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Revista MedUBI | Edição VII— JANEIRO 2018

COMO ESCREVER UM ARTIGO CIENTÍFICO?

NOVA PROVA

Entrevista a Dr.ª Helena Donato

Ponto de situação e para onde caminhamos

ESPECIALIDADES MÉDICAS EM PORTUGAL Cardiologia Psiquiatria


Frase Diagnóstico do Mês: “Nada é para sempre, dizemos, mas há momentos que parecem ficar suspensos, pairando sobre o fluir inexorável do tempo.”

José Saramago

Comissão Organizadora da Diagnóstico Coordenação: Rita Cagigal, Inês Jorge e João Pais Grafismo: Rita Cagigal e João Pais Revisão: Rui Simões, Ricardo Lopes e Rita Cagigal Ilustração: Mariana Pereira Cartoon: Carolina Inês

Colaboradores: Ricardo Lopes, Rui Simões, Tatiana Neves, Mariana Ribeiro, Inês Rento, Inês Vieira, Nuno Fernandes, Francisca Viana, Emanuel Seiça e João Alves. Colaboradores convidados: Catarina Gonçalves, Francisca Morais, Francisco Duarte, José Carlos Ganicho, Manuel Maia, Raquel Serrano, Wanda Saraiva. Com colaboração especial de: Dr André Valente, Dr.ª Helena Donato, Dr. João Gameiro Lopes, Dr. Mário João Santos, Dr. Ricardo Tjeng Contacto: diagnostico@medubi.pt

Projeto: MedUBI Morada: Faculdade de Ciências da Saúde Rua Infante D. Henrique | 6200-506 Covilhã 2


Editorial Mais do que um simples trazer de volta, foi uma reinvenção. Uma busca por uma nova identidade, mais vincada, mais próxima dos estudantes e da comunidade, sem nunca, por isso, descurar esse seu nome, já algo olvidado, mas tão intrinsecamente familiar e confortante: Diagnóstico. Assumindo-se como um veículo de integração das esferas aluno, faculdade e comunidade, a Diagnóstico atingiu todas as metas a que se propôs e foi ainda mais além, primando pela atualidade dos assuntos por ela abordados e procurando providenciar entrevistas e informação de personalidades médicas a nível nacional. Por detrás desta cara, surge uma equipa extraordinária, motivada, que em todos os momentos procurou desafiar-se a si mesma, dando sempre o máximo de si. O que move esta equipa? Tal qual Blimunda e Baltasar, que moveram a Passarola a vontades, é também a Vontade, essa mesmo, com V maiúsculo, que move estas pessoas. Vontade de fazer mais e melhor, Vontade de crescer e expandir as fronteiras da revista, Vontade de marcar pela diferença.

E, assim, o ano de 2017 ficou também marcado pela criação das bases para o crescimento da Diagnóstico, que se tornou, em grande parte, um espelho desta equipa, um espelho da pró-atividade dos seus estudantes. E esta marca é algo que não se poderá apagar nunca deste que já é o nosso nome e a nossa voz: Diagnóstico.

Por Rita Cagigal Coordenadora da Diagnóstico 3


Índice EDITORIAL Mensagem de Rita Cagigal

PÁGINA 3

ACONTECEU Sessão de Fados

PÁGINA 6

Jornadas de Educação Médica

PÁGINA 6

Encontros de Outono na Cova da Beira

PÁGINA 7

Sarau Cultural

PÁGINA 8

VI Medicalis

PÁGINA 9

EXPRESSA-TE Crónica: Passarinho

PÁGINA 10

Poema

PÁGINA 11

Poema: Cegueira de Ícaro

PÁGINA 12

Cartoon

PÁGINA 13

PERSONALIDADE EM DESTAQUE Dr.ª Helena Donato: um médico também é cientista!

PÁGINA 14

SEM FRONTEIRAS Passagem para a Índia

PÁGINA 22

4


INTERNATO MÉDICO EM PORTUGAL PÁGINA 24

Cardiologia

PÁGINA 28

Psiquiatria

ANEM PÁGINA 32

De PNS a PNAS

EDUCAÇÃO MÉDICA PÁGINA 38

Competências cirúrgicas para o curso de Medicina

PÁGINA 40

LaC

REPRESENTANTES DE ANO PÁGINA 43

3.º ano

MED’S HEALTH PÁGINA 44

Medicina Desportiva

PÁGINA 45

Importância do exame médico desportivo

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Aconteceu! Sessão de Fados Realizou-se no passado dia 7 de novembro a V Sessão de Fados na Faculdade de Ciências da Saúde. Como já habitual, esta edição contou com a presença do grupo de fados "Os Trovadores", com alguns alunos convidados bem como uma novidade, a cola-

boração com “O Cantinho do Artista”. Nesta noite, por umas breves horas, fomos transportados para uma tradicional casa de fados, em que não faltou boa música, o tradicional caldo verde, a broa e o vinho sobre a mesa, muita diversão e emoções fortes. De casa cheia e de coração aberto, os artistas mostraram o que melhor sabem fazer e que o

Graças ao trabalho do Departamento Cultural e dos seus colaboradores, a V Sessão de Fados foi um grande sucesso, tendo proporcionado à comunidade da cidade da Covilhã uma noite sem igual.

talento existe na nossa cidade.

Por Nuno Fernandes

Jornadas de Educação Médica fronteiras. No fim de cada dia das Jornadas houve lugar para alguns workshops ministrados por docentes da FCS. O balanço deste evento foi bastante positivo, uma vez que os participantes tiveram a oportunidade Nos dias 14 e 15 de novembro realizaram-se as Jornadas de Educação Médica, evento organizado pelo MedUBI. Na primeira sessão foram discutidas as

de esclarecer as suas dúvidas sobre a referida temática e puderam alargar os seus conhecimentos na área da formação médica.

problemáticas da PNS e das vagas do Internato Médi-

co. Na segunda sessão, os participantes assistiram ao

Por Inês Vieira

testemunho dado por jovens médicos acerca do seu percurso de vida pessoal e académico. O segundo dia do evento iniciou-se com uma mostra de três especialidades, onde os alunos puderam inteirar-se do dia a dia de um infeciologista, imagiologista ou pedopsiquiatra. Seguiu-se uma palestra sobre o internato médico no estrangeiro, onde foram dados a conhecer prós e contras de continuar a formação médica além6


Encontros de Outono na Cova da Beira No passado dia 10 de novembro, o Auditório da Santa Casa da Misericórdia de Belmonte acolheu

cerca de 150 profissionais de saúde e estudantes da Faculdade de Ciências da Saúde da UBI, participantes da Iª Edição dos ENCONTROS DE OUTONO NA COVA DA BEIRA – “Medicina ao encontro das populações”. Este Encontro Científico, coorganizado pelo Centro Hospitalar Cova da Beira, pelo Agrupamento dos Centros de Saúde da Cova da Beira e pela Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade da Beira Interior, teve como propósito a partilha conhecimentos e a discussão casos clínicos de interesse comum aos diferentes prestadores (e futuros prestadores) de cui-

dados de saúde da Cova da Beira. O evento guiou-se por três grandes eixos: “Disfunção Eréctil: marcador precoce da doença cardiovascular”,

“Trauma

Pediátrico

e

Obstétrico”

e

“Patologia Nodular da Tireoide e Paratireoides”, tendo

introduzido pela discussão de um caso clínico. De se-

o mote sido lançado no dia anterior, com a realização

guida, foi prestada uma breve revisão das matérias

de quatro cursos e um concurso de pósteres.

destacadas pelo caso, por parte de várias classes de

Num formato muito interativo e altamente

profissionais de saúde. As sessões culminaram com

aberto à partilha de conhecimento, cada tema guia foi

um momento de discussão e esclarecimento de questões. No geral, foi um evento muito completo e elu-

cidativo, permitindo que, ao longo de um dia, fossem relembrados e reforçados temas muito importantes, quer para os atuais profissionais de saúde, quer para os estudantes. A partir dos temas base foram discutidas questões das mais variadas especialidades médicas, sem nunca esquecer a importância crucial de uma equipa multidisciplinar. Por Tatiana Neves

7


Aconteceu! Sarau Cultural O Sarau Cultural do MedUBI decorreu no dia 21 de novembro, pelas 21:00 h, no Grande Auditório da Faculdade de Ciências da Saúde.

Tendo como mote o século XX, o Sarau Cultural tratou-se de um evento de caráter artístico, interventivo e solidário, revertendo a favor do projeto “Renascer”, projeto este que visou ajudar famílias portuguesas que sofreram com os incêndios do ano de 2017. Para a concretização deste projeto cujo sonho foi alto, o Departamento Cultural do MedUBI contou com a presença de uma equipa de atores e colaboradores dedicados, estudantes

de medicina, mas também com a colaboração imprescindível dos alunos do curso de Cinema da UBI, no âmbito de colaboradores do CinUBI. Os portões da faculdade serviram de portal de regresso ao século XX, retratando as diferentes décadas e realçando os grandes acontecimentos do século, à escala nacional e mundial, através das diferentes artes: teatro, música, dança, cinema, literatura, artes plásticas, fotografia e multimédia, interligando-as entre si.

Simultaneamente, pretendeu-se passar mensagens importantes, como o reforço da necessidade de investimento na cultura como veículo de crescimento e reflexão sobre a sociedade, bem como da importância de se conhecer a História de um povo, de um país, já que esta é pedra-angular do presente que nos constrói. Para a História, fica agora a realização de um Sarau de extrema qualidade, cujo trabalho árduo, dedicação e motivação de todos os envolvidos foram condição sine qua non para os inesquecíveis momentos vividos dentro e fora de palco, na régie e no backstage. Para o futuro, fica o exemplo e a responsabilidade de continuar o legado que define a Cultura como o verdadeiro Verso e o património imaterial que per-

manece.

Por Inês Jorge, Coordenadora do Departamento Cultural do MedUBI no mandato de 2017 8


VI Medicalis Decorreu no passado dia 25 de Novembro o VI Medicalis – Festival de Tunas Femininas da Universidade da Beira Interior, organizado pela C’a Tuna aos Saltos – Tuna Médica Feminina da Universidade da Beira Interior. O festival começou com o PassaCalles pelas ruas da Covilhã, em que as tunas convidadas animaram a Cidade Neve e as pessoas que nela habitam. Por volta

a participação extra-concurso da Tuna-MUs –

das 21 horas, num ambiente acolhedor e com a

Tuna Médica da Universidade da Beira Interior.

sala repleta de um público entusiasta, iniciou-se o grandioso espetáculo. O apresentador, João Pais, não se ficou por meias palavras, e a noite proporcionou grandes momentos de humor, convívio e, o mais importante, de música.

Contámos com as atuações das tunas a concurso: TUNAFE – Tuna Feminina de Engenharia da Universidade do Porto, Tunassa – Tuna Feminina do Instituto de Agronomia, TFIPCA – Tuna Feminina do Instituto Politécnico do Cávado e Ave e a TunaF – Tuna Feminina do Orfeão Universitário do Porto. Tivemos ainda a participação especial da banda Funk You Brass Band, um grupo de músicos de Aveiro que interpreta hits musicais com grandes batidas funk, e

Foi já no final da noite que atuou a tuna anfitriã, a C’a Tuna aos Saltos, apresentando como novidade, este ano, um remake de uma música, previamente de solista, por elas já interpretada: Gabriela, de Gal Costa. No final, foram entregues os prémios do festival. A TUNAFE arrecadou o prémio de Melhor Porta-Estandarte, e a TFIPCA levou para Barcelos os prémios de Melhor PassaCalles e Melhor Pandeireta. Para a Tuna Feminina do Orfeão foram os prémios de Melhor Vídeo, Melhor Instrumental e Melhor Original. As grandes vencedoras da noite foram a Tunassa, com os prémios de Melhor Solista, Tuna mais Tuna e Melhor Tuna. Salienta-se o auditório preenchido por um público respeitador e caloroso, que respondeu positivamente às atuações da noite, contribuindo também para um excelente ambiente extraauditório. Após o festival, a festa continuou na Companhia Club. 9


Expressa-te! Crónica: Passarinho A caminho da praia, de toalha e lancheira

Quem és tu e o que fazes aqui? Conta-me

numa mão, a outra a endireitar os óculos que

e eu dir-te-ei tudo o que quiseres, aproximar-me-

vão caindo por causa da água que se acumula

ei e sussurrar-te-ei ao teu quase inexistente ou-

no nariz, vejo-te de relance. Vês-me passar e

vidito. Quero fazê-lo, quero poder contar-te tudo,

fixas o olhar. Tu, em cima de uma tabuleta que

quero-te como meu confidente, mas tenho me-

existe nessa duna protegida por uma cerca, e

do… Medo de que aquilo que te conte te afugen-

eu, deste lado ao mesmo nível que tu. Paro, olho

te e sejas como os outros pássaros, que me

para ti e continuas a mirar-me, este é o atrevi-

abandones à primeira oportunidade! Que voes

mento que só nalguns animais se vê! Começo-te

para outros horizontes e fixes esse teu olhar nal-

a observar e tu a mim…

guém que não eu. Que lhe contes o meu segre-

De pequeno tamanho, pareces uma bolinha de penas, escuras com um esverdeado na garganta, e com um biquito preto frágil. Pergunto

do como se fosse teu. E sabes porquê, olho para ti e vejo-me a mim… Solto, observador e um contador de histórias.

-me acerca do que é que vês e porque é que me

Pássaro, com um olhar sinto-me despido,

fixas com esses teus olhitos mais pequenos que

já contei demasiado, deixa-me! Desvio o olhar

berlindes… Um olhar diz mais que um gesto,

de ti e continuo a andar, vou para a praia ver o

mas não consigo decifrar o teu. E continuas a

que o mar tem a dizer…

olhar para mim. Vejo onde te situas, uma pequena duna com umas plantas esverdeadas meias agrestes, e oiço o mar já perto. Este som inconfundível, hoje estás bravo, escuto a tua revolta! Atrais-me. Mas não vou ao teu encontro, não vou porque

Caminho, passo a passo, e sinto-te com os olhos cravados em mim. Olho de soslaio e já não estás, partiste. Mais um pássaro… Por De(lírio) (pseudónimo) Ilustração de Mariana Pereira

este atrevido não deixa! Continua a olhar! O que é que ele saberá acerca de mim? Tenho uma sensação de que sabe tudo. Sabe e continua especado, à espera de algo… Este pequeno grande gesto faz-me querer aproximar, saltar esta cerca, calcar a duna e chegar-me perto, fletir ligeiramente o joelho e olhar para ti nos olhos, fixar o meu horizonte no teu, desvendar o teu segredo… 10


Poema Sou fraco, mas tu não sabes,

Nojo!

Vi-te, ceguei.

Bem me avisaram,

Cegaste-me

Mas estava cego, cegaste-me...

Resisti com todas as forças,

Já não vejo, já não sinto...

Mas já era tarde.

A droga tornou-se tóxica

Passaste a ser a minha droga,

Dói-me sempre que inspiro.

O meu ar, o meu respirar.

Tenho medo de dormir

Encheste-me de vida,

Os pesadelos são mais reais

Deste sentido à minha existência.

Do que tudo neste mundo.

Fizeste com que desejasse o dia seguinte

Será possível pedir o Dia, mas não a Noite,

Adulteraste os meus sonhos

O Sol, mas não a Lua?!

Apoderaste-te das minhas noites.

Porque sempre que vem,

Sou fraco e tu soubeste

Uma parte de mim morre...

Expus-me perante ti como nunca fiz,

Serás sempre a minha alegria e infelicidade,

Dei-te tudo,

A minha melhor recordação

Tudo o que era meu,

E o meu maior arrependimento

Passou a ser teu...

Odeio-me e odeio-te,

Ridículo. Mas eu sou fraco e tu sabes.

Porque fui Cego e tu a Cegueira.

Odeio-me e repugnas-me. Deitaste tudo fora, como de lixo se tratasse,

Anónimo

Deixaste-e a sofrer para te rires em frente de todos. Deu-te gozo?! Não o suficiente... Vejo-te todos os dias como se me castigasses Abraças-te, enrolas-te com ele À minha frente como se eu fosse invisível.

11


Expressa-te! Poema: Cegueira de Ícaro De cegos, há vários tipos: Os de nascença; Os de Conceção;

Aqueles que por acidente assim ficaram; E os outros que por mão de outrem cegaram.

De todos qual o pior? ... ... ... Aquele que por vontade cegou!!

Seus entes queridos creem que é profundamente manipulado. Quem responde manipula, quem pergunta é lesado!! Este CEGO olhou fixo para o sol, para NUNCA MAIS O VER. Regressa como Ícaro Visual, uma história pr’os meninos.

Os castelos caem quando alguém de dentro abre uma porta.

Texto e ilustração por Francisco P. Negreiros (pseudónimo) 12


CARTOON!

Por Carolina Inês 13


Personalidade em Um médico também é cientista! Cada vez mais, a carreira médica tem-se vindo a focar na área científica. Ser médico já não passa só por trabalhar no hospital, mas também pela disseminação de conhecimento através da publicação de artigos científicos. No sentido de compreender o que trouxe esta mudança e que implicações tem, falámos com a Dra. Helena Donato que, tendo sido formada na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, trabalha atualmente no Serviço de Documentação do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, onde avalia a produção científica nacional na área da Oncologia, da Ginecologia e Obstetrícia e da Gastrenterologia, tendo também participado em investigação secundária – revisões sistemáticas e meta-análises (envolve a análise de estudos que já foram feitos e publicados).

1. Qual acha ser a utilidade da investiga-

doente é extensivo à publicação científica. Os

ção na área da medicina?

doentes não devem ser identificados pelo nome,

Até muito recentemente era atribuída uma

imagem, descrição, sem um consentimento es-

reduzida importância ao curriculum científico na

pecífico escrito. Por exemplo, até aos anos de

carreira médica, mas está a dar-se uma rápida

1980-90, colocar uma barra preta nos olhos em

mudança. A melhoria científica poderá ter como

fotografias era aceite como uma forma de prote-

consequência a melhoria do cuidado do doente.

ção da identidade do doente, contudo esta práti-

“Research is important to improve health care”,

ca foi descontinuada quando ficou provado que

WHO - a investigação a representar um papel

essa barra preta nos olhos não garante o anoni-

vital na melhoria da prática clínica.

mato. Assim, quando é necessário publicar detalhes que permitam a identificação ou imagens

2. O consentimento informado é um direi-

de partes identificáveis do corpo é necessário o

to à privacidade na relação médico-

consentimento do doente, seu tutor legal ou pa-

doente. De que modo também se aplica à publicação científica? O direito à privacidade na relação médico-

rente mais próximo e cópia deste consentimento deve ser enviada à revista. Esta informação sobre a obtenção do consentimento deve ser publicada com o artigo. 14


Destaque 3. Na sua opinião qual a importância de

em Medicina. A frase “publish or perish” expri-

escrever artigos científicos tanto a nível

me essa realidade. A autoria de publicações

nacional como internacional?

peer reviewed é uma métrica de sucesso.

A publicação científica médica tem relevância pessoal (curricular, promoção, estatuto,

5. Na preparação de um manuscrito, por onde aconselha começar a escrever?

comunicação, bolsas), institucional (Serviço,

A organização é a chave da escrita pro-

Faculdade, Hospital), nacional e internacional.

dutiva. Quando se começa, ter de encarar a

A autoria confere crédito – tem importantes im-

tirania da página em branco é a maior causa

plicações académicas, sociais e financeiras. A

de procrastinação.

publicação científica biomédica reveste-se de

Para começar a escrever deve começar-se pe-

grande importância para a sociedade em geral,

las secções mais fáceis: Métodos, Figuras e

contribuindo para a melhoria da qualidade da

Tabelas da secção Resultados e Resultados. A

prática médica e dos avanços científicos. Pen-

seguir por esta ordem: Introdução, Discussão/

so que em medicina, a publicação científica é

Conclusão, Título e Resumo. Todo o artigo durante a sua redação pas-

uma extensão da atividade clínica. Atualmente, a produtividade científica

sa por algumas fases de amadurecimento:

(em quantidade e qualidade) começa a ser um

1. Colocar ideias no papel;

dos critérios de diferenciação dos Hospitais.

2. Ordenar as ideias; Dar acabamento ao texto (correção gra-

4. Qual é o impacto de publicar artigos

matical, ortografia e estilo).

científicos na carreira profissional de um médico? A publicação científica é a etapa final e mais importante do processo de investigação clínica. Publicar tornou-se quase obrigatório

6. Existem alguns sites de apoio à escrita de artigos científicos, ou à sua revisão? Existem alguns sites interessantes de-

15


Personalidade em senvolvidos pelas editoras de revistas científicas

Autoria honorária/oferecida ou fantasma;

com informação útil sobre redação científica e

Múltiplas submissões - regras internacionais

outros aspetos relevantes relacionados com a

de ética proíbem múltiplos/simultâneos envios, e

publicação, como a autoria, ética, etc. Sobre

os editores descobrem;

revisão por pares não existe muita informação

Publicação redundante – republicação;

Plágio;

Fabricação e/ou falsificação de dados;

Manipulação de imagens;

tre (Enhancing the Quality and Transparency of

Não declarar conflitos de interesse;

Health Research). É uma iniciativa internacional

Violação da confidencialidade;

que tem como missão melhorar a qualidade da

Republicar figuras sem obter permissão do de-

investigação promovendo uma forma transpa-

tentor do copyright – é uma exigência legal, e

rente e fidedigna de relatar a investigação médi-

depois citar a fonte.

disponível, mas também existe. Um dos principais recursos de orientação para a escrita de artigos e também para a revisão é, sem dúvida, o EQUATOR network resource cen-

ca, fornecendo guias metodológicos para cada desenho de estudo.

8. Em termos de opção de escolha, qual será o tipo de revistas mais adequado

7. Quais julga ser os erros mais frequen-

para a publicação dum artigo científico?

tes na escrita de um artigo científico? E

Que revistas aconselha?

os erros mais graves?

Tradicionalmente, o output científico é me-

Os erros mais graves relacionados com a

dido pelo número de citações e pela reputação

escrita científica são práticas consideradas anti-

(fator de impacto) das revistas que os aceitou. O

éticas, como:

fator de impacto publicado anualmente no Journal Citation Reports é a métrica mais frequente-

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Destaque mente usada para avaliar a publicação científica, mas outras métricas, baseadas em diferentes suposições e algoritmos, foram sendo introduzidas ao longo dos anos.

9. Que ferramentas existem para escolher a revista alvo? Existem algumas ferramentas designadas Journal Selector como a JANE (journal author Match/

por mérito e qualidade editorial, faz parte de ba-

Correspondência do programa de gestão de re-

se de dados. Tem de cumprir critérios de publi-

ferências bibliográficas EndNote Web, que aju-

cação claros e rigorosos; tem de ter um corpo

dam nesta tarefa de seleção da revista-alvo para

editorial e revisores especializados.

name

estimator)

ou

o

separador

submissão do artigo.

A qualidade de uma revista científica é fre-

O “Match” ajuda a selecionar a revista-alvo com

quentemente avaliada pelas bases de dados

fator de impacto.

onde é indexada e a indexação de uma revista é

A primeira regra para o sucesso na publi-

considerada um reflexo da sua qualidade.

cação é enviar o trabalho para a revista certa,

As bases de dados bibliográficas adotam

por isso, para além do uso das ferramentas jour-

critérios de qualidade editorial e de conteúdo

nal finder ou journal selector, devem considerar

para selecionar as revistas que serão indexa-

as revistas que leem regularmente. Olhar para

das. Os critérios de seleção são praticamente

as referências do trabalho deve ajudar a reduzir

idênticos nas diversas bases de dados, variando

a escolha, mas também é importante verificar se

apenas o nível de exigências adotado por cada

a revista aceita artigos da tipologia que querem

base de dados em relação a cada critério: quali-

submeter, qual a percentagem de aceitação, se

dade científica e editorial (incluindo o processo

tem custos de publicação e convém sempre ve-

de revisão por pares), corpo editorial, tipologia

rificar o desempenho da revista na revisão e o

do conteúdo, qualidade de produção, regularida-

tempo até à publicação.

de de publicação, diversidade na proveniência

Depois de escolher a revista, é obrigatório redigir o trabalho usando as instruções aos autores da revista candidata à submissão.

dos autores e normalização. Recentemente deu-se uma explosão de novas revistas de qualidade científica questionável, que foram designadas “predatory journals”.

10. O que é uma revista indexada? Qual é

É preciso muito cuidado na escolha da revista-

a relevância desta definição?

alvo para a publicação e as ferramentas que

Uma revista indexada é uma revista que,

mencionei anteriormente ajudam nesta tarefa. 17


Personalidade em

As revistas predatórias recrutam artigos através de um marketing agressivo e

buição de bolsas e subsídios e na avaliação internacional das instituições.

emails de spam, prometendo um peer re-

O fator de impacto está diretamente

view rápido e publicação em open access

relacionado à área de investigação. O fator

por um preço. Não há qualquer controlo de

de impacto de uma revista, por si só, não

qualidade ou transparência sobre o proces-

significa muito; em vez disso, é importante

so e taxas, e o objetivo é o ganho financei-

olhar para fatores de impacto das múltiplas

ro.

revistas na mesma área. O benchmarking deve

ser

feito

usando

variáveis

11. O fator de impacto é usado para avali-

comparáveis, assim, quando se comparam

ar a repercussão duma publicação numa

revistas de áreas distintas o que deve servir

determinada revista. No entanto, seria

de comparação é o quartil que a revista ocu-

preferível usar o quartil da revista para

pa na sua área. Quartil – depois de ordenadas as revis-

comparação entre revistas. A que se deve este facto? A mania das métricas das revistas começou há mais de 50 anos com o fator de

tas de uma área temática por ordem decrescente de fator de impacto o quartil (Q) 1, 2, 3.

impacto. A importância do fator de impacto

Os quartis são usados para melhorar a

de uma revista cresceu muito nas últimas

comparabilidade entre publicações dentro

décadas constituindo um critério major na

de cada área, e derivam da divisão por 4 da

decisão da escolha da revista-alvo para pu-

lista total das revistas com fator de impacto

blicar, tornando-se também a principal ferra-

para cada área. No Journal Citation Reports

menta usada na avaliação curricular, na atri-

o Q1 denota o top 25% da distribuição dos 18


Destaque média-baixa (50-75%), e Q4 a posição mais bai-

Tamanho: Demasiado grande - informação a

xa (inferior 25% da distribuição).

mais; Demasiado pequeno - pouca informação Apresentação: Má organização; Uso ineficaz de

12. Muitos são os casos de recusa da pu-

ilustrações; Erros gramaticais e de ortografia;

blicação de artigos. Quais acha serem os

Linguagem pobre ou incompreensível; Não cum-

principais fatores que levam a essa rejei-

primento das Instruções aos Autores O que leva à aceitação de um artigo, é o

ção? As revistas só podem publicar uma mino-

Acceptance:

ria dos artigos submetidos. A razão mais fre-

Attention to details

quente para a rejeição imediata é o tópico não

Check and double check your work

ser o adequado para a revista. Os editores pro-

Consider the reviewers’ comments

curam investigação original e inovadora que

English must be as good as possible

acrescenta à área de estudo ou tem impacto

Presentation is important

imediato nos cuidados ao doente.

Take your time with revision

As principais razões de rejeição são:

Acknowledge those who have helped you

Assunto: Desadequado para a revista; Ausência

New, original and previously unpublished

de uma mensagem importante para o público-

Critically evaluate your own manuscript

alvo; Timing também pode ser um factor de re-

Ethical rules must be obeyed

jeição. Até artigos de grande qualidade podem ser rejeitados se vários artigos sobre o mesmo

13. As redes sociais são importantes na

tópico forem submetidos num curto período de

divulgação científica. Quais são as que

tempo ou se for submetido com um atraso, du-

têm mais impacto?

rante o qual os métodos ou conclusões se torna-

É importante ter um perfil público robusto

ram obsoletos devido ao aparecimento de novos

para promoção e divulgação da produção cientí-

estudos; Investigação que não traz nada de no-

fica. Expor os artigos ao social media pode ter

vo à literatura existente

um efeito positivo nas citações e nos downloads,

Dados: Avaliação estatística incompleta ou ina-

pois permite uma maior disseminação. Assim, é

propriada; Interpretação excessiva dos resultados; Tamanho da amostra insuficiente; Resultados errados ou inconsistentes; Discussão e conclusão fracas; Conclusões não compatíveis ou injustificadas perante os resultados Cobertura: Significado questionável; Validade questionável - o estudo não examinou um tema científico importante; Falta de originalidade 19


Personalidade em

preciso estabelecer uma presença nas platafor-

“facebook” para investigadores e académicos.

mas de perfis (sistemas de identificação) como

As editoras de revistas científicas começaram a

ORCID e/ou ReseacherID.

ensinar os autores a promover as suas publica-

São

sistemas

que

atribuem

ções usando o social media.

um código numérico persistente a um autor, que permite distingui-lo

dos

Já foi: publicar ou perecer. Agora é: publi-

restantes

car, ser citado ou perecer. Começa a ser: publi-

no meio digital. Resolvem o problema da ambi-

car, ser mencionado ou perecer - promover o

guidade no nome dos autores na publicação e

que se publica ou perecer está a tornar-se a

na comunicação científica, através da criação de

norma.

identificadores exclusivos (ID) para cada autor. O identificador persistente ou ID é utiliza-

14. Como será possível promover uma

do como link para apresentar todo o trabalho do

melhor e mais rápida revisão dum arti-

autor. Estas plataformas de perfis científicos/

go?

sistemas de identificação reduzem a ambiguida-

A revisão por pares (peer review) também

de na autoria, permitem gerir alterações da afili-

designada por arbitragem científica, é uma com-

ação e a criação de um perfil público, juntando

ponente fundamental para a prática e progresso

todos trabalhos e possibilitam a integração nos

da Medicina e é essencial para o sucesso de

sistemas de submissão de manuscritos, aumen-

uma revista científica.

tar a colaboração e encontrar colaboradores em todo o mundo.

A melhor forma de promover a revisão por pares (peer review) é formando revisores. Um

As redes sociais académicas como o Re-

potencial revisor quando é convidado a rever um

searchGate, BioMedExperts ou o Academia.edu

artigo só deve aceitar se sabe que vai ter tempo

são plataformas de partilha, colaboração e dis-

para efetuar a revisão. Deve fornecer um feed-

cussão online entre pares e assim, permitem

back construtivo e objetivo começando por um

aumentar a visibilidade do output científico.

comentário geral ao artigo e depois secção por

O ResearchGate tem sido apelidado de

secção. 20


Destaque “Like a democracy, editorial peer review is

Um bom trabalho de investigação implica

messy and does not always work as it should,

ter uma boa ideia (pergunta de investigação

but it is essential to the integrity of scientific and

interessante), bom protocolo, boa equipa de

scholarly communication.” A.C. Weller

investigadores, motivação, rigor e persistência. Nunca esquecer que a publicação científica é

15. Que conselho oferece aos estudan-

uma atividade central e crucial no exercício da

tes que estão a preparar a tese? E aos

Medicina. Deverá ser um complemento e uma

internos que estão a escrever artigos ci-

extensão da prática da Medicina e da investiga-

entíficos?

ção básica, clínica ou de translação. Nesta

Aconselho a que sigam o critério FINER na determinação do tema de investigação: Feasible - viável do ponto de vista prático e económico; nº adequado de participantes;

área, Portugal tem que procurar ser mais competitivo com o estrangeiro.

16. Relativamente ao Doutoramento du-

Interesting- tem de interessar outros, não só o

rante a especialidade, quais lhe parecem

investigador;

ser as vantagens ou desvantagens?

Novel – acrescenta, confirma ou refuta resulta-

O Doutoramento durante a especialidade

dos;

permite o surgimento de uma nova geração de

Ethical - aprovado pela Comissão de Ética;

médicos que, a par da formação clínica, desen-

Relevant – Utilidade; conhecimento científico;

volvem a investigação científica sem serem

prática clínica; política de saúde; investigação

obrigados a escolher entre uma carreira de in-

futura.

vestigador ou a prática clínica.

Devem considerar abordagem em equipa,

Como desvantagem poderá ser a importância

ou seja, escrever com autor mais experiente ou

da maturidade clínica para o desenvolvimento

mentor. Também devem estar dispostos a cor-

de projetos de investigação com relevância pa-

rer riscos e aceitar a crítica ou até mesmo a

ra o doente.

rejeição. Habitualmente, têm dificuldade em

aceitar as sugestões como oportunidades de melhoria e desistem face às adversidades editoriais.

Entrevista por Mariana Ribeiro

21


Sem Fronteiras Passagem para a Índia A Índia não é um país; é um mundo inteiro. Tudo se encontra e vive naquele sítio longínquo, que a nós, portugueses, tanto nos diz, mas

muito do que lá se vive, só se vive lá. É único! A Cultura é tão diferente que nos causa um choque tal que, no momento, nos faz questionar tudo, mas que, depois, uns dias mais tarde, nos faz sorrir, refletir e, até, dar muito mais valor a tudo o que temos no nosso cantinho europeu e, também, à viagem de um vida que estamos a iniciar. É um país de tolerância total, de liberdade notória a nível religioso, onde, na mesma praceta entre casas, se professam três religiões com uma paz e entendimento que daria uma valente lição ao restante planeta que se diz “desenvolvido”.

O vegetarianismo é comum, aliás, a prática mais comum, a bem dizer. E de outra forma não poderia ser, não haveria animais suficientes, nem espaço para os criar se o segundo país mais populoso do mundo decidisse comer uns simples bifes grelhados. Cozinha saborosa, cheia de texturas e sabores novos, mas muito picante (o que pode, sem dúvida, apresentar-se como um desafio para quem seja, a ele, sensível, como eu). Lá,

o expoente máximo de um sistema digestivo em fogo não se atinge com um simples caril, como se faz em muitos outros países, mas juntam-se cinco tipos de caris diferentes para fazer nascer uma nova, e milhares de vezes mais potente, especiaria: a Massala. Meus caros, pela minha experiência, vos digo que a Massala é fatal para quem se define sensível e não treinado a estes calores.

22


É, claro, imperdível e essencial, pelo menos uma

e não há segundo nenhum em que algo novo,

vez, para quem viaja para a Índia. É uma experi-

marcante e memorável não aconteça.

ência pessoal, cada um vivendo-a de forma peculiar e saindo dela com sequelas diferentes, mas todos com algo para contar. Além da gastronomia colorida, tudo o

Vão de mente aberta e sem préconceitos sugeridos por filmes, noticiários ou redes sociais e vivam todos os momentos: trilhem a vossa passagem pela Índia.

resto também é uma autêntica explosão de cor. Tudo. Desde a roupa a festivais, desde as deco-

rações de casas a símbolos, desde a música às cerimónias fúnebres no Rio Ganges. Tudo é vivido mais intensamente, tudo tem um brilho e uma vida especiais. Durante o mês que lá passei, senti-me culpado por piscar os olhos, com receio ou pena de perder algo único e irrepetível que se estivesse a passar à minha volta. Cada momento conta

Por Manuel Maia 23


Internato médico e Cardiologia Vagas em 2017: 35 1º colocado: 98%, Centro Hospitalar de Lis-

boa Ocidental, E.P.E. Último colocado: 88%, Hospital Distrital de Santarém, E.P.E. Relativamente à especialidade de Cardiologia, entrámos em contacto com o Dr. João Gameiro Lopes. Formado na Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade da Beira Interior, o João encontra-se atualmente no segundo de cinco anos de internato desta especialidade, no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC). Fomos tentar perceber o que faz o coração dele bater; o resultado foi este. 1. Que motivos te levaram a escolher es-

realmente faz sentido), quer pelas patologias

ta especialidade?

tão distintas que podem existir. Depois, com a parte patológica e com estágio clínico percebi

Desde o início do 2º ano da faculdade,

que a Cardiologia tinha a semiologia mais inte-

quando começámos a estudar o sistema cardio-

ressante e realmente comecei a adorar como

circulatório, que o coração me fascinou, quer

determinados sons na auscultação ou os dife-

pela sua fisiologia complexa (mas em que tudo

rentes traçados no ECG me podiam ajudar no diagnóstico.

24


em Portugal Investigando um pouco mais, percebi ainda que a Cardiologia é uma especialidade cheia de técnicas, com muita tecnologia envolvida e sempre em evolução, para além de que sempre me fascinou a componente de emergência/ urgência em doentes cardíacos. Se realmente existissem dúvidas, percebi que face à cada vez maior incidência de doenças cardiovasculares, a Cardiologia é das especialidades com melhor futuro pela frente, sendo cada vez mais interventiva, e isso motivou-me muito na escolha final. perar as expectativas iniciais. Fui descobrindo a

2. Consideras que recebeste feedback

grande diversidade de coisas que posso fazer e

clínico suficiente sobre a especialidade

que tenho de aprender nesta especialidade,

em questão durante o curso?

sendo que tenho agora a noção de que cada

Olhando agora para trás, realmente penso que o estágio em Cardiologia deveria ter sido um pouco mais bem estruturado e acho que não tive tanta experiência clínica como gostaria, principalmente na componente mais prática. Espero que isso tenha mudado ao longo dos anos, pois realmente há muitas vertentes da Cardiologia

vez mais vão surgindo subgrupos interessantes dentro da Cardiologia nos quais me poderei subespecializar no futuro. Cada vez mais tenho a certeza que foi uma ótima opção e o estar neste meio no dia-a-dia têm me motivado ainda mais a aprender, estando ainda mais apaixonado por esta especialidade.

que acabam por nos passar um pouco ao lado estando num hospital do Interior, como a componente do laboratório de hemodinâmica, a par-

te da eletrofisiologia ou a diversidade de técnicas de imagem disponíveis.

3. O internato está a corresponder às expectativas? Desde que começaste a trabalhar, mudou a maneira como olhas para a especialidade? Sim, sem dúvida que até agora está a su-

4. Como vai evoluindo o grau de autonomia ao longo do internato? No primeiro ano do internato, como passamos quase todo o tempo (9 meses) na Medicina Interna, quando chegamos ao serviço de Cardiologia ainda estamos muito “verdes” no que toca a ver e orientar doentes com patologia cardíaca grave. Penso que o 2º ano é o ano em que mais aumenta o nosso nível de autonomia, à medida que vamos ganhando experiência, quer com a nossa própria consulta, quer com o estágio de 25


Internato médico e Cardiologia Unidade Intensiva Coronária e com a permanência no serviço de urgência. A partir do terceiro ano, já temos um grande nível de autonomia a nível clinico e, na maioria dos casos, o

que vamos mais desenvolver e aperfeiçoar são as técnicas e os exames, como os ecocardiogramas, colocação de pacemakers ou a componente de hemodinâmica. A partir do quinto ano, já somos quase equiparados a especialistas nas nossas funções e aí a autonomia é praticamente total.

6. Quais consideras que são os prós e 5. Na tua opinião, qual consideras que é o melhor hospital a nível nacional para

tirar a especialidade em questão?

contras da especialidade? Prós – Uma especialidade sempre cheia

de adrenalina e em que o conhecimento está

Penso que em Cardiologia não existe um

sempre a mudar, é difícil haver uma grande roti-

só “melhor” hospital. Dado que esta especiali-

na. É também uma especialidade muito versátil,

dade tem uma dimensão tão alargada, cheia de

em que uma pessoa se pode dedicar a várias

subgrupos de interesse (imagem, cuidados in-

áreas distintas, basta escolher! Também permi-

tensivos, intervenção estrutural e hemodinâmi-

te estarmos no ambiente de emergência/

ca, eletrofisiologia, etc.), cada serviço de Cardi-

urgência e, mais importante que tudo, realmen-

ologia tem os seus pontos fortes e os seus pon-

te temos um grande impacto na vida dos nos-

tos fracos. No meu hospital, o Hospital dos Co-

sos doentes, pois um grande número deles são

vões, que pertence ao CHUC, há um grande

ainda pessoas muito ativas, de meia-idade, que

desenvolvimento da Cardiologia de Intervenção

têm um bom potencial de recuperação.

e hemodinâmica, sendo esse o nosso ponto

Contras – É uma especialidade muito tra-

mais forte. Mas em Portugal existem outros óti-

balhosa, com muita exigência assistencial, com

mos serviços de Cardiologia, é sempre uma

curvas de aprendizagem bastante prolongadas

questão de se informarem antes sobre quais

face às inúmeras técnicas que temos que domi-

são as características de cada serviço e posteri-

nar. Tem também uma grande exigência ao ní-

ormente optar tendo em conta as preferências

vel da investigação, da publicação de artigos e

de cada um.

da apresentação de trabalhos, muito maior do que na maioria das outras especialidades. 26


em Portugal

9. Mensagem para os futuros internos que

7. Qual a carga horária semanal real? A carga horária depende sempre do estágio

ainda batalham para ter uma vaga no internato médico em Portugal.

em que estamos, pois há uns em que ficamos até

A minha mensagem é sem dúvida que devem

mais tarde, que são mais trabalhosos, enquanto há

dar tudo o que têm quando estiverem a estudar para

outros em que muito do trabalho é estudar e ocupa

a PNS. Vai ser o vosso período académico mais

menos tempo no nosso horário em termos de per-

difícil, em que vão sentir-se cansados, exaustos e

manência no hospital. Diria que a minha carga horá-

muitas vezes desanimados, mas pensem que é esta

ria, a contar com a componente de elaboração de

prova que acaba por decidir muito do vosso futuro e,

trabalhos e investigação, anda em média nas 50

se há alguma altura em que devem fazer sacrifícios,

horas semanais.

é agora. Para além disso, este estudo serve para testarem os vossos limites e acreditem que vão pre-

8. Progressão na carreira

cisar de o fazer algumas vezes ao longo de qual-

Dada a panóplia de atividades que podemos

quer internato que acabem por escolher. Mais im-

exercer nesta especialidade, um médico que seja

portante que isso é pensarem que ainda são jovens

esforçado e aproveite bem as oportunidades que

e, mesmo que não corra bem à primeira, nunca de-

vão surgindo, consegue facilmente fazer uma ótima

vem desistir dos vossos objetivos! Há sempre a pos-

carreira. Claro que pode levar tempo e nem sempre

sibilidade de repetirem e isso nunca deve ser visto

será fácil, mas o futuro é risonho em Cardiologia.

como um fracasso, mas sim como uma nova oportunidade, onde se tem mais motivação e muitas vezes mais tempo para se estudar. Por Rita Cagigal e Rui Simões 27


Internato médico e Psiquiatria Vagas em 2017: 73 1º colocado: 91%, Centro Hospitalar e Uni-

versitário de Coimbra, E.P.E. Último colocado: 69%, Centro Hospitalar do Algarve, E.P.E.

Dr. Mário João Santos, agora a iniciar o segundo ano de especialidade em Psiquiatria no Hospital Prof. Doutor Fernando Fonseca, completou o MIM em 2015 na Faculdade de Ciências da Saúde, na Covilhã. Fomos perceber qual a razão da escolha em enveredar pelos caminhos obscuros da mente humana.

1. Mário, quais foram os motivos que te leva-

da Psiquiatria, a visão holística do doente que

ram a escolher Psiquiatria? Porquê neste

por norma é aplicada e um certo apreço que

hospital em particular?

tenho por outras áreas de conhecimento – como filosofia ou história –, que me pareceu me-

Foram vários os motivos que me fizeram

lhor saciado nesta especialidade. Em relação

escolher Psiquiatria. Se tivesse de apontar os

ao porquê do meu hospital em particular, isso

principais, diria que foi o desafio, a incerteza e

prende-se com a forma como o meu serviço

alguma subjetividade, da prática clínica própria

está organizado.

28


em Portugal O serviço foi fundado com base no modelo comunitário de Psiquiatria, que é um modelo que visa aproximar os cuidados das pessoas – a larga maioria das consultas são fora do hospital, em estruturas comunitárias –, capacitando mesmo doentes graves com aptidões para manterem a vida na sua comunidade. Claro que isto é uma visão reducionista, mas uma explicação mais alargada foge claramente do escopo desta entrevista. O meu serviço é pioneiro em Portugal pela forma como olha para a Psiquiatria e para os doentes. 2. Consideras que o feedback clínico que recebeste sobre a especialidade durante o curso foi suficiente para fazeres uma escolha

ponderada? Sinceramente, acho que não e penso que isso se estende para a larga maioria das especialidades. A visão com que nós saímos da faculdade de cada especialidade é muitas vezes limitada ou até distorcida. Durante a faculdade, tive

3. O internato está a corresponder às tuas

uma experiência quase exclusiva de consultas,

expectativas? Desde que começaste a traba-

que é apenas uma parte da prática clínica de um

lhar, em janeiro, alguma coisa mudou na ma-

psiquiatra. A passagem pelo internamento, hos-

neira como olhas a tua especialidade?

pital de dia e urgência, durante o meu ano comum, foi muito importante para tomar uma deci-

Completamente. Estou a gostar bastante

são ponderada. Por isso, incentivo a que as pes-

do trabalho clínico que tenho vindo a desenvol-

soas aproveitem o ano comum para experimen-

ver e dos conhecimentos que tenho adquirido.

tarem as especialidades pelas quais tenham cu-

Se muito, o meu primeiro ano de internato refor-

riosidade. Falem com os especialistas e internos

çou o meu gosto pela área.

mais velhos. Vão aperceber-se de coisas que não temos noção quando somos alunos.

29


Internato médico e Psiquiatria 4. Quantos anos dura a especialidade? Co-

se poderão enquadrar melhor, tendo em conta

mo vai evoluindo o grau de autonomia ao

os seus gostos e objetivos.

longo do internato? 6. Quais consideras que são os pontos for-

A especialidade de Psiquiatria leva 5 anos a concluir. A evolução da autonomia depende

tes de uma especialidade como a tua? E os pontos fracos?

muito do sítio onde se tira a especialidade. No meu serviço, há uma visão muito equilibrada

Como já falei atrás, alguns dos pontos

em relação a este assunto e existe um esforço

fortes que posso apontar são a visão holística

coletivo para evitar que alguém se sinta desam-

do doente e o desafio da prática clínica. Em re-

parado.

lação aos pontos fracos, a incerteza e subjetividade podem ser vistas por alguns como negati-

5. Que hospital a nível nacional recomenda-

vas – para mim não são. Também a exigência

rias para tirar a especialidade em questão?

emocional tem que ser tida em conta, aquando

da escolha desta especialidade. Pode parecer que estou a puxar a brasa à minha sardinha, mas sou mesmo da opinião

7. Qual a carga horária semanal? (real, não a

que o meu serviço é dos melhores a nível naci-

que está “no papel”)

onal, algo que se prende com as razões que já enumerei atrás. Mas, acima de tudo, aconselho

A minha carga horária é muito similar à

as pessoas a informarem-se junto de, por

que está no papel. Pontualmente, posso ter que

exemplo, internos, para saberem as especifici-

fazer uma ou duas horas a mais num dia, mas

dades de cada serviço e tentarem decidir onde

nada de excessivo.

30


em Portugal

8. Com que frequência fazes urgência e noi-

Tenho a certeza de que, se fizerem isso, vão sentir que a Psiquiatria é uma especialida-

tes?

de muito recompensadora.

Faço urgência 1 vez por semana. Não faço noites, nem fins de semana. Noutros servi-

11. Tens alguma mensagem para os futuros

ços, não acontece exatamente o mesmo.

internos que ainda batalham para ter uma vaga no internato médico em Portugal?

9. Quais as perspetivas de evolução de carreira em Psiquiatria?

Bem sei das perspetivas que, neste momento, enfrentam, mas não se deixem abalar.

É verdade que o crescente número de

Perdoem-me o cliché, mas atrevam-se a so-

internos em Psiquiatria, cria algumas dificulda-

nhar, nem que seja um pouco. Ir-se-ão sentir

des na evolução da carreira, mas, neste mo-

mais inspirados para enfrentar os obstáculos

mento, ainda é possível afirmar que as perspe-

que se avizinham.

tivas de futuro são maioritariamente positivas. Obrigada! 10. Que dirias a alguém que está a considerar Psiquiatria como futura especialidade? Como já fui dizendo ao longo da entrevista, perguntem, investiguem, experimentem e, depois, tomem uma decisão ponderada.

Por Rita Cagigal e Rui Simões 31


ANEM

De PNS a PNAS: qual o ponto de situ A extinção da PNS, ou “Harrison”, como é vulgarmente apelidada, entre outras alterações ao processo de acesso à especialização médica em Portugal, sendo algo de abrangência geral da população médica estudantil a nível nacional, constitui um assunto sen-

sível e potencialmente polémico. No sentido de desconstruir mitos referentes a esta temática, Catarina Gonçalves, atual presidente do MedUBI, concordou em prestar alguns esclarecimentos relativamente ao que tem vindo a ser feito ao longo dos anos, qual a posição atual da ANEM e a posição atual da nossa escola médica relativamente à nova Prova e Prova-piloto.

Desde 2008 que se tem vindo a discutir a

deverá ser ponderada na nota de candidatura nu-

alteração do procedimento de acesso ao internato

ma percentagem máxima de 20% no acesso à

médico, nomeadamente questões relacionadas

formação específica, devendo isto ocorrer apenas

com a prova de acesso (vulgo Harrison), com a

6 anos após a publicação da legislação que regu-

classificação final de acesso, entre outros aspe-

la tais alterações;

tos. Os estudantes de medicina, através da As-

2. Na criação de uma nova Prova de Aces-

sociação Nacional de Estudantes de Medicina

so à Formação Específica, considera-se que, em

(ANEM) têm vindo a veicular as suas posições

primeira análise, importa definir que o propósito e

quanto a esta temática, em tomadas de posição

intuito final desta prova é a seriação correta dos

que foram sendo renovadas ao longo dos anos.

candidatos. A par disso, deverá existir, pelo me-

Atualmente, o documento em vigor constitui a Po-

nos, uma prova piloto, com a antecedência míni-

sição Global da ANEM, de 2016, que é válida

ma de dois anos relativamente à implementação

até maio de 2018, e que defende, entre outros

do novo modelo. Esta prova deverá promover o

aspetos, o seguinte:

raciocínio clínico e a aplicação e integração de conhecimentos clínicos adquiridos, devendo ver-

1. A Classificação Final de Curso equipara-

sar sobre conhecimento transversais à prática

da estatisticamente entre Escolas Médicas deve-

médica (Medicina Interna, Cirurgia Geral, Gineco-

rá ser critério único de acesso ao Ano Comum, e

logia e Obstetrícia, Psiquiatria, Pediatria e Medici32


uação e para onde caminhamos? na Interna, Cirurgia Geral, Ginecologia e Obstetrí-

A par de alterações benéficas para os estu-

cia, Psiquiatria, Pediatria e Medicina Geral e Fa-

dantes, como a previsão de introdução de um

miliar).

novo modelo de prova nacional de acesso, estes dois documentos vieram introduzir alterações na

3. A função de avaliar as competências do

formação pós-graduada e no acesso ao Internato

graduado em Medicina é domínio das Escolas

Médico que iam contra aquilo que os estudantes

Médicas, constituindo a conclusão com aproveita-

de medicina de Portugal haviam defendido, no-

mento do Mestrado Integrado em Medicina prova

meadamente:

suficiente das competências necessárias para

• Extinção do Ano Comum (a partir de

prosseguir a sua formação, sendo, por isso, os

2018); Esta possibilidade previa-se caso se verifi-

estudantes de medicina contra o estabelecimento

casse que o último ano do Mestrado Integrado

de uma nota mínima na Prova Nacional de Aces-

em Medicina era profissionalizante em todas as

so.

Escolas Médicas, sendo conferida autonomia no final do 1º ano de formação especializada. 4. Defende a ANEM a manutenção do Ano

• Classificação Final de Curso na Nota de

Comum, como forma de assegurar a continuida-

Acesso ao Internato Médico; Ponderação de 20%

de da qualidade da formação pós-graduada e dos

da classificação final de curso na nota de acesso

cuidados de saúde prestados no SNS. Durante o

ao internato médico, a implementar no concurso

ano de 2015 foram publicados dois documentos

de 2018.

legais que vieram rever o Internato Médico: o de-

• Possibilidade de nota mínima na Prova

creto lei nº 86/2015, que define o Regime Jurídico

Nacional de Acesso; Esta possibilidade estava

do Internato Médico; a portaria nº 224-B/2015,

prevista no Regime Jurídico, não estando expla-

que define o Regulamento do Internato Médico.

nada no Regulamento, não tendo sido implementada até agora.

33


ANEM

De PNS a PNAS: qual o ponto de situ Neste âmbito, foi constituída, em janeiro de

necologia/Obstetrícia (10%); o Psiquiatria (10%).

2016, a Comissão Nacional que devia apresentar

• A matriz ou qualquer alteração desta, que

um novo modelo de Prova Nacional de Acesso à

resulte numa nova matriz, deverá ser tornada pú-

Formação Especializada. Esta Comissão apre-

blica, nunca menos de 18 meses antes da data

sentou os seus resultados e foi iniciado a 10 de

de realização da prova.

abril de 2017 um processo de discussão pública

• Deverá ser indicada uma lista de referên-

do novo modelo de Prova. Este modelo prevê os

cias bibliográficas recomendada para a prepara-

seguintes aspetos:

ção dos candidatos. A bibliografia recomendada

• Propõe-se que as perguntas sejam consti-

será a de livros com uma última edição existente

tuídas a partir de uma vinheta clínica, no formato

pelo menos 18 meses antes da data de realiza-

de escolha múltipla com a seleção da resposta

ção da prova.

mais correta. • Propõem-se que a prova tenha 150 per-

A par desta discussão pública, foi negocia-

guntas, com uma duração correspondente a

do, entre a ACSS, Ordem dos Médios e Conselho

1,5 minutos por pergunta, com 15 minutos de to-

de Escolas Médicas Portuguesas, o método de

lerância. Propõe-se que a duração seja de 240

implementação desta nova prova. Neste âmbito,

minutos (duas partes de 120 minutos, com um

surge um protocolo de colaboração entre as 3

intervalo).

estruturas, que vem estabelecer as condições

• Deverão ser consideradas, obrigatoria-

para a preparação e realização da Prova Nacio-

mente, as seguintes dimensões: o Medicina Inter-

nal de Acesso à Formação Médica Especializada,

na (incluindo cuidados de saúde primários)

incluindo a criação do Gabinete da Prova Nacio-

(50%); o Cirurgia (15%); o Pediatria (15%); o Gi-

nal de Acesso à Formação Médica Especializada

34


uação e para onde caminhamos?

(GPNA) e a formação dos membros técnicos do

clarecer que durante a negociação dos novos

GPNA e dos membros do júri. Fica então defini-

diplomas legais ocorreu a “introdução, nesta últi-

do que “O Gabinete da Prova Nacional de Aces-

ma proposta da ACSS, da alteração da nomen-

so à Formação Médica Especializada irá agora

clatura de “prova nacional de seriação” para

definir uma prova piloto para ser testada em

“prova nacional de acesso”, que impõe um paga-

2018 e terá que assegurar que, tal como reco-

mento (direto) por parte do médico para a poder

mendado, a matriz e bibliografia da PNA sejam

realizar”.

publicadas pelo menos 18 meses antes da realização da prova efetiva.”. Importa esclarecer que

Tendo em conta estas recentes notícias

os trâmites pelos quais a prova piloto irá ocorrer

relativamente à nova Prova de Acesso à Forma-

não estão ainda definidos. Tendo em conta o

ção Especializada, e a necessidade eminente da

descontentamento das várias partes envolvidas,

definição mais concisa do procedimento de im-

bem como as conclusões das referidas comis-

plementação da nova prova, a Associação Naci-

sões, iniciou-se, em setembro de 2016, a discus-

onal de Estudantes de Medicina (ANEM) procu-

são e negociação para revisão dos diplomas le-

rou encontrar as posições dos estudantes de

gais referidos, processo que se mantém penden-

medicina de Portugal quanto às questões relaci-

te até aos dias de hoje. Neste contexto, foi divul-

onadas com a prova piloto e os possíveis encar-

gado pela Federação Nacional de Médicos

gos a atribuir aos candidatos pela realização da

(FNAM), em setembro de 2017, o comunicado

prova, tendo sido realizada uma Assembleia Ge-

”Posição da FNAM quanto à Reformulação do

ral local na Covilhã durante o mês de novem-

novo Regime do Internato Médico”, que vem es-

bro. 35


ANEM

De PNS a PNAS: qual o ponto de situ

Através da auscultação dos estudantes As-

3,O valor do encargo não deve ser arbitrá-

sembleia Geral local criou-se a tomada de posi-

rio e deve ter por base uma fórmula que tenha

ção local, que defende que:

em consideração o orçamento referido;

Encargos: Os estudantes de Medicina da Faculdade

de Ciências da Saúde da Universidade da Beira Interior consideram que não devem ser introduzi-

dos encargos aos candidatos para realização da Prova Nacional de Acesso à Formação Específica.

4. A definição do encargo deve seguir uma evolução estável mas tendencialmente gratuita; 5. A qualidade da Prova Nacional de Acesso à Formação Específica deve ser assegurada independentemente da introdução ou não de encargos aos candidatos, e do seu valor;

No entanto, a serem introduzidos encargos, estes devem: 1. Ser definidos critérios estáveis no tempo, e que permitam orçamentar os custos com a conceção, aplicação e execução do novo modelo de Prova Nacional de Acesso à Formação Específi-

ca;

6. Deverá ser assegurada a possibilidade de realização da Prova Nacional de Acesso à Formação Específica pelo candidato, independentemente da condição socioeconómica do mesmo e do valor do encargo atribuído; 7. Não deve existir distinção entre os candi-

2. Só após definição do orçamento e constatação de aumento face aos atuais encargos com a realização do novo modelo de Prova Nacional de Acesso à Formação Específica é que deve ser determinado o valor do pagamento para o candidato;

datos que realizam a prova pela primeira vez e aqueles que já foram candidatos noutros concursos de acesso ao internato médico; - Existindo esta distinção, deve ser feita com encargos para os candidatos pela primeira veze pela segunda ou mais vezes, mas num valor inferior para os primeiros. 36


uação e para onde caminhamos? 

4. Devem poder realizar a prova-piloto os

Prova-piloto:

estudantes do 5º ao 6º ano do Ciclo de Estudos Relativamente à prova-piloto, os estudantes

Integrado em Medicina ou os estudantes do 3º ou

de medicina da Faculdade de Ciências da Saúde

4º anos curriculares do Ciclo de Estudos Integra-

da Universidade da Beira Interior, consideram

do em Medicina do Departamento de Ciências

que:

Biomédicas e Medicina da Universidade do Algarve. 1. A prova-piloto deverá constituir uma re-

presentação fidedigna do novo modelo de Prova Nacional para Acesso à Formação Específica;

5. Os mestres em medicina devem poder realizar a Prova-piloto.

2. A prova-piloto deve ser semelhante ao

6. O enunciado e os critérios de classifica-

novo modelo de Prova Nacional de Acesso à For-

ção da prova-piloto devem ser disponibilizados

mação Específica no que diz respeito ao formato

publicamente após realização da mesma;

de perguntas, à adequação à matriz de conteúdos e à bibliografia;

7. A prova-piloto deverá ser realizada após a divulgação da matriz e da respetiva bibliografia;

3. A prova-piloto deve ser semelhante ao novo modelo de Prova Nacional de Acesso à Formação Específica no que diz respeito às condi-

8. Não devem existir encargos inerentes à realização da prova-piloto.

ções de realização - número de perguntas, tempo por pergunta e duração total;

Por Catarina Gonçalves

37


Educação Médica

Competências Cirúrgicas para o Curso de Medicin pré-graduado da área cirúrgica da FCS-UBI O trabalho que desenvolvi como tese de Mestrado tratou o tema da Educação Médica cirúrgica a um nível prégraduado e tem o nome de “Competências Cirúrgicas para o Curso de Medicina - Proposta de reforma do currículo prégraduado da área cirúrgica da FCS-UBI”.

Escolhi este tema pelo interesse que tenho

Saúde Primários, uma tendência para a subespe-

não só na cirurgia, mas também no ensino médi-

cialização e um aumento no numerus clausus e

co. Inicialmente, o trabalho foi muito influenciado

do conhecimento médico. Apesar disto, os cuida-

pelas minhas perceções em relação ao currículo

dos cirúrgicos agudos continuam a ser uma das

da Faculdade de Ciências da Saúde da Universi-

formas mais cruciais de intervenção médica e

dade da Beira Interior (FCS-UBI), bem como as

não devem ser alvo de desinvestimento, sendo

de vários colegas que, mais tarde, foram entre-

que os conhecimentos e competências cirúrgicas

vistados de forma mais formal. Foi um trabalho

básicas devem ser transversais a todos os médi-

interessante e exaustivo, que resultou numa

cos recém-formados.

grande quantidade de indicações transmitidas à faculdade, no sentido de atualizar o currículo cirúrgico da mesma. Tive a orientação preciosa do Professor Doutor Miguel Castelo-Branco e da Dra. Liliana Duarte.

Num inquérito realizado na FCS-UBI a todos os alunos matriculados no 4º, 5º e 6º ano em 2016/2017 e aos ex-alunos formados em 2016, 2015 e 2014, os alunos consideraram que o tempo dedicado aos conteúdos da cirurgia (tanto a

Este trabalho envolveu uma pesquisa bibli-

nível teórico como prático) é insuficiente, que

ográfica, onde se pôde observar que, a um nível

existe uma discrepância entre os conteúdos leci-

mundial, existe a perceção de que o ensino pré-

onados nos vários hospitais associados ao ensi-

graduado da cirurgia tem perdido preponderância

no da faculdade e que deveria existir um Bloco

nos últimos anos, o que poderá refletir uma ten-

de Cirurgia, com a sua própria avaliação.

dência global de centralização nos Cuidados de 38


na: Proposta de reforma do currículo Num inquérito realizado na FCS-UBI a

O trabalho propôs a criação de um Bloco

todos os alunos matriculados no 4º, 5º e 6º ano

de Cirurgia, transversal desde o 3º ao 6º ano,

em 2016/2017 e aos ex-alunos formados em

com a separação consequente das especialida-

2016, 2015 e 2014, os alunos consideraram que

des constituintes do Bloco de Digestivo atual: a

o tempo dedicado aos conteúdos da cirurgia

Cirurgia Geral e a Gastroenterologia. Também

(tanto a nível teórico como prático) é insuficien-

se recomendou o fim das aulas teóricas nos di-

te, que existe uma discrepância entre os conte-

ferentes hospitais, aliado ao início de seminá-

údos lecionados nos vários hospitais associa-

rios a decorrer na FCS-UBI, do 3º ao 5º ano.

dos ao ensino da faculdade e que deveria existir

Várias outras alterações foram propostas, como

um Bloco de Cirurgia, com a sua própria avalia-

a extensão dos estágios opcionais a outros

ção.

anos (atualmente apenas o 5º ano tem). Analisando vários dados públicos que fo-

Desta tese resultou ainda um Mapeamen-

ram pedidos à Administração Central do Siste-

to Curricular para as áreas cirúrgicas, que pode

ma de Saúde (ACSS), concluiu-se também que

ser consultado e, se assim desejado por al-

existia, àquela data, evidência estatística de os

guém, utilizado para cimentar / iniciar outros

candidatos da FCS-UBI apresentarem, no pro-

trabalhos na área da Educação Médica.

cesso de escolha da especialidade, uma menor apetência pelas especialidades cirúrgicas face aos candidatos das outras Universidades. Este facto revela que a faculdade poderá ter um papel na opção por carreiras cirúrgicas, por parte dos seus alunos. Se assim for o caso (que pare-

O trabalho desenvolvido já começou a ter influência direta no currículo da nossa faculdade que, a seu tempo, e se os resultados e a satisfação dos alunos estiverem de acordo com o previsto, poderá adotar cada vez mais recomendações.

ce ser), a FCS-UBI deverá passar a ter um papel mais ativo para garantir que os alunos não deixam de seguir carreiras cirúrgicas.

Por André Valente Médico Interno de Ano Comum no CHCH

A tese pode ser acedida online em http://www.fcsaude.ubi.pt/thesis2. Se alguém quiser saber mais sobre o trabalho, poderá contactar-me para a28785@fcsaude.ubi.pt. 39


Educação Médica

LaC— o que foi, o que é e as expectat O LaC – Laboratório de Competências da FCS-UBI é, como todos sabemos, um local de aprendizagem e, sobretudo, de aplicação de

competências – técnicas e não técnicas – que são complementares ao estudo teórico do nosso currículo. Nesta edição, falámos com o Dr. Ricardo Tjeng, coordenador executivo do LaC, e fomos à descoberta do que foi, do que é, e do que ainda está para vir num futuro que se avizinha promissor para esta iniciativa:

Quais os objetivos iniciais da criação do LaC?

um dos principais problemas sempre foi a falta de

recursos humanos específicos para o LaC. HaDr. Ricardo Tjeng: O LaC foi criado em 2002,

via muitos colaboradores pontuais. É verdade

inicialmente direcionado para o Mestrado Integra-

que naquela época era menor o número de alu-

do em Medicina, e o seu objetivo fundamental

nos, o que possibilitava o ensino em pequenos

era o ensino prático de competências técnicas.

grupos, apesar de poucos docentes. Ao longo

Foi desenvolvido no sentido de integrar o currícu-

dos anos, com o desenvolvimento do LaC, o seu

lo do MIM desta Faculdade, como complemento

programa curricular também sofreu diversas mo-

longitudinal aos ensinamentos teóricos que fa-

dificações e expansão. Felizmente, atualmente

zem parte do curso.

existe uma equipa docente maior e dedicada ao LaC. Um dos desafios é conciliar o horário de

Quais considera que foram os principais pro-

ensino com as atividades assistenciais que todos

blemas que o LaC teve de enfrentar no início,

os docentes do LaC realizam.

e quais os problemas atuais? Quais os principais aspetos em que acha que Dr. RT: Faço parte da equipa do LaC há aproxi-

o LaC mudou desde o início?

madamente 10 anos, inicialmente, notava que o Prof. Doutor Miguel Castelo-Branco era o respon-

Dr. RT: Considero que o ensino de competências

sável por grande parte das práticas, e portanto

não-técnicas sempre foi uma preocupação da 40


tivas de futuro faculdade, e, ao longo destes anos, tem havido

de Medicina. Pode explicar-nos um pouco

uma mudança, que considero necessária e muito

mais o que se está a fazer neste momento?

favorável, no sentido de atribuir mais importância a estas. Tal não significa que deixemos as com-

Dr. RT: O ensino pré-graduado no qual o LaC

petências técnicas, pois estas continuam a ser

estava inicialmente inserido era no curso de Me-

importantes, mas dar mais relevo às competên-

dicina, entretanto hoje o LaC já colabora com os

cias não-técnicas, e que estas sejam integradas.

cursos de Ciências Farmacêuticas, Optometria,

Por exemplo, no treino de competências em gine-

Ciências do Desporto e Ciências Biomédicas.

cologia eram praticadas apenas as técnicas

Tem havido inclusive pedidos de outras institui-

(colheita de citologia do colo do útero, semiologia

ções para colaborações do LaC noutros cursos.

da mama). Enquanto que, hoje, é objetivo do

Relativamente aos projetos de investigação, mui-

nosso programa que as competências técnicas

tos dos docentes do LaC sempre tiveram interes-

sejam integradas de modo a que haja, também,

se na área da Educação Médica, nomeadamente

oportunidade de treino de competências não-

no ensino de competências técnicas e não-

técnicas. Aspetos como: a abordagem da utente,

técnicas, peer-teaching, profissionalismo e supor-

comunicação, atitude, profissionalismo são tão

te de vida. Outra área de grande interesse e in-

importantes como saber realizar as técnicas.

vestimento é a área de simulação, nomeadamente com a implementação da simulação de alta fidelidade. O LaC tem também apoiado a realiza-

Fizemos uma pequena pesquisa, e vimos que

ção de trabalhos de investigação pelos seus pró-

o LaC colabora em imensos projetos de in-

prios docentes e estimulado a elaboração de te-

vestigação e mesmo com outros cursos fora

ses de mestrados de alunos nestas áreas.

41


Educação Médica LaC— o que foi, o que é e as expectativas de futuro

Sempre que possível, o LaC tem participado em

des de aprendizagem adequadas para os alunos

projetos de educação profissional continuada

adquirirem suas competências, investir no desen-

com o desenvolvimento de cursos de formação

volvimento docente de modo a promover a for-

pós-graduada, destinados principalmente, mas

mação profissional e melhoria no processo global

não exclusivamente a profissionais de saúde

de ensino-aprendizagem. Aumentar a oferta de

(p.ex. Suporte Avançado de Vida, Curso de Ven-

cursos pós-graduados, continuar o estímulo à

tilação Não Invasiva, Curso de Abordagem do

investigação em educação médica docente e dis-

Risco Cardiovascular, entre outros). Certamente

cente, e progredir especificamente na área da

a colaboração com o MedUBI é de fundamental

simulação. É preciso ainda ressaltar a continuida-

importância, tanto nas suas solicitações de apoio

de do programa de Monitores do LaC, sob res-

ao ensino, quanto na articulação direta em proje-

ponsabilidade da Dra. Juliana Sá, um programa

tos de intervenção na comunidade.

que tem sido muito benéfico para os alunos. Por último, crescer na articulação dentro e fora da

Última pergunta: quais são os objetivos do

UBI, criando um ambiente verdadeiramente multi-

LaC para este ano letivo e para o futuro?

disciplinar.

Dr. RT: Trabalhar para oferecer um ensino pré-

Por Inês Rento e Francisca Viana

graduado de qualidade, proporcionar oportunida-

Fotografia da faculdade por Pedro Lopes

Deixamos desde já o nosso agradecimento ao Dr. Ricardo Tjeng pela sua colaboração, e, para mais informações acerca das atividades do LaC e sobre como podes colaborar, sente-te à vontade para contactar lac@fcsaude.ubi.pt! 42


Representantes de Ano 3.º ano Indispensáveis na dinâmica de qualquer faculdade, as comissões de representantes de ano assumem-se como a ponte entre a instituição e os seus estudantes, trabalhando de modo 100% voluntário para que as suas vozes não caiam no esquecimento. Mas o que move estes estudantes?

Pedimos ao José Carlos Ganicho, membro da comissão do 3.º ano, que nos elucidasse com seu testemunho,

“Todos nós vimos para Medicina, acima de

pendo de pelo terceiro ano consecutivo pertencer

tudo, devido a uma enorme vontade de ajudar os

à Comissão de Representação de Ano. No entan-

outros e de marcar a diferença na vida das pes-

to, isto não é uma função realizada sozinho: ape-

soas. Para isso, é essencial que nós enquanto

nas através do esforço e dedicação de duas pes-

estudantes de medicina tenhamos consciência do

soas extremamente trabalhadoras, Salomé Ca-

mundo que nos rodeia, dos problemas que nele

marinha e Raquel Serrano, é possível resolver os

existem e que sejamos agentes ativos para os

problemas do ano.

resolver. Nesse sentido, uma das maneiras que encontrei para ajudar e contribuir para a resolu-

Acredito verdadeiramente que os estudan-

ção de problemas, especialmente aqueles relaci-

tes podem, de forma efetiva, criar mudanças que

onados com a nossa formação, foi através da Co-

melhorem as suas condições de ensino e é por

missão de Representação de Ano.

isso que acho que todos nós deveríamos fazer

Ser representante de ano é portanto uma

um esforço para nos envolvermos ativamente no

grande responsabilidade, no entanto, é também

nosso percurso educativo e nas iniciativas que

uma oportunidade para intervir ativamente na

promovem o envolvimento estudantil.

nossa formação, para tentar criar melhorias no processo educativo e para defender os nossos interesses. Através da comunicação e articulação com os docentes da nossa Faculdade, as comissões de ano tentam, todos os dias, facilitar as vidas

Concluindo, espero que através da minha mensagem tenha incentivado alguns dos leitores a participarem e adotarem uma posição mais ativa no mundo que os rodeia, porque só assim, é que todos juntos podemos criar mudança!“ -José Ganicho

dos estudantes que representam e, embora leve por vezes a ocasionais frustrações, não me arrePor Rita Cagigal

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Med’s Health Medicina Desportiva Sempre foste um amante do desporto e ciente dos seus benefícios gostarias de conciliar uma carreira médica e a promoção da atividade física

como prescrição base para um estilo de vida saudável? Pois bem, talvez queiras descobrir um pouco mais sobre Medicina Desportiva.

Sabias que… Vem assumindo um papel primordial na prevenção de doenças cardiovasculares, metabóliA medicina desportiva é uma especialidade

cas, neoplásicas, psiquiátricas e outras, através

médica que se ocupa da prevenção, profilaxia,

da prescrição da prática do exercício físico regu-

diagnóstico e tratamento das diversas patologias

lar.

relacionadas com o exercício físico e a prática desportiva em todos os grupos etários. Esta especialidade inclui segmentos teóricos e práticos da medicina com o objetivo de investigar a influência do exercício físico regular e do desporto sobre as pessoas sadias ou doentes, com a finalidade de prevenir, tratar e reabilitar. Desta maneira, ocupa-se da avaliação e

A sequência de formação tem a duração de 4 anos e abrange um conjunto de estágios em múltiplas áreas como: - Medicina desportiva geral; - Cardiologia (que inclui períodos de formação em cardiologia desportiva; electrocardiografia e ecocardiografia; Provas de esforço e Holter);

- Pneumologia; - Fisiologia do exercício físico;

acompanhamento dos praticantes de atividade

- Ortopedia e traumatologia;

físico-desportiva antes, durante e após a prática

- Fisiatria;

desta atividade. Por outro lado, a Medicina Des-

- Patologia clínica e toxicologia;

portiva está direcionada não só a atletas de alto

- Estágio opcional:

nível, mas também para pessoas que procuram

a) Psicologia desportiva,

utilizar a atividade física como meio de melhorar

b) Dietética e nutrição;

a sua saúde. 44


A importância do exame médico desportivo O exame médico desportivo é realizado por um médico especialista e consiste numa avaliação médica que se inicia pela recolha da história clínica e antecedentes pessoais e familiares,

complementado com um exame sumário de diferentes órgãos e sistemas. Neste exame, o Para todos os praticantes de desporto há

clínico deve ter especial atenção à HTA, diabe-

sempre uma oportunidade para a realização de

tes, patologias ortopédicas, auditivas e visuais.

um check-up para conferir se tudo está bem,

O exame consiste numa consulta de medicina

através do exame médico desportivo. Trata-se

do desporto e um ECG. Só revelando alguma

de um exame recomendado a todos os despor-

anomalia é que o atleta é encaminhado para o

tistas. Apesar disso, o exame médico desporti-

ecocardiograma, que permite com um grau de

vo torna-se obrigatório para os praticantes des-

segurança muito elevado excluir ou diagnosticar

portivos, árbitros, juízes e cronometristas filia-

duas das grandes causas associadas à morte

dos ou que se pretendam filiar em federações

súbita no desporto. A prova de esforço não tem

dotadas de utilidade pública desportiva.

lugar na abordagem inicial. Contudo, se um in-

As Federações que possuam praticantes

divíduo se encontra numa faixa etária acima

desportivos inscritos no regime de alto rendi-

dos 35 anos, já é recomendável a realização da

mento devem, obrigatoriamente, ter um médico

prova de esforço para diagnosticar eventuais

habilitado com formação específica reconhecida

problemas antes que eles ocorram. Isto depen-

pelo Colégio da Especialidade de Medicina

dendo, naturalmente, do tipo de desporto.

Desportiva da Ordem dos Médicos ou um titular

Este exame deve ser sempre realizado mes-

de Curso de Pós-Graduação em Medicina Des-

mo que não se tenha como finalidade o preen-

portiva aprovado por aquele órgão. Sempre que

chimento do respetivo boletim de aptidão para

os praticantes desportivos pretendam competir

prática desportiva, uma vez que permite verifi-

no escalão imediatamente superior ao corres-

car o estado de saúde e tratar patologias que

pondente à sua idade, são observados em exa-

se detetem na avaliação e delinear procedimen-

me de avaliação médico-desportiva geral e em

tos futuros para uma vida mais saudável.

consulta de Cardiologia. A prática desportiva com caráter regular favorece o bem-estar físico e psíquico e fará de cada um de nós uma pessoa mais saudável.

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VII Edição Diagnóstico, Janeiro 2018  

VII edição da revista Diagnóstico, revista do MedUBI - Núcleo de Estudantes de Medicina da Universidade da Beira Interior

VII Edição Diagnóstico, Janeiro 2018  

VII edição da revista Diagnóstico, revista do MedUBI - Núcleo de Estudantes de Medicina da Universidade da Beira Interior

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