criação Nina Biong (No) Mosco Cinzia Scordía (It) ISLANDIA Marcos Morau (Es) a dor do não lugarJosé Laginha WIP-The Portfolio Project e Flânerie b Fotografia Susana Paiva The Collection Fotografia Margarida Guia FM (Frágil) Cristina Leitão, Marlene Vilhena Slipping throuh my fingers modul-dance Suécia Helena Franzén (Se) Bonum Cursum, Até já! Filipa Rodriguez nova criação Liz Roche (Ie) nova criação Ivan Rodovani (Rs) Working Title Tina Valentan (Si) nova criação José Laginha, Marlene VilhenaThese Images Are Written On My Body Kajsa Sandstrom (Se) What we can not do alone? Projecto Interferências 2012 (Pt/At/Mx) Biodramas Coreográficos Marcelo Díaz (Ar) encontros do DeVIR Vera Mantero / Claúdia Dias, Cecília Laranjeira / José Laginha, Marlene Vilhena/ Maria João Luís, Daniel Gorjão (outra)formação a rapariga/pássaro que habitava uma casa/ninho lá no alto João Pinto, Ana Alvelos, Marta Coutinho T-ZERO Adriana Pardal, Vera Alvelos Muzenza (workshop de Capoeira); Nomad nomad A rapariga/pássaro que habitava uma casa/ninho lá no alto João Pinto, Ana Alvelos, Marta Coutinho T-ZERO Adriana Pardal, Vera Alvelos Flamenco Choni dança contemporânea Miguel Pereira/Sin-Cera improvisação e teatro visual John Mowat / a fabrica Curso de Gestão e Produção das Artes do Espectáculo DeVIR/Fórum Dança (formação) oficina de danças africanas António Tavares workshop de criação colectiva e interpretação Tiago Rodrigues criação teatral Cláudia Jardim e Pedro Penim - Teatro Praga as artes na educação Madalena Victorino escrita criativa Possidónio Cachapa dança contemporânea Amélia Bentes entre água e pó Sofia Neuparth hip-hop Ana Trindade hip-hop Daniela Alves hip-hop Ana Trindade nova criação ARCA, ass. recreativa e cultural do Algarve oficina teatro e corpo ASMAL ass. de saúde mental do Algarve Laboratório de Criação Manual de Instruções Victor Hugo Pontes Atelier No jogo do desejo ou o choque frontal Ana Borralho e João Galante Workshop de dança contemporânea e pesquisa de movimento Gabriella Maiorino A Dança na Educação Madalena Victorino Oficina de iniciação teatral / teatro físico Helena Flor Oficina Regular de Movimento e Improvisação Ana Borges Narração Oral: Contextos e Instrumentos Luís Carmelo / Trimagisto Organização: ARCA, ass. Recreativa e cultural do Algarve Workshop de Dança Contemporânea Ana Borges Acção de formação Narração Oral, Contextos e Instrumentos ARCA,ass. Recreativa e Cultural do Algarve Workshop técnicas Flying Low e Passing Through de David Zambrano Jasmina Krizaj,Cristina Planas Leitão (Si/Pt) Workshop de Música, Guitarra eléctrica, efeitos e periféricos Tuniko Goulart Workshop de improvisação de Jazz “Brass fantasy” Jesús Santandreu, Toni Belenguer (Es) projecto valados (2010-12) formadores Delfim Sardo (História da Arte Contemporânea) Mª. João Luís, Carlos J. Pessoa, André E. Teodósio, Miguel Seabra, John Romão, João Mota, Jorge Silva Melo (teatro) Francisco Camacho, Cláudia Dias; Madalena Victorino; Vera Mantero, Filipa Francisco, José Laginha/Marlene VIlhena, Sílvia Real, João Fiadeiro, Clara Andermatt (dança) Cláudia Galhós (crítica de dança) André Guedes (cenografia) José Laginha/Ana Rodrigues (produção) José Maria Vieira Mendes, Jacinto Lucas Pires, Abel Neves, André E. Teodósio, Mickael de Oliveira e Miguel Castro Caldas (escrita para teatro)


ciência

12 olhares 12 reflexões sobre a descaracterização do litoral algarvio em breve facultaremos todas as informações

festival encontros do DeVIR/Jornal  

jornal do festival encontros do DeVIR - criação

Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you