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TIPOGRAFIA TUPINIQUIM


INÍCIO DA TIPOGRAFIA BRASILEIRA A tipografia no Brasil veio muito tardiamente. Foi apenas em 1808, com a chegada da família real portuguesa, que se começou a usar os tipos móveis no Brasil. Até então, nas colônias portuguesas, era proibido qualquer tipo de atividade de imprensa. A imprensa nasceu oficialmente em 13 de maio de 1808 com a criação da imprensa Régia, a qual era de uso exclusivo da corte, para que fosse impresso toda a legislação, e papéis diplomáticos que fossem necessários. Mesmo após a abertura de novas imprensas e jornais eram poucas as pessoas que tinham acesso a produção e construção tipográfica, geralmente se limitavam apenas a utilizar os tipos que já vinham prontos de fora.

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É apenas com a chegada dos computadores que a tipografia realmente se populariza. Ele facilitou tanto o acesso a tipos, como também a sua construção. Qualquer um que vai utilizar um programa de edição de textos hoje terá que escolher entre diversas fontes, problema que anteriormente era de exclusividade dos designers e comunicadores em geral. A partir dos anos 90 houve um avanço nas construções de tipografias. Qualquer um com conhecimento técnico poderia construir uma fonte. É claro que isso gerou várias aberrações estéticas, mas mesmo assim tiveram aqueles que se especializaram na nova tipografia digital, e dentre eles alguns brasileiros, que serão citados nessa publicação.


IDÊNTIDADE TIPOGRÁFICA BRASILERA Talvez por ter chegado tarde ao Brasil ainda seja difícil pensar em um modelo de tipografia brasileira, uma fonte que consiga representar o Brasil de forma não estereotipada. Com a chegada do computador houveram muitas tentativas de criação de uma tipografia genuinamente brasileira, geralmente inspiradas na cultura regional e no vernacular. Esse resgate da cultura vernacular brasileira é de extrema importância, pois essas artes estão desaparecendo enquanto dão lugar a nova forma de comunicação digital, e de produção virtualizada. É claro que enquanto resgatamos a nossa cultura, devemos criar novas culturas. A criação de tipos ainda é muito pouco difundida no país, mas está melhorando consideravelmente com a adição de disciplinas exclusivamente sobre tipografia nas universidades, além de cursos, concursos e publicações que divulgam a tipografia brasileira. Talvez ainda não conseguimos criar a nossa identidade tipográfica como temos nas artes plásticas, música e moda, mas se os incentivos continuarem com certeza essa será uma área que ainda dará muitos frutos ao Brasil. 6


ÍNDICE

12 14 16 18 20 22 24 26 28

1RIAL FÁTIMA FINIZOLA THEREZA MIRANDA FERNANDO ROCHA BERET EDUARDO OMINE PAULISTHANIA LUCIANO CARDINALI MARYAM RICARDO ESTEVES GOMES HOUAISS RODOLFO CAPETO CABOURG GUSTAVO PIQUEIRA SAMBA TONY DE MARCO CAPRICHOSA PEDRO MOURA


Fatima Finizola A fonte 1 Rial foi criada por Fatima Finizola a partir da observação de placas e letreiros das ruas do Recife. Como muitas tipografias brasileiras, ela tenta resgatar uma identidade genuinamente brasileira atravÊs do uso de tipos vernaculares.

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Fernando Rocha Criada por Fernando Rocha, a fonte Thereza Miranda foi baseada na linguagem tipica da xilogravura e literatura de cordel, com linhas irregulares e borradas.

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Eduardo Omine Beret é uma tipografia sem serifa, leve e minimalista criada por Eduardo Omine. Sua principal caracteristica é o termino dos traços verticais, onde há uma leve curvatura. A fonte Beret pode ser usada em textos longos e não somente como uma fonte display, já que sua legibilidade é impecavel.

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Luciano Cardinali Criada por Luciano Cardinali, a fonte Paulisthania é baseada no traço caligrafico, construidas com caracteristicas humaniscas na modulação.

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Ricardo Esteves Gomes Maryam é uma tipografia manuscrita criada por Ricardo Esteves Gomes. Ela foi criada com a intenção de não ser somente uma fonte display, mas que fosse possivel o uso dela em textos mais longos. A fonte apresenta inumeras ligaduras, que dão a ela uma maior aparencia de manuscrita, além de várias possibilidades de composição formal.

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Rodolfo Capeto A fonte Houaiss foi criada por Rodolfo Capeto para o dicionario “Houaiss da Lingua Portuguesa”. É uma fonte de ótima legibilidade e se comporta bem em praticamente qualquer tamanho de corpo.


Gustavo Piqueira Criada por Gustavo Piqueira, a fonte Cabourg se diferencia de outras fontes brasileiras por ter um desenho mais futurista e n達o regionalista como a maioria das fontes. Os caracteres em caixa baixa possuem algumas aberturas (como nas letras a, b, d, q, etc), que deixam a fonte com uma forma arrojada.

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Tony de Marco A fonte Samba foi criada por Tony de Marco, inspirado nas letras Art Deco do ilustrador J. Carlos. Essa tipografia foi premiada em 2003 na Linotype International Type Design Contest.

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caprichoza

Pedro Moura

A fonte Caprichoza foi criada por Pedro Moura, inspirado por uma placa em um tradicional bar em Niter贸i. Mesmo sendo uma tipografia irregular, ela segue uma estrutura e uma l贸gica pr贸pria, que foi definida pelo pincel do desenhista da placa.

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ABCDEFGHIJKLMNOPQRStuvxz


Referências bibliográficas ADG Brasil, 7ª Bienal de Design Gráfico 2004. São Paulo, 2004. ADG Brasil, 9ª Bienal de Design Gráfico 2007. São Paulo, 2007. Fontes digitais brasileiras: de 1989 a 2001. São Paulo, 2003 Paulo Heitlinger. Tipografos. Disponivel em <http://tipografos.net>. Acesso em: 25 de março de 2009 Tipos Populares Brasileiros. Disponivel em <http://www.tipospopulares.com.br/>. Acesso em: 24 de março de 2009

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Criação: Erick Alexander Drefahl


Tipografia Tupiniquim  

Publicação sobre tipografia brasileira.

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