Page 1

Pr贸logo Fallen Vers茫o narrada por Luce.

Criado, Editado e Formado por: Andresa Lunardelli e Henrique Araujo.


NO COMEÇO

HELSTON, INGLATERRA SETEMBRO DE 1854 Já passava de meia noite. As badaladas do sino da igreja me ensurdeciam. A noite estava escura e quente. - um fato raro no meio de tantas noites frias. Hoje em especial a Brisa estava Quente. Aquela sensação ruim voltou - era um aperto no Coração. Que eu realmente não conseguia entender. Só de pensar que em algumas horas atrás... Eu estava com meu perfeito vestido de ceda rosa, com lindas tranças que prendiam meu cabelo e os surpreendiam. Eu realmente surpreendi a todos – até ele - quando cheguei depois de meus colegas – eu havia desistido de ir, mas mudei de idéia na esperança de ele estar lá - para Aplaudir a filha mais velha da anfitriã, o motivo não importa. O que importa é que ele estava lá. Coincidentemente ele estava lá. Eu realmente estava ficando apaixonada por ele. Jamais pensei que pudesse sentir... Isso. Afinal o que era isso? Cada vez que eu fechava os olhos me lembrava... Me lembrava de seus olhos...aqueles olhos. Sua boca delicada. Seu cabelo e corpo bronzeados. Eu suspirei. Aquilo me abalara tanto deis da primeira vez que o vi... E certamente todas as vezes que o vejo, Como ontem à noite por exemplo. Quando por acaso nós nos encontramos na varanda. Eu havia acabado de colher


um punhado de Peônias brancas – minhas flores favoritas. Doía tanto me lembrar... Por que doía? Eram lembranças tão lindas. – que o tempo não apaga. Outro Suspiro. Dizem que o suspiro é palavra da alma. Más no meu caso seria, Palavras do coração – todas contidas aqui dentro com vários cadeados, Mas que mesmo assim não tinha como se segurar, era mais forte. Muito mais forte. Agora eu estava na varanda de meu quarto relembrando cada momento. Meu vestido simples e branco esvoaçava. Quando tomei consciência de só queria uma coisa. Doía não poder ter. Eu queria ver Daniel. Não conseguia dormir. Ele é culpado. Não consegui ler um só livro depois de sua chegada. Ele me desconcentrava. Tudo que conseguia pensar era nele. Só ele. – hoje, ou será que devo dizer amanhã, talvez seja melhor Agora. Agora Desviando a visão da Lua para seu quarto percebi a Luz acesa. Como eu fora tola de não perceber isso antes? Era a minha chance de falar com ele. Era talvez a minha ultima chance. Se é que ele ainda não percebeu isso... Talvez tenha percebido, mas não me queira. Ou talvez não possa. Eu não sei mais o que dói. Pensar que ele não me quer. Ou pensar que ele me ama. Eu precisava tirar a dúvida. Então fui até lá. Apareci por entre as cortinas de veludo vermelhas. A Brisa nos tocou. Eu estava certa em dizer que a noite era quente. Por que uma quentura subiu por minha face. Deixando-me desconcertada e mais nervosa do que já estava. E confesso que um pouco envergonhada. Ele parecia perceber minha presença. Ajeitou habilmente os papeis sobre seu colo. Ele estava Desenhando. Desenhando o que? Perguntei-me. Porém ele se levantou deixando seus esboços para trás - caindo na cadeira de couro. Sua expressão era um tanto interrogativa quanto Preocupada, Mas já estava se tornando Raivosa e ao mesmo tempo Protetora. - O que está fazendo aqui? – Disse ele rosnando em minha direção. Quase me assustando. - Eu... Eu não consegui dormir – Respondi depressa, indo em direção ao fogo, e a cadeira dele que era o que mais me interessava. – Vi a luz em seu quarto e também – continuei baixando os olhos para as mãos, tentando encontrar uma solução, por fim avistei minha salvação. – Seu Baú do lado de fora. Vai a algum lugar? - Eu pretendia contar a você – começou ele. Como se desculpasse. A mentira estava clara em sua boca. Ele queria fugir de mim. E nunca mais... Iriamos nos ver. Mas eu não deixaria que isso acontecesse, não sem antes lutar. Aproximei-me um pouco dele. Mas foi onde meus olhos pousaram que me deu mais segurança para seguir em frente. O Desenho dele. Agora eu tinha realmente que me segurar para não me jogar em seus braços. No esboço haviam olhos felinos, parte determinados, parte hesitantes, aqueles eram...meus olhos. - Estava me desenhando? – perguntei firmemente. Com um tom um tanto de Surpresa. E de magnitude. Com certeza agora eu estava sendo impetuosa comigo mesma. Mas se ele estava me desenhando era... Por que me amava... Tanto quanto eu o amo. Mas ele não parecia entender meus pensamentos, ele estava me achando Brava? Era o que parecia, e ele gostava disso, eu acho.


De repente sua expressão mudou. Como se a minha descoberta não fosse não ruim pra ele quanto era pra mim. Ou talvez pros dois. Ele teve um arrepio que passou por mim também. - leite morno com uma colher de melado- murmurou ele tentando mudar de assunto, ainda de costas para mim. – vai ajuda-la a dormir. – disse ele desanimado. Mas como... - Como você sabia? Minha nossa, era exatamente isso que minha mãe costumava... - eu sei – disse ele interrompendo-me, e se virando para me encarar. Era como se eu não o surpreendesse, como se ele espera-se essa deixa. Como se ele sempre estivesse comigo. Coloquei minha mão sobre seu ombro. Ele pareceu sentir o toque através da camisa. Era cada vez mais difícil se controlar. - Me responda – disse eu por fim sussurrando – Está indo embora? - sim. – respondeu ele vazio. Foi neste instante que eu não conseguia pensar em outra coisa a não ser... - Então me leve com você – disse imediatamente, abruptamente talvez. Prendi a respiração. O suspiro é a palavra da alma, talvez o contrario seja do coração. Aquilo iria totalmente contra os meus princípios, Talvez eu estivesse sendo Impetuosa, mas também não havia o que dizer, havia? Eu iria perdê-lo. Não iria? Ou talvez eu, talvez eu estava sendo ousada demais. A vergonha tomou conta de mim, mas não interferiu no que eu havia dito. - Não – Sussurrou ele, me fazendo sair da minha distração.- Embarco amanhã. Caso se importe ao menos um pouco comigo, não dirá mais uma palavra. – eu estava chocada. Como ele ousara subestimar o meu amor. A importância que tem em minha vida. - Caso eu me importe com você – Repeti mergulhada em meus pensamentos. Agora chegaria a hora. Eu tinha que falar, não podia mais segurar...- Eu...eu amo... - Não diga isso – disse ele como se já esperasse. Eu retruquei. - Tenho que dizer. – continuei dizendo, agora com a força máxima de meus sentimentos, ele os entende ou não. - Eu... Eu amo você, tenho quase certeza, e se você for embora... - se for embora, salvarei sua vida. – disse ele lentamente. Querendo me lembrar de algo que não fazia sentido pra mim. Isso arruinaria minha vida. Ou talvez era por isso que eu sentia tamanha dor quando achava que ia o perder, e tamanha dor quando achava que o havia ganho. As palavras estavam começando a fazer sentido... Mesmo que por uma fração de segundo. Mas suas próximas palavras bloquearam tudo de novo. – Algumas coisas são mais importantes que o amor. Você vai entender, mas Precisa confiar em mim. Há algo mais importante que o amor? Isso chegava a me deixar tonta. Cambaleei para trás. Meu olhar atravessou o dele. Quando já havia me recuperado...


- Quer dizer que existem coisas mais importantes do que isso? - falei desafiando-o e pegando sua mão e levando até o meu coração. Ele estava angustiado, não tinha forças para me parar, eu acho... O Calor que eu transmitia fez com que ele pendesse a cabeça para trás e gemesse. “Ia acontecer tudo de novo” era o que estava escrito em sua expressão. Ele tentava se distanciar, Mas como? Não era possível achar que havia algo mais importante que o amor. E ele podia sentir meu coração acelerado através do fino vestido de algodão. Era como se a qualquer momento ele fosse me tomar em seus braços e me proteger de tudo. Mas a dor que eu sentia minutos atrás voltou com força total, uma dor que fazia girar minha mente. Era como se eu tivesse visto um fantasma. A tontura voltou. Afastei-me com minha mão sobre a testa. - estou tendo a sensação mais estranha – sussurrei. Só havia preocupação em seus olhos. Meus olhos se estreitaram – na tentativa de entender. Estavam poucos diferentes dos olhos do esboço que ele fez. Traziam a expressão felina, de determinismo e hesitação. Como ele sabia? O que está acontecendo? Não importa. Nunca importou. Só o amor importa. Voltei a me aproximar dele. Meus lábios abertos de expectativa. Tudo parecia tão normal. A sensação ruim, e a sensação de tudo isso já havia acontecido continuava. - Diga-me que enlouqueci, mas juro que já estive exatamente aqui antes... Ele parece perceber o que eu não percebia. Ele ergueu os olhos tremulo. Desistindo de sua posição dura, me tomou em seus braços e me abraçou o mais forte que pode. Eu reconheci aquele aperto como se nunca tivesse me deixado. Nossos Lábios se fundiram. Eu podia sentir a plenitude. Este instante era um instante de amor, havia amor. Aquele beijo fez que o fogo entre nós ardesse ainda mais forte. A cada toque mais o fogo ardia. Aquele beijo era tudo. Por uma fração de segundos eu soube que... Não havia mais nada, absolutamente nada.

Prólogo Versão Luce  

A Algun tempo eu fiz o prólogo de Fallen na versão narrada pela Luce. Se quiser saber mais sobre fanfic visite Fallenbrasil.blogspot.com