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Revista MedUBI | Edição VI— OUTUBRO 2017

Edição especial

VIAGENS MEDICINA TROPICAL Imunizações, profilaxias e cuidados a ter quando viajar

GUSTAVO CARONA Internato Médico no Estrangeiro Inglaterra e Alemanha

Um médico sem fronteiras


Frase Diagnóstico do Mês: “To make living itself an art, that is the goal.”

Henry Miller

Comissão Organizadora da Diagnóstico Coordenação: Rita Cagigal, Inês Jorge e João Pais Grafismo: Rita Cagigal e João Pais Revisão: Tatiana Neves e Rita Cagigal Ilustração: Mariana Pereira e Andreia Lasca Cartoon: Carolina Inês

Colaboradores: Ricardo Lopes, Tatiana Neves, Rui Simões, Mariana Ribeiro, Inês Vieira, Nuno Fernandes, João Alves e Inês Rento. Colaboradores convidados: Beatriz Faneca, Catarina Gonçalves, Francisca Morais, Inês Teixeira, Joana Guerreiro, João Proença, Rita Rosa e Wanda Saraiva. Com colaboração especial de: Dr. Luís Monteiro, Dr. Gustavo Carona e Dra. Raquel Fernandes. Contacto: diagnostico@medubi.pt

Projeto: MedUBI Morada: Faculdade de Ciências da Saúde Rua Infante D. Henrique | 6200-506 Covilhã 2


Editorial Sem que o fatídico Diagnóstico lhe tivesse sido decretado, tentou o MedUBI reverter a assistolia em que a encontrou. Um esforço conjunto, mas de sucesso, movido pelos que seriam os dois pilares que a regem: a cultura e a democraticidade. Por estudantes e para estudantes, a revista Diagnóstico regressou como um espaço de partilha, onde a medicina transcende a clínica, e onde o pensamento crítico se desprende da

atualidade. Por estudantes e para estudantes, a revista Diagnóstico moldou-se para se adaptar a ti: o estudante que vê para além dos livros, e sente para além das palavras. O estudante informado, que se envolve e deixa envolver. Se o primeiro passo na concretização de um sonho é acreditarmos nele, então esta não é somente a segunda edição de uma revista. É um contributo ímpar na construção de médicos mais atentos e humanos.

Por Catarina Gonçalves, Presidente do MedUBI

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Índice EDITORIAL Mensagem de Catarina Gonçalves

PÁGINA 3

ACONTECEU

PÁGINA 6

Facfest Semana Europeia

EXPRESSA-TE Crónica: Escutar

PÁGINA 7

Crónica: O desafio de uma ambição

PÁGINA 8

Cartoon

PÁGINA 9

Poema: Consciência da inconsciência Texto livre: Talvez

PÁGINA 10

PÁGINA 11

LEITUR’AR-TE Leitura Fascinante: “Prematuros”

PÁGINA 12

PERSONALIDADE EM DESTAQUE Dr. Gustavo Carona, um médico sem fronteiras

PÁGINA 14

SEM FRONTEIRAS Intercâmbio: Coreia do Sul

PÁGINA 19

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SEM FRONTEIRAS Anamnese Cultural

PÁGINA 21

INTERNATO MÉDICO NO ESTRANGEIRO Inglaterra

PÁGINA 26

Alemanha

PÁGINA 27

PÁGINA 29

ANEM

PERDER AS ESTRIBEIRAS PÁGINA 30

WOOL, O festival de arte urbana da Covilhã

MED’S HEALTH Peritos americanos avisam Portugal para consumo juvenil de álcool e drogas

PÁGINA 32

PÁGINA 34

Os benefícios da canela

O MARAVILHOSO MUNDO DA MEDICINA PÁGINA 35

PÁGINA 38

Medicina Tropical

ACONTECERÁ 5


Aconteceu! Medicina Facfest No passado dia 26 de setembro, realizou-

vários êxitos dos anos 90 e 2000 e puseram os

se mais uma FacFest, organizada pelo MedUBI e

estudantes ao rubro, com muita dança, selfies e

pelo TK Sports & Events. Apesar de este ano o

gargalhas à mistura.

local escolhido para o evento não ter sido a FCS,

pontos altos da noite! Já quase de madrugada, o

animação e boa música não faltaram .

DJ Sérgio Oliveira encerrou o evento, aquecendo

A noite teve início com um churrasco ao ritmo das bandas Triz e Reflexus. Depois do

Foi sem dúvida um dos

a noite na cidade neve. E claro pessoal, para o ano há mais!

estômago forrado, foi hora de assistir ao show dado pelos Insert Coin, que nos brindaram com

Por Inês Vieira

Semana Europeia No passado dia 26 de setembro, foi comemorado o Dia Euro-

peu das Línguas e, de modo a não deixar passar esta data em branco, o departamento Cultural do MedUBI desenvolveu a Semana Europeia. Ao longo desta semana, de 25 a 29 de setembro, o nosso conhecimento, curiosidade, criatividade e desenvolvimento pessoal foram desafiados através de duas atividades: o International Snack e o Recital de Poesia. Ao final da tarde do dia 25, decorreu o In-

O Recital de poesia decorreu na noite de

ternational Snack, em que os alunos que vi-

28, no Biblioteca – Café Concerto. Neste recital,

venciaram experiências noutros países foram

onde se puderam ouvir poemas de artistas nacio-

convidados a partilhar as mesmas, através da

nais e internacionais, acompanhados por belas

confeção de um prato típico do país em questão.

melodias de violino tocadas ao vivo, participaram

Num ambiente muito descontraído, com muitas

não só de alunos de medicina, mas também de

histórias, sorrisos e boa comida, passou-se um

outros cursos. Deram-se, então, a conhecer poe-

ótimo final de tarde, que permitiu recordar, com

mas fora do conjunto dos “clássicos” do ensino

algumas saudades, os dias passados, as pesso-

secundário, mostrando a beleza desta arte, mui-

as, as culturas e as aventuras que marcam estas

tas vezes desprezada devido à dificuldade que

viagens tão especiais.

muitos têm em compreendê-la. Por Tatiana Neves e Rui Simões 6


Expressa-te! Crónica: Escutar "Não há apenas uma escuta com os ouvidos, mas também um escutar com o coração, que mais não é que uma escuta profunda, onde todos os sentidos nos são úteis." José Tolentino Mendonça in "A Mística do Instante".

Naquela manhã de segunda-feira a chuva

manhã anunciava panaceias em tom estridente.

implacável transformava o serpentear da estra-

Lentamente retomou a rotina: vestiu a ba-

da da pequena vila num pântano difícil de trans-

ta, colocou o estetoscópio ao pescoço e ligou o

por. Mas não era a intempérie que abrandava o

mal humorado computador.

carro da Dr.ª Ana Marques. O ritmo comedido e

As consultas foram-se sucedendo ao rit-

pouco habitual naquela jovem médica de família explicava-se nos ritmos inspiradores que tocavam no seu rádio e que prolongavam artificialmente

as

férias

recentes

em

Cuba.

Esta ilusão acabaria por se desvanecer assim que estacionou. Teve dificuldade no simples ato

mo habitual até que o Sr. Correia se sentou no gabinete. Era a primeira vez que vinha sozinho à consulta. Dentro do envelope - já aberto - as palavras pesadas "provável neoplasia do cólon". E a pergunta a pairar como um eco "Explique-me

de abrir a porta do automóvel.

porquê?

Porquê?

Porquê?".

A Dr.ª Ana podia falar de probabilidade e risco. Uma pequena multidão aguardava-a ansiosamente

junto

da

extensão

de

Podia recordar as oportunidades perdidas: a

saúde.

ausência de caminhadas "Não tenho tempo" e o

A D. Lurdes repetia "Tenho uma carta do hospi-

maço de tabaco diário "O meu único vício".

tal para dar à Dr.ª” e o Sr. Nogueira vociferava

Podia enumerar factos e apontar caminhos.

"O meu pai precisa de análises. Urgentemen-

Mas a jovem médica já sabia que, por vezes,

te!"

quem

. Respirou fundo, ainda embalada pelas

memórias solares. Sorriu quando reconheceu o

a

procura

não

espera

respostas.

E no silêncio da escuta ativa se teceu um laço invisível mas perene.

velho guarda-chuva estrategicamente colocado sobre a televisão. Como sempre o programa da

Por Dr. Luís Monteiro, Médico de Família

7


Expressa-te! Crónica: O desafio de uma ambição “Vai para medicina, as tuas notas dão

através do discurso, mas também por uma apre-

para isso”, “olha só o respeito e o dinheiro que

sentação cuidada, uma boa higiene e identifica-

vais receber”, “vês aquele BMW? É do Dr. Car-

ção visível. Para além destes aspetos, é preciso

doso do centro de saúde”, quantas mais frases

transmitir informações ao doente de forma ade-

destas terá ouvido o bom aluno no secundário?

quada às circunstâncias, às suas capacidades

Era altura de preencher as 6 opções, vamos ar-

cognitivas e ao contexto. Nos dias de hoje, dar

riscar e colocar medicina em todas, afinal, já tu-

uma consulta implica ter uma gama de tecnolo-

do à tua volta dizia que ias entrar. Saíram os re-

gias presentes, o médico tem o computador na

sultados e entraste, parabéns. Agora deve ser

secretária e o telemóvel por perto, mas não é

só continuar a estudar, fácil, marrar já estava

por causa desta era tecnológica que tem o direi-

nos teus hábitos. Segunda-feira à tarde vais ter

to de perder a sua parte humana. A máquina é

“Arte da Medicina”, anda, deves estar curiosa

somente um auxílio ao Homem. Um paciente

por saber que cadeira é com tal nome. Estranho,

precisa da atenção e do olhar seguro do médico,

então ser médico implica, para além dos conhe-

não de olhar para o seu perfil ou para a parte de

cimentos científicos todos, saber um conjunto de

trás do ecrã do computador.

normas morais e éticas? Também foi ignorância da tua parte não saberes isto. E também é expetável um conjunto de comportamentos só por seres estudante de medicina? Desta não estavas à espera…E estes cuidados todos com o discurso e a maneira de agir com o paciente,

Quando

se

passa

ao

estatuto

de

“estudante universitário”, ideias de quintas-feiras académicas, de precisar de apenas 9.5, de faltar às teóricas, entre outras, passam na cabeça de muitos.

que mundo novo! Já viste como a medicina tem uma história tão rica? Olha só como evoluiu a posição social do médico ao longo dos tempos! Há aqui algo tão valioso e digno de se explorar. Dentro de todos os temas fascinantes, os que mais me marcaram foram: a relação médico -doente e o código de conduta académica. Atender um paciente implica cumprir um conjunto de normas básicas, precisamos de transmitir confiança, que é conseguida, não só 8


Mas ir para a universidade não é só al-

centes à avaliação, investigação e produção de

cançar estas liberdades todas, é também, e

conhecimento, de conduta no meio académico,

maioritariamente, adquirir os conhecimentos

regras de deveres no contexto de aula e condu-

que nos vão permitir seguir os nossos desejos.

ta e convivência na comunidade.

“Pela ciência e pelo labor aspiramos às coisas mais elevadas”, o ensino superior é uma rampa de lançamento para o mundo do trabalho e para um alcance mental maior. Um estudante de medicina na Universidade da Beira Interior tem um código de conduta escrito que o auxilia a “aspirar coisas mais elevadas”, mas, como é óbvio, não é uma condição suficiente para que haja o cumprimento da função de estudante. Este código tem um conjunto de regras subja-

Em suma, escolher medicina não é só para quem pode, mas sim para quem quer. A disciplina Arte da Medicina faz-nos abrir os olhos para o mundo da medicina e o peso da profissão. Durante a fase de estudante é crucial termos disciplina, pois será a base para nos guiar sem desvios em direção ao conhecimento. Por Inês Teixeira Ilustração de Mariana Pereira

CARTOON!

Por Carolina Inês 9


Expressa-te! Consciência da inconsciência Fernando Pessoa, o poeta fragmentado Que nos ensina sobre a vida, O que faz é pensar demasiado E criar arte, através da dor fingida E aquela tremenda saudade que sente Por entre lutas de coração e razão Em tentativas da sua conciliação, O poeta quer ser consciente inconscientemente O gato despreocupado E a pobre ceifeira inconsciente Causam inveja no poeta, Sobre isso, este não mente E aquela extrema nostalgia Que o leva a fugir para a infância idealizada Para tentar encontrar a alegria Que sempre foi desejada Por causa da intelectualização A sua felicidade foge-lhe por entre os dedos E após a sua reflexão Segue errante sem medos.

Por Mariana Ribeiro Ilustração de Mariana Pereira 10


Talvez Pondero pousar esta caneta. De tinteiro

Aqui, sobre estas estrelas, passadas tes-

cheio, já se me parece gasta de tanto escrever,

temunhas de promessas soltas e de beijos tro-

escrever o mesmo, sempre o mesmo. Amor. Por

cados, prometo-te largar. Dizem que tudo o que

isso faço uma promessa a mim mesmo, daque-

é bom acaba, não sei se assim será. Afinal por-

las que saem da boca para fora cuspidas em

que é que tem que acabar, se aí estou bem…

direção nenhuma, Vais largar o passado, vais

Mas acaba, tal como estes pontos no céu.

deixar o amor onde o encontraste, no sussurro

Quando o olhas, a luz que vês é de estrelas que

da noite. E aqui, onde encontrei e te dei o pri-

já lá não estão, mas continuas a vê-las e só isso

meiro beijo, desprevenido, mas tão esperado,

basta. Talvez só te ver me baste. Talvez só sen-

prometo largar-te.

tir o teu perfume me baste. Talvez saber que

Sei quem és, no tocar de lábios, pequenas doces ternuras, te via a raiz, o sentimento e

por aqui passaste me baste. Talvez ter-te tido aqui, comigo, me baste.

pensamento. Sei quem és, mas não sei quem

Talvez.

sou. Não me vejo, não me leio. Ou talvez não queira saber qual a minha sina, e quem não quer não procura… Pergunto-me se me conheces, se me olhavas o interior como quem olha para um poço fundo e escuro de lamparina na mão. Tenho

E por estar cansado desta prosa, deste sadomasoquismo, digo que largo a caneta, prometo largar-te, adeus tinteiro, adeus a ti, talvez um dia nos voltemos a encontrar e só isso baste. Talvez.

medo da resposta e por isso não te pergunto.

Por (De)lírio (pseudónimo) Ilustração de Mariana Pereira 11


Leitur’Ar-te Leitura fascinante: “Prematuros” Esta obra demonstra-nos várias realidades presentes, das quais podemos não ter uma noção exata, como por exemplo as diferenças existentes entre a “sorte” de nascer prematuro nos países desenvolvidos versus o “duplo azar” ligado aos países em desenvolvimento, outro ponto de foco é em relação ao que é um recém-nascido filho de toxicodependentes, enfatizando a importância da mãe renunciar aos seus vícios, salientando ainda a realidade das gravidezes atuais, “Prematuros”, escrito por João Pedro

mais tardias.

George, é uma viagem às principais unida-

Para além da enfâse nos médicos,

des de cuidados intensivos neonatais de

eleva o valor dos terapeutas da fala, para

Portugal, dando um vislumbre do dia-a-dia

bebés que têm dificuldade na alimentação e

intenso dos prematuros e da sua tenaz avi-

dos fisioterapeutas, que evitam que o bebé

dez de viver - “Alguns são do tamanho da

ganhe “posições viciosas”, que comprome-

palma da minha mão e as suas cabecitas

tam o seu equilíbrio muscular, como as

pouco maiores que uma tangerina”.

“perninhas de rã”, situação mais comum no

A partir da leitura desta obra, percebemos que uma variável comum a todos os pais com filhos prematuros é o desespero, por se depararem com um bebé, e com todo um mundo, totalmente diferentes do que tinham idealizado ao longo de tantos meses. Este novo mundo carateriza-se por uma constante imprevisibilidade, que leva a instabilidade emocional no casal e a uma “volta de 180 graus” na sua vida.

passado. O correto desenvolvimento muscular também tem um papel fundamental na capacidade da caixa torácica, em termos de

autonomia respiratória. Realça que cada bebé tem necessidades nutricionais diversas e que o leite materno é soberano comparativamente às fórmulas, que apenas nutrem a economia das indústrias e causa mais enterocolites. O leite materno amplifica as defesas do organismo, melhora a função gastrointestinal e previne 12


Sobre o autor... João Pedro George, nascido em Moçambique em 1972, licenciou-se em sociologia na Universidade Nova de Lisboa, onde atualmente leciona no Departamento de Sociologia. Colaborou com a imprensa, como crítico literário, sendo ainda autor de variadas obras.

algumas doenças como, por exemplo, a obe-

O autor explica a importância do con-

sidade, diabetes e hipertensão arterial, sendo

tacto entre os pais e os prematuros, sendo

ainda melhor tolerado.

essencial o toque de contenção, ou “deixar a

Por entre conversas com médicos,

mão pousada na cabeça” pois, dado o siste-

descrições de salas hospitalares, desabafos

ma nervoso imaturo, o deslizar das mãos no

de pais e histórias contadas por enfermeiras,

prematuro pode ser hostil. O toque também é

o escritor recorda a sua própria experiência

importante para desinibir os pais com receio

com a filha, também prematura - “[…] a verti-

de magoar o seu bebé, ajuda à normalização

gem da primeira vez que vi a minha filha nu-

dos parâmetros vitais e contribui para o au-

ma incubadora, com tubos entrando pelo na-

mento de peso e a redução dos dias de inter-

riz e fios com elétrodos no peito, tão minús-

namento -“As ondas de afeto que brotam dos

cula, tão indefesa, tão diferente do bebé que

pais são o melhor medicamento para uma

tinha imaginado...” -, mas agradece, satisfei-

criança.”. Instrui-nos acerca do “método can-

to, por tudo ter corrido bem na sua história

guru”, criado devido à carência de incubado-

pessoal.

ras, que consiste em “em colocar o bebé colado ao peito nu da mãe ou do pai”, ajudando os bebés que têm bradicardia.

O escritor ensina-nos também que os prematuros são mais vulneráveis e, por isso, podem desenvolver algumas complicações, como por exemplo hemorragias intraventriculares, enterocolite necrotizante, dificuldades respiratória, retinopatia, problemas cardíacos e cia.

icterí-

Por Mariana Ribeiro Ilustração de Andreia Lasca 13


Personalidade em Dr. Gustavo Carona, Um médico sem fronteiras Nesta edição da Diagnóstico, moveu-nos a inspiração e voltamos ao cerne da questão:

O que é ser médico? Afundámo-nos em questões humanitárias, lançámos a haste à dignidade e entrevistámos o Dr. Gustavo Carona, médico anestesista de profissão e sub-especializado em cuidados intensivos e… Médico Sem Fronteiras! Este médico, que acabou de realizar a sua 7ª missão pelos MSF, não se deixa ficar pelo trabalho, vê na sua vida uma oportunidade para mudar o mundo e acaba de lançar o seu primeiro livro ,“1001 Cartas para Mossul”.

Os Médicos Sem Fronteiras são uma ONG que surgiu em 1971 pelas mãos de médicos e jornalistas face à limitação na ajuda humanitária internacional. Uma organização que já tem uma longa história, tendo, em 1999, ganho o Prémio Nobel da Paz, um prémio que não necessita de justificação alguma, continua hoje, mais do que nunca, em todos os locais com necessidades de cuidados de saúde e ajuda humanitária. 1. Dr. Gustavo, o que é ser Médico Sem Fronteiras? É acreditar que os valores inerentes à medicina não conhecem fronteiras e pôr em prática

algo de muito óbvio: todas as vidas têm o mesmo valor. 2. O Dr. Gustavo faz a sua primeira missão aos 29 anos em Moçambique ao serviço dos Médicos do Mundo, na altura como jovem

conhecimentos onde eles são mais precisos. Fui

médico. Qual foi o principal incentivo para

atrás das emoções mais bonitas que tinha den-

saltar nesta aventura?

tro de mim. Parecia ser a coisa certa a fazer.

Tinha muita vontade de aplicar os meus 14


Destaque 3. Estou certo de que fazer parte dos MSF é um orgulho e um privilégio. O que é preciso ter ou ser para fazer parte desta equipa? É preciso querer muito, e ter as competências para ser útil e uma mais-valia no terreno. 4. Por vezes o mais difícil numa situação de conflito é ter que pedir auxílio externo. Normalmente os MSF são bem recebidos? Ajuda médica de grande qualidade a custo zero é sempre bem-vinda. Mas a perceção e aceitação dos MSF varia a cada país a cada

deles. Na sua perspetiva, o que falta à huma-

local. Eu sempre fui muito bem recebido, é uma

nidade para que eventos como estes se de-

das maravilhas de se estar no terreno.

senrolem? É inevitável não refletirmos que as guerras

5.Seguimos diariamente múltiplos conflitos a

sempre existiram, mas também é inevitável co-

nível Mundial, Mossul é um exemplo de um

mo é que um ser humano quer fazer mal a outro ser humano. Falta honestidade, caráter e justiça. Somos muito hipócritas. 6. Quais as condições ou situações mais difíceis que já experienciou em missão? A solidão como médico é muito difícil quando acompanhada de uma sensação de impotência, ou mais ainda quando sei que se fosse em Portugal poderia ter salvo aquela vida.

Gustavo Carona iniciou as suas missões humanitárias em Moçambique, pelos Médicos do Mundo, e, mais tarde, já em conjunto com os MSF, aventurou-se em mais 5 missões em cenário de guerra: R. D. do Congo (2009), Paquistão (2011), Afeganistão (2012), Síria (2013) e República Centro Africana (2016). Mossul, no Iraque, é a sétima missão humanitária, tendo em Junho deste ano partido para esta cidade ocupada desde 2014 pelo estado Islâmico havendo avanços e recuos na reconquista por parte do exército iraquiano. As últimas notícias são animadoras e, apesar de ainda ser um terreno instável, tudo leva a crer que a guerra terá cessado. 15


Personalidade em Dr. Gustavo Carona, Um médico sem fronteiras 7. E qual foi o seu melhor momento enquan-

to MSF? Se eu tivesse que escolher um, talvez seria quando salvei a vida a uma criança que tinha uma obstrução da traqueia no Sul do Afeganistão. Para quem quiser ler está no meu blog ou Facebook e chama-se “Desistir ou Lutar com mais força: De mãe para mãe” 8. A mudança de um mundo civilizado para um em ruínas, com diferentes culturas e crenças já lhe trouxe algum conflito de valores? Claro que sim. Sentir que as vidas têm um valor diferente é muito desconfortável, e só o tempo nos ajuda a encontrar a resposta que transversal a todas as nossas vivências o desafio é encontrarmos o melhor de nós. 9. Como MSF presumo que se tenha de agir de forma neutra no terreno, não apoiar partidos. Como lida com todas as injustiças que vê? Ouço muitas histórias do que me rodeia e por isso quase tudo o que vejo é “em segunda mão”. Normalmente pouco mais vejo que as paredes do hospital, e aí dentro todos os doentes são tratados como iguais.

10. Dr. Gustavo, não só vemos atitudes intolerantes por parte de quem começa a guerra. No entanto, também aqui na nossa Europa, que promove valores como a igualdade, o vemos quando é barrada a entrada a refugiados ou até é negado qualquer tipo de auxílio. Que comentário faria a este tipo de atitude? Somos uns hipócritas, desprezamos as leis internacionais que nós próprios escreve-

mos. Tratamos os que fogem das bombas como lixo, e isso diz muito de quem nós somos. 11. O que sente quando está prestes a viajar para os locais de missão? Cada vez sinto menos medo, porque a experiência ajuda imenso, mas fico triste por saber que estou a magoar quem gosta de mim. Mas, acima de tudo, sinto um orgulho muito

16


Destaque grande, sinto o sonho a acontecer ao vivo, vou

verdade, perigoso é se perdermos a nossa hu-

“lutar” pelo que acredito e vou conhecer mais

manidade.

mundo. 12. E pior que ir, possivelmente será ter que

13. Num cenário de guerra é possível encon-

contar à família que aqueles cenários vistos

trar ternura e amor?

nos media será a sua realidade por algum

A guerra traz emoções muito fortes, más e

tempo. Como é que a sua família reage às

boas. É também nos tempos mais difíceis que

suas partidas?

mais se aprecia a beleza de viver. As coisas

É a parte mais difícil. Mas acredito que o tempo vai relativizando os perigos, porque, na

bonitas que vêm à tona com a guerra, são mesmo muito bonitas.

Em apenas 1 mês, o livro “1001 Cartas para Mosul” surgiu de um pedido por parte deste médico para todos os portugueses que quisessem demonstrar a sua preocupação, ou pelo menos solidariedade, com todos aqueles que injusta e inocentemente sofrem num conflito que não é deles. 14. Dr. Gustavo, o que o levou a querer compilar um livro como

este? A cada missão sempre acreditei que levava comigo muito mais que os meus conhecimentos e vontade de ajudar. Levava todos que acreditam neste caminho de proximidade entre os povos. Levava a minha família e amigos, todos que me ensinaram, a minha cidade e até o meu país. A ideia deste livro nasceu dessa vontade. 15. O Dr. Gustavo fala em abanão de consciências quando promove o livro. Numa sociedade como a nossa, sem conflitos maiores, é muito fácil cair em futilidades. Sente-se diferente depois de assistir a outras

realidades? Não gosto muito do “cliché”, sou ou estou diferente. Mas mais completo, penso que sim, no sentido em que a minha visão sobre o mundo vai absorvendo muitas formas diferentes de estar na vida, com ângulos de observação mais variados. 16. (no mesmo sentido) O que mudou na sua vida depois de se ter tornado MSF? Sinto-me mais realizado, mais coerente, mais completo, mais livre. 17


Dr. Gustavo Carona, Um médico sem fronteiras 17. Contrariamente ao que seria de esperar

Tolstoi. No seu livro, contrariamente à opinião

após ter assistido a tantos cenários de guerra,

pública, a mensagem que transmite é que uma

no seu livro refere que sempre que vai em

pessoa pode mudar o mundo. Crê que pode

missão volta de fé restaurada na Humanidade.

mudar o mundo?

O que encontra que o faz ter este tipo de opinião?

Frase muito bonita, que vai de encontro ao que eu penso. Passamos muito tempo a pergun-

Há muito mais pessoas boas do que más,

tar quem são os “outros”, mas a pergunta certa é:

em todos os cantos do mundo (acredito eu). En-

quem nós somos? Claro que sinto que posso mu-

contro pessoas com muitos valores, muito caráter

dar o mundo, apenas e só, sendo o melhor que

e muito mais parecidas connosco do que nos le-

posso ser.

vam a acreditar… 21. O que quer transmitir a todos os futuros

18. Agora uma questão em jeito de Daniel Oli-

médicos que perspetivam ser médicos huma-

veira: O que dizem os olhos de todas aquelas

nitários como o Dr. Gustavo?

crianças que vivem nestas zonas de conflito?

Nunca deixem de sonhar.

Dizem muita coisa. Muitos dizem que ali está a esperança da humanidade. E mais difícil

22. Por último, o que o move na vida?

de lidar é quando não dizem nada, quando já não

Escrever uma história bonita.

choram, já não sentem, perdidos no vazio. 19. Qual foi a reação dos iraquianos a quem entregou o livro? Já obteve respostas às car-

tas? Foi absolutamente incrível. Ficaram extremamente agradecidos e estou a orquestrar as muitas vontades que há em responder a este livro. 20. “Todos pensam em mudar a humanidade, ninguém pensa em mudar a si mesmo”, Por Ricardo Lopes 18


Sem Fronteiras Intercâmbio: Coreia do Sul litou imenso a minha compreensão das consultas. No bloco também identificam todas as cirurgias em inglês e, por isso, enquanto vagueava pelo bloco em alturas de pausa, conseguia ver que

cirurgia estava marcada em cada um e fui aproveitando para assistir a todas as que considerava interessantes. Desse modo, não tive quaisquer transtornos relativamente à barreira linguística porque ora conseguia ler e entender ou o meu contact person ou outro colega traduziam. A cidade era relativamente grande. Éramos apenas 5 incomings e por isso ficamos todas colocadas num hostel, 25 minutos a pé do hospital. Em Chuncheon há duas universidades e

por isso há muitos jovens e locais de entretenimento, tanto noturnos quanto diurnos. O centro da cidade é cheio de vida, repleto de lojas, cafés No passado agosto aventurei-me num inter-

e restaurantes, tanto coreanos como de marcas

câmbio pela Coreia do Sul, mais precisamente

ocidentais bastante conhecidas, sempre com

pela romântica cidade de Chuncheon, a cerca

imensas pessoas às compras e a passear.

de 1h-1h30 de Seul. Escolhi a Coreia do Sul porque queria co-

Ao longo do mês aproveitei para entrar na cultura coreana e fui a lojas de karaoke (os core-

nhecer melhor a cultura asiática e achei que dificilmente teria novamente a oportunidade de passar 1 mês num país tão longínquo. Estive 2 semanas em Cirurgia Plástica e 2 em Neurocirurgia e ambos os estágios foram excelentes! Felizmente todos os meus médicos falavam inglês e o meu CP esteve comigo nas primeiras duas semanas para me ajudar na comunicação. Na Coreia também usam o SOAP e escrevem os registos eletrónicos em inglês, o que faci19


Sem Fronteiras Intercâmbio: Coreia do Sul anos adoram K-Pop e cantar karaoke), fui aos restaurantes de comida coreana, aproveitei para ir a Seul sempre que consegui e é tal como se

imagina uma cidade asiática, cheia de luz, pessoas e prédios altíssimos, passei dois dias num templo budista a viver com os monges, fui ao litoral experimentar o oceano índico (que é extremamente quente), visitei a Nami Island que é uma pequena ilha bastante famosa por ter sido o cenário das gravações da primeira telenovela romântica coreana, a Winter Sonata e, o meu local favorito e que aconselho a visitar: a fronteira entre as duas Coreias, chamada de zona desmilita-

rizada - um local estranhamente pacífico dada a situação atual, que nos permite sentir que estamos a pisar um pedaço de história e ver a Coreia do Norte a apenas 2 km de distância.

Os sul-coreanos são extremamente simpáticos (são tão simpáticos que houve alturas em que nem sabia como agradecer pelo carinho e ajuda), adoram estrangeiros porque gostam imenso da cultura ocidental, têm medo do sol e de ficarem bronzeados porque não querem ser confundidos com asiáticos de outros países como a Tailândia e são uma sociedade extremamente

consumista e com tantas diferenças culturais comparativamente connosco que tornaram este mês uma das melhores experiências de sempre! É um país lindo, com as pessoas mais simpáticas que já conheci e com edifícios antigos pintados de cores absolutamente espetaculares. Sem dúvida, uma grande experiência. Por Rita Rosa 20


Anamnese Cultural No verão que demarca o fim do meu primeiro ano como estudante de Medicina, dei a maior importância ao que daqui a uns anos já não terei: férias de estudante. São as maiores férias que uma pessoa tem na sua vida, e estes três meses foram aproveitados da forma que mais me dá gosto:

viajar conhecendo novas culturas. A viagem iniciou-se

gios, casais jovens de Quimonos coloridos real-

no

çam-se no meio da multidão em passo acelera-

um

do. Ao ver os restaurantes com letreiros japone-

país fascinante,

ses impossíveis de compreender, parei num de-

diversificado

les. Em pé, com um copo de chá Matcha, aguar-

Japão

-

e

geograficamen-

dei enquanto o sushiman preparava o arroz e o

te vasto. Che-

atum fresco à minha frente numa técnica sem

gando ao aero-

falhas. Saindo para a rua, desço as escadarias

porto de Narita,

em direção ao subsolo para apanhar o metro na

em

Tóquio,

mais famosa estação de Tóquio, onde os passa-

após 16 horas

geiros formam várias filas, seguindo as indica-

de voo e com

ções pintadas no chão. Não há atropelos, os que

os fusos horários trocados, a vontade de conhe-

saem têm prioridade. As 10 milhões de pessoas

cer fez-me chegar ao hotel e sair disparada com

que vivem nesta cidade movimentam-se como

o guia na mão. A capital japonesa é fascínio e

uma máquina finamente oleada comportando-se

novidade, onde só se entra sem preconceitos e

sempre com respeito pelo próximo com os cons-

com vontade de aprender. É um mundo à parte

tantes narizes colados aos telemóveis, a jogar

onde não conseguimos atravessar uma rua sozi-

ou a ler manga.

nhos, principalmente em Shinjuku. É um dos 23 bairros da cidade e o mais movimentado, se for justo fazer tal classificação. Atravessar uma passadeira aqui é um exercício para os sentidos centenas, milhares de pessoas, juntam-se dos vários lados à espera que o sinal passe a verde: homens de fato com pastas na mão, estudantes despenteados de mochilas às costas, meninas vestidas com os uniformes dos colé21


Sem Fronteiras

Apanhei

o

comboio até à cida-

A duas horas de voo está a ilha de Taiwan,

de com mais de mil

que foi descoberta em 1544 pelos portugueses,

templos

budistas,

que a nomearam ilha Formosa devido à sua bele-

onde nasceram vá-

za. Os habitantes de hoje são um povo orgulhoso.

rias crenças religio-

Após terem sido derrotados na guerra civil na Re-

sas e as artes tradi-

pública Popular China nos anos 50, os nacionalis-

cionais ganharam a

tas refugiaram-se na ilha de Taiwan, ali estabele-

perfeição dos dias de hoje. Em Quioto, o lado

cendo a sede administrativa do governo da Repú-

espiritual da vida é mais forte. Milhares cami-

blica da China. O Memorial Nacional Chiang Kai-

nham vestidos com quimonos nas ruas íngre-

shek em memória do general que se tornou presi-

mes e pitorescas em direção ao Templo

dente daquele estado independente da China é um

Kiyomizu-dera. Para mim, foi uma das maiores

local prodigioso e fascinante. Se há um edifício

surpresas da cidade: japonesas vestidas de

icônico em Taipei é o arranha-céu de Taipei 101, o

maiko, trajes tradicionais, o cabelo impecavel-

segundo mais alto do mundo, e o design da sua

mente arranjado e a cara pintada de branco e

construção é inspirado na forma do bambu.

lábios vermelhos circulavam nas ruas. 22


Anamnese Cultural Partindo para Seoul, na Coreia do Sul, aqui vivem quase 10 milhões de pessoas. E no meio destas pessoas, no outro lado do mundo encontrei-me com a minha grande amiga Soeyon, com a qual fiz em 2015 em Viena de Áustria o programa Erasmus+, integrante da licenciatura em Radiologia que finalizei anteriormente a Medicina. Visitar uma cidade com uma amiga local é a melhor maneira de conhecer os locais mais especiais, como o restaurante tradicional onde almoçámos sentadas no chão, a degustar variadas refeições e chás locais. Viajando mais para o Ocidente, cheguei a Kuala

Lumpur na Malásia. Este é um país maioritariamente muçulmano, havendo também uma grande comunidade hindu e chinesa. Ao caminhar pelas ruas e mercados desta grande cidade é possível ouvir as orações que são transmitidas nos altifalantes das mesquitas. A norte existem uma série de cavernas-templo hinduístas – as Batu Caves – onde à sua entrada existe a maior estátua do mundo da deusa Hindu Murugan, e aqui vivem milhares de macacos e morcegos. Na continuação da cultura muçulmana, com ilha artificiais que podem ser vistas do espaço e os maiores arranha céus do mundo, os quase 50ºC durante o dia fazem com que no Dubai, onde a tradição árabe e o futurismo se cruzam, seja possível experienciar o conto das mil e uma noites. O pequeno emirato do Dubai, um dos sete que formam os Emirados Árabes Unidos, assumiuse como um centro de excelência nestes últimos 20 anos ao tomar uma posição fulcral nos universos empresarial e turístico. Visitei também a capital, Abu Dhabi, onde foi possível vivenciar a verdadeira cultura muçulmana na Grande Mesquita Sheikh Zayed. 23


Sem Fronteiras Anamnese Cultural o choque é dramático – a pobreza é extrema. Na cidade sobrepovoada a multidão pulsante de vida rodopia todo o dia e o odor a especiarias vendidas nos mercados dispersa-se no ar. Seguindo para sul em direção a Antsirabe a viagem de 200km leva 6h. Contornando as montanhas áridas e vales pintados de variados tons de verde com plantações de arroz, a viagem parece infindável por estradas degradadas com curvas Esta mesquita branca com 96 colunas é considerada dos locais nobres de adoração islâ-

e contracurvas e crateras grandes o suficiente para engolir o jipe onde estava.

mica e tem capacidade para albergar 40.000 pessoas. Este país cada vez mais internacional fascina pelos seus costumes tradicionais que são mantidos pelos locais que fazem por passar de geração em geração as suas raízes.

Durante a viagem observava as povoações ainda estruturadas de forma tribal, com casas de barro e telhados de colmo, sem eletri-

cidade nem água canalizada. Em muitas aldeias havia apenas uma fonte na praça central onde

Deixando o Médio Oriente para trás, foi a

os habitantes enchiam bidons com água e as

altura de partir para

mulheres transportavam na cabeça enormes

o Continente Africa-

cestas perfeitamente equilibradas. Em Antsira-

no, para a ilha de

be, como em todas as cidades de Madagáscar,

Madagáscar. Esta

os animais convivem pacificamente com os ha-

ilha com 1580km de

bitantes.

comprimento

é

a

quarta maior ilha do

planeta, tendo um dos maiores números de espécie nativas do mundo. Foi uma colónia francesa até 1960 sendo as línguas oficiais o Francês e o Malgaxe. A perspetiva deste destino era o exótico, a biodiversidade imensa e as praias paradisíacas. E foi tudo isso e muito mais. O aterrar na capital Antananarivo 24


O alojamento era um dos melhores da ci-

ção à costa Oeste, chego às praias do Canal de

dade: uma pensão familiar onde a dormida foi

Moçambique. As gambas e o marisco pescados

acompanhada do cacarejo das galinhas e dos

são trazidos antes do almoço pelos maridos das

mugidos dos zebus – vacas de bossa – vindos

cozinheiras do restaurante para serem confecio-

lá de fora. Indo mais para sul, chego ao parque

nados. Aqui junto à praia, existem milhares de

natural de Ranomafana. O vale entre o canyons

baobás, árvores com mais de 30m de altura que

absorve o calor tornando-se arrasador. Nos

diz a lenda que ‘Um dia Deus com a impertinên-

troncos das árvores há camaleões camuflados e

cia dos Homens, decidiu castigá-los virando as

nas copas variadas espécies de lémures vivem

árvores ao contrário, ficando as copas debaixo

em sintonia com a natureza. Partindo em dire-

de terra e as raízes viradas para o céu’.

Ao passar pelos opostos do espectro cultural destes países tão distintos nos mais variados aspetos, por exemplo, a idade média no Japão é 47 e em Madagáscar 19, permite abrir a mentalidade, retirar os pre-

conceitos e formar novos ideais e objetivos. Desta viagem, retiro que o Japão culturalmente é imensamente rico e é necessário mais tempo para conhecer melhor, assim como ficou a vontade de um dia regressar a Madagáscar numa perspetiva de voluntariado e clínica, pois neste país de pobreza extrema dado a ausência de infraestruturas e vias de comunicação muitas povoações encontram-se ainda dependentes de curandeiros e da medicina tradicional, verificando-se uma das maiores taxas de mortalidade infantil do mundo.

Por Joana Guerreiro 25


Internato médico n Inglaterra Estás a terminar o curso e pensas vir exercer a tua futura profissão para Inglaterra, mas não sabes como? Bom, em primeiro lugar, é de louvar o espírito de aventura. Na verdade, a Inglaterra tem uma cultura muito semelhante à nossa, mas as diferenças fazem-

de enviar, por correio, vários documentos, entre eles:

se sempre sentir. São um povo mais frio, por exemplo.

um exame de inglês válido (o IELTS Academic, nor-

Por outro lado, trabalhar num hospital em Inglaterra é,

malmente é obrigatório), certificado de curso, cópia de

na minha opinião, mais recompensador, quer financei-

identificação e um documento fornecido pelo UKFP (o

ramente, quer psicologicamente, que em Portugal, e,

departamento que organiza o FP) a ser preenchido

claro, não deixa de ser uma nova experiência.

pela faculdade, que, entre outras coisas, necessita de

O que fazer, então, para ir para trabalhar lá? Não é, de todo, um processo fácil, mas com alguma

ordenar todo o sexto ano por nota de conclusão e atribuir um ranking ao candidato.

dedicação e paciência, é perfeitamente possível. Há

A partir daí, a candidatura é idêntica à de um

duas ocasiões de entrada em Inglaterra para um

aluno britânico: em Setembro são divulgadas as rota-

médico: antes do ano comum, logo após conclu-

ções disponíveis com respetivas vagas; o aluno orga-

são do curso; ou já depois de deter a especialidade.

niza, por preferência regional, as áreas geográficas em

No segundo caso, o principal obstáculo seria a

que quer ficar em Outubro; e faz depois em Dezembro

questão burocrática de ser consagrada equivalência

ou Janeiro um exame (SJT – Situational Judgment

ao grau de especialidade, o que fica ao cargo da Or-

Test) que tem uma cotação até 50, constituindo, as-

dem Britânica, a General Medical Council (GMC), que,

sim, juntamente com o Educational Performance Me-

como seria de esperar, pede muitos e variados docu-

asure (EPM, outros 50 pontos, baseado na nota de

mentos, sendo, por isso, um processo moroso e caro.

curso do candidato, entre outros fatores) a nota com

Nada temas! Existem firmas especializadas em contra-

que se vão ordenar os candidatos pelos vários FP dis-

tações de médicos estrangeiros que podem facilitar a

poníveis.

candidatura e a própria procura de emprego.

Em Março sabem-se, então, as notas de can-

No primeiro caso, o concurso às vagas do

didatura e em que zona vão fazer o FP, e os candida-

Foundation Programme (FP - o “ano comum” britânico,

tos têm, então, de candidatar-se às rotações específi-

que tem a duração de dois anos) ao qual apenas po-

cas para o FP em Abril, começando a trabalhar em

dem concorrer alunos que não concluíram ainda o ano

Agosto desse ano.

comum, sendo praticamente impossível a entrada na

Paralelamente, os candidatos devem também

especialidade com o ano comum concluído cá. Exis-

garantir a inscrição provisória na GMC, que envolve

tem também dois tipos de FP: um mais voltado para a

mais documentação e tem de estar concluída com su-

clínica, como é o português, e outro mais voltado para

cesso até Junho.

a área da investigação. A candidatura ao FP demora um ano a estar concluída. Entre Julho e Agosto do ano de conclusão do curso (e já tem de estar concluído), o candidato tem

Toda esta informação pode ser vista em pormenor, para os interessados, no website e guia cedido pela UKFP. Por João Proença 26


no estrangeiro Alemanha Todo e qualquer diálogo, seja em Portugal ou do outro lado do mundo, principia-se com uma introdução. Toda e qualquer introdução, seja em português ou em qualquer outro idioma, inclui: “Eu sou português”. Poderá este conceito definir-nos? Talvez, mas são as nossas experiências que nos definem e as nossas memórias que nos complementam! Nesta edição da Diagnóstico, perdemo-nos na conquista deste mundo divergente com a premissa: Ser interno lá fora! Seduzidos e inspirados pelo multiculturalismo, entrevistámos a Dra. Raquel Fernandes. Com apenas 25 anos é interna do segundo, de oito anos, de Medicina Interna e Cardiologia, na Alemanha, Städtisches Klinikum Karlsruhe.

1. Quem, ou o quê, despertou o seu interesse para tirar a especialidade médica no estran-

2. Poderia indicar os pré-requisitos necessário

geiro?

para frequentar o internato médico na Alema-

O que experienciei, como estudante, em Portugal despertou-me o interesse em procurar

nha, e onde poderão os estudantes de medicina portugueses encontrá-los?

oportunidades no estrangeiro, sobretudo a partir

Domínio da língua alemã e mais umas buro-

do momento em que me apercebi das condições

cracias. O nível de domínio de língua e a quanti-

de trabalho e dos métodos de diagnóstico e trata-

dade de burocracias variam com o Estado onde

mento disponíveis no nosso serviço nacional de

se pretende exercer. Pode ser necessário fazer

saúde. Tomei, finalmente, a decisão de sair do

um exame de alemão médico. O único site em

país quando chegou o momento de estudar para

português que conheço com essas informações é

um exame cuja nota determina a especialidade a

http://medicosnaalemanha.blogspot.de.

tirar e o local onde se vai exercer. Não concordando com os termos do exame decidi não os aceitar e optei por definir o meu percurso à minha medida. Na Alemanha podes mudar as vezes que quiseres de especialidade e de localidade. Se não concordas com as condições de ensino do teu hospital mudas, se afinal a especialidade que

3. Considera os pré-requisitos exigidos para tirar a especialidade médica na Alemanha compatíveis com o ensino médico em Portugal? Sim, sem dúvida.

iniciaste não é assim tão interessante como parecia escolhes outra. 27


Alemanha 4. Quais as maiores diferenças no dia-a-dia de um médico português e de um médico alemão, tanto relativamente ao horário de trabalho, como à remuneração e qualidade de vida?

Não tendo trabalhado em Portugal e tendo tido uma miserável componente de formação prática durante o curso não sou capaz de responder com exatidão a esta questão. Será mais uma comparação entre o CHUC (Coimbra) e o meu hospital na Alemanha. Pelo que sei dos meus colegas e pela reduzida experiência prática do 6º ano posso dizer que: a responsabilidade de um médico em formação é incomparavelmente maior na Alemanha, o tempo de trabalho é mesmo tem-

integrados ou não no curso de medicina) e saber minimamente como é organizado o sistema de saúde alemão.

po de trabalho e não de café. Faço bastantes horas extra mas depois essas mesmas são-me de-

6. Se tivesse que recomendar um ou dois dos

volvidas em horas de férias (o que faz com que

melhores hospitais alemães na sua especiali-

tenha pelo menos 50 dias de férias por ano). Sen-

dade, quais seriam?

do a remuneração 2 a 3 vezes maior no início de carreira, a qualidade de vida é o melhor que pode ser com muito menos sol do que em Portugal e com uma comida tão boa como o ensino prático da FMUC.

Não tenho dados para responder à pergunta. Tendo vindo para a Alemanha com o meu namorado e tendo uma casa à disposição só procurei trabalho perto desta zona e optei, portanto, pelo único hospital central desta região. Todos os

hospitais têm pontos mais ou menos fortes, vale, 5. Quando terminou o mestrado integrado em

pois, a pena procurar um que seja bom na área

medicina, considerou-se apto para exercer

que nos interessa seguir. O meu por exemplo é

num hospital alemão?

um hospital de referência na área da eletrofisiolo-

Não, de forma alguma. Para trabalhar na

gia.

Alemanha, de forma confortável, é necessário adquirir muitos conhecimentos práticos (por exemplo fazendo estágios em hospitais alemães, Por Beatriz Faneca 28


ANEM O MedUBI esteve presente em Maio na

sé Carlos Ganicho, aluno de 3o ano e atual

118.ª Assembleia Geral (AG) da Associação

LORE do MedUBI, como diretor da área de In-

Nacional de Estudantes de Medicina (ANEM)

tercâmbios Científicos. Foi ainda eleita a lista

em Coimbra, onde foi apresentado e aprovado

M para a Mesa da Assembleia Geral, não sen-

o relatório intercalar de atividades e contas da

do eleito o Conselho Fiscal também por falta

direção da ANEM, tendo sido discutida a reali-

de

zação e pertinência de várias das atividades realizadas.

elementos. O MedUBI marcou também presença no

XIII MedSCOOP (Medical Students’ Coope-

Já em Setembro, o MedUBI esteve tam-

ration Meeting), evento formativo para dirigen-

bém presente na 119.ª AG da ANEM no Porto,

tes associativos, que teve lugar nos dias 6, 7 e

tendo sido esta uma AG eleitoral. Para a dire-

8 de outubro em Celorico de Basto. Decorre

ção foi eleita a lista C, tendo como membro

durante esta atividade um concurso, o Me-

integrante enquanto diretora de Formação a

dSCOOP awards, onde as diferentes AE/

Isabel Fernandes, aluna de 4o ano e atual co-

núcleos de Medicina apresentam até duas das

ordenadora do Departamento de Formação

suas atividades e é votada pelos visitantes a

Científica e Educação Médica do MedUBI. Fo-

que mais se destaca. Nesta edição do Me-

ram eleitos também diretores para todas as

dSCOOP, a atividade vencedora foi o Medical

áreas de trabalho da ANEM exceto para a área

Sherlock do MedUBI.

de Direitos Humanos e Ética Médica por falta de candidatos. Aqui, destacar a eleição do Jo-

Por Wanda Saraiva, vice-presidente externa MedUBI

29


Perder as EstriBeira

WOOL, O festival de arte urbana da C Com início no ano de 2011, o WOOL – Festival de Arte Urbana da Covilhã, tem dado uma nova vida a algumas paredes esquecidas da cidade. Este festival propõe-se utilizar diversas paredes da cidade, como suporte para intervenções de artistas urbanos, com variados objetivos, nomeadamente: trazer, pela primeira vez, um evento destas características para uma região do interior de Portugal; despertar o

interesse da comunidade pela cultura e a arte; dotar de uma nova aparência estética os locais intervencionados e ainda permitir a construção de um roteiro de arte urbana na cidade; Ao longo dos anos, o WOOL teve uma programação regular de eventos ligados à arte urbana, em que cada evento incluiu a criação de uma ou mais peças no espaço urbano: VHILS (2011): Este artista emprega um método bastante criativo e inovador, ao esculpir na parede as suas obras, que se podem observar com total clareza a uma maior distância. Em

2011, primeiro ano do festival, esculpiu um rosto que simboliza um antigo operário das fábricas dos lanifícios.

OWL EYES, Bordalo II (2014): Considerado um dos melhores artistas urbanos do mundo pela Street Art News, Bordalo II converteu o lixo na sua

imagem de marca. Na Covilhã, no ano de 2014, criou uma obra artística chamada “Owl Eyes”. A coruja, como símbolo da sabedoria, veicula uma mensagem importante na luta contra a desertificação do interior e também da valorização dos seus recursos humanos.

30


as

Covilhã ARREBATAMENTO, Bosoletti (2017):

Após um ano de pausa, o WOOL voltou à cidade com várias obras, entre elas este mural do artista argentino, cujos trabalhos possuem notáveis tonalidades terra, dominando a sombra e a luz. Esta obra dicotómica pode ser vista a positivo e fotografada a negativo, acarretando uma mensagem poderosa e fácil de explicar: perante um olhar e observação sempre muito negativa que temos perante a nossa sociedade, as nossas cidades, Bosoletti pretende que olhemos um pouco mais além, com mais aten-

ção, sendo esta a única forma de percecionar o positivo, a beleza que nela existe.

Podemos arriscar dizer que a cidade está a converter-se no centro da arte urbana da região, graças a este festival, que presta homenagem ao glorioso passado da Covilhã, enquanto um dos mais importantes centros de produção de lanifícios em Portugal. Por Tatiana Neves 31


Med’s Health

Peritos americanos avisam Portugal p A DGS juntou-se ao IHME – Institute for Health Metrics and Evaluation para saber ao pormenor o que impede a população nacional de ter uma vida saudável. O primeiro alerta vai para o consumo de álcool e droga entre os jovens - é esse o fator inicial a eliminar para que os portugueses evitem uma morte prematura. O resultado revela que, na generalidade, está nas mãos de cada um escolher uma vida mais curta ou longa, sendo que os hábitos são determinantes e começam a fazer efeito logo na juventude.

No relatório, a publicar pelo IHME mais per-

conseguiu melhorar o estado da sua saúde, mas

to do fim do ano, os peritos americanos referem à

tem de fazer mais. “Portugal tinha uma das espe-

DGS que o consumo daquelas duas substâncias

ranças de vida mais baixas, mas vinte e seis

aumenta o risco de acidentes imediatos e a pro-

anos depois é comparável à média do conjunto

move o aparecimento de doenças cardiovascula-

de países mais desenvolvidos”, sublinha a DGS.

res, cancro e cirrose. Apesar de a influência ne-

A morte prematura diminuiu 25%, beneficiando

gativa do álcool e da droga ter vindo a diminuir,

de reduções nos anos de vida perdidos devido às

em 2016 ainda eram perdidos 2516 dias de vida

doenças que mais matam no país:

por mil habitantes devido ao seu consumo. Imediatamente após o álcool e drogas, o IHME

Cerebrovasculares - menos 56%;

menciona a má alimentação, a HTA associada ao

Isquémicas do coração - decréscimo de

consumo de sal, o tabaco e o excesso de peso. A

38%

análise, entre 1990 e 2016, mostra que o país já

32


para consumo juvenil de álcool e droga

No entanto, mais portugueses viram a vida termi-

exercício”, sublinha o diretor-geral da Saúde ces-

nada precocemente por cancros do pulmão

sante, Francisco George.

(34,5% no total de anos de vida perdidos), do có-

A confirmação deste dado só tem uma leitu-

lon e reto (31%) e pela doença de Alzheimer

ra: “Se mudarmos estes comportamentos, vamos

(81,8%), neste caso um aumento atribuído à me-

conseguir que mais 5000 portugueses vivam, pe-

lhoria do diagnóstico e não do número de doen-

lo menos, até aos 70 anos.” Carla Farinha garan-

tes.

te que o relatório, o primeiro do IHME sobre PorAlém das causas que impedem a popula-

ção de viver o tempo expectável, o documento

tugal, “vai permitir delinear políticas de saúde pública”.

analisa as maleitas que incapacitam. Neste caso,

Os peritos americanos fazem ainda uma

as doenças crónicas foram responsáveis por

comparação com outros países e Portugal soma

88,5% do total de anos de vida saudável perdi-

pontos na doença isquémica do coração e no

dos.

cancro do pulmão, com um risco de morte premaTal como em 1990, as dores de costas e de

tura inferior ao de quase todos os seus pares. Ao

pescoço mantêm-se a maior causa de incapaci-

invés, a nota negativa é dada às doenças cere-

dade e ganharam mais peso, seguidas pelas do-

brovasculares, às infeções respiratórias inferiores

enças do foro mental e comportamental.

e às neoplasias do cólon e reto.

“A soma dos anos de vida perdidos prematuramente e do número de portugueses que ficam com incapacidades dá-nos a carga global da doença. Sabemos que quase 90% dos anos saudáveis que os portugueses não viveram foi devido a doenças crónicas, portanto há um denominador comum: os estilos de vida, sobretudo a alimentação rica em sal e açúcar, o tabaco e a falta de 33


Med’s Health Os benefícios da CANELA Diz-se que a verdadeira (Cinnamomum vera ou C.zeylanicum), da família das lauráceas, é originária do Ceilão, tendo sido depois introduzida no Sudoeste da Índia. A sua cultura, no entanto, estendeu-se ao Brasil e a destinos como a Martinica, Madagáscar, Java, a Jamaica, o Vietname e as Seicheles.

Cultivo

teriana das vias respiratórias, (ajudando a aliviar alguns tipos de asma), tem também efeito afrodi-

As grandes plantações de canela situam-

síaco, antifúngico, antiespasmódico, muito acon-

se nas planícies costeiras a sul de Colombo, até

selhado no tratamento de dores menstruais, do-

1500 metros de altitude. Crescem em cepos

res de cabeça, vómitos, mau hálito, pés e mãos

grossos, com rebentos com espessura seme-

frias. Investigações recentes comprovaram que

lhante à de um polegar.

a canela ajuda a baixar o açúcar no sangue, sendo recomendada em alguns casos de diabetes

Usos

tipo 2.

A canela estimula o sistema gastrointesti-

Contra indicações

nal, circulatório e respiratório, tendo ação revigorante sobre o organismo. Sempre foi utilizada gastro-

O uso de canela não é recomendado a

intestinais como flatulência, perda de apetite, di-

grávidas, por ser um estimulante uterino. O óleo

arreia, parasitas e espasmos intestinais.

essencial pode causar dermatite de contacto,

para

combater

vários

problemas

Aquece o organismo, sendo muito útil para tratar gripes, constipações e febres, é antibac-

irritação das mucosas ou reacções alérgicas, sobretudo a cinnamomum cassia.

34


O

Maravilhoso Mundo da Medicina

Medicina Tropical Vais viajar. O bilhete de avião está comprado, o alojamento reservado mas…

Não te estás a esquecer de nada? Pois é, viajar para alguns países exige alguns cuidados especiais antes de levantares voo. Confuso? Nada temas, aqui podes encontrar a informação de que necessitas!

O que é a consulta do viajante?

As consultas de saúde do viajante são efe-

mesma, tais como vacinação, profilaxia, informa-

tuadas preferencialmente por médicos especialis-

ção sobre higiene pessoal, assim como cuidados

tas em doenças infeciosas, medicina tropical, sa-

a ter com a água e os alimentos.

úde pública mas, podem ser realizadas por qualquer médico no exercício das suas competências. Os seus principais objetivos passam por avaliar as condições de saúde individuais antes da viagem e receber conselhos sobre medidas preventivas a adotar antes, durante e depois da

Portanto, sempre que pretendas viajar para um destino longínquo, dentro ou fora da Europa, deverás recorrer a um aconselhamento médico pré-viagem / consulta de saúde do viajante, que

deve ser efetuada, com alguma antecedência (4 a 6 semanas antes da partida).

35


O

Maravilhoso Mundo

Medicina Tropical SÃO TOMÉ E PRÍNCIPE Patologias prevalentes: doenças diarreicas e parasitoses.

Imunizações: febre amarela (exigida a viajantes com idade superior a 12 meses), hepatite A, tétano/difteria (recomendadas a não

imunes),

febre

tifóide,

hepatite

B

e

tuberculose

(recomendadas). Profilaxia da malária: recomendada, ainda que a prevalência do paludismo esteja a diminuir. Cuidados a ter: beber sempre água engarrafada (cuidado com o gelo) e evitar alimentos não cozinhados; uso de repelentes de insetos, redes mosquiteiras, roupa fresca, clara e comprida.

BRASIL Patologias frequentes: dengue, leishmaniose Imunizações: febre amarela (exigida a viajantes com idade superior a 12 meses que se desloquem aos seguintes estados: Acre, Amapá, Amazonas, Distrito Federal (incluindo a capital, Brasília), Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins, e as seguintes regiões

dos estados que se seguem: Noroeste e Oeste da Bahia, região Central e Oeste do Paraná, Sudoeste de Piauí, Noroeste e Oeste Central de Rio Grande do Sul, Região Oeste de Santa Catarina e regiões Norte e Central Sul de São Paulo), hepatite A, tétano/difteria (recomendadas a não imunes), febre tifóide (recomendada a todos os viajantes que pretendam ingerir alimentos (líquidos ou sólidos) que não nos principais hotéis e restaurantes) e hepatite B (recomendada). Profilaxia da malária: recomendada aos viajantes que se desloquem aos seguintes estados: Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão (região ocidental), Mato Grosso (região norte), Pará (exceto cidade de Belém), Rondônia, Roraima,Tocantins, e para as áreas urbanas nesses estados incluindo as cidades de Porto Velho, Boa Vista, Macapá, Manaus, Santarém e Maraba. Cuidados especiais: Os viajantes não devem desvalorizar as medidas de proteção contra mosquitos.

36


o da Medicina GUINÉ-BISSAU Patologias prevalentes: HIV-SIDA, hepatite, tuberculose, cólera, dengue, schistossomíase. Imunizações: febre amarela (exigida a viajantes com idade superior a 12 meses), hepatite A, tétano/difteria (recomendadas a não imunes), hepatite B, febre tifóide, cólera, raiva e meningite meningocócica (recomendadas). Profilaxia da malária: recomendada, mesmo para estadias curtas. Cuidados a ter: beber sempre água engarrafada (cuidado com o gelo) e evitar alimentos não cozinhados; uso de repelentes de insetos, redes mosquiteiras, roupa fresca, clara e comprida.

TAILÂNDIA Patologias frequentes: dengue, leptospirose e schistossomíase. Imunizações: febre amarela (exigida a todos os viajantes que provêm de zonas endémicas, caso contrário, sem indicação), hepatite A, tétano/difteria (recomendadas a não imunes), hepatite B (recomendada), raiva (apenas quando há risco elevado de possíveis mordeduras), febre tifóide (recomendada aos que pretendam ingerir alimentos (líquidos ou sólidos) que não nos principais hotéis e restaurantes) e encefalite japonesa (Recomendada aos viajantes que pretendam permanecer no país por mais de 30 dias durante a época de transmissão ou com estadias menores a 30 dias sob determinadas condições: médicos veterinários, pessoas que trabalham em zonas rurais ou regiões endémicas específicas, viajantes com grande exposição ao ar livre, como campismo, caminhadas, passeios de bicicleta, outras actividades). Profilaxia da malária: com Proguanil+Atovaquona ou Doxiciclina pelos que se deslocam para regiões fronteiriças com o Cambodja e Myanmar; e com Mefloquina, Proguanil+Atovaquona ou Doxiciclina pelos viajantes que se desloquem a regiões fronteiriças com o Laos.

ANGOLA

Cuidados especiais: O contacto com água doce deve ser evitado.

Patologias frequentes: schistossomíase (endémica – água doce), dengue, filaríase, leishmaníase, oncocercose, tripanossomíase Imunizações: febre amarela (exigida a viajantes com idade superior a 12 meses), hepatite A, tétano/difteria (recomendadas a não imunes), febre tifóide, hepatite B, cólera (recomendadas), raiva (apenas quando há risco elevado de possíveis mordeduras) e poliomielite (recomendado o reforço a todos os adultos vacinados quando crianças, mas que nunca foram vacinados enquanto adultos. Cuidados especiais: Deve ser evitado o contacto com rios e lagos de água doce (excepto em piscinas clorificadas).

37


Acontecerá outubro 2017 seg

ter

qua

qui

sex

sáb

dom

1

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4

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27

28

29 DM

LANÇAMENTO DA

Fim do período de inscrição: intercâmDIAGNÓSTICO bios

30 DC

31 DDR

Medicina Art Sessions

Torneio de matraquilhos

DSAS

DSAS

DSAS

DSAS

Dia mundial da terceira idade

Jornadas de direitos humanos

Jornadas de Jornadas de direitos huma- direitos humanos nos

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novembro 2017 seg

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DSAS

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PNENF

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Jornadas de Jornadas de direitos huma- direitos humanos nos

6 DFCEM

7 DC

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Desabafos de um Futuro Mé-

Sessão de fados

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DSAS Jornadas de direitos huma10

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Jornadas de Jornadas de direitos huma- direitos humanos nos 13 DSAS

14 DFCEM

15 DFCEM

16 DM

Dádivas de sangue

Jornadas de Ed. Médica

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Escolha de vagas: intercâmbio

20 DSAS Silêncio da Voz

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DDR

Diz não à diabetes

Byebye Harrison

21 DC

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Sarau Cultural Almoço científico

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30 DSAS

Abraço de Natal

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Revista Diagnóstico - VI Edição  

Edição especial - VIAGENS

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